Por favor, abram no livro de Atos 9 — Atos 9:15-16.
Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel:
Pois Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo Meu nome.
E agora, no mesmo livro, Atos 26:15-23.
E disse eu: Quem és Tu, Senhor? E o Senhor disse: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci para isto: para te constituir ministro e testemunha tanto das coisas em que Me viste como daquelas em que te aparecerei;
Livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais Eu te envio,
Para lhes abrires os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em Mim.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial:
Antes, anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.
Por causa disto, os judeus me prenderam no templo e procuraram matar-me.
Mas, alcançando o socorro que vem de Deus, até ao dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada além do que os profetas e Moisés disseram que havia de acontecer;
Isto é, que o Cristo havia de padecer e que, sendo o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, havia de anunciar a luz a este povo e aos gentios.
Querido Senhor, mais uma vez entramos em Tua presença. Nós Te agradecemos por Tua preciosa Palavra. Reconhecemos que, se o Teu Espírito não vivificar a Tua Palavra em nossos corações, não poderemos entrar na realidade da Tua Palavra.
Por isso, Senhor, nossos corações se curvam diante de Ti. Contamos com o Teu Espírito para abrir nossos corações à Tua Palavra. Libera a Tua Palavra e liberta-nos, para que possamos verdadeiramente ser Teus vasos escolhidos, servos e testemunhas do Teu grande nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nos últimos dois domingos, temos compartilhado sobre a visão celestial que o apóstolo Paulo — Saulo — teve no caminho de Damasco e continuou a ter na cidade de Damasco.
Ora, essa visão celestial que foi concedida ao apóstolo Paulo, na verdade, é concedida a cada um de nós, porque esse testemunho se repete três vezes no livro de Atos. Isso significa que Deus quer chamar nossa atenção para ele. Precisamos ver essa visão celestial.
Essa visão celestial transformou a vida e o ministério desse homem, e a mesma visão é capaz de transformar cada um de nós.
A visão que Saulo, o fariseu Saulo, teve no caminho de Damasco foi a visão de Jesus como Senhor. Como fariseu, ele considerava Jesus um impostor. Fez tudo o que pôde para apagar o nome de Jesus.
Ele desdenhava, desprezava e pisoteava o nome de Jesus. Mas, para sua surpresa, no caminho de Damasco, encontrou esse mesmo Jesus e descobriu, pela primeira vez, que Jesus não era apenas aquele humilde carpinteiro, aquele Nazareno, Aquele que fora desprezado, rejeitado e crucificado.
Ele descobriu que esse mesmo Jesus é o Filho de Deus. Ele é o Senhor de tudo. Ele é o Soberano de todos. E, quando descobriu isso, rendeu-se ao senhorio de nosso Senhor Jesus.
Antes disso, ele era seu próprio senhor. Até tentava dominar outras pessoas. Mas, naquele caminho de Damasco, foi cativado por nosso Senhor Jesus e O aceitou como seu Senhor. Essa é a maior visão celestial que alguém pode ter neste mundo.
Agora, irmãos e irmãs, precisamos ver isso. Graças a Deus, temos visto nosso Senhor Jesus como nosso Salvador, como Aquele que morreu por nós, derramou Seu sangue por nós, nos deu Sua vida, nos redimiu e nos trouxe de volta à casa do Pai. Somos gratos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, realmente vemos Jesus como o Senhor? Nós realmente O recebemos como o Senhor de nossa vida — não apenas de nome, mas em realidade? Permitimos que Ele seja o Senhor de todo o nosso ser, o Senhor do nosso tempo, o Senhor de tudo o que diz respeito à nossa vida?
Ora, isso é algo que precisamos considerar com muita seriedade diante Dele. Precisamos ter os olhos interiores abertos para ver que, verdadeiramente, esse Jesus em Quem cremos é nosso Senhor. Ele é o Senhor do nosso ser. Somos todos como o boi, sob o jugo de Sua vontade. Ele é nosso Senhor, que tem todo o direito de nos ordenar e nos conduzir a cumprir Sua vontade em nossa vida.
Precisamos perguntar a nós mesmos: Ele é verdadeiramente o Senhor de nossa vida? Ele é verdadeiramente Senhor em tudo o que diz respeito à nossa vida diária? Não queremos chamá-Lo de “Senhor, Senhor” e, ao mesmo tempo, dizer: “Senhor, Tu não podes fazer isto. Tu não podes fazer aquilo”.
Uma entrega absoluta a Jesus como Senhor é a visão celestial que Deus quer que cada um de nós veja.
E não apenas isso: no caminho de Damasco, esse homem, Saulo, também viu que existe o corpo de Cristo — não apenas aquele corpo pessoal de Cristo que foi crucificado na cruz e ressuscitou.
Depois que Cristo ressuscitou e ascendeu ao céu, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre aqueles que criam no Senhor Jesus. Os cento e vinte crentes que estavam reunidos naquele cenáculo em Jerusalém foram, em um só Espírito, batizados em um só corpo.
Em outras palavras, hoje, na terra, nosso Senhor Jesus tem um corpo. Ele está no céu — a Cabeça está no céu —, mas Seu corpo ainda está nesta terra. É um corpo coletivo, um corpo místico. Todos os que pertencem ao Senhor são membros do mesmo corpo, sob a mesma autoridade de Cristo como Cabeça.
E quem toca em qualquer membro do corpo toca em Cristo, a Cabeça. Por isso, nosso Senhor Jesus disse:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Ele não disse: “Por que você persegue Meus seguidores?”. Ele disse: “Por que você Me persegue?”.
Porque sou Eu em Estêvão; sou Eu em todos os irmãos e irmãs que aquele fariseu prendia e condenava à morte. Cada um deles é um membro do corpo de Cristo, precioso para a Cabeça. E ali, no caminho de Damasco, Saulo viu o corpo de Cristo.
Em outras palavras, a visão celestial no caminho de Damasco é um homem universal. Aqui está um homem: a Cabeça está no céu, e o corpo está espalhado por toda a terra e ao longo de todos estes séculos. Um homem universal.
E ele não apenas se entregou a esse homem universal, mas também se tornou parte dele. Essa é a visão celestial que Saulo teve no caminho de Damasco.
Então, vemos que essa visão, na verdade, não terminou ali. Quando Saulo perguntou ao Senhor: “Senhor, o que devo fazer agora? O que Tu queres que eu faça?”, o Senhor não lhe respondeu imediatamente. Em vez disso, o Senhor disse: “Vá à cidade de Damasco e espere ali até que Eu lhe mostre o que quero que você faça”.
Então, vemos esse homem entrando em Damasco. Ele havia ficado cego por causa da luz gloriosa e, durante três dias e três noites, jejuou e orou. E, enquanto orava, teve uma visão. Portanto, irmãos e irmãs, vemos que a visão continuou.
Ele viu, numa visão, um homem que nunca havia conhecido, chamado Ananias, aproximando-se dele, impondo-lhe as mãos e abrindo-lhe os olhos.
Ao mesmo tempo, havia um homem chamado Ananias na cidade de Damasco. Ele era um crente e, numa visão, viu o Senhor chamá-lo. O Senhor disse: “Ananias”, e Ananias respondeu: “Senhor, eis-me aqui”, porque conhecia o Senhor. Ele tinha um relacionamento bom e íntimo com o Senhor.
E o Senhor disse: “Vá à rua chamada Direita e procure, na casa, um homem chamado Saulo de Tarso. Vá e abra os olhos dele”.
E Ananias disse: “Senhor, ouvi de muitos que esse homem veio a Damasco para prender os Teus seguidores”. E o Senhor disse: “Vá. Ele é um vaso escolhido Meu. Ele será Meu servo e Minha testemunha, para testemunhar o que viu e o que Eu ainda lhe mostrarei. E também sofrerá muito por causa do Meu nome”.
E Ananias, confiando no Senhor — vocês sabem, o Senhor não lhe explicou o que havia acontecido com Saulo —, foi obediente à visão que teve, porque conhecia o Senhor. Então, ele foi.
Encontrou Saulo ali, impôs-lhe as mãos e disse: “Saulo, irmão, o Senhor que se encontrou com você no caminho — Jesus — ordenou que eu viesse para abrir seus olhos e para que você fosse cheio do Espírito Santo”.
E, queridos irmãos e irmãs, vemos Ananias impondo as mãos sobre Saulo. Como mencionamos da última vez, do ponto de vista natural, esses dois homens não podiam nem se ver. Naturalmente falando, Saulo, o fariseu, tinha vindo para prender os seguidores de Jesus, e Ananias era um seguidor do Senhor Jesus. Portanto, eles não podiam acolher um ao outro.
E, no entanto, pela graça de Deus, vemos que Deus reuniu esses dois inimigos para serem irmãos no Senhor, no corpo de Cristo. Assim, Ananias impôs as mãos sobre Saulo. Graças a Deus, não foi Saulo quem pôs as mãos em Ananias, mas Ananias quem impôs as mãos sobre Saulo.
E a imposição de mãos significa identificação. Somos um. Eu me identifico com você, e você se identifica comigo. Você é recebido no corpo de Cristo; e, ao ser recebido no corpo de Cristo, recebe o Espírito Santo prometido.
Quando Saulo ouviu a palavra “irmão”, vocês podem imaginar como ele se sentiu. “Eu, um inimigo — você me chama de irmão?” E ele era, de fato, irmão. Graças a Deus por isso.
Portanto, vemos que aquela visão celestial no caminho de Damasco — aquele homem universal — nos mostra todos os princípios que governam Cristo e Sua igreja. Mas todos esses princípios precisam ser praticados na terra.
Saulo encontrou aquele homem simples e, por meio dele, tudo o que Deus lhe havia mostrado estava sendo colocado em prática. Portanto, irmãos e irmãs, a visão celestial não é apenas algo para vermos, mas algo para vivermos.
Isso é o que abordamos nos últimos dois domingos. Nesta manhã, vamos prosseguir. Por quê? Porque a visão celestial, sendo do céu, só pode nos ser concedida pelo próprio Deus.
É a misericórdia de Deus. Deus nos revela Sua própria mente, Seu próprio coração e Seu próprio propósito. Isso é a misericórdia de Deus, a graça de Deus.
Mas, depois que Lhe agrada revelar Seu Filho em nós, depois que Lhe agrada revelar a igreja a nós, temos uma grande responsabilidade.
Em outras palavras, a visão celestial é concedida por Deus, mas o fato de essa visão celestial se tornar realidade em nossa vida tem muito a ver com nossa reação. Como respondemos? Como reagimos à visão celestial que Deus, tão graciosamente, nos mostrou?
Você pode ser obediente à visão celestial ou pode ser desobediente à visão celestial, e isso fará toda a diferença. Se você for obediente à visão celestial, essa visão se tornará sua vocação.
Se você for desobediente à visão celestial, essa visão se tornará uma miragem. Logo desaparecerá. Não haverá realidade nela. Você continuará o mesmo, e talvez até pior. Não haverá transformação, não haverá conformação à imagem de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, estamos diante de uma questão muito séria. Se, pela graça de Deus, Ele nos mostrar essa visão celestial, qual será nossa reação?
O apóstolo Paulo coloca isso de maneira muito enfática. Ele não diz apenas: “Sou obediente à visão celestial”. Ele disse:
Não fui desobediente à visão celestial.
Ora, por que ele usa duas negativas? É para dar ênfase. Ele quer nos mostrar que não apenas não é desobediente à visão celestial, mas que é absoluta, inteira e plenamente obediente à visão celestial.
Foi dessa maneira que ele procurou gravar isso em nós:
Não fui desobediente à visão celestial.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, sempre que há uma visão celestial, há um chamado. A visão nunca vem a nós sem um chamado.
Vocês se lembram de quando o Deus da glória apareceu a Abraão? Abraão viu a glória do Senhor. Ele estava em Ur dos caldeus, uma cidade idólatra. Pertencia a uma família que fabricava ídolos.
E, no entanto, um dia, o Deus da glória lhe apareceu. E, quando o Deus da glória lhe apareceu, houve um chamado. Ele foi chamado a deixar sua cidade natal, sua parentela, e ir para o lugar que Deus lhe mostraria.
Em outras palavras, aquela visão da glória do Senhor não permitiria que ele permanecesse onde estava. Haveria ação. Haveria resposta. E o chamado consiste em sair de tudo o que é natural e entrar naquilo que é sobrenatural.
Irmãos e irmãs, aqui vemos a visão celestial. Lembrem-se: somos chamados para fora e chamados para dentro. Haverá ação. Você não pode simplesmente ficar indiferente e permanecer onde está. É impossível.
Porque, se fizer isso, aquele chamado desaparecerá e aquela visão se apagará. Quando Deus chama, quando Ele concede uma visão, Ele quer que estejamos nessa visão e que essa visão esteja em nós.
Não é algo separado. A visão que Deus lhe mostra é a visão que Deus quer que você seja. E, por causa disso, vemos que necessariamente há um chamado envolvido.
Então, quando recebemos a visão do céu, vocês sabem o que acontece. Somos pessoas da terra. Somos terrenos. Somos naturais. Somos carnais. Somos centrados em nós mesmos. Somos egoístas. É isso que somos.
Tudo em nós, tudo o que diz respeito a nós e tudo ao nosso redor pertence à terra. Todos os nossos critérios de avaliação, todos os nossos relacionamentos, são terrenos. É isso que conhecemos. É isso que somos. É isso que nos cerca. É assim que vivemos. Esse é o nosso modo de pensar. Essa é a nossa vida.
Mas existe uma visão que vem do céu. E, quando essa visão celestial chega a você, a um homem terreno, vocês sabem o que acontece.
Você não pode mais continuar terreno. Não pode mais continuar natural. Não pode mais continuar centrado em si mesmo. Não pode mais continuar pertencendo a este mundo. Você é chamado para fora desta terra e de tudo o que é terreno, para entrar no céu e em tudo o que é celestial. É isso que a visão celestial significa.
E é aí que está o conflito. Vocês sabem o que faz da visão nossa vocação? A cruz.
Sem a cruz, a visão será apenas uma idealização. Mas, com a cruz, a visão se torna vocação. Em outras palavras, torna-se sua própria vida — aquilo pelo qual você vive.
Por que a cruz? O que se cruza? O céu e a terra se cruzam. Você não pode ter os dois.
Essa visão celestial atravessará e confrontará tudo o que é terreno, tudo o que é carnal, tudo o que é natural, tudo o que é mundano, tudo o que é satânico. Ela confrontará tudo o que é terreno.
O céu invade a terra e toma o lugar do que é terreno. É isso que acontece. Não é pouca coisa.
E, irmãos e irmãs, essa cruz não existe apenas porque vocês vivem neste mundo. O mundo tem suas próprias ideias, seus próprios critérios de avaliação e seus próprios pensamentos.
Então, quando aquele Homem celestial, nosso Senhor Jesus, veio a esta terra, o mundo O avaliou e disse que Ele precisava ser expulso. “Não podemos ficar com Ele, porque não há nada Nele que seja igual ao que somos. Tudo é contrário; tudo é diferente.”
Esse Homem, quando esteve na terra, vivia de maneira diferente, falava de maneira diferente, sentia de maneira diferente e reagia de maneira diferente. Tudo era diferente, e o mundo não podia permitir isso. Irmãos e irmãs, o mundo exige que nos conformemos a ele.
Assim, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, aquele Homem celestial vivendo aquela vida celestial nesta terra, o resultado foi a cruz. Eles O crucificaram. “Não podemos mais ficar com Ele. Precisamos nos livrar Dele.” E foi isso que fizeram.
Portanto, irmãos e irmãs, se realmente formos obedientes à visão celestial, seremos perseguidos. Teremos tribulação nesta terra. Não pensem que crer no Senhor Jesus é uma viagem tranquila para o céu, ou que seremos simplesmente carregados até lá. De modo nenhum.
Há uma batalha, porque a terra, o mundo, está sob o domínio de Satanás, e ele se opõe ao reino de Deus.
Então, irmãos e irmãs, vocês se lembram de quando Paulo e Barnabé começaram seu trabalho evangelístico na Galácia? Quando voltaram àquelas cidades, exortaram os irmãos e irmãs, dizendo que precisamos passar por muitas tribulações para entrar no reino de Deus.
Nós tendemos a esquecer isso. Irmãos e irmãs, nossa vida cristã é fácil demais. Somos tão amigáveis com o mundo que o mundo pode se dar ao luxo de ser amigável conosco, porque não somos muito diferentes deles.
Se você for diferente, se realmente viver nessa visão celestial, verá que o mundo se oporá a você e o perseguirá, porque essas duas coisas não podem coexistir.
Mas essa é a parte pequena, a parte pequena da cruz que você precisa carregar. A maior parte da cruz é aquela cruz interior.
A cruz precisa ser implantada no seu próprio ser. Ela confrontará suas próprias ideias. Confrontará suas próprias opiniões. Confrontará seus próprios gostos e desgostos. Confrontará suas emoções. Confrontará sua mente, seu modo de pensar. Confrontará até mesmo sua volição, sua vontade — aquilo que você quer e aquilo que não quer.
Irmãos e irmãs, vocês verão que a cruz trabalhará e tratará com vocês. Os pecados que estão em sua vida não terão permissão para continuar; precisam sair. O mundo em sua vida não pode continuar; precisa sair.
A vida do seu eu precisa sair. Você não pode fazer tudo à sua maneira. Irmãos e irmãs, a cruz precisa ser plantada profundamente. Esse é o caminho para que a vida de Cristo cresça em vocês.
Somente a cruz fará da visão uma vocação. E é aí que está o nosso problema. Não queremos abrir mão do mundo. Não queremos abrir mão de nós mesmos.
A visão nunca é barata. Ela custa muito.
E é por isso que, quando nosso Senhor estava na terra, Ele disse: “Antes de fazer qualquer coisa, sente-se e calcule o custo. Você está disposto a pagar o preço?”.
Se você não está disposto a pagar o preço, não comece. É inútil.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, estamos diante de algo que significa vida ou morte para nossa vida espiritual. Não é algo que você pode simplesmente ignorar e depois seguir em frente. Se fizer isso, perderá a visão.
O apóstolo Paulo — quando Deus lhe concedeu aquela visão, como ele respondeu? Irmãos e irmãs, ele foi chamado para ser um vaso escolhido de Deus. Assim também todos nós somos chamados para ser vasos escolhidos de Deus.
Mas, para sermos vasos escolhidos, vasos para honra e não vasos para desonra naquela grande casa, precisamos nos purificar daquilo que é para desonra. Precisamos ser purificados daquilo que é de madeira e de barro, para que sejamos vasos de ouro e de prata.
E, quando olhamos para a vida do apóstolo Paulo e para seu ministério, vemos que ele não foi desobediente à visão celestial.
Desde o momento em que recebeu Jesus como seu Senhor, como ele se entregou inteiramente ao Senhor! Daquele momento em diante, nunca viveu um instante para si mesmo. Ele viveu para o Senhor.
Ele nunca mais procurou fazer sua própria vontade. Fez a vontade de nosso Senhor Jesus, até a morte. Para ele, “Jesus é Senhor” era uma realidade. Aquilo era sua vida.
E, desde o dia em que encontrou o Senhor no caminho de Damasco, toda a sua paixão estava voltada para o Senhor. Leiam Filipenses 3. Ele disse: “Considero tudo o que ficou para trás como perda, como refugo, como algo de que devo me desfazer”.
Por quê? Por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus. Em outras palavras, toda a sua vida foi entregue ao Senhor, e ele permitiu que o Senhor fosse toda a sua vida.
Toda a sua paixão era ganhar Cristo, alcançá-Lo, conhecer o poder de Sua ressurreição, conhecer a comunhão de Seus sofrimentos, ser conformado à Sua morte, para que pudesse alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Para ele, não havia nada — ninguém, nem mesmo ele próprio — em vista. Era Cristo, o Senhor. Irmãos e irmãs, sua devoção ao Senhor Jesus era perfeita.
E não apenas isso: depois que ele viu o corpo de Cristo, vejam como viveu como membro desse corpo. Vocês sabem, ele se tornou um grande membro, um membro importante do corpo de Cristo; e, no entanto, era um membro.
Ele nunca se considerou completo por si mesmo. Sempre precisou de seus irmãos e irmãs. Em suas cartas, pediu aos irmãos e irmãs que orassem por ele. Precisava das orações deles para ser completado.
Em seu trabalho, nunca procurou agir sozinho. Sempre tinha alguns mais jovens consigo.
Ele respeitava aqueles que pertenciam ao Senhor. Vocês sabem, há uma diferença de opinião aqui. Algumas pessoas dizem que Paulo errou quando foi a Jerusalém pela última vez. Dizem que ele não deveria ter ido a Jerusalém, porque, em toda parte, o Espírito de Deus dizia que a tribulação o aguardava ali.
Então, algumas pessoas dizem que Paulo foi muito obstinado, que foi para lá e ali foi preso. Ele não deveria ter ido. Mas, irmãos e irmãs, pessoalmente, penso de maneira muito diferente.
Embora o Espírito dissesse em toda parte que ele enfrentaria tribulação, o Espírito nunca disse diretamente: “Não vá a Jerusalém”. Pelo contrário, em seu espírito, ele era impelido pelo Espírito de Deus a ir a Jerusalém antes de Pentecostes.
Ele não se importava com sua própria vida. Importava-se apenas em fazer a vontade de Deus.
E, quando estava em Jerusalém, foi visitar os presbíteros da igreja em Jerusalém. Naquela época, a igreja em Jerusalém era composta por todos aqueles crentes judeus. Eles eram zelosos da lei e haviam ouvido falar do que Paulo estava fazendo.
Havia um mal-entendido a respeito dele. Pensavam que ele não apenas dizia aos gentios que não se circuncidassem e não guardassem a lei, mas que também persuadia os judeus a não fazerem isso. Mas ele não fazia isso.
Vocês se lembram do próprio Paulo. Mesmo quando pregava o evangelho entre os gentios, ele ainda guardava a lei. Lembrem-se: ele fez um voto e raspou a cabeça — o voto de nazireu. Portanto, ele próprio ainda observava a lei, porque era judeu. Mas os gentios não deveriam estar sob o jugo da lei.
Mas havia um mal-entendido. Então, quando ele chegou a Jerusalém, Tiago sugeriu: “Como há tantos zelosos da lei, e eles ouviram algo a seu respeito — que você, sendo judeu, não está guardando a lei —, como devemos resolver esse problema?”.
“Bem, há uma maneira. Temos aqui algumas pessoas que fizeram um voto de nazireu. Por que você não as leva ao templo e paga as despesas da cerimônia, para que tenham a cabeça raspada?” Então, Paulo foi para lá.
E, porque ele foi para lá, vocês sabem, os judeus viram que estava no templo e pensaram que estava ali com alguns gentios. Foi assim que todo o problema começou.
Então, as pessoas disseram que Paulo estava errado. Ele, que era tão firme em afirmar que os gentios não estavam sob a lei e não deveriam ser circuncidados, ouviu Tiago, foi ao templo e pagou as despesas para raspar a cabeça. Assim, por ter feito algo errado, acabou se metendo em dificuldades.
Ora, irmãos e irmãs, vocês realmente acreditam nisso?
Isso mostra como ele se submetia à autoridade na igreja em Jerusalém. Se sua consciência não estivesse comprometida, ele se submeteria plenamente. Isso mostra que conhecia o corpo de Cristo. Mostra que vivia como membro do corpo de Cristo.
Ele não era tão grande a ponto de desprezar os presbíteros em Jerusalém. Era tão firme na defesa da verdade do evangelho e, mesmo assim, estava disposto a se submeter à sugestão de todos os irmãos em Jerusalém.
Assim, vocês podem ver como ele vivia, literalmente, como membro do corpo de Cristo. Mesmo que sofresse por causa disso, o que isso significava para ele?
Ele vivia naquela visão celestial, e aquela visão celestial vivia nele. Ele era parte daquela visão celestial, do cumprimento daquela visão celestial para a qual Deus está trabalhando. Essa é a vida do apóstolo Paulo.
E, quando olhamos para seu ministério, o que podemos dizer? Todo o seu ministério era aquela visão celestial: Cristo e a igreja.
O mistério de Deus é Cristo. O mistério de Cristo é a igreja. E quem, entre os apóstolos, tinha maior compreensão desses mistérios?
Leiam Efésios. Leiam Colossenses. Ali vocês veem que visão ele tinha de nosso Senhor Jesus e que visão tinha da igreja como corpo de Cristo.
Ele não apenas transmitia essas mensagens; ele as vivia. Ele é uma testemunha. Ora, ser testemunha significa que ele passou pessoalmente por aquilo e o experimentou. Isso fez dele uma testemunha.
E é por isso que seu testemunho era tão poderoso, tão eficaz: porque ele o vivia. Ele vivia o que ensinava. Era um vaso escolhido de Deus.
E, por causa disso, como ele sofreu pelo nome de nosso Senhor Jesus! Se vocês lerem 2 Coríntios 11, verão que raramente, se é que alguma vez, servos de Deus sofreram tanto quanto esse homem, Paulo.
Não apenas todos aqueles sofrimentos físicos, exteriores — como foi açoitado pelos judeus, açoitado pelos gentios, como sofreu naufrágio, como passou pelos perigos do mar, pelos perigos da terra, pelos perigos entre falsos irmãos.
E, além de todas essas coisas exteriores, interiormente, como ele carregava o peso das igrejas!
Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?
Quem se escandaliza, que eu não me abrase?
Irmãos e irmãs, ele se entregou à igreja.
Ele não apenas sofreu pelo Senhor às mãos dos judeus e dos gentios; sofreu muito às mãos daqueles crentes judeus. Como o seguiam por toda parte, tentando aumentar seu sofrimento, mesmo quando estava preso em Roma!
Eles foram a Roma e procuraram aumentar seus sofrimentos. E, no entanto, ele disse: “Que importa isso? Se Cristo é pregado, estou satisfeito”.
Queridos irmãos e irmãs, vocês podem ver que essa visão celestial não era apenas uma teoria para ele, nem mesmo apenas um ensinamento. Essa visão celestial era sua vida, seu próprio ser. Era isso que ele era.
E, graças a Deus, como aquela visão celestial se cumpriu, em grande parte, na vida daquele homem!
Agora, irmãos e irmãs, aquela visão celestial ainda não está completa. Ainda há tempo. Deus ainda está trabalhando. Nosso Senhor disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.
E em que Ele está trabalhando? No cumprimento pleno daquela visão celestial. Está chegando o dia em que o corpo estará completo, a noiva estará adornada, e Cristo, o Rei, voltará e reinará.
Graças a Deus, esse dia está chegando. Mas, irmãos e irmãs, vocês têm uma parte nisso. Eu tenho uma parte nisso. Somos fiéis? Somos obedientes à visão celestial?
Por que o cumprimento da visão celestial demora tanto? Por que ela ainda não está completa? Temos alguma responsabilidade nisso?
Que possamos considerar essas coisas com muita seriedade. Irmãos e irmãs, ser cristão é algo sério. Não podemos nos dar ao luxo de ser indiferentes, acomodados, preguiçosos ou frívolos.
Oh, que o Senhor tenha misericórdia de nós, para que essa visão celestial seja nossa vocação. E que Deus nos abençoe.
Vamos orar.
Querido Senhor, nós nos curvamos diante de Ti, reconhecendo quanto temos retardado o cumprimento do Teu propósito, a Tua vinda.
Senhor, torna-nos sérios, diligentes, inteiramente entregues, para que possas usar cada um de nós como usaste Teu servo Paulo, um vaso escolhido de Deus.
Buscamos em Ti a graça, sabendo que, em nós mesmos, isso é impossível, mas nada é impossível para Ti. Tu és o Deus do impossível. Oh, faz isso em cada um de nós, nós Te pedimos.
Em nome de nosso amado Senhor Jesus Cristo. Amém.