Por favor, abram em Romanos 12:1. Romanos 12:1.
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso serviço inteligente.
Que é o vosso serviço inteligente. Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, nós nos reunimos diante de Ti com o coração aberto a Ti. Pedimos que o Teu Espírito faça chegar a Tua Palavra, a Tua verdade, ao nosso coração. Querido Senhor, pedimos que a Tua Palavra ocupe o lugar que lhe é devido em nossa vida, para que sejamos aqueles que verdadeiramente servem ao único Deus vivo.
Entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando no Teu Espírito Santo. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
No encontro anterior, compartilhamos sobre esta questão da adoração. Mas não se pode falar de adoração sem falar também de serviço, porque, na Palavra de Deus, adoração e serviço estão sempre juntos. Podem ser distinguidos, mas não podem ser separados.
Então, nesta manhã, gostaríamos de continuar tratando da adoração juntamente com o serviço. Vocês se lembram de quando Deus enviou Moisés ao Egito. Ele falou a Faraó por intermédio de Moisés, dizendo:
Deixa ir o Meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto.
Isso está em Êxodo 5:1.
Mas, quando chegamos a Êxodo 8:1, encontramos Moisés dizendo a Faraó: “Deus disse:
Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.”
Então, aqui vocês percebem que celebrar a festa é adoração. Adoração e serviço nunca podem ser separados.
Quando chegamos a Romanos 12, encontramos a mesma coisa. Ali, o apóstolo Paulo nos exorta a apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus.
Agora, nas diferentes versões, isso é traduzido de maneira um pouco diferente. Na versão de Darby, está escrito:
Que é o vosso serviço inteligente.
Mas, em algumas versões, vocês encontrarão:
Que é a vossa adoração espiritual.
Ou:
O vosso serviço espiritual.
Por que isso acontece? Porque, no original, a expressão inclui ambos os sentidos. Adoração e serviço nunca podem ser separados.
Quando vocês os separam, tanto a adoração quanto o serviço ficam prejudicados. Não se pode enfatizar um mais do que o outro, porque a adoração nos conduzirá ao serviço, e o serviço nos levará de volta à adoração.
Ou, colocando de maneira mais direta: adorar é servir a Deus; servir é adorar a Deus. Portanto, irmãos e irmãs, essas coisas nunca devem ser separadas.
Mas, infelizmente, em nossa maneira de pensar, tendemos a separar essas duas coisas. Pensamos na adoração como algo dirigido a Deus, e no serviço como algo dirigido aos homens. Pensamos na adoração como algo abstrato, místico, emocional; e pensamos no serviço como algo concreto, ativo, tangível e voltado ao homem.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se essa é a nossa maneira de pensar, descobriremos que tanto a adoração quanto o serviço ficam prejudicados. Ou, dizendo de outra maneira, não entendemos realmente o que é adoração.
Nosso Pai procura verdadeiros adoradores. Agora, o que é adoração? E nosso Deus procura serviço verdadeiro, servos verdadeiros. Quem são esses verdadeiros servos de Deus?
Então, queridos irmãos e irmãs, creio que é hora de voltarmos aos fundamentos. Queremos fazer algumas perguntas. Espero que cada um de nós aqui faça a si mesmo estas perguntas tão simples e básicas, e veja se realmente consegue responder a todas elas.
Em primeiro lugar, quem é chamado para servir?
O ser humano foi criado para servir. Foi criado não apenas para adorar a Deus, mas também para servir a Deus. Vocês se lembram de quando Deus fez o primeiro homem, Adão. Ele disse a Adão que cultivasse, guardasse e sujeitasse.
Em outras palavras, o homem recebeu uma responsabilidade. Ele deveria cultivar a terra. Mas, se vocês lerem com atenção, perceberão que, no jardim do Éden, Deus fez toda espécie de árvore frutífera, e seus frutos serviam de alimento para o homem. As plantas foram dadas aos animais. O principal alimento do homem eram os frutos; ainda assim, Deus lhe ordenou que cultivasse a terra, para torná-la mais frutífera. Por quê?
E Deus ordenou ao homem que guardasse o jardim. Por quê? Porque havia um inimigo por perto, e o homem tinha a responsabilidade de servir a Deus guardando o jardim e não permitindo que o inimigo se infiltrasse.
O homem recebeu a ordem de sujeitar — isto é, de trazer tudo de volta aos pés de Deus. Assim, vocês percebem que o homem foi criado para servir, não para servir aos seus próprios propósitos.
Somente depois de pecar, ser expulso do jardim e de a terra ser amaldiçoada é que o homem precisou trabalhar e labutar pelo próprio sustento.
Portanto, irmãos e irmãs, antes de tudo, precisamos nos lembrar de por que fomos criados. O propósito da vida é servir a Deus e adorar a Deus. Essa é a responsabilidade primordial do ser humano.
Quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, Ele os trouxe para junto de Si, no monte Sinai. Ali, declarou por que os havia libertado do Egito e por que os havia livrado da escravidão.
Deus desejava fazer deles uma nação de sacerdotes. Em outras palavras, aquela deveria ser uma nação que servisse a Deus, porque o único sentido do sacerdócio é servir a Deus.
Toda a nação deveria ser uma nação de sacerdotes — desde o menor até o mais velho, homens e mulheres. Todos naquela nação tinham a responsabilidade de servir ao único Deus vivo, Àquele que os havia libertado do Egito e conduzido à liberdade. Esse é o próprio propósito da salvação.
Infelizmente, eles falharam. Enquanto Moisés recebia os Dez Mandamentos no monte, os filhos de Israel adoraram um bezerro de ouro. Por causa disso, desqualificaram-se para ser aquilo que Deus pretendia que fossem.
Por fim, como uma medida emergencial e temporária, Deus levantou uma família, uma tribo, para realizar o serviço em favor de toda a nação. Mas isso não era o normal; era uma situação anormal.
Mas, graças a Deus, quando nosso Senhor Jesus veio a esta terra e realizou a obra da redenção, Ele nos trouxe de volta ao propósito original de Deus.
Hoje, nós que vivemos sob a nova aliança não devemos permanecer na medida emergencial e temporária de Deus — isto é, deixar que apenas alguns dos remidos do Senhor sirvam em favor do restante do povo.
A vontade de Deus para nós hoje é que todo filho de Deus redimido seja chamado para servir. Vocês encontram isso em Apocalipse 1:5-6: Ele nos ama e nos lavou com o Seu sangue, para que sejamos um reino de sacerdotes para Deus.
Novamente, em Apocalipse 5:9-10, de toda nação, tribo, língua e povo, Deus redimiu para Si um povo, para que fossem sacerdotes e reis para Deus e reinassem para sempre.
Depois, em 1 Pedro 2, encontramos o apóstolo Pedro nos dizendo que devemos ser um sacerdócio santo, um sacerdócio real. Em outras palavras, o sacerdócio universal dos crentes é o ensino da Bíblia.
Isso significa que todo crente é um sacerdote. No momento em que você nasce de novo, do alto, nasce como sacerdote. Nos tempos do Antigo Testamento, se você nascesse na família de Arão, desde o nascimento estaria destinado a um único propósito na vida: ser sacerdote, servir a Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar de que todos somos chamados para servir Àquele que nos ama e Se entregou por nós. Não há exceção.
Você não deve esperar até ter vinte, vinte e cinco ou trinta anos para começar a servir a Deus. Não. O momento em que você nasce do alto é o momento em que começa a servir.
Espero que isso seja evidente e claro para cada um de nós. Infelizmente, podemos ter clareza na mente, mas isso não se concretiza em nossa vida.
É como se tivéssemos de esperar até amadurecer; só então começaríamos a servir. Mas esse não é o pensamento de Deus. O momento em que você é salvo é o momento em que começa a servir a Deus.
Em outras palavras, dali em diante, toda a sua vida tem apenas um propósito: que Deus seja servido em sua vida. Espero que não precisemos nos alongar sobre isso, mas apenas afirmar um fato — e espero que ele penetre em cada coração, especialmente no dos mais jovens.
Não é por ser jovem no Senhor que você está desqualificado para servir. Todos vocês são chamados para servir. Servir corretamente é algo que precisamos aprender; ainda assim, precisamos começar a servir.
Agora, a segunda pergunta é: a quem servimos?
Vocês talvez pensem que nem seja necessário fazer essa pergunta. É claro que servimos ao único Deus verdadeiro e vivo. Servimos ao nosso Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo. É a Ele que servimos. Mas será que isso é verdade?
Enquanto servimos, quem é o nosso alvo? Fazemos do homem o nosso alvo? Ou chegamos a fazer do próprio trabalho o nosso alvo?
Inconscientemente, enquanto servimos, começamos a pensar apenas no trabalho que temos em mãos: como podemos fazer esse trabalho dar certo? Então, procuramos aprender todas as técnicas, todos os truques, tentando tornar esse trabalho viável e bem-sucedido.
Ao fazer isso, esquecemos a quem servimos. Usamos nossa própria esperteza. Adotamos todos os métodos do mundo para tornar nosso trabalho bem-sucedido. Agora, irmãos e irmãs, a quem servimos?
Ou, em todo o nosso serviço, pensamos apenas no homem e esquecemos Deus? Queridos irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar, repetidas vezes, de quem é Aquele a Quem servimos.
Vocês se lembram do apóstolo Paulo em Gálatas 1:10. Ele disse:
Quero agradar aos homens, satisfazer aos homens, ou quero agradar a Deus? Se ainda quero agradar aos homens, então não sou um verdadeiro servo de Deus.
Nosso serviço é dirigido, em primeiro lugar, a Deus. Servimos ao nosso Deus. Em outras palavras, enquanto servimos, devemos ter Deus em vista — não apenas o trabalho ou o homem —, porque estamos aqui para agradar a Deus, para satisfazer o coração de Deus.
Se ao menos compreendêssemos a Quem estamos servindo! Lembrem-se: servimos ao Deus do universo, ao Criador, ao Deus Todo-Poderoso, ao Soberano do universo.
Se realmente nos lembrarmos de quem é Aquele a Quem servimos, creio que haverá uma grande mudança em nosso serviço. Não podemos ser descuidados. Não podemos ser infiéis. Precisamos ser fiéis a Ele, porque é a Ele que servimos.
Por outro lado, enquanto servimos, teremos a atitude correta. Começaremos a perceber que servir a Deus é um grande privilégio e uma elevada honra.
Suponha que você seja chamado para servir ao presidente. Você consideraria isso um privilégio. Não veria isso apenas como uma obrigação. Consideraria uma grande honra poder servir ao presidente.
Mas quanto maior é Aquele a Quem servimos! Servimos a Deus, o Soberano do universo. Isso nos humilha quando pensamos: quem somos nós para que Deus nos chame para servi-Lo?
Como devemos nos preparar? Como devemos nos humilhar diante Dele? Porque é um grande privilégio, uma grande honra, irmãos e irmãs, que Ele nos permita, que Ele queira que O sirvamos.
Nunca considerem isso apenas um dever a cumprir, uma obrigação. Considerem sempre uma elevada honra, um grande privilégio. Não importa em que área estejam servindo, mesmo na menor coisa, vocês estão servindo ao supremo Soberano do universo.
Irmãos e irmãs, precisamos sempre nos lembrar de quem é Aquele a Quem servimos.
Então, a terceira pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: o que é serviço? O que significa servir a Deus?
É apenas um trabalho religioso? A diferença entre servir a Deus e servir ao mundo é simplesmente que um é religioso e o outro é secular? Ou é algo mais do que isso?
Se for apenas um trabalho — mesmo um trabalho religioso —, tudo o que vocês precisam é aprender as técnicas. Tudo o que buscam é ver esse trabalho dar certo. Seja um trabalho secular, seja um trabalho religioso, trata-se apenas de uma área diferente. Só isso.
Mas, irmãos e irmãs, na Palavra de Deus, servir a Deus é um trabalho, porém esse trabalho é um fruto. Em outras palavras, o verdadeiro significado do serviço é o fluir da vida de Cristo em vocês.
Servir é transmitir Cristo às outras pessoas. Não é apenas um trabalho a realizar. É liberar a vida de Cristo que está em vocês e suprir com ela aqueles a quem vocês servem.
Portanto, é algo espiritual; não é meramente religioso. É uma doação de vida — a vida de Cristo em vocês. Pode parecer que estão dando a própria vida, mas não: estão dando aos outros, às outras pessoas, a vida de Cristo que está em vocês.
Então, aqueles a quem vocês servem receberão em si a vida de Cristo. Agora, se conseguirem enxergar isso, entrarão realmente no verdadeiro significado do serviço.
Sabem, 2 Coríntios é o livro que nos revela o significado do serviço, ou ministério. Ministério e serviço são a mesma coisa.
Em 2 Coríntios, Paulo nos apresenta o ministério que Deus lhe confiou. Ele nos mostra o significado do ministério, o segredo do ministério. Se vocês abrirem em 2 Coríntios 4, vamos percorrer o capítulo brevemente.
Portanto, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi concedida, não desfalecemos.
Sabem, se vocês realmente compreenderem o que é servir, desfalecerão. Quem sou eu? O que tenho para poder ser um vaso que transmite Cristo — o Cristo vivo, não apenas um ensino, não apenas uma doutrina, mas o Cristo vivo — às outras pessoas por meio do meu serviço?
Se a misericórdia de Deus não estiver sobre nós, verdadeiramente desfaleceremos.
Mas rejeitamos as coisas ocultas da vergonha, não andando com astúcia, nem falsificando a Palavra de Deus; antes, pela manifestação da verdade, recomendando-nos a toda consciência humana diante de Deus.
Agora, isso não é tremendo? Quando vocês servem, estão, de fato, recomendando-se a toda consciência humana diante de Deus. Em outras palavras, quando servem, estão se entregando às pessoas.
Mas o que elas podem ver em vocês? O que podem receber de vocês? Não é vocês na carne; é Cristo em vocês, a esperança da glória.
Essa transmissão de Cristo precisa acontecer por meio de vocês. Quando vocês se derramam, o que as pessoas recebem é o Cristo que está em vocês, não apenas vocês. Isso não é tremendo? Isso é serviço.
Vocês podem tornar um trabalho viável e bem-sucedido, mas, se Cristo não estiver ali, se Cristo não crescer, isso não é nada. É apenas um trabalho religioso. Não produzirá fruto para a eternidade.
Pode agradar aos homens e satisfazê-los, mas Deus não fica satisfeito. Que exigência tremenda isso representa para nós! Como precisamos ser tratados, estar sob a cruz, ser quebrantados e conhecer o Senhor de maneira viva e prática em nossa vida, para que nós diminuamos e Cristo cresça.
Irmãos e irmãs, isso é verdadeira adoração e verdadeiro serviço.
Mas, se o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto; nos quais o deus deste mundo cegou os pensamentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz das boas-novas da glória de Cristo, o Qual é a imagem de Deus. Pois não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor, e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus.
Porque o Deus que disse: “Das trevas resplandecerá a luz” é Quem resplandeceu em nosso coração, para que brilhe o conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Agora, isso é serviço. Mas como isso acontece? Aqui encontramos o segredo.
Mas temos este tesouro em vasos de barro.
Irmãos e irmãs, somos vasos de barro. Não somos ninguém. Não somos nada. Muitas vezes, enquanto servimos, pensamos que somos alguém. Então estamos em apuros.
Mas não, somos apenas vasos de barro — vasos comuns. Porém, graças a Deus, temos um tesouro no vaso de barro. Esse tesouro é Cristo. Essa é a diferença.
Para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
Em outras palavras, somos vasos de barro, mas temos o tesouro em nós. Não é o vaso de barro que fornece luz e vida às outras pessoas; é o tesouro, o resplendor da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
É Ele a luz que brilha de dentro de nós e por meio de nós, para que o resplendor da glória do Senhor na face de Jesus Cristo brilhe sobre as pessoas.
Agora, como isso pode acontecer? Um vaso de barro com o tesouro dentro dele — um tesouro cheio de brilho, resplendor, poder e luz —, e, no entanto, esse vaso de barro é opaco e escuro. Como o resplendor do tesouro que está dentro de vocês pode brilhar para fora?
Vocês precisam de quebrantamento. Esse vaso de barro precisa rachar; precisa ser quebrado para que a luz possa brilhar. Mas, irmãos e irmãs, amamos esse vaso de barro. Queremos nos manter intactos. Recusamo-nos a abrir mão de nós mesmos.
A partir das trevas, tentamos brilhar. Irmãos e irmãs, isso não transmitirá vida.
Portanto, o verdadeiro serviço exige uma disciplina rigorosa. Aqui encontramos o apóstolo Paulo dizendo:
Afligidos de todos os lados, mas não encurralados.
O Espírito de Deus organizará nossas circunstâncias de modo que pareça que estamos cercados, encurralados. Mas, surpreendentemente, quando sofremos pressão de todos os lados, somos comprimidos, e, no entanto, há em nós um poder que vence.
Sem enxergar uma saída aparente, mas não inteiramente sem saída.
Muitas vezes, Deus precisa nos levar ao fim de nós mesmos. Como diz Phillips em sua tradução:
Somos levados ao limite de nossos recursos.
Quanto aos nossos próprios recursos, chegamos ao fim. Não sabemos o que fazer. Mas esse não é o fim da vida, porque a vida de ressurreição está em nós.
Perseguidos, mas não abandonados; derrubados, mas não destruídos.
Gosto da tradução de Phillips:
Derrubados, mas não nocauteados.
Muitas vezes, sentimos que fomos derrubados, mas não estamos fora da luta. Por quê? Porque há uma vida de ressurreição em nós.
É por meio desse processo que passamos pelo quebrantamento, permitindo que o resplendor de Cristo, o tesouro em nós, brilhe para fora. O apóstolo Paulo disse que levava diariamente em seu corpo o morrer de Jesus, a morte de Jesus em sua vida, para que a vida de Jesus se manifestasse nele e nos outros. Isso é serviço.
Mas não se assustem. Não desfaleçam. Em nós mesmos, não podemos fazer isso, mas a Sua graça é sempre suficiente. A Sua misericórdia nos sustentará até o fim.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, esse é o significado do serviço. Não podemos nos permitir encarar o serviço apenas como um trabalho, um trabalho religioso. Isso não nos levará à eternidade.
Precisamos encarar o serviço como servir a Deus, como adorar a Deus, como transmitir Cristo — a vida de Cristo — às pessoas. Essa é a medida do serviço.
Não meçam o serviço pelo sucesso ou fracasso exterior. Meçam seu serviço pela quantidade de vida que conseguem transmitir e pela quantidade de vida que as pessoas receberam por meio de vocês. Esse é o significado do serviço. Não é pouca coisa.
A quarta pergunta que queremos fazer é: onde servimos?
Se servir é transmitir Cristo às outras pessoas, então nosso serviço é ilimitado. Não está limitado pelo tempo ou pelo espaço. Vocês podem servir a Deus todos os dias, o tempo todo, onde quer que estejam. Não precisam, por assim dizer, de uma situação ou condição especial para servir.
Mas, na Palavra de Deus, encontramos um princípio. Onde os sacerdotes de antigamente serviam?
Seu serviço estava sempre relacionado ao templo. Às vezes, suas atividades propriamente ditas não aconteciam no templo. Eles podiam ser enviados como juízes; ainda assim, vemos que seu serviço estava sempre relacionado ao templo.
Vocês se lembram de um caso em Juízes 17–18. Havia um levita de Belém de Judá que viajava, tentando encontrar um lugar para servir.
Em vez de se contentar em servir no tabernáculo, ele queria encontrar outro lugar para servir. Vocês sabem quem era esse homem? Esse homem era ninguém menos que o neto de Moisés, Jônatas.
E, de fato, enquanto viajava procurando um lugar para servir, encontrou um. Um homem chamado Mica tinha um ídolo ali e precisava de um sacerdote. Então ele se tornou o sacerdote daquela família.
Em vez de ser sacerdote da nação, tornou-se sacerdote de uma família. Em vez de servir ao Deus vivo no tabernáculo, estava servindo àquele substituto em uma casa particular.
Pior ainda, encontramos uma tribo procurando um lugar para se estabelecer. Os espias chegaram àquela casa. Por fim, levaram o ídolo e disseram a Jônatas:
Considera: ser sacerdote de uma casa ou ser sacerdote de uma tribo — qual escolherás?
Ele foi com eles de bom grado. A Bíblia diz que, enquanto o tabernáculo esteve em Siló, houve aquela adoração de ídolos. Isso é sério! Quando um sacerdote se separa do templo, seu serviço acaba se tornando um desserviço a Deus.
Quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos o mesmo princípio. Em Romanos 12, ao falar do verdadeiro serviço, lemos:
Apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo.
Esse é o serviço inteligente, racional, espiritual de vocês.
O próprio fato de apresentarem o corpo como sacrifício vivo já é serviço. Por quê? Porque, assim, Deus pode fazer a vida de Seu Filho fluir por meio de vocês.
Vocês se entregam a Ele. Permitam que Ele trabalhe em sua vida. Permitam que Ele encha sua vida de Cristo e que transmita Cristo às outras pessoas. Isso é serviço.
O texto continua e diz:
Sede transformados pela renovação da vossa mente.
Em vez de se conformarem com o mundo, vocês poderão experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
Qual é essa vontade? Continuem lendo, e descobrirão que é o corpo de Cristo. Quando apresentam o corpo como sacrifício vivo e servem a Deus, Ele abre os olhos de vocês para que vejam onde irão servir em Seu corpo.
Vocês servem no corpo de Cristo. Encontramos a mesma coisa em 1 Coríntios 12–14. Ali vemos que Deus dá dons aos homens. Onde esses dons espirituais devem ser exercidos? No corpo de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, há um princípio aqui: nosso serviço deve estar sempre relacionado à casa de Deus, sempre relacionado ao corpo de Cristo.
Ele acontece no corpo, é para o corpo, procede do corpo e sempre retorna ao corpo, porque esse é o propósito eterno de Deus.
Sempre me lembro de muitos anos atrás, na década de 1950, quando Billy Graham realizou sua primeira cruzada em Nova York. Foi um tempo glorioso — seis meses no Madison Square Garden. Estive lá durante parte daquele tempo, porque, em outra parte, fui à Inglaterra.
Sempre me lembro de que, antes de começar aquela campanha, ele enviou alguém a Nova York e reuniu todos os ministros da Palavra de Deus. Não sei como, mas também me convidou, e eu fui.
Ali, ele nos disse: “O trabalho de evangelizar Nova York é o trabalho da igreja. É porque a igreja não está funcionando devidamente que Deus permite que a cruzada venha”. Sempre me lembro disso. É verdade.
Hoje, vocês têm todo tipo de organização realizando todo tipo de trabalho cristão. Por quê? Por causa da falha da igreja. Mas esse não é o propósito original de Deus. O propósito original de Deus é que Sua obra seja realizada por Sua igreja.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar disso. Quando nosso Senhor Jesus ordenou aos discípulos que evangelizassem o mundo, o que Ele disse?
A partir de Jerusalém, passando pela Judeia, por Samaria e até os confins da terra.
Em outras palavras, comecem onde estão. Não pensem que podem começar no fim do mundo se não começarem em casa.
Por favor, não desviem seu serviço. Vocês precisam começar pelo princípio. Irmãos e irmãs, especialmente os jovens, somos atraídos pelo brilho de alguns trabalhos.
Mas lembrem-se: se não começarem em casa, não dará certo. Comecem aqui mesmo, onde estão. Iniciem seu serviço aqui mesmo, e não fiquem esperando estar em outro lugar para começar a servir. Isso não acontecerá.
Por fim, onde podemos ser preparados para servir? Creio que essa é uma pergunta muito urgente em toda parte, especialmente entre os jovens que desejam servir. Onde vocês podem receber a ajuda de que precisam?
O que dizem as Escrituras? O mundo religioso pode dizer que vocês podem receber ajuda nos seminários e nas escolas bíblicas. Era isso que eu pensava quando fui salvo. Bem, o que dizem as Escrituras?
Se servir é transmitir a vida de Cristo, se servir é o fluir da vida de Cristo que está dentro de nós, então como vocês serão preparados?
Em primeiro lugar, há o aspecto individual e o aspecto comunitário. Quanto ao aspecto individual, vocês descobrirão que servir não é algo para o qual qualquer outra pessoa no mundo possa prepará-los.
As pessoas podem prepará-los para compreender melhor a Bíblia, mas também podem confundi-los. Agora, quem pode formar sua vida espiritual? Quem é o seu instrutor?
Por que Deus nos dá o Espírito Santo? Temos um Chefe que reside em nós — o Espírito Santo que habita em nós, o próprio Deus. Por que Ele está em você e em mim, se não para nos preparar?
O Espírito Santo é o Instrutor. A unção que está em vocês lhes ensinará todas as coisas — grandes e pequenas. Tudo o que Ele ensina é verdadeiro; não é mentira. Se vocês Lhe obedecerem, permanecerão em Cristo.
Irmãos e irmãs, como negligenciamos isso em nossa formação e procuramos uma preparação externa! Essa é a falha dos seminários.
Aprendemos na escola de Cristo. Ele mesmo é responsável por nos ensinar a servir.
Então, vocês percebem que não se trata de algo acadêmico; trata-se de algo espiritual. Não é um trabalho religioso; é a transmissão da vida de Cristo. Agora, quem pode nos preparar? Somente o Espírito Santo.
Portanto, irmãos e irmãs, se, em nossa vida particular, não estamos na escola de Cristo, sob a formação do Espírito Santo, como poderemos servir a Deus de maneira viva e real? Impossível.
Ajoelhem-se. Tratem de suas questões com Deus. Permitam que Deus trate com vocês. Ouçam a voz mansa e suave. Sejam sensíveis. Tomem sua cruz e sigam-No. Permitam que Ele os quebrante.
Irmãos e irmãs, essas são disciplinas práticas, vivas e espirituais de que todos precisamos. Enquanto vivermos, enquanto servirmos, estaremos aprendendo. Nunca deixamos de ser aprendizes.
Esse é o aspecto individual. Graças a Deus, há um aspecto comunitário, porque servir a Deus é algo espiritual e prático.
Muitas vezes, pensamos nas coisas espirituais como abstratas e intangíveis. Não. O espiritual é prático. Então, percebemos que Deus realmente nos dá um lugar prático onde podemos ser preparados.
Onde fica esse lugar? Exatamente onde vocês estão — na igreja em que Deus os colocou.
Irmãos e irmãs, muitas vezes não estamos satisfeitos. Não estamos satisfeitos com o lugar em que estamos. Procuramos algo fora, em outro lugar. A grama do vizinho é mais verde.
Se tivermos esse tipo de atitude, nunca aprenderemos. Deus colocou vocês exatamente onde estão, entre seus irmãos e irmãs — irmãos e irmãs difíceis, teimosos, assim como vocês —, para quebrantar a todos nós.
Essa é a melhor formação do mundo.
Timóteo, nosso jovem irmão, foi preparado onde estava. Somente depois de todos os irmãos de Listra e Icônio o recomendarem é que Paulo o levou consigo e lhe deu uma formação adicional.
Mas, irmãos e irmãs, sua formação básica aconteceu em casa, na igreja. Se vocês não aprenderem a ser preparados em casa, na congregação em que estão, então, quando forem colocados em outro lugar, descobrirão que não conseguem lidar com a situação.
Nenhuma formação prática — apenas formação teórica. Então, onde está a formação prática?
Portanto, irmãos e irmãs, essas são as perguntas que precisamos enfrentar, não evitar. Espero que cada um de nós aqui faça essas perguntas.
Sou chamado para servir? A quem sirvo? Estou realmente servindo a Deus, ao homem ou a um trabalho? O que é serviço? Estou prestando um serviço verdadeiro a Deus? Onde sirvo? Onde recebo a formação de que preciso?
Deus preparou tudo para você, e você está procurando em outro lugar.
Agora, talvez alguns irmãos e irmãs digam: “Bem, se servir é isso, então estou fora”. Não, você está dentro.
Se você acha que consegue servir, está fora. Se acha que não consegue servir, está dentro.
Sirva de acordo com a medida de fé que Deus lhe deu. Não vá além dela.
Samuel começou a servir quando ainda era menino. Sua tarefa era abrir a porta do templo. Pode parecer que não havia nada de espiritual nisso, mas ele era fiel.
Ele servia sob a direção de Eli, um servo cego, em declínio, próximo do fim. Ainda assim, era tão fiel que, à meia-noite, quando Deus o chamou, foi três vezes até Eli e disse:
Tu me chamaste?
Ele foi tão fiel nas pequenas coisas que Deus lhe confiou grandes coisas.
É sempre uma alegria ver crianças e jovens fazendo o que podem — até mesmo aos sábados, limpando o local e ajudando com as cadeiras.
Muitas vezes, fiquei comovido com um menino. Depois da reunião, eu o via carregando uma cadeira. Ele mal conseguia levantá-la, mas estava fazendo isso. Irmãos e irmãs, façam isso.
Jovens, não fiquem ociosos. Há tantos lugares em que vocês podem servir. Há irmãs e irmãos idosos que precisam de ajuda. Coloquem-se à disposição deles. Ajudem a limpar suas casas. Cortem a grama. Amem-nos.
Há muitas, muitas coisas que vocês podem fazer, se tiverem disposição no coração. Não fomos criados para ficar ociosos. Fomos criados para estar ocupados — ocupados para o Senhor.
Irmãos e irmãs, encorajo cada um de vocês: coloquem-se diante do Senhor. Reconsiderem toda essa questão do serviço. Espero que isso possa mudar sua vida; espero que possa mudar sua maneira de pensar.
Precisamos ser autênticos. Chega de fazer trabalho religioso. Deus nos livre disso. Vamos orar.
Querido Senhor, pedimos que o Teu sangue cubra estas palavras, e que o Teu Espírito fale ao nosso coração. Oramos em Teu precioso nome. Amém.