Bom dia, irmãos.
Bom dia, senhora.
É um pouco intimidante ter meus dois genros sentados bem ali.
Vou pedir que abram, por favor, no livro de Cânticos de Salomão.
Ao nos aproximarmos do estudo da Palavra de Deus, nos aproximamos para contemplar Sua preciosa verdade. Lembro a mim mesmo, e lembro novamente a vocês, aquele princípio do estudo bíblico que é absolutamente indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Louvamos a Deus por todo o estudo acadêmico, e precisamos dele. Precisamos fazer a parte humana. Precisamos examinar o livro como um livro. Mas, então, precisamos nos achegar ao Senhor e dizer: “Agora, faze raiar Cristo sobre nós. Precisamos ver a Ti”.
Não há estudo, trabalho, pesquisa ou esforço acadêmico que jamais possa desvendar Cristo. Somente Deus pode revelar Deus.
Gostaria de compartilhar, nesta manhã, o versículo indispensável, tirado do próprio livro. Se vocês derem uma olhada — está um pouco fora do contexto de Cânticos, mas contém um princípio —, olhem Cânticos 5:2.
Eu dormia,
Mas o meu coração velava.
Uma voz! O meu Amado estava batendo:
“Abre-Me, Minha irmã, Minha querida,
Minha pomba, Minha perfeita!
Porque a Minha cabeça está coberta de orvalho,
E os Meus cabelos, da umidade da noite”.
Minha oração nesta manhã, como vocês testemunharam em oração e em cântico, é que o coração de vocês esteja desperto. O Noivo está à porta. Eis uma voz! O Noivo estava batendo.
Quando pensamos em uma voz, pensamos em palavras. E posso sugerir uma coisa? Aqui temos a voz de Deus: a Bíblia. Essa é a Sua voz. E creio que vocês verão que isso se confirma no conjunto das Escrituras: toda vez que Ele fala, Ele bate à porta.
Eis uma voz! O Noivo está batendo. E, toda vez que Ele fala, procura entrar. Ele busca entrar. Deseja ter união conosco.
Assim, enquanto nosso coração está desperto, enquanto o Noivo fala e bate à porta, minha oração — e vamos orar juntos — é que tenhamos o coração aberto, receptivo, e O convidemos a entrar para realizar tudo o que Lhe agrada.
Pai, mais uma vez, agradecemos a Ti porque tens sido tão fiel em falar, em bater à porta, em vir repetidas vezes à porta do nosso coração, buscando entrar, buscando ter para Ti aquela a quem chamaste de Tua pomba, Tua querida, Tua perfeita e Tua única.
Senhor, ficamos maravilhados com a maneira como avalias a Tua noiva, mas louvamos a Ti. Pedimos que nos concedas a graça de abrir bem a porta nesta manhã, enquanto falas, enquanto bates. Pedimos isso no nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que tudo pode. Amém.
Quero fazer apenas uma breve revisão do que vimos ontem à noite. Vejo alguns irmãos que não estavam aqui.
Deixem-me fazer aquilo que tentei fazer ontem à noite, com a ajuda de Deus. Tentei colocar diante de vocês, pelo menos, o encargo que está em meu coração; e estou bastante convencido de que esse também é o encargo que está no coração do Senhor ao revelar a Si mesmo neste maravilhoso livro de Cânticos de Salomão.
Ontem à noite, chamei a atenção — e vou apenas mencioná-las novamente — para quatro observações gerais sobre o livro como um todo, para que estejamos todos na mesma página e seguindo na mesma direção.
Minha primeira observação foi esta: Cânticos de Salomão é o registro de uma história de amor em dois mundos — o amor humano ilustrando o amor celestial.
Como vocês sabem, nossa ênfase neste fim de semana estará nas coisas do alto. Estará no aspecto celestial. Queremos olhar para o Noivo enquanto Ele atrai a noiva, e para a noiva enquanto ela responde à atração do Noivo, e assim por diante. Mas essa é a mensagem de Cânticos: é uma história de amor.
E não basta dizer: “O Noivo me ama”. Isso é verdade, mas não basta. Não vai longe o suficiente. Ele está apaixonado por você. É disso que trata este livro. O Noivo está apaixonado por Sua noiva, e essa é uma história de amor em dois níveis.
Agora, em minha própria Bíblia, quando abro Cânticos, não vejo Cânticos 1:1 como o primeiro versículo. Coloquei Oseias 6:3 como o primeiro versículo de Cânticos. Eis a razão:
Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.
Para mim, isso resume o livro. É especialmente apropriado porque o livro de Oseias e o livro de Cânticos de Salomão deveriam ser estudados como livros irmãos. Deveriam ser estudados juntos, porque a mensagem é a mesma.
Cânticos apresenta essa mensagem pelo lado positivo. Oseias apresenta a mesma verdade pelo lado negativo. Cânticos nos mostra como o coração de Deus se alegra quando respondemos como Sua noiva. Oseias mostra o amor de Deus com o coração partido quando não respondemos. Mas é a mesma mensagem, apenas vista de outra maneira.
Oseias 6:3 diz:
Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.
Essa palavra, conhecer, em Oseias, é usada como em Gênesis 4:1:
E Adão conheceu Eva, sua mulher; e ela concebeu.
Está falando das intimidades do vínculo matrimonial, das intimidades do relacionamento. Mateus 1:25 diz:
E não a conheceu até que deu à luz seu Filho primogênito.
Portanto, essa palavra, conhecer, é muito preciosa. Fala dessa intimidade do vínculo matrimonial. Cânticos é uma história de amor em dois mundos, na qual devemos conhecer e prosseguir em conhecer, com todas as intimidades que essa união sugere. Conhecer; prosseguir em conhecer o Senhor.
A segunda observação é esta: Cânticos nos apresenta o ápice da experiência redentora. É o ápice porque nos leva tão longe quanto podemos ir neste mundo.
É claro que está em forma de semente. Está na linguagem da poesia. Está um tanto velado, mas está tudo ali. É redentora porque se trata de uma união espiritual, uma união de fé. E é uma experiência.
Chamamos a atenção para isso ontem à noite. Não é apenas algo teórico. Não é apenas algo teológico. Não é apenas sustentar alguma verdade sobre nossa posição em Cristo. Ele deseja uma união efetiva, real, vital, viva com Ele. Esse é o Seu coração.
A terceira impressão geral dizia respeito às muitas aparições do Noivo. Ao percorrer Cânticos, vemos que Ele continua vindo. Depois vem outra vez, e outra vez. Neste livro, Ele está sempre vindo.
Repetidamente, Ele vem. Então a noiva se vira, e Ele já não está. Depois Ele vem novamente, desaparece e volta outra vez. Às vezes, vem sem ter ido embora. Ele simplesmente continua vindo, vindo e vindo.
Cada vinda, penso eu — é o que percebo —, é mais pessoal e mais íntima do que a anterior. Esse é o progresso neste livro.
Toda vez que Ele aparece, algo acontece. Algo acontece na vida da noiva. Esse também é o progresso na sua vida e na minha. Toda vez que Ele aparece, algo acontece. É disso que trata a vida cristã.
Por fim, quando encerramos ontem à noite, eu estava destacando como este livro é pessoal. A história é contada de pessoa para pessoa: o Noivo e a noiva.
Isso não nega a verdade corporativa. Ela está presente em todo o livro. Ao percorrê-lo, vocês verão o corpo. Verão a igreja representada por muitas figuras: a casa de minha mãe, meus irmãos, minhas irmãs, os companheiros do noivo, as virgens, os pastores, as filhas de Jerusalém, as filhas de Sião, os guardas e os que cuidam da vinha.
Tudo isso fala da igreja em uma de suas formas. Mas o enfoque está no Noivo e na noiva. A história é contada como se houvesse apenas duas pessoas no livro.
Portanto, ao estudarmos o livro juntos, queremos olhá-lo dessa maneira. Louvado seja Deus, estamos todos aqui como um corpo, pois Deus trouxe vocês até aqui. Mas o assunto é você e Ele. É eu e Ele.
A única maneira de conduzir a igreja a essa experiência é você mesmo entrar nela. A única maneira de conduzir o corpo a ela é cada indivíduo entrar. É por isso que Cânticos 1:4 diz:
Atrai-me; correremos após Ti.
Às vezes, ficamos tão ocupados tentando levar todos a entrar que nós mesmos ainda não entramos. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Bem, essa é a revisão. Deixem-me apresentar o que penso ser o plano deste livro, e então começaremos a examinar algumas de suas preciosas verdades.
Agora, por favor, não deem importância demais ao esboço que vou compartilhar. Como disse ontem à noite, a maneira mais garantida de matar um poema de amor é tentar fazer um esboço dele.
Dizem que uma boa carta de amor é aquela em que você não sabe o que vai dizer antes de começar a escrever e, depois de escrevê-la, não sabe o que disse. Essa é uma boa carta de amor.
Bem, quando vocês olham para Cânticos de Salomão, sabem que estou, de certa forma, estragando o livro ao fazer um esboço dele. Ainda assim, penso que isso é importante, para que possamos acompanhá-lo juntos.
Quero que observem, em primeiro lugar, Cânticos 1:2. O poema começa em um nível elevado — muito elevado:
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca!
Porque o Teu amor é melhor do que o vinho.
Creio que, em outras ocasiões em que estivemos juntos, sugeri como tem sido proveitoso para mim ter um versículo do ano e um livro do ano. Qualquer motivo serve para entrar na Palavra.
Tenho achado isso muito útil. Peço ao Senhor que me dê um versículo para o ano, e esse versículo me acompanha. Então estudo aquele livro. Na verdade, minha esposa e eu compartilhamos nosso livro do ano. Escolhemos o livro juntos e, durante o ano, o estudamos.
Bem, neste ano, meu versículo do ano está bem aqui, em Cânticos 1:2, e meu livro do ano é Cânticos de Salomão. Portanto, esta conferência chegou um pouco cedo. Deveríamos ter nos reunido no fim do ano, depois de o Senhor ter feito raiar um pouco mais de luz em meu coração.
Mas vocês chegaram apenas ao segundo versículo, e já encontram este desejo expresso:
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca!
Porque o Teu amor é melhor do que o vinho.
Agora, o vinho representa o livro de Eclesiastes. É por isso. É a alegria que a terra oferece — a alegria que deixa ressaca. A alegria natural.
É por isso que ele é colocado em contraste com o Espírito de Deus. É por isso que lemos em Efésios 5:18:
E não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.
Deus coloca uma coisa em oposição à outra. Para essa noiva, o vinho do mundo já se mostrou vaidade.
O Teu amor é melhor do que o vinho.
É aí que o livro começa.
O beijo é, quase universalmente, o símbolo da afeição. A Sua boca — sabem, quem dá essa expressão de amor e afeição? Aqui, “beijos” está no plural. Não está no singular: beijos, não um só; muitos beijos da Sua boca.
“Que Ele me beije” — a versão King James diz: “Deixa que Ele me beije”. É um suspiro. É um desejo. É um anseio.
Assim, quando vocês chegaram apenas ao segundo versículo, o livro já se abre com esse conceito: o desejo da noiva. Ela já provou o vinho do mundo. Rejeitou o vinho do mundo. Abraçou o amor de seu Noivo.
Agora, seu suspiro é que Ele Se expresse repetidas vezes e continue mostrando quanto a ama. É assim que o livro começa. Foi por isso que escolhi esse como meu versículo do ano.
Essa é minha oração para este ano: que meu Noivo celestial, Aquele que ama minha alma, expresse continuamente Seu amor por mim ao longo do ano — não uma única vez, mas com os beijos da Sua boca.
Pois descobri que o vinho deste mundo é vaidade de vaidades, e estou começando a descobrir que o Seu amor é um Cântico dos Cânticos. Essa é minha oração para este ano.
Chamo a atenção para isso porque vocês não pensariam que Cânticos 1:2 deveria ser Cânticos 8:14? Esse é o último versículo. É esse o meu ponto.
Vocês não acham que uma paixão assim, um desejo assim — encontrar alguém que olhou para o vinho deste mundo e disse não, olhou para o Senhor e Seu amor e disse sim, e desejou apenas que Ele continuasse expressando Seu amor por ela — seria um grande objetivo para este livro?
Seria um belo lugar para chegar. Mas não é o objetivo. É o ponto de partida.
Se vocês participassem de uma semana de reuniões especiais sobre esse precioso livro e o amável Senhor Jesus, e depois eu conversasse com vocês e perguntasse: “Qual foi o resultado?”, e vocês dissessem: “Que conferência tivemos!”
“Muitos do povo de Deus viram a vaidade deste mundo e o vinho deste mundo, e os rejeitaram. Viram o amor do Senhor Jesus e o abraçaram. Agora o coração deles anseia. Desejam cada vez mais que Ele Se expresse a eles repetidamente, com o passar do tempo.”
Eu diria: “Que lugar glorioso para chegar! Que objetivo glorioso! Vocês tiveram uma conferência maravilhosa”.
Mas isso não é Cânticos de Salomão. Não é aí que o livro termina. Irmãos, é aí que ele começa.
Vocês chegaram apenas ao segundo versículo, e já têm essa noiva que rejeitou este mundo, abraçou o Noivo e deseja que Ele expresse Seu amor.
Este livro não trata de levar as pessoas a buscar o Senhor. Não trata disso. Trata do progresso daqueles que já O estão buscando.
Vocês precisam observar isso. É isso que quero dizer quando afirmo que este poema começa em um nível elevado.
Quando vocês abrem as páginas deste maravilhoso livro, não veem um pobre pecador precisando de um glorioso Salvador. Parece que isso já foi resolvido quando o livro começa.
Vocês não veem neste livro alguém que se afastou do Senhor e precisa de restauração. Ela já está desejando Cristo. Não se trata de um cristão mundano que precisa ser liberto do vinho deste mundo. Ela já provou ambos e escolheu um.
Ela rejeitou este mundo. Escolheu seu Noivo. O livro começa nesse nível elevado e, a partir daí, avança.
Alguém orou nesta manhã e mencionou a unção. Somente Deus pode ensinar este livro. Vou compartilhar alguns pequenos pensamentos, mas somente o Senhor pode comunicar isso.
Estamos em um nível elevado. Não há pontos baixos neste livro; há apenas alturas menos elevadas. Ele vai de montanha em montanha, de montanha em montanha. É glorioso, e somente Deus pode comunicar isso.
Ele começa com aqueles que desejam Cristo, e somente Cristo. É por isso que o chamamos de ápice da experiência redentora. Começa com alguém que busca, e então Deus mostra como fará essa pessoa avançar.
Não é um progresso que conduz a um coração que busca. É um progresso que começa a partir de um coração que busca.
Para onde se vai a partir daqui? Como Deus Se manifesta e atrai para uma união mais íntima alguém que começou no segundo versículo? Bem, que Deus nos ajude; é isso que queremos examinar.
Agora, pelo que entendo, com a luz que tenho atualmente, há certos estágios nesse progresso. Os movimentos deste livro giram em torno destas três passagens. Creio que vocês já receberam esses versículos, mas deixem-me examiná-los com vocês.
Cânticos 2:16-17:
O meu Amado é meu, e eu sou dEle;
Ele apascenta o Seu rebanho entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras,
Volta, Amado meu, e faze-Te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados
Sobre os montes de Beter.
O que quero que observem, especialmente no versículo 16, é a ênfase. A ênfase está no interesse dela por Ele. Ah, sim, o interesse dEle por ela também é mencionado, mas a ênfase é esta: “Ele é meu”.
“Ele é meu. Ah, sim, eu também sou dEle, mas Ele é meu.” Seria de esperar que o primeiro estágio estivesse cheio de: “Deixe-me falar sobre meu Salvador pessoal”. Esse é o primeiro estágio. Esse é o começo. Ele é meu — meu interesse por Ele.
O segundo versículo é Cânticos 6:3:
Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu;
Ele apascenta o Seu rebanho entre os lírios.
Vocês perceberam que ela inverteu a ordem? Perceberam que ela virou a frase? Agora é o interesse dEle por ela.
Ela não diz: “Ele é meu e, ah, sim, eu também sou dEle”. Agora diz: “Eu sou dEle, e Ele ainda é meu”. Mas a ênfase agora está no interesse dEle por ela.
Então, o movimento final está em Cânticos 7:10:
Eu sou do meu Amado,
E o Seu desejo é por mim.
Desta vez, ela abandona completamente a ênfase em seu interesse por Ele. Tudo o que ocupa seu coração e suas afeições é isto: “Eu sou dEle. Eu sou dEle”.
A outra afirmação continua sendo verdadeira, mas já não é o centro de sua vida. Ela começa com: “Ele é meu; eu sou dEle”. À medida que avança, diz: “Eu sou dEle; e Ele é meu”. Quando o livro chega ao fim: “Eu sou dEle, e todo o Seu desejo é por mim”.
Estou sugerindo que há um progresso: passar do meu interesse por Ele para o interesse dEle por mim.
O irmão Stephen Kaung observou essas mesmas divisões em seu maravilhoso livro, que chamou de Os estágios do amor. Ele chama a primeira seção de “amor inicial”, a segunda de “amor crescente” e a terceira de “amor maduro”.
Mas teve o cuidado de não estabelecer divisões por capítulos e versículos. Não apresentou o esboço. Ele é mais sábio do que eu.
Vejam, algumas pessoas acham que eles só se casam no fim do livro. Dizem que a primeira parte trata de um namoro, depois de um noivado e, por fim, termina em casamento.
Tenho uma grande dificuldade com essa abordagem específica. Tenho dificuldade com a união e o relacionamento que eles têm, caso não estejam casados desde o início do livro. Isso simplesmente me incomoda.
Penso que se trata do testemunho de uma mulher que descreve os episódios de amor à medida que foi conhecendo seu noivo amado.
Agora, vou dar a vocês as divisões por capítulos e versículos que usaremos neste fim de semana. Depois deste fim de semana, façam-me um favor: joguem-nas fora e não contem a ninguém que fui eu quem as deu — especialmente ao Stephen.
Creio que esse primeiro estágio, essa experiência de quem busca, se encontra em Cânticos 1:2–3:5. Se vocês quiserem compreender o coração de Deus, sugiro que anotem esta palavra-chave: revelação. Revelação. Esse é o primeiro estágio.
Penso que a segunda experiência de quem verdadeiramente busca, enquanto passa do interesse dela por Ele para o interesse dEle por ela, se encontra em Cânticos 3:6–6:10. A palavra-chave é entrega — submissão.
Penso que o estágio culminante dessa experiência redentora — o ápice da união, quando tudo se concentra no interesse dEle por ela — vai de Cânticos 6:11 até o fim do livro. Desta vez, há duas palavras-chave: descanso e fruto.
Com a luz que tenho atualmente, essa é minha compreensão do progresso. Penso que Deus conduzirá aquele que verdadeiramente busca, aquele que deseja que Ele Se expresse e Se revele, da revelação, passando pela entrega, ao descanso e ao fruto.
Logo no início do livro, há o desejo expresso não apenas de que Cristo Se manifeste repetidamente, mas a noiva, desde o começo, também percebe sua necessidade de ser atraída para essa união.
Cânticos 1:4:
Atrai-me.
Ela quer avançar nEle. Quer que Ele expresse Seu amor. Quer experimentar intimidade. Mas tem o bom senso de saber que isso não acontecerá a menos que Ele a atraia.
Atrai-me; correremos após Ti.
Isso faz parte da descoberta acerca de nosso coração caído: precisamos ser atraídos. É uma verdade extraordinária da Bíblia, irmãos, que precisamos ser contidos para não pecar e atraídos para a união com Cristo.
De que somos feitos? Somos pó — tão frágeis que precisamos ser impedidos de pecar e, para conhecer o Senhor, precisamos ser atraídos a isso. O que isso nos diz sobre quem somos?
Oseias 11:4 diz:
Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor.
Jeremias 31:3 diz:
Com amor eterno te amei;
Por isso, com benignidade te atraí.
João 6:44 diz:
Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o atrair.
Salmos 110:3 diz:
O Teu povo se oferece voluntariamente
No dia do Teu poder.
Exatamente. A noiva quer ser atraída ao Noivo. Ela avança de altura em altura, de um topo de montanha a outro, porque Ele a está atraindo. Ele ouviu sua oração: “Beija-me com os beijos da Tua boca. Que Ele me beije. Atrai-me, e correremos”.
Ele começa a fazer isso ao longo de todos esses estágios. O poder para buscar o Senhor, por mais que eu ame o estudo bíblico, não vem do estudo da Bíblia.
O poder para buscar o Senhor, por mais que eu ame cantar e participe disso, não é gerado por cânticos de adoração. Louvado seja Deus pelos cânticos de adoração, mas não é isso que atrai você.
O poder para buscar o Senhor não é criado por estarmos envolvidos no ministério ou em algum serviço ao Senhor. Não é porque Deus, em Sua graça, nos conduziu a uma boa comunhão. Não é isso que nos atrai ao Senhor.
Somente Ele pode nos atrair a Si mesmo. É uma Pessoa.
Ao ler o livro, uma coisa chama a atenção. Eu estava conversando sobre isso com Bill nesta manhã — uma coisa extraordinária.
Se eu não soubesse — falo como um insensato —, se simplesmente lesse o livro, diria: “Sei quem escreveu isso: a noiva”. Parece que foi ela quem escreveu. Ela fala de suas experiências: “Eu estava na cama. Eu O estava procurando. Fui até aqui. Pedi a eles: ‘Ajudem-me’”. É tudo o testemunho dela.
Parece que o texto foi escrito pela noiva. Mas lembrem-se: a noiva não escreveu este livro. O noivo escreveu o livro. Salomão escreveu o livro — o rei Salomão.
Este não é um livro que diz: “Vejam como eu O vi e o que encontrei”. É um livro sobre: “Vejam como Eu a atraí”. Ele escreveu o livro, e o assunto é como, em Seu relacionamento com ela, Ele a atraiu para essas experiências íntimas com Ele.
Isso é mais fácil de compreender no plano celestial. Digo que meu Noivo celestial me atraiu. Eu canto o cântico, mas Ele escreveu o cântico.
Mas, como eu disse, é uma história de amor em dois mundos. Vocês percebem, especialmente vocês, homens casados, a tremenda responsabilidade que Deus lhes deu ao refletirem a Ele em sua união com sua esposa?
Irmãos, vocês estão escrevendo o cântico dela. Seu relacionamento com ela será o cântico que ela cantará.
Que Deus nos ajude a ser como Jesus ao escrevermos o cântico que nossas esposas terão de cantar. É uma história de amor nos dois níveis.
Ele a atrai e continua a atraí-la, assim como devemos continuar atraindo nossas próprias companheiras de vida.
Vamos começar. Que Deus nos ajude, por favor.
Mais uma vez, vamos examinar isso segundo o esboço: Cânticos 1:2–3:5. Sugiro que a palavra-chave, ou uma das principais palavras desta seção, seja revelação.
Quando começo onde a noiva começou — quando, em minha vida, começo onde o livro de Cânticos começa —, oro para que Ele me atraia à união com Ele mesmo. Já vi a vaidade deste mundo, já abracei Cristo e agora desejo simplesmente conhecê-Lo e conhecer Seu amor: “Atrai-me para essa união, Senhor”.
A partir desse momento, é assim que tudo começa: Ele começa a abrir nossos olhos.
Esse primeiro estágio é marcado, em toda parte, pela revelação. Em cada experiência, a cada passo dessa descoberta dEle, Ele está respondendo à oração dela: “Beija-me com os beijos dos Teus lábios”. Toda vez que Ele a beija, os olhos dela se abrem mais, mais e mais. Cada beijo é uma nova revelação.
Ela vê coisas pela primeira vez. Quando você começa a buscar o Senhor, Ele abre seus olhos. Você O deseja, Ele começa a beijar você, e você vê coisas.
Agora, no primeiro estágio, não quero culpar a noiva e simplesmente dizer: “Isso tudo é apenas teoria e doutrina”. Mas, em certo sentido, ela está vendo tanta coisa no primeiro estágio e, claramente — creio que posso mostrar isso a vocês —, não está entrando nessa experiência. Mas ela vê.
Se vocês se sentassem com a noiva e dissessem: “Vamos conversar”, veriam que ela tem muita luz. Quando chegamos ao fim do primeiro estágio, ela poderia lhes contar coisas maravilhosas. Então vocês olham para a vida dela, coçam a cabeça e dizem: “Você sabe tanto. Mas ainda não entrou nisso”.
Portanto, queremos observar um pouco o que acontece quando Ele a beija.
Agora, não quero que vocês pensem que o primeiro estágio — Cânticos 1:2–3:5 — acontece de repente, de uma vez: “Agora vou mencionar dez coisas. Os olhos dela se abrem, e ela vê isto, isto, isto e isto”.
Não vou tentar desenvolver tudo. Vou apenas percorrer o assunto, mais ou menos como o livro faz. Mas não quero que vocês pensem que isso acontece tudo de uma vez.
Não se esqueçam: isso foi escrito depois dos acontecimentos. Ela está olhando para trás — ou o noivo agora escreveu esse cântico: foi assim que ela avançou. Entre a primeira revelação, quando os olhos dela se abriram e ela viu uma coisa, e a segunda revelação, quando viu outra, pode haver muito tempo.
Na verdade, ao percorrer isso, senti-me profundamente confrontado, porque há coisas que ela viu no primeiro estágio — conheço o Senhor há quarenta e seis anos, e só agora estou começando a ver algumas das coisas que ela viu no primeiro estágio.
Deus está escrevendo a Bíblia e nos dá esse ápice da redenção. Em forma de semente, Ele nos dá a história inteira. Mas não aconteceu tudo de uma vez; foi pouco a pouco, à medida que Ele pôde me atrair.
“Correrei após Ti. Beija-me com os beijos da Tua boca.” Ele a beija, e os olhos dela se abrem bem. Então, vamos examinar algumas dessas revelações.
A primeira revelação está no versículo 4. Aliás, também penso que elas estão na ordem em que acontecem em sua vida. Vamos mencionar dez coisas, ou algo assim. Talvez alguns identifiquem mais ou menos, agrupando-as ou separando-as. Penso que acontecem dessa maneira. Penso que essa é a ordem de Deus. Bem, vocês decidam.
Cânticos 1:4:
Atrai-me; correremos após Ti:
O Rei me introduziu nas Suas câmaras.
Você diz: “É uma história de amor. Ele é o Noivo celestial. Ele me ama. Está apaixonado por mim. Meu desejo é que Ele me introduza nessa união, para que eu conheça esse amor”.
Mas não começa aí. Quando vocês chegam ao fim do livro, Ele é o Amado. Mas, no início do livro, primeiro Ele precisa ser o Senhor. Primeiro Senhor, depois Amado.
Portanto, ela O vê como Rei. Essa é sua primeira revelação:
O Rei me introduziu nas Suas câmaras.
Esse é o primeiro beijo. Seus olhos se abrem e, de repente, Ele é o Rei.
Penso que muitos cristãos têm tentado conhecer o Senhor como Aquele que os ama, mas ainda não O conheceram como Senhor. Ainda não entraram nas câmaras do Rei. É aí que tudo precisa começar.
Enquanto não O conhecermos como Rei, Soberano, Senhor e Mestre, não poderemos avançar.
Vocês se alegram, irmãos, por Ele os ter atraído — não forçado, mas atraído — às câmaras do Rei? Vocês se lembram de cantar esse cântico, quando O desejaram e Ele os beijou, e, em amor, vocês viram Quem Ele era? É aí que tudo começa.
O Rei me introduziu nas Suas câmaras, e então ela acrescenta:
Em Ti nos regozijaremos e nos alegraremos.
Nós lemos isso mais ou menos assim: “Lá, lá, lá, vamos nos alegrar em Ti”. A palavra hebraica é tremenda. Significa girar tomado por uma emoção intensa e dançar com puro deleite. Esse é o significado da palavra hebraica.
Ela O viu como Rei. Viu a si mesma em Suas câmaras e começou a girar, tomada por uma emoção intensa, e a dançar com puro deleite.
Quando o Senhor revela Sua realeza ao nosso coração, quando descobrimos que Ele não é Quem pensávamos que fosse, mas é Quem disse ser — Rei dos reis e Senhor dos senhores —, essa é a primeira revelação. Atraída, ela O vê como Senhor.
Há outra descoberta nesse primeiro estágio. Mais uma vez, ela acabou de ver que está nas câmaras do Rei. Mas, como vocês perceberão ao percorrer a história, ela ainda não experimentou isso plenamente. Agora, ela poderia conversar com vocês a respeito: “Vocês precisam conhecê-Lo como Senhor. Deus disse isso. Está resolvido”.
Segunda descoberta: ela não vê apenas a Ele. Cânticos 1:5-6:
Eu sou negra, porém formosa,
Ó filhas de Jerusalém,
Como as tendas de Quedar,
Como as cortinas de Salomão.
Não olheis para mim por eu ser negra.
É por Seu grande amor que Ele não permite que continuemos enganados. Primeiro, mostra-nos Quem Ele é. Vocês sabem aonde estamos indo. Depois, mostra-nos quem nós somos.
Ela começou a ver a si mesma — as tendas de Quedar. Dizem-nos que eram feitas de pelo preto de cabra.
Uma coisa que observei: esse primeiro estágio do amor está cheio — e vocês verão isso ao percorrer a primeira seção — de comentários em que a noiva deprecia a si mesma.
Depois que vê a si mesma, ela continua se diminuindo. Compara sua própria experiência com aquilo que pensa que uma rainha deveria ser, e não acha que se encaixa.
Nesses estágios iniciais, ela continua tentando se tornar atraente para impressionar o Noivo. Tudo gira em torno das joias e dos perfumes. Continua tentando ficar bonita porque viu a si mesma e se sente feia.
Ela se sente indigna de estar unida ao Rei, e Ele a introduziu em Suas câmaras. Vejam, rainhas não têm mãos sujas. Rainhas tomam banhos de leite. Rainhas têm servos ao redor. Rainhas vivem uma vida de luxo e tranquilidade.
Ela sabe quem é e por onde passou. Trabalhou longas horas na vinha. Está morena por causa da exposição ao sol. Não sente que tenha o perfil de uma rainha.
Suas costas estão curvadas. Suas mãos estão calejadas. Sua pele está queimada. Não sente que tenha a delicadeza que uma rainha deveria ter.
Quando vocês leem sobre esse estágio, ela vê Quem Ele é e, então, vê quem ela é. Começa a se diminuir: “Quem sou eu? Não sou ninguém. Por que Ele me escolheu?”
Por exemplo, Cânticos 2:1:
Eu sou a rosa de Sarom,
O lírio dos vales.
Agora, sei que muitas pessoas entendem isso como palavras do Noivo: Ele é a Rosa de Sarom. Não sei se vocês conhecem este coro:
Doce Rosa de Sarom, florescendo para mim,
Jesus, uma imagem de Ti;
Bela Flor, a mais formosa que cresce,
Alegro-me por Te encontrar, doce Rosa de Sarom.
Há muitos coros que dizem que Cristo é a Rosa de Sarom: “Jesus, Rosa de Sarom, floresce em meu coração”, e assim por diante. Mas, ao ler isso, não tenho certeza de que seja uma referência ao Noivo.
Inclino-me a pensar que é a noiva falando de si mesma em termos depreciativos. Os comentaristas nos dizem que a rosa de Sarom não era uma rosa muito bonita dentro da família das rosas — um tanto simples entre elas, apenas uma rosa silvestre, uma flor do deserto.
Seria como eu dizer: “Sou apenas uma margarida — apenas um dente-de-leão”.
Então o Noivo fala em Cânticos 2:2:
Como o lírio entre os espinhos,
Assim é a Minha amada entre as donzelas.
Ela disse: “Sou apenas a rosa de Sarom”. Ele disse: “Não, não, não. Você é como um lírio entre os espinhos”.
O ponto é este: a noiva viu a si mesma. Agora, nesse estágio, não quero usar esta palavra, mas preciso: penso que isso é apenas doutrina. Penso que os olhos dela estão abertos, mas está tudo aqui, na cabeça.
Ela vê os dois lados. Vê a si mesma fora de Cristo: “Não sou digna. Sou feia. Não tenho o perfil de uma rainha. Não sou ninguém. Sou apenas uma pequena rosa de Sarom”.
“Ah, sim, sei que estou em Cristo, que fui aceita nEle e que tenho Sua justiça imputada.” Sabem, no versículo 5, ela disse: “Eu sou negra”, e então acrescenta: “porém formosa”.
“Sou como as tendas de Quedar.” Então acrescenta rapidamente: “Sou como as cortinas de Salomão”. Aqui, ela vê os dois lados, mas sua ênfase está no lado escuro. Vê a escuridão como seu ambiente. Essa é sua tenda. É ali que está vivendo nesse momento, mas ela viu ambos.
Primeiro, vemos a Ele:
Eu vi o Senhor assentado sobre um trono alto e sublime.
Então eu disse:
Ai de mim! Porque estou perdido.
Isaías, ao ver o Senhor, viu a si mesmo como um leproso em uma colônia de leprosos — lábios impuros no meio de um povo impuro.
Portanto, o primeiro passo: “Atrai-me, e correrei após Ti”. Ele começa a beijá-la. Beija-a uma vez; seus olhos se abrem: “Ele é o Rei. Ele me introduziu em Suas câmaras”.
Ele a beija novamente, e ela diz: “Ah, olhem para mim. Sou como as tendas de Quedar. Ah, sim, eu sei, também sou como as cortinas de Salomão. Sou escura — ah, sim, mas sou formosa”. Ela vê ambos, mas está enfatizando um deles.
Ele a beija novamente. A terceira descoberta é a revelação de quanto ela havia sido queimada por toda a sua atividade nas vinhas.
Vocês se lembram, irmãos, de quando começaram a buscar o Senhor e perceberam quanto haviam sido queimados por toda a atividade de trabalhar em todas as vinhas?
Cânticos 1:6:
O sol me queimou.
Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim;
Fizeram-me guarda das vinhas;
Mas a minha própria vinha não guardei.
Vejam Cânticos 1:7:
Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma,
Onde apascentas o Teu rebanho,
Onde o fazes repousar ao meio-dia:
Pois por que seria eu como uma que anda velada
Junto aos rebanhos dos Teus companheiros?
Disse a vocês na mensagem introdutória que há muitos crentes — a igreja está neste livro. Ele contém mais do que a noiva e o Noivo, mas trata da noiva e do Noivo.
Em Cânticos 1:6, eles são chamados de “os filhos de minha mãe”. Em Cânticos 1:7, são chamados de “os companheiros do Noivo”.
Quem são os companheiros do Noivo? Quem são os filhos da mãe dela? Os filhos de sua mãe seriam seus irmãos. É família. É família. Eles têm relação com o Noivo. São os companheiros do Noivo.
Se vocês lerem o versículo 7 com atenção, verão que há aqueles que são da família e têm rebanhos, mas não são o rebanho dEle. São os rebanhos deles — os rebanhos dos homens.
Ela esteve nos rebanhos dos companheiros. São irmãos. É família. Não são inimigos. São família. No entanto, esses irmãos têm falado com autoridade: “Vá trabalhar. Entre em atividade. Mantenha-se ocupada”.
Ela tem trabalhado nas vinhas — nas vinhas de todos os outros. Negligenciou a sua própria. Eles não compreenderam a união.
É quase chocante quando Ele beija você e seus olhos se abrem para isso. É quase chocante quando você começa a perceber que o lugar onde vinha pastando é tão seco.
O incentivo que tenho recebido de meus irmãos tem sido para sair e trabalhar, trabalhar e trabalhar na vinha de todo mundo. Tenho labutado debaixo do sol. Fui tão queimado por isso.
De repente, acontece algo que ela não percebia havia muito tempo. No versículo 7, ela clama: “Estou com fome”.
Estava tão ocupada trabalhando que nem sabia que estava com fome. “Estou cansada.” Estava tão ativa na vinha de todos os outros que nem sabia que precisava de descanso.
Então ela diz: “Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma, onde apascentas o Teu rebanho. Estou tão cansada de estar no rebanho errado. Onde alimentas o Teu rebanho? Onde fazes o Teu povo repousar ao meio-dia?”
“Estou com tanta fome. Estou tão cansada. Estou nos rebanhos dos companheiros há tanto tempo, e sob a autoridade dos irmãos há tanto tempo. Será que existe outro rebanho? Existe o Teu rebanho, onde Tu alimentas, onde eu poderia encontrar refrigério e descanso?”
Que revelação! Uma revelação chocante. Quando Deus beija você, você diz: “Ele é o Rei”. Quando Deus beija você novamente, você diz: “Quem sou eu?” Quando Deus beija você outra vez, você diz: “Sabe, fui realmente tão queimado enquanto me alimentava neste lugar deserto”.
Se estou levando a sério o avanço na união com o Senhor, penso que isso precisa acontecer. Essa é a ordem. Penso que Ele nos beija, nossos olhos começam a se abrir e vemos essas coisas.
Deixem-me mencionar a quarta revelação. “Atrai-me, e correremos após Ti. Beije-me Ele com os beijos da Sua boca.”
No primeiro beijo, ela vê Quem Ele é. No beijo seguinte, vê quem ela é. No próximo beijo, olha para trás e percebe: “Tenho feito tudo errado. Tenho estado no lugar errado. Estou com tanta fome. Estou tão cansada. Preciso de alimento. Preciso de descanso. Não estou encontrando isso aqui”.
Ela não apenas vê a inutilidade de todo aquele serviço nas vinhas à parte da união com Ele, mas agora seus olhos se abrem para o verdadeiro redil, para a verdadeira pastagem, o verdadeiro aprisco.
Agora, pela primeira vez, ela toma consciência do rebanho. Uma revelação muito importante. Havia experimentado o rebanho dos homens, e isso a deixara com tanta fome e tão cansada. Agora seu coração clama: “Onde está o verdadeiro rebanho?”
Em Cânticos 1:8, Ele responde:
Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres,
Sai pelas pisadas do rebanho,
E apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.
A versão King James diz:
Sai pelas pisadas do rebanho.
Apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.
“Queres dizer que existe outra pastagem? Queres dizer que existe outro redil? E existem pastores — não companheiros, mas pastores sob a autoridade do Supremo Pastor, que são verdadeiros pastores? Um rebanho que é o rebanho de Deus, não o rebanho dos homens?”
Sabem, eu lhes disse que o livro trata realmente de mim e Jesus, de vocês e Jesus. Embora seja apenas eu e Jesus, você e Jesus, preciso desta revelação: também somos nós. É o rebanho. É o corpo.
No dia da revelação, Deus abrirá seus olhos para ver o Seu rebanho, o Seu redil e os pastores que servem sob Sua autoridade — o lugar onde você pode encontrar alimento verdadeiro e descanso restaurador.
Você diz: “Estou tão cansado do redil dos companheiros. Estou cansado de me esgotar com a atividade nas vinhas. Estou cansado de ter fome. Estou cansado de não ter descanso. Para onde vou?”
A resposta dEle é tão bela. Ele disse: “Minhas ovelhas deixam pegadas. Siga-as”.
Encontre alguém que aprendeu a se alimentar e aprendeu a descansar. Essas pessoas deixam pegadas. Siga-as. Há um caminho. Se você seguir o caminho dessas ovelhas, chegará ao redil do Pastor.
Irmãos, louvado seja Deus pelos pioneiros — homens e mulheres de Deus que estavam à frente de sua geração, que foram atraídos para fora do deserto estéril do redil dos companheiros, que encontraram o caminho até o verdadeiro redil, até o Pastor. Sigam suas pegadas.
Vocês dizem: “Bem, quem são eles?” Ora, vocês sabem quem são. Sabem quem está satisfeito, quem está descansando e quem está unido em comunhão com o Senhor.
Alguns deles estão vivos e vivem entre nós. Sigam suas pegadas. Alguns já partiram, mas deixaram pegadas. Na verdade, deixaram suas marcas por escrito. Leiam seus livros.
Há aqueles que encontraram o caminho. Sigam as pegadas deles, e vocês encontrarão o rebanho dEle.
A noiva não foi orientada apenas a seguir as ovelhas; o versículo 8 diz: “Ao segui-las, certifique-se de levar os cabritos junto. Leve suas cabras. Não vá sozinha”.
Quando você começar a seguir as pegadas daqueles que encontraram o caminho até o Pastor, deixará suas próprias pegadas, e outros as seguirão enquanto você avança.
Deus abriu os olhos dela para o maravilhoso e verdadeiro rebanho de Deus — aqueles que eram cuidados por pastores piedosos sob a autoridade dEle, onde havia alimento e onde ela podia encontrar seu descanso.
Preciso vê-Lo como Rei. Preciso ver quem sou em Cristo e fora de Cristo. Preciso ver quanto fui queimado por toda a atividade nas vinhas, sob a autoridade dos homens, no redil dos companheiros.
Preciso ter meus olhos abertos para ver que existe uma verdadeira comunhão de crentes. Deus me guiará ao verdadeiro rebanho enquanto eu seguir as ovelhas bem alimentadas — aquelas que provaram, aquelas que foram adiante.
Deixem-me apresentar mais uma revelação, e então retomaremos as outras hoje à noite. Talvez nunca saiamos do primeiro estágio.
Cânticos 2:8. Mais uma vez, quero que vocês percebam: seria de pensar que tudo isso já aconteceu na vida dela. Mas não aconteceu. Ela tem tudo isso apenas por revelação. Ela se sentará e conversará com vocês a respeito. Tem todas as palavras. Mas, neste momento, isso não está em sua vida.
O que estou prestes a mostrar a vocês ainda não aconteceu. Ela apenas viu a possibilidade.
Cânticos 2:8-14:
A voz do meu Amado! Eis que Ele vem,
Saltando sobre os montes,
Pulando sobre as colinas.
O meu Amado é semelhante ao gamo ou ao filho dos veados:
Eis que está detrás da nossa parede;
Olha pelas janelas;
Mostra-Se pelas grades.O meu Amado falou e me disse:
Levanta-te, Minha amada, Minha formosa, e vem.
Porque eis que passou o inverno;
A chuva cessou e se foi;
As flores aparecem na terra;
Chegou o tempo do canto das aves,
E a voz da rola se ouve em nossa terra;
A figueira amadurece os seus figos verdes,
E as vinhas estão em flor;
Exalam o seu aroma.
Levanta-te, Minha amada, Minha formosa, e vem.Ó Minha pomba, que estás nas fendas das rochas,
No esconderijo das escarpas,
Mostra-Me o teu rosto,
Faze-Me ouvir a tua voz;
Porque a tua voz é doce,
E o teu rosto é formoso.
Qual é a quinta revelação?
Ele a beija, e ela O vê. Ele a beija novamente, e ela vê a si mesma. Ele a beija outra vez, e ela vê a inutilidade e a vaidade de um sistema de trabalho. Ele a beija novamente, e ela vê o Seu rebanho, Sua pastagem, Seus pastores. Bendita revelação.
Ele a beija outra vez, e ela vê uma tremenda liberdade — uma libertação — que Ele está lhe oferecendo, uma liberdade que nunca havia conhecido até que Ele, com um beijo, abriu seus olhos.
Se vocês querem uma imagem do Senhor em Sua liberdade, ela está aqui nos versículos 8 e 9: subindo os montes, saltando sobre as colinas, como uma gazela, um jovem cervo.
Não sei que imagem isso traz à mente de vocês, mas, para mim, é muito vívida. O Noivo é tão livre quanto se pode ser. Salta sobre os montes como um cervo. Está simplesmente brincando, dando saltos, pulando e correndo. É o Noivo.
Do ponto de vista dEle, não há montanhas entre Ele e ela. Ele simplesmente galopa sobre os montes como se não estivessem ali, entrando diretamente na vida dela.
Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície.
Com aclamações de “Graça, graça”, Ele está livre e vem correndo, saltando por montes e vales, sobre as montanhas. Não há dificuldade para Ele em saltar sobre a montanha mais alta. Ele mostra que está vindo em triunfo.
Então Ele vem saltando. Ela está olhando e O vê. Lá vem Ele saltando. Quando chega, onde ela está?
Cânticos 2:9:
Eis que está detrás da nossa parede;
Olha pelas janelas;
Mostra-Se pelas grades.
Que imagem! Lá está Ele, completamente livre, correndo como uma gazela, e ela está atrás da parede que ela mesma construiu. Está olhando para fora através de uma treliça.
Vocês sabem como a visão de alguém fica distorcida quando olhamos através de uma treliça. Já tentaram ter comunhão com alguém que está do outro lado da parede? Já tentaram chamar alguém através de uma janela fechada? Já tentaram contemplar alguém através de uma cerca de treliça?
Neste momento, ela tem essa visão do Senhor através da treliça — distorcida, incerta, vaga. Está olhando através disso e O vê. Ele está lá fora, correndo, desfrutando de tudo.
Então ela faz o que qualquer pessoa faria ao ver um Noivo tão glorioso: quer convidá-Lo para entrar em sua caixinha.
“Entra, Senhor. Tenho esperado por Ti.”
Mas Ele não entrará em sua caixinha. Em vez disso, faz uma proposta a ela. Cânticos 2:10:
Levanta-te, Minha amada, Minha formosa, e vem.
É hora de sair dessa caixinha.
Ele convida a noiva a deixar sua condição de inverno e correr livremente com Ele na glória da primavera — a dançar com Ele sobre os montes, sair correndo e vê-Lo sem nada obstruindo a visão.
Essa é uma revelação extraordinária: Deus não planejou que ficássemos nesse pequeno espaço fechado. Ele quer nos libertar e nos deixar sair para correr com Ele.
Lembro-me daqueles primeiros dias, antes de Deus começar a abrir meus olhos com Seus beijos. Eu O tinha colocado em um esquema. Havia espremido a Ele dentro do meu pequeno sistema teológico.
Havia estudado as grandes declarações de fé e me certificado de que Deus se encaixava em todas elas. Sabia dogmaticamente em que cria, por que eu estava certo e por que todos os outros estavam errados.
Sabia tudo isso, mas não estava desfrutando dEle. Não O conhecia.
De alguma forma, você se sente seguro dentro da sua caixinha, dentro do seu pequeno espaço fechado.
Enquanto ela olhava através daquela treliça, o mundo onde Ele estava parecia tão radical, tão imprudente, tão amplo. Uma parte do coração diz: “Nossa, eu adoraria estar lá fora e correr livremente com Ele”.
Outra parte diz: “Não tenho certeza de que devo fazer isso. Isso não parece evangélico. Não parece tão ortodoxo”.
Então apertamos os olhos e olhamos através da treliça. O que Ele faz? Dá uma piscadela pela janela. Fica ali fora, tão livre. Diz: “Levanta-te, Minha querida. Vem comigo”. Então sai galopando, e ela fica na caixa.
Mas os olhos dela foram abertos, e ela viu a possibilidade. Ainda não entrou nela, mas viu a possibilidade de uma liberdade: Ele pode me tirar dessa visão através da treliça, desse pequeno espaço fechado, dessa visão estreita e limitada.
Ele está começando a responder à oração dela: “Beija-me com os beijos da Tua boca. Atrai-me, e correremos após Ti”.
Ele a beija, e os olhos dela se abrem. Ele a beija, e ela vê a si mesma. Ele a beija, e ela vê a inutilidade do sistema de trabalho. Ele a beija novamente, e ela vê o verdadeiro rebanho — aqueles que estão sendo alimentados e cuidados pelos pastores que servem sob a autoridade de Deus.
Ele a beija outra vez, e ela vê que existe uma liberdade possível se correr com Ele.
Como Ele é gracioso, volta galopando, desce do cavalo, começa a andar pela rua, e ela fica toda entusiasmada. Sai e O agarra.
Vamos encerrar com isto. Cânticos 3:4. É assim que a seção termina:
Apenas passei por eles,
Encontrei Aquele a Quem ama a minha alma:
Agarrei-me a Ele, e não O deixei ir.
A noiva está agarrada ao Noivo. Vocês dizem: “Isso é bom. Finalmente, ela aprendeu a se agarrar a Ele”. Não, isso não é bom — não é o fim do livro.
Ela não está agarrada a Ele no fim do livro. No fim do livro, está apoiada em seu Amado, subindo do deserto. Apoiar-se é melhor do que se agarrar.
Mas agora ela está agarrada a Ele. Sabem por quê? Porque esse é o primeiro estágio. É o interesse dela por Ele.
Nosso relacionamento, nossa união, depende da força com que eu O seguro. Ela está agarrada porque pensa: “Se eu soltar, Ele vai embora”.
Ela ainda não compreende o amor dEle. Está começando a ver. Ele está começando a abrir seus olhos. Ela terá de entrar em toda essa revelação. Mas primeiro Ele permite que ela veja — uma coisa após a outra.
Mal tocamos nesse assunto. Há outras coisas para as quais Deus abrirá os olhos dela, e que ela verá pela primeira vez: “Vejo que Ele é o Senhor. Vejo quem sou. Vejo que as obras não serão suficientes. Vejo a verdadeira igreja. Vejo os verdadeiros pastores de Deus. Posso ser alimentada ali. Começo a ver a liberdade que está disponível”.
Enquanto Ele a atrai, primeiro é preciso ver; depois, Ele atrairá você para que entre nessa experiência.
Vamos inclinar a cabeça.
Pai, agradecemos a Ti por este maravilhoso cântico. É o nosso cântico, mas Tu o escreveste. Escreveste este cântico, e nós já o cantamos. Começamos a ver essas coisas, e somos tão gratos porque nos atrais a Ti mesmo.
Ajuda-nos, enquanto continuamos a meditar neste precioso livro, para que verdadeiramente não apenas vejamos o que a noiva viu, mas continuemos a seguir até o fim — prosseguindo em conhecer o Senhor e todas as intimidades da união matrimonial.
Realizarás isso em nosso coração? Pedimos em nome de Jesus. Amém.