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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Purpose in Building © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Purpose in Building
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    Kaung, Stephen

    O propósito eterno de Deus na edificação da igreja

    Obrigado. Obrigado.

    Por favor, abram em Mateus 16:18.

    E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Efésios 3. Começaremos com os versículos de 9 a 11.

    E esclarecer a todos acerca da administração do mistério que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, Que criou todas as coisas;
    para que agora, aos principados e potestades nos lugares celestiais, seja dada a conhecer, por meio da igreja, a multiforme sabedoria de Deus,
    segundo o propósito dos séculos que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

    E, finalmente, Isaías 14:24, 27.

    O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Certamente, como pensei, assim sucederá;
    e, como determinei, assim se estabelecerá.

    Porque o Senhor dos Exércitos o determinou, e quem o invalidará?
    E a Sua mão está estendida, e quem a fará voltar atrás?

    Oração inicial

    Querido Senhor, vivemos em dias em que as Tuas palavras são escassas e a visão é rara entre nós. Por isso, simplesmente recorremos à Tua misericórdia, pedindo que tenhas misericórdia do Teu povo, que nos fales a Tua palavra e que Te reveles a nós.

    Senhor, precisamos de Ti. Nestes últimos dias, precisamos conhecer-Te mais do que qualquer outra coisa. Senhor, se não tivermos a Tua palavra, se não virmos a Tua glória, não conseguiremos permanecer firmes.

    Por isso, nesta manhã, simplesmente nos achegamos a Ti com o coração faminto e sedento de Ti. Enche-nos de Ti mesmo. Fala ao nosso coração e leva-nos ao lugar onde queres que estejamos.

    Senhor, simplesmente colocamos este tempo em Tuas mãos e esperamos que o Teu Espírito faça a obra para a qual foi enviado. Tudo é para a Tua própria glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    O significado da palavra “edificar”

    Certo dia, eu estava meditando em Mateus 16:18, e a palavra edificar chamou a minha atenção.

    Por isso, desta vez, sinto que é da vontade do Senhor que consideremos juntos esta palavra tão importante: edificar. Nosso próprio Senhor Jesus disse:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Agora, irmãos e irmãs, quando vocês ouvem a palavra edificar, que impressão ela lhes dá? É claro que não pode ser algo feito sem reflexão, sem consideração — algo que vocês simplesmente fazem sem propósito, sem uma ideia e sem utilidade.

    A própria palavra edificar é um termo técnico. É frequentemente usada na construção. Portanto, ela transmite a ideia de algo bem pensado, bem planejado e fielmente executado.

    Então, veio-me este pensamento: quando nosso Senhor disse “edificarei a Minha igreja”, talvez precisemos compreender o que Ele quis dizer com essas palavras.

    Sinto realmente que vivemos em dias em que a edificação da igreja está em sua fase final. E, por estar na fase final, creio que precisamos compreender o que a edificação da igreja realmente significa, para que possamos cooperar. Que não venhamos, de maneira alguma, a atrasar ou adiar a obra de Deus, mas que, pela graça de Deus, possamos, em certo sentido, apressar a Sua vinda.

    O primeiro uso bíblico de “edificar”

    A palavra edificar é mencionada pela primeira vez na Bíblia em Gênesis 2. Em Gênesis 2:22, Deus tomou algo de Adão e, com isso, edificou a mulher; depois, apresentou-a a Adão.

    Essa é a primeira menção da palavra edificar na palavra de Deus. Geralmente, quando uma palavra é mencionada pela primeira vez, isso nos apresenta as ideias fundamentais e mais importantes a respeito dela.

    Pessoalmente, sinto que há pelo menos cinco coisas aqui.

    Propósito

    Em primeiro lugar, encontramos um propósito. No mesmo capítulo, em Gênesis 2:18, Deus disse:

    Não é bom que o homem esteja só;
    far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe corresponda.

    Em outras palavras, vemos que a ideia de edificar veio de Deus. Havia um propósito: dar a Adão uma auxiliadora que lhe correspondesse, alguém semelhante a ele.

    Modelo

    Então encontramos a segunda coisa: há um modelo para a edificação. Onde encontramos o modelo para Eva?

    Curiosamente, depois de Deus dizer que não era bom que o homem estivesse só e que lhe faria uma auxiliadora que lhe correspondesse, nos versículos seguintes Deus trouxe todos os seres vivos a Adão, e Adão deu nome a cada um deles.

    Por que isso aconteceu? Sinto que, provavelmente, Deus conduziu todos esses animais diante de Adão para que ele visse se poderia encontrar, em algum deles, a auxiliadora que lhe correspondesse.

    Mas todos esses animais passaram diante de Adão. Adão podia dar-lhes nomes, e isso significava defini-los e mostrar o que realmente eram. Mas não conseguia encontrar alguém semelhante a ele, uma auxiliadora que lhe correspondesse.

    Deus já sabia o que iria fazer, mas Adão não sabia. Por isso, Deus deu a Adão a oportunidade de ver o que Ele já via.

    Quando Adão não conseguiu encontrar uma auxiliadora que lhe correspondesse em nenhum desses seres vivos, Deus lhe mostrou que o modelo da mulher não se encontrava em nenhum outro lugar senão no próprio Adão. Portanto, Adão era o modelo para Eva.

    Preparação, processo e apresentação

    Depois disso, encontramos a preparação. Deus começou a preparar. Fez Adão adormecer e, então, de seu lado, tomou algo dele.

    Com isso, houve um processo. Deus começou a edificar uma mulher com aquilo que havia sido tirado de Adão. Finalmente, Deus apresentou a mulher a Adão.

    Assim, sinto que pelo menos estes cinco princípios estão envolvidos na palavra edificar:

    1. Propósito
    2. Modelo
    3. Preparação
    4. Processo
    5. Apresentação

    Creio que essas cinco coisas são demonstradas com muita clareza na edificação da igreja. Portanto, se o Senhor permitir, talvez usemos estas manhãs para considerar juntos esses pontos.

    O propósito divino na edificação da igreja

    Nesta manhã, gostaríamos de considerar a questão do propósito.

    Nosso Deus é a vontade suprema do universo. Ele nunca faz coisa alguma sem exercer a Sua vontade. Faz tudo segundo o beneplácito da Sua vontade.

    Antes de fazer qualquer coisa, Ele sempre tem uma ideia. Sempre estabelece um propósito. É assim que Deus faz as coisas.

    Ele não é como o homem. Às vezes, fazemos coisas por acaso, sem pensar antes. Ou, às vezes, somos pressionados pelas circunstâncias e, então, agimos ou reagimos sem nenhuma ideia preconcebida.

    E, quando fazemos as coisas, aprendemos com os erros. Depois de cometer muitos erros, talvez finalmente acertemos. É assim que acontece com os seres humanos, mas Deus nunca é assim.

    Antes de fazer qualquer coisa, Ele já tem um pensamento, uma ideia do que vai fazer e de por que deseja fazê-lo. Há um propósito por trás de todas as Suas ações. Esse é o modo de agir de Deus.

    É claro que sabemos que os pensamentos de Deus são mais altos do que os nossos pensamentos, e os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos caminhos. Às vezes, vemos o que Ele faz e nos perguntamos: “Por que Deus faria uma coisa dessas?” Não conseguimos enxergar a ideia por trás daquilo. Não conseguimos enxergar o resultado final.

    Mas Deus conhece o fim desde o princípio. Ele sabe o que está fazendo. Por isso, em Isaías, vemos que, quando Deus estabelece um propósito, sempre o leva a termo. Não há ninguém que possa frustrá-Lo ou impedi-Lo de realizar aquilo que concebeu de antemão.

    A igreja como pensamento eterno de Deus

    Agora, quanto a essa questão da igreja, a igreja, como a vemos na palavra de Deus, não é um pensamento do homem. A igreja é um pensamento de Deus.

    A Bíblia nos diz que, antes mesmo dos séculos — isto é, antes da fundação do mundo, na eternidade passada —, Deus estabeleceu um propósito em Cristo Jesus. Encontramos isso em Efésios 3:11.

    Deus estabeleceu um propósito em Cristo Jesus antes dos séculos. Ele é chamado de mistério. Por quê? Porque era algo que estava oculto em Deus ao longo dos séculos, até a plenitude do tempo, quando Deus pôde revelar esse segredo ao homem.

    O amor do Pai pelo Filho

    Vocês sabem, nosso Deus é amor. E, porque Ele é amor, deseja expressar o Seu amor.

    Ele tem apenas um Filho, Seu Filho unigênito. Todo o Seu coração está voltado para o Seu amado Filho unigênito. Ele ama tanto o Seu Filho que deseja fazer algo por Ele.

    Até mesmo a criação dos céus e da terra foi uma expressão do Seu amor pelo Filho. Em Apocalipse 4, quando os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes louvam a Deus por Sua obra da criação, dizem que todas as coisas foram criadas por Sua vontade.

    Os céus e a terra foram criados com um propósito. Havia uma vontade por trás da criação dos céus e da terra. Não foi algo que simplesmente aconteceu.

    Deus os criou com uma vontade definida. Qual era essa vontade? Entendemos que Deus criou os céus e a terra por causa de Seu amado Filho. Ele queria dar tudo ao Seu Filho. Queria expressar Seu amor pelo Filho; por isso, criou os céus e a terra para que Seu Filho herdasse todas essas coisas.

    Mas, mesmo depois de criar os céus e a terra, Ele sabia que Seu Filho ainda não estava satisfeito. Seu Filho podia desfrutar de todas as coisas, mas não havia nada nos céus e na terra, entre todas as coisas criadas, que realmente pudesse corresponder ao coração de Seu amado Filho.

    Não havia nada realmente semelhante a Ele, nada que pudesse compreendê-Lo, nada que pudesse verdadeiramente ter comunhão com Ele e unir-se a Ele como um só — não apenas para desfrutar de tudo com Ele, mas também para compartilhar com Ele a responsabilidade.

    O Pai compreendia isso. Por essa mesma razão, antes mesmo da fundação do mundo, Deus estabeleceu um propósito em Seu amado Filho.

    Esse propósito era dar ao Seu Filho uma auxiliadora que Lhe correspondesse, alguém semelhante a Ele. Esse é o desejo do Pai para com Seu Filho.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, vemos que a igreja, como a conhecemos pela palavra de Deus, é a maior dádiva de Deus Pai ao Seu Filho.

    Dizendo de outra maneira: é a única dádiva do Pai que satisfaz plenamente o coração de Seu Filho. Isso é o que a igreja é no propósito eterno de Deus.

    A criação e a preparação para o propósito de Deus

    Em Efésios 3, vemos que esse mistério esteve oculto ao longo dos séculos. Deus já havia concebido esse pensamento antes que qualquer coisa fosse criada.

    Com esse pensamento em mente, Deus começou a trabalhar e a criar. Criou os céus e a terra, mas os céus e a terra não eram o propósito principal. Eram secundários.

    Deus os preparou, por assim dizer, para a vinda daquilo que realmente corresponderia ao coração de Seu amado Filho.

    Deus age de maneira misteriosa. Entendemos que, depois que Ele criou os céus e a terra na primeira criação, o homem ainda não havia sido criado. Os seres criados mais elevados eram os anjos.

    Mas houve uma rebelião no céu. Lúcifer se rebelou contra Deus. Ele queria o lugar do amado Filho de Deus. Não estava satisfeito com aquilo que Deus o havia feito ser.

    Por causa disso, Lúcifer se tornou o adversário de Deus — Satanás. Em razão da queda dos anjos, o território que Deus havia dado a Lúcifer para governar em Seu nome ficou sujeito ao juízo.

    É por isso que encontramos em Gênesis 1:1 que, no princípio, Deus criou os céus e a terra. Quando Deus criou, tudo era perfeito. Estava concluído. Deus falou a palavra, e assim se fez. Deus nunca faz nada incompleto.

    Portanto, no princípio, Deus criou os céus e a terra; do nada, trouxe à existência todas as coisas. Tudo devia ser perfeito, pois os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos.

    Mas, infelizmente, em Gênesis 1:2, encontramos a terra vazia e em ruínas, coberta de água. O juízo havia vindo sobre a terra.

    Só podemos entender que, muito provavelmente, isso aconteceu por causa da rebelião daquele anjo caído. Mas Deus nunca desistiu do Seu propósito.

    Por isso, vemos que o Espírito de Deus pairava sobre a face do abismo. Em outras palavras, o amor de Deus e o poder de Deus atuaram sobre essa terra arruinada e a restauraram, tornando-a habitável.

    Por que Deus restaurou essa terra arruinada, esse universo, tornando-o habitável? Porque, no sexto dia, Ele criou o homem à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança.

    A criação do homem para o propósito de Deus

    Agora, irmãos e irmãs, quando Deus criou os céus e a terra, Ele falou uma palavra, e assim se fez.

    Mas, na criação do homem, vemos que houve uma deliberação entre as Pessoas da Divindade:

    Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança.

    Por que o homem foi criado de maneira diferente? Por que foi criado de modo tão glorioso, à própria imagem de Deus? Certamente há um propósito, uma vontade por trás disso.

    Deus já havia decidido que o homem que Ele criou seria a auxiliadora que corresponderia ao Seu amado Filho.

    Creio que o homem foi criado à imagem de Deus e conforme a Sua semelhança porque tem a capacidade de receber dentro de si a própria vida de Deus. Com a vida de Deus entrando no homem, ele poderia ser unido ao amado Filho de Deus, tornando-se semelhante a Ele.

    A queda do homem e a permanência do propósito de Deus

    Mas, infelizmente, vemos novamente como nosso antepassado caiu no jardim do Éden. Em vez de comer do fruto da árvore da vida, no centro do jardim, o homem foi tentado e comeu o fruto proibido, da árvore do conhecimento do bem e do mal.

    Pessoalmente, creio que no jardim do Éden não havia nenhuma árvore má. Era um jardim de deleite. Deus fez aquele jardim cheio de árvores frutíferas para o sustento do corpo do homem.

    No meio do jardim estava a árvore da vida. O propósito de Deus ao plantar aquela árvore no meio do jardim era dar Sua vida — a vida eterna, a própria vida de Deus — ao homem, para que ele pudesse cumprir o propósito para o qual fora criado.

    Mas, ao lado da árvore da vida, encontramos a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ora, a árvore do conhecimento do bem e do mal não era uma árvore má.

    Na verdade, não há conhecimento neste mundo mais elevado do que o conhecimento do bem e do mal. Conhecimento científico, conhecimento filosófico, conhecimento ético — seja qual for —, o conhecimento do bem e do mal é o conhecimento mais elevado deste mundo.

    Contudo, Deus sabia que, sem a vida de Deus, esse conhecimento nos conduziria à morte, em vez de à vida. Essa é a razão pela qual Deus proibiu o homem de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

    De fato:

    No dia em que dela comeres, certamente morrerás.

    Adão e Eva comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal. O que aconteceu com eles? Imediatamente, descobriram que estavam nus. A glória se retirou deles.

    Quando ouviram a voz de Deus, esconderam-se. A consciência deles os acusava. Em vez de conduzi-los ao bem, esse conhecimento os conduziu à morte.

    Fisicamente, viveram centenas de anos e, do ponto de vista natural, geraram filhos e filhas. Mas, no dia em que comeram, o espírito deles morreu.

    Nós temos um espírito, um espírito humano. Nosso espírito existe para a comunhão com Deus, Que é Espírito. Mas o espírito deles estava morto. Não foi aniquilado; estava ali, mas havia perdido sua função própria. Já não podia ter comunhão com Deus, o Espírito. Isso é morte.

    Essa morte começou a operar no homem até que sua alma e seu corpo — todo o seu ser — entrassem na morte eterna. Portanto, queridos irmãos e irmãs, sem a vida de Deus, o conhecimento é perigoso. Até mesmo o melhor conhecimento produz morte, em vez de vida.

    Mas nem por isso o propósito de Deus foi frustrado, nem Deus desistiu dele. Não. Deus continuou a trabalhar.

    Quando Ele estabelece Seu propósito, leva-o até o fim. Graças a Deus por isso.

    A igreja prefigurada nas Escrituras

    Portanto, irmãos e irmãs, ao longo de toda a história humana, Deus tem trabalhado continuamente em direção a esse propósito.

    As pessoas não sabiam disso, porque era um mistério oculto em Deus. Mas o fato de estar oculto não significa que Deus não tenha deixado indícios aqui e ali.

    Na atuação de Deus ao longo do tempo, esse propósito estava por trás de tudo. Por isso, de alguma maneira, ele transparecia, por assim dizer, embora as pessoas não o compreendessem.

    Por exemplo, temos Adão e Eva como um tipo. Esse propósito já estava ali. Deus disse:

    Não é bom que o homem esteja só;
    far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe corresponda.

    Era da vontade de Deus dar Eva a Adão, e Eva precisava ser semelhante a ele — exatamente como ele. Somente aquilo que fosse tirado dele poderia unir-se a ele como um só.

    Portanto, até mesmo nesse tipo, logo no início da história humana, Deus já havia colocado Seu pensamento. Adão e Eva são tipos; a realidade se encontra em Cristo e em Sua igreja.

    Em Efésios 5, depois de Paulo falar sobre o relacionamento entre marido e mulher — exortando os maridos a amarem suas esposas e as esposas a se submeterem a seus maridos —, ele diz que o marido representa Cristo, e a esposa representa a igreja.

    Ele diz que o casamento entre o homem e a mulher é um mistério, mas que esse mistério é grande. Ele afirma que não está falando a respeito do homem e da mulher, mas a respeito de Cristo e da igreja.

    Portanto, irmãos e irmãs, Deus realmente deixa Seus indícios aqui, ali e por toda parte. Toda a ideia da igreja vem de Deus.

    A espiritualidade individual e a igreja

    Creio que isso é muito importante, porque hoje, entre o povo de Deus, não vemos a igreja como Deus a vê.

    Até mesmo para nós, os crentes, provavelmente toda a nossa atenção, em nossa busca espiritual, está voltada para esta pergunta: “Como posso ser espiritual?” Parece que esse é o objetivo final de nossa busca espiritual.

    Não há nada de errado em buscar ser espiritual. Devemos fazê-lo, porque isso está relacionado à edificação da igreja. A igreja é edificada com a vida espiritual do povo de Deus. Se nossa vida não cresce, a igreja não pode crescer. Isso é muito verdadeiro.

    Mas, irmãos e irmãs, esse não é o pensamento supremo de Deus. De alguma maneira, ainda há egocentrismo nisso. Por que buscamos espiritualidade? Talvez queiramos ser alguém.

    Mas Deus não tem a intenção de nos transformar em monumentos, colocados aqui e ali para que as pessoas os admirem. O propósito de Deus é a igreja, uma auxiliadora que corresponda ao Seu amado Filho.

    Entre o povo de Deus, há uma falta tão grande de apreço pela igreja, como se a igreja não fosse nada.

    Muitas vezes, vocês ouvem as pessoas dizerem: “Meu Senhor e eu — não me importo com mais ninguém. É só entre meu Senhor e eu.” Em certo sentido, isso é muito, muito bom.

    Mas, em outro sentido, onde estão seus irmãos e irmãs? Onde está a igreja? É uma atitude tão individualista que não nos importamos com a igreja, como se pudéssemos viver sem ela e, com ela, só tivéssemos problemas.

    Tantas pessoas que, por assim dizer, se queimaram com a igreja procuram viver inteiramente sozinhas. Mas esse não é o propósito de Deus. Vocês estão vivendo fora do propósito de Deus, porque o propósito de Deus é dar a igreja ao Seu amado Filho.

    O valor da igreja para Cristo

    Para Deus, a igreja é muito, muito preciosa. Para nosso Senhor Jesus, ela é o tesouro de Seu coração. Por causa da igreja, Ele esteve disposto a abrir mão de tudo.

    Vocês se lembram das parábolas de Mateus 13. Há um negociante procurando um tesouro e, quando o encontra, vende tudo para adquiri-lo.

    Muitas vezes, usamos essa parábola e dizemos que o tesouro é o Senhor Jesus, e o negociante somos nós, os crentes. Encontramos o Senhor Jesus e, por causa Dele, vendemos tudo para ganhá-Lo. Ora, isso é muito bonito.

    Mas eu me lembro do irmão T. Austin-Sparks. Sempre que falava sobre isso, ele omitia a primeira estrofe e começava pela segunda. Na primeira estrofe, o tesouro é o Senhor Jesus, mas essa interpretação não está de acordo com as Escrituras.

    Irmãos e irmãs, o que a parábola realmente está dizendo é que Ele é o Negociante. Ele sabe qual é o tesouro, e o tesouro é a igreja, que estava oculta. Mas Ele a encontrou e, por causa dela, vendeu tudo para ganhá-la.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, a igreja é muito, muito preciosa para nosso Senhor Jesus. Ela é uma ideia de Deus.

    Pensem nisso: algo concebido antes mesmo da fundação do mundo; algo que está por trás de toda a atuação de Deus ao longo do tempo; algo que é o melhor que Deus poderia dar ao Seu amado Filho.

    Agora, irmãos e irmãs, se enxergamos isso, podemos ignorá-lo? Podemos dizer que a igreja não é nada? Podemos dizer que a igreja é uma ideia do homem, que, de alguma maneira, o homem concebeu essa ideia da igreja?

    É claro que não. Sinto profundamente que há falta de apreço pela igreja entre o povo de Deus. A razão pela qual não a valorizamos é que não compreendemos de onde ela vem.

    Ela tem sua origem no próprio Deus. Por que é tão preciosa? Porque é a melhor dádiva de Deus ao Seu amado Filho. Devemos ser muito gratos porque, em Sua misericórdia e graça, Ele nos fez participantes da igreja.

    A habitação de Deus entre o Seu povo

    Ao longo do tempo, Deus tem trabalhado em direção ao Seu propósito. Quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, Ele chamou Seu povo para sair de lá.

    Depois de levá-los ao monte Sinai, começou a revelar-lhes Seu pensamento. Por que os libertou do Egito? Ele queria que fossem Seu povo particular, Seu próprio povo. Por essa razão, deu-lhes a lei.

    Então, em Êxodo 25:8, Deus disse:

    E Me farão um santuário,
    para que Eu habite no meio deles.

    Portanto, irmãos e irmãs, com que propósito os filhos de Israel foram libertados do Egito? Não apenas para desfrutarem de sua liberdade.

    Eles haviam sido escravos. Não tinham direitos nem liberdade. Deus os libertou do Egito e os tornou livres. Certamente, foram libertos. Mas foram libertos apenas para fazer tudo o que quisessem, ser seus próprios senhores e exercer seus próprios direitos? Esse não é o propósito da salvação.

    Deus os tirou de lá para trazê-los a Si mesmo. Deus queria que fossem Seu povo. Deu-lhes a lei para torná-los Seu povo. Mas por que Deus queria torná-los Seu povo? O propósito era que Ele pudesse habitar no meio deles.

    E Me farão um santuário.

    Portanto, irmãos e irmãs, toda essa ideia do tabernáculo não veio do homem. Nem sequer veio de Moisés. Veio do próprio Deus.

    Como Deus desejava habitar entre o Seu povo! Para que Ele habitasse entre o Seu povo, esse povo precisava ser adequado a Deus, porque Deus é santo. Portanto, precisamos ser santos.

    O templo e o coração de Davi

    As pessoas podem dizer: “Bem, quando chegamos ao templo, a ideia do templo parece vir de Davi.”

    Vocês se lembram de Davi. Depois de se tornar rei, ele conquistou Jerusalém e fez dela a capital da nação — não por causa de sua posição estratégica, mas porque era o lugar que Deus havia escolhido para colocar Seu nome.

    Depois de conquistar Jerusalém, seu próximo passo foi levar a arca para a cidade de Davi, para que Deus fosse o centro da nação.

    Depois disso, Davi disse ao profeta Natã: “Eu moro em um palácio, e a arca de Deus está em uma tenda. Não consigo mais suportar isso. Quero fazer uma casa para Ele, uma casa permanente.”

    Natã sentiu que essa era a vontade de Deus; por isso, disse: “Vá em frente e faça isso.” Mas Deus mandou Natã dizer a Davi que, durante todo o tempo em que Ele havia caminhado e peregrinado com os filhos de Israel, e depois que eles se estabeleceram em Canaã, nunca havia dito a ninguém: “Edifica-Me um templo.”

    Contudo, Davi teve a ideia de edificar um templo para Deus, uma habitação para Ele. O coração de Deus foi profundamente tocado. Embora Ele não tenha permitido que Davi o edificasse, podemos ver quanto Deus apreciou o que havia no coração de Davi.

    Mas esse pensamento veio de Davi? Não. Davi era um homem segundo o coração de Deus porque tinha um coração voltado para Deus. Ele conhecia o coração de Deus.

    O pensamento do templo não veio de Davi. Mas, por conhecer o coração de Deus, Davi sabia quanto Ele desejava estabelecer-Se permanentemente entre o Seu povo. Ao perceber o coração de Deus, Davi simplesmente expressava o que estava nesse coração.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nos tipos do Antigo Testamento relacionados à igreja — o tabernáculo e o templo —, o pensamento não teve origem no homem. Veio originalmente do próprio Deus.

    A vinda de Cristo e a revelação da igreja

    Quando nosso Senhor Jesus esteve na terra, com que propósito Ele veio?

    A Bíblia diz que, na plenitude do tempo, Ele veio, nascido de mulher e sob a lei, para nos libertar de debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

    É verdade que, quando nosso Senhor veio a este mundo, veio buscar e salvar o perdido. Mas o que realmente estava em Seu coração quando veio a este mundo?

    O Evangelho de João nos apresenta as coisas ocultas, as coisas secretas de Deus. Quando lemos Lucas, vemos que ele termina com a comissão de pregar o evangelho para a remissão dos pecados.

    Esse é o evangelho que todos nós recebemos. Cremos no Senhor Jesus, cremos no evangelho e temos a remissão de nossos pecados. Graças a Deus por isso.

    Mas isso é, eu diria, a periferia. Qual é realmente o centro, o coração da vinda do Senhor Jesus à terra? Encontramos isso somente no Evangelho segundo João.

    Ali vemos que nosso Senhor Jesus veio a esta terra como Noivo, vindo à terra para encontrar Sua noiva.

    Mas Ele não conseguia encontrar Sua noiva em lugar algum. Tudo o que encontrava eram cegos, surdos, pessoas com deficiência, mortos e pecadores. Não conseguia encontrar Sua noiva em lugar algum.

    Por causa disso, Ele precisou criar Sua noiva.

    Durante Seus dias na terra, nós O vemos pregando, curando, fazendo o bem, trabalhando e chamando discípulos a Si. Mas Ele nunca mencionou sequer a palavra igreja.

    Se dizemos que Ele veio por causa da igreja, por que não a mencionou? Certamente, quando algo é muito precioso ao nosso coração, não conseguimos deixar de falar disso repetidas vezes. Não conseguimos guardar um segredo assim.

    Mas nosso Senhor Jesus não usou a palavra igreja até perto do fim de Sua vida. Ele havia sido rejeitado por Seu próprio povo e Se retirou para a região de Cesareia de Filipe, uma cidade gentílica.

    Pela primeira vez, Ele pronunciou essa palavra: “igreja”.

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Por quê? Porque, naquele momento, Ele tinha o Calvário em vista. Estava indo para a cruz e, ali na cruz, realizaria a obra da redenção. Por meio dessa obra, a igreja poderia ser trazida à existência.

    Deus não pôde revelar o segredo oculto Nele desde antes da fundação do mundo até aquele momento. Mesmo então, ainda era um mistério para os discípulos. Eles não conseguiam compreendê-lo.

    Nosso Senhor, quando esteve na terra, usou a palavra igreja apenas duas vezes: uma em Mateus 16 e outra em Mateus 18.

    Os discípulos não puderam compreender até que Sua obra de redenção estivesse concluída, até que Ele tivesse ressuscitado e ascendido aos céus. Então, pelo Espírito Santo, Ele a revelou aos apóstolos e aos profetas.

    Por isso, em Efésios 3, o apóstolo Paulo diz que o mistério de Cristo esteve oculto ao longo dos séculos, mas agora havia sido revelado aos santos apóstolos e profetas.

    Hoje, queridos irmãos e irmãs, esse é um segredo revelado. E, sendo um segredo revelado, cada um de nós que pertence ao Senhor deveria conhecê-lo.

    A revelação de Cristo e da igreja

    Irmãos e irmãs, a maior revelação em toda a Bíblia é a revelação que o Pai faz de Seu amado Filho.

    Nosso Senhor Jesus perguntou aos Seus discípulos:

    Quem dizem os homens que Eu sou?

    Alguns disseram: “Tu és João Batista que voltou à vida.” Outros disseram: “Tu és Elias, o grande profeta.” Outros disseram: “Tu és Jeremias”, ou “o profeta” mencionado por Moisés em Deuteronômio.

    Mas nosso Senhor não estava satisfeito. Ele disse:

    Mas vós, quem dizeis que Eu sou?

    Graças a Deus, Simão Pedro disse:

    Tu és o Cristo,
    o Filho do Deus vivo.

    Nosso Senhor disse: “Simão, você é bem-aventurado, porque isso não é algo que carne e sangue possam lhe dizer. Foi Meu Pai, Que está nos céus, Quem lhe revelou isso.”

    Irmãos e irmãs, essa é a maior revelação em todo o universo: o Pai revela o Filho.

    Sem a revelação do Pai, ninguém pode conhecê-Lo. Podemos ter conhecimento intelectual e conhecimento bíblico, mas não conhecemos realmente o Filho até que o Pai O revele em nós.

    Aprouve a Deus revelar Seu Filho em nós. Essa é a maior revelação. E essa revelação é tão grande que continuará por toda a eternidade.

    Não pensem que, por conhecerem Jesus como seu Salvador, vocês já O conhecem plenamente. De modo algum. Apenas começamos a conhecê-Lo. Há tanto Nele. Ele é infinito.

    Hoje estamos começando a conhecê-Lo e, na eternidade, continuaremos a conhecê-Lo. Irmãos e irmãs, essa é a alegria de ser cristão: não há fim para isso.

    “Conhecê-Lo” — essa era a paixão do apóstolo Paulo: conhecer a Ele, o poder de Sua ressurreição e a comunhão de Seus sofrimentos, sendo conformados à Sua morte, para que alcancemos a ressurreição dentre os mortos.

    Com base nessa revelação suprema, o Filho revela a igreja.

    Sem a primeira revelação, não podemos ter a segunda. Sem Cristo, não há igreja.

    Não se pode ter a igreja sem Cristo. Não se pode tornar a igreja maior do que Cristo. Sem Cristo, não há igreja.

    Vocês precisam conhecê-Lo. Quanto mais O conhecerem, mais conhecerão a igreja.

    Mas a igreja é uma revelação do Filho a nós — uma grande revelação. Não pensem que podemos conhecer a igreja por nós mesmos.

    Alguns dizem: “Fomos criados na igreja.” Ora, o que vocês querem dizer com isso? Outros dizem: “Vou à igreja todos os domingos.” O que vocês querem dizer com isso?

    Como disse nosso querido irmão, alguns dizem: “Esqueci meu guarda-chuva na igreja.” Agora, o que vocês querem dizer com igreja?

    Não sabemos realmente o que é a igreja até que o Filho Se agrade em revelá-la a nós.

    Portanto, irmãos e irmãs, não pensem que, por termos sido criados na igreja, conhecemos a igreja. Podemos ter frequentado a igreja durante toda a vida, mas isso não é a igreja.

    A igreja é algo muito mais glorioso. Ela tem sua origem em Deus, antes mesmo do tempo.

    Sabemos disso? Sabemos quanto a igreja significa para Deus? Quanto a igreja significa para Cristo? Ele amou a igreja e entregou-Se por ela.

    Irmãos e irmãs, temos esse mesmo sentimento quando mencionamos a palavra igreja?

    Exortação final

    O Senhor disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nesta manhã, isso é tudo o que sinto que devo compartilhar com vocês. O único encargo do meu coração é que não pensemos que já conhecemos a igreja.

    Oh, que possamos nos humilhar diante Dele, reconhecendo que, por conhecermos tão pouco de Cristo, conhecemos tão pouco da igreja.

    Precisamos reconhecer que, sem revelação, não poderemos conhecer o Filho. Da mesma forma, sem revelação, não poderemos conhecer a igreja.

    Se pudermos ser conduzidos a essa posição — de realmente desejarmos conhecê-la, mas dependermos do Espírito de Deus para revelá-la a nós —, então, irmãos e irmãs, estaremos no caminho para realmente entrar na realidade da igreja.

    Que o Senhor nos ajude. Vamos fazer uma oração.

    Oração final

    Querido Pai celestial, nós Te adoramos porque estás fazendo algo tão grande, tão glorioso e tão precioso para Ti e para o Teu amado Filho — e estás fazendo isso até mesmo em nós.

    Ó Senhor, reconhecemos que muitas vezes não temos consciência disso. Por causa disso, brincamos de igreja. Quão pouco está sendo edificado.

    Ó Senhor, tem misericórdia de nós.

    Neste dia, nos colocamos diante de Ti. Todo o nosso desejo, Senhor, é que, assim como queremos conhecer-Te, também queremos conhecer aquilo que é precioso ao Teu coração.

    Senhor, queremos amar-Te e amar aquilo que Tu amas. Oramos para que o restante de nossa vida na terra tenha significado na edificação da Tua igreja.

    Pedimos em Teu precioso nome. Amém.