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    Attaining Spiritual Discernment © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Attaining Spiritual Discernment
    Attaining Spiritual Discernment
    Kaung, Stephen

    O discernimento espiritual como graça e exercício espiritual

    Gostaria de ler as mesmas passagens das Escrituras que lemos ontem de manhã: 1 Coríntios 2.

    1 Coríntios 2:14-15:

    Mas o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus: porque lhe são loucura;
    e não pode conhecê-las, porque são discernidas espiritualmente.
    Mas aquele que é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido.

    Filipenses 1:9-11:

    E isto peço em oração: que o vosso amor abunde ainda mais e mais em pleno conhecimento e em todo discernimento;
    para que possais julgar e aprovar as coisas mais excelentes;
    a fim de que sejais puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo;
    estando cheios do fruto de justiça, que é por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

    A necessidade do discernimento espiritual

    Estamos tendo comunhão sobre essa questão do discernimento espiritual. Espero que todos percebam a necessidade urgente de discernimento espiritual, porque vivemos em um tempo de grande confusão.

    Precisamos de discernimento espiritual para que sejamos capazes de distinguir entre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, o espiritual e o natural, o que é da alma e o que é do espírito, a vontade de Deus e as ideias do homem.

    Vivemos em um mundo de grande engano, e precisamos de discernimento espiritual para enxergar além das imitações e das trevas que nos cercam.

    O discernimento espiritual é necessário para vivermos uma vida que agrade a Deus, que ande na vontade de Deus. Portanto, queridos irmãos e irmãs, nosso encargo é que, nestes últimos dias difíceis, Deus nos conceda a graça do discernimento espiritual.

    A distinção entre discernimento espiritual e capacidade natural

    Mencionamos ontem de manhã que o discernimento espiritual não é uma aptidão natural. Sabem, todos nós fomos feitos de maneira diferente. Algumas pessoas são naturalmente dotadas de sentidos mais aguçados; parecem conseguir enxergar as coisas com mais clareza. Mas não é isso que se entende por discernimento espiritual, porque o discernimento espiritual não é algo natural.

    O discernimento espiritual não é um conhecimento profundo do mundo. Algumas pessoas têm muita experiência no mundo e, por causa disso, parecem ter um tipo de percepção que outras pessoas talvez não tenham. Mas, irmãos e irmãs, não é isso que queremos dizer com discernimento espiritual.

    Na verdade, quanto mais sábio e prudente você for nas coisas do mundo, menos discernimento espiritual terá. Vocês se lembram do que nosso Senhor Jesus disse quando foi rejeitado em Cafarnaum, Corazim e naqueles lugares onde havia realizado muitos prodígios e falado muitas palavras.

    Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus levantou os olhos ao céu e disse:

    Pai, eu Te agradeço, porque este é o Teu beneplácito.
    Tu Te revelas aos pequeninos;
    mas dos sábios e prudentes Tu Te ocultas.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, não estamos falando de sabedoria mundana.

    O discernimento espiritual não é um poder psíquico. Especialmente nestes últimos dias, o inimigo está tentando despertar poderes psíquicos. Mas não é isso que o Senhor deseja. É algo que vem de Deus, algo que vem do Espírito Santo, algo que, no profundo do nosso espírito, nos é dado como uma capacidade de discernir.

    Portanto, irmãos e irmãs, o discernimento espiritual é a capacidade espiritual de distinguir entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o falso, entre a carne e o espírito, entre o eu e Deus, e até mesmo entre o que é de Deus e o que é do homem. Isso é discernimento espiritual, e é algo de que precisamos muito em nossos dias.

    O discernimento espiritual e o dom de discernimento de espíritos

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante e considerar: como chegamos a esse discernimento espiritual? Precisamos reconhecer sua necessidade e, além disso, reconhecer que não o temos como deveríamos. Então, creio que é hora de conversarmos sobre como podemos alcançar esse discernimento espiritual.

    Mas, antes disso, creio que devemos esclarecer uma coisa. O discernimento espiritual é diferente daquele dom espiritual que encontramos em 1 Coríntios 12:10.

    Para o benefício do Corpo de Cristo, o Espírito Santo Se manifesta no Corpo, em diferentes membros do Corpo, dando-lhes diferentes dons espirituais. Um desses dons espirituais é o discernimento de espíritos.

    O discernimento de espíritos é um dom. É um dom espiritual; é uma manifestação do Espírito Santo. Assim, a alguns membros do Corpo, o Espírito Santo concede esse dom, de modo que sejam capazes de discernir espíritos.

    Agora, queridos irmãos e irmãs, há muitos espíritos no mundo invisível: não apenas o Espírito de Deus, não apenas anjos bons e espíritos bons, mas também muitos anjos que se rebelaram contra Deus — espíritos malignos.

    Portanto, precisamos ser capazes de discernir se é o Espírito de Deus ou um espírito maligno. Como nossos irmãos já mencionaram, o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Em outras palavras, vemos que os espíritos malignos às vezes tentam imitar o Espírito de Deus, e é por isso que precisamos do discernimento de espíritos.

    Esse dom é dado especialmente a alguns membros do Corpo de Cristo. Nem todos os membros do Corpo de Cristo têm esse dom. Agradeço a Deus porque Ele não dá o mesmo dom a todos, pois assim nos mostra o quanto precisamos uns dos outros.

    Nenhum de nós é perfeito, completo ou possui todos os dons. Se você os tivesse, não precisaria mais de seu irmão ou de sua irmã. Mas Deus busca o Corpo, não apenas um indivíduo. Precisamos uns dos outros. É por isso que vemos Deus conceder a alguns membros o discernimento de espíritos.

    A necessidade desse dom durante o avivamento

    Especialmente em tempos de avivamento, sabem, quando vem um avivamento, o Espírito Santo está agindo de maneira muito marcante. Mas, quando o Espírito Santo age dessa maneira, os espíritos malignos tentam causar confusão; eles entram e trabalham intensamente.

    É por isso que, especialmente nos avivamentos, quando a manifestação do Espírito é tão marcante, vemos todo tipo de confusão começar a surgir. É o inimigo tentando confundir e deixar as pessoas perplexas.

    Por exemplo, durante o Avivamento Galês, em 1904 e 1905, se vocês conhecem a história, sabem que houve um grande avivamento no País de Gales. Muitos vieram ao Senhor, e a manifestação do Espírito Santo era clara.

    Mas, ao mesmo tempo, o inimigo entrou e tentou imitar, falsificar e confundir as pessoas. Por isso, vemos que, mais tarde, Evan Roberts, em colaboração com a senhora Jessie Penn-Lewis, escreveu o livro Guerra contra os Santos, pois essa havia sido sua experiência durante o Avivamento Galês.

    Com o conhecimento que a senhora Penn-Lewis possuía, eles escreveram esse livro, que libertou muitas pessoas que estavam em confusão e até mesmo em engano. Portanto, especialmente em um tempo em que o Espírito Santo Se manifesta com muita clareza, precisamos daqueles que têm o dom de discernimento de espíritos.

    A graça concedida a todos os crentes

    Mas o discernimento espiritual é diferente do discernimento de espíritos. Por quê? Porque o discernimento de espíritos é um dom e, por ser um dom, o Espírito Santo não o concede a todos, mas a alguns, segundo a Sua vontade.

    O discernimento espiritual não é um dom; é graça. Irmãos e irmãs, por ser graça, é para todos. Essa é a diferença entre dom e graça.

    Sempre que se trata de dons, vocês verão que alguns têm um dom e outros têm outro. Mas, naturalmente, cada membro tem pelo menos um dom, para que possamos exercer nossa função no Corpo de Cristo, em benefício do Corpo de Cristo.

    Mas a graça é imparcial. A graça é universal. A graça é dada a todos. O discernimento espiritual é uma graça, não um dom. É por isso que está disponível a todos os irmãos e irmãs — a cada um. Está disponível a você; está disponível a mim; está disponível a todos. Isso é discernimento espiritual.

    O discernimento espiritual como resultado da vida

    Em certo sentido, todo crente tem uma medida de discernimento espiritual. Ele vem com a vida.

    Quando você crê no Senhor Jesus, nasce de novo, nasce do alto. Você recebe uma nova vida: a vida de Cristo, a própria vida de Deus. E, com essa vida, recebe certa medida de discernimento espiritual. Ele vem com a vida.

    Ele vem com a vivificação do seu espírito, que estava morto. Sabem, todos nós fomos criados com espírito, alma e corpo.

    Com o corpo, temos consciência do mundo. Percebemos o mundo ao nosso redor por meio dos cinco sentidos. Com a alma, temos consciência de nós mesmos, porque pensamos, sentimos e decidimos. Com o espírito, deveríamos ter consciência de Deus, porque Deus é o ambiente próprio do nosso espírito.

    Mas, infelizmente, por causa do pecado, a palavra do Senhor a Adão foi:

    Não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal;
    porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

    Morrer naquele mesmo dia, naquele exato momento. Mas sabemos que Adão viveu mais de novecentos anos, fisicamente falando, e teve filhos e filhas. Quanto à alma, ele estava vivo; mas seu espírito estava morto.

    Quando o pecado entrou, o espírito morreu. Agora, isso não significa que o espírito, como órgão criado, tenha desaparecido ou sido aniquilado. Não, ele continua ali. Mas o espírito está morto para o seu ambiente próprio. Em outras palavras, perdeu o contato com Deus.

    É por isso que, antes de sermos salvos, havíamos perdido o contato com Deus. Deus Se tornou desconhecido para nós. As pessoas podem se comunicar com espíritos malignos, mas não podem se comunicar com Deus.

    Mas, graças a Deus, quando você crê no Senhor Jesus, nasce de novo. O que é nascido do Espírito é espírito. Seu espírito humano é vivificado, renovado.

    Você não apenas recebe um espírito novo, de modo que seu contato com Deus é imediatamente restabelecido e você clama: “Pai nosso”; o Espírito Santo também vem habitar no seu espírito novo.

    Em Ezequiel, lemos que Deus disse:

    Eu vos darei um espírito novo e porei o Meu Espírito no vosso espírito.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, nós, que cremos no Senhor Jesus, recebemos uma nova vida — a vida de Deus, a vida de Jesus Cristo — e, ao mesmo tempo, um espírito novo, no qual o Espírito Santo habita. Quando isso acontece, encontramos certa medida de discernimento espiritual habitando em nós.

    A unção no interior do crente

    Talvez você ainda não conheça muito da Palavra de Deus. Talvez seja um cristão novo na fé. Mas, queridos irmãos e irmãs, há algo em vocês que lhes dá certa medida de discernimento espiritual. É a vida em vocês; é o Espírito Santo em vocês.

    Esse discernimento não vem da observação exterior nem do conhecimento. Vem do seu espírito.

    Alguns anos atrás, um homem foi salvo. Ele vinha de um contexto pagão. Nem sequer conhecia a Palavra de Deus; havia sido salvo recentemente, mas sua salvação era genuína.

    Ele foi a Boston. Entrou em uma reunião e ouviu uma mensagem. Agora, lembrem-se: ele era um cristão novo na fé. Não tinha muito conhecimento das Escrituras.

    Mas, enquanto ouvia o pregador, quando este disse: “Nós somos homens-Deus”, algo dentro dele disse: “Não, isso não pode ser”.

    Ele não conseguia explicar, porque não tinha conhecimento das Escrituras. Mas, de alguma forma, disse: “Há algo que não está certo”.

    Mais tarde, ele disse: “Chamar uma pessoa de homem de Deus é razoável. Mas chamar um homem de homem-Deus não parece certo”.

    Agora, lembrem-se: esse era um cristão novo na fé. Ele não tinha conhecimento das Escrituras, mas havia certa medida de discernimento espiritual naquela pessoa.

    Nosso irmão mencionou ontem à noite 1 João — os filhinhos, os pequeninos em Cristo. Em 1 João 2, vemos que o apóstolo João disse aos filhinhos:

    Estais vivendo na última hora, e o espírito do anticristo está por toda parte.

    Agora, como vocês vão viver em um mundo assim? Os pequeninos são facilmente enganados. São levados por todo vento de doutrina. Quando alguém chega com uma doutrina, vocês são levados naquela direção; quando alguém chega com outra doutrina, são levados em outra direção.

    Os pequeninos são facilmente influenciados. Por quê? Porque não têm o conhecimento adequado. Mas, graças a Deus, mesmo para os pequeninos em Cristo, Deus fez provisão para nos livrar do engano.

    Por quê? Porque a unção habita em nós. O Espírito Santo, que habita em nós, é a unção. Por que Ele é chamado de unção? Porque unção significa que um unguento é aplicado suave e delicadamente sobre as feridas, trazendo alívio. É assim que o Espírito Santo age em nosso espírito.

    Ele está ali como nosso Mestre. Ele nos ensinará todas as coisas. Lembrem-se: essas palavras são dirigidas aos filhinhos. Como filhinhos em Cristo, temos o Espírito Santo, que habita em nós, ensinando-nos incessantemente, em tudo, nas coisas grandes e nas pequenas.

    Tudo o que Ele ensina é verdadeiro e não é mentira. Como podemos saber se algo é mentira ou verdade? Às vezes, uma mentira se parece muito com a verdade.

    O Espírito Santo ensinará você nas coisas grandes e nas pequenas, e tudo o que Ele ensina é verdadeiro; não é mentira. Se você obedecer ao ensino da unção, permanecerá em Cristo.

    Irmãos e irmãs, é por isso que vemos que, mesmo sendo filhinhos em Cristo, Deus já nos fez uma provisão — certa medida de discernimento espiritual.

    Agora, naturalmente, por ser novo nas coisas espirituais, você pode se enganar. É por isso que, na mesma passagem das Escrituras, o apóstolo João disse:

    O que ouvistes desde o princípio permaneça em vós.
    Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, também permanecereis no Filho e no Pai.

    Em outras palavras, como existe a possibilidade de se enganar, você realmente precisa recorrer à Palavra de Deus. Confira tudo com a Palavra de Deus. Veja se aquilo está na Palavra ou se não está; se concorda com a Palavra ou se é contrário a ela. Então, com a direção do Espírito dentro de você e a Palavra de Deus diante de você, será capaz de discernir o que é de Deus e o que não é de Deus.

    O desenvolvimento do discernimento espiritual

    Agora, infelizmente, há uma carência fundamental entre o povo de Deus. Depois de sermos salvos, não somos ensinados a viver dessa maneira interior.

    Somos afastados dessa maneira interior de viver — isto é, de uma vida de ouvir a voz do Espírito Santo e manter esse relacionamento interior com Deus. Somos desviados para o exterior.

    Somos ensinados a seguir muitas regras e regulamentos. Dizem-nos que, se quisermos ser bons cristãos, há certas coisas que devemos fazer e outras que não devemos fazer. Além disso, nós mesmos criamos muitas leis, regras e regulamentos para nós.

    Todos nós temos nosso próprio padrão do que é uma vida cristã, e criamos todo tipo de regra e regulamento para nós mesmos. Nós nos prendemos a leis e regras exteriores. Nosso andar é exterior, não interior, e, por causa disso, negligenciamos a voz mansa e suave dentro de nós.

    Não temos esse hábito. Sabem, há hábitos espirituais que precisamos cultivar. Assim como, em nossa vida física, há certos bons hábitos que precisamos desenvolver, como cristãos também precisamos desenvolver certos hábitos espirituais.

    Se não desenvolvermos esses hábitos, nossos sentidos espirituais ficarão adormecidos; não estarão sendo usados.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante que, desde o início de nossa vida cristã, reconheçamos o que Deus nos deu: vida, uma nova vida.

    O discernimento espiritual é uma questão de vida. Não é uma questão de conhecimento exterior. Algumas pessoas podem ter muito conhecimento, mas pouco discernimento. O discernimento espiritual se baseia na vida — a vida de Cristo em você, manifestada pelo Espírito Santo.

    Esse é o fundamento do discernimento espiritual. Se você permitir que essa nova vida em você se desenvolva e cresça, seu discernimento espiritual também crescerá. Se negligenciar essa vida interior, seu discernimento espiritual não crescerá.

    A natureza da nova vida

    Toda vida tem sua natureza. Nossa velha vida adâmica tem sua natureza. Qual é essa natureza? Ela sempre se inclina para o pecado ou para a rebelião. Essa é a natureza da vida humana.

    É por isso que a primeira palavra que um bebê aprende e diz é “Não”. Esse é o primeiro sinal da vida adâmica — uma vida de rebelião. Pecar é natural; não pecar é antinatural.

    Se você seguir essa vida natural, se se desenvolver de acordo com a natureza dessa vida, não haverá motivo para se surpreender por viver uma vida tão corrompida e pecaminosa, porque é isso que ela é.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, Deus nos deu uma nova vida. É a vida incriada de Deus. É a vida de Cristo. Ela foi demonstrada nesta terra. Que tipo de vida é essa?

    Tão pura, tão santa, tão justa, tão amorosa, cheia de luz — sem treva alguma.

    Queridos irmãos e irmãs, essa é a natureza dessa vida em vocês. O que vocês precisam fazer é cultivar essa vida e seguir sua natureza.

    Quando você se depara com um problema, essa vida dentro de você — o Espírito Santo, que habita em você — lhe dirá em que direção seguir. Se seguir nessa direção, sentirá paz e vida dentro de si. Se for contra essa direção, sentirá morte dentro de si — morte espiritual.

    Creio, irmãos e irmãs, que todos nós temos experiências assim. Quando nos deparamos com um problema, não sabemos o que fazer. Se seguirmos nossa vida natural, nossas preferências e aversões naturais, iremos por determinado caminho. Mas, de alguma forma, percebemos que há outra vida dentro de nós, uma vida limpa, santa e separada, que recua diante desse caminho.

    Se você persistir em seguir a vida natural, o que acontecerá? Essa é a diferença entre um cristão e um não cristão. Um cristão não deve pecar, mas pode pecar.

    Agora, suponha que você peque. Qual é a diferença entre você e um não cristão? Exteriormente, talvez não haja diferença. Mas, na realidade, há uma diferença. Quando um não cristão peca, há prazer nisso. Ele se sente à vontade. Sente que conquistou uma falsa glória.

    Mas, no caso de um cristão, se você pecar, se sentirá miserável. Por quê? A nova natureza dentro de você diz: “Isso é contrário à minha natureza”.

    Irmãos e irmãs, como crentes, quanto precisamos seguir a nova natureza dentro de nós! Se você desenvolver essa natureza, ela se tornará um hábito. Quando os hábitos se formam, o caráter começa a aparecer. A personalidade de Cristo é revelada e manifestada em sua vida.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, o discernimento espiritual é uma questão de vida. Não há atalho para o discernimento espiritual. Você precisa seguir a vida. Busque a vida eterna, como dizem as Escrituras. Siga a vida.

    O exercício dos sentidos espirituais

    Você precisa exercitar seus sentidos espirituais. Sabem, irmãos e irmãs, em Hebreus 5:14 lemos sobre isso: os bebês só podem tomar leite.

    O que é o leite? O leite é alimento previamente digerido. Um bebê não pode comer carne nem alimento sólido. Então, a mãe come carne e alimentos sólidos, digere-os e, depois de digeridos, eles se tornam leite para nutrir o bebê.

    Por que os bebês não conseguem consumir alimento sólido? Porque não têm prática nisso. Não foram exercitados.

    Mas, quando você cresce, consegue consumir alimento sólido porque tem prática. Você exercitou seus sentidos e, por tê-los exercitado, consegue consumir alimento sólido. Espiritualmente, acontece a mesma coisa.

    Precisamos de exercício. Vocês se lembram de que Paulo disse em 1 Timóteo 4:7-8:

    Exercita-te na piedade.

    Precisamos nos exercitar na piedade. O exercício físico, o exercício do corpo, tem pouco proveito. Há algum proveito. Especialmente os jovens precisam de exercício físico. Você não pode estudar o dia inteiro; precisa reservar tempo para se exercitar fisicamente. Isso faz bem ao seu corpo.

    Mas o exercício físico tem pouco proveito. Ele lhe proporciona um corpo saudável, só isso, e apenas por um tempo limitado — durante sua vida. Mas o exercício espiritual, o exercício na piedade, é proveitoso não apenas nesta era, mas também na era vindoura.

    A vida diária como treinamento espiritual

    Mas, irmãos e irmãs, nós nos exercitamos espiritualmente? O que é exercício espiritual?

    Sabem, nos tempos dos romanos, especialmente entre os gregos, o ideal de beleza era a beleza corporal. Por isso, enviavam seus filhos aos ginásios para desenvolver um corpo bem formado. Eles passavam por todo tipo de exercício sob a orientação de um instrutor, para desenvolver um corpo belo e harmonioso em todos os aspectos.

    Mas, como crentes, também precisamos ir ao ginásio. Nosso ginásio é o mundo — sua vida cotidiana, os acontecimentos e eventos de cada dia, as pessoas que você encontra, as coisas que enfrenta e as situações que surgem. Tudo isso são os aparelhos do ginásio, e estamos ali para nos exercitar.

    Estamos ali para exercitar nosso espírito sob a orientação de um Mestre, é claro. Fisicamente, se você quer se exercitar, precisa de um instrutor; caso contrário, pode se machucar. Espiritualmente, acontece a mesma coisa.

    Para nos exercitarmos espiritualmente, precisamos de um Mestre, de um Instrutor. Graças a Deus, Ele nos deu o Instrutor, o Espírito Santo. Ele é nosso Instrutor. Ele sabe exatamente de que precisamos para desenvolver nosso discernimento espiritual.

    Por isso, Ele nos coloca em todo tipo de circunstância. Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes dizemos que, para um crente, nada acontece por acaso. Deus ordenou os detalhes de nossa vida. O Espírito Santo dispôs cada circunstância para nós. Chamamos isso de disciplina do Espírito Santo.

    Aqui vemos que Ele dispõe todo tipo de circunstância e nos coloca nelas. Mas, nessas circunstâncias, Ele quer que exercitemos nosso espírito. Queridos irmãos e irmãs, quanto mais vocês exercitarem seu espírito, mais aguçado ele se tornará.

    O exercício da consciência

    Precisamos exercitar nossa consciência. A consciência de um cristão é muito importante.

    Sabem, no mundo, todos têm consciência. Esse é o último vestígio da função do espírito que ainda permanece. Graças a Deus por isso, porque, de outra forma, jamais seríamos salvos. Deus deixou um pequeno vestígio de consciência para que nosso coração possa ser tocado e nossa consciência possa ser sensibilizada.

    Mas, para o homem caído, a consciência não é o padrão, porque o padrão da consciência é Deus — não a cultura, não a história, não os costumes, não o ensino. É Deus.

    Portanto, a consciência de um descrente não é confiável. Uma pessoa pode até dizer: “Faço tudo de acordo com minha consciência”. Um canibal pode comer outra pessoa e sentir muito orgulho disso; isso nem sequer o incomoda.

    Mas, para um crente — irmãos e irmãs, especialmente os jovens —, no momento em que vocês são salvos, sua consciência é purificada por meio do coração, e Deus Se torna o padrão de sua consciência.

    O Espírito Santo fala com você por meio de sua consciência. Às vezes dizemos que a consciência é a voz de Deus. Precisamos aprender a ouvir a voz de nossa consciência.

    Muitas vezes, percebemos que há uma batalha. Seu raciocínio diz sim, mas sua consciência diz não. Ouça sua consciência. Você precisa exercitá-la.

    Quando sua consciência for sensibilizada, quando for tocada, não a sufoque. Não a negligencie. Ouça-a. Preste atenção nela.

    Precisamos manter uma consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens. Isso é exercitar nosso sentido espiritual. Quando você exercita seu sentido espiritual, seu discernimento espiritual se torna mais aguçado.

    Em qualquer área na qual Deus esteja tratando com você, nessa área específica você se torna muito sensível. Sempre que algo acontece nessa área, você discerne imediatamente — não apenas em si mesmo, mas também em outras pessoas.

    Mas, nas áreas em que você negligenciou sua consciência, permanecerá em trevas, tanto em relação a si mesmo quanto em relação às outras pessoas. Não será capaz de perceber aquilo, porque não exercitou sua consciência para distinguir entre o bem e o mal.

    O exercício da intuição e da comunhão

    Precisamos exercitar nossa intuição. Esse é o conhecimento direto que vem de Deus. Deus fala diretamente conosco, ao nosso espírito. Não é uma informação que recolhemos de fora; é Deus falando diretamente.

    Precisamos exercitar nossa intuição. Precisamos exercitar nossa capacidade de comunhão — de ter comunhão com o Senhor. Quanto mais você tiver comunhão com o Senhor, mais aguçada será sua percepção.

    Exercitem-se, irmãos e irmãs. Há tanto que precisamos aprender. Na verdade, não apenas nosso espírito, mas todas as funções de nosso espírito precisam ser exercitadas. Quanto mais vocês as exercitarem, mais aguçadas elas se tornarão.

    O exercício da alma e do corpo

    Mas até nossa alma também precisa ser exercitada. Precisamos exercitar nossa vontade para que se submeta à vontade de Deus. Precisamos exercitar nossa mente para termos a mente de Cristo.

    Precisamos exercitar nossas emoções, para sermos libertos das emoções naturais e para que nossas emoções se tornem a expressão do amor de Deus, do amor de Cristo.

    É por isso que precisamos negar a nós mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor. Isso é exercício. É exercício na esfera da alma, e precisamos nos exercitar espiritualmente até mesmo na esfera física.

    Vocês se lembram de que Paulo disse em 1 Coríntios 9:27:

    Esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão.

    Não permitiremos que nosso corpo nos domine. O corpo tem suas próprias concupiscências e paixões. Precisamos controlá-lo e mantê-lo sob nosso domínio. Isso não é ascetismo — você não está maltratando seu corpo. Não, isso é disciplina.

    Não seremos controlados pelas paixões de nosso corpo, mas somos capazes de mantê-lo sob nosso domínio e de nos tornar servos da justiça de Deus. Esses são exercícios.

    Queridos irmãos e irmãs, os cristãos de hoje não estão se exercitando. Nem sequer sabemos como viver uma vida cristã. Todos vivemos exteriormente. Isso não é real.

    Uma vida cristã verdadeira é uma vida na qual os exercícios espirituais acontecem o tempo todo, sob a direção do Espírito de Deus, crescendo no conhecimento de Deus, conhecendo-O, ganhando Cristo e tendo nosso discernimento espiritual aumentado continuamente. Ele vem com a vida.

    A humildade no discernimento espiritual

    O discernimento espiritual é sagrado.

    Sabem, nas coisas espirituais, por um lado há glória, mas, por outro, há muito perigo.

    O discernimento espiritual é algo glorioso, porque você consegue discernir e saber o que é certo e o que é errado; conhecer a vontade de Deus e a opinião do homem; saber o que vem de você mesmo e o que vem de Deus; o que é da alma e o que é do espírito; o que é do mundo e o que é de Deus. Quero dizer, é glorioso.

    Mas é muito perigoso. O discernimento espiritual, se não for exercido com humildade, é algo extremamente perigoso.

    O discernimento espiritual precisa ser acompanhado de humildade. Na verdade, o discernimento espiritual é conhecimento de si mesmo. Você conhece a si mesmo.

    Irmãos e irmãs, vocês não podem conhecer a Deus se não conhecerem a si mesmos. Mas não conseguirão conhecer a si mesmos por conta própria. Nosso coração é enganoso acima de todas as coisas.

    O conhecimento de si mesmo vem por meio dos tratamentos de Deus, da disciplina, do exercício e do crescimento da vida. À medida que você cresce no Senhor, conhece mais a si mesmo. Percebe cada vez mais o quanto é miserável, perverso e destituído de qualquer bem em si mesmo.

    Isso lhe dá o conhecimento de si mesmo e, com esse conhecimento, você conhece a Deus — o quanto Ele é bom, perfeito e glorioso.

    Mas, infelizmente, vocês perceberão que, se o discernimento espiritual se desenvolver e vocês chegarem a determinado ponto, poderão começar a se orgulhar de seu discernimento espiritual, porque conseguem ver o que os outros não veem.

    Quando o orgulho começa a entrar em sua vida, irmãos e irmãs, isso é uma queda. Você entra no engano, e esse engano é o mais tenebroso de todos.

    Você se torna orgulhoso, crítico e duro. Está totalmente enganado. Pensa que está sempre certo. Pensa que sempre enxerga corretamente e, porque enxerga, não consegue suportar as outras pessoas.

    Esse é o risco, o perigo, do discernimento espiritual. Portanto, o discernimento espiritual precisa ser acompanhado de humildade.

    Na verdade, ele deveria humilhar você, porque, se consegue discernir, vê o quanto é mau, o quanto é perverso e o quanto não é nada. Tudo é graça de Deus, até mesmo o fato de você existir.

    Tudo é graça, graça, graça. Isso deveria humilhar você. Não deveria envaidecê-lo. Mas, infelizmente, é assim que somos, e caímos em profundo engano.

    A finalidade do discernimento espiritual

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, há uma advertência aqui. O discernimento espiritual não é para nos vangloriarmos. Não é para criticarmos.

    É para sua maturidade espiritual e para seu ministério espiritual. Com discernimento espiritual, você consegue ministrar a seus irmãos e irmãs, porque sabe do que precisam e sabe em que ponto estão.

    Você não é enganado pela aparência exterior. Você toca o espírito das pessoas; percebe o que está no interior e consegue ajudar onde outras pessoas não conseguem. Essa é a utilidade do discernimento espiritual.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, busquem o discernimento espiritual. Mas lembrem-se: exerçam-no sempre com amor e humildade.

    Oração

    Senhor, há algo que Tu desejas dar ao Teu povo, algo de que precisamos desesperadamente e que é importante para nós mesmos e para a maturidade da igreja.

    Senhor, nós realmente oramos: se essa é a Tua vontade, nós o queremos. Mas o queremos para Ti, não para nós mesmos. Oh, conserva-nos sempre em humildade e em amor. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.