Por favor, abram em Mateus 16:18.
Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Hebreus 11:10:
Porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador.
Salmos 127:1:
Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te por nos trazeres a este último dia completo da conferência. Nós Te agradecemos pelo que passou. Tu tens sido tão bondoso, misericordioso e fiel para conosco.
Cremos que Tu és o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega. Por isso, pedimos, Senhor, que neste último dia da conferência a Tua presença esteja sobre nós ainda mais do que antes.
Amado Senhor, Tu és o único de Quem precisamos, o único a Quem adoramos e o único a Quem desejamos conhecer. Por isso, Senhor, oramos para que o Teu Espírito abra o nosso entendimento, nos conduza para dentro do véu, nos permita ver a Tua glória e nos transforme, conformando-nos à Tua própria imagem.
Senhor, queremos agradecer-Te porque a Tua palavra é poder. A Tua palavra é verdade. A Tua palavra é luz. A Tua palavra é vida.
Assim, simplesmente nos voltamos para Ti e oramos para que tudo o que ainda precisa ser feito seja feito neste dia. Ah, como ansiamos por ver o Teu reino vir e a Tua vontade ser feita na terra como no céu, para que Tu sejas glorificado. Entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando que Tu o abençoarás. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Graças a Deus por nos trazer a este último dia completo de ministração. O tema desta conferência foi extraído de Mateus 16:18:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Esta é a palavra do próprio Senhor Jesus. É uma das maiores revelações já dadas ao homem. Como dissemos antes, a maior de todas as revelações é que o Pai nos revelou o Filho.
Sem uma revelação do Pai celestial, por mais inteligentes que sejamos, não seremos capazes de conhecer o Filho. Mas, graças a Deus, aprouve ao Pai revelar Seu Filho em nós, e todos testemunhamos que Ele fez isso em nossa vida.
Com base na revelação que o Pai faz do Filho, o Filho pode revelar algo muito precioso ao Seu coração: a igreja. Por isso, Ele disse:
Também Eu te digo.
O Pai falou, e agora o Filho fala:
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
É uma declaração feita pelo próprio Senhor. Não importa como você se sinta, não importa o que veja ao seu redor: o que Ele disse é verdade. Ele o fará, e será feito.
Minha responsabilidade nestas manhãs é considerar esta questão: Quem é o Edificador?
Bem, acho um tanto estranho que essa pergunta precise ser feita. É claro que Deus é o Edificador. Nosso Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja.
Mas por que essa pergunta precisa ser feita?
Porque, embora reconheçamos mentalmente que Deus é o único capaz de edificar Sua igreja, de alguma forma, em nossa consciência, não concordamos plenamente com isso. Sentimos que somos capazes de edificar uma igreja.
É isso que encontramos em dois mil anos de história da igreja: o homem ignorou esta declaração do nosso Senhor Jesus:
Edificarei a Minha igreja.
E, em vez disso, tentou edificar a igreja Dele. O que edificamos foi a torre de Babel — confusão.
Deus é o único Edificador. Mencionamos nas duas manhãs anteriores que, como Edificador da igreja, Ele é Aquele que dá origem à edificação. Isto é, a ideia de ter uma igreja é Dele. O conceito não vem do homem.
Antes da fundação do mundo, antes dos séculos, antes de Deus criar os céus e a terra, Deus já havia concebido esse pensamento em Sua mente. A Bíblia diz que Ele estabeleceu um propósito em Seu Filho.
Ele amava tanto Seu Filho que desejava expressar Seu amor por Ele. A melhor expressão que pode dar ao Seu Filho é a igreja, porque sabe que Seu Filho deseja uma companheira, uma companheira de vida, alguém que Lhe corresponda, que possa estar unida a Ele como um só e que possa compartilhar com Ele a responsabilidade e a glória.
Irmãos e irmãs, antes dos séculos, Deus concebeu esse pensamento da igreja para Seu Filho. Se é assim, vocês podem perceber como a igreja é importante no coração de Deus e no coração do nosso Senhor Jesus. Precisamos considerar com muito cuidado diante do Senhor: quanto lugar a igreja ocupa em nosso próprio coração?
Também mencionamos que Deus, como Edificador da igreja, é igualmente Aquele que a planeja. Esse pensamento da igreja é tão glorioso que Ele não permitirá que outra pessoa faça o projeto. Ele próprio é Quem o faz.
O modelo, o projeto que Ele tem em mente para a igreja, não é outro senão Seu Filho unigênito, nosso Senhor Jesus. Irmãos e irmãs, o modelo da igreja não é técnico, organizacional, jurídico nem exterior. Deus usa Seu Filho unigênito como modelo para a igreja.
Mesmo na Bíblia, quando Deus edificou a mulher, Ele usou Adão como modelo. Nenhum dos animais que foram conduzidos a Adão era semelhante a ele ou lhe correspondia, alguém que pudesse satisfazer plenamente o coração de Adão. Ele podia dar-lhes nomes, mas não podia unir-se a eles como um só.
Por fim, Deus fez Adão dormir e tirou algo de seu lado. Geralmente dizemos que Deus tirou uma costela, mas, na verdade, no original, Deus tirou algo de Adão. Deus usou aquilo que saiu de Adão e edificou uma mulher.
Vocês se lembram do apóstolo João. Ele foi o único dos apóstolos que permaneceu ao pé da cruz do nosso Senhor Jesus. Ele viu os soldados chegarem. Eles quebraram as pernas dos dois ladrões para apressar sua morte, mas, quando chegaram ao Senhor Jesus, Ele já estava morto.
Para ter certeza de que Ele estava morto, um soldado pegou sua lança e a cravou no lado do nosso Senhor Jesus. Aquele lado foi aberto; a lança atingiu o coração, e dali saíram sangue e água.
João disse enfaticamente: “Dou testemunho disso. Eu vi. É verdade”. Por que João deu tanta ênfase a esse assunto? Porque do lado do nosso Senhor Jesus saíram sangue e água: sangue para a remissão dos nossos pecados e água para nos dar vida. Sua vida é derramada por nós e para nós, e, com aquilo que procede Dele, Ele edifica a igreja.
Nesta manhã, gostaríamos de considerar Deus como o Construtor da igreja. Ele não apenas concebe a ideia nem apenas faz o projeto; Ele realmente a edifica.
Nosso querido irmão John Saunders tem a responsabilidade de falar sobre como a igreja é edificada, por isso não quero entrar no assunto dele. Mas, quando falamos de edificação, da construção propriamente dita, o que podemos dizer? Acho que provavelmente tratarei desse assunto por outro ângulo. Vamos olhar para a própria edificação do ponto de vista do próprio Deus.
Em outras palavras, na edificação da igreja, veremos a perícia de Suas mãos. Essa expressão se encontra em Salmos 78:72:
A perícia de Suas mãos.
Na edificação da igreja, vemos de fato a perícia das mãos do Senhor.
Vocês acham que, além de Deus, existe alguém no mundo tão habilidoso que possa edificar a igreja? Pelo que entendo, Deus é o único que tem a habilidade, o poder e a capacidade de edificar a igreja. Não há outro.
Por quê? Porque, ao edificar a igreja, Ele está exercendo Seu poder criador. Deus é o único Criador do universo. O que é criação? A rigor, criação é chamar algo à existência a partir do nada.
Quando Deus criou os céus e a terra, foi um ato criador, porque Ele chamou à existência aquilo que não existia. Não havia nada; não havia material de espécie alguma. Contudo, do nada, Deus criou os céus e a terra. Maravilhoso!
Quem mais pode fazer isso? Podemos fazer alguma coisa a partir de outra. Podemos fabricar algo com matérias-primas e transformá-las em um produto acabado. Mas não há ninguém no universo, nem mesmo os anjos, que possa transformar o nada em alguma coisa.
Não apenas isso: quando essa coisa aparece, ela é maravilhosa e gloriosa.
Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos.
Ele é o único Criador. Dele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas. A Deus seja a glória.
Agora, irmãos e irmãs, vocês acham que, na edificação da igreja, haverá menos poder criador do que na criação dos antigos céus e da terra? Isso simplesmente não pode acontecer. Como Deus poderia edificar a igreja com menos habilidade criadora do que empregou ao fazer a velha criação? Isso tornaria a velha criação mais excelente do que a nova criação.
Graças a Deus, a nova criação é muito, muito mais gloriosa do que a velha criação.
Quando Deus criou os céus e a terra, a Bíblia diz em Colossenses 1:16:
Nele foram criadas todas as coisas.
Todas as coisas foram criadas Nele e, porque foram criadas Nele, toda a criação revela o poder e a divindade do Criador — como Ele é divino e como Ele é poderoso.
Lembro-me de que, quando eu estava na China, havia uma irmã muito usada pelo Senhor. Na verdade, ela foi uma das pessoas que iniciaram essa obra na China com nosso querido irmão Watchman Nee. Ela era ateia — uma ateia declarada —, muito inteligente, extremamente inteligente. Chegava a dizer às pessoas que jamais acreditaria em Deus. Deus não existia.
Mas, em certo ano, houve uma epidemia na China. Na época, ela era diretora de uma escola para meninas, e tiveram de mandar todas as alunas de volta para casa. Ela levou algumas das alunas e viajou pelo rio Yangtzé, descendo o rio para deixá-las em suas respectivas localidades.
Ela estava sentada na parte da frente do barco. Enquanto o barco navegava pelo rio Yangtzé, ela olhou ao redor e viu a bela paisagem que a cercava. De alguma forma, convenceu-se de que havia um Deus capaz de criar tamanha beleza e montanhas tão imponentes. Nenhum ser humano poderia fazer aquilo. Aquilo não poderia ter surgido por acaso. Tinha de haver um Deus.
Graças a Deus, essa percepção mudou completamente sua vida. Ela serviu ao Senhor por muitos, muitos anos. Por quê? Porque esse é o ato criador de Deus. Ele procede da perícia de Suas mãos e nos demonstra Quem Ele é — Sua sabedoria, Seu poder e Sua glória.
Mas, quando Ele criou o homem, a Bíblia diz que o criou à Sua própria imagem e conforme a Sua própria semelhança. Quando criou o homem, Ele tinha em mente que esse homem um dia seria a companheira de vida de Seu Filho amado.
Foi por isso que Ele criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança: para dar ao homem a capacidade e o potencial de receber a vida de Deus e, assim, poder unir-se a Cristo, Seu Filho.
Quando Ele criou todas as coisas, todas foram criadas em Cristo. Mas, quando criou o homem, Ele o criou para ser semelhante a Si. Queridos irmãos e irmãs, alguma vez lhes ocorreu que a igreja é uma nova criação?
Se alguém está em Cristo, é nova criatura.
O irmão T. Austin-Sparks costumava nos corrigir. Ele dizia: “Se alguém está em Cristo, uma nova criação”. Dizia que, no original, o “é” não está lá. Há uma nova criação.
Em outras palavras, Deus realizou Seu ato criador. Por criação, Ele quer dizer trazer algo à existência a partir do nada. Vocês creem que a igreja é uma nova criação?
Talvez vocês digam: “Não acho, porque Deus já tem o pobre homem como material. Não é algo que vem do nada”. Mas, queridos irmãos e irmãs, deixem-me dizer: essa criação de Deus é ainda mais maravilhosa do que trazer algo à existência a partir do nada.
Quando Deus criou o homem, Ele tinha em Seu coração que o homem deveria corresponder ao nosso Senhor Jesus, ser Sua noiva, ser um com Ele. É por isso que fomos criados à Sua imagem e conforme a Sua semelhança. Mas, infelizmente, o homem pecou.
O homem foi expulso do jardim do Éden. O material que Deus tinha em mente para a edificação da igreja estava quebrado, expulso e totalmente inutilizado. Não apenas isso: o pecado entrou no homem. O inimigo de Deus conquistou espaço no homem, e seu domínio passou a estar sobre ele.
Como nosso irmão disse, o ódio do inimigo contra Deus e contra o propósito de Deus está gravado na mente e no coração do homem. Sem motivo algum, o homem odeia a Deus.
Eu tinha outro cooperador na China. Quando ele era jovem, sua família o enviou à Rússia para estudar. Ele se tornou ateu, participou da Revolução Russa e recebeu uma condecoração.
Quando voltou à China, sua família era muito rica. Os japoneses haviam tomado parte de suas propriedades e construído ali um campo de aviação. Ele não precisava trabalhar e não tinha nada para fazer. Mas me disse que tinha uma tarefa: acabar com o cristianismo.
Ele ia de casa em casa pregando contra o cristianismo. Havia apenas um prédio de igreja em sua cidade, e foi ele quem fechou aquele prédio. Contratou várias crianças. Quando as pessoas se levantavam para orar, as crianças iam e retiravam todos os assentos. Quando as pessoas cantavam, as crianças jogavam areia em suas bocas. Ficou tão difícil reunir-se que, por fim, a porta foi fechada.
Ele era esse tipo de pessoa. Não sabia por quê, mas odiava o cristianismo. Certo dia chuvoso, estava na loja de seu irmão. Seu irmão tinha uma pequena loja e, como ele não tinha nada para fazer, procurou um livro para ler.
Curiosamente, encontrou um livro debaixo do balcão. Pegou-o, abriu-o e leu:
O homem bom é como uma árvore plantada junto ao rio. O homem mau é como a palha, levada pelo vento.
“Bem”, disse ele, “isso é razoável”. Não conseguiu dormir naquela noite. Na manhã seguinte, foi ao prédio da igreja. Estava fechado, é claro, mas ele empurrou a porta, e ela se abriu. Entrou e foi até o púlpito, onde viu um livro grande.
Ele não sabia o que era. Abriu o livro, e eram os Salmos. “Ah”, disse ele, “é deste livro que veio aquilo”. Então pegou o livro e o levou para casa. Foi a primeira vez que roubou.
Começou a ler o Livro e foi convencido de seu pecado. Ele havia sido um líder na Manchúria durante a revolução na China. Enquanto fugia para salvar a própria vida, porque os japoneses o procuravam, certa manhã se ajoelhou e orou. Suas lágrimas molharam o chão. Então a palavra de Deus veio a ele, e ele foi maravilhosamente salvo.
Ele serviu ao Senhor até morrer. Mas, irmãos e irmãs, quando esse homem perseguia o cristianismo, não sabia por quê. O ódio estava ali.
Vocês acham que nós — o homem natural, o homem pecador — poderíamos ser material para a edificação da casa de Deus? Somos menos que nada; piores que nada, porque há oposição em nós.
O homem natural não entende a Deus. Não há desejo por Deus; há uma oposição natural a Deus. A Bíblia diz:
Todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Os religiosos, os moralmente corretos, os de classe alta, os pecadores, os degradados — todos são iguais: não servem como material para a edificação da casa de Deus.
Quando nosso Senhor Jesus veio a esta terra, segundo o Evangelho de João, por que Ele veio? Veio como Noivo. Veio buscar Sua noiva, pois a noiva não se encontrava em parte alguma. Tudo o que Ele via eram os desesperados, os cegos, os surdos, os aleijados e os mortos.
Necessário vos é nascer de novo.
Ele disse a Nicodemos, o homem moralmente correto, o homem religioso, o mestre de Israel:
Necessário vos é nascer de novo.
Não pense que, por ser religioso e moralmente correto, você está quase no reino de Deus. Nicodemos talvez tenha pensado: “Mais um passo, mais uma instrução, um pouco mais de educação, e estarei dentro”.
Mas o Senhor disse:
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Você não apenas não pode entrar; não pode sequer vê-lo. Não sabe nada a respeito do reino de Deus, porque não o viu.
Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Vamos observar isso na edificação da igreja. O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Por que Ele não disse isso no início de Seu ministério? Por que disse isso perto do fim de Seu ministério?
Porque, no início de Seu ministério, não havia material pronto, não havia material disponível para edificar a igreja. Ele precisava redimir, libertar e salvar as pessoas do pecado e do mundo. Precisava livrá-las, torná-las livres e dar-lhes nova vida.
É uma nova criação — nada de velho.
Se alguém está em Cristo, há uma nova criação: as coisas velhas passaram; eis que se tornaram novas. Mas todas as coisas provêm de Deus.
Na edificação da igreja, a perícia da mão de Deus supera aquela demonstrada na edificação dos céus e da terra. A partir de algo pior que nada, Ele é capaz de edificar uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e sem defeito. Vocês veem a perícia de Sua mão?
Mas isso é apenas o começo. Pensamos que, depois de sermos salvos, Deus pode simplesmente prosseguir, trabalhar e concluir tudo rapidamente. Não é assim.
Nosso Senhor Jesus disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas.
Por quê? Porque isso não foi revelado por carne e sangue; foi Seu Pai, que está nos céus, Quem o revelou a ele. Então Ele disse:
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.
Em João 1, quando André levou seu irmão Simão ao Senhor Jesus, antes que Simão pudesse abrir a boca — ele, que geralmente era o primeiro a abrir a boca —, o Senhor disse:
Tu és Simão; tu serás chamado Cefas.
Que, traduzido, significa Pedro.
Simão era um homem feito do pó: terreno, natural. Não importa se o seu temperamento é bom ou ruim; não importa quem você seja: você é Simão — o homem natural, o homem da carne.
Mas o Senhor disse:
Tu serás chamado Pedro.
Toda a sua esperança está em Pedro, não em Simão. Ele nos libertará do nosso homem natural e nos dará uma nova vida, uma nova criação. Ele nos fará Pedro — uma pedra, um elemento diferente —, não solto como a terra, mas sólido, algo com que Deus pode edificar.
O Senhor não diz: “Tu és Simão, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja”. Ele não poderia fazer isso, porque Simão não poderia ser da mesma natureza daquela grande Rocha, o próprio Senhor. Simão é um material diferente: poluído, contaminado, pecaminoso, corrompido e contrário a cada passo da obra de Deus.
Como se pode usar Simão para edificar sobre a Rocha, o próprio Cristo? Impossível. Mas:
Tu és Pedro.
Porque você é Pedro, há algo semelhante. Como nosso irmão mencionou ontem à noite, o próprio Senhor é a Pedra viva e, à medida que nos achegamos a Ele, também nos tornamos pedras vivas, edificadas juntamente como casa espiritual, sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Contudo, mesmo depois de o Senhor dizer:
Tu és Pedro.
O Simão que estava em Pedro apareceu novamente. No mesmo capítulo, Mateus 16, o Senhor começou a revelar aos Seus discípulos que precisava ir a Jerusalém, ser rejeitado, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar dentre os mortos.
Então o Simão que estava em Pedro apareceu. Ele segurou o Senhor e disse: “Senhor, nunca! Isso jamais Te acontecerá. Tu não precisas ir à cruz. Podes ter o trono; ele é Teu”.
Nosso Senhor Jesus voltou-Se e disse:
Para trás de Mim, Satanás.
Ele não estava falando a Pedro, mas a Simão. Em Simão, Satanás tinha espaço. Em Pedro, não tinha espaço.
Não cogitas das coisas de Deus, mas das dos homens. Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Mesmo depois de Simão vir ao Senhor, confessar o Senhor e de o Senhor dizer: “Agora tu és Pedro”, infelizmente o Simão dentro dele ainda permanecia. Mais trabalho precisava ser feito.
Bem perto do fim, quando o Senhor disse: “Serei entregue e morto, e todos vós sereis dispersos”, Simão Pedro disse: “Não. Os outros podem fazer isso, mas eu não. Estou disposto a morrer Contigo”.
O Senhor Jesus disse: “Simão, Simão”. Não disse: “Pedro, Pedro”. Disse:
Simão, Simão, Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo; mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.
Não sabemos quanto de Simão ainda temos em nós. Não sabemos quanto da carne, do homem natural e do aliado do inimigo ainda está em nós. Leva tempo para que isso venha à tona e para que o Senhor trate disso.
O Senhor precisa eliminar todo o Simão que há em Pedro, todo o ego que há em nós, porque nunca se pode edificar a casa de Deus com Pedro e Simão juntos. Esse é um princípio espiritual que precisamos entender.
A edificação da igreja, do começo ao fim, é uma criação — uma nova criação. Nada da velha criação pode ser incorporado a ela. É estranho à sua natureza e será rejeitado. Somente aquilo que é de Cristo em nós pode ser incorporado à edificação da igreja.
Ó Deus, quanto precisamos que o Espírito de Deus trate conosco! É por isso que o Espírito Santo vem. O Espírito Santo, que habita em cada um de nós, está conosco o tempo todo. Ele nunca nos deixará.
Você pode entristecê-Lo, pode apagá-Lo e pode desobedecer-Lhe, mas não pode expulsá-Lo. Ele continua ali. Por quê? Porque a obra de Deus precisa ser feita. O Espírito Santo está encarregado de levar a edificação da igreja à sua conclusão.
É por isso que Deus nos conduz e permite que entremos em todo tipo de situação — coisas que tememos e não gostamos de experimentar. De alguma forma, Deus, em Sua sabedoria, organiza nossas circunstâncias de modo a expor e trazer à nossa consciência aquilo que somos por natureza.
É por isso que Deus conduziu os filhos de Israel ao deserto. Seu propósito era levá-los à terra prometida, mas, quando os tirou do Egito, conduziu-os pelo deserto. Por quê?
Pensamos que o deserto é uma perda de tempo. Em certo sentido, foi, porque eles deveriam ter atravessado o deserto em dois anos. Infelizmente, peregrinaram por quarenta anos. Mas aqueles dois anos eram necessários.
Deuteronômio nos diz por quê. Deus os provou. Ele os conhecia, mas eles não conheciam a si mesmos. Ele os provou e trouxe à luz o que havia dentro deles, para que pudessem ver com os próprios olhos como eram feios, como eram totalmente inúteis e como eram contrários a Deus.
Ele nos leva ao ponto em que estamos dispostos a abrir mão. Quem está disposto a negar a si mesmo? Amamos a nós mesmos; agarramo-nos ao que somos. Mas o Senhor diz: “Abra mão. Deixe-Me ser tudo para você”. Com todas essas coisas naturais, Ele não pode edificar a igreja.
Na edificação da igreja, não há elementos estranhos à sua natureza. Todo elemento caído será rejeitado. A vida rejeita aquilo que não é semelhante a ela. Portanto, há muito trabalho que Deus precisa fazer na vida de cada um de nós.
Ah, irmãos e irmãs, estamos realmente dispostos a nos render ao Senhor e permitir que Ele acelere essa obra, para que tenha material adequado para ser incorporado à edificação da casa de Deus?
Há muito trabalho a ser feito em cada um de nós: eliminar aquilo que é do natural, de Simão, e aumentar aquilo que é de Pedro, de Cristo. Não apenas uma pedra viva, mas uma pedra preciosa. Todo o caráter do nosso Senhor Jesus está sendo formado em nós. Que obra é essa! Como Ele é habilidoso!
Mas há mais do que isso. Ele não está edificando um monumento com uma única pedra. Está edificando uma casa com todas essas pedras preciosas. Portanto, essas pedras precisam se encaixar umas nas outras.
Quando Salomão edificou o templo, 1 Reis 6 nos diz que, durante a construção, não se ouviu som de martelo, machado ou instrumento de ferro. Por quê? Porque todos os materiais haviam sido preparados na pedreira, na escuridão.
Cada pedra foi cortada e alisada de acordo com seu lugar. Qual pedra ficaria à sua direita? Qual à sua esquerda? Qual debaixo de você? Qual acima de você? Cada pedra foi preparada em coordenação com as outras pedras.
Todas aquelas pontas que se projetavam e não se encaixavam precisavam ser aparadas. Tudo foi feito na escuridão. Assim, quando as pedras foram levadas ao monte Moriá, simplesmente colocaram uma sobre a outra — um encaixe perfeito. Não havia som de martelo.
Irmãos e irmãs, a operação da cruz não diz respeito apenas a cada crente individualmente. A operação da cruz precisa atuar de maneira corporativa. Precisa atuar em nossa vida para que não apenas sejamos aperfeiçoados por Sua graça, mas também sejamos aperfeiçoados juntamente com nossos irmãos e irmãs.
Quanto mais trabalho Deus precisa fazer em nós! Muitas vezes são os nossos pontos fortes — aquilo que consideramos nossas qualidades, até mesmo nossas qualidades espirituais, nossos dons espirituais e nossa espiritualidade — que precisam ser tratados por Ele.
Mesmo aquilo que nos foi dado por Deus procede de Deus, mas Deus nunca pretende que sejamos independentes. Ele pretende que sejamos ajustados uns aos outros e trabalhemos juntos como um só.
Ninguém pode dizer: “Não preciso do outro”. Não importa quantos dons você tenha; quanto mais dons você tem, mais perigoso você é. Deus precisa tratar disso.
Josué e Calebe tinham um espírito excelente. Poderiam ter entrado na terra prometida trinta e oito anos antes dos demais. Mas, pela graça de Deus, peregrinaram juntamente com os demais, para que pudessem entrar com aquela nova geração.
É isso que são os vencedores. Eles vencem não para si mesmos, mas para toda a igreja.
Precisamos aprender a suportar uns aos outros e a ser pacientes uns com os outros. Precisamos considerar nossos irmãos e irmãs superiores a nós mesmos. Precisamos nos humilhar, não apenas diante do Senhor, mas diante de nossos irmãos e irmãs.
O amor é longânimo e benigno.
Quem pode fazer uma obra assim, senão o próprio Deus? Somente o Senhor pode fazê-la. Somente o Espírito de Deus pode fazê-la. Ninguém mais pode fazer essa obra.
Por fim, há uma expressão que me veio à mente: 2 Pedro 3:15.
E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, pensem na longanimidade do nosso Senhor. É por causa de Sua longanimidade que temos esperança.
Certo dia, o irmão T. Austin-Sparks perguntou ao nosso querido irmão Watchman Nee: “Qual passagem da Bíblia é a mais difícil de cumprir?” Nosso irmão respondeu: “Efésios 5: uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e sem defeito”.
Vocês conseguem vê-la? Está mais perto? Aos olhos da carne, parece estar se afastando cada vez mais. Não. Irmãos e irmãs, será que Ele falhará?
Ele está trabalhando. Em toda parte deste mundo estão os Seus que permanecem ocultos, preciosos para Ele. Ele trabalha silenciosamente, secretamente, de maneira oculta, mas nunca deixa de trabalhar.
Quanto mais vivo, mais aprecio a paciência de Deus — quanto Ele tem suportado ao longo de todos esses anos. Se Ele perdesse a paciência, eu estaria acabado. Mas, graças a Deus, Ele ainda está indo atrás de mim. Não me deixará ir até concluir Sua obra.
Creio de todo o coração que a igreja gloriosa aparecerá.
Queridos irmãos e irmãs, vivemos em uma época em que tudo está sendo abalado. A Bíblia diz que não apenas a terra, mas também o céu será abalado. Tudo o que pode ser abalado será removido, para que aquilo que é inabalável — o reino de Deus — permaneça.
As portas do Hades podem parecer engolir, abalar e destruir aquilo que vemos como a igreja de Deus. Mas não podem. O que elas conseguem destruir é a obra do homem — aquilo que é natural e procede do homem.
Meu clamor é: “Que seja abalado. Que desapareça”. Não há nada ali de que sentir saudade. Que aquilo que é inabalável, aquilo que pertence à nova criação, apareça.
Ah, irmãos e irmãs, estamos nos aproximando daquele dia. De repente, do nada, de quase nada, a Nova Jerusalém aparece. Que possamos estar ali por Sua graça.
Amado Pai celestial, quão grandioso é aquilo que preparaste para o Teu Filho amado! Tu tens trabalhado ao longo dos séculos. Por isso, dizemos, ah, oramos para que isso seja feito, cumprido, realizado e concluído rapidamente.
Reconhecemos que nós somos o problema. Senhor, toma-nos em Tua própria mão. Remove de nós toda a resistência, oposição e todos os elementos estranhos à Tua obra, e enche-nos com o Teu Filho amado, para que Ele possa acelerar a Tua obra em nós.
Que a noiva esteja pronta. Vem, Senhor Jesus, vem. Amém.