Bem, antes de tudo, quero agradecer a todos vocês por me permitirem estar aqui. Estando entre vocês, sinto-me um pouco mais jovem. E sinto que vocês, queridos jovens irmãos e irmãs, são realmente muito privilegiados, porque, quando eu era jovem, não tinha esse privilégio. Não ouvi falar do propósito eterno de Deus tão cedo.
Agradeço muito ao Senhor por vocês estarem aqui e por levarem tão a sério as coisas diante Dele. Creio de fato que o Senhor os abençoará grandemente.
Bem, não estou aqui como preletor, mas gosto muito de ter comunhão. Alguns irmãos me sugeriram que, antes de tentar responder a algumas das perguntas profundas de vocês, eu compartilhasse um pouco sobre aquilo que o Senhor parece estar colocando em meu coração.
Ao ouvir os queridos irmãos que falaram sobre o tema “O andar diário à luz do propósito eterno de Deus”, fiquei profundamente tocado. Enquanto os ouvia, alguns pensamentos me vieram à mente, e gostaria de compartilhar esses poucos pensamentos simples.
Primeiro: para andar, é preciso ter vida. Se você não tem vida, não pode andar. Quando está morto, não consegue andar. Por isso, penso que, antes de tudo, para resolver essa questão do andar, você realmente precisa resolver primeiro essa questão da vida.
O tipo de vida que você tem determinará a maneira como você anda.
Agora, se tudo o que você tem é aquilo com que nasceu — aquilo que recebeu de Adão — ou, em outras palavras, se tudo o que você tem é essa vida natural, essa vida adâmica caída, então você andará de determinada maneira. Não há como andar de outra forma, porque a sua própria vida determina a sua maneira de andar.
Vamos abrir em Efésios 2:1-3. Lemos a partir do primeiro versículo:
E Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,
nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo,
segundo o príncipe das potestades do ar,
do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
entre os quais também todos nós outrora vivemos nas concupiscências da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos,
e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.
Aqui vemos que outrora estávamos espiritualmente mortos — mortos em pecados e transgressões. Nosso espírito estava morto para Deus, embora tivéssemos uma vida natural ativa, herdada de nossos antepassados, de Adão. Portanto, exteriormente estávamos vivos, mas vivíamos por aquela velha vida adâmica caída.
Quando vivemos por essa velha vida adâmica caída, como é o nosso andar? Isso nos é dito claramente aqui. Andamos segundo o curso deste mundo — ou, para dizer de uma maneira mais atual, segundo a moda desta era, segundo a corrente deste mundo. Andamos como o restante do mundo anda.
Isso é apenas o aspecto exterior. Na verdade, você pode pensar que está simplesmente andando segundo a moda ou a corrente do mundo, apenas seguindo a direção que o mundo toma. Mas, sem saber, você está andando segundo o príncipe da autoridade do ar.
Há um príncipe, uma autoridade do ar, no mundo espiritual. Esse é o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Assim, quando vivemos em nossa vida adâmica, exteriormente andamos segundo o caminho do mundo. Mas, na realidade, há alguém que controla este mundo. A Bíblia o chama de príncipe deste mundo, inimigo de Deus, o anjo caído, Satanás. Ele é o príncipe da autoridade do ar, e esse espírito opera nos filhos da desobediência.
Em outras palavras, ele foi desobediente a Deus e colocou essa desobediência no homem. Por isso, por natureza, todos somos desobedientes. Somos desobedientes a Deus. Nossa conduta é governada pelas concupiscências da nossa carne. Somos movidos, motivados e impulsionados pelas concupiscências da nossa carne, fazendo aquilo que a carne e os pensamentos querem fazer. Simplesmente fazemos tudo o que achamos que queremos fazer, e somos, por natureza, filhos da ira. Em outras palavras, estamos sob a ira de Deus.
É assim que a vida natural atua. Mas, graças a Deus, Efésios 2:4-7 continua:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia,
pelo Seu grande amor com que nos amou,
estando nós ainda mortos em nossos delitos,
nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos —,
e nos ressuscitou juntamente com Ele,
e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais, em Cristo Jesus:
para mostrar, nos séculos vindouros, as abundantes riquezas da Sua graça
em bondade para conosco em Cristo Jesus.
Antes, como tudo o que tínhamos era aquela vida natural, adâmica e caída, não era de admirar que andássemos segundo o caminho deste mundo. Simplesmente seguíamos o espírito maligno; era ele quem nos impelia para a destruição.
Mas Deus, rico em misericórdia — um dia Sua graça veio sobre nós, e, em Cristo Jesus, Ele nos deu uma nova vida. Portanto, queridos irmãos e irmãs, hoje temos uma nova vida.
É uma vida divina. É a própria vida de Deus. Ela está em Cristo Jesus. Nascemos do alto. Nós, que cremos no Senhor Jesus, temos essa nova vida em nós. E, com essa nova vida, podemos andar de uma nova maneira.
A Bíblia diz que agora andamos em novidade de vida. Há uma nova vida; há um novo andar.
Aqueles que têm apenas a velha vida adâmica não podem andar à luz do propósito eterno de Deus. Mas aqueles que têm essa nova vida devem andar diariamente à luz do propósito eterno de Deus.
Esse foi, então, o primeiro pensamento que me veio: a vida. Graças a Deus por essa nova vida. Com essa nova vida, somos capazes de andar diariamente no propósito eterno de Deus.
Agora, o segundo ponto: o que é andar? Andar é uma questão diária.
Nós, como crentes, estamos sempre procurando experiências especiais. Vamos a uma conferência esperando ter uma experiência especial, emocionante e nova, e pensamos que, com esse tipo de experiência, nos tornaremos espirituais instantaneamente.
Vocês sabem, hoje tudo é instantâneo. Antes de vir para este país, há mais de quarenta anos, eu nem imaginava que existisse café instantâneo. Para minha surpresa, nos últimos anos soube que também existe chá instantâneo. Tudo é instantâneo.
Entre os cristãos, encontramos essa mesma mentalidade. Os cristãos querem ser espirituais instantaneamente; por isso, estão sempre buscando alguma experiência especial — um salto para outra dimensão. Pensam que, com um único salto, chegarão lá.
Essa é uma grande tentação para os cristãos de hoje, especialmente para os jovens. Mas precisamos lembrar que a vida é um andar diário. Diariamente precisamos andar com o Senhor, e é isso que o Senhor espera de nós.
É verdade que haverá momentos em que você enfrentará alguma crise e, durante essas crises, terá alguma experiência. Mas essas crises são resultado do seu andar diário. Você anda e anda, e então chega a um ponto decisivo, a uma crise, e tem uma experiência que lhe permite continuar andando.
À medida que prossegue, você percorre certa distância e então chega a outra crise em sua vida. Talvez tenha de fazer uma escolha ou tomar uma decisão. Talvez precise renovar sua consagração diante do Senhor para transpor o limiar dessa crise. Então terá outra experiência que lhe permitirá prosseguir em direção ao Senhor.
A vida é um andar diário. Se você negligenciar o seu andar diário e apenas esperar que venham crises, esperando alguma experiência especial, estará em dificuldade.
Sinto realmente que precisamos enfatizar e sublinhar que o nosso andar diário é o que há de mais essencial na vida cristã. Se não andarmos diariamente com o Senhor, quando chegarmos a uma crise, não seremos capazes de superá-la. Provavelmente seremos vencidos por ela. É o seu andar diário que o ajuda a atravessar a crise.
A terceira coisa que me veio à mente foi esta: se você quer andar, precisa andar na luz.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse que há doze horas no dia e que, se alguém anda na luz, não tropeça. Mas, à noite, não se pode andar; não se pode andar nas trevas. Portanto, precisamos andar na luz.
Há dois tipos diferentes de luz nos quais podemos andar. Vejamos Isaías 50:11:
Eis que todos vós, que acendeis fogo,
que vos cingis de tições acesos,
andai na chama do vosso fogo
e entre os tições que acendestes.
Isto vos virá da Minha mão:
em tormentos vos deitareis.
É possível que nós, crentes, em vez de andarmos na luz de Deus, acendamos a luz do nosso próprio fogo. Em vez de depender da vida do Senhor, é possível voltarmos a viver por aquela velha natureza adâmica caída.
Em nosso grupo de discussão nesta manhã, levantou-se esta questão: não deveríamos estar mortos para o nosso velho homem? O apóstolo Paulo disse em Romanos 6:6:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele.
Ora, se o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, por que, em nossa experiência diária, descobrimos que a nossa carne — que é a expressão pessoal do velho homem — continua muito viva?
O velho homem está no singular. Ele se refere a Adão, o cabeça federal, o homem coletivo, Adão e todos os que estão em Adão. Esse é o velho homem. Nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Mas a carne é a expressão pessoal do velho homem. Cada um de nós tem a sua própria carne. A sua carne é diferente da minha. Todos herdamos de Adão, mas herdamos coisas diferentes de Adão.
Por que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo e, ainda assim, descobrimos que a nossa carne muitas vezes continua muito viva? Será porque a obra do nosso Senhor Jesus na cruz não está completa? Ou há algum mal-entendido em algum ponto?
Lembrem-se: nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Como? Em Cristo. Ele era o último Adão. Em outras palavras, Ele incluiu em Si mesmo toda a raça adâmica. Quando Ele foi crucificado, a raça adâmica teve seu fim. Está feito. Está consumado. Nosso velho homem foi crucificado com Cristo.
Esse é um fato eterno, um fato imutável. Sua condição não afeta essa verdade eterna, essa obra consumada de Cristo. Não importa como você se sinta; mesmo que hoje ainda esteja vivendo na carne, isso não muda o que Cristo fez na cruz por você. Seu velho homem foi crucificado Nele.
Mas isso só é verdadeiro em Cristo. Não é verdadeiro em Adão. Se você não habitar em Cristo, se não permanecer em Cristo, descobrirá que aquilo que era verdadeiro em Adão se torna muito vivo em você hoje.
Por isso, precisamos permanecer em Cristo, porque somente em Cristo o seu velho homem foi crucificado. Fora de Cristo, sua carne continua muito viva, e você precisa entregá-la à cruz pelo poder do Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, vemos que é possível que nós, que temos uma nova vida e deveríamos andar de uma nova maneira, acendamos nosso próprio fogo e andemos à luz de suas faíscas. Ainda podemos viver segundo a carne. Ainda podemos amar o mundo. Ainda podemos ir atrás de coisas que são contrárias à vontade de Deus.
Podemos usar nossa mente natural, nossa própria capacidade de raciocínio e nossa própria vontade. Podemos acender nosso próprio fogo, cercar-nos dele, pensar que essa é a nossa luz e andar nessa luz. O que acontecerá? Deus diz:
Em tormentos vos deitareis.
Há somente uma luz na qual podemos andar: a luz do propósito eterno de Deus.
Bem, sei, como nosso irmão mencionou nesta manhã, que, quando se fala do propósito eterno de Deus, ficamos perdidos. É uma expressão tão grandiosa. O que é o propósito eterno de Deus?
Eu estava pensando outro dia — estou apenas compartilhando e conversando com vocês. Moisés disse que a duração da vida de um homem é de setenta anos; se ele tiver vigor, pode chegar a oitenta. Mas agora tenho oitenta e dois anos. Portanto, em outras palavras, estou na minha segunda infância. Vou falar como um bebê.
Não entendo “a luz do propósito eterno de Deus”. Isso é demais para mim. O que é essa luz do propósito eterno de Deus?
Para compreender um conceito, um conceito abstrato, por assim dizer, você precisa crescer. Como bebê ou criança, não consegue apreender um conceito. O propósito eterno de Deus pode parecer vago demais e místico demais para você. Mas reconhecer uma pessoa — isso é fácil. Conheço meu pai. Conheço minha mãe. Conheço minhas irmãs e meus irmãos.
Então, penso assim: como devo andar diariamente? Andarei diariamente à luz de Cristo, uma Pessoa. Isso é fácil. O propósito eterno de Deus não é outro senão Cristo Jesus. Ele é o propósito de Deus.
Por enquanto, digamos simplesmente que nós, como crentes, andamos diariamente à luz de Cristo. Conhecemos Cristo. Nós, que cremos Nele como nosso Senhor e Redentor, O conhecemos.
Em João 17:3, o Senhor disse:
E a vida eterna é esta:
que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro,
e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.
Graças a Deus, temos a vida eterna em nós. Temos Cristo em nós. Conhecemos Cristo. Se andarmos à luz de Cristo, isso é tudo o que precisamos.
Você conhece Cristo? Na medida em que O conhece, ande na Sua luz.
Em João 1:4, está escrito:
Nele estava a vida;
e a vida era a luz dos homens.
Essa é a luz. Nele — isto é, em Cristo Jesus — está a vida. Antes de tudo, você precisa ter vida. Essa vida é a luz dos homens. A luz na qual você anda não é algo que vem de fora. Ela vem de dentro. É a luz da vida.
Todo crente tem essa luz dentro de si. Essa vida é a luz dos homens. Essa vida iluminará o seu caminho e o guiará em seu andar diário.
Em 1 João 1:5 e 1 João 1:7, lemos:
Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está,
temos comunhão uns com os outros,
e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Se andamos na luz, que luz é essa? Isso nos remete a 1 João 1:5: Deus é luz. Também nos remete a João 1:4:
Nele estava a vida;
e a vida era a luz dos homens.
Portanto, irmãos e irmãs, lembrem-se disto — apenas disto: andamos diariamente à luz da Sua vida. Sua vida dentro de nós iluminará o nosso caminho, e andaremos passo a passo por essa luz.
Essa luz cresce. Se andarmos na luz que temos hoje, como Deus está na luz, teremos comunhão com Ele. Deus é luz; Ele é pleno de luz.
Para usar uma ilustração, talvez Ele tenha a intensidade luminosa de cem velas. Quando você crê no Senhor Jesus pela primeira vez, tem a vida Dele em você, mas a luz que ilumina o seu caminho talvez tenha a intensidade de apenas uma vela, porque você O conhece simplesmente como seu Salvador.
Mas, se você andar na luz da sua única vela, assim como Ele está na luz de cem velas, haverá comunhão entre vocês, porque a natureza da luz é a mesma, embora a intensidade seja diferente.
Se hoje você andar na luz que tem hoje, descobrirá no dia seguinte que a luz ficou um pouco mais brilhante — talvez com a intensidade de duas velas. Essa vida lhe dirá o que é certo e o que é errado. Ela lhe dirá o que é a sua própria vontade e o que é a vontade de Deus para você.
Essa vida dentro de você o guiará. Se você for obediente à luz da vida que tem hoje, essa luz crescerá. À medida que obedecer à luz que aumentou, ela crescerá ainda mais. É assim que você cresce espiritualmente em vida.
Irmãos e irmãs, é muito simples. Não tentem quebrar a cabeça pensando: “O que é o propósito eterno de Deus?” Pensem de maneira bem simples: Cristo está em vocês. A vida está em vocês. Aprendam a andar diariamente à luz dessa vida.
Se fizerem isso, terão comunhão com Deus, apesar de ainda haver muita escuridão em vocês e muitas coisas que precisam ser tratadas. Ainda assim, se forem obedientes à luz da vida que o Senhor dentro de vocês lhes dá hoje, terão comunhão com Deus. Por meio da comunhão, haverá mais purificação, e sua vida crescerá um pouco mais.
Tenham cuidado: nunca tentem andar contrariamente à luz da vida que está em vocês. Se fizerem isso, descobrirão que sua comunhão com Deus foi temporariamente interrompida.
Assim que descobrimos que não estamos andando à luz da Sua vida, mas talvez à luz do fogo que nós mesmos acendemos, nossa consciência começa a nos incomodar. O Espírito Santo dentro de nós começa a nos dizer que estamos no caminho errado. Confessem imediatamente.
Se confessarmos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça.
Então nossa comunhão com o Pai celestial será restaurada, e você poderá continuar andando. É muito simples. Procure manter sua vida cristã bem simples. Não a torne complicada demais. Apenas ande segundo a luz da vida de Cristo em você, e isso é tudo o que Deus requer de você.
Esses são alguns pensamentos que me vieram à mente enquanto ouvia nossos queridos irmãos. Agora, temos algumas perguntas.
Sabemos que o tema da conferência é “O andar diário à luz do propósito eterno de Deus”. O que exatamente é o propósito eterno de Deus, e como ele se aplica a nós, jovens?
Nosso irmão Mike já respondeu a essa pergunta nesta manhã. Não sei se vocês perceberam ou se acolheram isso no coração. É verdade: quando se fala do propósito eterno de Deus, de alguma maneira vocês podem se sentir perdidos.
Mas primeiro deixem-me dizer uma coisa. Há diferença entre jovens e idosos no que diz respeito ao propósito eterno de Deus? Acho que vocês já sabem a resposta. Quer sejam idosos, quer sejam jovens, não há diferença. Ele se aplica a todos.
No momento em que você é salvo, esse princípio se aplica a você. Você precisa andar diariamente à luz do propósito eterno de Deus. Mas será muito afortunado se puder conhecer o propósito eterno de Deus enquanto ainda é jovem.
Deixem-me contar uma história. Em 1941, quando ocorreu o ataque a Pearl Harbor e a guerra eclodiu, eu estava em Singapura. Fiquei sem poder sair de lá. Mas Deus, de Sua maneira maravilhosa, permitiu que minha esposa e eu escapássemos de Singapura, no último momento, em um pequeno navio. Passamos dez dias no oceano Índico e finalmente desembarcamos em Madras, na Índia.
Humanamente falando, aquilo era a coisa mais surpreendente que poderia me acontecer, porque eu estava na Índia. Mas, graças a Deus, de Sua maneira maravilhosa, Ele dirigiu soberanamente as circunstâncias.
Quando eu estava em Singapura, certo dia fiquei doente e estava descansando em uma aldeia. Recebi um telegrama de uma irmã inglesa que havia trabalhado conosco em Xangai. Ela me enviou um telegrama das Filipinas, dizendo que passaria por Singapura em determinada data.
Olhei o telegrama e percebi que aquele era exatamente o dia em que ela chegaria. Fiquei pensando se deveria ir encontrá-la. Então disse: “Este é um momento muito incomum, e provavelmente nunca mais a encontrarei”. Por isso, embora estivesse doente, fui a Singapura apenas para encontrar aquela irmã por algumas horas.
Enquanto conversávamos, ela me disse que estava indo para a Índia. Disse que haveria irmãos e irmãs lá e me deu seu endereço. Ela disse: “Talvez o Senhor o leve à Índia”. Ri por dentro, porque achava que nunca iria para a Índia.
Mas a guerra eclodiu. Quando escapamos de Singapura, havia mais de cem chineses naquele navio, que viajava sem escolta. Todos tivemos de assinar documentos assumindo a responsabilidade por nós mesmos caso o navio nos deixasse em qualquer lugar do mundo.
Depois de dez dias no oceano Índico, finalmente chegamos a Madras, mas não tínhamos visto para a Índia. Naquela época, a Índia estava sob domínio britânico. O governo nos disse: “Voltem para o mar. Vocês não deveriam estar aqui. Não têm o direito de estar aqui”.
Ficamos retidos no navio por dois dias. Então, por algumas circunstâncias especiais, um líder da comunidade chinesa nos representou nas negociações com a imigração. Descobriu-se que havia uma ligação entre o chefe da imigração e esse líder chinês e, por meio dessa ligação, ele se responsabilizou por todos os que estavam no navio. Assim, tornei-me residente permanente na Índia.
No terceiro dia no mar, quando o capitão anunciou que não poderíamos ir para Bengala porque Bengala havia caído nas mãos dos japoneses, e que iríamos para Madras, imediatamente me lembrei de que aquela irmã havia mencionado Madras. Olhei o mapa e encontrei o lugar onde ela estava hospedada.
Disse à minha esposa: “Se o Senhor nos trouxe à Índia, precisamos entrar em contato com aquela irmã e ver os irmãos e irmãs. Precisamos ter comunhão com eles”. Pela providência de Deus, eu não havia jogado fora o endereço dela.
Quando finalmente pudemos desembarcar, enviei um telegrama à irmã: “Estamos aqui. Gostaríamos de vê-la”. Fomos para um hotel. Depois de um dia, chegou um telegrama — não dela, mas de sua anfitriã, Lady Ogg.
Ela disse no telegrama: “Minha casa é de vocês. Venham imediatamente”. Vocês podem imaginar quanto isso tocou a mim e à minha esposa. Éramos refugiados, retidos em um país estranho, sem conhecer ninguém. De repente, alguém de quem tínhamos ouvido falar, mas que nunca havíamos conhecido — uma irmã no Senhor — disse: “Minha casa é de vocês. Venham imediatamente”.
Então disse à minha esposa: “Precisamos ir”. Levamos um dia, uma noite e mais meio dia de trem para chegar às montanhas, às colinas de Nilgiri, uma das melhores regiões de veraneio da Índia.
Essa irmã vivia sozinha. Havia herdado uma grande fortuna. Quando a conheci, ela me contou que seus pais haviam morrido e lhe deixado riquezas. Seu marido havia morrido e lhe deixado um título de nobreza. Ela morava na Itália e tinha um palácio de mármore lá. Todos os anos voltava à Inglaterra.
Ela era crente e participava de uma convenção famosa todos os anos, mas sentia que a vida não tinha sentido. Não havia significado na vida, não havia propósito.
Certo ano, antes de participar da Convenção de Keswick, ela participou da Convenção de Swansea, ligada à senhora Penn-Lewis. Ali ouviu um jovem falar sobre o propósito eterno de Deus.
Pela primeira vez, ouviu falar do propósito eterno de Deus, e isso transformou toda a sua vida. Ela começou a perceber que havia significado e propósito na vida.
Mais tarde, foi conduzida à Índia. Seu serviço consistia em comprar belas casas em locais de veraneio, providenciar empregadas e empregados e, a cada verão, convidar servos de Deus para descansar ali. Ela os servia. Esse era o seu ministério.
Quando a conheci, ela disse: “O Senhor já me disse que vocês estariam aqui”. Todo inverno, ela orava: “Quem devo receber no próximo verão?” Deus lhe disse: “Egito e China”, pois ela vivia em comunhão muito íntima com o Senhor.
Vocês veem: o propósito eterno de Deus é realmente essencial. Se vocês conhecem o propósito eterno de Deus enquanto são jovens, como são afortunados!
Aquela irmã já havia passado muitos anos sem esse entendimento. Quando a conheci, ela tinha mais de sessenta anos. Sua vida havia sido sem sentido e sem propósito, mesmo com toda a sua riqueza. Mas, quando conheceu o propósito eterno de Deus, o tempo se tornou eternidade líquida. A maneira como você vive no tempo determinará a sua eternidade.
Isso nos faz perceber como o tempo é precioso, como são preciosos os dias que Deus nos permite viver nesta terra. Muitas vezes, quando acordo pela manhã, oro: “Senhor, obrigado por me dares mais um dia. Que Tu concluas a Tua obra em mim”.
Irmãos e irmãs, conhecer o propósito eterno de Deus é realmente essencial para a vida espiritual de vocês. Precisam conhecer o propósito eterno de Deus enquanto são jovens. Isso os livrará de desperdiçar muitos de seus dias e dará significado a eles. Vocês vivem para o propósito eterno de Deus.
Agora, o que é o propósito eterno de Deus? Se vocês lerem Efésios e Colossenses, verão que esses dois livros nos dizem de maneira especial o que é o propósito eterno de Deus.
A razão pela qual o propósito eterno de Deus parece difícil é que ele é um mistério. A Bíblia diz que é um mistério. É a sabedoria de Deus em mistério. É o segredo mais reservado de Deus.
Deus tinha esse propósito em Si mesmo antes de criar qualquer coisa. Mas não podia revelar esse propósito a ninguém, porque era tão glorioso. Ele precisava preparar a revelação, o desvelamento daquele mistério e propósito que estavam em Seu coração.
Foram necessárias eras e gerações de preparação, até que, na plenitude do tempo, Ele enviou Seu Filho unigênito a este mundo, nascido de mulher, nascido sob a lei, para nos libertar da maldição da lei e para que recebêssemos a filiação.
Somente depois da obra consumada de Cristo na cruz Deus pôde revelar aquele segredo, aquele propósito do Seu coração.
Em Efésios, vemos que o propósito do coração de Deus está centrado em Seu Filho amado. O propósito de Deus, o coração de Deus, está inteiramente voltado para Seu Filho. Ele ama Seu Filho e, por causa de Seu amor pelo Filho, criou todas as coisas. Ele nos criou para Seu Filho, para que Seu Filho encabeçasse todas as coisas. Seu Filho é o Herdeiro de todas as coisas.
Esse é o propósito eterno de Deus. Se você não consegue compreender um conceito, pelo menos consegue receber uma Pessoa. Você percebe que é o Filho de Deus, Jesus Cristo, Quem é o propósito eterno de Deus.
Juntamente com Seu Filho, Deus Lhe dará uma auxiliadora que Lhe corresponda, Sua Noiva. Esse é o Corpo de Cristo, a igreja.
Não são dois centros — Cristo e a igreja. Não, há somente um centro: Cristo. Mas, unido a Cristo, está o Corpo, a igreja — você e eu.
Irmãos e irmãs, este é o propósito eterno de Deus: que o Filho tenha todas as coisas, que vocês sejam transformados e conformados à imagem de Seu Filho amado e que sejam unidos a Ele como Seu Corpo.
Andem à luz desse propósito eterno. Andem à luz de Cristo. A vida de Cristo dentro de vocês mostrará o caminho. Tudo o que não for Dele, a luz iluminará exatamente aquilo e dirá: “Isso precisa sair”. Deixem isso sair.
Tudo o que for Dele, Ele edificará dentro de vocês. Vocês serão transformados segundo a Sua imagem. Serão semelhantes a Ele.
É por isso que o Sermão do Monte é tão importante. O caráter de Cristo precisa tornar-se o caráter de vocês por meio da atuação do Espírito Santo em seu andar diário.
Portanto, andem à luz do propósito eterno de Deus. Esse é o significado disso. Como jovens irmãos e irmãs, vocês são realmente afortunados por poderem começar desde já, sem desperdiçar seus dias, mas andando no propósito eterno de Deus.
Andem em Cristo, enraizados e fundamentados em Cristo, edificados em Cristo e edificados juntamente em Cristo.
Aqui está outra pergunta: considerando o nosso tema, em que estar preparados coletivamente para a Sua vinda difere de estar preparados individualmente?
Todos aguardamos a vinda do nosso Senhor. Esse é o dia que os cristãos, ao longo das gerações e das eras, têm aguardado. Ele está conosco em Espírito, mas um dia O veremos face a face. Essa é a nossa bendita esperança.
Como seremos preparados e estaremos prontos para a Sua vinda? Há alguma diferença entre sermos preparados coletivamente e sermos preparados individualmente?
Irmãos e irmãs, ao conversar, podemos dizer: “Isto é individual” e “Isto é coletivo”. Mas, na realidade, podemos distinguir essas duas coisas, porém não podemos separá-las.
Nossa tendência é separar a prontidão individual da prontidão coletiva, a preparação individual da preparação coletiva. Mas não podemos separá-las.
É verdade que somos membros uns dos outros. Todos somos indivíduos e, individualmente, precisamos estar preparados. Isso é verdade. Mas lembrem-se: estamos no Corpo. Vocês não estão sozinhos.
Crescemos juntos. Somos preparados juntos. Somente quando estamos juntos é que podemos realmente ser preparados.
Deixem-me dizer de outra maneira. Se vocês lerem Romanos 8:29-30, parece que devem estar preparados individualmente:
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou
para serem conformes à imagem de Seu Filho,
a fim de que Ele seja o Primogênito entre muitos irmãos;
e aos que predestinou, a estes também chamou;
e aos que chamou, a estes também justificou;
e aos que justificou, a estes também glorificou.
Ele está conduzindo muitos filhos à glória. Isso parece dizer respeito aos indivíduos, porque, individualmente, somos responsáveis por amadurecer, por ser aperfeiçoados em Cristo Jesus.
Mas, por outro lado, quando nosso Senhor Jesus voltar, Ele será como um noivo que volta para buscar sua noiva. A Noiva é composta de todos os que são Dele, preparados para Ele.
Portanto, precisamos ser preparados de ambas as maneiras. Individualmente, precisamos buscar o Senhor e permitir que Ele seja edificado dentro de nós. Como diz Colossenses 1:28, precisamos ser perfeitos em Cristo Jesus, maduros em Cristo Jesus.
Mas você não pode crescer sozinho. Precisa crescer e ser preparado com seus irmãos e irmãs, porque a Bíblia diz que devemos ser ajustados uns aos outros, unidos uns aos outros e ministrar uns aos outros.
Há muitas lições que você não pode aprender sozinho. Precisa aprendê-las no Corpo.
Você aprende a reconhecer sua limitação no Corpo. Se estiver inteiramente sozinho, não saberá como é limitado. Mas, se estiver no Corpo, conhecerá sua limitação, e é muito importante conhecer sua limitação.
Vocês precisam aprender a se ajustar uns aos outros. Quando está inteiramente sozinho, você pode pensar que é perfeito. Mas, quando começa a se relacionar com outros irmãos e irmãs, imediatamente descobre que não é perfeito.
Há coisas que precisam ser cortadas, coisas que precisam ser cinzeladas e coisas que precisam ser alisadas para que você possa se ajustar aos seus irmãos e irmãs. Muitas lições da cruz não podem ser aprendidas inteiramente sozinho. Você precisa aprendê-las coletivamente.
Portanto, precisamos estar preparados juntos. É por isso que precisamos de comunhão. Há o lado individual e há o lado coletivo, mas não podemos separá-los. Precisamos prosseguir juntos para realmente sermos preparados para a Sua vinda.
Aqui está outra pergunta: é possível que dois crentes que buscam o Senhor recebam revelações diferentes sobre o mesmo princípio cristão? Por exemplo, muitos cristãos veem o Corpo de Cristo e seu funcionamento de maneiras diferentes.
Acho que é uma pergunta muito boa. Temos aqui dois crentes. Ambos buscam o Senhor e, ainda assim, recebem revelações diferentes sobre o mesmo princípio cristão.
No que diz respeito ao princípio, não se pode ter revelações diferentes sobre o mesmo princípio. Em outras palavras, a verdade é uma só.
Mas é possível recebermos aspectos diferentes da mesma verdade, assim como graus diferentes de compreensão da mesma verdade. Isso é possível.
Tomemos o Corpo de Cristo. Se você recebe a revelação do Corpo de Cristo, não importa quem seja, se essa luz vem verdadeiramente do propósito eterno de Deus, necessariamente verá que ele não é uma organização, mas um organismo.
Se você diz que recebeu uma revelação do Corpo de Cristo como organização, então me pergunto se isso não é o fogo que você mesmo acendeu. A Escritura é tão clara. Deus nunca é ambíguo. Sua verdade é uma só.
Se você realmente recebe luz de Deus e vê o Corpo de Cristo, não importa quem seja, verá que ele não é uma organização; é um organismo.
Mas é possível que o grau de entendimento de vocês sobre a natureza do Corpo de Cristo seja diferente. Algumas pessoas podem ver um aspecto do Corpo de Cristo e não ver outro. Isso é possível.
Quando o Senhor lhe mostrar o que é o Corpo de Cristo, lembre-se de que aquilo que você vê é apenas o começo. Há muito mais luz que precisamos receber de Deus sobre o Corpo de Cristo e sobre como ele funciona.
No que diz respeito à verdade da igreja como o Corpo de Cristo, essa verdade foi recuperada no século XIX por meio do movimento dos Irmãos. Mas, mesmo em nossos dias, o funcionamento desse Corpo de Cristo ainda é algo que estamos aprendendo.
O Corpo de Cristo é um organismo vivo. É a extensão de Cristo. Ainda há tanto que precisamos aprender.
Não se contentem com um pouco de luz sobre o Corpo de Cristo, pensando que já compreenderam tudo. Não. Há muito mais. Nesse sentido, vocês podem ter diferentes graus de luz e diferentes aspectos da luz.
Precisamos nos humilhar e estar sempre dispostos e abertos a aprender uns com os outros, para que entremos na realidade do que é o Corpo de Cristo.
Há outra pergunta sobre as expressões “em Cristo Jesus” e “em Jesus”. Alguém tem lido Sacrifício vivo, de Watchman Nee, para uma classe de jovens e pergunta se, uma vez que o irmão Nee disse que não deveríamos dizer “em Jesus Cristo”, mas “em Cristo Jesus” ou “no Senhor Jesus Cristo”, isso também se aplica à oração. Deveríamos dizer “em nome de Cristo Jesus”, em vez de “em nome de Jesus”?
É verdade que o Espírito Santo é muito cuidadoso e exato no uso das palavras. No Novo Testamento, encontramos a expressão “em Cristo” ou “em Cristo Jesus”. Normalmente, não se usa “em Jesus”.
Há somente um lugar em todo o Novo Testamento em que se diz “em Jesus”. Não vou dizer onde está; vocês precisam descobrir por si mesmos. Mas aqueles que conhecem o grego dizem que, no original, há um artigo enfático antes de “Jesus”, ressaltando Jesus pessoalmente.
Todos os outros lugares dizem “em Cristo” ou “em Cristo Jesus”. Por exemplo, Efésios 1:3 diz:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Qual nos abençoou com toda bênção espiritual
nos lugares celestiais em Cristo.
“Em Cristo” é uma expressão coletiva. Toda a plenitude da Divindade habita em Cristo, e vocês são completos Nele. Jesus é Seu nome pessoal. É o nome dado antes de Ele nascer, o nome que usou na terra e também o nome acima de todo nome, diante do qual todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é Senhor.
Quando oramos, isso realmente não faz tanta diferença. Não precisamos ser técnicos demais. Mas deixem-me lembrar-lhes uma coisa.
Vocês são a nova geração. Na minha geração, as pessoas eram muito piedosas e nunca diziam simplesmente “Jesus”. Sempre diziam “Senhor Jesus”.
Mas, na nova geração, vocês sentem que Jesus está tão perto e é tão íntimo de vocês que muitas vezes dizem “Jesus” sem dizer “Senhor”.
Eu diria que vocês precisam das duas coisas. Precisam reconhecer que esse Jesus é Senhor. Isso lhes dá um senso de reverência e temor. Mas também precisam conhecê-Lo pessoalmente como Jesus, Aquele que lhes é tão querido e próximo.
Portanto, em sua oração, sejam naturais. Façam aquilo que o Espírito de Deus os conduzir a fazer. Deus sabe.
Há outra pergunta de alguém que participa de uma assembleia local bilíngue. Sendo uma pessoa de origem chinesa nascida nos Estados Unidos, encontra dificuldade para participar dos momentos de adoração e comunhão, porque eles são predominantemente em chinês. Mesmo com tradução, a dificuldade permanece. O que se deve fazer, na prática, durante as reuniões de oração e à mesa do Senhor?
Não vou entrar no que penso sobre toda essa situação. É uma situação real. Mas eu exortaria esse irmão ou essa irmã a fazer o seguinte.
Se você realmente anda à luz do propósito eterno de Deus, se realmente vê Cristo e Seu Corpo, e se está com um grupo de crentes que deseja honrar o Senhor sob Sua autoridade como Cabeça e está aberto à comunhão, então o idioma não deveria ser um problema. Você precisa superar esse problema.
Aprenda a ser paciente. Procure participar tanto quanto puder. No tempo de Deus, toda a situação mudará.
A geração mais velha usa o chinês. A sua geração já está usando o inglês, e a próxima geração usará somente o inglês. Portanto, esse é apenas um problema temporário.
Aquele que perseverar até o fim será salvo.
Obrigado.