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    Kaung, Stephen

    O modelo para a edificação da igreja

    Leituras bíblicas

    Efésios 1:11

    NEle, isto é, em Cristo, em Quem também obtivemos uma herança, tendo sido predestinados segundo o propósito dAquele que opera todas as coisas conforme o conselho da Sua própria vontade.

    Hebreus 8:5

    Os quais servem à representação e à sombra das coisas celestiais, conforme Moisés foi divinamente instruído quando estava para fazer o tabernáculo: “Vê”, disse Ele, “que faças todas as coisas segundo o modelo que te foi mostrado no monte”.

    Êxodo 25:9

    Conforme tudo o que Eu te mostrar, o modelo do tabernáculo e o modelo de todos os seus móveis, assim o fareis.

    1 Crônicas 28:11, 19

    E Davi deu a Salomão, seu filho, o modelo do pórtico, das suas casas, das suas tesourarias, das suas câmaras superiores, das suas câmaras interiores e do lugar do propiciatório; e o modelo de tudo o que tinha recebido pelo Espírito.

    “Tudo isto”, disse Davi, “por escrito, pela mão do Senhor sobre mim, instruindo-me acerca de todas as obras do modelo”.

    Colossenses 2:6-8

    Portanto, assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle; arraigados e edificados nEle, e estabelecidos na fé, assim como fostes ensinados, abundando nela com ações de graças.

    Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua por meio de filosofia e vã sutileza, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

    Oração inicial

    Querido Senhor, queremos agradecer-Te por nos dares a Tua Palavra. Sabemos que a Tua Palavra é a verdade, e que a Tua Palavra é vida e espírito.

    Por isso, querido Senhor, pedimos que o Teu Espírito Santo, que é o único que pode interpretar a Tua Palavra, o único que pode traduzir a Tua Palavra em Tua Pessoa, sopre novamente sobre a Tua Palavra escrita e a torne viva e operante em nossa vida.

    Querido Senhor, queremos nos curvar diante da Tua Palavra. Queremos nos entregar à operação do Teu Espírito. Somente Tu podes nos introduzir na realidade da Tua Palavra, e simplesmente nos lançamos sobre Ti, confiando e crendo que Tu o farás.

    Tudo é para o louvor da Tua glória. Pedimos em nome do nosso querido Senhor Jesus Cristo. Amém.

    A centralidade da edificação da igreja

    Mencionamos ontem de manhã que, durante as manhãs, o foco da nossa atenção estará nesta única palavra: edificar. Nosso Senhor Jesus disse:

    Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    A obra do nosso Senhor Jesus é edificar a Sua igreja. Ele disse:

    Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.

    E qual é essa obra que o Pai tem realizado e que o Filho continua a realizar? Cremos que é a obra de edificar a Sua igreja.

    Assim, podemos ver como essa questão da edificação da igreja é importante para Deus, o Pai, e para o nosso Senhor Jesus, o Filho.

    Irmãos e irmãs, penso que, em nossos dias, especialmente durante o último ano, ao viajar por vários lugares, tenho percebido entre o povo de Deus um interesse, ou uma preocupação, cada vez maior com essa questão da edificação da igreja.

    Parece que, em toda parte, o povo de Deus está fazendo esta pergunta: “Como a igreja pode ser edificada? A igreja está sendo edificada?”. Creio que há uma razão por trás disso. Creio que o Espírito de Deus está se movendo entre o Seu povo, preparando-o para a volta do nosso Senhor Jesus.

    Por que, depois de tanto tempo — vinte séculos —, Ele ainda não veio? Irmãos e irmãs, perguntamos e oramos: “Senhor, por que demoras?”. O povo de Deus está clamando em toda parte, mas parece que o céu ainda O retém.

    Penso que uma das principais razões é que a igreja ainda não está edificada. O Noivo não pode voltar se a noiva ainda não está pronta.

    Em certo sentido, pensamos que estamos esperando por Ele; mas, na realidade, Ele está esperando por nós. O Noivo não virá enquanto a noiva não estiver preparada.

    Por isso, sinto que essa questão da edificação da igreja é de uma importância tremenda nestes últimos dias. A igreja precisa ser edificada para que Cristo possa voltar e recebê-la como Sua própria noiva.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, considerem essa questão da edificação da igreja como nossa principal preocupação durante os dias que nos restam de vida.

    Os princípios da edificação

    Mencionamos ontem de manhã que, quando pensamos nessa questão da edificação, a primeira ocorrência dessa palavra se encontra em Gênesis 2:22. Deus tirou algo do lado de Adão, edificou aquilo em uma mulher e, então, levou a mulher ao homem.

    Nessa primeira ocorrência da palavra edificar, vocês podem descobrir todos os principais princípios envolvidos nessa questão da edificação. Antes de tudo, antes de edificar qualquer coisa, há um propósito.

    Depois, quando se edifica algo significativo, é preciso ter uma planta — um modelo. Com um modelo, começamos a preparar os materiais e a reuni-los. Então vem o processo de transformar essas matérias-primas em sua forma acabada, em uma edificação.

    Finalmente, depois que a edificação está concluída, ela serve a um propósito. Portanto, há uma apresentação. Durante estas manhãs, é isso que gostaríamos de considerar juntos diante do Senhor.

    Ontem de manhã, consideramos a questão do propósito. Quando pensamos na igreja, não estamos tratando de algo pequeno.

    Pois, antes mesmo das eras, antes de haver tempo, antes de haver espaço, antes de Deus criar os céus e a terra, Deus já havia estabelecido um propósito em Cristo Jesus.

    E Ele estabeleceu esse propósito segundo o beneplácito da Sua vontade. Em outras palavras, isso Lhe agradou. Agradou-Lhe ter esse propósito, e Ele o estabeleceu em Seu Filho e para Seu Filho.

    Mencionamos ontem de manhã que Ele amava tanto o Seu Filho que desejava expressar o Seu amor por Ele. De todos os presentes que poderia dar ao Seu Filho, o melhor de todos — aquele que realmente corresponde ao próprio coração do Seu Filho — é a igreja.

    Portanto, irmãos e irmãs, vemos que a origem da igreja remonta à eternidade passada e está no próprio coração de Deus. Se é assim, entendemos imediatamente como é significativa, importante e gloriosa a edificação da igreja.

    O modelo divino

    Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o segundo ponto, que é o modelo. Se vocês querem edificar algo significativo, não podem simplesmente ter uma ideia e começar a executá-la. Precisam elaborar um plano.

    Se não têm o conhecimento técnico, contratam um arquiteto. Vocês dizem ao arquiteto o que têm em mente: que tipo de edifício desejam e a que propósito esse edifício servirá.

    Depois de ouvir suas ideias, o arquiteto, com seu conhecimento técnico, colocará essas ideias em uma planta, em um modelo. Então, depois que o modelo estiver definido, vocês começam a construir.

    Se é assim que o homem constrói, quanto mais deve ser assim que nosso Deus edifica a Sua igreja! A Bíblia nos diz que os Seus pensamentos são mais altos que os nossos pensamentos, e os Seus caminhos são mais altos que os nossos caminhos, assim como os céus estão acima da terra.

    Queridos irmãos e irmãs, quando pensamos em algo e planejamos algo, estamos sempre limitados por nós mesmos. Somos terrenos. Mas Deus está no céu, e os Seus pensamentos são mais altos que os nossos pensamentos. Os Seus caminhos são muito mais altos que os nossos caminhos.

    Portanto, na edificação da igreja, Deus não apenas concebeu um pensamento, um propósito, mas também estabeleceu um plano antes de fazer qualquer coisa. É isso que Efésios 1:11 quer dizer quando afirma que Ele opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade.

    Ele estabeleceu um propósito segundo o beneplácito da Sua vontade; então, depois de estabelecer esse propósito, determinou um conselho, um plano, sobre como realizar aquilo que havia proposto. Cremos que, quando Deus faz qualquer coisa, Ele sempre a faz de acordo com o plano que estabeleceu.

    Adão como modelo para Eva

    Mencionamos ontem que, mesmo quando Deus disse que faria para Adão uma auxiliadora que lhe correspondesse, depois de decidir fazer isso, Ele procurou um modelo. É por isso que vemos que Ele levou todos aqueles seres vivos a Adão.

    Adão olhou para todos aqueles seres vivos. Será que Deus queria apenas que Adão lhes desse nomes? Deve haver algo além disso. Deus levou aquelas criaturas diante de Adão para que ele pudesse escolher e ver se encontrava sua auxiliadora, sua correspondente, alguém que respondesse plenamente ao desejo do seu coração.

    Em outras palavras, Deus usou o processo de eliminação. Deus já sabia qual seria o modelo, mas Adão não sabia, e Deus queria que Adão passasse por esse teste.

    Teria sido uma tragédia se Adão tivesse dito: “Bem, vou ter que aceitar o que há — não o melhor”. Deus criou tudo segundo a sua própria espécie. Deus não gosta de híbridos.

    Graças a Deus, Adão não cedeu simplesmente e disse: “Bem, qualquer coisa serve”. Ele não conseguiu encontrar sua auxiliadora. Então Deus fez Adão dormir e tirou algo dele.

    Nossa Bíblia traduz isso como “costela”, mas, no original, significa realmente algo tirado de Adão. Deus tirou algo de Adão e, com esse algo, edificou a mulher.

    Em outras palavras, quando Deus edificou a mulher, Adão — o homem — era o modelo. Por isso, vemos que os dois são exatamente semelhantes e podem ser unidos novamente em um só.

    Em todas as Suas operações, Deus sempre trabalha segundo um modelo.

    O modelo do tabernáculo

    Por exemplo, quando Deus tirou os filhos de Israel do Egito, levou-os ao Sinai e lhes disse:

    Fazei-Me um santuário, para que Eu habite no meio de vós.

    Sabem, irmãos e irmãs, o desejo original de Deus ao criar o homem é habitar entre os homens. Ele quer que o homem seja Sua casa, Seu lar.

    Em Isaías 66:1, Deus disse:

    O céu é o Meu trono, e a terra é o estrado dos Meus pés; mas onde está a casa que Me edificareis?

    Em outras palavras, os céus e a terra são o escritório de Deus, mas onde está o lar de Deus? Onde Ele habitará?

    Seu desejo é habitar entre os homens.

    Fazei-Me um santuário, para que Eu habite no meio de vós.

    Deus é santo. Ele não pode habitar diretamente, por assim dizer, entre os filhos de Israel. Só poderia habitar entre eles por meio de um santuário.

    Sabemos que Moisés foi instruído em toda a ciência do Egito. Naquela época, o Egito era uma grande nação, conhecida por sua arquitetura. Ainda hoje, vocês podem ir ao Egito e ver as pirâmides. Essas pirâmides são maravilhas arquitetônicas.

    Mesmo naqueles tempos antigos, eles tinham a habilidade e o conhecimento necessários para construir edifícios extraordinários. Moisés era poderoso em palavras e obras. Foi instruído em toda a ciência do Egito. Em certo sentido, era um grande arquiteto, um grande construtor, um construtor de impérios.

    Quando Deus disse que Moisés deveria construir-Lhe um tabernáculo para que Ele habitasse entre eles, isso teria sido uma tarefa muito simples para Moisés. Provavelmente ele teria dito: “Senhor, está bem. Vou construir para Ti um que realmente glorifique o Teu nome”. Então teria começado a elaborar o plano, desenhar a planta e construí-lo.

    Mas, curiosamente, Deus disse a Moisés tudo sobre a construção do tabernáculo. Ele deu a Moisés uma planta detalhada — o modelo no monte.

    Ele mostrou a Moisés todo o tabernáculo: não apenas sua forma e seu tamanho, mas até os materiais, as cores, o formato de cada utensílio e a maneira de adorar no santuário. Deus não deixou nada a critério de Moisés nem permitiu que ele introduzisse suas próprias ideias.

    Esse é o santuário de Deus. Essa é uma casa na qual Deus habitaria, e somente Ele a planejaria. Ele não permitiria que Moisés a alterasse.

    Ele advertiu Moisés repetidas vezes:

    Faze tudo segundo o modelo que te mostrei no monte.

    Agora, irmãos e irmãs, sabemos que Moisés era o servo fiel de Deus. Ele era fiel em toda a casa de Deus. Em que sentido era fiel? No sentido de que fazia tudo segundo a ordem de Deus.

    Ele não introduziu, não ousou introduzir e não quis introduzir suas próprias ideias no santuário. Seguiu exatamente, em cada detalhe, aquilo que Deus lhe havia mostrado no modelo. Essa era a sua fidelidade.

    Por isso, vocês se lembram de que, em Êxodo 40, quando o tabernáculo foi construído, erguido e todos os utensílios foram colocados em seus devidos lugares, a glória de Deus encheu aquele lugar. Em outras palavras, Deus tomou aquele lugar como Seu santuário.

    O modelo do templo

    O mesmo aconteceu depois que os filhos de Israel entraram na terra prometida. Durante centenas de anos, Deus ainda habitou em uma tenda, até que Davi se tornou rei.

    Davi amava muito a Deus. Era um homem segundo o coração de Deus, e teve a ideia de construir para Deus um templo permanente.

    Embora Deus não lhe permitisse construí-lo, porque era um homem de guerra e havia derramado muito sangue, o desejo de Davi era precioso para Deus. Aquele templo tinha que representar Deus; tinha que ser um símbolo de paz.

    Deus conhecia o coração de Davi, como ele amava a Deus e amava a casa de Deus. Por isso, Deus mostrou a Davi o modelo do templo por meio do Seu Espírito.

    A mão de Deus estava sobre Davi. Em outras palavras, a mão de Deus estava sobre a mão de Davi e a guiava ao desenhar as plantas. Foi Deus Quem desenhou a planta.

    Salomão era o mais sábio de todos os homens porque pediu uma coisa a Deus. Em vez de pedir riquezas, poder ou outras coisas, pediu a Deus um coração entendido. Em outras palavras, queria compreender Deus e a vontade de Deus.

    Por isso, era o mais sábio de todos os homens. Sua sabedoria se expressou na construção do templo. Ele construiu o templo exatamente segundo o modelo que Deus havia mostrado a seu pai, Davi. Essa era a sabedoria de Salomão.

    Portanto, irmãos e irmãs, sempre que Deus põe Sua mão sobre algo para edificá-lo, Ele primeiro tem um modelo. Então trabalha conforme o conselho da Sua vontade, exatamente segundo o modelo, até que a obra esteja concluída. Somente então a obra concluída pode ser aceita por Ele.

    A edificação de Eva, a construção do tabernáculo e a construção do templo são todas figuras. A Bíblia diz que são sombras. Não são a realidade eterna.

    Mas até essas sombras precisavam corresponder exatamente à verdadeira imagem, à realidade. Deus os advertiu repetidas vezes de que tudo deveria ser feito segundo o modelo.

    Se é assim, quanto mais importante isso é quando Deus está edificando uma realidade eterna — a igreja.

    A igreja não é um produto da história

    Mas hoje, quando mencionamos essa questão da igreja, as pessoas perguntam: “A edificação da igreja tem um modelo?”. Provavelmente, a maioria das pessoas pensa na igreja como um produto da história. Em outras palavras, a igreja não tem um modelo.

    No início, quando as cento e vinte pessoas no cenáculo foram batizadas em um só Espírito em um só corpo, e no mesmo dia três mil foram acrescentadas àquele corpo de Cristo, elas simplesmente se reuniam.

    Não havia um programa. Não havia uma organização. Elas se reuniam, partiam o pão de casa em casa e, quando precisavam se reunir em maior número, iam ao pórtico de Salomão. Ali, naquele lugar aberto, cantavam, oravam e tinham comunhão. Tudo era tão rudimentar.

    Então, gradualmente, como resultado da história, começaram a se organizar um pouco mais. Havia muitas pessoas e, embora todas fossem judias, havia judeus hebreus e judeus helenistas.

    Alguns judeus haviam nascido e sido criados na terra prometida, enquanto outros haviam nascido e sido criados em cidades gentílicas. Os judeus helenistas tinham cultura grega, mas Deus reuniu esses judeus hebreus e helenistas e os uniu em um só corpo.

    Mas, em pouco tempo, surgiu um problema. Aqueles que tinham responsabilidades eram judeus hebreus e conheciam a situação dos irmãos e irmãs que viviam em Jerusalém e na Judeia.

    Na distribuição de alimentos às viúvas, eles negligenciavam as viúvas dos judeus helenistas porque não conheciam sua verdadeira situação. Havia murmuração entre eles.

    Graças a Deus, Ele lhes deu sabedoria. Disseram que precisavam de sete homens, cheios do Espírito Santo e de boa reputação, para cuidar das mesas, de modo que pudessem se dedicar à oração e ao ministério da Palavra.

    Assim, sete pessoas foram escolhidas para cuidar das mesas. Hoje as chamamos de diáconos. Então, gradualmente, isso se desenvolveu ainda mais. Mais tarde, até mesmo em Jerusalém, encontramos presbíteros.

    Depois, a igreja começou a se espalhar. À medida que se espalhava e crescia, gradualmente se introduzia mais organização.

    Quando chegamos ao século IV, Constantino, o Grande, tornou o cristianismo uma religião aceita. Tornou-se moda entrar na chamada igreja, e milhares e milhares afluíram a ela.

    Os soldados, se estivessem dispostos a ser batizados, receberiam dinheiro e cargos no governo. Quem não faria isso? Naquela época, a maioria das pessoas na igreja não era salva. Sua origem era pagã, e elas ainda ansiavam por suas festividades e festas pagãs.

    Para atender aos seus desejos, surgiram todas essas chamadas festividades cristãs. O aniversário do deus-sol se tornou o Natal, porque diziam que Cristo é o Sol da justiça. Muito esperto.

    Irmãos e irmãs, vemos cada vez mais organização sendo introduzida. Em pouco tempo, os bispos já não atuavam simplesmente como presbíteros de igrejas locais; começaram a governar dioceses. Depois vieram os arcebispos, os cardeais e o papa.

    Em outras palavras, vemos a igreja começar a se desenvolver e se desenvolver, até se tornar uma nação, um país acima dos países, um império mundial. É uma questão de história.

    Algumas pessoas não estavam satisfeitas com isso. Começaram a se separar, e então temos todas essas diferentes denominações e organizações, com diferentes ênfases e diferentes focos.

    Assim, as pessoas dizem: “A igreja não tem um modelo. É apenas o produto da história. Não podemos voltar à condição primitiva do primeiro século para edificar uma igreja. Estamos no século XXI. Há um progresso, e precisamos seguir adiante”.

    Irmãos e irmãs, na mente de muitas pessoas hoje, a igreja é moldada segundo o mundo. Conforme o mundo muda, a igreja muda.

    Mesmo em nosso tempo, a chamada igreja funciona segundo os princípios do mundo. Para ser pastor de uma grande igreja, é preciso ter capacidade administrativa, porque se está governando um império. Isso se torna mais importante do que ter a Palavra viva de Deus.

    A igreja é moldada segundo o mundo, como uma grande organização, uma grande empresa, uma grande corporação. Em vez de o mundo imitar a igreja, a igreja segue o caminho do mundo.

    Por quê? Porque pensamos que não há um modelo da parte de Deus. Temos que desenhar nossas próprias plantas para edificar uma igreja. É claro que aquilo que edificamos é a torre de Babel.

    Outros dizem que a igreja não tem um modelo, mas deve ser edificada segundo a engenhosidade do homem — a sabedoria humana para edificar uma igreja de acordo com a época e com a necessidade.

    Se vocês querem encontrar um modelo, dizem eles, talvez tenham que recorrer à tradição. Alguém com sabedoria e capacidade inventa algo ou estabelece regras, regulamentos, métodos e técnicas sobre como edificar uma igreja.

    Com o passar do tempo, os que vêm depois simplesmente seguem a tradição dos pais. É assim que a igreja é edificada.

    O peso da tradição humana

    Como no judaísmo, vemos que seguiam as tradições dos pais. No início, era uma fé viva. Quando os filhos de Israel se reuniram no monte Sinai e Deus lhes deu os Seus Dez Mandamentos, aquilo era a Palavra viva de Deus.

    Naquele tempo, era uma fé viva. Mas, à medida que os anos passavam, as pessoas começaram a perguntar: “O que queres dizer com guardar o sábado? Deus disse: ‘Guarda o sábado. No sábado, não faças trabalho algum’. O que queres dizer com trabalho? O que é trabalho?”.

    Então, ao longo dos séculos, esses sábios rabinos começaram a explicar o que significava trabalho. Suas explicações foram novamente explicadas pelos rabinos das gerações seguintes.

    Assim, palavra sobre palavra foi acrescentada, até se tornar uma enorme tradição. Ela sufocou e enterrou a Palavra de Deus, o mandamento de Deus.

    No tempo de Cristo, foi isso que Ele disse: eles seguiam as tradições dos homens, e o mandamento de Deus estava enterrado sob montanhas de tradição.

    Nos Evangelhos, estavam sempre reclamando, murmurando e criticando nosso Senhor, porque diziam que Ele estava violando o sábado. No sábado, Ele curava e fazia o bem, e eles diziam que Ele havia transgredido o sábado. Por isso, queriam se livrar dEle.

    Como era forte a tradição dos homens!

    Irmãos e irmãs, a igreja seguiu os mesmos passos do judaísmo. Em certo sentido, vemos que o cristianismo tem se tornado cada vez mais judaizado.

    No judaísmo, há várias coisas que são proeminentes e absolutamente necessárias. Primeiro, é preciso ter um lugar de adoração: Jerusalém, o templo.

    Mesmo depois que Jerusalém e o templo foram destruídos, e o povo judeu foi levado cativo para a Babilônia, eles ainda queriam adorar a Deus. Graças a Deus, ao levá-los para uma terra de adoração a ídolos, Ele os curou de sua idolatria.

    Mas eles não podiam voltar a Jerusalém. Não havia templo ali. Então, o que fizeram? O povo judeu é muito inteligente. Uma das coisas mais engenhosas que inventaram foi a sinagoga.

    Se houver dez homens com disponibilidade — não homens sem emprego, mas homens dispostos a dedicar tempo a propósitos religiosos —, é possível organizar uma sinagoga.

    Vocês podem organizar uma sinagoga de acordo com o que desejam. Podem reunir pessoas que pensam da mesma maneira, que têm as mesmas ideias, as mesmas opiniões, talvez o mesmo temperamento ou a mesma profissão, e organizar uma sinagoga.

    Na sinagoga, vocês podem ler a Torá, os cinco livros de Moisés. Podem ler os profetas, orar a Deus e cantar. Havia muita liberdade na sinagoga, porque as pessoas podiam compartilhar e ter comunhão.

    Vocês se lembram de que, quando Paulo e Barnabé foram à sinagoga, foram convidados a falar. Havia muita liberdade. A única coisa que não podiam fazer era oferecer sacrifícios. Segundo a lei, sem derramamento de sangue não há remissão de pecados.

    Portanto, no judaísmo, é preciso ter um lugar de adoração — o templo ou a sinagoga. Fora desse lugar, não há adoração.

    É preciso ter um conjunto de regras e regulamentos. É preciso ter uma forma de adoração: rituais e cerimônias. É preciso ter uma classe especial de pessoas treinadas para adorar.

    Agora, irmãos e irmãs, se vocês olharem para o cristianismo hoje, veem alguma diferença?

    Aquele prédio na esquina da praça é chamado de lugar de adoração, como se, fora daquele lugar, não fosse possível adorar. Se vocês querem adorar a Deus, vão àquele lugar. Esse é o lugar de adoração.

    Toda organização cristã precisa ter um credo. Precisa haver um programa de culto. Precisa haver alguém, ou algumas pessoas, especialmente treinadas para dirigir o culto.

    Não é verdade que o cristianismo se judaizou?

    Lembro-me de quando eu era menino. Fui criado em uma igreja metodista. A igreja metodista tinha um lugar de adoração, um credo chamado Disciplina, um programa e um pastor.

    Mas, mesmo assim, os pastores não usavam vestes especiais com todos aqueles adornos pendurados nas diferentes festividades. Mas hoje, que diferença! Cada vez mais, vemos o cristianismo se tornando judaizado.

    Como se pode ter um culto na igreja sem um coro? De onde vem a ideia de um coro? Vocês encontram isso no Novo Testamento?

    Foi Davi quem iniciou aquele coro: pessoas especiais, treinadas para adorar. Ainda hoje, quando se quer adorar, há um grupo especial de pessoas conduzindo a adoração com música.

    Não estamos nos voltando cada vez mais para o judaísmo? Creio que essa é uma tendência no cristianismo hoje: a tradição dos homens. E como essa tradição é forte!

    A busca por um modelo neotestamentário

    Graças a Deus, creio que foi na década de 1960 que houve um movimento no mundo: “Queremos uma igreja do Novo Testamento. Vamos edificar uma igreja do Novo Testamento”.

    Em outras palavras, queriam encontrar o modelo no Novo Testamento, em vez de encontrá-lo no Antigo Testamento. Isso foi um grande avanço.

    Então, onde se pode encontrar o modelo de uma igreja do Novo Testamento? Naturalmente, vamos ao livro de Atos, porque ali está o começo da igreja. Vamos ao livro de Atos e tentamos encontrar um modelo ali.

    Mas, infelizmente, o que procuramos é o lado técnico da igreja, em vez de percebermos que a igreja é espiritual, que a igreja é vida e que a igreja é celestial.

    Quando examinamos o livro de Atos, por sermos tão terrenos, mundanos e naturais, mesmo quando recorremos ao Novo Testamento, tudo o que procuramos é o lado técnico — a sua tecnologia.

    Concluímos: “Bem, se queremos organizar uma igreja, é claro que precisamos de presbíteros. Sem presbíteros, não há governo, não há autoridade na igreja”.

    Então, segundo o Novo Testamento, os presbíteros devem ser vários. Não deve haver uma única pessoa que seja o presbítero ou o presbítero presidente. Não há tal coisa na Bíblia.

    O presbitério é sempre plural. Por quê? Porque Cristo é a Cabeça da igreja. Nenhuma pessoa, sozinha, pode representar Cristo como a Cabeça. É preciso haver mais de uma, para que ninguém tome o lugar de Cristo como Cabeça da igreja. Cristo continua sendo a Cabeça da igreja.

    Assim, temos presbíteros no plural — pelo menos dois. Então, é claro, além dos presbíteros, precisamos de alguns diáconos e diaconisas. Além dos diáconos e diaconisas, temos a congregação.

    Às vezes digo que, se vocês têm dez pessoas e querem organizar uma igreja, coloquem duas como presbíteros, três como diáconos e cinco na congregação, e terão uma igreja completa do Novo Testamento.

    Hoje rimos disso, mas, naqueles dias, era algo sério. As pessoas realmente pensavam que haviam encontrado o modelo do Novo Testamento. Mas, infelizmente, não funcionou.

    Por quê, irmãos e irmãs? Penso que há um equívoco fundamental, ou uma falta de compreensão. Não compreendemos realmente a natureza da igreja.

    A natureza celestial da igreja

    Qual é a natureza da igreja? A natureza da igreja é celestial. É espiritual. É uma questão de vida.

    Vocês se lembram de quando Pedro estava no terraço. Ele estava com fome, orando, e recebeu uma visão. Viu um lençol descendo do céu. Era celestial, mas tocava a terra.

    No lençol havia toda espécie de quadrúpedes e animais rastejantes. Deus disse:

    Pedro, levanta-te, mata e come.

    Pedro disse:

    De modo nenhum, Senhor; porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.

    Deus disse:

    Não consideres comum o que Deus purificou.

    Isso aconteceu três vezes, porque a tradição era muito forte em Pedro. Então o lençol foi recolhido novamente ao céu.

    É isso que a igreja é. Ela vem do céu. É celestial em sua natureza, mas toca a terra. Ela alcança todos os impuros.

    Graças a Deus, somos impuros, mas fomos purificados pelo precioso sangue do Cordeiro. Devemos ter comunhão uns com os outros. Não considerem impuro ninguém que Cristo tenha recebido. Quem Cristo recebeu, nós recebemos.

    Mas lembrem-se: na terra, ela é apenas um testemunho. Será recebida de volta no céu. É isso que a igreja é. Essa é a natureza da igreja.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, se vocês querem encontrar o modelo da igreja, cremos que há um modelo. Se Deus tinha um modelo para sombras e representações, quanto mais terá um modelo para a realidade, para aquilo que é verdadeiro.

    Mas onde podemos encontrar o modelo? Onde está o modelo? Qual é o modelo para a edificação da igreja?

    O Senhor disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Quando Ele edifica a igreja, segundo qual modelo a edifica?

    Irmãos e irmãs, ele realmente não está longe de nós. Está bem diante de nós.

    Quando abrimos o Novo Testamento, chegamos à realidade, porque, na plenitude do tempo, Cristo veio. O que encontramos? Primeiro, temos os quatro Evangelhos.

    O que são os quatro Evangelhos? Os quatro Evangelhos nos dão um retrato de Cristo visto de quatro perspectivas. Nos Evangelhos, temos a história do nosso Senhor Jesus enquanto Ele esteve na terra.

    Ele começou a falar e a agir no corpo que recebeu da virgem Maria. Nesse corpo, revelou o Pai. Nesse corpo, realizou a obra da redenção.

    Assim, nos quatro Evangelhos, vemos Cristo: uma Pessoa viva, uma Pessoa celestial, uma Pessoa espiritual.

    Depois, temos o livro de Atos. Lucas disse que, ao escrever o primeiro tratado — o Evangelho segundo Lucas —, contou-nos o que Cristo começou a fazer e a ensinar.

    Mas agora ele está escrevendo o segundo tratado. O que é o segundo tratado, o livro de Atos? É a continuação do falar e do operar do mesmo Cristo, mas em um corpo diferente.

    O Verbo se fez carne, encarnou, cheio de graça e de verdade. Vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.

    Então, depois que Ele ascendeu, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu. Em um só Espírito, os cento e vinte foram batizados em um só corpo.

    Em outras palavras, Cristo ascendeu para ser a Cabeça e tomou para Si um corpo místico, um corpo coletivo — a igreja. Nesse corpo, Ele continuou a viver, continuou a trabalhar e continuou a falar. Esse é o livro de Atos. Essa é a igreja.

    Cristo como modelo da igreja

    Portanto, irmãos e irmãs, qual é o modelo da igreja? O modelo da igreja é o Cristo vivo. Cristo, conforme revelado nos quatro Evangelhos, é o modelo, e a igreja é edificada segundo Ele.

    Em Colossenses 2:6-8, vemos que não devemos ser enganados, pensando que trabalhamos segundo o homem ou segundo os rudimentos do mundo. A igreja é edificada segundo Cristo.

    Não é algo técnico. É algo vivo — mudando de glória em glória, sendo transformado, sendo conformado à imagem de Cristo. Esse é o modelo da igreja.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus, na edificação da igreja, Ele tem Cristo, Seu Filho amado, como modelo. Tudo deve ser edificado segundo Ele.

    Precisamos ser edificados nEle e arraigados nEle. Em outras palavras, deve ser Cristo e nada mais. É isso que a igreja é.

    Em 1 Coríntios 12:12, lemos:

    Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo; assim também é Cristo.

    Muitas vezes, quando lemos esse versículo, se não prestarmos atenção, ele pode não significar nada para nós. Mas, se prestarmos atenção, imediatamente perceberemos algo incomum.

    O corpo é um, embora tenha muitos membros. Os membros são muitos, mas há um só corpo. Assim também é a igreja — ou seria isso que esperaríamos ler.

    Mas a Bíblia diz:

    Assim também é Cristo.

    O Espírito Santo diz:

    Assim também é o Cristo.

    Em outras palavras, a igreja é o Cristo, porque é edificada exatamente segundo Cristo.

    Não pode haver desvio, afastamento, mudança, alteração, mistura ou elementos estranhos. Tudo na igreja é Cristo.

    Irmãos e irmãs, portanto, a edificação da igreja é algo espiritual. É uma obra espiritual. É uma obra celestial. É exclusivamente uma questão de vida.

    Quanto mais conhecemos o Senhor, mais somos transformados. A igreja cresce em estatura.

    Em Efésios 5:25-27, Cristo amou a igreja e Se entregou por ela. Ele a santifica, a purifica pela lavagem de água com a Palavra, para que a igreja seja uma igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e sem defeito, para ser apresentada a Ele como Sua noiva.

    Irmãos e irmãs, quando a igreja é edificada, o que vocês veem? Veem Cristo. Tudo é Cristo.

    É por isso que, em Efésios 1:23, a igreja é chamada de:

    Seu corpo, a plenitude dAquele que enche tudo em todos.

    Nada mais, nada menos.

    Se esse é o modelo, irmãos e irmãs, como a igreja é espiritual, celestial e viva!

    Deus advertiu repetidas vezes:

    Edificai tudo segundo o modelo mostrado no monte.

    Ah, irmãos e irmãs, como precisamos enxergar isso!

    Isso nos libertaria de tudo o que é meramente técnico. Hoje, quando as pessoas falam sobre a edificação da igreja, tudo se resume à tecnologia. Essa é a direção errada.

    A edificação da igreja é intensamente espiritual. Por isso, precisamos ser espirituais. A edificação da igreja é intensamente celestial. Nada terreno pode ser acrescentado a ela.

    A edificação da igreja é exclusivamente a vida de Cristo em cada um de nós. Sua vida é o material dessa edificação — nada mais.

    Como é glorioso: quando a igreja é edificada, ela é a Sua vida. Nosso Senhor disse:

    Esta é osso dos Meus ossos e carne da Minha carne.

    Ah, irmãos e irmãs, isso aquece o coração de vocês? Isso lhes dá aquele anseio de que, de maneira alguma, trabalhemos contra Deus, mas, por Sua graça, possamos trabalhar com Ele?

    Oração final

    Querido Pai celestial, aquilo que Tu propuseste para o Teu Filho amado é tão glorioso que não pode ter outro modelo senão o próprio Teu Filho amado.

    Ó Senhor, abre os nossos olhos interiores para enxergarmos isso, para que não sejamos tão insensatos a ponto de pensar que somos capazes de edificar a nossa igreja. Ó Senhor, dá-nos um coração entendido.

    Que possamos ver-Te como nosso modelo. Que o Teu Espírito Santo opere em cada um de nós segundo esse modelo e nos una segundo esse modelo.

    Senhor, o desejo do nosso coração é que Tu tenhas essa igreja para o Teu Filho amado. Pedimos nesse precioso nome. Amém.