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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Relationship Between The Work & The Church © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Relationship Between The Work & The Church
    The Relationship Between The Work & The Church
    Kaung, Stephen

    A relação entre a igreja e a obra

    Senhor, toda vez que pensamos em Ti, por um lado nos alegramos; por outro, tememos e trememos. Alegramo-nos porque Tu és um Senhor assim, cheio de misericórdia e bondade. Ao contemplar-Te, trememos porque, diante de Ti, reconhecemos as nossas faltas.

    Senhor, por isso voltamos à Tua presença. Prostramo-nos aos Teus pés e pedimos que nos ilumines e nos sustentes com a Tua graça, para que, de agora em diante, possamos ser agradáveis a Ti. Há apenas uma visão em nosso coração: agradar-Te. Temos apenas uma esperança: que Tu tenhas caminho em nós.

    Esperamos e desejamos que não nos abandones, mas que nos uses, para que, em Tuas mãos, nos tornemos vasos úteis. Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos. Entregamos este tempo inteiramente em Tuas mãos. Senhor, nós Te louvamos e pedimos que fales conosco, em Teu precioso nome.

    Revisão da visão celestial

    Ontem tivemos um pouco de comunhão e revimos algo a respeito da igreja e da obra — a essência da igreja e da obra. Em outras palavras, depois de certo tempo, precisamos voltar ao Senhor e permitir novamente que Ele nos examine e nos faça lembrar, para que não nos esqueçamos do motivo pelo qual estamos aqui.

    Assim, agradecemos ao Senhor por nos ter dado, ontem, a oportunidade de ter comunhão sobre esse aspecto. Tanto em relação à igreja quanto à nossa obra, precisamos ter a visão celestial. Sem uma visão celestial, não temos direção nem objetivo; tampouco temos força.

    Às vezes, Deus tem misericórdia de nós e nos concede a Sua visão. Mas, enquanto O servimos, muitas vezes nos distraímos com as nossas próprias coisas, de modo que essa visão celestial fica obscurecida para nós. Então, nosso serviço na terra se torna distorcido. Por isso, precisamos voltar frequentemente ao Senhor, para que, de maneira real, diante Dele, possamos ver o que é a igreja.

    Todos os que servem na igreja precisam perguntar: afinal, o que é a igreja? Todos temos uma porção na obra, mas para que fazemos aquilo que fazemos todos os dias, todas as semanas e todos os meses? Servimos a partir de nós mesmos ou inteiramente a partir do nosso Senhor, para cumprir o Seu propósito?

    Essas são as perguntas que precisamos fazer de tempos em tempos. Precisamos rever essas coisas e voltar ao Senhor, aquietando-nos diante Dele, para que Ele nos faça lembrar novamente, em nosso interior.

    Nesta manhã, gostaríamos de ter comunhão, lembrar uns aos outros e encorajar uns aos outros a respeito da relação entre a igreja e a obra. Ontem mencionamos a essência da igreja e da obra: o que é a igreja? Por que há necessidade da igreja? O que é a obra? Como devemos conduzir a obra?

    Hoje precisamos considerar a relação entre essas duas coisas. Ou, em outras palavras, no que diz respeito à visão celestial, como a colocamos em prática? Antes de tudo, estamos simplesmente fazendo uma revisão. Creio que os irmãos e as irmãs já conhecem essas coisas; estamos aqui apenas para lembrar uns aos outros.

    A obra existe para a igreja

    Antes de tudo, precisamos ver que a obra é para a igreja. Nas Escrituras, esse é um princípio muito importante.

    Hoje, na terra, frequentemente encontramos esta situação: substituímos a igreja pela nossa obra. Ou, dizendo de outra maneira, a obra se torna o nosso objetivo, em lugar da igreja. Em vez de a obra existir para a edificação da igreja, a igreja se torna um meio de manter a obra.

    Suponhamos que estejamos trabalhando aqui. Para que trabalhamos? A obra é para a igreja; a igreja não é para a obra. Creio que há uma grande diferença.

    Se a igreja existe para a obra, então ela se torna uma plataforma para a obra. Em muitos lugares, temos visto que a existência da igreja, ou a reunião dos santos, serve para sustentar um ministério, em vez de o ministério existir com o propósito de edificar a igreja.

    O resultado é que a igreja sustenta o ministério, e a obra substitui a igreja. Dessa maneira, perde-se aquilo que Deus deseja obter em Seu coração. O que Deus deseja obter é a Sua igreja, o Corpo de Cristo, a noiva do Cordeiro. É isso que o Senhor busca. A obra existe apenas para o cumprimento desse propósito.

    Portanto, se tomamos a obra e fazemos dela o propósito principal, enquanto a igreja se torna algo que sustenta e mantém a obra, então a igreja se tornou uma plataforma. Com isso, perdemos de vista o desejo do coração de Deus.

    Precisamos lembrar uns aos outros desse ponto com frequência. Hoje, estamos trabalhando apenas para realizar determinado tipo de obra ou estamos trabalhando inteiramente para que Deus obtenha a Sua igreja?

    A obra apostólica no livro de Atos

    No livro de Atos, vemos claramente um grupo de apóstolos cuja atuação começou em Jerusalém e prosseguiu até o fim do livro, quando encontramos Paulo na cidade de Roma. Toda a obra deles, todos os seus ministérios e todo o trabalho dos apóstolos não tinham o propósito de edificar o próprio ministério.

    Eles não estavam construindo a própria atividade nem os próprios territórios. Pelo contrário, toda a obra deles era para a edificação da casa de Deus, da igreja de Deus.

    Em Jerusalém, vemos os doze apóstolos. Depois de o Senhor tê-los preparado durante vários anos, eles manifestaram suas funções. Estavam ali para servir, ajudando a edificar a igreja. Não estavam ali para trazer pessoas para os próprios ministérios ou para as próprias obras. Pelo contrário, traziam as pessoas para a casa de Deus, para a igreja de Deus, e as serviam fielmente.

    Depois vemos Paulo e Barnabé. Quando saíram para a obra, fizeram a mesma coisa. Aonde quer que fossem, a obra deles era inteiramente para a igreja, não para si mesmos.

    Por meio do trabalho de Paulo, surgiram igrejas, mas essas igrejas não pertenciam a Paulo; pertenciam a Deus. Outros apóstolos, mestres e ministros de Deus podiam edificar sobre o fundamento que Paulo havia estabelecido.

    Paulo disse que ele plantou e Apolo regou. Contudo, Paulo nunca disse: “Esta é a minha obra. Este é o meu território. Este é o meu reino, o meu domínio. Outros ministérios não podem entrar no meu domínio”. Pelo contrário, Paulo estava disposto a que Barnabé ou Apolo fossem a Corinto.

    Paulo não tinha sequer a mínima intenção de construir a própria obra. Ele era inteiramente pela casa de Deus, pela igreja de Deus. Assim, hoje, seja o que for que façamos e aonde quer que vamos, precisamos nos lembrar de uma coisa: a obra é para a igreja; a igreja não é para a obra.

    A obra tem sua razão de existir na igreja, e a igreja não existe para a obra. Creio que isso está muito claro.

    Distinção e cooperação entre a igreja e a obra

    Na Palavra de Deus, também vemos que há uma relação íntima entre a igreja e a obra. A igreja é diferente da obra, mas não pode ser completamente separada dela.

    Não podemos misturar a igreja e a obra, nem separar completamente a obra da igreja. Quando confundimos a igreja com a obra, o resultado é que a igreja passa a existir para a obra. Então, a obra deixa de servir à igreja.

    Precisamos ver que a igreja é diferente da obra, embora não sejam completamente separadas. Por quê? Porque a igreja e a obra cooperam, mas não constituem uma única entidade. A Bíblia nos mostra que a igreja e a obra são duas entidades.

    Essas duas entidades devem cooperar. Somente mediante essa cooperação podemos ver a obra se desenvolver e a igreja ser estabelecida.

    A relação entre a igreja e a obra é íntima, mas essa intimidade não elimina a distinção entre elas. Continuam sendo diferentes.

    Paulo e Barnabé enviados de Antioquia

    Por exemplo, vemos Paulo e Barnabé. Quando Deus os enviou de Antioquia, esses dois apóstolos seguiram para diferentes lugares, pregando o evangelho de Deus. Foram à Galácia e trabalharam em muitas cidades.

    À medida que grupos de pessoas eram salvos, os apóstolos os reuniam. Depois, Paulo e Barnabé iam para outro lugar. Após certo tempo — talvez uns dois anos —, voltavam e visitavam novamente os irmãos e as irmãs.

    Ao visitarem novamente esses irmãos e essas irmãs, Atos 14 nos mostra que encontraram entre eles um grupo que parecia buscar mais o Senhor e conhecê-Lo mais do que os demais. Não que fossem plenamente aperfeiçoados, mas estavam um pouco mais adiantados.

    Por isso, espontaneamente, esses irmãos e essas irmãs na igreja já haviam assumido certa responsabilidade espiritual. O Espírito Santo já havia manifestado essas pessoas. Paulo e Barnabé apenas as confirmaram e designaram esses irmãos como presbíteros para governar as igrejas localmente.

    Na Palavra de Deus, vemos que o surgimento da igreja é resultado da obra dos apóstolos. Na verdade, as Escrituras apresentam duas maneiras pelas quais uma igreja pode surgir.

    Uma delas é por meio dos apóstolos que vão a muitos lugares para trabalhar, tendo como resultado o surgimento de igrejas. As igrejas na Galácia, em Corinto e em Éfeso são exemplos de igrejas que resultaram da obra.

    Também vemos outra maneira pela qual as igrejas surgem: não por meio de apóstolos que saem para trabalhar, mas por meio dos próprios irmãos e irmãs que vão a outros lugares e levam consigo o evangelho.

    A igreja em Antioquia

    Naquele tempo, vemos que a igreja em Jerusalém já se reunia havia vários anos. Como estavam juntos e isso era tão bom, não queriam se separar uns dos outros.

    O Senhor levantou uma perseguição para dispersá-los por muitos lugares, porque o desejo de Deus era que fossem de Jerusalém para a Judeia, para Samaria e até os confins da terra, a fim de testemunhar do Senhor.

    Mas os santos em Jerusalém estavam tão bem que não queriam sair. No que dizia respeito à comissão de Deus, eles a negligenciaram. Por isso, Deus usou a perseguição para dispersá-los. As Escrituras dizem que os irmãos e as irmãs foram dispersos, enquanto os doze apóstolos permaneceram em Jerusalém.

    Aonde quer que os irmãos e as irmãs fossem, levavam o evangelho de Deus àquele lugar. Como resultado, algumas igrejas surgiram, não como fruto da obra apostólica, mas porque irmãos e irmãs foram usados por Deus para levantá-las.

    A igreja em Antioquia, por exemplo, foi um caso muito claro. Ela surgiu por meio de irmãos e irmãs que haviam sido perseguidos e dispersos.

    Eles não apenas pregaram o evangelho aos judeus de língua grega, mas também aos gregos. Assim, Deus operou grandemente, e a igreja foi levantada.

    A igreja em Jerusalém ouviu falar da obra de Deus em Antioquia e enviou Barnabé para visitá-los. Creio que isso é muito bonito, porque não enviaram apóstolos a Antioquia.

    Se apóstolos tivessem sido enviados a Antioquia, as pessoas poderiam ter entendido mal e pensado que a igreja em Jerusalém era a igreja-mãe, vindo assumir o controle de Antioquia e colocá-la sob sua jurisdição. Louvado seja o Senhor, isso não aconteceu.

    Em vez disso, enviaram Barnabé. Barnabé era um judeu helenista, nascido na Grécia, e não na Palestina. Tampouco era apóstolo; era simplesmente um irmão que amava o Senhor. Ele era chamado de filho da consolação.

    Em outras palavras, Barnabé possuía um coração de amor e consolação. Como os judeus e os gentios tinham características muito diferentes, ele foi enviado para visitá-los — não para assumir o controle, mas para ajudar.

    Quando Barnabé chegou ali e viu a obra de Deus, sentiu-se insuficiente. Por isso, foi a Tarso procurar Saulo. Os dois passaram um ano ajudando os irmãos e as irmãs daquela localidade com a Palavra de Deus.

    O surgimento da igreja em Antioquia não foi resultado da obra apostólica. Foi resultado da pregação da Palavra de Deus por irmãos e irmãs fiéis. Depois, eles receberam ajuda de Paulo e Barnabé.

    A igreja gera apóstolos

    Em Atos 13, vemos que havia profetas e mestres na igreja em Antioquia. Eles estavam ali para ajudar e assumir a responsabilidade pelo ministério da Palavra naquela localidade. Não eram apóstolos; eram profetas e mestres para o serviço local.

    Enquanto ministravam ao Senhor, o Espírito Santo separou dois dentre eles — Paulo e Barnabé — para a obra à qual Ele os havia chamado. Naquele momento, Paulo e Barnabé se tornaram apóstolos. Na linguagem de hoje, podemos chamá-los de obreiros.

    Assim, vemos que a igreja gera apóstolos, e os apóstolos estabelecem igrejas. Em Antioquia, a igreja gerou apóstolos.

    Alguns insistem que, sem apóstolos, não pode haver igreja. Dizem que um grupo de irmãos e irmãs pode se reunir e buscar o Senhor, mas, sem um apóstolo, não pode ser considerado uma igreja. Isso é um equívoco.

    Antioquia nos mostra claramente que não apenas a igreja não foi estabelecida por apóstolos, mas que os apóstolos surgiram da igreja em Antioquia.

    Portanto, há duas maneiras pelas quais Deus estabelece igrejas: por meio dos apóstolos, ou obreiros, e de sua obra; e por meio de irmãos e irmãs que se dispersam e servem fielmente, dando origem à igreja.

    A igreja pertence a Cristo

    A atitude dos apóstolos para com a igreja não era tratá-la como propriedade deles. Lembramos que o Senhor disse em Mateus 16:18:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Portanto, a igreja pertence ao Senhor. Não pertence aos obreiros, nem aos apóstolos.

    Em Corinto, alguns diziam: “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “Eu sou de Cefas” e até “Eu sou de Cristo”. Mas Paulo perguntou em 1 Coríntios 1:13:

    Foi Paulo crucificado por vós?
    Ou fostes batizados em nome de Paulo?

    Paulo não considerava a igreja como sua igreja. Pelo contrário, lembrava aos irmãos e às irmãs que a igreja pertence a Cristo.

    Paulo também disse que os servos pertenciam aos santos: Paulo pertencia a eles, Apolo pertencia a eles e Cefas pertencia a eles. Todas as coisas eram para eles; eles eram de Cristo, e Cristo era de Deus. Assim, toda a obra é para a igreja.

    Nenhum obreiro pode afirmar: “Isto é resultado da minha obra, portanto esta igreja me pertence”. Não existe tal coisa.

    A igreja recebe o suprimento de todos os ministérios

    Como a igreja pertence a Cristo, ela pode receber todos os ministérios de Deus. Caso contrário, torna-se uma igreja que só pode receber um ministério.

    Por exemplo, se uma igreja fosse considerada resultado da obra de Paulo em um sentido de propriedade, talvez recebesse apenas o ministério de Paulo e rejeitasse o de Apolo. Mas, se a obra é para a igreja, então a igreja pode receber todos os ministérios que Deus lhe deu.

    Dessa maneira, as riquezas da igreja aumentam grandemente. Nem mesmo o ministério de Paulo abrangia tudo. Deus ama a igreja e deseja que ela receba um suprimento completo. Por isso, Ele concede diferentes dons para cuidar da igreja e nutri-la, e usa todos os ministérios para edificá-la.

    Esse é o ponto de partida para considerar a igreja e a obra. Embora sejam diferentes, não podem ser separadas. A igreja deve receber o serviço de todos os ministérios de Deus e não pode rejeitar nenhum ministro que Deus lhe tenha dado.

    A igreja em Corinto tinha um problema nesse aspecto. Embora tivesse sido estabelecida por meio da obra de Paulo, alguns pareciam rejeitar o ministério dele. Aparentemente, pensavam que Cefas tinha uma posição mais consolidada, por estar entre os doze apóstolos. Assim, alguns rejeitavam o apostolado de Paulo e o seu suprimento.

    Contudo, Paulo não reivindicou autoridade absoluta sobre a igreja em Corinto simplesmente porque ela havia sido estabelecida por meio do seu ministério.

    Responsabilidade na fase inicial da igreja

    Antes de uma igreja estar estabelecida, e enquanto ainda está em sua fase inicial, ela pode surgir por meio da obra. Nessa etapa, muitas vezes parece que o obreiro assume todas as responsabilidades.

    Por exemplo, no início da igreja em Jerusalém, os doze apóstolos assumiam todas as responsabilidades. Até mesmo servir às mesas era responsabilidade deles. Mas, por causa disso, surgiram problemas.

    As viúvas helenistas eram negligenciadas na distribuição diária. Isso não acontecia porque os doze apóstolos faziam acepção de pessoas. Eles eram crentes hebreus e não compreendiam plenamente as necessidades dos crentes helenistas.

    Por mais capazes, fiéis ou diligentes que fossem os apóstolos, quando havia dez ou vinte mil santos, eles não podiam pregar, orar e cuidar sozinhos de todas as questões práticas. Essa não era a intenção original de Deus.

    Deus usou esse problema para mostrar aos apóstolos que eles não eram capazes de fazer tudo. Era necessário que irmãos fossem levantados. Assim, foram levantados sete irmãos, cheios do Espírito Santo e de boa reputação, para cuidar das mesas, a fim de que os apóstolos pudessem se dedicar à oração e ao ministério da Palavra.

    Quando as responsabilidades foram distribuídas dessa maneira, vemos que a Palavra de Deus cresceu grandemente.

    Mais tarde, havia presbíteros na igreja em Jerusalém. Quando Paulo e Barnabé levaram a ajuda dos santos gentios a Jerusalém, ela foi entregue aos presbíteros. A igreja havia sido estabelecida, e um grupo de irmãos havia sido levantado pelo Espírito Santo para assumir a responsabilidade do presbitério e governar a igreja local.

    Assim, os apóstolos dedicaram sua atenção à obra e deixaram de cuidar dos assuntos da igreja da mesma maneira administrativa.

    Apóstolos e presbíteros em Jerusalém

    A igreja em Jerusalém tinha uma característica singular. Não era apenas uma assembleia local; em certo sentido, também era um centro da obra. Por isso, alguns apóstolos estavam entre os presbíteros, embora nem todos os apóstolos fossem presbíteros.

    Pedro era presbítero, e João também se tornou presbítero. Eles assumiam duas responsabilidades: eram apóstolos e, ao mesmo tempo, presbíteros. Mas os outros apóstolos não fizeram isso.

    Se cada apóstolo se tornasse presbítero, então, como todos os apóstolos supriam o ministério da Palavra, acabariam se tornando os principais presbíteros. Assim, a obra voltaria a controlar a igreja.

    Nas outras igrejas, essa não era a situação. As igrejas na Galácia e em Corinto não tinham esse problema. Na fase inicial da obra, pode parecer que os obreiros assumem todas as responsabilidades; mas, quando a igreja estiver mais ou menos estabelecida, eles devem entregar a responsabilidade aos irmãos locais.

    O ministério da Palavra e o aperfeiçoamento dos santos

    Em Efésios 4, vemos que nosso Senhor ressuscitou e ascendeu, e deu dons aos homens. Ele deu quatro tipos de pessoas à Sua igreja: apóstolos, profetas, evangelistas e pastores e mestres.

    A palavra frequentemente traduzida como “pastores” deveria, mais precisamente, ser entendida como “pastores de rebanho”. Esses quatro tipos de pessoas estão ligados ao ministério da Palavra. Podemos dizer que são ministros da Palavra e que ministram a Palavra de Deus à igreja.

    Por que Deus deu esses ministérios à igreja? A Bíblia nos diz: para o aperfeiçoamento dos santos. A obra deles é aperfeiçoar os santos por meio do suprimento da Palavra de Deus.

    Esse aperfeiçoamento tem dois sentidos. Um é que os santos amadureçam em vida por meio do suprimento da Palavra de Deus. O outro é que sejam equipados para usar os dons que Deus lhes deu.

    Como os santos são membros do Corpo de Cristo, cada membro recebeu algum dom segundo a graça de Deus. Os apóstolos e os outros ministros estão ali para ajudá-los a exercer suas funções, desenvolver-se, manifestar seus dons e ter oportunidade de desenvolver suas funções.

    Esses são os objetivos dos ministérios desses quatro tipos de dons. À medida que aperfeiçoam os santos, vemos em Efésios 4:12:

    Para o aperfeiçoamento dos santos,
    para a obra do ministério,
    para a edificação do corpo de Cristo.

    A expressão “a obra do ministério” nos mostra que os santos aperfeiçoados devem exercer o ministério. Isso não significa que os quatro tipos de pessoas em Efésios 4:11 devam fazer toda a obra do ministério.

    O aperfeiçoamento dos santos é para a obra do ministério, e esse ministério não se refere apenas ao ministério dos quatro tipos de pessoas mencionados anteriormente. Refere-se ao ministério do Corpo — o ministério do Corpo.

    Hoje, no Corpo de Cristo, há muitos membros. À medida que esses membros são aperfeiçoados, amadurecem e são equipados, eles trabalham e exercem suas respectivas funções. O ministério mencionado em Efésios 4:12 é o ministério do Corpo, não apenas o ministério dos obreiros.

    Os membros cumprem seu ministério para a edificação do Corpo de Cristo. Em outras palavras, a edificação direta do Corpo é realizada pelos membros do Corpo. Os obreiros realizam uma obra indireta de edificação ao aperfeiçoar os santos.

    Estudiosos da língua grega, como Lightfoot e outros, reconhecem que a obra do ministério em Efésios 4:12 não se refere apenas aos quatro tipos de pessoas mencionados anteriormente, mas ao Corpo.

    Hoje, os servos de Deus trabalham para o aperfeiçoamento dos santos. Quando os santos são aperfeiçoados, espontaneamente se levantam para a obra do ministério e para a edificação do Corpo de Cristo.

    O obreiro como andaime

    Nosso irmão Nee nos ensinou desta maneira: quando você sai para trabalhar, é como construir uma casa. Você precisa montar andaimes. Depois que a casa está construída, os andaimes são desmontados.

    Em outras palavras, o sucesso ou o fracasso da sua obra depende de você trabalhar até o ponto de ficar sem emprego. Quando você fica sem emprego, sua obra é bem-sucedida.

    Se os irmãos e as irmãs sempre precisam depender de você, e você não consegue ficar sem emprego, então você fracassou completamente.

    Recentemente, vi que Hudson Taylor disse algo semelhante. Ele disse que nossa obra é apenas construir um andaime. Louvado seja o Senhor, Hudson Taylor já enxergava isso em sua época.

    A Missão para o Interior da China era apenas um andaime. Mas, depois, os missionários da Missão para o Interior da China não enxergaram isso. Eles enfrentaram dificuldades porque os missionários assumiram o controle total da obra e não estavam dispostos a abrir mão dele e entregá-lo aos crentes chineses locais.

    Eles não perceberam que eram apenas um andaime. Depois que a igreja é edificada, ela deve ser entregue às pessoas da própria localidade.

    Durante a Guerra Sino-Japonesa, o diretor da Missão para o Interior da China era o bispo Frank Houghton. Ele desejava entregar as missões aos chineses, mas os cooperadores mais jovens se opuseram a ele.

    Quando a situação política mudou na China, muitas de suas igrejas ficaram sem líderes, porque haviam permanecido sob o controle dos missionários. Aquilo que Deus mostrou em Sua Palavra é muito claro e muito precioso.

    Esse é apenas um exemplo. No princípio, a obra dos apóstolos era assim: eles iam a um lugar e trabalhavam. Na fase inicial, parecia que faziam tudo, mas sua obra era edificar os santos.

    À medida que os santos eram levantados e manifestados pelo Espírito Santo, os obreiros entregavam aos irmãos locais a responsabilidade de governar e administrar. Já não assumiam a responsabilidade administrativa.

    Autoridade espiritual e autoridade administrativa

    É claro que os obreiros continuam tendo responsabilidade espiritual. É como acontece com os pais: quando os filhos crescem, os pais devem permitir que se tornem independentes. Não devem controlá-los sempre, embora seus corações continuem muito próximos deles.

    Paulo era assim com a igreja em Corinto. Ele esteve ali durante um ano e seis meses. Depois que saiu de Corinto, a igreja em Corinto se tornou independente e assumiu sua própria responsabilidade.

    Mas eles tiveram problemas. Paulo, como um pai, ficou com o coração pesado e lhes escreveu uma carta. Mesmo ao escrever a epístola, Paulo exerceu autoridade espiritual, mas não tinha autoridade administrativa.

    Paulo não podia dar uma ordem para excluir o pecador da comunhão. Ele só podia mostrar-lhes que tal pessoa deveria ser excluída e que eles deveriam, de acordo com sua consciência, tratar do problema.

    Ele não podia tratar diretamente da questão. Só podia usar a autoridade espiritual para tocar a consciência deles, de modo que os irmãos locais percebessem sua negligência no tratamento da questão e se levantassem para resolvê-la.

    Antes de a igreja estar estabelecida, ela pode estar sob os cuidados da obra. Mas, depois que a igreja está estabelecida, o andaime deve ser desmontado. O obreiro pode permanecer ao lado e ajudar por meio do suprimento espiritual da Palavra, mas nunca deve interferir diretamente.

    Se o obreiro interferir diretamente, a igreja nunca se tornará independente. A Palavra de Deus nos mostra claramente que todas as assembleias locais são independentes. Não há controle por parte de outras igrejas, igrejas-mães ou igrejas filiais.

    Cada assembleia local é independente. Nenhuma obra ou ministério deve controlar qualquer igreja.

    A relação contínua da igreja com a obra

    Por outro lado, a igreja não deve dizer que, por já estar estabelecida, pode romper com os obreiros: “Não precisamos mais de vocês. Não os recebemos mais”.

    A igreja deve permanecer humilde, reconhecendo que ainda precisa da ajuda do ministério. Nunca deve chegar ao ponto de dizer: “Somos plenamente independentes. Não precisamos da obra. Estamos completamente separados da obra”.

    A igreja é diferente da obra, mas não está separada dela. Elas precisam apoiar uma à outra e viver uma para a outra.

    A igreja em Corinto tinha uma relação anormal com o obreiro e com a obra. A relação de Paulo com Corinto era normal. Ele sabia cuidar da igreja. Chegou até a chorar enquanto os exortava.

    Embora alguns quisessem rejeitá-lo e negar seu apostolado, Paulo não buscava justificar a si mesmo. Ele lhes mostrava a função espiritual que não podiam rejeitar por completo. A relação de Paulo com Corinto era clara e correta, mas a relação de Corinto com Paulo era anormal.

    Não apenas alguns deixavam de reconhecer o apostolado de Paulo e queriam rejeitar seu suprimento, mas a igreja em Corinto também não o sustentava materialmente. Paulo não estava disposto a receber a oferta deles.

    O sustento material dos obreiros

    É correto que os obreiros recebam sustento material. As igrejas que recebem a ajuda do ministério devem se levantar para prover e sustentar as necessidades de subsistência dos obreiros. Isso é necessário.

    Contudo, os obreiros enviados por Deus nunca devem esperar da igreja o seu sustento. Se um obreiro espera da igreja o seu sustento, ele se torna um empregado da igreja. Então, passa a ser controlado pela igreja, em vez de ser enviado por Deus.

    Deus assumirá a responsabilidade por aquele a quem Ele envia. Um obreiro deve sempre olhar diretamente para o Senhor e nunca olhar para os irmãos e as irmãs com uma expectativa oculta de receber algo. Não somos empregados dos homens.

    As Escrituras tampouco nos mostram que a igreja envia obreiros. Mesmo em Antioquia, foi o Espírito Santo Quem enviou Paulo e Barnabé, não a igreja.

    Também não foi a igreja, como instituição, que lhes impôs as mãos. Aqueles irmãos que haviam servido com eles lhes impuseram as mãos. Em outras palavras, antes haviam trabalhado juntos, e agora o Senhor enviara Paulo e Barnabé. Os demais se identificaram com eles em comunhão.

    A igreja nunca envia obreiros no sentido de controlá-los, porque os obreiros são enviados somente por Deus. Se a igreja pudesse enviá-los, também poderia controlá-los. Mas, como são enviados por Deus, a igreja não pode controlá-los; é o Espírito Santo Quem os envia.

    Da parte da igreja, que relação ela deve ter com a obra? Como recebeu ajuda espiritual, deve apoiar os obreiros nas coisas materiais. Essa é a responsabilidade da igreja.

    Os obreiros não devem esperar da igreja o seu sustento, mas a igreja deve conhecer sua responsabilidade.

    A igreja em Filipos como padrão de uma relação normal

    A relação de Paulo com a igreja em Filipos era diferente. Essa relação era muito normal.

    Paulo foi enviado por Deus da Ásia Menor, atravessando o mar, para a Europa. A igreja em Filipos foi a primeira igreja na Europa. Paulo, Silas e Timóteo serviram ali, e a igreja foi levantada.

    Se vocês lerem a carta aos Filipenses, verão Paulo dizer que, desde o primeiro dia até aquele momento, eles tinham comunhão no avanço do evangelho.

    Mesmo quando Paulo estava na prisão, os santos em Filipos tinham um só coração para o avanço do evangelho. Isso é muito precioso. Eles apoiavam a obra.

    A obra é diferente da igreja, mas não está separada dela. Os santos em Filipos apoiavam a obra não apenas espiritualmente, mas também financeiramente.

    Quando Paulo foi a Tessalônica, eles enviaram ajuda repetidas vezes. Quando Paulo estava na prisão em Roma, continuaram enviando recursos para sustentá-lo.

    Eles não enviaram apenas apoio financeiro. Também enviaram Epafrodito para servir a Paulo. Ele adoeceu e não pôde cumprir o serviço da maneira pretendida. Quando se recuperou, Paulo enviou Epafrodito de volta.

    A relação era muito normal. Quando a relação entre a igreja e a obra é normal, deve apresentar esse tipo de condição. Quando é anormal, é como Corinto.

    Os obreiros pertencem ao Senhor

    Os obreiros não pertencem à igreja; pertencem ao Senhor. A igreja não pode considerar os obreiros sua propriedade.

    Contudo, embora os obreiros não pertençam à igreja, também não podem ser separados dela.

    O perigo do sistema pastoral

    Hoje, especialmente nos Estados Unidos, um pregador pode sair do seminário e começar a procurar emprego. Geralmente, ele não vai imediatamente para uma igreja grande. Muitas vezes, vai para o interior servir em uma igreja pequena e recebe um salário.

    Se trabalhar fielmente e Deus abençoar sua pregação, sua fama se espalha. Então, depois de alguns anos, igrejas grandes nas cidades podem contratá-lo, e seu sustento financeiro melhora.

    Se essa pessoa se torna pastor de uma igreja grande, ela governa a igreja. O que é o sistema pastoral? É um grupo de cristãos dizendo: “Precisamos de uma pessoa que assuma toda a nossa responsabilidade”.

    Essa pessoa faz tudo, enquanto os demais podem se sentar e ouvir. Eles contribuem com algum dinheiro para sustentá-la e dizem: “Você nos serve”. Todos os assuntos da igreja ficam a cargo do pastor.

    As pessoas dizem: “Estamos ocupados demais. Temos tantas coisas no mundo. Não temos como encontrar tempo para ler bem a Bíblia ou buscar o Senhor. Não conhecemos a Palavra de Deus. Como você se formou no seminário, você é o especialista. Você foi preparado. Assuma a responsabilidade. Faça tudo por nós”.

    O pastor não apenas prega, mas também visita as pessoas e cuida de muitas tarefas corriqueiras. Os outros dizem: “Estamos ocupados demais para fazer essas coisas. Você tem tempo. Você não tem outro emprego, então tudo fica sobre os seus ombros”.

    Dessa maneira, a obra se funde com a igreja, e as duas se tornam uma só. Isso é totalmente contrário às Escrituras.

    Mais tarde, à medida que o pastor se torna mais famoso, as pessoas de todos os lugares o querem. Ele entrega a responsabilidade aos pastores auxiliares e, por fim, as pessoas já não o veem, porque está ocupado demais viajando.

    No fim, ele já não é um pastor local. Dedica todo o seu tempo a ser um preletor de conferências. Vai a todos os lugares pregando. Por causa da grandeza de sua fama e de seu dom, já não está pastoreando uma igreja, mas se tornou um ministro itinerante.

    Essa é uma situação que existe nos Estados Unidos. Aos olhos dos homens, ele pode ser bem-sucedido, mas que relação uma pessoa assim tem com a igreja?

    Ele está separado da igreja. Não tem uma vida de igreja da qual se possa falar. Em termos práticos, perdeu seu lugar de vivência como membro do Corpo de Cristo.

    Esses quatro ministérios estão no Corpo, mas aqueles que os exercem devem continuar sendo membros do Corpo. Caso contrário, perdem a posição e a vivência de membros do Corpo. Esse é um grande perigo — realmente um grande perigo.

    A necessidade de raízes em uma assembleia local

    Quando Paulo saía para a obra, depois de certo tempo voltava a Antioquia. Ele tinha raízes; não era alguém sem raízes.

    Precisamos ver que o obreiro não pode ser completamente desligado da igreja. Um obreiro, embora seja servo de Deus, continua sendo um irmão ou uma irmã.

    Independentemente de onde você esteja, deve ter raízes. As raízes de Pedro estavam em Jerusalém; as de Paulo, em Antioquia. De qualquer maneira, devemos ter raízes.

    Qual é o benefício de ter raízes? Por um lado, há ali um grupo de irmãos e irmãs para apoiar você. Você não é um aventureiro solitário. Eles vão orar por você e apoiá-lo.

    Por outro lado, você não pode simplesmente andar por toda parte. Precisa se estabelecer em um lugar. Nesse lugar, deve ser um irmão ou uma irmã. Na obra, você é obreiro; mas, na igreja, é um irmão ou uma irmã.

    Hoje, muitos obreiros já não sabem ser um irmão ou uma irmã. Mesmo na igreja, não sabem ser um irmão ou uma irmã. Na igreja, ainda querem ser obreiros. Isso é um problema.

    Nós que servimos precisamos nos lembrar disso. Na obra, você tem uma relação direta com o Senhor. A igreja não pode controlar sua obra, embora você deva ter comunhão com a igreja, porque é um irmão ou uma irmã.

    Mas, quando estiver na igreja, não se considere um obreiro como se fosse alguém especial. Você continua sendo um irmão comum ou uma irmã comum. Deve obedecer aos irmãos responsáveis na assembleia local.

    Você precisa ter um lar em uma assembleia local. Não pode ficar sem lar. Na assembleia que é seu lar, você é um irmão ou uma irmã.

    Ao mesmo tempo, se a igreja precisar de sua ajuda, você pode prestar alguma ajuda no ministério da Palavra. Mas não deve chegar e assumir o controle da igreja, de modo que tudo passe a ser seu — a pregação, o governo e a administração.

    Irmãos e irmãs, nunca podemos fazer uma coisa dessas. A obra e a igreja devem ser distintas, mas não podem ser separadas. Isso é muito necessário.

    A natureza local do presbitério

    Nós que servimos na igreja, especialmente os que são presbíteros, precisamos considerar isso. Se uma igreja está estabelecida, certamente o Espírito Santo levantará e manifestará alguns irmãos para exercer a função de presbíteros.

    Os presbíteros na igreja devem governar e administrar a casa de Deus. Na Bíblia, não há presbíteros universais no sentido de presbíteros de igrejas locais. Em Apocalipse, há vinte e quatro anciãos, mas nas assembleias locais há somente presbíteros locais.

    Ser presbítero em uma localidade não significa que, ao ir a outro lugar, você automaticamente se torne presbítero ali. Isso não acontece necessariamente. Sua função é local.

    Por ser mais maduro, mais velho e mais adiantado em uma assembleia local, um irmão pode conduzir os demais e ajudá-los a prosseguir. Por isso, ele se torna presbítero naquela assembleia local. Os presbíteros são sempre locais.

    Você não pode tomar emprestado um presbítero de outra localidade. O presbítero surge localmente. Não existe isso de tomar emprestado um presbítero de outra assembleia.

    Os presbíteros são locais por natureza porque conhecem a condição dos santos daquela localidade e sabem como servi-los. Na verdade, os presbíteros são os mais diligentes. Não estão ali para ficar acima dos outros e dar ordens; são verdadeiramente servos de todos os irmãos e de todas as irmãs.

    O progresso espiritual e a função do presbitério

    Se um presbítero não progride espiritualmente, enquanto outros irmãos e irmãs buscam as coisas espirituais, surge um problema. Antes, ele talvez estivesse mais adiantado, mas agora outros podem ter avançado além dele.

    Se ele continua se agarrando à sua posição apenas por ser presbítero, buscando governar os outros, a igreja não consegue avançar. Isso se torna um problema.

    A Bíblia não nos mostra como encerrar o exercício do presbitério. Se os presbíteros pecam, podem ser disciplinados. Mas, se não pecam, o que fazer?

    A Bíblia não nos diz qual é o prazo do presbitério — se é de três anos, cinco anos ou para sempre. As Escrituras não nos mostram isso.

    Os presbíteros são constituídos pelos apóstolos de tal maneira que estes tenham autoridade para encerrar seu exercício por tê-los designado? Se fosse assim, a igreja nunca se tornaria independente.

    A igreja sempre ficaria nas mãos do obreiro. Se os presbíteros que um obreiro designou não lhe dessem ouvidos, ele poderia removê-los, deixando apenas os que o ouviam e eram controlados por ele. Então, a obra e a igreja voltariam a ser uma só, e haveria mistura.

    Nessas circunstâncias, o que fazemos? Gostaria de compartilhar em comunhão meu sentimento pessoal, porque sinto que esse é um problema real entre nós.

    A designação de presbíteros pelo Espírito Santo

    Embora a Bíblia nos mostre que alguns apóstolos designaram presbíteros, ela não mostra que todos os presbíteros foram designados por apóstolos. Em outras palavras, a designação de presbíteros pelos apóstolos era apenas uma maneira; não era a única.

    Suponhamos que, em um lugar, haja um grupo de irmãos e irmãs que se reúne, mas não haja nenhum apóstolo entre eles. Isso não significa que naquela igreja não existam irmãos que possam tomar a frente.

    Onde quer que um grupo de irmãos e irmãs se reúna, depois de algum tempo o Espírito Santo manifestará espontaneamente alguns irmãos capazes de assumir a liderança. Eles são mais diligentes e, quando os irmãos e as irmãs têm problemas, procuram esses irmãos.

    Isso mostra que o Espírito Santo os manifestou. Quando os apóstolos designam presbíteros, apenas confirmam aquilo que o Espírito Santo já designou.

    Em Atos 20:28, Paulo disse aos presbíteros de Éfeso:

    Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho,
    sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos.

    É o Espírito Santo Quem designa os supervisores, não os apóstolos. Os apóstolos, tendo discernimento espiritual, veem quem o Espírito Santo já designou e vêm apenas confirmar isso.

    Para que serve essa confirmação? Em meu sentimento pessoal, ela serve para os irmãos e as irmãs que não são espirituais. Aqueles que são espirituais já têm clareza interior. Sabem quem o Espírito Santo designou.

    Mas os irmãos e as irmãs carnais não enxergam. Quando um apóstolo vem confirmar aqueles que o Espírito Santo manifestou, eles talvez digam: “Estes são os presbíteros; portanto, vou obedecer”.

    Assim, essa confirmação é para o benefício dos irmãos e das irmãs que não são espirituais, para lhes dar alguma ajuda. Na verdade, se você realmente reverencia e teme a Deus, geralmente não precisa dessa confirmação formal.

    Meu sentimento pessoal, a partir do estudo das Escrituras, é que a designação dos presbíteros é feita pelo Espírito Santo. Os apóstolos vêm apenas confirmar. Às vezes, não há necessidade de confirmação; em alguns lugares, há confirmação. Mas toda assembleia terá irmãos exercendo a função de presbíteros.

    A restauração da realidade espiritual em vez da formalidade exterior

    E quanto a hoje? A situação é diferente. No que diz respeito à igreja, ela se degradou e está em ruínas. Os filhos de Deus estão espalhados por toda parte.

    Antes, os presbíteros eram locais, e seu serviço era servir aos santos daquela localidade. Mas, hoje, em uma mesma localidade, os filhos de Deus estão espalhados por toda parte.

    Há diferentes denominações e os chamados grupos independentes. Os filhos de Deus estão espalhados por toda parte e, mesmo em uma só localidade, há muitas divisões.

    Portanto, no caminho da restauração de Deus, podemos restaurar o chamado arranjo exterior? Esse é um grande dilema.

    No caminho da restauração, o que Deus está restaurando? Está restaurando a realidade espiritual interior ou a formalidade exterior original? Isso é algo que precisamos conhecer diante do Senhor e buscar diante Dele.

    Do ponto de vista humano, restaurar a condição exterior original é impossível — absolutamente impossível.

    No princípio, em Jerusalém, havia apenas uma igreja. Todos os filhos de Deus eram um. Os presbíteros da igreja em Jerusalém formavam um único presbitério, uma única unidade, para administrar a igreja em Jerusalém.

    Mas, hoje, restaurar esse tipo de condição exterior é impossível. Os filhos de Deus foram divididos em todo tipo de grupo, e cada grupo tem seus próprios líderes.

    Como todos esses grupos poderiam ser reunidos para estabelecer um único grupo de líderes ou presbíteros que administrasse todos os irmãos e todas as irmãs? Isso é absolutamente impossível.

    Em minha leitura das Escrituras, sinto que, no caminho da restauração, Deus está restaurando a realidade espiritual, não a formalidade exterior.

    Em outras palavras, precisamos restaurar o testemunho da unidade. Mas não temos como reunir todos os grupos, dissolvê-los e colocá-los sob um único grupo, a fim de estabelecer a chamada igreja local em determinado lugar. É impossível.

    A unidade espiritual e o movimento ecumênico

    O chamado movimento ecumênico de hoje diz que, por sermos um em Cristo, precisamos reunir todos os grupos. Contudo, ele mantém todos os grupos e apenas os une organizacionalmente.

    Essa não é a unidade que o Senhor procura. Em João 17, a unidade é a unidade do Filho e do Pai. A unidade entre o Pai e o Filho é em espírito; é espiritual.

    Por haver unidade espiritual, podemos então ter nossa unidade. Não é uma unidade federativa.

    Mesmo que unamos os grupos exteriormente, isso ainda não é a realidade interior. Interiormente, precisamos guardar a unidade no Espírito e nos empenhar por ela.

    O mesmo princípio se aplica à posição e aos títulos dos presbíteros. Não temos como restaurar o título exterior de presbítero naquele sentido original que abrangia toda a igreja da localidade, porque os presbíteros na Bíblia eram presbíteros de toda a igreja em uma localidade, não apenas de uma reunião ou de um grupo específico.

    Essa forma exterior não pode ser restaurada. Mas vemos que as funções dos presbíteros estão sendo restauradas. Em cada localidade e em cada reunião, pode haver um grupo de pessoas que assume responsabilidade diante de Deus e para com os santos.

    Isso surge espontânea e inevitavelmente. Não é necessário dar-lhes um título nem passar por uma formalidade, porque o Espírito Santo já os manifestou.

    Se é assim, não há necessidade de constituí-los formalmente, nem de removê-los formalmente. De acordo com a condição espiritual, se outros irmãos avançaram mais, naturalmente assumem responsabilidade na igreja.

    Se alguém fica para trás, naturalmente já não exerce a função da mesma maneira. Assim, a realidade espiritual pode ser restaurada sem insistirmos na formalidade exterior.

    Meu sentimento pessoal é que a restauração da formalidade exterior não é possível — não é possível.

    A responsabilidade espiritual em tempos de declínio

    Mesmo ao ler as Escrituras, vemos que, à medida que a igreja se aproxima dos tempos finais, ela se afasta cada vez mais de Deus. Há abandono da fé e apostasia.

    Mas, graças a Deus, há um grupo de santos puros de coração, buscando o Senhor, orando juntos e buscando a justiça, a santificação e a fé.

    Há um grupo de pessoas que mantém a unidade no Espírito Santo e assume responsabilidade espiritual diante do Senhor. É como os mensageiros nas sete cartas de Apocalipse. Eles assumem responsabilidade espiritual.

    Talvez nem tenham sido constituídos por homens, mas são resultado da obra do Espírito Santo. No caminho da restauração, a realidade espiritual está presente, embora as coisas exteriores não sejam necessariamente restauradas.

    Não sei qual é o sentimento dos irmãos e das irmãs. Estou apenas oferecendo um ponto de referência. Isso nos mostra a relação entre a igreja e a obra.

    Conclusão

    Quanto à obra, devemos saber que posição ocupamos em relação à igreja. Quanto à igreja, ela deve saber qual é sua posição e que relação tem com a obra.

    São duas entidades. São diferentes, mas não estão desligadas uma da outra. Não são uma única entidade, mas precisam da cooperação de ambas.

    Dessa maneira, o propósito de Deus será cumprido.

    Nesta manhã, compartilhei apenas um pouco em comunhão, simplesmente como revisão. Ainda temos um pouco de tempo para orar.