Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo.
E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor:
pelo Qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo.
Vamos orar.
Amado Senhor, nossos corações se prostram em adoração. Nós Te louvamos e Te agradecemos pelo Teu maravilhoso amor por nós.
Senhor, desejamos, sim, ser tão constrangidos pelo Teu amor que não vivamos mais para nós mesmos, mas somente para Ti, Aquele que nos amou e Se entregou por nós.
Senhor, enquanto permanecemos na Tua presença, pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, abras mais uma vez os nossos olhos, para que vejamos o Teu valor. Senhor, Tu és mais precioso, incomparavelmente mais precioso, do que qualquer coisa neste mundo.
Senhor, dá-nos o desejo de ganhar a Cristo, mesmo que isso signifique perder todas as coisas. Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo guiará nossos pensamentos. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Ontem de manhã, lemos aquele versículo do capítulo 16 de Mateus, em que o próprio Senhor Jesus nos ensina sobre essa questão do valor espiritual.
Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?
Ou que dará o homem em troca da sua vida?
Em outras palavras, aos olhos do nosso Senhor, uma alma vale muito mais do que o mundo inteiro. Creio que é muito difícil aceitarmos isso. Como uma alma pode ser mais valiosa do que o mundo inteiro?
Mas é assim que o Senhor vê as coisas. É assim que Deus atribui valor. A avaliação Dele é muito diferente da nossa.
Mencionamos ontem de manhã que quem determina o valor não somos nós, mas Deus. Sabem, curiosamente, pela nossa própria experiência, o valor varia de pessoa para pessoa.
Uma pessoa pode considerar algo muito valioso e estar disposta a pagar um preço elevado por aquilo. Mas essa mesma coisa, para outra pessoa, talvez não seja tão valiosa, ou até não tenha valor algum. É como se o valor fosse determinado por quem observa.
E, por causa disso, vemos que as coisas desta terra, no que diz respeito ao valor, são todas relativas. Não há nada absoluto neste mundo. Para os seres humanos, aos nossos olhos, tudo é relativo.
Mas sabemos que quem determina o valor não somos nós; é Deus. O próprio Deus é o valor supremo.
Nas coisas que criou, Ele colocou certos valores. Na verdade, o valor é a medida da presença de Deus em uma coisa ou em uma pessoa.
Se há mais de Deus, mais manifestação de Deus — manifestação da Sua glória, da Sua sabedoria, do Seu caráter —, então aquela coisa ou aquela pessoa tem mais valor.
Mas, se uma coisa não manifesta Deus — Sua glória, sabedoria, poder ou caráter —, então, não importa o que aquela coisa ou pessoa seja, espiritualmente falando, não há valor ali.
Irmãos e irmãs, quando Deus criou as coisas, colocou valor em tudo, porque tudo veio das Suas mãos. As coisas criadas nos mostram a divindade e o poder de Deus, e esse é o seu valor.
E nós, seres humanos, fomos criados à imagem de Deus. Portanto, os seres humanos são mais valiosos do que as outras coisas criadas.
Mas hoje, porque o pecado entrou neste mundo, toda essa questão do valor, no que diz respeito a nós, está distorcida e de cabeça para baixo.
A Bíblia diz:
Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura;
e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Assim, irmãos e irmãs, vemos que, no que diz respeito aos seres humanos, ao nosso homem natural, não somos realmente capazes de enxergar com clareza o que é o verdadeiro valor. Onde está o valor? O que é mais valioso? O pecado cegou os nossos olhos.
Vocês se lembram de que, no capítulo 9 de João, nosso Senhor Jesus curou um homem cego de nascença.
E, porque Ele fez isso no sábado, os fariseus ficaram irados. Chegaram a expulsar da sinagoga aquele cego que havia sido curado. Eles o excomungaram porque havia sido curado pelo Senhor no sábado.
A Bíblia diz que o Senhor o encontrou. O Senhor sabia que ele havia sido excomungado; por isso, foi procurá-lo e lhe perguntou:
Crês tu no Filho de Deus?
E ele respondeu:
Quem é Ele, Senhor, para que Nele creia?
O Senhor disse:
Tu já O tens visto, e é Aquele que fala contigo.
E ele se prostrou e adorou o Senhor.
Então, vocês se lembram de que o Senhor disse algo. Ele disse que aqueles que pensam enxergar continuam em pecado, mas os cegos são curados. E, quando os fariseus ouviram isso, perguntaram:
Também nós somos cegos?
O Senhor disse:
Se fôsseis cegos, não teríeis pecado;
mas, como agora dizeis: Vemos, por isso o vosso pecado permanece.
Irmãos e irmãs, se pensamos que enxergamos, se pensamos que sabemos o que é realmente o valor espiritual, continuamos em pecado.
Mas, se chegarmos ao ponto de reconhecer que somos cegos, que fomos cegados pelo deus deste mundo, então teremos a oportunidade de realmente enxergar, de saber o que é o verdadeiro valor.
Ontem mencionamos que nosso Senhor Jesus veio a este mundo não apenas para nos ensinar o que é o verdadeiro valor; Ele também o demonstrou em Sua própria vida. Ao longo de toda a Sua vida, Seu modo de atribuir valor às coisas foi totalmente diferente do modo do mundo. É por isso que as pessoas simplesmente não conseguiam compreendê-Lo — nem mesmo Seus discípulos conseguiam compreendê-Lo —, porque Sua maneira de avaliar as coisas era tão diferente da de todos os outros.
Mas Deus não veio apenas ensinar e demonstrar o verdadeiro valor; Ele também veio nos restaurar ao verdadeiro valor. Foi pela cruz que Ele nos restaurou, e é por meio da cruz que Ele nos introduz no valor espiritual.
Foi isso que compartilhamos ontem de manhã. Nesta manhã, gostaríamos de usar a vida de uma pessoa para ilustrar esse princípio. Ontem de manhã, falamos sobre o valor espiritual em princípio, mas nesta manhã gostaríamos de compartilhar sobre o valor espiritual na prática.
Vemos como, na vida de uma pessoa, essa questão do valor espiritual é resolvida. E, é claro, vocês logo percebem que estamos falando de Paulo.
Esse homem, Saulo — anteriormente, seu nome era Saulo —, recebeu o nome do primeiro rei de Israel. Saulo nasceu em Tarso. Era uma cidade gentílica, mas ele nasceu cidadão romano. Era um homem livre.
Sabem, naquela época havia o Império Romano. Os romanos conquistaram o mundo, e tinham mais escravos do que homens livres. Aqueles que eram conquistados pelos romanos eram escravos, e somente os romanos eram homens livres.
Mas havia certas cidades e certas pessoas às quais se concedia o privilégio da cidadania romana. Saulo nasceu livre. Nasceu romano, com os privilégios de um cidadão romano. Naquela época, isso era algo extraordinário. Em outras palavras, ele tinha a condição política certa.
Saulo nasceu em Tarso, e, naquela época, embora politicamente a cidade pertencesse a Roma, culturalmente pertencia à Grécia. Sabem, a cultura grega era a cultura daqueles dias.
Assim, ao crescer, ele recebeu a cultura grega. Conhecia a filosofia grega. Foi criado nesse tipo de ambiente, e isso era motivo de orgulho. Portanto, podemos dizer que ele tinha a formação cultural certa; não era um bárbaro.
E provavelmente, quando tinha doze anos… Bem, ele disse que era da raça de Israel, da tribo de Benjamim e circuncidado ao oitavo dia. Em outras palavras, era um judeu típico.
Ele não era como Ismael. Sabem, Ismael foi circuncidado aos dezesseis anos. Mas o tempo determinado por Deus para a circuncisão dos filhos de Abraão era o oitavo dia. No oitavo dia, uma criança do sexo masculino tinha de ser circuncidada. Saulo foi circuncidado ao oitavo dia.
E ele era da tribo de Benjamim. Provavelmente, ele destacava isso porque, quando Israel foi dividido em duas partes, as dez tribos do norte se tornaram a nação de Israel, e a tribo de Judá, ao sul, juntamente com a tribo de Benjamim, tornou-se a nação de Judá. Assim, em outras palavras, ele pertencia àquela nação que nunca havia se separado da original.
E ele era hebreu de hebreus. Ora, o que isso significa? Segundo nos dizem, ser hebreu de hebreus significa que ele não apenas nasceu em uma família hebreia, mas que, nessa família, a língua falada era o hebraico.
Muitos nasceram em famílias hebreias que viviam fora da terra prometida e, por estarem cercados pela cultura grega, não falavam hebraico em casa. Falavam grego ou outros dialetos. Mas Saulo pertencia a uma família que falava hebraico em casa. Portanto, tudo era muito kosher, muito, muito correto. Vemos que ele tinha a origem étnica certa.
E provavelmente, aos doze anos, ele passou por aquela cerimônia que os meninos realizavam naqueles dias, o bar mitzvá, pela qual o menino se tornava um filho da lei. Em outras palavras, era considerado adulto, responsável por seus atos, e se tornava membro da sinagoga. Tinha o direito de fazer perguntas e também de responder a perguntas.
Provavelmente, foi nessa época que ele foi a Jerusalém para receber educação religiosa. Assim, talvez aos doze anos tenha sido levado a Jerusalém, e ali aprendeu a lei com um famoso rabino, Gamaliel.
Ele se assentou aos pés de Gamaliel e aprendeu tudo sobre a lei, sobre o judaísmo. Recebeu todas as tradições dos antepassados, todos os ensinamentos dos rabinos ao longo dos séculos. Era bem instruído. Portanto, tinha a formação religiosa certa.
Tudo naquele homem estava certo. E, embora fosse bastante jovem, buscava aquilo que considerava de maior valor.
Sabem, um jovem com uma formação dessas provavelmente buscaria as coisas terrenas, mundanas, porque tinha todas as oportunidades diante de si. Mas esse jovem era diferente.
De alguma forma, ele sentia que as coisas espirituais — bem, para ele, eram coisas espirituais, isto é, coisas religiosas — eram mais valiosas do que as coisas terrenas. E isso era muito incomum.
Enquanto outros jovens buscavam posição, fama, riqueza e todas essas coisas mundanas, esse jovem buscava as coisas religiosas, porque considerava essa questão da alma mais importante do que as coisas físicas, materiais.
Ele realmente buscava isso com determinação. Era um jovem de vontade forte, e estava decidido a se tornar alguém no judaísmo.
Agora, isso é algo que não sabemos ao certo. Algumas pessoas dizem que, mesmo naquela idade tão jovem, ele já havia se tornado membro do Sinédrio, porque disse que, quando os crentes no Senhor Jesus eram condenados, ele dava seu voto.
Mas outras pessoas dizem que isso não seria possível, porque ele era jovem demais e não era casado. Para ser membro do Sinédrio, era necessário ser casado. Portanto, há diferentes opiniões a esse respeito.
De qualquer forma, vemos que ele mesmo nos disse que estava mais adiantado no judaísmo do que seus contemporâneos. Buscava a posição mais elevada no judaísmo. Poderia muito bem ter se tornado o rabino de sua época.
E ele achava que essas coisas eram importantes. Essas coisas eram valiosas.
E ele era muito íntegro moralmente, pois dizia: “Sou fariseu dos fariseus”, um verdadeiro fariseu. Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor esteve na terra, a classe de pessoas contra a qual Ele pronunciou Seus “ais” foi a dos fariseus e escribas.
Por quê? Porque eram hipócritas. Exteriormente, observavam todos os mínimos detalhes da lei, mas interiormente a violavam por completo. Eram hipócritas.
Quando oravam, ficavam nas esquinas das ruas e faziam longas orações, para que todos dissessem: “Como essa pessoa deve ser piedosa”. Hipócritas.
Mas não esse jovem. Ele era um verdadeiro fariseu. Por quê? Porque podia até se gloriar e dizer: “Segundo a lei, sou justo”. Em outras palavras, procurava cumprir cada letra da lei com sinceridade.
Diríamos que esse jovem era incomum. Ele deve ter descoberto o segredo disso.
E, por causa disso, perseguia os seguidores de Jesus. Pois, para ele, segundo as tradições dos antepassados, Jesus era considerado um impostor no judaísmo. Jesus não se conformava às tradições dos antepassados. Eles consideravam Jesus um rebelde que precisava ser eliminado.
Assim, vemos que esse jovem era muito zeloso pelo judaísmo, muito zeloso pelas tradições dos antepassados. Na verdade, as tradições dos antepassados no judaísmo daquela época eram, podemos dizer, a melhor tradição do mundo.
Por isso, ele perseguia com zelo os seguidores do Senhor Jesus. Entrava nas casas, prendia homens, mulheres e crianças e os condenava.
Quando Estêvão, o primeiro mártir, foi martirizado, Saulo estava ali, guardando as roupas daqueles que apedrejaram Estêvão até a morte.
Esse zelo o cegou de tal maneira que, embora uma pessoa de boa conduta moral normalmente não fizesse nada contra mulheres ou crianças, vemos que ele entrava nas casas e prendia não apenas homens, mas também mulheres e crianças.
Depois, chegou a receber documentos do sumo sacerdote para ir às cidades gentílicas fora do território da Palestina, tentando prender os crentes em Jesus e levá-los a Jerusalém para condená-los. Ele os perseguia até nas cidades gentílicas.
Ora, por que ele fazia todas essas coisas? Porque aquilo que valorizamos determina a nossa vida. O que você valoriza, você busca.
Como era esse o senso de valor daquele jovem, ele valorizava muito sua linhagem. Valorizava muito o fato de ser judeu, um judeu ortodoxo. Ele valorizava isso.
Valorizava sua formação. Valorizava seu conhecimento da lei. Valorizava suas próprias realizações morais. E valorizava o sucesso religioso. Queria ser alguém no judaísmo porque achava que isso era valioso.
E, irmãos e irmãs, aquilo que vocês valorizam determinará o tipo de vida que viverão. Também determinará quanto estarão dispostos a pagar por isso.
Esse jovem pagou, e pagou muito, por aquilo que valorizava. Provavelmente, enquanto outros jovens buscavam os prazeres deste mundo, ele estudava diligentemente a lei, suas minúcias e assim por diante.
Ele pagou um preço elevado pelas coisas que valorizava e estava perto de alcançar o que buscava.
No que diz respeito ao mundo, creio que o mundo inteiro admiraria uma pessoa assim. O mundo inteiro diria: “Esse jovem, sim, está certo”.
Mas, graças a Deus, um dia, a caminho de Damasco, ele levava documentos do sumo sacerdote. Ia a Damasco, uma cidade gentílica na Síria, para prender as pessoas do Caminho, aqueles que criam no Senhor Jesus, e levá-las a Jerusalém para serem condenadas.
Mas, quando se aproximava da cidade de Damasco, era meio-dia. A Bíblia nos diz — e sua experiência está registrada três vezes no livro de Atos — que, ao se aproximar de Damasco ao meio-dia, de repente uma luz mais brilhante do que o sol resplandeceu sobre ele e seus companheiros.
Todos caíram por terra. Aquela luz era tão poderosa que os lançou ao chão. Então Saulo ouviu uma voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Foi em hebraico:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Agora, irmãos e irmãs, pensamos que somos pessoas livres. Podemos fazer tudo o que queremos. Não nascemos escravos; nascemos livres. Podemos viver nossa própria vida. Podemos buscar aquilo que achamos valioso para nós.
Mas, segundo a Palavra de Deus, não é assim. Deus tem um propósito para cada um de nós.
Antes mesmo da fundação do mundo, Ele nos escolheu em Cristo Jesus. Quando estávamos no ventre de nossa mãe, Ele já nos havia separado para esse propósito. Nós não sabemos disso.
Saulo não sabia. Mas o Senhor disse:
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Agora, sabemos o que é um aguilhão. Antigamente, quando lavravam a terra, colocavam um boi sob o jugo. O lavrador punha a mão no arado e arava o campo com o boi.
Mas o boi, às vezes, tem vontade própria e não segue a vontade do seu dono. Às vezes, durante o trabalho, talvez o boi veja algo bom para comer e comece a se desviar. Se isso acontecer, o sulco não ficará reto.
Então, o lavrador fazia o seguinte: na outra mão, tinha um instrumento pontiagudo chamado aguilhão. Usava aquela vara, com uma ponta afiada, apenas para tocar a perna do boi.
É claro que o lavrador não tinha a intenção de ferir o boi, porque queria utilizá-lo. Por isso, apenas o tocava de leve, para lembrar ao boi: “Você tem um dono. Não se esqueça disso”.
Mas o boi é tão teimoso! Quando o aguilhão o toca, ele dá um coice. E, quando dá o coice, se machuca. Por se machucar, aprende que precisa obedecer ao seu dono; caso contrário, sofrerá ainda mais.
Agora, irmãos e irmãs, o Senhor estava dizendo àquele jovem, Saulo: “Você não é livre. Antes mesmo da fundação do mundo, Eu o escolhi. No ventre de sua mãe, Eu o separei, mas você não sabe disso”.
“Você foi criado com um propósito. Deve fazer a Minha vontade, arar o Meu campo, realizar a Minha obra — não a sua obra, a Minha obra. Você tem um Senhor, mas se esqueceu.”
“Você pensava que poderia fazer tudo o que quisesse. Pensava que poderia determinar o que tinha valor. Eu o deixei ir até certo ponto, mas o toquei com os aguilhões. Porém, você não entende.”
Irmãos e irmãs, creio que esse jovem, enquanto perseguia os seguidores de Jesus, enquanto prendia essas pessoas, por ser uma pessoa de boa conduta moral, um homem bom aos olhos do mundo, deve ter começado a observar, de vez em quando, a maneira como esses crentes reagiam.
Isso deve ter tocado sua consciência, especialmente no caso de Estêvão.
Sabem, quando Estêvão deu seu testemunho, as pessoas olharam para ele e viram seu rosto resplandecendo como o de um anjo, e Saulo estava ali. Ele ouviu o que Estêvão disse e estava com as pessoas que o arrastaram para fora da cidade.
E, quando Estêvão foi apedrejado, disse: “Vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé ali, esperando, recebendo-me”. Quando estava morrendo, disse:
Senhor, não lhes imputes este pecado.
Ora, sendo fariseu, um verdadeiro fariseu, uma pessoa de boa conduta moral, Saulo não podia deixar de ser profundamente tocado. A morte de Estêvão foi como um aguilhão tocando sua perna. Sua consciência deve ter ficado perturbada.
Mas ele reagiu com um coice. Segundo o livro de Atos, depois da morte de Estêvão, vemos que Saulo ficou fora de si. Estava furioso. Perseguiu os seguidores do Senhor ainda mais do que antes.
Por quê? Ele tentava silenciar sua consciência.
Por isso, o Senhor lhe lembrou: “Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. Até quando você vai dar coices contra os aguilhões? Você só está ferindo a si mesmo”.
Pela primeira vez, Saulo percebeu que não era senhor de si mesmo, que tinha um Senhor, que havia Alguém mais forte do que ele. Pela primeira vez, seus olhos interiores foram abertos.
Ele disse: “Senhor, quem és Tu? Não Te conheço, mas Te reconheço como Senhor, porque Tu és o meu Senhor. Não posso lutar contra Ti. Agora, quem és Tu?”
E a voz disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Naquele momento, irmãos e irmãs, sua avaliação de Jesus mudou completamente.
Antes de ver o Senhor, antes de o Senhor falar com ele, Saulo pensava que enxergava. Pensava que via claramente seu caminho, seu futuro. Pensava que sabia o que tinha valor.
Ele via Jesus, o Nazareno, como alguém que devia ser desprezado, rejeitado, crucificado, eliminado, aniquilado, destruído. Desprezava Jesus. Tropeçava em Jesus. Essa era sua avaliação de Jesus.
Mas, naquele momento, toda a sua avaliação de Jesus mudou. Ele viu que Jesus é o Senhor. Ele é seu Mestre. Ele é Deus.
Viu que Jesus o havia escolhido antes mesmo da fundação do mundo, que o conhecia quando ainda estava no ventre de sua mãe, que havia sido tão paciente, esperando por ele e trabalhando nele, até que um dia seus olhos interiores foram abertos e ele começou a ver o Senhor ressurreto.
Que mudança em sua avaliação da pessoa de Jesus!
Aquela visão transformou seu senso de valor.
Assim, vemos que ele mesmo testemunhou no capítulo 3 de Filipenses. No passado, gloriava-se de seu nascimento, seus privilégios, suas realizações, sua condição moral e seu zelo. Em outras palavras, gloriava-se de si mesmo, de sua carne. Tinha uma opinião elevada de si mesmo. Pensava ser um homem superior aos outros.
Pensava que estava no caminho certo, que havia alcançado o verdadeiro valor da vida. Mas, quando encontrou Jesus — ou quando Jesus o encontrou —, todo o seu senso de valor foi completamente invertido.
Ele disse: “O que eu considerava ganho, agora, por causa de Cristo Jesus, considero perda”.
“Minha linhagem, minha educação, minhas realizações, meu zelo — todas essas coisas eram ganho para mim no passado. Mas agora vejo com clareza: na verdade, são perda.”
Por quê? Porque essas coisas cegavam seus olhos e o impediam de enxergar o verdadeiro valor. “Desperdicei minha energia, meus esforços, meu tempo, minha vida com algo que não vale nada. Durante todo esse tempo, pensei que essas coisas eram ganho, mas, na verdade, eram perda.”
Então ele foi um passo além. Disse: “Não considero perda apenas aquelas coisas que eu tinha antes; agora considero todas as coisas como perda”. Por quê? “Pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus.”
Irmãos e irmãs, uma vez que ele viu o Senhor Jesus, uma vez que viu a glória do Senhor Jesus, toda a sua mentalidade mudou.
O mundo inteiro, para ele, era refugo. Era como esterco. Ora, quem quer esterco? Quanto mais depressa nos livrarmos dele, melhor.
Mas o conhecimento de Jesus Cristo — conhecer Jesus Cristo — é a coisa mais valiosa do mundo inteiro.
Queridos irmãos e irmãs, nosso senso de valor mudou?
Sabem, quando somos salvos, nosso senso de valor deve mudar. Creio que precisa haver alguma mudança. Talvez não seja tão radical, mas deve haver alguma mudança, porque, se não há mudança em seu senso de valor, pergunto-me se você realmente é salvo.
Mas, infelizmente, mesmo quando somos salvos, embora haja alguma mudança em nosso senso de valor, essa mudança não é suficientemente radical. Por causa disso, vemos que as coisas antigas continuam a se apegar a nós, continuam a exercer sua influência sobre nós e, infelizmente, podem até sufocar esse novo senso de valor e nos levar a andar segundo a antiga maneira de viver.
Não enxergamos o valor do nosso Senhor Jesus como deveríamos.
Assim, vemos que, no caso de Paulo, porque ele viu a glória do Senhor, essa glória fez todo o resto perder o brilho. Ele preferia perder tudo, se pudesse ganhar a Cristo.
Irmãos e irmãs, ele começou a enxergar como Deus enxerga. Começou a atribuir valor como Deus atribui. Deus valoriza Seu Filho acima de qualquer outra coisa.
E, quando você começa a valorizar Cristo acima de qualquer outra coisa, deseja conhecê-Lo. Para conhecê-Lo, está disposto a pagar qualquer preço. Está disposto a considerar tudo como escória.
Irmãos e irmãs, vocês estão no caminho certo. Encontraram o verdadeiro valor.
Assim, aqui ele disse: “Quero conhecê-Lo”.
No passado, ele estava edificando sua própria justiça. Segundo a justiça da lei, dizia: “Sou perfeito. Sou irrepreensível”.
Mas as nossas justiças diante de Deus são como trapos de imundícia. Ninguém pode ser justificado pela observância da lei, e Saulo estava incluído nisso. Ele estava cego. Pensava que poderia edificar sua própria justiça para se apresentar diante de Deus.
Mas ali, no caminho de Damasco, sua própria justiça se revelou como trapos de imundícia. E, graças a Deus, Deus tirou seus trapos de imundícia e o revestiu com as vestes da salvação.
Por isso, ele disse: “Agora é a justiça de Deus, por meio de Cristo Jesus, pela fé”.
Paulo percebeu que não tinha justiça própria. Estava nu diante de Deus, e Cristo era sua veste. Estava revestido de Cristo. Isso lhe dava uma posição diante do Deus justo.
E, irmãos e irmãs, graças a Deus, isso é o que a cruz do nosso Senhor Jesus fez por nós.
Ele mesmo levou em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro.
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós;
para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus.
Graças a Deus, somos justificados. O sangue nos purificou, e podemos permanecer diante de Deus.
Mas Paulo disse: não é apenas essa obra do nosso Senhor Jesus na cruz, que me concede justiça e uma posição justa diante de Deus, que eu considero preciosa. Ele disse: “Quero conhecê-Lo”.
“Quero conhecer a Pessoa que fez tanto por mim.”
Irmãos e irmãs, conhecemos algumas das obras do nosso Senhor Jesus. Conhecemos Sua obra consumada na cruz. Porque conhecemos a obra consumada de Cristo na cruz, sabemos que nossos pecados foram perdoados. Sabemos que agora temos sobre nós a justiça de Deus. Sabemos que agora temos uma posição diante de Deus.
Graças a Deus, sabemos disso. Conhecemos a obra do nosso Senhor Jesus. Valorizamos Sua obra; devemos valorizá-la. Mas, mais do que Sua obra, valorizamos Sua Pessoa.
Paulo disse: “Porque recebi Sua obra em minha vida, quero conhecer a Pessoa que me concedeu tamanha graça. Quero conhecê-Lo”.
Irmão, irmã, temos em nós esse desejo de conhecê-Lo? Não apenas de conhecer Sua obra — é claro que precisamos conhecer Sua obra —, mas precisamos conhecer Sua Pessoa, conhecer Seu caráter, conhecer Sua mente, conhecer Sua vontade, conhecer o que Ele realmente ama, o que Ele quer, para agradá-Lo.
Sabem, o apóstolo Paulo, no capítulo 5 de 2 Coríntios, disse: “Tenho uma ambição, e minha ambição é que, em todas as coisas, eu Lhe seja agradável”. Ou, em outras palavras: “Que eu possa agradá-Lo”. Essa é minha ambição. Quero conhecê-Lo.
Temos esse desejo tão intenso de conhecê-Lo? É claro que, para conhecê-Lo, é preciso estar perto Dele, ter um relacionamento vivo e diário com Ele, para que possamos conhecê-Lo.
Para conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte.
Irmãos e irmãs, quando começamos a conhecê-Lo, sabemos que Ele não é apenas nosso Salvador; sabemos que Ele é a nossa vida.
Ele é mais do que Aquele que vem nos salvar do pecado, da morte, e nos conduzir à vida eterna. Cristo em vocês, a esperança da glória. Cristo é a sua vida.
Quando você começa a conhecê-Lo, começa a conhecer Sua vida, Sua vida em você. Mas Sua vida é Sua vida de ressurreição.
A menos que você esteja disposto a aceitar sua morte na cruz com Ele, não poderá conhecer essa vida de ressurreição. Quando Cristo foi crucificado, levou Consigo o velho homem, e Nele o velho homem foi crucificado.
Em outras palavras, a menos que estejamos dispostos a reconhecer que não há bem em nossa carne, a menos que deixemos de confiar em nossa velha vida, a menos que deixemos de viver por nossa própria vida e, pelo Espírito Santo, a entreguemos à morte na cruz, não conheceremos realmente Cristo como nossa vida.
Em outras palavras, não viveremos pela vida Dele. Ainda estaremos vivendo nossa própria vida.
Quantos crentes ainda vivem por sua velha vida? A razão pela qual não conseguem viver pela vida de Cristo que está neles é que não estão dispostos a abrir mão de sua própria vida.
Ainda têm confiança na carne. Ainda acham que podem viver a vida cristã por si mesmos.
Somente quando você chegar ao ponto de reconhecer que em você, isto é, em sua carne, não há bem algum, e abrir mão de sua própria vida e aceitar a sentença de morte da parte do Senhor — somente então começará a experimentar Cristo como sua vida.
A vida está ali, e você dá oportunidade para Cristo viver em você. E, quando Ele vive, é vida de ressurreição. É o poder da Sua ressurreição. Você está vivendo em uma esfera inteiramente diferente.
E então, a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte.
Sabem, os sofrimentos do nosso Senhor na cruz são de dois tipos. Um deles chamamos de sofrimento vicário, ou expiatório. Esse tipo de sofrimento, Ele suportou sozinho.
Em outras palavras, somente Ele levou nossos pecados em Seu corpo e pisou o lagar. Ele fez expiação pelos nossos pecados. Nesse sofrimento, você e eu não podemos participar. Apenas recebemos o benefício desse sofrimento.
Mas há outro tipo de sofrimento do nosso Senhor Jesus no qual somos chamados a ter comunhão com Ele. Em outras palavras, a compartilhar com Ele esse tipo de sofrimento.
É sofrer por causa da justiça. É sofrer pela vontade de Deus. É sofrer por seguir o Senhor.
É sofrer pelas almas perdidas, sofrer pela casa de Deus, a igreja. Como Paulo disse, ele se afadigava em sofrimento para completar o que faltava das tribulações e aflições de Cristo por Seu corpo.
Irmãos e irmãs, nessa área somos chamados a compartilhar com Ele. Mas somente quando começamos a conhecer o poder da Sua ressurreição é que somos capazes de ter comunhão nos Seus sofrimentos.
Caso contrário, não conseguiremos ter comunhão nos Seus sofrimentos.
E então, ser conformado à Sua morte. Isso vai mais fundo, porque sabemos que a morte do nosso Senhor Jesus é abrangente — morte para tudo o que pertence à velha criação, tudo o que não é de Deus.
E hoje devemos ser conformados à Sua morte. Tudo o que em nossa vida não é de Deus, por melhor que pareça, precisa passar pela morte, para que Cristo seja tudo e em todos para nós.
E isso era algo que o apóstolo Paulo buscava. Ele considerava isso o valor supremo.
Ele disse: “Não digo que já alcancei. Não, ainda prossigo, esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para o alvo. Quero alcançar tudo aquilo para o que Cristo me alcançou”.
Ele queria pagar esse preço, e o prêmio é Cristo — ganhá-Lo em Sua plenitude.
Assim, irmãos e irmãs, aqui vemos uma pessoa cujo senso de valor foi inteiramente corrigido, e isso mudou todo o rumo de sua vida.
Até o fim, ele pôde dizer:
Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé:
desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia;
e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.
Irmãos e irmãs, é isso que estamos buscando hoje? Nosso senso de valor foi completamente transformado?
Como precisamos ver continuamente a glória do Senhor! Se tivermos Sua glória diante de nós, isso nos capacitará a esquecer tudo e simplesmente segui-Lo, buscando a Ele.
Irmãos e irmãs, esse é o verdadeiro valor. Todas as coisas passarão, mas Jesus permanece para sempre. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Amado Pai celestial, nós Te agradecemos porque nos mostraste que é possível, e tornaste possível, transformar tão completamente o senso de valor de uma pessoa que ela passe a enxergar exatamente como Tu enxergas.
Senhor, por causa disso somos encorajados. Estamos aqui. Reconhecemos, sim, que antes éramos cegos, mas agora vemos.
Senhor, às vezes vemos de maneira obscura. Precisamos de mais um toque da Tua mão, para que vejamos claramente a excelência do conhecimento de Jesus Cristo.
Que possamos considerar todas as coisas como refugo. Queremos ganhar a Ti. Tu és o único digno de ser buscado.
Ó Senhor, tem misericórdia de nós. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.