Ainda gostaríamos, irmãos e irmãs, de abrir em 1 Tessalonicenses 5.
Vamos ler 1 Tessalonicenses 5:23-24:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e sejam o vosso espírito, alma e corpo conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama, O Qual também o fará.
Vamos abrir novamente em 1 Pedro 1. Leremos 1 Pedro 1:3-12.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos;
para uma herança incorruptível, incontaminada e que não se desvanece, reservada nos céus para vós;
que, pelo poder de Deus, sois guardados mediante a fé para a salvação preparada para se revelar no último tempo.
Nisso grandemente vos alegrais, ainda que agora, por um pouco de tempo, se necessário, sejais entristecidos por várias provações;
para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo:
a Quem, não tendo visto, amais; em Quem, embora agora não O vejais, crendo, vos alegrais com alegria indizível e cheia de glória;
recebendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Por favor, prestem atenção aqui. Eu não li “espírito” na versão chinesa, porque, na língua original, essa palavra não aparece. O texto diz:
A salvação das vossas almas.
A respeito dessa salvação, os profetas que profetizaram acerca da graça que vos seria concedida buscaram e investigaram diligentemente;
indagando que tempo ou que circunstâncias o Espírito de Cristo, Que neles estava, indicava, ao testemunhar de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiriam.
A eles foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, ministravam essas coisas, que agora vos foram anunciadas por aqueles que vos pregaram o evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu; coisas que os anjos desejam contemplar.
Vamos nos curvar e orar.
Nosso Senhor, nosso Deus, nós Te agradecemos pela salvação que preparaste para nós, a qual até os anjos desejam contemplar e conhecer.
Nós Te agradecemos e Te louvamos porque a Tua graça vai muito além do que nossos olhos podem ver, nossos ouvidos podem ouvir e nosso coração pode compreender.
Nosso Deus e nosso Pai, pedimos que, neste momento, o Teu Espírito Santo nos revele o que já preparaste para nós e nos conduza à Tua própria graça.
Toda a glória e toda a honra sejam dadas a Ti. Em nome do Senhor Jesus. Amém.
Creio que, a esta altura, todos nós já somos capazes de recitar 1 Tessalonicenses 5:23-24. Que esses dois versículos sejam gravados em nosso coração.
O próprio Deus nos santificará inteiramente. Essa é a Sua vontade, e esse também é o Seu chamado a cada um de nós. Que todos nós ouçamos esse chamado.
Essa também é a Sua própria obra.
Ontem de manhã, compartilhamos um pouco sobre a criação e a queda da alma, por isso não vamos repetir isso nesta manhã. Agradecemos e louvamos ao nosso Deus.
Quando Deus criou o homem, Ele o criou segundo a Sua própria imagem. O próprio Deus é o Deus Triúno. Ele é três e, contudo, um.
Quando Ele criou o homem, o homem também era três e um. Espírito, alma e corpo não são três pessoas distintas, mas três partes de um único ser completo.
Quando Ele nos criou, criou-nos com espírito, alma e corpo. Embora sejam três partes, elas constituem um único ser, uma única pessoa.
No plano de Deus, Ele coloca nosso espírito na posição mais elevada, porque nosso espírito pode ter comunhão com o Espírito de Deus.
O espírito recebe de Deus a vontade de Deus e, então, transmite essa vontade à alma. A alma é a pessoa. Embora o espírito esteja na posição mais elevada, a alma ocupa a posição central, porque nós, como pessoa, somos a alma.
A alma é o eu. Quando o espírito recebe a vontade de Deus e a comunica a nós, à nossa pessoa, ele desperta nossa vontade, e passamos a querer a vontade de Deus.
Compreendemos a Sua vontade em nossa mente, e ela também desperta nossas emoções para amar.
Em outras palavras, quando recebemos a vontade que Deus nos revela, ordenamos ao nosso corpo que faça a vontade de Deus.
Quando Deus criou o homem, a Bíblia nos diz que Deus soprou o fôlego de vida nas narinas do homem, e o homem se tornou uma alma vivente.
Naquele momento, nossa alma era inocente e neutra. Nossa alma podia funcionar livremente em relação a Deus.
Mas, quando o homem pecou, sabemos que seu espírito morreu. Seu relacionamento com Deus foi rompido.
O homem caiu, então, inteiramente na esfera de sua própria alma e de seu próprio corpo. Vemos também que o homem passou a ser totalmente controlado pelo pecado e centrado em si mesmo.
Já mencionamos isso. Agradecemos e louvamos ao nosso Senhor.
Vemos que Deus veio buscar, libertar e salvar o homem caído e perdido.
Quando a salvação de Deus chegou até nós, ela alcançou primeiro o centro e depois se expandiu até a circunferência. Quando Deus veio nos salvar, primeiro Ele quis vivificar nosso espírito morto. Depois, a salvação alcançaria nossa alma e, por fim, nosso corpo.
Ontem à noite, nosso irmão mencionou especialmente essa questão de nascer de novo. O que significa nascer de novo?
João 3:6 nos diz:
O que é nascido do Espírito é espírito.
O primeiro “Espírito” é o Espírito Santo, e o segundo “espírito” é o espírito do homem. O Espírito Santo nos faz nascer de novo.
Isso significa que nosso espírito, que antes estava separado de Deus, agora foi vivificado. Agora ele é um espírito novo, e o próprio Espírito Santo vem habitar nesse espírito, para que possamos chamar Deus de nosso Pai, comprovando que agora somos filhos de Deus.
Agradecemos e louvamos ao nosso Senhor. Creio, irmãos e irmãs, que, pela graça de Deus, todos nós já experimentamos isso. Se não tivéssemos nascido de novo, continuaríamos nessa condição caída e nem sequer teríamos começado a viver as coisas espirituais.
Irmãos e irmãs, no momento em que nascemos de novo, houve uma mudança tremenda nas profundezas do nosso espírito.
Antes, esse espírito estava morto, sem nenhuma comunicação com Deus. Mas agora o espírito está vivo novamente. Agora começamos a ter comunicação com Deus.
Quando nascemos de novo, talvez tenhamos experimentado uma grande mudança. Lembramos de 2 Coríntios 5:17-18:
Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criatura:
as coisas velhas já passaram;
eis que se fizeram novas.
Mas todas as coisas são de Deus.
Se alguém está em Cristo, há uma nova criação. Quando cremos no Senhor, há, de fato, uma nova criação em nós. As coisas velhas passaram; todas as coisas são novas; e todas procedem de Deus.
Talvez, quando vocês creram pela primeira vez, realmente tenham experimentado essa nova criação. Naquele momento, talvez tenham sentido que, embora estivessem na terra, na verdade estavam no céu.
Muitos irmãos e irmãs deram este testemunho: no dia em que nasceram de novo, tornaram-se pessoas completamente diferentes. Quando caminhavam pela rua, era como andar sobre as nuvens. Quando ouviam o canto dos pássaros, era uma delícia. Quando viam as árvores e a grama, tudo parecia novo, como se tivessem sido elevados ao terceiro céu.
Naquele momento, estavam cheios de paz e alegria. Amavam ler a Palavra; cada palavra da Bíblia falava com eles. Amavam orar e queriam continuar em oração.
Quando viam os irmãos e as irmãs, todos lhes pareciam amáveis. Amavam a comunhão e amavam participar das reuniões.
Se Deus lhes pedisse alguma coisa naquele momento, prontamente diriam sim. Abandonariam o mundo inteiro para seguir o Senhor. Naquele momento, era realmente como uma nova criação.
Como seria maravilhoso se essa condição pudesse continuar. Contudo, na experiência de muitos filhos de Deus, ela não dura muito.
Embora, quando nascemos de novo, tenha havido de fato uma nova criação, com as coisas velhas passando e tudo se tornando novo, essa boa experiência não dura muito.
Depois de algum tempo, parece que caímos do terceiro céu para o chão. Embora haja uma nova criação e realmente exista uma nova vida em nós, nosso velho eu ainda parece estar presente.
Descobrimos que o pecado ainda é poderoso em nós e que o mundo ainda nos atrai. Descobrimos que nossa condição não é tão perfeita quanto era quando cremos pela primeira vez.
Nesse momento, alguns de nós talvez se perguntem se realmente foram salvos. Se eu fui realmente salvo, como é que voltei à minha condição anterior?
Alguns, quando leem 2 Coríntios 5:17, encontram uma dificuldade. O texto diz:
Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura:
as coisas velhas já passaram;
eis que se fizeram novas.
E 2 Coríntios 5:18 acrescenta:
Mas todas as coisas são de Deus.
No entanto, eles perguntam: “Como é que parece que todas as coisas velhas ainda estão aqui?”
Lembro-me de que nosso irmão T. Austin-Sparks escreveu sobre isso. Ele disse que tinha uma dificuldade, porque entendia que, se alguém está em Cristo e é uma nova criação, então tudo o que é velho deveria ter passado, tudo deveria ser novo e tudo deveria proceder de Deus.
Um dia, ele descobriu que a língua original não diz: “Se alguém está em Cristo, então ele é uma nova criação”. Ela diz: “Se alguém está em Cristo, há uma nova criação”.
Ele percebeu que é em Cristo que há a nova criação. Se você não está em Cristo, então todas as coisas velhas ainda estão com você.
Quando nascemos de novo, nosso espírito nasceu de novo. Nossa alma foi transformada? Nosso corpo perecível foi transformado? Não.
De fato, quando cremos no Senhor, a Bíblia nos diz que devemos nos arrepender e crer Nele. Arrepender-se é ter uma mudança de mente.
Quando nos arrependemos, há realmente uma mudança de direção em nossa mente. Antes, nosso coração e nossa mente estavam voltados para o pecado, mas agora nosso coração e nossa mente mudam de direção, e queremos nos separar do pecado.
Antes, nosso coração e nossa mente estavam voltados para a morte, mas agora estão voltados para a vida. Por causa dessa mudança de direção do coração e da mente, podemos receber o Senhor Jesus como nosso Salvador.
Não podemos dizer que o coração e a mente não têm importância. Mas aquela mudança de direção foi temporária e apenas superficial. Não foi uma mudança profunda na alma e na vida.
Embora tenhamos um espírito novo, ainda trazemos conosco uma mente velha. Quando somos salvos, a mudança em nossa alma ainda não tem um alcance tão profundo.
E quanto ao nosso corpo? Quando cremos no Senhor, houve uma grande mudança em nosso corpo?
De fato, antes de crermos no Senhor, tínhamos tristeza e preocupação em nosso coração, e nosso rosto era triste. Depois que cremos no Senhor, os fardos foram retirados, e nosso rosto se iluminou.
Mesmo assim, este corpo ainda é um corpo perecível. Ele não foi transformado em um corpo incorruptível.
Portanto, quando fomos salvos, a grande mudança ocorreu, na verdade, em nosso espírito. Um espírito morto tornou-se um espírito vivo. Um espírito separado de Deus tornou-se um espírito que se comunica com Deus.
Quanto à nossa alma e ao nosso corpo, descobrimos que ainda não houve uma grande mudança.
A salvação não alcançará apenas nosso espírito. A salvação também precisa alcançar nossa alma e nosso corpo.
Hoje, entre os filhos de Deus, o entendimento comum é que ser salvo é simplesmente nascer de novo, ter os pecados perdoados, ter a vida eterna e, depois, quando morrermos, ir para o céu. Além disso, pensam que não há mais nada.
É por isso que a condição dos cristãos hoje é tão fraca. Os filhos de Deus não sabem que a salvação de Deus é uma salvação integral.
Nas Escrituras, encontramos esta expressão: “a salvação da alma”. Na língua chinesa, as pessoas podem falar da salvação do espírito e da alma, mas, na Bíblia, a salvação não diz respeito apenas à salvação do nosso espírito. Ela também enfatiza que nossas almas precisam ser salvas.
Por exemplo, Hebreus fala da salvação da alma. Muitas pessoas encontram dificuldades ao ler Hebreus, especialmente os capítulos 6 e 10, porque não sabem que a salvação mencionada em Hebreus é uma salvação tão grande.
Essa salvação não se limita ao nosso espírito. É uma grande salvação, e Hebreus fala particularmente da salvação de nossas almas.
Vamos ler alguns versículos de Hebreus 10, começando pelo versículo 35. Leremos Hebreus 10:35-39:
Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande recompensa.
Porque necessitais de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
Pois ainda em bem pouco tempo,
Aquele que vem virá e não tardará.
Mas o Meu justo viverá pela fé:
e, se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele.
Nós, porém, não somos dos que recuam para a perdição, mas dos que creem para a salvação da alma.
Na língua original, não há menção ao espírito aqui. A salvação da alma é apresentada em contraste com a perdição.
Essa perdição não se refere a ir para o inferno. Ela diz respeito ao reino. Não temos tempo para entrar nesse assunto agora.
Tanto a primeira quanto a segunda epístola de Pedro falam da salvação da alma. A passagem que lemos em 1 Pedro 1:9 fala de:
Recebendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Até Tiago fala disso. Alguns dizem que o que Tiago afirma em sua carta é contrário ao que Paulo afirma em suas cartas, porque Paulo enfatiza a justificação pela fé, e Tiago enfatiza a justificação pelas obras.
Vamos ler Tiago 1:21:
Portanto, despojando-vos de toda impureza e de todo excesso de maldade, recebei com mansidão a palavra implantada, que é poderosa para salvar as vossas almas.
Mais uma vez, não há menção ao espírito. A Palavra é poderosa para salvar sua alma.
Assim, sabemos que nas Escrituras existe essa questão chamada salvação da alma. Ela não foi inventada pelos homens. Não é apenas nosso espírito que precisa ser salvo; nossa alma também precisa ser salva.
Por que nossas almas precisam ser salvas? Depois que você é salvo, especialmente depois que passa o primeiro amor, descobre que, embora o Espírito Santo habite em seu espírito e lhe comunique a vontade de Deus e aquilo que Lhe agrada, existe outra vida, uma vida velha, em sua alma.
Em seu espírito, o Espírito Santo se torna sua vida. Mas, em sua alma, a velha vida da alma continua sendo a vida dessa alma.
Então você percebe que seu espírito e sua alma não estão em harmonia, e que a alma não está cooperando com o espírito.
Você descobre que parece haver duas pessoas vivendo dentro de você. É como Rebeca, que descobriu que havia duas crianças lutando em seu ventre.
Isso descreve nossa experiência depois de sermos salvos, quando nossas almas ainda não estão salvas. Parece haver duas pessoas vivendo ali, e essas duas pessoas estão em conflito uma com a outra.
O Espírito Santo e a carne estão em guerra um contra o outro. Os desejos da carne combatem contra o Espírito.
Segundo seu homem interior, você está disposto a fazer a vontade de Deus. Mas a velha vida da alma parece tão forte, e a nova vida ainda parece muito frágil.
Muitas vezes, você descobre que a velha vida leva vantagem. Quando segue a carne, descobre que uma condição de morte vem sobre você.
De vez em quando, você descobre que essa nova vida está vencendo, e então sente que há vida e paz dentro de você.
Irmãos e irmãs, essa é a nossa experiência? Segundo meu homem interior, quero fazer a vontade de Deus, mas minha carne obedece à lei do pecado e da morte.
É exatamente como Paulo diz em Romanos 7. O pecado ainda tem poder em você. O que você quer fazer, não consegue fazer. O que não quer fazer, acaba fazendo.
Você ainda está preso ao pecado e ainda percebe que o mundo o atrai. Embora saiba que não deve amar o mundo, talvez ainda diga em seu coração: “Ele é tão encantador. Como posso não amá-lo?”
Assim, existe uma luta dentro de você.
Você é cristão. Deveria ser capaz de expressar Cristo em sua vida, e deseja expressar Cristo. Contudo, o que se expressa ainda é o velho eu, e você não sabe por quê.
Aqui vemos que nossa alma precisa ser salva. Nossa alma ainda não está salva, e por isso temos de viver essa vida de conflito.
Por um lado, há uma luta entre o espírito e a alma. Por outro, o espírito e a alma parecem estar misturados.
Você não sabe o que é atividade do espírito e o que é atividade da alma. A alma pode receber influências das circunstâncias exteriores e das coisas materiais, enquanto o espírito pode ter comunhão com Deus e conhecer a vontade de Deus.
Em seu espírito, você conhece a vontade de Deus e está disposto a fazê-la. Mas em sua alma também existe uma vontade, e às vezes você não consegue distinguir uma da outra.
Muitos irmãos e irmãs jovens costumam perguntar: “Como posso discernir a vontade de Deus? Como posso saber que isto é a vontade de Deus e aquilo é meu próprio pensamento?”
Isso se torna uma grande dificuldade. Não é que Deus não queira que conheçamos Sua vontade. Contudo, parece que temos de insistir com Ele, insistir e insistir, antes que Ele nos diga sequer um pouco a respeito de Sua vontade.
Quando estamos servindo ao Senhor, talvez não consigamos distinguir se algo provém da força de nossa alma ou da força de nosso espírito. O espírito e a alma não estão separados de maneira discernível.
Por isso, a vida de muitos cristãos não está suficientemente santificada. Nossas almas não estão separadas para Deus e permanecem independentes de Jesus. Essa é nossa condição comum.
Quando você descobre essa condição, percebe que realmente precisa de salvação.
Pessoalmente, sinto que, em nossa experiência espiritual, quando chegamos ao ponto de descobrir que realmente existe uma distinção entre espírito e alma, e desejamos de fato viver no espírito em vez de viver na alma, isso é um passo adiante.
Muitos filhos de Deus ainda não tiveram essa percepção. Simplesmente vivem por si mesmos.
É isso que Paulo diz em 1 Coríntios 3. Em 1 Coríntios 3:1, Paulo diz:
E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo.
Depois que cremos no Senhor, deveríamos ser espirituais, porque nosso espírito agora está vivo. Mas Paulo diz:
Não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo.
Na língua original, “carnais” significa pertencentes à carne.
Todos nós amamos os bebês. Vemos sua inocência e ficamos felizes. Mas também sabemos que um bebê é extremamente carnal. Ele só pensa em si mesmo.
Se está com fome, quer comer. Se você demora um pouquinho, ele fica bravo. Mesmo que você queira dormir à noite, ele não leva isso em consideração. Quando quer chorar, chora. Ele é muito dominado pela carne.
Essa é a condição de um bebê.
Entre os crentes, muitos são assim. Embora pertençamos a Cristo, somos apenas bebês.
Todos nós passamos por essa fase, mas ela não pode durar muito. Se continuar por tempo demais, torna-se um problema, porque a pessoa se recusa a crescer e ainda quer permanecer um bebê.
Uma pessoa assim sempre pensa em si mesma e é totalmente centrada em si. Ela não consegue manifestar Cristo.
Por que um crente é um bebê em Cristo? Exteriormente, as pessoas não conseguem perceber a diferença entre ele e uma pessoa do mundo.
Alguns criticam os crentes e dizem: “Vocês não são diferentes das pessoas do mundo”.
O que esses crentes de Corinto faziam não era diferente do que as pessoas do mundo faziam. As pessoas do mundo brigam, e eles também brigam. Não há diferença em relação ao mundo.
A única diferença é que o espírito deles agora está vivo, e eles realmente têm a vida eterna. Mas não vivem segundo essa vida eterna, e ela não consegue se expressar, porque a velha vida da alma a envolve.
O que eles expressam em sua vida não é nada além do eu. Não é Cristo.
Aqui precisamos ver uma coisa: nossas almas precisam ser salvas. Cristo preparou a salvação para nossas almas, mas talvez não saibamos disso e não a tenhamos aceitado.
Por essa razão, vivemos na vida da alma e não conseguimos expressar Cristo. É impossível expressarmos Cristo por meio de nossa própria vida.
O que é nascido da carne é carne.
Nossa carne não pode mudar. Você pode enfeitá-la um pouco e fazer com que sua manifestação exterior pareça um tanto diferente, mas carne continua sendo carne.
No passado, você pecava por meio de sua vida carnal. Agora talvez queira servir a Deus com essa mesma vida carnal. Mas a mente carnal não pode se submeter à vontade de Deus.
É isso que nos é dito em Romanos 8. O homem natural não conhece a vontade de Deus. Ele considera a vontade de Deus uma loucura e não a deseja.
Um cristão que permanece bebê é um cristão carnal. Em seu espírito, ele é diferente de uma pessoa do mundo, mas, em sua alma, pode ser exatamente igual a ela.
Portanto, nossa alma precisa ser salva.
Se não enxergarmos essa necessidade, não daremos atenção a essa grande salvação que Deus preparou para nós. Mas, se sentirmos essa necessidade, desejaremos conhecer a salvação que Deus preparou para nós.
Nesta manhã, queremos examinar essa questão objetivamente. Amanhã de manhã, se o Senhor permitir, enfatizaremos nossa experiência subjetiva.
Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, Ele levou nossos pecados. Ele mesmo levou nossos pecados. Todos os nossos pecados foram colocados sobre Ele, e, por nossa causa, Ele derramou Seu sangue. Seu sangue nos purificou de todos os nossos pecados.
A Bíblia nos diz que Cristo nos amou e entregou a Si mesmo por nossos pecados. Isso nós já aceitamos.
Mas, quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, Ele não levou apenas nossos pecados. Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado na cruz, Ele também levou consigo cada um de nós em nossa velha condição, todos os nossos eus, e os crucificou juntamente com Ele.
A Bíblia diz que Cristo nos amou e entregou a Si mesmo por nós. Ele não entregou a Si mesmo apenas por nossos pecados; Ele também entregou a Si mesmo por nós.
Na cruz, Ele não apenas se tornou nosso Substituto; Ele também se tornou nosso Representante.
Quando nosso Senhor morreu na cruz, você e eu fomos crucificados e morremos Nele.
A Bíblia diz que nosso Senhor Jesus é o último Adão. Sabemos que o primeiro homem foi Adão, e todos os que nascem de Adão estão em Adão.
Todos nós recebemos essa vida caída de Adão. A natureza e o caráter da vida caída de Adão estão presentes em cada um de nós.
Não importa como você viva, você ainda é Adão. Essa é a natureza e o caráter da vida de Adão.
Deus estabeleceu nosso Senhor Jesus como o último Adão. O que significa “o último Adão”? Significa que Ele é Aquele que põe um fim. A descendência de Adão chega ao fim Nele.
Gosto de usar uma lenda da China. Sabemos que somos descendentes do Imperador Amarelo. O Imperador Amarelo travou uma guerra contra um rei bárbaro, e havia uma grande neblina. O Imperador Amarelo inventou uma bússola, soube em que direção seguir e conquistou a vitória.
Suponham que o Imperador Amarelo não tivesse inventado a bússola, tivesse sido derrotado e tivesse sido morto pelo rei bárbaro. Nós, seus descendentes, estaríamos aqui hoje? Não estaríamos.
Não haveria chineses no mundo. Contudo, hoje existem mais de um bilhão de chineses porque o Imperador Amarelo conquistou a vitória.
Se o Imperador Amarelo tivesse morrido, todos nós teríamos morrido. Não existiríamos.
Agradecemos e louvamos a Deus. Em Adão, todos precisam morrer. Mas, quando o Senhor Jesus veio, Ele veio como o último Adão. Quando o último Adão morreu na cruz, a descendência de Adão chegou ao fim.
Romanos 6:6 diz:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele;
para que o corpo do pecado fosse anulado;
a fim de que não mais sejamos escravos do pecado.
Esse velho homem está no singular. É um só homem, e todos nós estamos nesse único homem.
Mas esse velho homem foi crucificado com Cristo. Em Cristo, Deus pôs fim à velha geração e à velha criação.
Essa é a salvação que Deus preparou para nós. Precisamos ser separados do velho homem, da velha criação e da lei do pecado e da morte.
Deus preparou essa salvação. Ele crucificou você e eu com Cristo.
Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, embora você e eu ainda não tivéssemos nascido, aos olhos de Deus todos nós estávamos em Cristo. Ele era o último Adão.
Sua única morte por todos tornou-se a graça da redenção. Essa é a salvação que Deus preparou para nós.
Quando pregamos o evangelho, dizemos aos que não creem: “Você não precisa morrer, porque Alguém morreu por você”.
Todas as pessoas do mundo têm medo da morte. Estão sob o poder da morte e não conseguem escapar dele.
Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, e depois disso vem o juízo.
Por isso, pregamos o evangelho a elas: os que creem jamais morrerão. Podemos dormir, às vezes por um período mais longo, mas não morremos. Os que creem jamais morrerão.
Mas também existe um evangelho para os crentes. O evangelho para o crente é que você não precisa viver por si mesmo, porque Alguém viveu por você.
Queremos expressar Cristo em nossa vida. Nós nos esforçamos muito, mas não conseguimos vencer a lei do pecado nem vencer nosso próprio eu.
Essa é nossa condição. Agradecemos e louvamos a Deus: hoje não precisamos viver por nós mesmos, porque fomos crucificados com Cristo.
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim:
e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, Que me amou e Se entregou por mim.
Agora que fomos crucificados com Cristo, como devemos viver? Romanos 6:11 nos diz que devemos nos considerar mortos para o pecado em Cristo.
Também devemos nos considerar vivos para Deus em Cristo Jesus.
Cristo realizou a salvação para nos libertar dessa vida caída da alma. Como devemos viver hoje? Precisamos crer.
Hoje cremos que Cristo levou nossos pecados. Não tínhamos nascido há dois mil anos e não O vimos levar nossos pecados. Contudo, cremos que Cristo levou nossos pecados na cruz, e nossos pecados são perdoados.
O mesmo princípio se aplica aqui. Precisamos ver que, há dois mil anos, fomos crucificados com Cristo. Essa é a salvação que Deus realizou em Cristo.
O que precisamos é crer. Creia que você foi crucificado com Cristo. Já não é você quem vive; Cristo vive em você.
Romanos 6:13 nos diz que devemos nos oferecer a Deus e nos oferecer como servos da justiça.
Isso significa que agora permitimos que a vida de Cristo se expresse por meio de nós.
Alguns perguntam: “Eu creio em Romanos 6. Creio que meu velho homem foi crucificado com Cristo e me considero morto. Mas, por mais que eu me considere morto, continuo vivo. Quanto mais me considero morto, mais vivo pareço estar. O que está acontecendo?”
Creio que isso é muito simples. Você se esqueceu de uma expressão pequena, mas importante: “em Cristo”.
Quando dizemos que nos consideramos mortos para o pecado, a língua original diz que nos consideramos, em Cristo, mortos para o pecado.
Se você não está em Cristo, por mais que se considere morto, continua vivo para si mesmo. Isso só é verdade em Cristo.
Em Cristo, estamos vivos para Deus. Se você não está em Cristo, não pode estar vivo para Deus.
Por um lado, precisamos nos considerar mortos para o pecado. Por outro, precisamos permanecer em Cristo.
Não pensemos que basta crer uma única vez e depois tudo estará bem. A salvação do espírito acontece de uma vez por todas, mas a salvação da alma exige que creiamos e permaneçamos em Cristo.
Se continuarmos a permanecer em Cristo, então esse fato de morrer com Ele e viver com Ele será vivido e expresso em nós.
Essa é a salvação que Deus preparou para nós. Se o Senhor permitir, amanhã compartilharemos mais sobre a experiência dessa salvação.
Vamos nos curvar e orar.
Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos porque a Tua salvação é tão perfeita. Não apenas nos salvaste de tão grande morte, mas ainda queres nos libertar e nos salvar completamente.
Senhor, Tu não apenas libertaste nosso espírito; Tu libertarás nossa alma e salvarás nosso corpo.
Senhor, a Tua vontade é que sejamos santos e santificados e que, no dia da Tua manifestação, sejamos conservados irrepreensíveis — nosso espírito, nossa alma e nosso corpo —, santos e sem mácula.
Senhor, que essa vontade se cumpra em nós. Em nome do Senhor Jesus. Amém.