Por favor, abram em Mateus 5:1. Começaremos pelo primeiro versículo.
E, vendo as multidões, Ele subiu ao monte;
e, tendo-Se assentado, Seus discípulos aproximaram-se Dele;
e Ele, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores: porque eles serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois vós, quando os homens vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por Minha causa.
Regozijai-vos e exultai: porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
Mateus 5:20:
Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
Mateus 5:48:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, como nos prostramos diante de Ti! Tu nos amas tanto, e nos amas até o fim, até o extremo. Por isso, todos nós somos gratos.
Ao nos reunirmos ao Teu redor nesta manhã, pedimos que abras mais uma vez o nosso coração. Que o Teu amor encha o nosso coração. Que abras os nossos ouvidos interiores, para que possamos ver-Te. Que possamos ver a Tua beleza e a Tua glória, para que sejamos atraídos a Ti.
Que abramos o nosso coração e permitamos que Tu nos enchas, para que o Teu nome seja honrado e glorificado. Confiamos no Teu Espírito Santo para abrir a Tua palavra a nós e conduzir-nos à Tua verdade. Pedimos tudo em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Graças a Deus por nos reunir novamente nesta manhã. Somos especialmente gratos ao Senhor por nos convidar à Sua própria mesa e por nos permitir, mais uma vez, saborear o Seu amor. Seu amor é realmente doce.
Desta vez, nosso encargo é o chamado Sermão do Monte. Aqui encontramos nosso Senhor Jesus: Ele subiu ao monte, e Seus discípulos aproximaram-se Dele. Então Ele abriu a boca e começou a ensiná-los.
Portanto, o Sermão do Monte é dirigido aos discípulos do nosso Senhor Jesus. Embora uma grande multidão também estivesse reunida ao Seu redor, nosso Senhor Jesus dirigiu-Se apenas aos Seus discípulos. Na verdade, somente Seus discípulos são capazes de ouvir tais palavras.
Graças a Deus, nós que cremos no Senhor Jesus não somos apenas filhos de Deus; Ele nos deu Sua própria vida. Ao mesmo tempo, porém, também somos chamados a ser Seus discípulos.
Somente Seus filhos podem ser Seus discípulos, porque aprender do nosso Senhor Jesus é algo interior. Não é uma imitação exterior. Sem Sua vida em nós, não podemos aprender Dele. Se temos Sua vida em nós, então somos capazes de aprender Dele, porque esse aprendizado é interior.
Dissemos ontem que nosso Senhor Jesus não está dando uma nova lei. O Sermão do Monte não é uma nova lei para as pessoas cumprirem, porque, num sentido muito real, não há ninguém no universo que possa cumprir o Sermão do Monte. É claro que há uma Pessoa, e essa Pessoa é o próprio Senhor.
O Senhor não está tentando nos dar uma nova lei para cumprir. Ele está procurando mostrar o que Sua vida realmente é. Já recebemos essa vida, e Ele quer nos demonstrar o que essa vida pode fazer por você e por mim.
Ele é o Rei do reino dos céus, e é a personificação desse reino. Se você quer saber o que é o reino dos céus, olhe para o Senhor Jesus, porque Ele é o reino dos céus. O reino dos céus expressa Sua vida.
Ele já nos deu Sua própria vida. Agora está procurando nos mostrar o que essa vida é capaz de fazer. Se vivermos pela vida que Ele nos deu, é assim que viveremos. Você viverá a vida do reino; viverá uma vida do céu sobre a terra.
O Sermão do Monte é, na verdade, uma descrição da vida do nosso Senhor Jesus. Ele veio a esta terra e viveu essa vida, e agora deseja que cada um de nós viva da mesma maneira.
Ele está ensinando Seus discípulos. Não está tentando nos condenar. Está procurando nos levar ao ponto em que todo o potencial da Sua vida possa se realizar plenamente.
Estamos aqui como Seus discípulos, e esse é um processo gradual e progressivo. Não espere estar completo e perfeito em um dia. Leva uma vida inteira para aprendermos do nosso Senhor Jesus.
Então, sejamos encorajados. Podemos experimentar muitos fracassos, mas, graças a Deus, aprendemos por meio deles. Gradualmente, chegamos a conhecer o que essa vida realmente é. Que Deus seja glorificado.
Agora, nesta manhã, vamos entrar diretamente no Sermão do Monte. O discurso do monte começa com as bem-aventuranças. Encontramos o Senhor dizendo “bem-aventurados” oito vezes. Talvez você encontre nove vezes, mas geralmente as chamamos de oito bem-aventuranças, porque a nona e a oitava são consideradas juntas.
A palavra bem-aventurado, no grego original, significa feliz. Ora, quem são aqueles que realmente são felizes? Felizes são os pobres de espírito.
Veremos como isso é diferente do mundo. No reino deste mundo, encontramos a felicidade em outro lugar — não naquilo que vimos descrito aqui. Mas esta é a verdadeira felicidade. Essa felicidade vem do alto; ela brota de dentro. É uma felicidade dada por Deus. Quando Deus nos vê nessa condição, Ele fica feliz.
O reino dos céus é totalmente diferente do reino desta terra. O que o reino desta terra considera felicidade, o reino dos céus pode considerar tristeza; e o que o reino dos céus considera felicidade, o reino do mundo não compreende.
Nessas bem-aventuranças, a ênfase não está no fazer. Ele diz:
Bem-aventurados os pobres de espírito.
Bem-aventurados os que choram.
Bem-aventurados os mansos.
A ênfase não está no fazer; está no ser.
Você é uma pessoa pobre de espírito. Você é uma pessoa que chora. Você é uma pessoa mansa. Tudo aqui enfatiza o ser, não o fazer, porque, aos olhos de Deus, ser é mais importante do que fazer.
Em outras palavras, o que você é tem mais importância do que aquilo que você faz. Você faz por causa do que é. Tudo vem de dentro do seu ser; não é algo imposto a você. É algo que vem de dentro. É o fluir da vida. Em outras palavras, é caráter.
Quando você lê as bem-aventuranças, imediatamente vê uma imagem diante de si. Você vê a imagem do nosso Senhor Jesus, porque era isso que Ele era quando estava na terra. Foi isso que Ele nos demonstrou.
Irmãos e irmãs, Deus deu essa mesma vida a cada um de nós. Essa vida foi demonstrada na vida do nosso Senhor Jesus, e foi dada a você e a mim. O que o Senhor está procurando nos ensinar é a deixar essa vida viver.
Se você permitir que essa vida viva, encontrará as mesmas coisas que encontra nas bem-aventuranças. O que importa aqui é o caráter cristão.
Há pessoas que consideram o Sermão do Monte uma ética cristã, especialmente aquelas que seguem uma linha liberal no cristianismo. Elas amam o Sermão do Monte, mas não se importam com as outras partes da Bíblia, porque dizem que o Sermão do Monte nos oferece uma ética cristã.
Dizem que ela é superior ao que se pode encontrar no mundo, e que é uma ética cristã à qual devemos aspirar. Devemos fazer o possível para atingir padrões morais tão elevados.
Em outras palavras, usamos nossa vida natural e procuramos educá-la, cultivá-la, desenvolvê-la e aperfeiçoá-la, até começarmos a alcançar essa ética cristã.
Agora, irmãos e irmãs, lembremos de uma coisa: o caráter cristão não é um aperfeiçoamento da nossa vida natural. Não se trata de tentar embelezar a nossa carne.
O caráter cristão vem de uma nova vida. Deus nos deu uma nova vida, e essa nova vida tem uma nova natureza. Se seguirmos essa nova natureza, se a cultivarmos, então ela se desenvolverá em um novo caráter. Somente isso é caráter cristão.
Se você considerar o Sermão do Monte uma ética cristã e tentar alcançá-la por seu próprio esforço, talvez consiga algo exteriormente. Por exemplo, você pode parecer muito humilde.
Lembro-me de que, quando éramos jovens, tentávamos ser humildes. A maneira como tentávamos era curvando o corpo, como se fôssemos muito humildes. Mas, sabe, quando você curva o corpo, na verdade está sendo orgulhoso. Está dizendo às pessoas: “Vejam como sou humilde”.
Isso é hipocrisia. Não é real. É apenas algo imitado; é algo completamente exterior.
Irmãos e irmãs, o Sermão do Monte não é ética cristã. É caráter cristão. É a natureza dessa vida.
Desde o início, vamos nos firmar nisto: não é algo que você tenta alcançar por sua força natural. É voltar à vida que lhe foi dada e permitir que essa vida se desenvolva em caráter cristão.
O Senhor disse:
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Isso é tão contrário ao conceito do mundo.
No mundo, você diria: “Bem-aventurados os ricos de alma”, porque eles conseguem fazer tudo. Algumas pessoas são muito dinâmicas; outras são muito carismáticas. Algumas pessoas têm verdadeiro poder. São ricas em posição, ricas em bens, ricas em amigos ou ricas em conhecimento. Dizemos que essas pessoas são bem-aventuradas porque conquistaram muita coisa.
Mas, no reino dos céus, encontramos:
Bem-aventurados os pobres de espírito.
O que significa ser pobre de espírito? Ser pobre de espírito não significa ter um espírito ruim. Algumas pessoas têm um espírito muito mau. Não é isso que se quer dizer aqui.
Vamos olhar para nosso Senhor Jesus. Em Filipenses 2:6-8, encontramos nosso Senhor Jesus, que, sendo em forma de Deus, era igual a Deus. Isso não era algo que Ele tentava conquistar, porque Ele é Deus; Ele é um com Deus na mesma glória.
No entanto, a Bíblia nos diz que Ele Se esvaziou. É claro que Ele não poderia Se esvaziar de Sua divindade, porque isso é o que Ele é. Mas Ele Se esvaziou de toda a glória e honra relacionadas à Sua divindade.
Ele Se esvaziou e tomou sobre Si a forma de servo. Em vez da forma de Deus, tomou sobre Si a forma de servo. Sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se e foi obediente ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz.
Agora, irmãos e irmãs, isso é ser pobre de espírito. Na verdade, Ele é rico, mas deixou de lado Suas riquezas para Se tornar pobre, a fim de que fôssemos enriquecidos. Isso é humildade — isso é verdadeira humildade.
A Bíblia nos diz que Deus dá graça aos humildes e resiste aos soberbos. Por natureza, todos nós somos orgulhosos.
É somente por meio do tratamento do Senhor que Ele nos mostra que em nós — isto é, em nossa carne — não há bem algum. Achamos que temos algo de bom. Se não somos perfeitos, pelo menos temos algum bem; e, por causa disso, nos vangloriamos de nós mesmos.
Mas, irmãos e irmãs, quando a luz de Deus vem sobre nós, Ele nos reduz a zero. Quando somos reduzidos a zero, chegamos à condição de pobres de espírito.
Em outras palavras, diante de Deus percebemos que não temos nada. Não somos ninguém, e Deus deve ser nosso tudo em todos. A humildade abre o caminho para sermos cheios da plenitude de Deus.
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. O reino dos céus pertence a eles. Essa é a primeira bem-aventurança, e é uma bênção tão bela.
Em seguida, temos:
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
O choro aqui não é por você mesmo.
Naturalmente, se não somos orgulhosos de nós mesmos, podemos desenvolver uma espécie de autopiedade. Sentimos que não somos tão bons quanto os outros, desenvolvemos um complexo de inferioridade, começamos a ter pena de nós mesmos e ficamos cada vez mais desanimados. Não é isso que se quer dizer aqui.
Por que os que choram são bem-aventurados? Porque era assim que nosso Senhor Jesus era quando estava na terra. Vocês se lembram de Isaías 53:3-4. Ele é:
Homem de dores, e experimentado no sofrimento.
E:
Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e levou as nossas dores.
Em outras palavras, Ele não estava triste por Si mesmo. Não sofria por motivos próprios. Mas, porque Ele é amor, é cheio de compaixão.
Quando olhou para este mundo, Ele chorou. Irmãos e irmãs, porque Ele nos ama tanto, sabe que não estamos no lugar certo e Se entristece por nossa causa. Isso é chorar.
Não devemos procurar ter pena de nós mesmos, mas devemos ser cheios da compaixão de Deus. Devemos nos compadecer do mundo. Por causa disso, seremos consolados.
Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra.
Vocês se lembram das palavras do nosso Senhor em Mateus 11:29:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim;
porque sou manso e humilde de coração:
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Nosso Senhor Jesus é o Manso. O que significa mansidão? Mansidão significa ausência de egoísmo. Por ser livre de egoísmo, Ele pode Se entregar completamente a Deus. Não há Nele nenhuma oposição a Deus, e Ele é capaz de cumprir a vontade de Deus.
Em Mateus 12:18-19, Mateus cita as palavras de Isaías 42:1-2:
Eis o Meu Servo, a Quem escolhi;
o Meu Amado, em Quem a Minha alma se compraz:
porei sobre Ele o Meu Espírito,
e Ele anunciará o juízo aos gentios.
Não contenderá, nem clamará;
nem alguém ouvirá a Sua voz nas ruas.
Irmãos e irmãs, é assim que nosso Senhor Jesus é. Ele nunca contende e, no entanto, ganha a terra.
Vocês se lembram de Abraão e Ló. Abraão permitiu que Ló escolhesse a terra que julgasse melhor. Abraão não contendeu. Mas, depois que Ló partiu, Deus disse a Abraão: “Olhe para o leste e para o oeste, para o norte e para o sul. Tudo o que você puder ver é seu”. Até aquilo que Ló havia escolhido, Deus também deu a Abraão.
Ele é manso e, por causa de sua mansidão, herda a terra. Em outras palavras, você não precisa lutar por seus próprios interesses. Se for manso, Deus lhe dará.
Ser manso não significa ser fraco. Na verdade, encontramos grande força na mansidão, porque temos a força do poder de Deus.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão fartos.
Algumas pessoas acham que são muito justas. Isso é justiça própria; essa é a justiça dos escribas e fariseus.
Mas, se você realmente buscar a verdadeira justiça, será cheio. Deus o encherá dela.
Em Hebreus 1:9, encontramos que, porque nosso Senhor Jesus amou a justiça mais do que qualquer outro, Deus O ungiu com alegria.
Quando nosso Senhor estava na terra, como Ele buscava a justiça! Ele fazia o que era reto aos olhos de Deus e, por causa disso, era cheio. Precisamos ter fome e sede da verdadeira justiça.
Nós nos humilhamos, reconhecendo que não temos justiça própria, mas que Cristo é a nossa justiça.
Então Ele disse:
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
Deus ama a misericórdia.
Os fariseus começaram a criticar o Senhor Jesus porque Ele comia com pecadores e publicanos. Nosso Senhor Jesus disse:
Misericórdia quero, e não sacrifício.
Quando nosso Senhor estava na terra, Ele era tão misericordioso.
O que é misericórdia? Misericórdia é demonstrar e conceder graça aos que não a merecem. Deus nos concedeu misericórdia; Ele demonstrou tanta misericórdia para conosco. Não deveríamos também ser misericordiosos com os outros?
Vocês se lembram da parábola que nosso Senhor Jesus contou. Um servo devia muito ao seu senhor e implorou por misericórdia. O senhor teve compaixão dele e perdoou todas as suas dívidas.
Mas, quando saiu da presença de seu senhor, viu um conservo que lhe devia apenas um pouco. Agarrou-o e exigiu o pagamento. Quando seu conservo pediu misericórdia, ele não quis concedê-la, mas o lançou na prisão.
Quando a notícia chegou ao senhor, ele chamou seu servo de volta e disse: “Eu lhe perdoei tanto, e, no entanto, você não perdoa”. Por não ter demonstrado misericórdia, ele foi lançado na prisão.
De fato, irmãos e irmãs, fomos perdoados de tanta coisa. Como podemos deixar de perdoar aqueles que nos ofenderam? Se não perdoarmos, nem mesmo nossas orações serão atendidas.
Um dia, quando estivermos diante do tribunal de Cristo, se tivermos demonstrado misericórdia aos outros, a misericórdia triunfará sobre o juízo.
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
Deus olha para o coração, não para a aparência.
O que significa ser puro de coração? A pureza de coração é mais do que ter um coração limpo. Significa ter tamanha pureza que não há duplicidade em você. Seu olhar é voltado para uma única coisa.
Se o seu olhar é simples, então todo o seu corpo está cheio de luz. Se o seu olhar é dividido, quão grandes são as trevas.
Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus, quando estava na terra, era puro de coração. Em Seu coração não havia ninguém além do Pai. Ele não levava em conta a Si mesmo; apenas perguntava: “É a vontade do Pai?”.
Se fosse a vontade do Pai, mesmo que significasse a morte, até a morte de cruz, Ele a aceitaria. Beberia aquele cálice, porque era puro de coração. Por isso, via a Deus o tempo todo.
Aqueles que têm a vida do Senhor devem permitir que essa vida cresça até que toda a nossa duplicidade seja removida. Não devemos ter segundas intenções diante de Deus. Devemos amá-Lo por Ele mesmo. Então O veremos com tamanha clareza.
Bem-aventurados os pacificadores: porque eles serão chamados filhos de Deus.
Olhem para nosso Senhor Jesus. Ele é o Príncipe da Paz. Veio a este mundo para trazer paz.
Na cruz, Ele estabeleceu a paz entre judeus e gentios. Ele é o Pacificador, e Deus quer que sejamos pacificadores.
Ser pacificador não significa fazer concessões àquilo que é errado. Vemos que nosso Senhor Jesus nunca fez tais concessões, mas estabeleceu a paz entre o homem e Deus. Estabeleceu a paz entre judeus e gentios, e nós também devemos seguir Seus passos. Assim, demonstramos ser filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça.
Foi assim que perseguiram os profetas. Nosso Senhor Jesus, por causa da justiça de Deus, não fazia concessões ao que era errado, e como Ele sofreu por isso.
Irmãos e irmãs, nós O seguiremos. A vida que está em nós nos dará força para suportar e sofrer por causa da justiça.
Outras pessoas podem fazer certas coisas, mas você não pode, porque tem a vida Dele. Essa vida justa não permitirá que você faça as mesmas coisas que o mundo faz.
Nós, que pertencemos ao Senhor, devemos praticar a justiça, porque Deus é justo. Se você for perseguido pelo mundo por causa do Seu nome, regozije-se e exulte, porque sua recompensa é grande nos céus.
Irmãos e irmãs, o mundo rejeitou nosso Senhor, e nós, que O seguimos, devemos sair para fora da porta e sofrer juntamente com Ele — sofrer pelo nome do Senhor e por causa da justiça. Isso é uma demonstração da força da vida.
No início do Sermão do Monte, o Senhor nos dá essas bem-aventuranças. Ele nos mostra Quem Ele é e como Ele é. Ele diz: “Agora vocês têm Minha vida em vocês. Deixem essa vida se expressar. Então vocês estarão realmente nessa condição de bem-aventurança”.
Queridos irmãos e irmãs, pela graça de Deus e pela operação do Espírito Santo em nossa vida, com paciência tomaremos posse da nossa herança. Quando começarmos a demonstrar esse tipo de caráter cristão, isso será o testemunho do reino dos céus.
Seremos sal; seremos luz. Seremos sal que impede a corrupção.
Embora o mundo possa nos desprezar, as pessoas não sabem que são os cristãos que impedem este mundo de chegar à corrupção total. São os cristãos que retardam o processo de corrupção total.
Nós, cristãos, cumprimos um propósito neste mundo. Estamos impedindo que o mundo chegue à corrupção total, e devemos ser a luz do mundo — brilhar sobre as trevas, expor o que está nas trevas e mostrar o que é a verdadeira luz.
Isso se tornará nosso testemunho nesta terra. É assim que o Sermão do Monte começa: é uma vida bem-aventurada.
Em seguida, vem esta declaração:
Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
O que é a justiça dos escribas e fariseus? Em certo sentido, é algo respeitado pelo mundo. Na época do nosso Senhor Jesus, os escribas e fariseus eram modelos para o povo, porque tinham uma justiça.
Mas qual era a justiça deles? Sua justiça era segundo a lei. Vocês se lembram de Paulo, quando ainda era Saulo. Ele disse que, quanto à justiça que há na lei, era irrepreensível.
A justiça dos escribas e fariseus era a justiça da lei, mas era a justiça da letra da lei. Em outras palavras, eles procuravam guardar cada letra da lei, mas, ao guardar a letra da lei, violavam o próprio espírito da lei.
Aos olhos do mundo, eram muito justos, mas sua justiça era hipócrita. Nosso Senhor disse:
Escribas e fariseus, hipócritas!
Eles observavam tudo exteriormente, mas não havia nada interior neles. Por ser uma justiça exterior, era apenas um tipo de comportamento. Não era caráter. Não era real; era hipocrisia.
Por causa disso, tornaram-se muito arrogantes e muito críticos em relação às pessoas. Essa justiça é prejudicial, em vez de benéfica.
A menos que sua justiça ultrapasse a justiça dos escribas e fariseus, você não pode entrar no reino dos céus.
Para explicar isso, o Senhor usa cinco ilustrações. Duas Ele tira dos Dez Mandamentos, duas tira dos estatutos e ordenanças, e uma tira da tradição dos antepassados.
Ele usa essas ilustrações para mostrar o que é a justiça dos escribas e fariseus, e o que é a justiça que a excede.
Sem entrar em detalhes, vamos considerar apenas o princípio. A justiça dos escribas e fariseus é inteiramente exterior. É esforço humano, e tudo o que vem do esforço humano só pode alcançar uma conduta exterior correta. Não há nada de real nisso.
Mas a justiça que excede a justiça dos escribas e fariseus vem de dentro. É do coração. É o resultado da vida; é viva e real. Essa é a diferença.
Irmãos e irmãs, o que o Senhor está procurando nos ensinar é que o Sermão do Monte não é algo meramente exterior. Ele vem de dentro. É o transbordar da vida. É sobrenaturalmente natural.
Ao final de Mateus 5, o capítulo termina com esta declaração, em Mateus 5:48:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
Por quê? Porque temos essa vida em nós. Como podemos viver de maneira comum, ordinária?
O mundo, por causa da vida que possui, tem uma determinada maneira de viver. Mas nós temos uma nova vida em nós. Podemos viver da mesma maneira comum que as outras pessoas? Se for assim, como poderemos mostrar que temos outra vida?
Com essa nova vida de Cristo em nós, Ele espera que sejamos extraordinários. Para um cristão, viver uma vida comum é uma vergonha. Tendo essa vida em nós, Deus espera que sejamos extraordinários.
Não se contente em dizer apenas: “Bem, sou tão bom quanto as outras pessoas”. Se você é tão bom quanto as outras pessoas, isso é vergonhoso, porque você deveria ser extraordinário.
Deus é perfeito, e Ele quer que Seus filhos sejam perfeitos. Mas você diz: “Como posso ser perfeito como Deus é perfeito?”. Deus é absolutamente perfeito; nossa perfeição é relativa.
Vamos usar uma ilustração. Em 1 João 1:7:
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros;
e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Deus é luz. Ele habita na luz. Ele é luz perfeita. Não há trevas Nele, e não há variação nem sombra de mudança. Esse é Deus.
Mas a Bíblia diz, em 1 João 1:7:
Se andarmos na luz, como Ele na luz está.
Em 1 João 1:5, ela diz:
Deus é luz.
Em outras palavras, você que crê no Senhor Jesus tem a luz da vida em você. Essa vida em você é luz, e ela brilhará.
Quando você crê no Senhor Jesus pela primeira vez, tem essa vida em você, e essa vida tem a natureza da luz. A natureza dessa luz é a mesma natureza de Deus, Que é luz. Mas você talvez tenha apenas a luz de uma vela, enquanto Ele tem a luz de cem velas.
Se você andar nessa luz de uma vela, sua comunhão com Deus será ininterrupta, porque a natureza da luz é a mesma. Embora você conheça apenas um pouco e tenha apenas uma pequena medida de vida, se andar na luz da vida, não haverá impedimento na comunhão entre você e Deus.
À medida que você tem comunhão com Deus, o sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o purifica de todo pecado. Por causa da sua comunhão com Deus, sua vida cresce um pouco mais, e você começa a enxergar com um pouco mais de clareza.
Então você começa a perceber o que é de Deus e o que não é de Deus — coisas que nunca havia visto antes. O que você faz? Anda nessa luz maior. Então sua comunhão com Deus permanece ininterrupta, e você cresce um pouco mais.
Depois você tem mais luz. Enxerga com mais clareza. Ainda pode andar na luz menor? Se andar na luz menor, sua comunhão com Deus terá problemas. Você precisa se arrepender, e o sangue de Jesus Cristo o purificará.
Então você segue a luz maior, e sua comunhão com Deus volta a ser maravilhosa. É assim que crescemos gradualmente em vida. Portanto, seja perfeito, porque Deus é perfeito.
Irmãos e irmãs, como nós O louvamos e Lhe agradecemos! Primeiro, Ele coloca Sua vida em nós e, gradualmente, essa vida brilha. Se Ele nos desse toda a luz de uma só vez, não suportaríamos; ficaríamos completamente sobrecarregados.
Como Ele é amável! Como nos trata com suavidade! Gradualmente, à medida que nossa vida começa a crescer, mais luz nos é dada. Se seguirmos essa vida, então, aos poucos, um novo caráter será formado.
O Espírito Santo nos transforma de glória em glória. Esse é o reino dos céus.
Vamos orar?
Querido Senhor, Teu reino é real. Teu reino é uma realidade interior. Teu reino é de vida, e como essa vida é gloriosa!
Tu estás nos conduzindo passo a passo, até que sejamos conformados à Tua imagem. Senhor, tem misericórdia de nós mais uma vez.
Conduze-nos ao lugar onde Tu estás, para que possamos ver-Te e ser semelhantes a Ti. Em nome do nosso Senhor Jesus.