Mateus 16:18.
E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Vamos orar mais uma vez.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires em Teu nome. Agradecemos-Te pela Tua mesa. Agradecemos-Te pelo que fizeste por nós e porque podemos continuar em Tua presença e ouvir a Tua palavra.
Querido Senhor, fala conosco. Abre o nosso coração, abre o nosso entendimento e introduze-nos na realidade da Tua palavra, para que o Teu nome seja glorificado. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Graças a Deus por nos reunir ontem de manhã e nesta manhã. O encargo que o Senhor colocou em meu coração se resume a uma palavra, e essa palavra se encontra em Mateus 16:18. Nosso Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Portanto, a palavra é edificar.
Encontramos a primeira menção dessa palavra em Gênesis 2:22. Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Então, em Gênesis 2:22, Deus tomou a costela do homem e a edificou em uma mulher. Depois, Ele trouxe a mulher ao homem.
Agora, sabemos que a palavra edificar é um termo técnico. É usada na arquitetura. Mencionamos ontem de manhã que há pelo menos cinco etapas nessa questão da edificação:
Primeiro, temos o propósito. Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Vemos que há um propósito definido nisso.
A segunda coisa é o modelo. Uma vez definido o propósito, precisamos de uma planta, de um projeto, de um modelo. No caso da mulher, vemos que seu modelo não é outro senão o próprio Adão.
Depois de termos o modelo, começamos a preparar a edificação. Precisamos obter material para edificar. Onde se encontraria o material para a edificação da mulher? Mais uma vez, vemos que ele está em Adão.
Para retirar esse material de Adão, encontramos a quarta palavra, que é processo. Deus fez Adão adormecer e, do seu lado, retirou algo — uma costela, talvez — para edificar a mulher.
Depois que a mulher foi formada, finalmente vem a apresentação. Deus trouxe aquela mulher ao homem e, quando o homem a viu, disse:
Esta é agora osso dos meus ossos, E carne da minha carne: Ela será chamada Mulher, Porque do homem foi tomada.
Os dois se tornaram um. Essa é a primeira menção da palavra edificar na Bíblia. Muitas vezes, vemos que, na primeira menção, estão presentes todos os princípios envolvidos.
Mas nosso foco não está no homem e na mulher, porque Adão e Eva são tipos. Não vamos tratar das sombras; queremos ver o antítipo. Queremos ver a realidade.
Vocês se lembram de Efésios 5:32. O apóstolo Paulo disse:
Grande é este mistério: mas eu me refiro a Cristo e à igreja.
Portanto, nosso encargo é a edificação da igreja de Deus.
Sabemos que a igreja não é algo que simplesmente aconteceu. Há um propósito por trás dela, e podemos rastrear esse propósito até antes da fundação do mundo. Antes de criar qualquer coisa, Deus estabeleceu um propósito em Seu Filho.
Isto é, Ele queria dar ao Seu Filho algo que realmente O satisfizesse. Certamente nenhuma coisa isolada poderia satisfazer Seu Filho, porque nem mesmo os céus e a terra poderiam satisfazer o coração de Seu Filho. Ele queria dar ao Seu Filho o maior presente que jamais poderia dar.
Assim, Ele estabeleceu um propósito em Seu Filho, antes mesmo dos séculos, antes de começar a criar qualquer coisa. Esse propósito era dar ao Seu Filho a igreja, e essa igreja deveria ser Sua auxiliadora idônea. Deveria ser Sua esposa.
É como se Deus dissesse: “Não é bom que Meu Filho esteja só. Far-Lhe-ei uma auxiliadora que Lhe seja idônea”. Deus estabeleceu esse propósito antes mesmo de criar qualquer coisa.
Esse propósito é tão glorioso que permaneceu oculto ao longo dos séculos. Só se tornou conhecido quando Ele o revelou aos santos apóstolos e profetas.
Esse propósito é tão glorioso que até as hostes angelicais devem aprender esse mistério por meio da igreja.
Mencionamos ontem de manhã que as hostes angelicais são mais inteligentes do que os seres humanos. Contudo, nesse aspecto específico, até os anjos precisam conhecer o Deus de toda sabedoria por meio da igreja.
Eles verão como Deus fará com que Suas riquezas insondáveis encham um corpo, e esse corpo deverá manifestar a glória do Senhor Jesus. Isso é uma maravilha até mesmo para as hostes angelicais.
Portanto, irmãos e irmãs, antes de tudo, precisamos enxergar uma coisa: a igreja não é algo acessório. Vemos que a igreja é o mistério de Cristo. É o maior presente que Deus jamais poderia dar ao Seu Filho amado.
Deus dá tamanha importância a essa igreja. Irmãos e irmãs, como podemos tratar essa questão da igreja como algo insignificante?
Muitas vezes, pensamos apenas em nossos próprios interesses. Mesmo na busca da espiritualidade, sentimos que ser um homem espiritual ou uma mulher espiritual é o mais elevado de todos os objetivos cristãos. Contudo, não compreendemos o coração de Deus.
O coração de Deus deseja mais do que a espiritualidade individual, porque nenhuma pessoa, sozinha, pode conter todas as riquezas de Cristo. Nenhuma pessoa, sozinha, pode satisfazer plenamente o coração do Filho amado de Deus.
É necessário um corpo coletivo. São necessários todos os remidos do Senhor, todos os chamados para fora, reunidos em nome de nosso Senhor.
Nesse corpo, todas as riquezas insondáveis de Cristo podem ser contidas. Por meio desse corpo, a glória de Cristo, o Cabeça, pode ser plenamente manifestada.
Agora, queridos irmãos e irmãs, a igreja não é produto do homem. Não é produto da história humana. A igreja é uma ideia concebida de antemão por Deus, e ela existe para Seu Filho amado.
Em segundo lugar, depois de termos o propósito, precisamos buscar um modelo. A pergunta sempre é feita: a igreja tem um modelo?
Algumas pessoas pensam que a igreja não tem um modelo. Em outras palavras, pensam que cabe ao homem decidir como ela deve ser formada. Mas, ao lermos a palavra de Deus, descobrimos que, sempre que Deus estabelece um propósito, Ele também apresenta um modelo.
O propósito de Deus era habitar entre os filhos de Israel; por isso, Ele deu a Moisés o modelo no monte. O mesmo aconteceu com o templo. Deus deu o modelo a Davi, incluindo todos os detalhes da construção: quais materiais deveriam ser usados e como deveriam ser reunidos.
Tudo foi planejado por Deus. Portanto, não podemos dizer que a igreja, que está no coração de Deus, não recebeu um modelo. Certamente há um modelo que nos foi dado. Não cabe ao homem decidir como organizar a igreja. Ela não é resultado da genialidade humana.
Deus realmente nos dá um modelo. Algumas pessoas tentam encontrar um modelo no Antigo Testamento. Na verdade, se vocês observarem a direção que o cristianismo está tomando, descobrirão que ele está gradualmente voltando ao Antigo Testamento.
Elas encontram no Antigo Testamento coisas que gostariam de ter na igreja hoje. Por exemplo, no Antigo Testamento, no que diz respeito ao serviço do templo, temos os sacerdotes. Temos um grupo de pessoas separado dos demais filhos de Israel.
Eles são especialmente treinados e recebem a responsabilidade exclusiva de realizar todo o trabalho espiritual. Para conferir certa glória e honra a esses sacerdotes, há determinadas vestes de beleza e glória com as quais eles se vestem.
Irmãos e irmãs, ao observarmos o cristianismo hoje, vemos que, no início, somente a Igreja Católica tinha essas coisas. Depois, vemos os protestantes começando a aprender com eles.
Lembro-me de que, quando eu era menino, na denominação à qual eu pertencia, os pastores não usavam vestes especiais. Mas agora estão usando, e isso tem se tornado cada vez mais comum — para distingui-los do restante do povo de Deus e lhes dar uma honra especial e uma posição especial.
Então, entre essas pessoas, vemos que é preciso ter um coral, é claro. O que seria de uma igreja sem um coral? Onde encontramos uma base para um coral? Vocês se lembram de Davi e de como ele organizou o coral.
A única referência bíblica que podemos encontrar para um coral especial está no Antigo Testamento. No Novo Testamento, o canto é congregacional. Todos nós cantamos ao Senhor.
Algumas pessoas pensam que precisamos encontrar o modelo no Antigo Testamento. Mas vocês precisam se lembrar: o Antigo Testamento nos fala das sombras. Deus não quer que hoje fiquemos brincando com sombras, porque a realidade já veio. Cristo já veio; portanto, precisamos nos apegar ao que é real.
Então, algumas pessoas dizem: “Bem, não devemos voltar ao Antigo Testamento, às sombras. Onde encontramos o modelo?” Finalmente, elas se voltam para o Novo Testamento e dizem que querem organizar igrejas do Novo Testamento.
Encontramos no livro de Atos como os apóstolos constituíram presbíteros e escolheram diáconos. Os presbíteros cuidavam da supervisão da igreja, e os diáconos realizavam serviços práticos.
Assim, dizem que, para termos uma igreja do Novo Testamento, precisamos de presbíteros, diáconos e, é claro, leigos. Sem os leigos, os presbíteros e os diáconos seriam todos caciques sem índios.
Quando temos alguns presbíteros, alguns diáconos escolhidos e os leigos, podemos dizer: “Temos uma igreja do Novo Testamento”. Mas, meus irmãos e irmãs, esse é o modelo do Novo Testamento? É esse o modelo que Deus nos deu a respeito da igreja gloriosa?
No Antigo Testamento, Deus estava tratando com um povo terreno. Portanto, muito do que Ele fazia com esse povo era físico e material. Mas, nos tempos do Novo Testamento, somos o povo celestial de Deus; somos o povo espiritual de Deus.
O tratamento de Deus conosco já não ocorre naquele nível inferior do físico e do material. O modelo dado não pode ser meramente técnico. Podemos estar tecnicamente corretos de acordo com o Novo Testamento, e ainda assim isso não ser o modelo.
Qual é o modelo do Novo Testamento? É tão evidente. Quando abrimos o Novo Testamento, o que encontramos? Encontramos os quatro Evangelhos. Os quatro Evangelhos nos falam do Senhor Jesus.
Depois dos quatro Evangelhos, o que encontramos no livro seguinte? Ele nos fala da igreja. Em outras palavras, Deus está nos dizendo claramente que a edificação da igreja é segundo o modelo de Cristo.
O que Cristo é, a igreja deve ser. Não se trata de um sentido técnico, porque não tratamos Cristo como uma pessoa meramente técnica. Vemos Cristo no Espírito, de maneira viva.
Ele é Aquele que vive.
Eu sou o Primeiro e o Último, E Aquele que vive; Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, E tenho as chaves da morte e do Hades.
Nosso Senhor é um Cristo vivo. Algumas pessoas enfatizam o Cristo histórico. É claro que Cristo é histórico. Há dois mil anos, o Filho de Deus veio a este mundo e Se tornou homem. Ele é histórico.
Mas, irmãos e irmãs, Ele é eterno. Ele não está limitado pelo tempo e pelo espaço. Ele vive para sempre, e esse Cristo vivo nos é dado como o modelo da igreja.
Portanto, a medida de Cristo é o testemunho da igreja. Graças a Deus por nos ter dado esse modelo vivo.
Já compartilhamos essas coisas ontem. Agora, chegamos ao assunto desta manhã. Depois que Deus estabeleceu o propósito de dar ao Seu Filho um corpo coletivo, chamado igreja, para ser Sua auxiliadora idônea e Sua esposa, Ele nos deu, com base nisso, um modelo.
Ele enviou Cristo a este mundo e disse: “É desta maneira que vou edificar a Minha igreja”. Quando Cristo estava na terra, a primeira vez que mencionou a palavra igreja foi em Mateus 16:18.
Nosso Senhor disse:
Tu és Pedro.
Pedro significa uma pedra, uma pequena pedra, uma pedrinha.
Sobre esta rocha […]
Não Pedro, mas a rocha.
[…] edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Cristo edificará Sua igreja sobre Si mesmo. Ele é o modelo da igreja. Depois de termos o modelo, precisamos preparar o material. Portanto, a terceira palavra na edificação é preparação.
No Antigo Testamento, como Deus preparou inicialmente o material para a mulher? Já que Adão é o modelo, onde Deus poderia encontrar o material para a edificação da mulher? Está muito claro: Ele só poderia encontrá-lo em Adão.
Somente aquilo que procede de Adão pode voltar a Adão e se unir a ele como um só. Nosso corpo rejeita elementos estranhos, mas, quando algo vem da mesma fonte, pode ser unido para formar um só. Portanto, Deus encontrou o material em Adão.
No caso do tabernáculo, mencionamos ontem que Deus libertou os filhos de Israel do Egito. Ele os levou ao monte Sinai e ali lhes proclamou os Dez Mandamentos.
Por que Deus deu aos filhos de Israel os Dez Mandamentos? Porque, por meio dos Dez Mandamentos, Ele fez dos filhos de Israel o Seu próprio povo. Os filhos de Israel eram diferentes de todas as nações. Em que sentido? Essa diferença se encontrava na lei de Deus.
Ao guardarem os Dez Mandamentos, eles se tornaram propriedade de Deus. Imediatamente depois disso, Deus revelou Sua intenção ao salvá-los. Por que Deus redimiu esse povo? Por que Deus o tornou Sua propriedade? Porque Deus tinha um propósito nisso.
Ele queria habitar entre eles. Para habitar entre eles, precisava de um tabernáculo; precisava de um santuário.
Onde Ele encontraria o material para o tabernáculo? Se vocês lerem Êxodo 25:1, verão que Deus disse aos filhos de Israel:
Trazei-Me uma oferta alçada, de coração voluntário.
Os materiais para o tabernáculo vieram de Seu povo redimido. Isso é muito curioso, porque, quando Deus criou os céus e a terra, Ele os criou do nada. Ele chamou à existência aquilo que não existia. Deus podia fazer tudo. Ele não pediu ajuda alguma. Não precisava de nenhum material pronto. Ele falou, e tudo se fez. Isso é criação.
Mas, curiosamente, quando quis fazer um tabernáculo, Deus poderia facilmente ter dito uma palavra, e o tabernáculo estaria ali. Contudo, Deus não fez isso. Deus disse aos filhos de Israel: “Vocês Me darão uma oferta de amor”.
É uma oferta de amor, apresentada com um coração voluntário. Irmãos e irmãs, se vocês conhecem a condição dos filhos de Israel, sabem que, quando estavam no Egito, eram escravos.
O que significa ser escravo? Um escravo é uma pessoa que não possui nada. Eles eram submetidos ao trabalho escravo; portanto, não tinham absolutamente nada.
Mas, quando Deus os libertou do Egito, vocês sabem o que Ele fez? Podemos encontrar isso já em Êxodo 3. Quando Deus chamou Moisés pela primeira vez para ir ao Egito e libertar os filhos de Israel, Ele já havia dito a Moisés o que aconteceria.
Ele disse que faria maravilhas no Egito, porque o Egito não os deixaria partir. Finalmente, Ele os libertaria. Quando saíssem, deveriam pedir aos egípcios ouro, prata e roupas.
Eles despojaram os egípcios. Em outras palavras, todas as riquezas do Egito foram entregues aos filhos de Israel. As riquezas do Egito haviam vindo do trabalho escravo dos hebreus, e o Egito nunca lhes havia pago os salários.
Deus, sendo justo, redimiu não apenas os filhos de Israel — os homens, as mulheres e as crianças —, mas também redimiu seus bens, os bens que lhes pertenciam por direito. Podemos ver a plenitude da redenção.
Quando pensamos em nós mesmos, acontece a mesma coisa. Deus não apenas redime você; Ele também redime tudo o que é seu. Tudo pertence a Deus.
Depois que Deus os libertou com todas aquelas riquezas, pediu que Lhe dessem uma oferta de amor. Era como se Ele dissesse: “Se vocês Me amam, porque Eu os amo tanto, então deem-Me uma parte de tudo o que lhes dei”.
Eles deram ouro, prata, roupas e todo tipo de material. Os materiais para a construção do tabernáculo vieram daquela oferta de amor.
Deus não fará isso sozinho. Ele deseja a cooperação de Seu próprio povo redimido. É assim que Deus sempre trabalha na nova criação.
Na velha criação, Ele fez tudo sozinho. Mas, na nova criação, a vontade de Deus é que Seus remidos trabalhem com Ele. Na verdade, tudo vem Dele; contudo, Ele primeiro nos dá e depois nos pede que, por amor, devolvamos a Ele.
Essa é a genialidade de Deus. Portanto, o tabernáculo foi construído dessa maneira.
Mas vocês sabem como o inimigo de Deus é sutil. Depois que Moisés disse ao povo o que deveria ser feito, voltou ao monte para receber os Dez Mandamentos e permaneceu ali quarenta dias e quarenta noites.
Os filhos de Israel, que estavam na planície, vieram a Arão e disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés. Talvez tenha morrido. Precisamos de alguém que nos conduza. Faça-nos um deus”.
Vocês se lembram do que Arão disse: todos os homens e mulheres deveriam tirar seus brincos de ouro. Ele tomou esses brincos, derreteu-os, deu-lhes a forma de um bezerro de ouro, e os filhos de Israel disseram: “Este é o nosso deus”.
Imediatamente, fizeram uma festa. Disseram: “Este é o Senhor”. Que mistura! Sentaram-se para comer e beber e levantaram-se para se divertir.
Deus disse a Moisés que descesse, porque eles já haviam quebrado a aliança. Moisés derreteu o bezerro de ouro e os fez beber aquilo. Que desperdício!
O ouro deveria ter sido usado para construir o tabernáculo de Deus, mas foi desperdiçado na construção de um bezerro de ouro.
Irmãos e irmãs, vocês percebem que às vezes fazemos a mesma coisa? Tudo o que Deus nos deu deveria ser uma oferta de amor a Deus, para servir ao Seu propósito.
Como o inimigo nos seduz a desperdiçar o que Deus nos deu em outras coisas e para outros propósitos! Mas, graças a Deus, por meio da intercessão de Moisés, Deus os perdoou.
Mais uma vez, Deus lhes deu outra oportunidade. Em Êxodo 35, Deus, por meio de Moisés, disse aos filhos de Israel que qualquer pessoa movida pelo Espírito e com um coração voluntário ainda poderia ofertar.
Graças a Deus, os filhos de Israel deram, deram e deram. Tiveram de ser impedidos de continuar, porque havia material demais. Irmãos e irmãs, foi assim que os materiais para o tabernáculo foram reunidos.
O mesmo aconteceu com o templo. Dissemos que Deus deu a Davi o modelo do templo. Mas, porque Davi era um homem de guerra e havia derramado muito sangue, Deus disse: “Não, você não poderá construí-lo. Seu filho o construirá”.
Mas Davi era um homem segundo o coração de Deus. O que ele fez? Não temos tempo para ler esses capítulos, mas, se vocês forem a 1 Crônicas, gostaria de destacar algumas coisas.
Em 1 Crônicas 22:14 e nos versículos seguintes, Davi reuniu o povo e lhes contou como desejava construir um templo. Não era a vontade de Deus que ele o fizesse, mas seu filho Salomão o construiria.
Davi disse que, em sua aflição, havia preparado ouro, prata e outras coisas para a construção da casa de Deus. Ele separou os despojos para Deus, não para seu próprio uso.
Então, se chegarmos a 1 Crônicas 29:2, veremos que Davi disse:
Com todas as minhas forças tenho preparado para a casa do meu Deus.
Ele usou toda a sua força para preparar o material. Que abundância de materiais ele preparou!
Ele disse, em 1 Crônicas 29:3:
Além disso, porque tenho posto a minha afeição na casa do meu Deus, tendo eu um tesouro particular de ouro e prata, eu o dou para a casa do meu Deus.
Aqui estava um homem que conhecia o coração de Deus e amava a Deus. Ele amava a casa de Deus. Embora não tivesse permissão para construí-la, para ele não se tratava de um dever; tratava-se de amor.
Por isso, preparou todos os materiais que pôde preparar, com toda a sua força e movido por sua afeição. Se vocês lerem esses capítulos, descobrirão quanto ele preparou. Era sua oferta de amor.
Ele incentivou o povo a dar voluntariamente e, quando começaram a dar voluntariamente, louvou a Deus. Em 1 Crônicas 29:14, vemos sua adoração:
Tudo vem de Ti; e das Tuas próprias mãos Te damos.
Essa é a preparação, o preparo do material.
E quanto a nós hoje, irmãos e irmãs? O Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja.
A igreja é edificada por ninguém menos que o próprio Cristo. Ninguém pode edificar a igreja. Podemos ser trabalhadores sob Sua direção, mas Ele é Quem edifica a igreja, e Ele é Quem decide qual será o material.
Onde Ele pode obter esse material? Irmãos e irmãs, precisamos voltar ao princípio. Vocês sabem por que Deus criou o homem? Por que Deus criou o homem à Sua imagem, conforme a Sua semelhança?
Já existe algo oculto ali. Deus sabia que não poderia edificar a igreja com estrelas, luas ou sóis. Não poderia edificar a igreja com anjos. Não poderia edificar a igreja com animais vivos.
Eles não correspondem à Sua vida. Não correspondem à Sua autoridade como Cabeça. Por essa razão, Ele criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança.
Ele criou o homem para que este tivesse toda a capacidade de receber Sua vida divina. O sol não pode receber Sua vida. O animal não pode receber Sua vida. O anjo não pode receber Sua vida, porque eles não foram criados dessa maneira.
Somente o homem foi criado dessa maneira específica. O homem pode receber a vida de Deus em seu interior. O caráter de Deus pode ser formado no homem e, então, algo que procede de Deus pode voltar para Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, essa é a razão pela qual Deus criou o homem desde o princípio. Vemos que Deus colocou o homem no jardim, e ali estava a árvore da vida.
Deus sugeriu a Adão:
De toda árvore do jardim comerás livremente, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Imagino que a árvore do conhecimento do bem e do mal estivesse ao lado da árvore da vida.
Deus estava lhes dando uma indicação: “Recebam a Minha vida em vocês. Então, com essa vida em vocês, poderei edificar a igreja”. Oh, que coração Deus tem!
Mas vocês sabem o que aconteceu. O homem caiu, e isso deu a Deus tanto trabalho a fazer. Em vez de abandonar o homem e criar outro homem, Deus veio ao jardim e disse:
Adão, onde estás?
Deus veio buscar o homem. Ao longo dos séculos, Deus estava trabalhando em direção ao Seu propósito original. Ele nos deu uma promessa: a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente.
Então, Deus começou a chamar Abraão. De Abraão surgiu uma nação, um povo que pertencia a Ele, porque desse povo Deus enviaria o Salvador. Deus estava trabalhando durante todo esse tempo.
Até que, um dia, Cristo veio a este mundo. Mesmo quando veio a este mundo, vemos que Ele estava procurando o material para a edificação da igreja.
Ele não conseguia encontrá-lo. Não conseguia encontrá-lo. A única maneira de encontrá-lo era semelhante ao que aconteceu quando Deus fez Adão adormecer, para que pudesse retirar algo dele e edificar uma mulher.
Assim, Deus entregou à morte Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus. Mas Sua morte não foi como o sono de Adão. Quando Adão foi levado a dormir, foi uma operação indolor. Mas, com nosso Senhor Jesus, foi uma crucificação dolorosa.
Por quê? Porque o pecado estava envolvido. Era preciso haver redenção do pecado. O pecado tinha de ser julgado. Nosso Senhor Jesus tomou sobre Si os nossos pecados. Ele foi rejeitado não apenas pelo homem, mas até mesmo por Seu Pai.
Então, Dele — vocês se lembram de quando o soldado perfurou Seu lado — saíram sangue e água. Irmãos e irmãs, é com esse material que Deus edifica.
O material para a igreja não pode ser outro senão o próprio Cristo. Mas é Cristo em você e Cristo em mim. Esse é o material.
Nosso Senhor disse:
Tu és Pedro.
Vocês sabem, antes Pedro era Simão. O homem natural não pode ser o material. Simão O negaria três vezes.
Se usarmos o homem natural como material para a casa de Deus, o resultado será uma torre de Babel. Mas o Senhor disse:
Tu és Pedro.
“Você é uma pedra. Você recebeu a Minha vida.”
“Eu sou a Rocha. Você é uma pequena pedra. Você foi tirado dessa Rocha, e usarei pessoas como você para edificar a Minha igreja.”
Em 1 Pedro 2:4-5, Pedro disse:
Chegando-vos a Ele, a Pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, Vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Nosso Senhor é uma Pedra viva. Quando nos achegamos ao Senhor, todos nos tornamos pedras vivas. Temos Sua vida; compartilhamos Sua própria vida. Nosso Senhor tomará essas pedras vivas e as edificará como uma casa espiritual.
É aí que encontramos o material. Irmãos e irmãs, a igreja é formada por pessoas, isso é verdade — aquelas que são chamadas por Deus e reunidas em nome do Senhor. Mas, a rigor, é mais do que isso.
Não são apenas os chamados para fora, reunidos. São esses chamados para fora, reunidos em Seu nome. Isso significa que todos nos submetemos à Sua autoridade como Cabeça.
Tudo o que há de nós mesmos será cortado pela cruz. O que resta é Cristo em você e Cristo em mim. Somente esse material puro pode ser usado para a edificação da casa.
Somente aquilo que procede Dele pode voltar para Ele. Todos os elementos estranhos serão rejeitados. É assim que os materiais são preparados.
Oh, quanto Cristo fez para preparar esse material! Não é de admirar que seja tão precioso. Essa é a preparação. Depois da preparação, vem o processo.
Agora temos todos os materiais, mas, se simplesmente os amontoarmos sem nenhum projeto, isso não fará uma casa. Não somos um monte de ruínas. Devemos ser edificados como a casa de Deus.
Para edificar, precisamos passar por um processo. Precisamos tomar todos esses materiais, dar-lhes forma e colocá-los no lugar certo. Isso exige sabedoria.
Quando Deus ordenou a Moisés que Lhe construísse um santuário, todos os materiais já haviam sido entregues, mas eram matérias-primas. É preciso sabedoria para transformar matérias-primas em produtos acabados.
Essa é a diferença entre sabedoria e conhecimento. Conhecimento é conhecer os materiais, mas sabedoria é saber como usar esses materiais e transformá-los em produtos acabados.
Quando chegamos a Êxodo 31, vemos que Deus disse: “Chamei Bezalel e Aoliabe”. Deus colocou Seu Espírito neles. Deus lhes deu sabedoria, conhecimento e entendimento para saberem como usar os materiais e transformá-los em produtos acabados.
Sob a direção desses dois homens, todas as pessoas de coração sábio se reuniram para transformar aquelas matérias-primas em um tabernáculo.
Encontramos a mesma coisa quando chegamos ao templo. Todos os materiais estavam ali, mas foi necessário Salomão para construí-lo, porque Salomão é sinônimo de sabedoria. Ele era o homem mais sábio do mundo.
Com a sabedoria que Deus lhe havia dado, com aquele coração entendido, ele foi capaz de transformar todos aqueles materiais em um templo.
Irmãos e irmãs, a construção do tabernáculo levou cerca de um ano. A construção do templo levou sete anos. Vocês sabem quanto tempo nosso Senhor leva para edificar Sua casa?
Quando Ele estava na terra, disse:
Edificarei.
Em outras palavras, a edificação ainda não havia começado, porque não havia material. Ele estava ali para preparar o material.
Depois que Ele morreu e ressuscitou, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu. Os cento e vinte reunidos naquele cenáculo foram batizados em um só Espírito, formando um só corpo. Esse foi o início da igreja.
Ela começou no primeiro século, e nosso Senhor, no céu, por Seu Espírito na terra, ainda está edificando. Já se passaram dois mil anos, e a edificação ainda não terminou.
Vocês conseguem encontrar alguma construção nesta terra que leve dois mil anos? Podemos perceber a magnificência dessa edificação.
O Espírito Santo está tomando todas essas matérias-primas, essas pedras brutas. Ele nos refinará para que nos tornemos pedras preciosas. Ele removerá toda a escória que há em nós.
Uma pedra preciosa exige tanta pressão, tanto calor e tanta escuridão para adquirir sua preciosidade. Vocês sabem, irmãos e irmãs? Essa é a nossa história.
Vocês se perguntam por quê. Depois de serem salvos e receberem o Senhor, pensam que estão na estrada para o céu e que não haverá mais nenhum problema. Mas, para sua surpresa, encontram toda aquela pressão, todo aquele calor e toda aquela escuridão diante de vocês.
O Espírito Santo organiza suas circunstâncias. Ele está procurando transformar vocês de pedras brutas em pedras preciosas. Ele está procurando incorporar à sua vida o próprio caráter de Cristo.
Ele está transformando vocês. Ele os está conformando à imagem do Filho de Deus, porque essa é a maneira de edificar a igreja. Ele está realizando a obra de edificação hoje.
É um trabalho que faz sujeira. Há muito a cinzelar, muito a cortar e muito a alisar, para que vocês sejam polidos.
Mas isso não é tudo. O propósito de Deus não é colocar você em um museu como peça de exposição. Você pode ir a um museu e encontrar todas aquelas pedras preciosas, mas esse não é o propósito de Deus. Seu propósito é usar essas pedras preciosas para edificar uma casa.
Ele quer nos ajustar uns aos outros. Há muito ajuste a fazer. “Esta é a minha beleza”, você diz. Mas, infelizmente, sua beleza atrapalha quem está ao lado. Vocês não conseguem se encaixar.
Todos são gigantes; por isso, ninguém se submete ao outro. Todos são os melhores; por isso, ninguém quer obedecer a ninguém. Mas a obra do Espírito Santo é usar a cruz para nos ajustar uns aos outros.
Ele está nos ajustando uns aos outros até que possamos ser edificados juntos como uma casa espiritual, adequada para a habitação de Deus. Esse é o processo.
Se pudermos compreender o processo, estaremos dispostos a nos humilhar e a nos submeter sob a poderosa mão de Deus. No devido tempo, Ele fará surgir o produto final: uma igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, apta para ser apresentada ao Noivo.
Essa é a obra de Deus. Ele ainda está trabalhando. Ele está trabalhando em você. Há muito entulho que precisa ser lançado fora — há muito de nós mesmos: nossa justiça própria, nossa autoconfiança, nossa independência, nossa autossuficiência e nosso orgulho.
Tudo isso precisa ser crucificado. A cruz removerá todo o entulho, e Ele permitirá que a vida de Cristo cresça em nós. Já não sou eu, mas Cristo.
Irmãos e irmãs, um dia vocês verão esse produto acabado. Se lerem Apocalipse 21, verão o produto final: a Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro.
Não apenas a igreja de hoje, mas toda a obra de Deus no Antigo Testamento será reunida naquela cidade santa. Glória a Deus!
Quando temos o produto acabado, o que fazemos? Quando a mulher foi trazida a Adão, imediatamente ele respondeu:
Esta é agora osso dos meus ossos, E carne da minha carne.
Como isso é sobrenatural e, ainda assim, natural!
O mesmo aconteceu com o tabernáculo. Quando o tabernáculo foi construído segundo o modelo e erguido, a glória de Deus o encheu.
Quando o templo foi construído segundo o modelo, a glória de Deus desceu. Até os sacerdotes tiveram de se retirar do templo por causa da glória.
Um dia, veremos essa glória. Vocês já não verão homem algum. Todos terão de se retirar.
Um dia, a igreja será apresentada a Cristo. Que glória! Esse é o dia que todos nós aguardamos.
Sabemos que isso é algo que Deus fez. É a obra de Deus.
Ao longo de todo o tempo, Deus está realizando essa única obra. Nosso Senhor disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.
Irmãos e irmãs, estamos cooperando? Que possamos cooperar e trabalhar juntos, para apressarmos o dia do cumprimento.
Temos uma grande responsabilidade hoje. Não podemos viver como vivíamos antes. Precisamos viver para o coração de Deus. Precisamos nos entregar a Ele plenamente, absolutamente, por amor.
Precisamos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo. Permitam que Ele conclua a obra perfeita. Oh, como aquele dia será glorioso!
Querido Pai celestial, quão preciosos, quão numerosos são os Teus pensamentos. Quem somos nós para que Te lembres de nós? Todos somos material pobre, e ainda assim Tu podes tomar o que nada é e torná-lo algo tão belo.
Por Teu grande amor, Tu concluíste tudo por nós, para que já não vivamos para nós mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por nós.
A Ti seja a glória. Em Teu precioso nome. Amém.