Por favor, abram em Efésios 3. Vamos ler Efésios 3:9-11.
E esclarecer a todos qual seja a dispensação do mistério que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, Que criou todas as coisas;
para que, agora, pela igreja, seja conhecida dos principados e potestades nos lugares celestiais a multiforme sabedoria de Deus,
segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.
E Ele é a cabeça do corpo, da igreja: Ele, Que é o princípio, o primogênito dentre os mortos; para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Todavia, falamos sabedoria entre os que são maduros; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos governantes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada;
mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria que esteve oculta, a qual Deus predeterminou antes dos séculos para a nossa glória;
a qual nenhum dos governantes deste mundo conheceu: pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória;
mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,
e que não entraram no coração do homem,
são as que Deus preparou para os que O amam.
Mas Deus no-las revelou pelo Espírito: porque o Espírito perscruta todas as coisas, sim, as profundezas de Deus.
Pois quem dentre os homens conhece as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
Mas nós recebemos, não o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus; para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
Dessas coisas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com as ensinadas pelo Espírito; combinando coisas espirituais com palavras espirituais.
Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus: porque lhe são loucura; e não pode conhecê-las, porque são discernidas espiritualmente.
Mas aquele que é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido.
Pois quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-Lo? Mas nós temos a mente de Cristo.
Querido Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta manhã em Teu precioso nome, cremos que Tu estás em nosso meio. Esperamos em Ti.
Pedimos, Senhor, que abras nosso coração, para que todos os nossos corações se voltem para Ti. Retira o véu de nosso rosto, para que possamos contemplar-Te, contemplar a glória do Senhor, e ser transformados e conformados à Tua preciosa imagem.
Senhor, reconhecemos que, sem a revelação do Teu Espírito, estamos completamente perdidos. Mas nós Te louvamos e agradecemos, sabendo que Teu Espírito está agindo. Pedimos que Teu Espírito nos conduza à Tua verdade, e queremos dar-Te toda a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Creio que todos sabemos que o tema desta conferência foi extraído de Mateus 16:18. Nosso Senhor Jesus disse:
Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Agora, irmãos e irmãs, penso que, para muitos de vocês, esse não é apenas um versículo conhecido; vocês também estão familiarizados com toda essa questão da edificação da igreja.
Há alguns dias, enquanto eu pensava nesse assunto, Isaías 66 me veio à mente. Por favor, abram nessa passagem. Isaías 66. Começaremos em Isaías 66:1.
Assim diz o Senhor: O céu é o Meu trono, e a terra é o estrado dos Meus pés;
que casa Me edificareis?
E qual será o lugar do Meu descanso?
Porque todas essas coisas a Minha mão fez, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor;
mas para este olharei: para o pobre e contrito de espírito, e que treme diante da Minha palavra.
Treme diante da Minha palavra.
Essa é a palavra que o Senhor parece estar me dizendo.
Estamos tão familiarizados com essa questão da igreja, ou da edificação da igreja, que, de alguma maneira, pensamos que sabemos tudo. Não trememos diante da Sua palavra. Mas o Senhor disse que olha para aqueles que tremem diante da Sua palavra.
Creio, queridos irmãos e irmãs, que, se formos realmente conduzidos pelo Espírito de Deus à realidade de Mateus 16:18, pergunto-me: como poderemos deixar de tremer diante da Sua palavra?
São palavras maravilhosas, mas também são palavras terríveis. O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Ele está nos edificando? Estamos realmente nessa edificação? Onde estamos?
Estamos trabalhando, cooperando, rendendo-nos, permitindo que Ele trabalhe em nossa vida? Ou estamos resistindo, rebelando-nos, impedindo, atrasando Sua maravilhosa obra? Quanto mais penso nesse assunto, mais tremo.
Portanto, irmãos e irmãs, minha oração é que não consideremos esse tema algo comum, algo com que estamos tão familiarizados. Antes, tenhamos um coração contrito. Sejamos quebrantados em nosso espírito, esperemos no Senhor e deixemos que a palavra de Deus fale a cada um de nós, para nos sondar, nos libertar e nos conduzir à realidade da Sua palavra.
Irmãos e irmãs, Mateus 16 é um grande capítulo. É a palavra de Deus. Nosso irmão Kenny já mencionou ontem à noite que, nesse capítulo, temos as duas maiores revelações que o mundo já conheceu.
O Pai que está nos céus revela Seu Filho. Não há revelação maior do que essa. O Filho nos revela a igreja. Essa é a segunda maior revelação. A Bíblia inteira fala dessas duas coisas: Cristo e a igreja.
Grandes revelações. Mas, irmãos e irmãs, até que ponto estamos vivendo nas revelações de Deus? Quanto realmente conhecemos a Cristo?
O homem natural nunca O conheceu. É o Pai celestial Quem O revela, e agrada ao Pai revelar Seu Filho em nós. Mas quanto permitimos que Ele revele Seu Filho? Ele sabe qual é o lugar do Filho de Deus em nossa vida. Ele é tudo para nós?
Penso que, diante disso, precisamos realmente nos humilhar perante o Senhor.
O que o Filho deseja é a igreja. Mas será que realmente desejamos a igreja como o Filho a deseja? Ele diz que a está edificando. Estamos nesse processo de edificação todos os dias? Onde estamos? Penso que essas são perguntas muito importantes que precisamos fazer.
Esperamos no Senhor que, durante estes poucos dias, Deus abra nosso entendimento e nos dê uma revelação renovada, nova e mais profunda daquilo que está no coração de Deus, que está no coração de nosso Senhor Jesus. Então poderemos amar o que Deus ama e desejar o que Ele deseja.
Oh, orem. Portanto, queridos irmãos e irmãs, espero que, durante estes poucos dias, oremos continuamente diante Dele, para que, pela graça de Deus, sejamos conduzidos à realidade dessas preciosas palavras.
Minha responsabilidade é compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, sobre esta questão: quem é o edificador da igreja.
Penso que é algo tão simples; é evidente por si mesmo. Realmente, não há necessidade de falar sobre isso. Todos nós sabemos. O Senhor Jesus disse muito claramente:
Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.
Quem pode edificar a igreja de Deus, senão o próprio Deus?
Em Hebreus 11:10, Abraão aguardava:
A cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o Arquiteto e Edificador.
Salmos 127:1 diz:
Se o Senhor não edificar a casa,
em vão trabalham os que a edificam.
Portanto, irmãos e irmãs, penso que isso está absolutamente claro. Nessa questão da edificação da casa de Deus, o próprio Deus é o Edificador. Nosso próprio Senhor assume a edificação de Sua casa, e ninguém mais pode realizar tal obra.
Agora, é verdade: quando lemos 1 Coríntios 3, o apóstolo Paulo diz:
Como sábio mestre de obras, lancei o fundamento.
E nenhum outro fundamento pode ser lançado, além de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ele também diz que nós, que pertencemos ao Senhor, somos todos edificadores. Todos estamos envolvidos nessa obra de edificação. Então, irmãos e irmãs, quem está edificando a casa de Deus? Deus? Vocês? Quem a está edificando?
Quando Paulo fala de si mesmo como mestre de obras, é porque tem os crentes em vista. No que diz respeito aos crentes, aos crentes de Corinto, todos eles são edificadores. Podemos dizer que todos são trabalhadores, e Paulo é um mestre de obras.
Mas, quando pensamos na relação de Paulo com o Senhor, descobrimos que o que Paulo realmente quer dizer é que ele é um encarregado. Nosso Senhor Jesus é o Mestre de Obras, o verdadeiro Mestre de Obras, e Paulo está sob Sua autoridade como encarregado. Nós, em certo sentido sob a orientação de Paulo, trabalhamos nessa obra.
Você pensa que está edificando a casa de Deus? Isso sem falar que, muitas vezes, estamos edificando uma casa diferente. Não percebemos que estamos construindo a Torre de Babel.
Como podemos edificar a casa de Deus, a menos que permitamos que o Senhor edifique em nós e, depois, por meio de nós? Então, quem realmente está edificando a casa de Deus? O próprio Deus. Você não pode edificar. Eu não posso edificar. O homem não pode edificar.
É uma edificação tão gloriosa, tão maravilhosa. Espero que, à medida que prosseguirmos, descubramos cada vez mais que essa é uma edificação que ninguém pode realizar, senão Deus.
Agora, quando vocês pensam em um construtor — eu venho de uma família de construtores. Meu avô era construtor, meus tios eram construtores, meu irmão mais velho era construtor, mas eu não sei nada sobre construção.
Os construtores constroem uma casa. Mas, em nossa concepção moderna, provavelmente limitamos o construtor apenas ao processo de construção.
Em outras palavras, você pode ter a ideia de que quer uma casa. Tem uma ideia geral da casa que deseja, mas não tem conhecimento técnico. Então contrata um arquiteto e pede que ele projete uma casa de acordo com as instruções que você lhe dá — apenas alguns princípios básicos da casa que deseja.
O arquiteto, com seu conhecimento técnico, desenhará uma planta, colocando suas ideias nessa planta. Depois você chama um construtor para construir de acordo com o projeto que o arquiteto desenhou.
Portanto, nos tempos modernos, o papel de um construtor provavelmente é um tanto limitado. Mas creio que, quando chegamos a essa questão de Deus ser o Edificador da casa de Deus — Ele, o Edificador da Nova Jerusalém —, a ideia se aproxima mais da de um incorporador imobiliário moderno.
Vocês sabem, em nosso tempo há pessoas que são incorporadores imobiliários. Elas têm uma ideia. Observam certas necessidades do mercado e procuram locais adequados para construir, a fim de atender a essas necessidades.
No escritório desse incorporador, há arquitetos que transformarão a ideia em uma planta. Eles têm até os recursos financeiros para isso. Estão preparados para financiar a obra e construirão uma casa. Depois de construí-la, irão vendê-la a outras pessoas.
Mas, no que diz respeito a Deus como Edificador, é mais do que isso. Vocês descobrirão que Deus é o Edificador no sentido mais abrangente. Ele é Quem concebe a ideia. Ele é Quem desenha a planta. Ele é Quem reúne os materiais. Ele é Quem financia. Ele é Quem edifica. E Ele é Quem é o proprietário e habita nela.
Esse, então, é o significado: Deus é o Edificador da igreja.
Nestas três sessões da manhã, gostaríamos de considerar Deus como o idealizador da edificação da igreja. Depois, consideraremos Deus como o planejador da edificação da igreja e, por fim, Deus como o construtor da edificação da igreja.
Agora, de quem é a ideia da igreja? Quem primeiro concebeu esse pensamento?
Quando vocês abrem em Efésios 3, está declarado com muita clareza que, antes mesmo dos séculos — isto é, antes da fundação do mundo, antes da criação dos céus e da terra, antes que houvesse qualquer coisa, antes que houvesse tempo e espaço —, Deus, o Deus eterno, estabeleceu um propósito em Seu Filho.
Isso é tremendo, irmãos e irmãs. Pensem nisso. Antes que houvesse tempo, antes que houvesse espaço, antes da criação, ainda na eternidade passada, Deus concebeu uma ideia. Ele concebeu essa ideia para Seu Filho, em Seu Filho. Certamente essa deve ser uma ideia maravilhosa.
Quando vocês abrem em Gênesis 1:1, leem:
No princípio, criou Deus os céus e a terra.
Mas lembrem-se: aquela ideia da igreja já estava presente. Aquela ideia foi concebida antes mesmo do princípio dos céus e da terra.
Ou, colocando de outra maneira: quando Deus criou os céus e a terra, com que propósito o fez? Por que Ele criou os céus e a terra? Todos os céus e a terra eram o propósito, o objetivo final da obra de Deus? Não. Ele criou os céus e a terra tendo algo em vista.
Deus amava tanto Seu Filho amado. Deus é amor. Irmãos e irmãs, aqueles de vocês que são pais, especialmente avós, sabem como amam seus filhos; sabem como amam seus netos. Querem dar tudo a eles. Querem satisfazer o coração deles. Estão dispostos a se sacrificar por seus filhos ou por seus netos.
Mas isso é humano. Pensem no divino. Pensem em Deus, Que é o próprio amor. Deus ama Seu Filho unigênito.
Tudo começa aí. Porque Ele ama tanto Seu Filho unigênito, quer fazer algo por Seu Filho. Quer agradar a Seu Filho, satisfazer a Seu Filho. Foi a partir disso que Ele criou os céus e a terra.
Portanto, os céus e a terra não existem por si mesmos. Lembramos que Apocalipse 4:11 diz:
Por Tua vontade foram criadas.
Agora, qual é a Tua vontade? A Tua vontade é dar os céus e a terra, e tudo o que neles há, ao Seu Filho amado como uma dádiva.
Agora, se alguém pudesse lhe dar Richmond de presente, como você se sentiria?
Mas com Deus e Seu Filho não é assim. Embora Deus tenha criado os céus e a terra, e tudo o que neles há — os anjos e todas as outras coisas —, Seu Filho não estava satisfeito.
Há algo no coração de Seu Filho amado: um anseio por uma companheira, alguém que Lhe corresponda, alguém semelhante a Ele, alguém que possa ter comunhão com Ele, alguém que possa ser unido a Ele em um só, alguém que possa desfrutar de todas as coisas com Ele e a quem todas as coisas possam ser dadas juntamente com Ele — uma auxiliadora que Lhe seja idônea. É isso que Ele deseja.
E, queridos irmãos e irmãs, o Pai celestial sabia disso. Portanto, antes da fundação do mundo, antes mesmo que Deus criasse os céus e a terra, Deus já tinha essa ideia: “Vou dar ao Meu Filho uma companheira para a vida, alguém que Lhe corresponda, Sua auxiliadora idônea. Essa será Minha dádiva suprema ao Meu Filho”.
Os céus e a terra são apenas complementares, secundários, não primários. Mas há um longo caminho a percorrer. É necessário todo o decorrer do tempo para realizar isso.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, vocês agora compreendem o que a igreja é no coração de Deus?
Quando Deus criou o homem, criou-o à Sua imagem, conforme a Sua semelhança. Agora, irmãos e irmãs, precisamos fazer a pergunta: por quê?
Quando Ele criou os céus e a terra, proferiu a palavra, e assim se fez. Mas, quando criou o homem, houve um conselho na Divindade:
Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança.
Agora, por quê?
Não foi por esta única razão: Deus queria que os seres humanos fossem de tal modo transformados que pudessem corresponder ao Seu Filho amado, ser Sua auxiliadora idônea? Essa era a dádiva suprema de Deus ao Seu Filho amado. Deus tinha isso em vista.
Mas, infelizmente, o homem, em vez de obedecer a Deus e tomar da árvore da vida — porque, sem a vida divina, jamais poderia cumprir o propósito de Deus —, em vez de fazer isso, foi tentado, caiu em pecado e tomou do fruto proibido. Foi expulso do jardim do Éden.
Então, queridos irmãos e irmãs, Deus desistiu? Não. Ele continuou trabalhando. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Deus tem uma obra a realizar.
Às vezes, vocês se perguntam: por que, durante a vida de nosso Senhor Jesus na terra, Ele mencionou a palavra igreja apenas duas vezes?
Uma delas foi em Mateus 16:18. Quando foi rejeitado por Seu próprio povo, Ele Se retirou para os arredores de uma cidade gentia, Cesareia de Filipe. Então fez estas perguntas aos Seus discípulos:
Quem dizem os homens que Eu sou?
Quem dizeis vós que Eu sou?
Depois que Pedro disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Nosso Senhor Jesus disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, Que está nos céus.
Deus Pai revelou o Filho e, com base nessa revelação, o Filho revelou ainda o que estava em Seu coração:
Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Que revelação!
A segunda vez que Ele mencionou a igreja foi em Mateus 18. “Se teu irmão pecar contra ti, vai até ele. Procura restaurá-lo com amor. Se ele não ouvir, leva contigo uma ou duas outras pessoas e vão juntos, procurando convencê-lo, resgatá-lo. Se ele não ouvir, então dize-o à igreja”.
Vocês sabem, nosso Senhor mencionou essa palavra, igreja, pela segunda vez quando os discípulos — os doze discípulos — estavam discutindo entre si quem era o maior. Essa foi a ocasião.
Por que nosso Senhor mencionou a palavra igreja apenas duas vezes? Se a igreja é tão importante, se a igreja está no coração de Deus antes mesmo da fundação do mundo, se a igreja é a razão pela qual nosso Senhor Jesus veio a esta terra, por que Ele não a mencionou muitas, muitas, muitas vezes?
Agora, se algo é muito precioso ao seu coração, se está no centro do seu coração, você não consegue esconder. Vai falar sobre isso. Vai sonhar com isso. Até em seus sonhos estará falando sobre isso.
Mas por que essa questão da igreja, tão importante para Deus, tão importante para nosso Senhor Jesus, era um mistério nos tempos do Antigo Testamento? Nos tempos do Novo Testamento, quando nosso Senhor estava na terra, Ele só a mencionou perto do fim. Por quê?
Porque havia muito trabalho a ser feito. Deus trabalha de maneira misteriosa para realizar Suas maravilhas. Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus, o próprio Deus, concebeu essa ideia da igreja.
Agora, é bem verdade: embora Deus nunca tivesse declarado abertamente o que estava em Seu coração, não podia deixar de dar indícios aqui e ali ao longo da história.
Na verdade, quando vocês abrem em Gênesis 2, descobrem que já há um indício ali.
Depois que Deus criou Adão, Ele disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Agora, irmãos e irmãs, de quem é essa ideia?
Em Gênesis 1, somos informados de que, quando Deus criou o ser humano, Sua concepção do ser humano incluía homem e mulher, porque Ele os criou homem e mulher. Mas primeiro criou Adão.
Como Adão era apenas uma metade da humanidade, faltava a outra metade. Então Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Então vocês se lembram de como Deus trouxe todos os animais diante de Adão. Adão olhou para todos esses animais e lhes deu nomes. Vocês sabem, os nomes descrevem alguma coisa. Assim, Adão deu nomes a todos esses animais, mas não encontrou ali alguém semelhante a ele.
Havia belas aves, cães, gatos, todos esses animais de estimação, ou até gorilas. Adão podia apreciá-los. Podia olhar para eles e dizer: “Ah, este é um cão; este é um gato”. Mas não conseguia encontrar alguém semelhante a ele — alguém que lhe correspondesse.
Deus sabia disso. Vocês sabem, a razão pela qual Deus trouxe todos esses animais diante de Adão foi o processo de eliminação. Seria muito triste se Adão olhasse para o gorila e dissesse: “É esse”. Ele nunca seria feliz depois disso.
Irmãos e irmãs, a ideia é de Deus. Embora Adão se sentisse sozinho, embora se sentisse incompleto, havia um vazio nele, mas ele não sabia o que era. Não conseguia encontrar o que lhe faltava em nenhum daqueles animais. Nenhum podia corresponder a ele, mas Deus sabia.
Portanto, irmãos e irmãs, a ideia é de Deus:
Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
A ideia vem de Deus, não do homem.
Todos sabemos que Adão, na Bíblia, é um tipo de Cristo. Eva é um tipo da igreja. Quando chegamos a Efésios 5:32, lemos:
Grande é este mistério: mas eu me refiro a Cristo e à igreja.
Então vocês veem que a ideia já está ali. A ideia vem de Deus; tem sua origem em Deus.
O mesmo acontece quando pensamos no tabernáculo. Depois que Deus conduziu os filhos de Israel para fora do Egito, levou-os ao Sinai, e ali declarou Sua vontade aos filhos de Israel.
Depois de lhes dar a lei, em Êxodo 25 Ele disse:
E Me farão um santuário, para que Eu habite no meio deles.
De quem é essa ideia? Não é a ideia de Moisés. Não é a ideia de Arão. Não é a ideia de nenhum dos outros filhos de Israel.
É a ideia de Deus. Deus disse: “Quero habitar com vocês. Construam para Mim um santuário”. Portanto, toda a ideia veio de Deus, não do homem.
Agora, talvez vocês digam que Davi teve a ideia de construir um templo. Vocês sabem, Davi morava em seu palácio, e conversou com Natã, dizendo: “Como posso morar em um palácio, enquanto a arca de Deus está em uma tenda? Não posso mais suportar isso. Quero construir um templo para Ele”.
Parece que a ideia veio de Davi. Não. A Bíblia diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus. Ele conhecia o coração de Deus. Portanto, tudo começa no coração de Deus e, de alguma maneira, Deus imprimiu no coração de Davi aquela ideia de um templo. Davi apenas expressou o que estava no coração de Deus.
Assim, vocês descobrem que tudo vem de Deus. Toda a ideia vem de Deus, não do homem.
Penso que isso é muito importante. É importante percebermos que todo o conceito da igreja vem de Deus.
Vocês sabem, infelizmente, em nossa mente, por causa da igreja que conhecemos hoje, ela é um produto da história. É uma ideia do homem. Assim, perdemos a clareza de que todo o conceito da igreja tem sua origem em Deus.
Se pudermos enxergar isso, irmãos e irmãs, fará uma grande diferença.
Em Colossenses 1, vocês encontram a relação de nosso Senhor Jesus com Seu bondoso Pai no âmbito de toda a criação e também da nova criação. Quando chegamos à nova criação, está escrito:
Ele é a cabeça do corpo, da igreja.
A cabeça do corpo, da igreja. Agora, o que é a cabeça para o corpo? Efésios 1:23 diz que Cristo é a Cabeça da igreja:
Que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Em outras palavras, o corpo é a plenitude da Cabeça. Se não há cabeça, não há corpo. O corpo tem a finalidade de conter a plenitude da cabeça e manifestar as riquezas, a glória da cabeça. Portanto, sem a Cabeça, não há corpo.
Essa é a razão pela qual, se não tivermos a revelação do Pai acerca de Seu Filho, jamais poderemos entrar na revelação do Filho acerca da igreja.
Sem Cristo, não há igreja.
Ele é o princípio. Tudo começa Nele. Tudo vem Dele. E Ele é o primogênito dentre os mortos.
Agora, o que isso significa? Significa que a igreja está no terreno da ressurreição. A igreja não é edificada no terreno natural. A igreja é edificada no terreno da ressurreição. Nosso Senhor Jesus é a ressurreição e a vida, o primogênito.
Em outras palavras, Ele tem a soberania e a primazia. Todos os que hão de fazer parte da igreja precisam nascer do alto, na vida de ressurreição. Que igreja é essa!
Então, se vocês abrirem em 1 Coríntios 2, irmãos e irmãs, verão que frequentemente citamos os primeiros cinco versículos desse capítulo. O apóstolo Paulo disse aos crentes de Corinto:
Decidi nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
Irmãos e irmãs, como nos gloriamos de não conhecer nada além de Jesus Cristo e Este crucificado. Agora, graças a Deus, esse é o fundamento. Mas há alguma coisa a ser edificada sobre esse fundamento?
A partir de 1 Coríntios 2:6, Paulo disse:
Todavia, falamos sabedoria entre os que são maduros.
Quanto aos crentes de Corinto, eles eram crianças em Cristo. Com crianças, só podemos falar de Jesus Cristo e Este crucificado — em outras palavras, da verdade básica do evangelho —, porque, sem isso, não há fundamento sobre o qual edificar.
Mas, depois que você crê no Senhor Jesus, depois que O recebe, o Crucificado, então, quando cresce — perfeito, nas Escrituras, significa crescido, maduro —, quando você está crescendo, há uma sabedoria em mistério da qual falamos.
Em outras palavras, você volta ao propósito de Deus. Ali vê que Deus preparou para aqueles que O amam coisas que o olho não viu, que o ouvido não ouviu e que ninguém jamais concebeu em sua mente. Isso diz respeito à nossa glória.
Irmãos e irmãs, o que é isso? É a igreja, a igreja gloriosa que o Senhor está edificando.
Essa é a obra de Deus ao longo dos séculos. Essa é a obra que nosso Senhor Jesus veio realizar. E essa é a obra na qual Ele nos chama a trabalhar com Ele, por meio Dele e para Ele.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, essa questão da edificação da igreja é muito, muito importante. Realmente oro para que, antes de tudo, concentremos nosso pensamento no Senhor Jesus.
Não pensem que, por ser essa a obra de Deus, devemos nos levantar e realizá-la. Vocês não podem. Ele é o Edificador, o Idealizador da igreja. Portanto, precisamos dar-Lhe o primeiro lugar e nos render a Ele, permitindo que Ele realize Seu propósito.
Pai celestial, nós reconhecemos a importância dessa questão da edificação da igreja, a casa de Deus.
Querido Senhor, queremos tremer diante da Tua palavra. É uma obra tão gloriosa, tão tremenda. Ela cumpre um propósito tão glorioso: satisfazer o coração do Teu Filho amado.
Ó Senhor, perdoa-nos por nossa complacência. Perdoa-nos por nossa presunção. Perdoa-nos por nossa negligência. Perdoa-nos por obstruir a Tua obra.
Senhor, leva-nos a um lugar em que sejamos reduzidos a zero e permitamos que Tu realizes a obra, porque somente Tu podes realizá-la. Nós Te adoramos. Em Teu precioso nome. Amém.