Por favor, abram no Evangelho segundo João, em João 4:23-24.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade;
porque o Pai procura a tais que assim O adorem.
Deus é Espírito;
e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.
Permitam-me repetir:
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade;
porque o Pai procura a tais que assim O adorem.
Deus é Espírito;
e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, esperamos que Tu nos fales por meio da Tua Palavra. Tua Palavra é a verdade. Tua Palavra é espírito e vida.
Por isso, Senhor, pedimos que, nesta manhã, a Palavra seja viva e operante em cada um de nós. Queremos entrar em Tua Palavra. Queremos entrar em Tua realidade. Então, ensina-nos, Senhor, enquanto esperamos em Ti. Pedimos em Teu precioso nome, Senhor Jesus. Amém.
Ultimamente, parece que o Senhor colocou em meu coração um encargo a respeito desta importante questão da adoração.
Agora, irmãos e irmãs, viemos aqui nesta manhã como adoradores. Viemos adorar o único Deus verdadeiro e vivo e Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas sinto que precisamos, de tempos em tempos, rever toda essa questão da adoração. Sabemos realmente a Quem estamos adorando? Adoramos de uma maneira aceitável e agradável Àquele a Quem adoramos? Entendemos o que a adoração realmente é? Somos verdadeiros adoradores?
Agora, se não podemos responder a essas perguntas, não apenas mentalmente, mas de verdade, então estaremos simplesmente perdendo nosso tempo. E, pior ainda, isso pode prejudicar nossa vida espiritual.
Por isso, irmãos e irmãs, sinto muito fortemente em meu espírito que precisamos rever toda essa questão da adoração e ver onde estamos.
O Evangelho segundo João, no capítulo 4, nos mostra muito sobre essa questão da adoração. Imagino que todos conheçamos a história.
Nosso Senhor Jesus saiu de Jerusalém, na Judeia, a caminho da Galileia. A Bíblia diz que era necessário que Ele passasse por Samaria.
Mas conhecemos o costume daquela época. Como os judeus não se relacionavam com os samaritanos, sempre que queriam ir da Judeia para a Galileia, ou da Galileia para a Judeia, não passavam por Samaria. Atravessavam o rio Jordão, viajavam pelo lado oriental do rio e depois atravessavam novamente para chegar à Galileia ou a Jerusalém.
Mas a Bíblia diz que nosso Senhor Jesus precisava passar por Samaria. Portanto, sabemos que essa necessidade não era uma necessidade física, nem estava de acordo com o costume daqueles dias. Era uma necessidade espiritual.
Nosso Senhor Jesus sentiu em Seu espírito que precisava fazer algo contrário à tradição e ao costume para encontrar uma única mulher em Samaria.
Assim, quando nosso Senhor passou por Samaria, chegou a uma cidade chamada Sicar. Fora da cidade havia um poço que Jacó havia cavado no passado.
Nosso Senhor estava cansado da viagem, por isso Se sentou junto ao poço de Jacó. Seus discípulos foram à cidade comprar comida.
Enquanto nosso Senhor estava sentado junto ao poço, uma mulher samaritana veio até ali. Era meio-dia. Vocês sabem que, segundo o costume, as mulheres geralmente vinham ao poço de manhã ou à tarde. Nunca vinham ao meio-dia, porque fazia muito calor.
Mas ali estava aquela mulher. Ela evitava as outras mulheres. Veio ao meio-dia tirar água para saciar sua sede.
Quando nosso Senhor Jesus a viu, fez algo que um judeu jamais faria. Pediu à mulher samaritana um pouco de água para beber.
A mulher ficou surpresa. Olhou para o Senhor Jesus e se perguntou por que aquele homem judeu pediria água a uma mulher samaritana.
Nosso Senhor Jesus lhe disse:
Se conhecesses Quem te pede água e se soubesses o que Ele te daria, tu Lhe pedirias a água que se tornará uma fonte dentro de ti, jorrando para a vida.
Então, a curiosidade daquela mulher foi despertada. Ela disse:
Senhor, Tu não tens nenhum instrumento com que tirar água. O poço é fundo. Como podes me dar água viva? Nossos antepassados todos beberam deste poço. Quem és Tu, para nos dar algo melhor?
Nosso Senhor Jesus disse:
Quem beber da água deste poço tornará a ter sede. Mas quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede, porque ela será uma fonte jorrando dentro dele.
Então, a mulher disse:
Dá-me dessa água, para que eu não precise voltar aqui.
E Jesus disse:
Vai buscar teu marido.
A mulher disse:
Não tenho marido.
O Senhor disse:
Sim, tens razão. Já tiveste cinco maridos, e aquele com quem vives não é teu marido.
Em outras palavras, o Senhor tocou a consciência dela. E, quando a consciência daquela mulher foi tocada, ela fez esta pergunta:
Tu deves ser profeta. Nós, samaritanos, adoramos naquele monte, Gerizim; mas vós, judeus, adorais em Jerusalém. Qual é, então, o lugar certo para adorar?
Agora, irmãos e irmãs, vocês talvez fiquem surpresos ao ver uma mulher samaritana, que possivelmente nunca havia pensado muito sobre adoração, de repente fazer uma pergunta tão profunda.
Por que isso acontece? Porque o ser humano foi criado para adorar.
Quando a consciência de alguém desperta, essa questão primordial e básica da adoração se apresenta diante dessa pessoa. No mais profundo do nosso ser, existe um instinto de adoração.
A adoração é o dever mais básico e primordial do ser humano. Irmãos e irmãs, o que é adoração?
A palavra adoração, em hebraico, significa prostrar-se e prestar homenagem. A mesma palavra, em grego, significa aproximar-se e beijar Sua mão.
Portanto, o significado é este: você reconhece a supremacia Daquele a Quem adora. Você se prostra. Beija Sua mão. Entrega sua vida a Ele. Busca Nele tudo de que precisa. Isso é adoração.
Adorar é colocar Deus no lugar que Lhe pertence e colocar a si mesmo na posição adequada. Isso é adoração.
Adorar é reconhecer Deus — Sua natureza, Seus atributos, Seus caminhos e Suas reivindicações —, seja pelo derramar do coração em louvor e ações de graças, seja por atos que expressem esse reconhecimento de Deus.
Adorar é conhecer nossa limitação e saber que Deus é ilimitado; é saber que somos insuficientes e que Deus é todo-suficiente. Adorar é ir a Ele, olhar para Ele, dar a Ele e tê-Lo como nosso tudo. Isso é adoração.
Quando a consciência de alguém é despertada, a primeira questão que surge é a adoração. É por isso que vemos, neste mundo, desde a tribo mais primitiva até os povos mais civilizados, que todos adoram.
Infelizmente, existe um conflito em torno da adoração. É um conflito que atravessa os séculos.
Deus, Aquele que nos fez, nosso Criador, deveria ser o único a Quem adoramos. Adoramos Aquele que nos fez, nosso Criador. Mas sabemos que Satanás tenta roubar de Deus a adoração. Ele tenta redirecionar nossa adoração para si mesmo por meio de muitos falsos deuses e de muitos ídolos.
Mas, graças a Deus, sabemos a Quem adoramos. Até mesmo a mulher samaritana, embora estivesse profundamente envolvida no pecado, sabia que o Senhor Deus é o único Deus. Os samaritanos adoravam o mesmo Deus que os judeus.
Portanto, para ela, a questão não era a Quem adorar. Isso estava resolvido, e é muito importante que esteja resolvido. Sua pergunta era onde e quando adorar.
Nos tempos do Antigo Testamento, nosso Senhor Jesus ainda não havia vindo a este mundo para realizar a obra da redenção, e o Espírito Santo ainda não havia vindo. Por isso, vemos que o relacionamento do ser humano com Deus era remoto, distante, exterior e físico.
Deus está no terceiro céu, e o ser humano está na terra. Deus precisa ser adorado, mas como? Vemos que isso era basicamente físico. Era necessário um lugar para adorar.
O povo judeu adorava em Jerusalém porque aquele era o lugar que Deus havia determinado. Os samaritanos, em rebelião contra os judeus, estabeleceram outro lugar, o monte Gerizim, porque o monte Gerizim era o lugar onde a bênção havia sido pronunciada.
A adoração era limitada não apenas pelo espaço, mas também pelo tempo. Havia momentos determinados para adorar. O povo judeu ia a Jerusalém três vezes por ano para adorar a Deus. No sábado, adorava; durante as festas, adorava.
Assim, irmãos e irmãs, vemos que, nos tempos do Antigo Testamento, a adoração era mais uma questão física do que espiritual. Era limitada pelo tempo e pelo espaço. Deus era adorado de longe.
Mesmo com o tabernáculo e com o templo, as pessoas ainda adoravam à distância. Deus é tão santo que o ser humano não podia se aproximar Dele, a não ser à distância e de maneira indireta.
Mas isso não significa que o propósito de Deus para a adoração seja físico. Repetidas vezes, nos tempos do Antigo Testamento, vemos Deus dizer que devemos adorá-Lo com nosso coração.
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.
O profeta Isaías, em Isaías 29:13, diz:
Este povo se aproxima de Mim com a sua boca,
e com os seus lábios Me honra,
mas afastou de Mim o seu coração;
e o seu temor para Comigo consiste em mandamentos de homens, que lhes foram ensinados.
Portanto, irmãos e irmãs, mesmo nos tempos do Antigo Testamento, por causa da limitação humana, as pessoas só podiam adorar a Deus à distância e dentro dos limites do tempo e do espaço. Ainda assim, o desejo de Deus para a adoração era que o coração estivesse presente. Precisava haver algo mais profundo do que o meramente físico, porque Deus olha para o coração, não para a aparência exterior.
Mas, queridos irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus disse:
A hora vem, e agora é.
Vocês sabem, o tempo mudou. Por quê? Porque nosso Senhor Jesus já veio a este mundo.
Ele realizaria a obra da redenção e, por meio da obra da redenção e da vinda do Espírito Santo, toda a situação da adoração mudou.
Ela deixou de ser algo bastante exterior e passou a ser algo intensamente interior.
Portanto, irmãos e irmãs, estamos agora nos tempos do Novo Testamento. Não estamos nos tempos do Antigo Testamento. Nossa adoração já não é uma questão de onde e quando. Já não é uma forma exterior. Nossa adoração agora chegou à realidade.
Isso quer dizer que nossa adoração é intensamente espiritual. Ela precisa vir das profundezas do nosso ser.
Na conversa de nosso Senhor com a mulher samaritana, Ele disse:
A hora vem, e agora é.
Vocês não adoram a Deus à distância. Agora estão adorando o Pai. Esse Deus — o Deus transcendente, o Deus que habita em glória — agora é o Pai de vocês.
Ele já não está distante ou remoto. Ele está perto. É querido. É íntimo. Agora é o Pai de vocês. Vocês adoram a Deus como seu Pai, não como um Criador distante.
Portanto, vocês adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura tais pessoas para serem Seus adoradores. Vocês que adoram a Deus devem adorá-Lo em espírito e em verdade.
Agora, espero que essas palavras de nosso Senhor penetrem profundamente em nosso ser. Já não vivemos nos tempos do Antigo Testamento.
Nos tempos do Antigo Testamento, era impossível adorar a Deus da maneira que Ele realmente procura. Por quê? Porque o ser humano caiu em pecado.
Nosso espírito — o único órgão dentro de nós que pode ter comunhão com Deus — estava morto. Foi isso que o pecado fez conosco.
Vocês sabem que, quando Adão pecou, Deus disse:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Mas sabemos que Adão viveu centenas de anos, fisicamente falando, e teve muitos filhos e filhas.
O que morreu no dia em que ele comeu do fruto da árvore proibida? Seu espírito. O espírito dentro dele, o único órgão no ser humano que podia se comunicar com Deus, foi desligado. Aquela comunicação foi interrompida — estava morto.
Como o espírito estava morto, a comunhão íntima era impossível. O ser humano só podia adorar a Deus à distância, sabendo que Deus devia existir em algum lugar. Podia adorar a Deus em sua alma e adorar a Deus com seu corpo, mas seu espírito estava morto.
Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus veio a este mundo para nos recuperar e nos restaurar a Deus.
Então, a primeira coisa que acontece quando cremos no Senhor Jesus — vocês sabem, irmãos e irmãs, o que acontece? Nosso espírito morto é vivificado para uma nova vida.
O que é nascido do Espírito é espírito.
Aquele que nasce do Espírito Santo recebe um novo espírito humano. Junto com esse novo espírito, o Espírito Santo também vem e habita em nosso novo espírito.
A Bíblia diz que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Clamamos: “Aba, Pai”. Isso é o novo nascimento.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, vocês sabem o que aconteceu quando creram no Senhor Jesus? Uma nova criação, um novo nascimento. Seu espírito morto foi vivificado para uma nova vida, e o Espírito Santo veio habitar em seu espírito. Juntos, eles testificam que vocês são filhos de Deus. Vocês clamam: “Aba, Pai”. A comunhão com Deus é restaurada.
Foi isso que aconteceu. E, porque isso aconteceu, a verdadeira adoração se torna possível. O que era humanamente impossível agora é divinamente possível.
É por isso que nosso Senhor Jesus disse:
A hora vem, e agora é. Aquele que adora o Pai adorará em espírito.
Vocês sabem, no texto grego, todas as letras são do mesmo tipo: ou todas maiúsculas, ou todas minúsculas. É por isso que, ao traduzir a Bíblia, as pessoas têm dificuldade para determinar se a palavra espírito se refere ao Espírito Santo, caso em que deve começar com maiúscula, ou ao espírito humano, caso em que deve começar com minúscula.
É preciso examinar o contexto para entender. Por outro lado, porém, o Espírito Santo e nosso novo espírito não devem ser separados. Devem ser um; devem estar juntos.
Em João 4:23-24, como devemos adorar a Deus hoje? Devemos adorar.
Agora, irmãos e irmãs, sublinhem a palavra devemos. Adoraremos, porque agora essa possibilidade está disponível. E devemos adorar, porque Deus é Espírito.
Como vocês podem entrar em contato com o espírito por meio da alma — da mente, da vontade ou das emoções? Como podem entrar em contato com o espírito por meio do corpo? Não podem.
A única maneira de entrar em contato com Deus, de ter comunhão com Deus, de adorar a Deus, é por meio do novo espírito de vocês. Graças a Deus, temos um novo espírito.
Nesse espírito, quando somos tocados pelo Espírito Santo e conduzidos pelo Espírito Santo, podemos nos aproximar de Deus, entrar em contato com Ele e adorá-Lo. Esse é o único caminho.
Não podemos adorar a Deus se não exercitarmos nosso espírito, porque Deus é Espírito.
Portanto, irmãos e irmãs, há algo muito fundamental que precisamos aprender.
Vocês se lembram daquele cântico de louvor de Maria, a mãe de Jesus. Ela disse:
A minha alma engrandece ao Senhor,
e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador.
Aqui vemos que a alma dela engrandece ao Senhor. Em outras palavras, em seus sentimentos, em seus pensamentos e em sua vontade, ela estava engrandecendo ao Senhor.
Mas não se esqueçam: de onde isso se origina? Não da alma. Ela disse:
O meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador.
Em outras palavras, a adoração vem primeiro em nosso espírito, porque nosso espírito se alegrou em Deus, nosso Salvador. Então, isso começa a tocar nossa alma, e nossa alma começa a engrandecer ao Senhor. Depois, levantamos nossa voz em louvor e adoração, fisicamente.
Portanto, irmãos e irmãs, a obra de Deus sempre começa do centro para a circunferência, nunca de fora, tentando alcançar o interior.
Isso é algo que precisamos entender. Hoje, infelizmente, o povo de Deus se esquece de que a adoração é predominantemente, primordialmente, basicamente uma questão de exercício espiritual.
Por isso, encontramos pessoas que não sabem exercitar seu espírito para adorar e tentam substituí-lo pela força física, mental, emocional ou da vontade.
Mas sabemos, infelizmente, que, mesmo com toda essa agitação e essas atividades, o espírito não é tocado. E, se o espírito não é tocado, não há adoração. Deus não é adorado.
O ser humano pode ficar satisfeito. Nossas emoções podem ficar satisfeitas. Nossa vontade e nossa mente podem ficar satisfeitas. Mas Deus não é adorado. A adoração precisa vir do nosso espírito.
Vocês sabem que têm um espírito? Vocês não são apenas alma e corpo. Sabem que têm algo tão precioso, concedido por Deus? O Espírito Santo habita no espírito de vocês, e há ali um potencial tão grande. É por meio disso que Deus é adorado.
Vocês devem adorar em espírito.
Por ser uma adoração em espírito, ela transcende o tempo e o espaço. É ilimitada. Devemos adorar em espírito, conforme somos conduzidos pelo Espírito de Deus.
Também devemos adorar em verdade. Agora, o que é a verdade?
Vocês sabem, Pilatos fez essa pergunta, mas nunca esperou pela resposta. Por causa disso, fez o que era errado, condenando nosso Senhor Jesus à crucificação.
Em João 17:17, nosso Senhor Jesus, em Sua oração sacerdotal, diz:
Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade.
Em outras palavras, a Palavra de Deus é a verdade. Devemos adorar de acordo com a Palavra de Deus, não de acordo com a tradição humana.
O que é a verdade? Nosso Senhor Jesus disse em João 14:6:
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por Mim.
Ele é a verdade. Em outras palavras, devemos adorar em Cristo — isto é, em Sua vida, por Sua vida —, não pela vida adâmica, não por nossa carne, mas pela vida de Cristo, em Cristo. Isso é a verdade.
O que é a verdade? O Espírito Santo é o Espírito da verdade. Ele nos conduzirá a toda a verdade. Em outras palavras, precisamos ser conduzidos pelo Espírito Santo. Quando somos conduzidos pelo Espírito de Deus, então há adoração.
Irmãos e irmãs, a Bíblia diz que devemos adorar em espírito e em verdade. Caso contrário, não somos verdadeiros adoradores.
Creio que todos queremos ser verdadeiros adoradores. Não queremos apenas cumprir formalidades em nossa vida, nem mesmo apenas no Dia do Senhor. Queremos ser verdadeiros adoradores de Deus, porque é isso que o Pai procura.
Nosso Pai não procura em nós outra coisa senão verdadeiros adoradores. Somos verdadeiros adoradores? Penso que essa é uma questão muito, muito séria e solene, e realmente precisamos levá-la a sério diante de Deus.
Não queremos brincar de cristianismo. Queremos ser genuínos diante de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos perguntar a nós mesmos, repetidas vezes: somos verdadeiros adoradores? Somos aqueles que nosso Pai procura?
Nosso Pai celestial não procura em nós outra coisa senão verdadeiros adoradores. Estamos Lhe dando a adoração que Lhe é devida? Essa é nossa responsabilidade.
Agora, tendo dito isso, queremos ser práticos, porque as coisas espirituais são extremamente práticas.
A adoração tem dois aspectos. Há um aspecto pessoal e um aspecto coletivo. Primeiro, queremos aplicar esse princípio da adoração à nossa vida pessoal.
Queremos responder a esta pergunta: se a adoração é em espírito e em verdade, se não é uma questão de tempo e espaço — se não é limitada pelo tempo nem pelo espaço —, então, o que é nossa adoração?
A adoração é, basicamente, nossa vida. Nossa vida inteira deveria ser adoração.
Deus não quer que sejamos adoradores apenas em determinado momento. E, no restante do tempo, a quem adoramos? Adoramos o mundo? Adoramos o dinheiro? Adoramos nossa família? Adoramos a nós mesmos? Adoramos nossa carreira? O que adoramos? A quem adoramos?
A adoração não é uma questão de tempo ou de lugar. Será que só adoramos quando vamos à chamada igreja?
Mas, quando estamos no escritório, em casa ou na escola, não estamos adorando a Deus? O que estamos adorando?
Será que tratamos toda essa questão da adoração como algo separado, restrito ao tempo e ao espaço, à aparência física e exterior? Estamos voltando aos tempos do Antigo Testamento? Somos santos do Antigo Testamento ou santos do Novo Testamento?
O que é adoração para nós, o povo do Senhor? Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
O que é adoração? Adoração é uma vida consagrada: uma vida que foi entregue a Deus, uma vida que se rendeu a Deus, uma vida que vive para Deus, vive por Sua vida, vive para Ele e somente para Ele. Isso é adoração.
Não restrinjam a adoração a determinado momento e a determinado lugar. Essa não é a realidade espiritual da adoração.
A adoração é sua vida inteira. Sua vida está inteiramente entregue a Deus, rendida a Ele?
Vocês estão fazendo a vontade de Deus em sua vida diária? Exercitam seu espírito em sua vida diária como cristãos? Estão permitindo que seu espírito os governe, ou adormecem e vivem pela alma, ou até mesmo pelo corpo?
As pessoas deste mundo — as de nível elevado — vivem pela alma. As de nível baixo vivem pelo corpo. As de nível elevado vivem pela mente, pelos sentimentos e pela vontade. As de nível baixo vivem pelas paixões e pelos desejos do corpo.
Mas nós, como cristãos, como vivemos nossa vida diária? Exercitamos nosso espírito ao viver nossa vida diária?
Nossa chamada vida espiritual está limitada àquele breve período devocional, quando lemos um pouco da Palavra e fazemos algumas orações? Essa é nossa vida espiritual, enquanto, no restante da vida, vivemos por nossa própria conta, em nossa carne?
Irmãos e irmãs, o que é adoração? Somos verdadeiros adoradores? Que o Senhor mostre a cada um de nós como realmente somos.
Deus é realmente adorado por nós? Será que a única coisa que Deus procura em nós é justamente aquilo que deixamos de Lhe dar?
Estamos tomando nossa cruz e seguindo-O, ou apenas seguimos nossa velha carne — eu, meu, meu?
Irmãos e irmãs, o que é adoração? Somos realmente um povo que adora?
Sinto que há muito de que preciso me arrepender diante de Deus. Onde vocês estão? Onde eu estou? O que estou fazendo? Estou desperdiçando minha vida fazendo minha própria vontade, ou sou um verdadeiro adorador?
A palavra adorar é usada pela primeira vez na Bíblia em Gênesis 22:5. Abraão levou seu único filho, Isaque, quando Deus lhe pediu que oferecesse seu filho — seu herdeiro, seu único filho, nascido quando ele tinha cem anos, sua única esperança.
Quando Deus o desafiou, Abraão levou seu filho Isaque em uma viagem de três dias até o monte Moriá. Quando avistou Moriá, deixou os servos para trás, para que não interferissem. Levou seu filho e disse:
Subiremos ao monte para adorar e voltaremos.
Isso é adoração: não reter nada de Deus, reconhecer Deus como supremo e como tudo.
Historicamente falando, o primeiro uso da palavra adorar está em Jó 1. Satanás tirou toda a riqueza de Jó e todos os seus filhos. Jó rapou a cabeça, prostrou-se e adorou, dizendo:
O Senhor deu, e o Senhor tomou;
bendito seja o nome do Senhor.
Isso é adoração.
Nosso Senhor Jesus trabalhou dia e noite em Corazim, Cafarnaum e Betsaida, mas as pessoas O rejeitaram. Ele levantou os olhos e disse:
Pai, Eu Te agradeço, porque esta é a Tua vontade.
Isso é adoração.
Irmãos e irmãs, em nossa vida individual, adoramos? Somos adoradores? Onde está a adoração?
É algo sobre o qual precisamos refletir muito profundamente diante de Deus e nos arrepender diante Dele.
Vivemos no espírito e andamos pelo Espírito? Vivemos uma vida rendida?
A cada momento do dia, a cada passo do caminho, nós O exaltamos, obedecemos a Ele, ouvimos Sua voz e O honramos? Isso é adoração.
Não é de admirar que A. W. Tozer tenha dito que a adoração é uma joia perdida. As pessoas não sabem o que é adoração. Hoje, a adoração se tornou uma coisa religiosa, não uma realidade espiritual.
Além disso, irmãos e irmãs, a adoração é mais do que pessoal. Existe um lado pessoal — importante e básico. Cada um de nós precisa responder a essa pergunta. Mas também existe um lado coletivo.
Por quê? Porque somos chamados para ser o Corpo de Cristo.
A palavra igreja, ekklesia, significa aqueles que foram chamados para fora e reunidos. Somos chamados para fora do mundo a fim de nos reunirmos ao bendito nome de nosso Senhor Jesus.
Nós nos reunimos para fazer o quê? Para adorá-Lo.
Há uma bênção quando o povo de Deus se reúne. Há uma porção adicional do Espírito de Deus, da presença de Cristo, no meio de Seu povo. Ele não está apenas em cada um de nós; está em nosso meio.
Por isso, a Bíblia diz:
Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns,
antes, admoestando-nos uns aos outros;
e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.
Irmãos e irmãs, nós nos reunimos, seja para aquilo que chamamos de momento de adoração no partir do pão, seja para ouvir a Palavra de Deus, para orar, para ler a Bíblia ou para ter comunhão. Basicamente, isso é adoração. Estamos adorando a Deus juntos.
De todas as reuniões do povo de Deus, a ocasião mais importante e a melhor para adorarmos juntos é o partir do pão.
Irmãos e irmãs, quando nos reunimos para o partir do pão, nós nos preparamos para esse momento sagrado juntos? Chegamos de qualquer maneira, sem preparar nosso coração?
A noite em que Ele foi traído foi uma noite solene. Nosso Senhor Se reuniu com os Seus para a festa da Páscoa. Aquela foi a última festa da Páscoa com nosso Senhor e, espiritualmente falando, conosco.
Ao final da festa da Páscoa, nosso Senhor Jesus tomou o pão, abençoou-o e o deu aos Seus discípulos:
Tomai, comei dele todos, em memória de Mim.
Depois, tomou o cálice, abençoou-o e o deu aos discípulos, dizendo:
Este é o cálice da nova aliança, selada pelo Meu sangue. Fazei isto em memória de Mim.
Nosso Senhor Jesus é o Cordeiro pascal. O Cordeiro de Deus seria morto. O sangue foi derramado. O corpo foi partido. A Páscoa havia terminado. Não há mais Páscoa.
O que permanece é a mesa do Senhor, o partir do pão.
Vocês sabem, os judeus ainda celebram a Páscoa, como se a obra da redenção ainda não estivesse concluída. A Igreja Católica ainda tem a missa. Vocês sabem o que é a missa? É a recrucificação de Cristo, como se a obra não estivesse concluída.
Mas sabemos que está concluída. Não há mais crucificação. Está feito. Está consumado. Ele agora está na glória.
Irmãos e irmãs, nosso Senhor nos ama tanto. Ele teme que nos esqueçamos Dele. É por isso que quer que nos lembremos Dele.
É um momento em que nos reunimos para nos lembrar Dele, não para nos lembrar de nossos pecados, mas para nos lembrar Dele.
Nosso foco está Nele, não em nós. Podemos expressar nosso amor a Ele, mas esse não é nosso foco. Nosso foco é Seu amor por nós e aquilo que Ele fez por nós.
É um momento em que não buscamos nossa própria satisfação, mas permitimos que Ele encontre satisfação em nós. Nós nos lembramos Dele. Nós nos lembramos de Seu amor.
É um testemunho público que proclama Sua morte. O que Sua morte fez por nós? Sua morte venceu o pecado, venceu a morte, venceu a carne, venceu o mundo, venceu o inimigo — venceu tudo. Esse é nosso testemunho.
Ao participarmos da mesa do Senhor, aguardamos Sua volta — nossa expectativa, nossa esperança —, sabendo que Ele voltará.
É uma comunhão.
Embora o pão continue sendo pão e o fruto da videira continue sendo fruto da videira, eles não foram transubstanciados. Ainda assim, em nosso espírito, estamos em comunhão com Seu sangue, conhecendo o valor de Seu sangue.
Estamos em comunhão com Seu corpo, Sua vida. Vivemos pela força de Sua vida. Estamos em comunhão com todos os santos, o Corpo de Cristo.
Irmãos e irmãs, precisamos vir aqui de maneira digna. Isso significa que precisamos vir sabendo o que estamos fazendo, examinando a nós mesmos, para que não sejamos julgados.
É algo sério, sagrado, importante e real. Não é um ritual. Não é uma formalidade. É adoração de coração Àquele — o único — que é tão digno. Devemos tudo a Ele.
É um momento para abrir nosso coração a Ele, derramar nossa adoração diante Dele e dizer: “Obrigado, Senhor. Nós Te valorizamos”.
Irmãos e irmãs, nosso tempo juntos não é uma formalidade, um mero cumprimento de atos exteriores.
Precisamos nos preparar antes de vir, examinar a nós mesmos antes de vir, para ver se há alguma pendência com Ele que precisa ser resolvida. Se há em nosso coração alguma pendência com nossos irmãos e irmãs, ela precisa ser resolvida.
Precisamos vir com o coração aberto e o espírito aberto. Tanto os jovens como os mais velhos são iguais diante de Deus. Não há uma pessoa mais experiente ou menos experiente; todos estão diante Dele para adorar.
Irmãos e irmãs, de acordo com a Palavra de Deus, nesse momento do partir do pão não há regras nem regulamentos. A Bíblia nunca nos diz exatamente como nos preparar juntos.
De maneira muito simples, tudo o que nos é dito é que o Senhor tomou o pão, abençoou-o, deu-o a nós e disse:
Isto é o Meu corpo, partido por vós. Fazei isto em memória de Mim.
O mesmo se aplica ao cálice. Isso é tudo.
Por quê? Porque o Espírito Santo está aqui, conduzindo-nos à adoração. Nosso espírito precisa estar aberto. Deixemos que o Espírito Santo conduza nosso espírito, para que O adoremos em espírito e em verdade.
É por isso que lemos em 1 Coríntios 14:40:
Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.
Vocês sabem, quando o Espírito Santo Se move, há uma ordem ali — uma ordem divina. Não é simplesmente um amontoado ou um caos. Há uma ordem. O Espírito Se move de determinada maneira, e isso é belo, não feio; não é dissonante, mas harmonioso.
Irmãos e irmãs, vocês já experimentaram um momento em que o povo de Deus é realmente movido pelo Espírito Santo e, com nosso espírito aberto a Ele, há tamanha beleza e tamanha ordem?
Há a liberdade do Espírito, mas não a liberdade da carne.
Quando cantamos a Ele, não escolhemos o hino que queremos cantar e obrigamos todos a cantar conosco. Ao sermos conduzidos pelo Espírito a engrandecê-Lo, é para que todos possamos cantar juntos ao Senhor.
Não devemos tentar nos esconder atrás de cânticos e corinhos, mas aprender a abrir nosso coração em oração e adoração. Algumas palavras bastam. É o derramar do coração.
Irmãos e irmãs, seu espírito está pronto para partir o pão e beber o cálice?
Por que, antes de participarmos do pão e do cálice, há cânticos e orações? Para nos preparar, a fim de que nosso espírito esteja pronto para recebê-Lo.
Oh, irmãos e irmãs, ainda temos muito a aprender. Estamos dispostos a aprender essa essência da adoração?
Quando falo em essência, não me refiro a algo que encenamos de maneira hipócrita. Refiro-me ao segredo da adoração.
Que o Senhor nos ajude. Que todos nós nos voltemos ao Senhor e examinemos toda essa questão diante Dele. Não permitamos que nada do passado se torne um obstáculo em nosso caminho. Estejamos dispostos a abrir mão de tudo e pedir ao Espírito de Deus que nos ensine a adorar, a ser verdadeiros adoradores do único Deus verdadeiro e de Seu Filho, Jesus Cristo.
Vamos orar.
Querido Pai celestial, Tu és o único digno de ser adorado, e estás procurando verdadeiros adoradores.
Como são poucos! Nós nos arrependemos diante de Ti.
Dedicamos tempo. Tentamos adorar. Mas, Senhor, confessamos que muito pouco de nossa adoração chega a Ti. Perdoa-nos.
Como Teu povo, Senhor, pedimos que tenhas misericórdia de nós e nos ensines novamente. Mesmo desde o princípio, Senhor, ensina-nos a adorar.
Queremos ser verdadeiros adoradores, adorar-Te em espírito e em verdade. Em Teu precioso nome oramos. Amém.