Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles: de outra sorte, não tereis recompensa junto de vosso Pai, Que está nos céus.
Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Mas, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita:
Para que a tua esmola seja dada em secreto: e teu Pai, Que vê em secreto, te recompensará.
E, quando orardes, não sejais como os hipócritas: pois gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no teu aposento e, tendo fechado a tua porta, ora a teu Pai, Que está em secreto; e teu Pai, Que vê em secreto, te recompensará.
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios: pois pensam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos.
Não sejais, pois, semelhantes a eles: porque vosso Pai sabe de que coisas tendes necessidade, antes de Lhe pedirdes.
Portanto, orai vós desta maneira:
Pai nosso, Que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará.
Mas, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.
Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões arrombam e roubam:
Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam:
Porque, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
A lâmpada do corpo é o olho: se, pois, o teu olho for simples, todo o teu corpo estará cheio de luz.
Mas, se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará cheio de trevas. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são essas trevas!
Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou há de odiar um e amar o outro; ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Não andeis, pois, ansiosos pelo dia de amanhã: porque o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Querido Pai celestial, nós Te agradecemos por nos reunires nesta manhã em torno de Teu Filho amado. Cremos que estás conosco, e somente Tu podes satisfazer o nosso coração.
Nós nos prostramos diante de Ti e esperamos que nos fales. Pedimos que abras o nosso coração a Ti e nos abras a Tua Palavra, para que a Tua Palavra caia em boa terra — em corações que produzam fruto com perseverança, a cem por um, para a Tua glória.
Senhor, confessamos que estamos longe de ser o que desejas que sejamos. Contudo, queremos dizer-Te que estamos dispostos. Que o Teu Espírito Santo opere em nós e nos conduza ao lugar onde Tu estás. Que a Tua vontade seja feita em nós como é feita no céu.
E nós Te daremos toda a glória, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos reunir nesta manhã. Temos compartilhado sobre o chamado Sermão do Monte.
Sabemos que o Sermão do Monte foi proferido por nosso Senhor aos Seus próprios discípulos — àqueles que não apenas creram Nele, mas também responderam ao Seu chamado e se entregaram ao Senhor, permitindo que Ele os ensine, os transforme e os conforme à Sua própria imagem.
O Sermão do Monte não nos apresenta uma nova lei para cumprirmos. O Sermão do Monte é uma expressão da graça. Primeiro, nosso Senhor nos deu a Sua vida; depois, Ele começa a nos dizer como é essa vida.
Na verdade, o Sermão do Monte é uma descrição da vida de nosso Senhor Jesus. Ele é o Homem celestial Que veio a esta terra, e Ele vive uma vida celestial sobre a terra.
Ele vem estabelecer o Seu reino nesta terra. Ele está atraindo um povo a Si mesmo e transformando esse povo para que seja como Ele. Esses serão o Seu reino; serão o povo do reino dos céus. São os filhos do reino dos céus.
Por isso, louvamos e agradecemos ao Senhor, porque Ele não está tentando nos impor um fardo pesado, como se estabelecesse para nós um padrão muito elevado e depois dissesse: “Tentem alcançá-lo”.
Em vez disso, vemos que Ele nos dá a Sua própria vida e nos diz quão gloriosa, quão poderosa é essa vida. Se simplesmente permitirmos que a Sua vida se manifeste por meio de nós, será assim que viveremos.
É uma questão de graça. É uma questão de vida. É uma questão do crescimento da vida. É disso que trata o Sermão do Monte.
O Sermão do Monte começa com as bem-aventuranças. Ali vemos que a ênfase está no nosso ser, e não no nosso fazer.
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Vejam, o Sermão do Monte começa com a ênfase no ser, e não no fazer. O próprio Senhor é a personificação das bem-aventuranças. É assim que Ele é quando está nesta terra.
Ele é Aquele Que é pobre de espírito. Ele era igual a Deus, mas não Se apegou a essa igualdade. Pelo contrário, esvaziou-Se e tomou sobre Si a forma de servo. Sendo encontrado em figura humana, foi obediente ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz.
Esse é o significado de ser pobre de espírito. Agora, irmãos e irmãs, por natureza, todos nós somos ricos em nossa alma. Pensamos que temos muito. Pensamos que podemos fazer muita coisa. Temos orgulho de nós mesmos.
A humildade está além de nós. É necessária a vida do Senhor Jesus dentro de nós, porque a Sua vida é uma vida humilde. É uma vida que se esvazia.
Como a Sua vida está em nós, Ele nos chama a ser como Ele. Pela operação do Espírito Santo e pela operação da cruz em nossa vida, estamos sendo gradualmente esvaziados de nós mesmos.
À medida que somos esvaziados, somos preenchidos com a vida do Senhor Jesus. É então que somos verdadeiramente bem-aventurados. Isto é, somos realmente felizes no Senhor.
As bem-aventuranças são uma descrição da vida de nosso Senhor Jesus. O Senhor está dizendo aos Seus discípulos: “É isso que quero que vocês sejam. É assim que vocês viverão nesta terra, e receberão a sua herança celestial”.
O Senhor Jesus nos diz que, se a nossa justiça não exceder a justiça dos escribas e fariseus, não poderemos entrar no reino dos céus.
O que é a justiça dos escribas e fariseus? É uma justiça segundo a lei. É uma justiça segundo a letra da lei.
Os escribas e fariseus procuravam cumprir cada letra da lei; no entanto, ao fazerem isso, violavam o próprio espírito da lei. Sua justiça era algo produzido pelo homem. Sua justiça era apenas uma aparência exterior. Não havia realidade dentro deles.
Podiam estar exteriormente corretos, mas vemos que era algo legalista. Isso lhes dava grande orgulho. Gabavam-se de sua própria justiça. Eram hipócritas e superficiais, mas críticos em relação às outras pessoas.
A Bíblia diz que, aos olhos de Deus, toda a nossa própria justiça é como trapos de imundícia. Ela não pode cobrir a nossa nudez e é inteiramente rejeitada por Deus.
Como discípulos do Senhor Jesus, a nossa justiça deve exceder a justiça dos escribas e fariseus. O que é essa justiça superior? É algo que procede do interior. É uma questão de vida.
Pela graça de Deus, essa vida começa a se expressar. Ela procede do Espírito e da vida. Está acima da letra; vai além do que a letra exige. Chega ao próprio coração. É o transbordar, o fluir da vida que está dentro de nós.
Nosso Senhor usou diferentes ilustrações e, por meio dessas cinco ilustrações, Ele nos mostra qual é a justiça que excede a justiça dos escribas e fariseus. São essas as coisas que abordamos nos últimos dois dias.
Nesta manhã, continuaremos em Mateus 6. Ao ler este capítulo, vemos que ele pode ser dividido muito claramente em duas partes.
Mateus 6:1-18 trata de fazer todas as coisas em secreto. Em outras palavras, fala-nos de uma vida oculta no reino dos céus.
Temos uma vida oculta, uma vida que o mundo não vê. Contudo, essa vida é a própria fonte daquilo que o mundo pode ver.
Na segunda parte, em Mateus 6:19-34, o Senhor nos mostra que a Sua vida do reino é uma vida de fé.
Irmãos e irmãs, nós, que somos filhos do reino dos céus, temos uma vida oculta. É o céu sendo vivido na terra. Há uma dimensão celestial que, por assim dizer, não é vista; ela deve ser vista somente por Deus.
Muitas vezes, nós, cristãos, tendemos a viver uma vida puramente exterior. É como se não houvesse essa vida interior ou oculta dentro de nós. É como se estivéssemos vivendo apenas diante dos homens, em vez de vivermos diante de Deus.
Mas, como povo de Deus, precisamos nos lembrar de que temos uma vida oculta. Vocês se lembram de Salmos 91:1:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Onipotente descansará.
Em outras palavras, precisamos viver no esconderijo do Altíssimo. Se vivermos no esconderijo do Altíssimo, permaneceremos à sombra do Onipotente.
Esse é o segredo da nossa força neste mundo. Há uma coisa que realmente precisamos buscar: precisamos buscar viver no lugar secreto de Deus.
Diariamente, devemos ter essa comunhão constante com o Pai, Que está nos céus. Quanto mais desenvolvemos a vida secreta com o Senhor, com mais poder conseguimos viver nesta terra.
Ele nos dá força para vivermos segundo a vontade de Deus. Lembramo-nos de quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo. Durante trinta anos, Ele viveu uma vida oculta.
Não sabemos muito sobre esses trinta anos. Mas sabemos que, durante esses trinta anos ocultos, Ele teve profunda comunhão com Seu Pai e desenvolveu amplamente Sua vida diante de Deus.
Depois desses trinta anos ocultos, quando Ele iniciou Seu ministério público, vemos que havia tamanho poder e tamanha força.
Irmãos e irmãs, nós, que somos filhos do reino dos céus, precisamos desenvolver uma vida oculta com Deus. Precisamos buscar a Sua face e viver uma vida face a face com Deus.
Com esse tipo de vida oculta, teremos o poder para viver nesta terra.
Nosso Senhor Jesus, em Mateus 6, começa com uma exortação:
Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles: de outra sorte, não tereis recompensa junto de vosso Pai, Que está nos céus.
Em Mateus 5, o Senhor disse que a nossa justiça deve exceder a justiça dos escribas e fariseus. Aqui, Ele ainda está falando de justiça, mas, ao tratar dessa justiça, Ele aborda a motivação.
Nossa motivação para agir com justiça deve estar voltada para Deus, e não para os homens. Então, Ele usa três ilustrações. Primeiro, dar esmolas — nosso relacionamento com o mundo. Segundo, a oração — nosso relacionamento com o próprio Deus. Terceiro, o jejum — nosso relacionamento conosco mesmos.
Em outras palavras, vemos as três dimensões da vida. Nós, que vivemos nesta terra, nos relacionamos com os homens, com Deus e conosco mesmos. Como devemos viver nessas três dimensões?
Dar esmolas é considerado um ato de justiça. Por quê? Porque o nosso Deus é o grande Doador.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.
— João 3:16
Quando Deus nos deu Seu Filho, Ele nos deu tudo. Ele, Que nos deu Seu próprio Filho — não nos dará também todas as coisas? Nosso Deus é um grande Doador. É assim que Deus é.
Como povo de Deus, Ele quer que tenhamos esse espírito de generosidade. Por natureza, todos nós queremos receber. Como crianças, queremos receber, receber e receber. Somos muito mesquinhos ao dar, porque somos tão centrados em nós mesmos.
Mas, como Seu próprio povo, Deus quer que tenhamos esse espírito de generosidade. Agora, qual é a motivação por trás da nossa oferta? Na verdade, tudo o que podemos dar é aquilo que Ele nos deu.
Ele quer que ofertemos de tal maneira que o façamos em secreto, e não para sermos vistos pelos homens.
Quando ajudamos as pessoas, quando damos algo a elas, vemos que, no mundo, as pessoas querem que os outros saibam quando dão. Elas anunciam isso. Fazem com que todos saibam: “Como essa pessoa é generosa!” Querem ter algum tipo de memorial para si mesmas.
O Senhor disse: “Se vocês dão dessa maneira, já receberam a sua recompensa”. Sua recompensa é terrena. Vocês não receberão recompensa no céu.
Quando nós, o povo de Deus, damos, precisamos fazê-lo em secreto. O que significa:
Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.
Isso é possível?
É claro que, literalmente, é impossível. Mas é possível neste sentido: você não fica pensando no que deu. Não fique tão consciente do bem que fez.
Você faz isso pelo Senhor. Você faz isso para o Senhor. Você faz isso pela graça de Deus. Não há nada de que se gabar, e você não espera ser reconhecido pelos homens.
Você faz isso em secreto, e seu Pai celestial, Que está em secreto, vê. Então, Ele o recompensará do alto.
Irmãos e irmãs, nossa justiça não é para os homens verem. Não esperamos que as pessoas nos elogiem. Nossa justiça é para Deus ver, e nosso Pai, Que está nos céus, nos recompensará.
Então, nosso Senhor Jesus menciona a oração. A oração também é considerada um ato de justiça.
Agora, se tudo o que fazemos em oração é pedir que o Senhor nos dê isto e aquilo, vocês acham que há alguma justiça nisso? Se a nossa oração é assim, estamos orando como as nações, como os gentios.
Nós, que somos filhos de Deus, temos um Pai celestial Que nos ama e cuida de nós. Ele sabe do que precisamos. Antes de pedirmos, Ele já sabe do que precisamos e já está pronto para dar, porque nos ama tanto.
Como devemos orar? Os fariseus e escribas gostavam de orar nas sinagogas. Em particular, não oravam, mas gostavam de orar apenas em público.
Quando andavam pela rua e chegavam a uma esquina, começavam a fazer uma longa oração, porque, na esquina, podiam ser vistos por mais pessoas. O Senhor diz que eles já receberam a sua recompensa. A oração deles não chega ao céu.
Vocês se lembram de uma parábola que nosso Senhor nos conta. Ele disse que dois homens entraram no templo para orar. Um era fariseu.
O fariseu foi para a frente e levantou os olhos. Ele disse:
Ó Deus, graças Te dou, porque jejuo duas vezes por semana.
Dou a décima parte da minha renda.
Não sou como aquele publicano atrás de mim.
Era assim que ele orava. Então, o publicano entrou no templo e ficou atrás. Não ousava levantar os olhos. Batia no peito e dizia:
Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador.
O Senhor Jesus disse que, quando voltaram para casa, o publicano era mais justo. O fariseu não estava orando; o fariseu estava apresentando um relatório.
Irmãos e irmãs, como é fácil sermos assim. Muitas vezes, nossa oração é como um relatório a Deus sobre o quanto somos bons, em vez de expressarmos nossa gratidão a Ele — como se Deus precisasse ser grato a nós.
Os fariseus faziam longas orações, mas, em sua vida oculta, praticavam coisas terríveis. Graças a Deus, temos um Pai Que nos ama. Temos um Pai Que cuida de nós. Antes mesmo de pedirmos, Ele sabe do que precisamos.
Quando você orar, entre no seu aposento e feche a porta. Ore ao seu Pai, Que está nos céus, e seu Pai, Que está em secreto, o ouvirá.
Nossa oração é para Deus ouvir. Orar é expressar nossa dependência Dele. Nossas orações mostram que, sem Ele, nada podemos fazer.
Nossa oração é comunhão com nosso Pai celestial. Nossa oração é para que a Sua vontade seja feita no céu e na terra.
Aqui, novamente, vemos que nosso Senhor Jesus nos ensina a orar. É o que chamamos de Oração do Senhor. Na verdade, é a oração que o Senhor ensina à Sua igreja.
Pai nosso, Que estás nos céus.
A oração se baseia no relacionamento. Quando oramos, somos filhos de Deus orando ao nosso Pai, Que está nos céus. Como há um relacionamento, há confiança. Há oração com fé.
Oramos com fé dentro de nós, porque conhecemos nosso Pai. Mesmo que oremos de maneira errada, Ele responderá de maneira certa.
Quando oramos, não devemos orar apenas por nós mesmos. A oração é nossa justiça. Estamos fazendo algo correto diante de Deus.
Em primeiro lugar, orem:
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Em nossa oração, não devemos ser centrados em nós mesmos. Devemos orar pelo nome de Deus, pelo Seu reino e pela Sua vontade.
Seu nome é honrado no céu, mas Seu nome não é santificado na terra. Devemos carregar esse encargo. Devemos tomar os interesses de Deus como nossos interesses e orar para que Seu nome seja honrado em toda a terra.
É claro que, se oramos com sinceridade, queremos que Seu nome seja honrado em nossa própria vida, que não envergonhemos nosso Deus, que o nome de Deus seja honrado em nós.
Quando as pessoas olham para nós, quando entram em contato conosco, passam a ver Deus em nossa vida e glorificam a Deus.
Venha o Teu reino.
Isso significa que permitimos que Cristo reine sobre nós. Nós nos colocamos sob Seu governo, e Sua vontade é feita em nós, na terra, como é feita no céu.
Agora, irmãos e irmãs, é assim que oramos? Ou nossa oração é apenas por nós mesmos, por nossa família ou pela igreja? Qual é a amplitude da nossa oração? Qual é a prioridade em nossa oração?
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
— Mateus 6:33
Depois de orarmos pelos interesses de Deus, podemos orar por nossas necessidades:
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
Isso mostra que dependemos Dele para o nosso pão de cada dia — não para o pão de amanhã, mas para o nosso pão diário.
Certa vez, li um livro com os sermões de Zinzendorf. Ao pregar sobre a Oração do Senhor, ele citou:
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
Ele entendia que esse pão diário é o nosso pão espiritual. Não é apenas pão natural, mas pão sobrenatural. Ele nutre o nosso espírito.
Certamente precisamos disso.
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos outros.
Isso é alimento para a nossa alma. Para o nosso corpo físico, precisamos de pão. Para o bem-estar da nossa alma, precisamos de perdão.
Pedimos ao Senhor que perdoe nossas dívidas e nossos pecados, mas há uma condição: assim como nós perdoamos aos outros.
Queridos irmãos e irmãs, vemos hoje, entre o povo de Deus, que muitos têm um espírito que não perdoa. Quando nossos irmãos e irmãs pecam contra nós, quando nos ofendem, quando fazem algo que representa uma dívida para conosco, nós não perdoamos.
Lembrem-se: por termos um espírito que não perdoa, Deus também não nos perdoará.
Antes de crermos no Senhor Jesus, quando nos arrependemos e pedimos ao Senhor que perdoasse nossos pecados, descobrimos que Ele perdoou tudo. Seu sangue nos purifica de todo pecado.
Mas lembrem-se: há uma diferença. Você se tornou um filho de Deus. Se quiser que Deus perdoe seus pecados e suas dívidas, há uma condição: Deus quer que você perdoe aos outros.
Se você não perdoar aos outros suas dívidas ou seus pecados, Deus não perdoará suas dívidas ou seus pecados. É algo de que precisamos nos lembrar.
Temos de aprender a perdoar de coração. Nós, que fomos tão perdoados — como podemos negar o perdão aos nossos irmãos e irmãs?
Vocês se lembram da história de Pedro. Um dia, ele veio ao Senhor e disse: “Senhor, se meu irmão pecar contra mim sete vezes, e eu lhe perdoar, Tu achas que isso é suficiente?”
O Senhor disse:
Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Irmãos e irmãs, isso é algo que precisamos aprender.
Se perdoarmos aos outros, nossa alma será saudável.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.
Isso é para o nosso espírito: que não entremos em tentação, mas sejamos livres do maligno. Essa é a oração que o Senhor nos ensina a fazer.
Orar em secreto não significa que não devamos orar em público. A oração coletiva é muito importante. Precisamos ter nossas orações particulares em secreto, mas também precisamos orar em público.
Orar em público não significa sair do nosso aposento. Não, não. Quando oramos em público, muitas vezes estamos muito conscientes das pessoas ao nosso redor. Por estarmos conscientes da presença delas, inconscientemente tentamos orar de maneira a impressionar os outros.
Se fizermos isso, seremos como os escribas e fariseus. Nossa justiça não excederá a justiça deles. Mesmo na oração pública, que o Senhor nos livre dessa preocupação com as pessoas. Em nosso espírito, estamos como que no aposento, e ali temos comunhão com nosso Pai.
Então, nosso Senhor Jesus nos fala sobre nosso relacionamento conosco mesmos, e isso diz respeito ao jejum. O que é jejuar?
Nas Escrituras, somos informados de que jejuar é afligir nossa alma. Em outras palavras, temos um encargo tão grande, ou estamos enfrentando uma crise tão séria, que negamos a nós mesmos a ponto de abrir mão do alimento que legitimamente poderíamos comer, para nos concentrarmos na oração diante do Senhor.
É afligir nossa alma. É algo entre nós e o Senhor. Não é para as pessoas verem.
Quando jejuavam, os fariseus faziam questão de apresentar uma aparência desfigurada, mostrando às pessoas que estavam jejuando. As pessoas os elogiavam e diziam: “Como eles são piedosos!”
O Senhor diz: “Não façam isso. Quando jejuarem, lavem o rosto, penteiem o cabelo, porque vocês estão jejuando diante do Senhor. O Senhor vê em secreto e responderá às suas orações”.
Aqui vemos que essa seção trata de uma vida oculta. Precisamos ter uma vida oculta diante do Senhor. Vivemos para Deus, nossa motivação é pura, e nosso coração está no céu.
Então, o Senhor prossegue com a segunda parte, a questão da vida de fé. A vida do reino é uma vida de fé.
Muitas vezes, pensamos que apenas algumas poucas pessoas escolhidas devem viver uma vida de fé. Mas, irmãos e irmãs, isso é um equívoco.
Segundo a Palavra de Deus, todo crente, todo discípulo do Senhor, todo filho do reino vive uma vida de fé.
Por quê? Porque Deus já nos chamou para fora deste mundo. Ele nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Quanto ao mundo, nós, que vivemos nele, somos estrangeiros e peregrinos. Estamos apenas de passagem. Somos forasteiros no que diz respeito ao mundo.
Assim como Abraão, que peregrinou na terra da promessa e viveu em tendas, reconhecemos que não pertencemos a este mundo. Uma tenda é apenas temporária. Estamos apenas de passagem.
Abraão aguardava aquela cidade que tem fundamentos, cujo Arquiteto e Construtor é Deus. Isso é uma vida de fé.
Todo crente vive uma vida de fé. Somos um povo celestial de passagem por este mundo. Para um povo assim, a única maneira de viver é viver uma vida de fé.
Queridos irmãos e irmãs, vamos corrigir nosso conceito. Não são apenas alguns poucos escolhidos que vivem uma vida de fé por não terem outro trabalho ou ocupação e precisarem esperar em Deus para suprir todas as suas necessidades.
Podemos pensar: “Temos nossa própria ocupação. Suprimos nossas próprias necessidades. Não precisamos viver uma vida de fé”. Irmãos e irmãs, isso está errado. Todo crente, cada um de nós aqui, vive uma vida de fé.
Por quê? Porque somos um povo celestial.
Para viver uma vida de fé, começamos com isto:
Não ajunteis para vós tesouros na terra.
O que é um tesouro? Às vezes, pensamos que tesouro é dinheiro e interpretamos esse versículo como se dissesse: “Não acumulem dinheiro para vocês nesta terra, porque há traça, ferrugem e ladrões”.
Mas, na verdade, tesouro é mais do que dinheiro. Tesouro inclui tudo o que você ama, tudo de que depende, tudo em que confia, tudo o que representa a vida para você.
Pode ser dinheiro. Pode ser posição. Podem ser pessoas. Talvez seu neto seja seu tesouro. É ali que está sua vida.
Irmãos e irmãs, se acumulamos tesouros para nós mesmos, vemos que nosso coração está onde está nosso tesouro. Você fica preso ao seu tesouro. Em vez de seu coração estar no céu, ele está na terra.
A ênfase não está no tesouro; a ênfase está no coração. Queridos irmãos e irmãs, Deus quer nosso coração.
Em Provérbios, vemos que Ele diz:
Filho Meu, dá-Me o teu coração,
E deleitem-se os teus olhos nos Meus caminhos.
— Provérbios 23:26
Por que não nos deleitamos no caminho de Deus? Porque nosso coração está em outro lugar. Se nosso coração for entregue ao Senhor, nossos olhos se deleitarão no Seu caminho.
O que o Senhor realmente quer é nosso coração. Onde estiver seu coração, ali estará também seu tesouro.
Por essa razão, Deus nos ordena que acumulemos nossos tesouros no céu. Isto é, oferecemos a Deus aquilo que consideramos tesouro.
Assim como Abraão: ele ofereceu Isaque, seu tesouro, a Deus. Estava disposto a oferecê-lo a Deus. Por ter feito isso, vemos que ele buscava a cidade que tem fundamentos. Não estava preso a nada nesta terra.
Quando ouvimos essa palavra, achamos muito difícil? “Senhor, todo o meu dinheiro? Se eu abrir mão de todo o meu dinheiro, como poderei viver?” Não se preocupe com isso.
O Senhor está procurando libertar você de tudo o que o prende. O Senhor quer que você se entregue totalmente a Ele. Seu coração está no céu; seu coração está com Deus.
Como Deus tratará seus tesouros é uma decisão que cabe a Ele.
Vocês se lembram do jovem rico. Ele veio ao Senhor com sinceridade e disse:
Bom Mestre, que posso fazer para herdar a vida eterna?
O Senhor olhou para ele e o amou. O Senhor disse:
Guarda os mandamentos.
O jovem disse:
Tenho guardado tudo isso desde a minha juventude.
Ele guardava a letra da lei, mas violava seu espírito, porque era muito rico. Suas riquezas haviam capturado seu coração. O Senhor queria libertá-lo.
Então, o Senhor disse:
Vende tudo o que tens, dá aos pobres; depois, vem e segue-Me.
Ele não conseguiu fazer isso. Por si mesmo, não conseguia.
Mas havia outro homem rico, mais velho e muito mais rico do que esse jovem — um cobrador de impostos. Quando a graça de Deus veio sobre ele, sem que ninguém lhe pedisse, ele disse:
Darei a metade.
Tudo o que havia feito de errado, ele estava disposto a reparar. Isso é graça.
Irmãos e irmãs, não tenham medo. Apenas entreguem tudo ao Senhor. Depositem tudo no céu. Então, vocês serão administradores. Façam tudo o que o Senhor quiser que façam.
Vocês se lembram da história de C. T. Studd. Ele foi um dos sete missionários de Cambridge que vieram à China. Era milionário, mas foi conduzido pelo Senhor a abrir mão de tudo o que tinha. Veio à China, depois foi à Índia e, finalmente, à África. Deus o usou grandemente.
Outra pessoa, Lady Ogo, era milionária. Ela disse: “Tudo o que tenho pertence ao Senhor. Sou apenas uma administradora”. É isso que somos. Cabe ao Senhor decidir sobre tudo o que Ele nos deu. Sua graça é sempre suficiente.
Não procurem acumular tesouros para vocês mesmos nesta terra.
Agora, a propósito, deixem-me acrescentar algumas palavras mais práticas. Isso significa que devo entregar tudo ao Senhor e não sustentar minha família? Certamente não.
A Bíblia nos diz muito claramente que devemos prover para nossa família. Isso significa que você não pode reservar algo para sua aposentadoria? Certamente não.
O Senhor não quer que você dependa da caridade das pessoas, porque isso não O glorifica. Isso significa que, por causa disso, você não precisa mais trabalhar? Certamente não. Se você não trabalha, não come. É isso que as Escrituras ensinam.
Queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: trata-se do coração, de termos um olhar simples e não uma mente dividida.
Nosso problema é que temos uma mente dividida. Amamos a Deus e amamos a Mamom. Mamom é a riqueza. Pode ser representado pelo dinheiro ou por outras coisas.
Tentamos servir a dois senhores. É impossível. Ninguém pode servir a dois senhores. Ou você ama um e odeia o outro, ou se apega a um e abandona o outro.
O Senhor deixa isso muito claro para nós: ninguém pode servir a dois senhores.
O que faremos com Mamom? Mamom não deve ser nosso senhor. Mamom deve ser nosso servo. Devemos usar as riquezas injustas para preparar nossa habitação eterna.
É assim que deve ser. Isso nos libertará para que nosso coração esteja no céu.
Por essa razão, o Senhor diz:
Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Por que nos preocupamos com comida, bebida e roupa? Porque nosso coração e nossos tesouros não estão no céu.
Quanto mais você se apega aos seus tesouros, mais se preocupa com o que vai comer, com o que vai beber e com o que vai vestir. Sua ansiedade não tem fim.
Quanto mais tesouros você acumulou para si mesmo, mais preocupado se torna. Mas, se acumular seus tesouros no céu, e seu coração estiver com Deus, não precisará se preocupar com o que vai comer, com o que vai beber e com o que vai vestir.
Por quê? O Senhor disse: “Olhem para as aves”. Esse olhar não é apenas uma olhada passageira. É um olhar atento. Olhem para as aves — como nosso Pai celestial cuida delas. Quanto mais preciosos vocês são do que as aves!
Considerem atentamente os lírios do campo. Com quanta beleza, com quanta glória o Senhor os vestiu — mais do que a glória de Salomão. Hoje estão aqui e amanhã são lançados ao fogo. Mesmo assim, Deus lhes dá tais vestes. Quanto mais valiosos vocês são do que os lírios!
Não fiquem ansiosos por essas coisas. Seu Pai celestial sabe.
Irmãos e irmãs, quando seu coração está no céu, vocês sabem que seu Pai celestial sabe de tudo. Vocês podem confiar Nele.
Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça; e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Irmãos e irmãs, é assim que devemos viver. Devemos buscar o reino de Deus. Devemos buscar a Sua justiça.
Se realmente buscarmos primeiro, todas essas coisas nos serão acrescentadas. Se não buscarmos o reino dos céus e a Sua justiça, teremos de buscar todas essas coisas por nós mesmos e ficaremos ansiosos por elas.
Queridos irmãos e irmãs, o que é viver no reino dos céus? Como é a vida do reino? A vida do reino em nós é uma vida que vive no céu, embora nosso corpo esteja na terra.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te, porque as Tuas palavras são vida. Nós Te louvamos e agradecemos porque já nos deste essa vida.
Essa vida está em nós, e Tu farás com que ela se manifeste, para que glorifique o Teu nome.
Senhor, queremos pedir-Te que continues a nos ensinar, para que possamos realmente expressar essa vida em nosso viver, para a Tua glória.