Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios,
Nem se detém no caminho dos pecadores,
Nem se assenta na roda dos escarnecedores:
Antes, o seu prazer está na lei do Senhor;
E na Sua lei medita de dia e de noite.E será como a árvore plantada junto às correntes de águas,
Que dá o seu fruto na sua estação,
Cuja folha também não murcha;
E tudo quanto fizer prosperará.Não são assim os ímpios,
Mas são como a palha que o vento dispersa.
Por isso, os ímpios não subsistirão no juízo,
Nem os pecadores na congregação dos justos.
Porque o Senhor conhece o caminho dos justos;
Mas o caminho dos ímpios perecerá.
E, vendo as multidões, Ele subiu ao monte:
E, tendo-Se assentado, os Seus discípulos aproximaram-se Dele:
E Ele, abrindo a Sua boca, os ensinava, dizendo:Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores: porque eles serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois vós, quando os homens vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem toda espécie de mal contra vós, por Minha causa.
Regozijai-vos e exultai: porque grande é o vosso galardão nos céus: pois assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
Querido Senhor, nossos corações estão cheios. Somos profundamente gratos a Ti, Tu Que és o Filho de Deus e, no entanto, esvaziaste a Ti mesmo e tomaste sobre Ti a forma de escravo, a semelhança de homem. E Tu, sendo encontrado em forma de homem, foste obediente até a morte, e morte de cruz. E tudo isso foi por nossa causa.
Tu, Que esvaziaste a Ti mesmo, agora estás exaltado nas alturas, à direita do Pai, esperando até que todos os Teus inimigos sejam postos por estrado dos Teus pés. Tu és digno.
Senhor, enquanto continuamos nesse espírito de adoração, olhamos para Ti, para que fales aos nossos corações. Abençoa-nos, para que possamos bendizer-Te. Entregamos este tempo em Tuas mãos.
Livra-nos de ficarmos conscientes de nós mesmos, Senhor, para que estejamos conscientes apenas da Tua presença. Fala, Senhor; o Teu servo ouve. Em Teu precioso nome, amém.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Que nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus.
Quando o apóstolo Paulo começou esta carta, seu coração estava tão cheio que ele começou assim:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Sabemos que o nosso Deus é o Deus da bênção. Ele ama abençoar, porque Ele é amor. Mas, quando somos abençoados, nós O bendizemos por causa da bênção com que Ele nos abençoou?
Quando somos abençoados, simplesmente tomamos Suas bênçãos como nossas e desfrutamos delas? Se fazemos isso, o resultado é que o nosso velho homem engorda, e logo nos esquecemos Dele e nos rebelamos contra Ele. Isso ficou comprovado na história dos filhos de Israel, e nós não somos diferentes deles.
Se, quando somos abençoados, simplesmente tomamos a bênção para nós e deixamos que ela termine em nós, queridos irmãos e irmãs, o resultado final será maldição, e não bênção.
Quando Deus nos abençoa, é para que possamos bendizê-Lo com a bênção com que Ele nos abençoou. Ela não deve simplesmente terminar em nós mesmos. Se recebemos Suas bênçãos e devolvemos a bênção a Ele, bendizendo-O por Sua bênção, então essas bênçãos se tornarão verdadeiras bênçãos em nossa vida.
Tudo vem de Deus, e tudo retorna a Deus. Aqui está o princípio, e aqui está o fim. Portanto, quando somos abençoados, lembrem-se: é para Ele. É para que tenhamos algo com que bendizê-Lo.
Agora:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Quando Ele nos abençoa, Ele nos abençoa como o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Não podemos imaginar como Deus é o Deus de nosso Senhor Jesus. Não podemos imaginar como o Pai é o Pai de nosso Senhor Jesus. E, no entanto, graças a Deus, o Pai Dele é o nosso Pai, e o Deus Dele é o nosso Deus. Hoje, é nesse relacionamento que Deus nos abençoou com toda bênção espiritual.
Ele nos abençoou porque abençoou Seu Filho. Ele colocou em Seu Filho amado toda bênção com que pode abençoar. Por meio de Seu Filho amado, Ele nos abençoou com toda bênção espiritual.
Essa é uma verdadeira bênção. A bênção que durará para sempre não é física; não é material, porque as coisas físicas são temporais. Elas logo passam. A bênção espiritual é eterna.
Deus, em Cristo Jesus, nos abençoou com toda bênção espiritual que possamos imaginar. Por quê? Porque toda a plenitude da Divindade habita corporalmente em Cristo.
Fora de Cristo, Deus não tem bênção com que abençoar. Toda bênção está em Cristo, e, em Cristo, Ele nos abençoou com toda bênção espiritual.
Não precisamos sair de Cristo tentando encontrar bênção. Queridos irmãos e irmãs, na verdade, uma bênção que não está em Cristo — ou, para dizer de modo ainda mais forte, uma bênção que não é o próprio Cristo — não é bênção alguma.
Às vezes, sentimos que somos abençoados. O mundo pensa que, se temos isto ou aquilo, então somos abençoados. Mas, se aquilo que consideramos uma bênção não está em Cristo, não procede de Cristo, não é o próprio Cristo, lembrem-se: não é uma bênção; é uma maldição.
Creio que a experiência nos mostra isso. Tudo o que não é de Cristo, tudo o que não é o próprio Cristo, acabará demonstrando que não é uma bênção. A verdadeira bênção é Deus nos abençoar com Cristo.
Quando somos abençoados com Cristo, e quando toda bênção espiritual é simplesmente uma faceta de Cristo, uma expressão de Cristo, então essa bênção é eterna, e é uma verdadeira bênção.
Deus nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais. Já mencionamos que existe uma esfera celestial, e é nessa esfera celestial que somos abençoados com toda bênção espiritual. É em Cristo Jesus.
Não sei como compartilhar o que está em meu coração. Não tenho palavras para isso. A única coisa que posso dizer é: “O que é bênção?” A bênção — a bênção que vem de Deus — é simplesmente Cristo. É isso.
Se apenas pudermos enxergar isso, seremos libertos de todo tipo de problema e dificuldade. Seremos libertos de todas as ilusões e ideias equivocadas. Apenas lembrem-se de que a bênção com que Deus nos abençoou não está somente em Cristo, mas, na verdade, é Cristo.
Quando uma bênção se torna uma Pessoa, você recebe a bênção certa. Se uma bênção é apenas uma coisa, você pode perdê-la; ela pode mudar de natureza. Mas, se a bênção é Cristo, uma Pessoa Que você passa a receber, conhecer e experimentar — Ele está vivo —, então essa bênção é eterna. É com isso que Deus quer nos abençoar.
Nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante: da bênção aos abençoados; da dádiva ao Doador. Em outras palavras, Deus nos abençoou com toda bênção espiritual, e agora, por nossa vez, nos tornaremos os abençoados do Senhor.
Vocês se lembram de que, no Antigo Testamento, quando Abraão resgatou seu sobrinho Ló e derrotou os quatro reis, Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao seu encontro. Em Gênesis 14:19, lemos:
Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo,
Possuidor dos céus e da terra.
Abraão é o abençoado. Ele foi abençoado por Deus. Por quê? Porque, quando o Deus da glória lhe apareceu em Ur dos caldeus e o chamou para deixar sua terra natal, sua parentela e sua própria família, e ir para onde Deus o chamava, ele obedeceu pela fé. Por isso, ele foi abençoado.
Mesmo na terra prometida, ele viveu como estrangeiro e peregrino. Foi essa obediência da fé que o tornou o abençoado.
Quando foi abençoado por Deus com Isaque, ele ofereceu Isaque a Deus — o sacrifício da fé. Por causa de sua obediência da fé, sua obra da fé e seu sacrifício da fé, Abraão se tornou o abençoado de Deus. Ele não apenas foi abençoado por Deus, mas se tornou uma bênção.
No Novo Testamento, pensem em Maria, a mãe de nosso Senhor Jesus. Em Lucas 1:28, quando o anjo Gabriel lhe apareceu, ele disse:
Salve, agraciada, o Senhor é contigo:
Bendita és tu entre as mulheres.
Chamamos Maria de abençoada. Por quê? Porque, quando Deus a chamou e quis usá-la, apesar de ela vir a ser incompreendida, rejeitada e talvez até apedrejada até a morte, ainda assim ela disse, em Lucas 1:38:
Eis aqui a serva do Senhor;
Cumpra-se em mim segundo a tua palavra.
A entrega total por amor fez dela a abençoada. Portanto, queridos irmãos e irmãs, o que queremos ouvir nesta manhã é isto: como podemos ser os abençoados do Senhor? Quem são os abençoados? Em que posição estaremos entre os abençoados do Senhor?
Gostaríamos de usar duas porções das Escrituras: uma no Antigo Testamento e outra no Novo Testamento.
No Antigo Testamento, gostaríamos de usar o Salmo 1. Irmãos e irmãs, todos sabemos que os Salmos são uma coleção das experiências daqueles que conheciam o Senhor.
Eles passaram por todo tipo de circunstância: às vezes, prosperidade; às vezes, adversidade; às vezes, alegria; às vezes, tristeza; às vezes, vida abundante; às vezes, a sombra da morte. Os salmistas passaram por todo tipo de experiência que as pessoas podem viver neste mundo.
Ao passarem por essas experiências, descobriram o próprio Deus. Descobriram que Deus era a sua bênção e, a partir de suas experiências, escreveram esses salmos. Os Salmos não são um livro de doutrina, mas um livro de experiência. Pela experiência, eles aprenderam o que é a bênção espiritual, a verdadeira bênção do Senhor.
É claro que o Salmo 1 é a introdução aos 150 Salmos. É o prefácio, e ali vocês veem que ele começa com “Bem-aventurado”. Quem são os bem-aventurados?
Sempre que leio esse salmo, lembro-me de uma história verdadeira.
Na China, tínhamos um cooperador chamado Philip Wan. Os mais velhos entre nós talvez ainda se lembrem dele. Quando era jovem, seu pai o enviou à Rússia para estudar. Ele se formou na Rússia e, em sua juventude, chegou a participar da Revolução Russa.
Quando voltou à China — ele era da Manchúria —, chegou a uma estação ferroviária e viu um carregador ajudando as pessoas com a bagagem. Percebeu que aquele homem havia sido comerciante na Rússia, e o conhecia. Então perguntou: “O que aconteceu com você?”
O homem disse que, na Rússia, havia se tornado fumante de ópio e perdido tudo. O próprio Philip Wan também havia sido fumante de ópio. Ele nos contou que, na Rússia, incentivavam os chineses a fumar ópio.
Ao ver aquele homem, imediatamente sentiu que precisava parar de fumar ópio. Em vez de ir para casa, foi a um hotel e se trancou ali por três dias e três noites. Ele nos contou que rolava pelo chão sempre que vinha o desejo de fumar ópio, mas estava decidido a morrer antes de voltar a fumar. Em três dias, deixou o ópio.
Ele foi para casa. Vinha de uma família muito rica, mas não tinha o que fazer. Seu irmão havia aberto uma loja de ouro e, quando os japoneses tomaram suas terras e construíram um aeroporto, ele simplesmente ficou com o irmão.
Mas ele era muito anticristão. Não sabia realmente o que era o cristianismo, mas era anticristão — assim como Saulo de Tarso. Naquela cidade, havia apenas uma igreja.
Vocês sabem o que ele fez? Contratou um grupo de crianças para entrar naquela igreja. Quando a congregação se levantava para cantar, as crianças jogavam areia na boca das pessoas. Quando elas se levantavam para orar, as crianças tiravam as cadeiras do lugar. Ele fez isso até que a igreja fosse fechada.
Ele nos contou que ia de casa em casa pregando contra o cristianismo. Não sabia o que o cristianismo realmente era, mas, por causa da educação que recebera na Rússia, se opunha a ele.
Um dia, ele estava na loja do irmão, sem ter o que fazer. Estava chovendo, então procurou alguma coisa para ler. Curiosamente, encontrou um livro debaixo da mesa. Pegou-o, abriu-o e começou a ler.
Era um hinário. Não sei como aquele hinário foi parar naquela casa. Ele o abriu e leu:
Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios,
Nem se detém no caminho dos pecadores,
Nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Quando leu isso, disse: “Isso faz sentido”. Naquela noite, não conseguiu dormir.
Na manhã seguinte, levantou-se e foi ao prédio da igreja. É claro que estava fechado, mas ele empurrou a porta, e ela se abriu. Foi direto ao púlpito e viu um livro grande sobre a mesa. Abriu-o, e era o Salmo 1.
Ele disse: “Então, isso vem deste livro”. Pegou aquele livro e o levou para casa. A primeira vez que roubou, roubou uma Bíblia.
Começou a lê-la, e ela começou a tocar seu coração.
Mas ele se tornou o líder da segunda revolução na Manchúria. Para promover a revolução, havia certas coisas que precisava fazer. Ele disse: “Preciso de um lugar onde possa divulgar, fazer propaganda”. Decidiu que o melhor lugar era a Associação Cristã de Moços, a ACM, e passou a usá-la como um meio de divulgação.
Mas ele dizia que uma revolução precisava de dinheiro. Como conseguir dinheiro? Decidiu que a melhor maneira era abrir uma fábrica de cigarros. Então abriu uma fábrica e começou a produzir cigarros.
Todas as companhias estrangeiras de cigarros tentaram se opor a ele. As lojas que vendiam cigarros recebiam os produtos das companhias estrangeiras a crédito, mas resistiam a comprar os cigarros dele. Ele era muito esperto.
Contratou várias pessoas para andar de riquixá e visitar todas as lojas que vendiam cigarros. Quando desciam do riquixá, diziam: “Queremos cigarros”, e tiravam um maço, dizendo: “Queremos este cigarro. Este é o melhor”.
As lojas tentavam vender outras marcas, mas eles diziam: “Não, não, não. Todos esses outros não prestam. Se vocês não têm este, não queremos nenhum”. Percorreram a cidade, e os comerciantes concluíram que havia grande procura por aquele cigarro.
Então as lojas começaram a fazer pedidos. Ele dizia: “Meu cigarro é o melhor. Vocês precisam pagar à vista”. Todos pagaram à vista e, depois que haviam pago, ele dispensou todas aquelas pessoas. As lojas ficaram com todos aqueles cigarros, e ninguém os queria.
Então começaram a promover os cigarros para ele. Fizeram anúncios, divulgaram os cigarros, e a fábrica se tornou muito bem-sucedida. Ele tinha todo o dinheiro de que precisava para a revolução.
É claro que, como líder da segunda revolução, os japoneses queriam capturá-lo e prendê-lo, e os senhores da guerra também queriam prendê-lo. Então ele fugiu para salvar a vida. Ele me contou muitas histórias de como escapou de ser preso. Vou contar apenas uma.
Ele tinha em casa os nomes de todos os revolucionários. Pensou: “Se eles encontrarem isso, muitas pessoas serão presas e mortas”. Não podia voltar para casa, então se disfarçou.
À noite, voltou para casa. Na Manchúria faz muito frio, então ele se cobriu de tal maneira que só seus dois olhos podiam ser vistos. Viu que a porta estava fechada e a casa estava escura. Empurrou a porta, e ela se abriu. Imediatamente, foi capturado. Havia pessoas esperando por ele.
Quando foi capturado, disse: “Desculpem. Sou apenas um alfaiate. Esta família encomendou muitas roupas. Eu as fiz, mas não me pagaram”. Mostrou-lhes as contas.
Enquanto lhes mostrava as contas, disse: “Desculpem, preciso ir ao banheiro”. Foi ao banheiro, onde todos os documentos estavam escondidos, e deu descarga neles. Assim era esse irmão.
Quando estava fugindo para salvar a vida, certa manhã, enquanto se encontrava numa cidade desconhecida, o Espírito de Deus o convenceu de seus pecados. Todos os seus pecados lhe vieram à memória. Ele estava na sala, ajoelhado, orando, e suas lágrimas molharam o tapete.
Ele contou que, enquanto orava, a Palavra de Deus lhe vinha, uma passagem após outra, consolando-o e dando-lhe segurança. Ele foi maravilhosamente salvo.
Tudo começou com o Salmo 1.
Mais tarde, fechou sua fábrica e foi para Xangai estudar a Bíblia. Enquanto estudava no Instituto Bíblico, estava tão ansioso para servir ao Senhor. Alugou um local na parte antiga de Xangai, contratou um pregador para começar a pregar em seu lugar e, durante a semana, ia ajudar. Assim era o nosso irmão.
Ele levou muito dinheiro para Xangai e o colocou no banco. Mas o Senhor tratou com ele de maneira muito severa: o banco faliu, e ele contraiu tuberculose.
De maneira maravilhosa, o Senhor o levantou e o usou poderosamente na China. Queridos irmãos e irmãs, tudo veio deste salmo. Sempre que leio o Salmo 1, não consigo me esquecer disso.
Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios,
Nem se detém no caminho dos pecadores,
Nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Quem é o homem bem-aventurado? Segundo o Antigo Testamento, o homem bem-aventurado é aquele que não anda no conselho dos ímpios.
Nos tempos do Antigo Testamento, vocês percebem que a ênfase está mais na conduta exterior. Sob a lei, o comportamento exterior e a conduta exterior são o que mais importa. Aqui, então, está o homem abençoado por Deus: é um homem que não anda no conselho dos ímpios.
O mundo inteiro jaz no maligno. Do ponto de vista de Deus, todos no mundo são ímpios. Entre os ímpios, pode haver alguns menos ímpios e outros mais ímpios, mas todos os seres humanos são ímpios, porque todos nós estamos sob o domínio do maligno.
Os ímpios geralmente têm seus conselhos. Gostam de sugestões, planos e projetos. Tudo isso é ímpio porque nos afasta de Deus. Não andem no conselho dos ímpios.
Não se detenham no caminho dos pecadores. Todos neste mundo são pecadores — mais ou menos pecaminosos —, mas os pecadores têm um caminho, e todos nós andamos nesse caminho.
Se vocês lerem o capítulo 2 de Efésios, verão que todos nós estávamos mortos em pecados e transgressões. Todos seguíamos o mundo e seus costumes, sem saber que, na verdade, estávamos sob o domínio do espírito maligno. Éramos filhos da ira. Há um caminho que parece certo, mas termina em destruição.
O abençoado não andará no caminho dos pecadores e não se assentará na roda dos escarnecedores. Há uma progressão: o ímpio, o pecador e o escarnecedor. Eles não apenas se rebelam contra Deus; começam a ridicularizar Deus e se tornam escarnecedores.
Você anda, se detém e se assenta. Aqueles que são abençoados pelo Senhor, em sua vida e conduta diárias, não andam no conselho dos ímpios, não se detêm no caminho dos pecadores nem se assentam na roda dos escarnecedores. Esse é o lado negativo.
Em Salmo 1:2, temos o lado positivo. O lado positivo é, na verdade, a razão pela qual eles não andam, não se detêm e não se assentam.
Antes, o seu prazer está na lei do Senhor;
E na Sua lei medita de dia e de noite.
Um homem abençoado pelo Senhor é alguém que tem prazer na lei de Deus — na Palavra de Deus — e medita nela de dia e de noite.
Queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus nos purifica. Se amamos a Palavra de Deus e meditamos nela, isso nos impedirá de andar no conselho dos ímpios, de nos deter no caminho dos pecadores e de nos assentar na roda dos escarnecedores.
Ainda hoje, se tivermos prazer na Palavra de Deus e meditarmos nela de dia e de noite, ela nos preservará. O que está fazendo muita falta hoje é a meditação na Palavra de Deus.
A vida moderna é uma correria — só correria, correria, correria. Não temos tempo para realmente pensar, repensar, meditar e considerar. Por causa disso, nossa vida é muito superficial. Precisamos meditar na Palavra de Deus para que nossa vida espiritual crie raízes profundas. Isso nos guardará da impiedade, do pecado e do escárnio.
Tal homem é como uma árvore plantada junto às correntes de águas. Em outras palavras, ele está ligado à fonte da vida. Por estar ligado à fonte da vida, não deixará de produzir fruto.
Fruto significa algo que vem de dentro. É a riqueza da vida interior expressa em fruto. Aqueles que realmente amam a Palavra de Deus e meditam nela terão fruto — o fruto do Espírito.
Também terão folhas, e suas folhas não murcharão. As folhas simplesmente se referem à conduta exterior. Exteriormente, haverá um bom comportamento que glorifica a Deus, e seus empreendimentos serão feitos prosperar por Deus.
No Antigo Testamento, sabemos que a bênção é principalmente terrena, embora alguns que tinham fé tenham ido além, alcançando a bênção espiritual. Esses, então, são os abençoados nos tempos do Antigo Testamento.
Em contraste, o que acontece com os ímpios?
Não são assim os ímpios,
Mas são como a palha que o vento dispersa.
A palha não tem vida em si. Não serve de alimento. Quando o vento sopra, ela é levada e desaparece.
Essa é a vida dos ímpios. A vida dos abençoados é como uma árvore: há raízes. Mas a vida dos ímpios é como a palha: sem raízes, apenas vazio. É levada pelo vento.
Porque Deus é o Juiz, os ímpios acabarão sendo julgados. Não subsistirão na congregação dos justos, porque Deus conhece o nosso caminho.
Às vezes, neste mundo, os ímpios parecem prosperar, enquanto os justos parecem sofrer. Essa pergunta tem sido feita ao longo dos séculos.
Se vocês lerem o Salmo 73, encontrarão esse homem justo perguntando: “Por que os ímpios prosperam e os justos sofrem?” Às vezes, pode parecer assim. Mas ele disse, em Salmo 73:17:
Até que entrei no santuário de Deus;
Então entendi o fim deles.
Deus é o Juiz. A prosperidade dos ímpios dura apenas por algum tempo, mas os justos herdarão eternamente. É isso que encontramos no Antigo Testamento. O abençoado está mais relacionado ao comportamento exterior.
Mas, graças a Deus, hoje, em Cristo Jesus, somos redimidos. Tornamo-nos o povo celestial e espiritual de Deus. Quem são os abençoados no Novo Testamento? Vamos nos voltar para o capítulo 5 de Mateus.
Nosso irmão já mencionou o capítulo 5 de Mateus ontem à noite. Aqui vemos que nosso Senhor Jesus subiu ao monte. Grandes multidões vieram a Ele, então Ele deixou a multidão e subiu ao monte. Seus discípulos se aproximaram Dele, e Ele abriu a boca e os ensinou.
O Sermão do Monte começa com “Bem-aventurados”. Quem são os verdadeiramente bem-aventurados?
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Se vocês abrirem em Lucas 6:20-23, encontrarão uma pequena diferença. Nosso Senhor levantou os olhos para os Seus discípulos e disse:
Bem-aventurados vós, os pobres: porque vosso é o reino de Deus.
Bem-aventurados vós, os que agora tendes fome: porque sereis fartos.
Bem-aventurados vós, os que agora chorais: porque rireis.
Bem-aventurados sois vós, quando os homens vos odiarem, vos separarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do Homem.
Regozijai-vos naquele dia e saltai de alegria: porque eis que é grande o vosso galardão no céu.
Depois, em Lucas 6:24-26:
Mas ai de vós, os ricos! Porque já recebestes a vossa consolação.
Ai de vós, os que agora estais fartos! Porque tereis fome.
Ai de vós, os que agora rides! Porque lamentareis e chorareis.
Ai de vós, quando todos os homens falarem bem de vós! Porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
Há uma pequena diferença entre essas duas passagens. Em Mateus, nosso Senhor falou aos Seus discípulos, ensinando-lhes quem são os bem-aventurados. É uma instrução. Mas, em Lucas, nosso Senhor levantou os olhos e olhou para os Seus discípulos. Em outras palavras, esses discípulos haviam sido ensinados e, tendo sido ensinados, o Senhor disse:
Bem-aventurados vós, os pobres.
Em Lucas, é mais simples. Ele não diz: “Bem-aventurados os pobres de espírito”. É claro que, na realidade, é assim; mas Ele diz:
Bem-aventurados vós, os pobres: porque vosso é o reino de Deus.
O Senhor não está dizendo que Seus discípulos eram física ou materialmente pobres. Embora esses discípulos não fossem ricos em todos os sentidos, Tiago e João, por exemplo, eram pescadores cujo pai tinha empregados e barcos. Eles não eram realmente pobres nesse sentido natural.
Quando o Senhor olhou para Seus discípulos e disse: “Bem-aventurados vós, os pobres”, essa pobreza não se referia à pobreza física, material ou natural. Referia-se ao fato de que, por terem se tornado discípulos do Senhor, eles haviam se tornado pobres.
Vocês se lembram de 2 Coríntios 8:9: nosso Senhor, sendo rico, Se fez pobre por nossa causa. No capítulo 2 de Filipenses, encontramos que Ele era igual a Deus, e isso não era algo de que precisasse Se apoderar, porque Ele é Deus. Ele é o Filho de Deus; o Filho e o Pai são um.
No entanto, Ele esvaziou a Si mesmo. Vocês não conseguem imaginar ninguém mais rico do que nosso Senhor. Quem pode ser mais rico do que Deus? O mundo inteiro pertence a Ele. Tudo é Dele. Nosso Senhor é o mais rico de todo o universo; Ele possui o universo. Mas esvaziou a Si mesmo e Se fez pobre por nossa causa, para que fôssemos enriquecidos Nele.
Então, irmãos e irmãs, quem são os discípulos, os aprendizes e os seguidores de nosso Senhor Jesus? Quando nosso Senhor Jesus chamou Seus discípulos, disse: “Vinde após Mim”. O que eles fizeram? Deixaram tudo e O seguiram. Isso os tornou pobres.
É uma pobreza voluntária. Por causa do Senhor, deixaram tudo para trás e O seguiram. O Senhor disse:
Bem-aventurados vós, os pobres: porque vosso é o reino de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, quando nos tornamos discípulos de nosso Senhor Jesus, o que queremos dizer com discípulos? Discípulos significa simplesmente aprendizes. Você aprende com seu mestre.
Quem é o Mestre? Nosso irmão mencionou ontem à noite que, quando olhamos para o Sermão do Monte, para as bem-aventuranças, elas são, na verdade, uma descrição do caráter de nosso Senhor Jesus.
É isso que Ele é. Ele é o mais bem-aventurado. Por quê? Porque Ele é pobre de espírito. Ele é Aquele Que chora. Ele é manso. Ele é Aquele Que tem fome e sede de justiça. Ele é misericordioso. Ele é puro de coração. Ele é o Pacificador. Ele é perseguido por causa da justiça.
Em outras palavras, as bem-aventuranças são uma descrição do caráter de nosso Senhor Jesus quando esteve na terra. Ele é o Mestre, o Professor, e está nos chamando para sermos Seus discípulos.
Hoje, tendemos a separar crentes e discípulos. Pensamos que podemos ser crentes sem ser discípulos. Mas, nos primeiros tempos, não havia separação. Se você cria Nele, então O seguia. Se O recebia como seu Salvador, então se rendia a Ele como seu Mestre e Senhor.
Creio que muitos irmãos e irmãs conhecem a história da conversão de Watchman Nee. Ele conhecia as doutrinas do evangelho e, quando foi ouvir o senhor Rees, contou que, na primeira noite, enquanto ouvia, sabia que tudo aquilo era verdade. O evangelho era verdadeiro; Jesus Cristo era verdadeiro; Sua salvação era real. Ele sabia que deveria crer, mas não creu naquela noite.
Durante várias noites, ele lutou. O problema era que sabia que, se recebesse Jesus como seu Salvador, teria de se render a Jesus como seu Senhor. Não conseguia fazer isso. Como jovem, tinha seus próprios planos e, do ponto de vista humano, seria bem-sucedido. Era difícil abandoná-los.
Ele lutou e lutou até que, um dia, enquanto orava, viu a negrura de seu pecado e o vermelho do sangue do Senhor.
Foi tocado pelo amor de Cristo e se rendeu. Creu em Jesus como seu Salvador e, ao mesmo tempo, aceitou Jesus como seu Senhor e Mestre.
Queridos irmãos e irmãs, quando recebemos Jesus como nosso Salvador, entregamos nossa vida a Ele como nosso Senhor e Mestre? Isso é discipulado. Nós nos entregamos, deixamos tudo e O seguimos?
Em outras palavras, tornamo-nos pobres voluntariamente. Deixamos tudo para trás e simplesmente O seguimos. Ele é a nossa riqueza, o nosso tesouro e o nosso lar.
Bem-aventurados vós, os pobres.
Quando chegamos a Mateus, vemos que ele explica o que essa pobreza significa:
Bem-aventurados os pobres de espírito:
Porque deles é o reino dos céus.
Antes de crermos no Senhor Jesus, somos muito ricos em nós mesmos. Temos um conceito elevado de nós mesmos. Pensamos que somos capazes, que temos muitas habilidades e talentos, e que podemos fazer isto ou aquilo. Chegamos até a pensar que podemos salvar a nós mesmos, e tentamos.
Mas, graças a Deus, Ele nos leva a um ponto em que descobrimos que nada podemos fazer. Não podemos salvar a nós mesmos. Toda a nossa justiça é como trapos de imundícia. Ela não satisfará a exigência do Deus justo. Somos reduzidos à pobreza — à pobreza espiritual — e, então, recebemos o Senhor como nosso Salvador.
“Bem-aventurados os pobres de espírito.” Isso não significa que temos um espírito pobre. Algumas pessoas têm um espírito pobre, mas isso é diferente de ser pobre de espírito. Se você tem um espírito pobre, não há bênção nisso.
Mas, se você é pobre de espírito, é reduzido à pobreza — reduzido a nada. Você começa a ter essa humildade, esse espírito de humildade, essa disposição de não se colocar em evidência.
Como você pode ser reduzido a nada? Naturalmente, todos temos um conceito elevado de nós mesmos. Pensamos que somos alguém, que somos alguma coisa e que temos alguma coisa.
Mas, irmãos e irmãs, quando vemos a glória de Deus, quando vemos a face do Senhor Jesus, quando vemos Suas riquezas e Sua beleza, isso transforma a nossa beleza em corrupção.
Vocês se lembram da história de Daniel. Daniel era um jovem assim. Ainda adolescente, foi levado como refém para um país estrangeiro e recebeu as melhores oportunidades. No entanto, conservou-se puro para o Senhor. Não quis se contaminar com a comida e o vinho do rei.
Deus o abençoou com sabedoria, entendimento e discernimento. No entanto, em sua velhice, quando viu a beleza e a glória do Senhor, disse:
A minha beleza se tornou em corrupção.
Queridos irmãos e irmãs, se vemos o Senhor e O seguimos — agora, vocês não podem vê-Lo se não O seguirem —, isso nos levará à pobreza espiritual. Ele nos reduzirá à condição de pobres de espírito.
O Espírito de Cristo é o espírito do Cordeiro. É um espírito de humildade. Que esse Espírito caracterize o nosso espírito. Esse é o caminho da bênção.
Por que não somos abençoados como deveríamos? Da parte de Deus, Ele nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Mas por que não recebemos a bênção como deveríamos? É porque estamos cheios demais. Somos ricos demais em nós mesmos.
Somos exatamente como a igreja que diz:
Sou rico, tenho adquirido riquezas e de nada tenho necessidade.
“Tenho tudo. Tenho conhecimento, tenho entendimento, tenho tudo.” Esse tipo de espírito bloqueia o caminho da bênção.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, se queremos ser os abençoados do Senhor, onde devemos estar? Devemos estar em um lugar baixo — não fisicamente, mas espiritualmente —, pobres de espírito.
Reconhecemos e confessamos que não somos nada e não temos nada. Mas, na verdade, quanto mais você reconhece que não é nada, mais você tem alguma coisa. São os pobres de espírito que são espiritualmente ricos, porque serão cheios.
Se esvaziarmos a nós mesmos, Ele nos encherá. Deles é o reino dos céus.
Não precisamos esperar pelo futuro para entrar no reino dos céus. Vocês sabem que, hoje, entre o povo de Deus, muitos nem sequer sabem que existe um reino? Pensam apenas no presente e na eternidade, nesta era e na eternidade. Não sabem que existe uma era vindoura: o reino.
Mas, irmãos e irmãs, os pobres de espírito são bem-aventurados. Por quê? Porque, ainda hoje, já estão no reino dos céus. Essa é a própria atmosfera do reino dos céus.
No reino dos céus, não há disputa sobre quem é o maior. No reino dos céus, quem é o menor é o maior.
Você pode viver no reino dos céus ainda hoje. Somente aqueles que vivem no reino dos céus hoje estarão qualificados para reinar com Cristo no reino vindouro.
A condição dos abençoados do Senhor nos tempos do Novo Testamento começa com o espírito de humildade. Que o Senhor nos conserve nesse espírito.
Quando examinamos a história da igreja, seja em relação a um grupo ou a um indivíduo, descobrimos que a razão pela qual os abençoados do Senhor entram em declínio é a falta do espírito de humildade.
Quando olhamos para a história da igreja, parece que a bênção do Senhor não consegue ser mantida por mais de trinta anos. Depois de trinta anos, o mesmo ciclo se repete, vez após vez.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a vontade de Deus? Certamente não. A razão pela qual, depois de vinte ou trinta anos de bênção, há declínio é sempre que as pessoas ficam cheias de si mesmas. Tornam-se orgulhosas da bênção de Deus.
Você tem a bênção, mas perde Aquele Que abençoa. Perde Cristo de vista. Enxerga apenas a bênção com que Ele o abençoou. Separa as bênçãos Daquele Que abençoa, e isso é declínio.
Mas não deveria ser assim. Se, pela graça de Deus, formos conservados em um espírito humilde, então descobriremos que somos os abençoados. A bênção continuará, e ainda hoje estaremos vivendo no reino dos céus.
A segunda bem-aventurança diz:
Bem-aventurados os que choram:
Porque eles serão consolados.
Nosso irmão já nos deu uma explicação muito completa desse versículo. Vou mencionar apenas isto: por que os que choram são bem-aventurados? Porque se entristecem segundo Deus.
Se você se entristece segundo o mundo, não há bênção nisso. Mas, se você se entristece segundo Deus, isso o levará ao arrependimento para a salvação. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
A terceira bem-aventurança diz:
Bem-aventurados os mansos:
Porque eles herdarão a terra.
Quem são os mansos? Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse, em Mateus 11:29:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim;
Porque sou manso e humilde de coração:
E encontrareis descanso para as vossas almas.
Nosso Senhor Jesus é o Manso. Se tomamos Seu jugo sobre nós, precisamos estar unidos a Cristo sob o mesmo jugo. Não podemos aprender mansidão se não estivermos sob o mesmo jugo com Ele.
Ele está de um lado do jugo. Ele é o Manso, e nós estamos do outro lado do jugo — os rebeldes, os altivos. Quando estamos puxando o arado, descobrimos que Ele, o Manso, é mais forte do que o altivo. Ele nos puxará em Sua direção e, assim, começaremos a aprender mansidão.
Se você não estiver sob o mesmo jugo com Cristo, nunca aprenderá mansidão, porque, por natureza, somos altivos. Precisamos estar sob o mesmo jugo com Cristo. Isso é discipulado, e aprendemos com Cristo. Então haverá mansidão em nós.
Vocês conhecem Moisés. A Bíblia diz que ele era o mais manso de todos os homens. Certamente essa não é a impressão que geralmente temos dele. Os artistas que retratam Moisés lhe dão feições tão masculinas, tão vigorosas.
Mas, em Números 12:3, a Bíblia diz que Moisés era o mais manso de todos. Certamente ele não era fraco. O que é mansidão?
Mansidão é ser sensível e dócil à vontade de Deus. Seja qual for a vontade de Deus, a pessoa a fará.
Quando Moisés recebeu a ordem de construir o tabernáculo e lhe foi dado o modelo no monte, até nos mínimos detalhes, embora tivesse sido instruído no Egito e fosse um grande arquiteto, não se desviou nem um pouco. Seguiu as instruções. Foi manso diante da vontade de Deus. Isso é mansidão.
Irmãos e irmãs, somos mansos? Isso não significa que somos fracos. Pensamos na fraqueza como alguém que é feito de gelatina, sem firmeza e sem princípios. Não. Ser manso não é ser fraco.
Ser manso significa simplesmente que, diante de Deus e de Sua vontade, você é tão dócil que fará tudo o que Ele lhe ordenar. Isso é mansidão.
Se você for manso, o mundo dirá que não conseguirá nada. Mas Deus lhe dará a terra.
A quarta bem-aventurança diz:
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça:
Porque eles serão fartos.
Temos fome e sede de justiça? É claro que a justiça aqui não se resume a Cristo como nossa justiça, e ponto final. Não temos justiça própria.
Somos como o filho pródigo. Quando voltamos, estávamos em trapos. Mas, quando o Pai nos encontrou, tirou nossos trapos e nos vestiu com a melhor roupa. A melhor roupa é Cristo — Cristo, nossa justiça.
Deus fez de Cristo a nossa justiça. Todos estamos revestidos de Cristo e, porque estamos revestidos de Cristo, podemos comparecer diante de Deus sem vergonha, aceitos no Amado.
Mas, irmãos e irmãs, a justiça aqui é diferente. É a justiça que excede a justiça dos escribas e fariseus.
Os escribas e fariseus tinham um tipo de justiça, mas era apenas uma aparência exterior — uma boa aparência. Como pareciam piedosos! Guardavam a letra da lei até nos mínimos detalhes. Mas, por dentro, eram como sepulcros cheios de ossos de mortos.
Nossa justiça deve exceder a justiça dos escribas e fariseus. A menos que nossa justiça exceda a deles, não podemos entrar no reino dos céus.
Que justiça é essa?
Buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça;
E todas estas coisas vos serão acrescentadas.
A justiça aqui são os atos justos dos santos. Em Apocalipse 19:8, foi dado à esposa do Cordeiro linho fino, resplandecente e puro, que são os atos justos dos santos. Essa é a veste nupcial.
No Salmo 45, lemos que a rainha tem uma veste de ouro trabalhado por baixo. Sim, isso é Cristo, nossa justiça. Mas, sobre essa veste de ouro, há uma roupa bordada, e essa é a veste nupcial.
A roupa bordada significa que o Espírito Santo tece o caráter de Cristo, ponto por ponto, em nosso próprio ser. Cristo começa a aparecer em nossa vida. Seu caráter começa a se tornar o nosso caráter.
São os atos justos dos santos, mas é Cristo. Irmãos e irmãs, precisamos ter fome e sede dessa justiça. Se tivermos, seremos fartos. Graças a Deus por isso.
Bem-aventurados os misericordiosos:
Porque eles alcançarão misericórdia.
Deus não quer sacrifício; Ele quer misericórdia. Ele conhece o nosso coração. Os homens julgam pela aparência, mas Deus julga pelo coração. Ele quer que sejamos misericordiosos.
Nosso Senhor é o Misericordioso, e Ele quer que sejamos misericordiosos. Nós, que recebemos misericórdia, devemos demonstrar misericórdia. Vocês se lembram da parábola do servo que devia tanto ao seu senhor e foi perdoado, mas não quis perdoar seu companheiro, que lhe devia pouco.
O Senhor disse: “Porque você não é misericordioso, não receberá misericórdia”. Que o Senhor nos ajude.
Bem-aventurados os limpos de coração:
Porque eles verão a Deus.
Ser limpo de coração significa não apenas ter um coração limpo, mas um coração puro — não um coração duplo, não um coração e outro coração, mas um coração indiviso para com o Senhor.
Se nosso coração é indiviso para com o Senhor, vemos a Deus. A razão pela qual não vemos Deus em nossa vida diária é que nosso coração está dividido. Mas, se ele é unido, um só — se amamos o Senhor nosso Deus de todo o coração —, então veremos Deus em nossa vida diária.
Bem-aventurados os pacificadores:
Porque eles serão chamados filhos de Deus.
Nosso irmão já mencionou nesta manhã que nosso Senhor é o Pacificador. Por Ele ser assim, quando assumimos Seu caráter, também nos tornamos pacificadores. Deus nos deu o ministério da reconciliação, suplicando ao mundo que se reconcilie com Deus em Cristo Jesus.
Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça.
Queridos irmãos e irmãs, não pertencemos a este mundo. Não somos deste mundo, assim como Cristo não é deste mundo. Portanto, o mundo não nos compreenderá. As pessoas não apenas nos compreenderão mal; chegarão até a nos perseguir.
Mas, se somos perseguidos por causa do Seu nome, regozijem-se, porque grande é o seu galardão no reino dos céus.
Quem são os abençoados? Como podemos estar em uma posição de receber bênção? Lembrem-se das bem-aventuranças. Se realmente aprendermos Dele e assumirmos Seu caráter em nós, então, irmãos e irmãs, não haverá limite para a bênção de Deus.
Que o Senhor nos ajude.
Querido Senhor, Tu és o Bem-aventurado, e queres que sejamos unidos a Ti, para que possamos ser abençoados.
Senhor, nós realmente oramos para que possamos aprender de Ti, para que o Teu caráter se torne o nosso caráter. Senhor, tudo isso é para Ti. Queremos bendizer-Te com aquilo com que nos abençoaste.
Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.