Vamos usar o mesmo versículo que usei ontem à noite: Mateus 16:18. Foi isto que o nosso Senhor Jesus disse:
E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, chegamos a Ti com um espírito de adoração. Nós Te adoramos porque Tu és o nosso Senhor. Tu és tudo para nós.
Pedimos que, pelo Teu Espírito, nos concedas sabedoria e entendimento, e que o Teu Espírito nos conduza à Tua verdade. Senhor, pedimos que a Tua verdade seja a nossa realidade e experiência, e não apenas um conhecimento intelectual. Livra-nos de um conhecimento meramente intelectual.
Senhor, desejamos conhecer-Te de maneira viva. Pedimos que, conforme disseste, edifiques a igreja sobre Ti mesmo, e que as portas do Hades não prevaleçam contra ela. Cremos na Tua palavra.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que Tu mesmo venhas ao nosso meio e nos fales pelo Teu Espírito. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Como mencionamos ontem à noite, aquilo que vamos compartilhar durante este tempo gira em torno de uma única palavra: edificar. O Senhor disse:
Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Mencionamos ontem à noite que a primeira ocorrência da palavra edificar se encontra em Gênesis 2:22:
E da costela que o Senhor Deus tomara do homem, Ele fez uma mulher, e a trouxe ao homem.
Agora, quando vocês pensam na palavra edificar, sabem que não é uma palavra qualquer. É uma palavra técnica. Significa algo com um propósito, algo com um projeto, algo para o qual é preciso se preparar. É algo que exige passar por um processo até que, finalmente, se tenha uma construção que possa ser apresentada e servir ao propósito definido para o qual foi feita.
Portanto, o que gostaríamos de considerar juntos são essas cinco etapas. Ontem à noite mencionamos, em primeiro lugar, que há um propósito definido por trás da edificação da igreja.
Não é algo concebido por seres humanos. Não é algo que seja produto da história. Vemos que a edificação da igreja é um pensamento concebido por Deus antes mesmo da fundação do mundo.
Deus estabeleceu um propósito em Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus. É a partir desse propósito que a igreja deve ser edificada. Portanto, não é algo insignificante, algo que possamos ignorar em nossa vida espiritual e em nossa busca espiritual.
Na verdade, vocês verão que isso é algo de importância máxima no pensamento de Deus, porque Ele quer satisfazer o Seu Filho amado. Nada pode satisfazer o Seu Filho amado, a não ser a igreja que Deus pretende edificar para Ele.
Assim, espero que, em primeiro lugar, todos sejamos profundamente tocados por este pensamento: a igreja não é algo que possamos simplesmente deixar de lado. Ela está no centro do pensamento de Deus e deve ocupar um lugar central em nossa busca espiritual.
Agora, o segundo ponto: mencionamos que, para edificar alguma coisa, é preciso ter um modelo. Graças a Deus, vemos que Ele sempre edifica segundo modelos. Ele nunca faz nada de improviso, sem um projeto, sem um plano, sem uma planta.
Até mesmo na construção do tabernáculo, vemos que Ele deu o modelo a Moisés no monte. Advertiu Moisés repetidas vezes de que tudo precisava ser feito exatamente de acordo com o modelo mostrado no monte.
Moisés foi fiel na casa de Deus. Em que sentido? No sentido de que, apesar de seu grande conhecimento de arquitetura, ele se recusou a tentar aperfeiçoar o modelo que Deus lhe havia dado. Seguiu tudo rigorosamente de acordo com aquele modelo.
O mesmo se aplica ao templo. Vemos que Deus, com Seu próprio dedo, desenhou aquela planta para Davi, e ela deveria ser seguida rigorosamente.
Então, a pergunta é: nessa questão da edificação da igreja, Deus tem um modelo? Infelizmente, vemos que muitas pessoas pensam que não existe um modelo para a igreja. Ela teria sido simplesmente deixada à criatividade humana. Teria sido simplesmente deixada à história.
É por isso que, na história da igreja, vocês encontram várias mudanças, diferentes formas e estilos, como se fosse algo que Deus simplesmente tivesse deixado nas mãos do homem. Como Deus poderia deixar uma construção tão importante — a única construção que Ele está edificando, a obra na qual está empenhado — sem nenhum modelo, permitindo que os homens façam o que acham melhor? É impossível.
Também mencionamos ontem à noite que algumas pessoas tentam encontrar um modelo nos tempos do Antigo Testamento. Vocês encontram isso por toda parte no cristianismo: um modelo segundo o Antigo Testamento. No entanto, os tipos do Antigo Testamento são sombras. Estamos brincando com sombras, sem realmente lidar com a realidade.
Algumas pessoas parecem ir um pouco além e tentam encontrar um modelo no Novo Testamento. Mas, infelizmente, procuram encontrá-lo de maneira técnica, mecânica, em vez de perceber que a igreja é um organismo vivo. O modelo precisa ser vivo; precisa ser espiritual; precisa ser celestial.
Então, onde está o modelo da igreja? É muito simples, muito claro na palavra de Deus: o modelo é o próprio Cristo. Ele é o modelo.
Para edificar a igreja, precisamos edificá-la de acordo com Cristo. É por isso que encontramos em 1 Coríntios 12:12:
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo; assim também é o Cristo.
Sabem, quando lemos esse versículo pela primeira vez, pensamos que deve haver um erro de tradução, porque o que está sendo descrito diante de nós é a igreja. A igreja é o corpo de Cristo: um corpo, muitos membros; muitos membros, um corpo. Esperamos que o texto diga: “Assim também é a igreja”.
Mas, graças a Deus, Ele não comete erros. Vemos que, no original, está escrito:
Assim também é o Cristo.
Em outras palavras, a igreja é o próprio Cristo em um sentido corporativo, místico.
É o próprio Cristo Quem é o modelo da igreja. Portanto, quando a igreja é edificada, tudo o que se vê é Cristo. Não se vê o homem, embora os homens estejam envolvidos.
Pensamos na igreja como ekklesia: aqueles que foram chamados para fora e se reúnem. Graças a Deus, fomos chamados para fora e nos reunimos. Mas, quando aqueles que foram chamados estão espalhados por toda parte, isso não constitui uma igreja.
Quando aqueles que foram chamados se reúnem, isso significa que temos a igreja? Não. A Bíblia diz:
Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome.
Em outras palavras, não se trata apenas da reunião daqueles que foram chamados. Eles precisam se reunir no nome do Senhor, o que significa estar sob o encabeçamento e a autoridade de Cristo.
Se não nos reunirmos sob o encabeçamento e a autoridade de Cristo, ainda não temos a igreja. Por que isso acontece? Porque a igreja é o Cristo. Em outras palavras, além do próprio Cristo, não há nada mais nela.
Estamos nela e, em certo sentido, não estamos nela. Por quê? Porque, embora estejamos nela, somos eliminados pela cruz. Nosso velho homem, nossa carne, nossa velha natureza — tudo o que nos pertence na velha esfera — foi eliminado pela cruz do nosso Senhor Jesus. Portanto, o que resta é nada mais que o próprio Cristo.
Agora, muitas vezes tento usar uma espécie de fórmula. A primeira vez que tentei usá-la foi quando estava ministrando junto com o irmão Austin-Sparks. Se vocês conhecem o irmão Sparks, sabem que, para ele, fórmula é tabu, porque ele considera tudo espiritual. Ora, se é espiritual, como podemos reduzi-lo a uma fórmula?
Então, quando a usei, precisei pedir desculpas a ele e dizer: “Vou usá-la apenas por um momento, para ilustrar algo de maneira mais clara”.
O que é a igreja? A igreja é a reunião daqueles que foram chamados para fora. Agora, suponhamos que, bem no início da história da igreja, houvesse apenas três pessoas chamadas para fora. Vamos usar os três melhores: suponhamos que temos Pedro, João e Tiago.
Esses três são todos os que foram chamados naquele início, e estão reunidos. Isso constitui uma igreja? Pedro, João e Tiago?
Não. Dizemos que o Cristo em Pedro, mais o Cristo em João, mais o Cristo em Tiago é igual à igreja. Agora vocês conseguem ver a igreja?
Vocês encontram Pedro: ele sempre quer ser o líder. João e Tiago também querem ser os líderes, porque vocês se lembram de como passaram à frente de todos os discípulos, pedindo à mãe que os ajudasse. A mãe deles era tia do nosso Senhor Jesus, de modo que a palavra da tia tinha peso.
No último momento, eles chegaram — sem que os outros discípulos esperassem — e disseram: “Bem, temos um pedido. Permite que meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda”. Deixaram tudo arranjado. Os dez, naturalmente, ficaram indignados porque os outros haviam passado à frente deles.
Assim, vocês percebem que, se colocarem Pedro, João e Tiago juntos, embora tenham a vida de Cristo neles, haverá muitos problemas e muitas dificuldades — não por causa do Cristo que está neles, mas por causa daquilo que está fora de Cristo. A vida natural deles está presente.
Então, o que realmente constitui a igreja? É o Cristo em Pedro menos Pedro, mais o Cristo em João menos João, mais o Cristo em Tiago menos Tiago. Isso, sim, é igual à igreja: o Cristo.
Vocês verão que a igreja é formada segundo Cristo, e somente Cristo. Tudo precisa ser de acordo com Cristo. Não pode ser de acordo com o mundo. Não pode ser de acordo com a lei. Não pode ser de acordo com a carne ou com o homem natural. Tudo precisa ser de acordo com Cristo. É o próprio Cristo Quem é o modelo.
Espero que esse ponto esteja muito claro para nós, porque então perceberemos como a igreja é santa, como é sagrada. Quando estendemos nossa mão natural, destruímos a própria natureza da igreja. Quando introduzimos nossa opinião, imediatamente vemos a igreja sofrer, porque tudo o que não segue o modelo destrói a própria natureza da igreja.
Foi isso que vimos ontem à noite. Nesta tarde, gostaríamos de prosseguir com os outros três pontos. Depois de termos o propósito e o modelo — a planta desenhada —, naturalmente começamos a nos preparar para a construção.
O construtor, a empresa de construção, começa a reunir materiais de acordo com a planta, para que haja o material certo para construir aquele edifício.
Mencionamos, logo no início, que Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe corresponda.
Esse era o propósito. O modelo era o próprio Adão, porque todos os animais e todas as aves dos céus foram descartados. Adão não conseguiu encontrar nada que realmente lhe correspondesse. Isso demonstrou que o modelo era o próprio Adão.
Então, Deus começou a reunir o material para edificar aquela mulher. Não procurou o material em outro lugar; Ele o buscou em Adão.
Vocês encontram a mesma coisa ao longo de todos os tipos. Quando Deus quis construir o tabernáculo, o que aconteceu? Em Êxodo 25:1, Deus disse a Moisés que pedisse ao povo que Lhe trouxesse uma oferta.
Fala aos filhos de Israel que Me tragam uma oferta: de todo homem cujo coração o mover voluntariamente, tomareis a Minha oferta.
Agora, sabemos que essa oferta é uma oferta de amor. Mas lembrem-se: quando os filhos de Israel estavam no Egito, eram escravos. Como escravos, não possuíam nada — nem mesmo a própria vida.
Mas, quando Deus disse a Moisés que libertasse os filhos de Israel, já em Êxodo 3 havia lhe dito que Faraó não deixaria o povo ir, mas que Ele faria maravilhas para libertá-los.
Quando Deus os libertou do Egito, disse às mulheres que pedissem ouro, prata e roupas às suas vizinhas e àquelas que moravam em suas casas. Quando saíram do Egito, despojaram os egípcios.
Antes, eles não tinham nada; eram escravos. Mas, na redenção do Senhor, vemos que Deus não apenas redimiu o homem, a mulher e até mesmo os filhos; Deus redimiu toda a família. E não só isso: Deus também resgatou aquilo que legitimamente lhes pertencia.
Aquilo era o salário deles — por todos aqueles anos servindo aos egípcios sem receber pagamento. Deus é justo. Assim, vemos que tudo — a própria vida deles, bem como todo o ouro, a prata, as roupas e tudo o que possuíam — havia sido, de fato, resgatado pelo próprio Deus.
Daquilo que Deus havia resgatado, Ele disse: “Deem-Me uma oferta de amor”. Em outras palavras, tudo pertencia a Deus. Essas coisas não pertenciam, em primeiro lugar, aos hebreus; pertenciam a Deus. No entanto, em Sua obra redentora, Deus lhes deu essas coisas e disse: “Deem-Me uma oferta de amor. Aquele cujo coração o mover, que o faça”.
Infelizmente, vemos que o inimigo sabia disso. Por isso, quando Moisés subiu ao monte para receber os Dez Mandamentos, vocês sabem o que aconteceu.
Os filhos de Israel vieram a Arão e disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés. Ele subiu ao monte e não voltou. Agora, faz-nos um deus para nos conduzir”.
Arão disse: “Que todas as mulheres, os filhos e até os homens tragam seus brincos, seus brincos de ouro”. Arão os derreteu e moldou um bezerro de ouro. Os filhos de Israel disseram: “Este é o nosso deus. Este é o deus que nos conduziu”. Começaram a comer, beber e se alegrar.
Deus disse a Moisés: “Desce. Os filhos de Israel pecaram”. Moisés desceu e viu a situação. Vocês se lembram de como ele quebrou as duas tábuas de pedra, porque a lei já havia sido quebrada.
Ele derreteu aquele bezerro de ouro, lançou o pó no rio e mandou os filhos de Israel beberem seus próprios pecados. Parte do ouro já havia sido perdida — o ouro que, antes de tudo, deveria ter sido oferecido a Deus. O inimigo entrou e tentou tirar aquilo que legitimamente pertencia a Deus.
Mas, graças a Deus, aquilo que Ele havia dado era tão abundante. Então, Deus lhes concedeu uma segunda oportunidade.
Novamente, vemos em Êxodo 35 que Deus deu aos filhos de Israel uma segunda oportunidade. Ele disse:
Todo aquele que for de coração disposto, traga a oferta do Senhor: ouro, prata, bronze,
azul, púrpura, escarlate, linho fino, madeira de acácia,
pedras preciosas, azeite e especiarias.
Eles deveriam trazer essas coisas como uma oferta de amor a Deus. Aqui vemos que o material para o tabernáculo, na verdade, veio do próprio Deus. Ele o deu ao Seu povo, mas o povo precisava devolvê-lo por amor. Deus não os obrigaria a dar, mas, por amor, aquela oferta se tornou o material para a construção do tabernáculo.
O mesmo princípio se encontra na construção do templo. Embora Davi não tivesse permissão para construir o templo, recebeu o modelo.
Agora, alguém que não ama o Senhor de todo o coração poderia dizer: “Bem, fiz o melhor que pude, então não há mais nada para eu fazer. Deus não exigirá mais nada de mim”. Mas Davi não agiu assim.
Embora não tivesse permissão para construir o templo durante sua vida, como ele preparou materiais para a construção do templo — materiais em abundância!
Se vocês lerem 1 Crônicas 22:14 em diante, verão que Davi disse:
Na minha aflição, preparei ouro, prata e estas coisas em abundância.
Na sua aflição.
Agora, eu me pergunto o que essa aflição realmente significa. Significa que, nos dias em que precisou travar muitas guerras, ele separou os despojos de guerra e os deu como oferta alçada a Deus?
Quando chegamos a 1 Crônicas 28, novamente encontramos Davi dizendo:
Preparei segundo todas as minhas forças.
Tudo o que lhe foi possível fazer, ele reuniu.
Então, vem esta declaração:
Por causa da minha afeição pela casa do meu Deus, dei do meu próprio tesouro à casa do meu Deus.
Ele deu o melhor do ouro e da prata — tudo o que havia de mais precioso.
Portanto, vemos que foi uma oferta de amor: em sua aflição, segundo todas as suas forças e por sua afeição pela casa de Deus. Ele encorajou o povo a dar voluntariamente e, graças a Deus, eles deram voluntariamente.
Ao lerem 1 Crônicas 28, vocês veem como Davi louvou a Deus porque Ele havia disposto o Seu povo a contribuir voluntariamente para a construção da casa de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, esses são apenas tipos. Mas agora chegamos à realidade: a edificação da igreja. De onde vem o material para a edificação da igreja?
Mencionamos ontem à noite que, quando Deus criou o homem, na verdade já tinha em Seu pensamento o material para a futura edificação da casa de Deus. Mas, infelizmente, o homem pecou. Desde então, Deus começou a trabalhar e a preparar o material.
Ele chamou Abraão, e de Abraão veio uma nação. Nessa nação, Cristo deveria nascer, e o nosso Senhor Jesus veio a este mundo.
Se vocês lerem o Evangelho segundo João, verão que o nosso Senhor veio como Noivo. Ele veio encontrar Sua noiva, mas ela não podia ser encontrada em lugar algum.
Então, Ele precisou chamar pessoas para fora. Chamou Seus discípulos para fora. Preparou Seus discípulos para serem o material para a futura edificação da casa de Deus, da igreja.
Mesmo durante Sua vida, durante Seu ministério, vemos que Ele mencionou a palavra igreja apenas duas vezes, e isso foi perto do fim de Seu ministério. Ele veio com esse propósito, mas não pôde compartilhar o que estava em Seu coração nem mesmo com Seus discípulos — até ter a cruz diante de Si, até ter o Calvário diante de Si.
Então, começou a abrir Seu coração aos discípulos e disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.
Mas onde está o material? Ele disse:
Tu és Pedro.
Você é uma pedra, uma pequena pedra. Eu sou a Rocha, a Rocha maciça. Você é uma pedra que vem da Rocha, portanto será edificado sobre Mim. É isso que farei.
O Senhor não disse: “Tu és pedra, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja”. Não. Ele disse: “Tu és Pedro”. Pedro entendeu isso muito claramente.
Em 1 Pedro 2:4-5, o próprio Pedro escreveu:
Chegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus,
vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo,
a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Quando chegamos ao Senhor, a Pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus, todos nos tornamos pedras vivas. Da Rocha, da antiga Rocha, todos nos tornamos pedras vivas e somos edificados como casa espiritual.
Então, irmãos e irmãs, quais são os materiais para a edificação da igreja? O material está naqueles que têm a vida de Cristo dentro de si. Antes, éramos apenas pó, pó sem vida. Mas, quando chegamos ao Senhor, tornamo-nos pedras vivas.
Acontece uma regeneração em nós. Uma nova vida, uma vida divina, a própria vida do nosso Senhor Jesus — a própria vida de Deus — nos é dada. Assim, tornamo-nos pedras vivas.
O Senhor disse: “Usarei estas pedras vivas, estes Pedros, e os edificarei sobre Mim mesmo. E as portas do Hades não prevalecerão contra ela”. O material não é outra coisa senão aquilo que procede de Cristo.
Mas há outro elemento nisso. Essas pedras vivas precisam ser oferecidas de volta a Ele, com amor e voluntariamente.
Embora sejamos pedras vivas, se não nos oferecermos a Ele de maneira voluntária, amorosa e de coração disposto, Ele não poderá nos edificar como deseja. É por isso que encontramos em Romanos 12:1-2:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
E não vos conformeis com este mundo:
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Qual é a perfeita vontade de Deus? Se vocês lerem até Romanos 12:5, encontrarão um só corpo. Essa é a vontade de Deus.
Em outras palavras, embora sejamos pedras vivas, se não oferecermos a nós mesmos — nossos corpos, nossos corpos redimidos —, Deus não poderá nos edificar. Uso a palavra corpos porque estamos entrando na esfera prática. É com o corpo que fazemos as coisas. Na verdade, o corpo representa todo o nosso ser.
Deus não quer nosso ouro ou nossa prata. Ele quer a nós. Quer que nos apresentemos como sacrifício vivo, assim como os filhos de Israel. Eles precisavam vir com um coração disposto, movidos pelo Espírito, e dar uma oferta de amor daquilo que Deus lhes havia dado.
Se alguém não estiver disposto, poderá guardar aquilo para si. Mas desperdiçará aquilo que Deus destinou a um propósito.
Portanto, irmãos e irmãs, o mesmo se aplica a nós hoje. Por que a igreja não é edificada? Há tantas pessoas redimidas e salvas, mas por que não vemos a edificação? A razão é que guardamos tudo para nós mesmos. Não nos entregamos ao Senhor voluntariamente, de coração disposto.
O inimigo sabe muito bem que aquilo que Deus fez em nossa vida deve servir a Deus, à edificação da igreja. Por isso, tenta nos seduzir e nos desviar, para que usemos o que Deus nos deu com outras finalidades.
Assim como os filhos de Israel, que usaram o ouro para construir um bezerro de ouro. É um desperdício. Irmãos e irmãs, vocês percebem quanto temos desperdiçado daquilo que Deus nos deu e que se destinava à edificação da igreja?
Desperdiçamos isso conosco mesmos. Desperdiçamos isso no mundo. Desperdiçamos isso com outros propósitos, em vez do propósito de Deus.
Somente aqueles que apresentam seus corpos como sacrifício vivo, sem reter nada de Deus, e Lhe dão uma oferta de amor — nossa oferta de amor somos nós mesmos; entregamo-nos a Ele —, somente quando fazemos isso é que Deus nos recebe e começa a nos edificar.
Portanto, é uma tragédia que a edificação da igreja leve tanto tempo. Isso acontece porque o povo de Deus não vem voluntariamente e não se oferece como ofertas vivas, ofertas de amor — sacrifícios vivos. É tudo o que Deus deseja.
Espero sinceramente, sobretudo no caso dos irmãos e irmãs mais jovens, que, assim que forem redimidos, esse seja o momento de se oferecerem completamente ao Senhor. Por causa do primeiro amor, isso é fácil. Quanto mais demorarem, mais difícil se tornará.
Vocês começam a acumular tantas coisas que se torna muito difícil se separar delas. Por isso, encorajo os irmãos e irmãs mais jovens a se oferecerem como sacrifício vivo desde o início de sua vida cristã.
Então, Deus os receberá e começará a edificá-los na igreja — a igreja gloriosa, a igreja viva de Deus. Portanto, esse é o material: nós somos o material. Mas precisamos nos oferecer voluntariamente a Ele antes que Ele possa nos usar.
Então, o quarto ponto: depois de reunir todos esses materiais, passamos por um processo. Isto é, usamos esses materiais e os edificamos para formar uma casa.
No caso de Adão, Deus tirou dele uma costela e usou essa costela para edificar uma mulher. Esse foi o processo.
No nosso caso, vemos que o processo é muito mais complicado. Por quê? Porque pecamos. Não somos aquilo que Deus originalmente planejou. Pecamos; caímos.
Então, como Deus pode realmente obter o material para a edificação da casa? Vemos que o nosso Senhor Jesus veio a este mundo. Ele viveu uma vida perfeita.
Mas Sua vida perfeita não pode nos salvar. Na verdade, Sua vida perfeita nos condena. Contudo, Sua vida perfeita O qualificou para ser nosso Redentor, nosso Substituto.
Quando chegamos a João 19, vemos que, depois de ser crucificado, o nosso Senhor Jesus disse:
Está consumado.
A obra estava concluída, e Ele entregou Seu espírito ao Pai.
Então, os soldados vieram. Queriam ter certeza de que Jesus realmente havia morrido, de modo que um soldado perfurou Seu lado com uma lança, e dele saíram sangue e água.
O apóstolo João estava ali e disse: “Eu vi e dou testemunho disso. O testemunho é verdadeiro”. Ele foi tão enfático. Agora, irmãos e irmãs, às vezes nos perguntamos: por que João fez isso? Deve haver um significado por trás disso.
Aqui vemos que o nosso Senhor precisou passar por aquilo — não como Adão. Adão apenas adormeceu, mas o nosso Senhor precisou ir à morte. Na verdade, Ele provou a morte eterna por nós durante as últimas três horas. Foi doloroso, porque nossos pecados estavam envolvidos.
Mas daquele lado saíram sangue e água: sangue para a remissão e a expiação dos nossos pecados; água, Sua vida derramada como água, para nos dar uma nova vida.
Assim, com esse sangue e essa água vem o material para a edificação da igreja. Irmãos e irmãs, o nosso Senhor Jesus pagou um preço tremendo por nós. É o Cristo em vocês e o Cristo em mim que constitui o material para a edificação da casa de Deus.
Na construção do tabernáculo, Deus não apenas reuniu os materiais. Os filhos de Israel, depois de seu arrependimento e do perdão recebido, foram tão tocados pelo amor de Deus que vieram e deram, e continuaram dando, todos os dias, todas as manhãs. Aqueles que estavam dispostos vieram e deram, até que, finalmente, foi preciso impedi-los de trazer mais, porque já havia material demais.
Então, em Êxodo 35, vemos que Deus não apenas pediu ao povo que contribuísse, mas também chamou Bezalel e Aoliabe. A esses dois homens Ele encheu com Seu Espírito, dando-lhes sabedoria e entendimento para que pudessem realizar toda a obra.
No capítulo seguinte, vemos que todos os que tinham sabedoria e entendimento vieram e trabalharam juntos. Trabalharam os materiais e os transformaram em um tabernáculo. Levaram menos de um ano para concluí-lo.
Mas, no caso de Salomão construindo o templo, vemos que Salomão era o símbolo da sabedoria. Em outras palavras, é preciso sabedoria para transformar material em uma obra acabada. Conhecimento não basta. É preciso sabedoria.
Sabedoria é saber aplicar o conhecimento, fazer uso do conhecimento que temos. Portanto, vemos que é a sabedoria que edifica a casa. Salomão, o símbolo da sabedoria, foi usado por Deus para construir o templo, e levou sete anos para construí-lo.
Agora, irmãos e irmãs, na edificação da igreja, Quem é a sabedoria? O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Em outras palavras, somente o próprio Senhor tem a sabedoria para edificar a igreja.
Pensamos na igreja como se fosse algo sem importância. Qualquer pessoa pode construir uma igreja, plantar uma igreja. Temos essa expressão: “plantadores de igrejas”. Basta sair e plantar, como se tivéssemos toda a sabedoria para edificar uma igreja, para transformar os materiais em uma obra acabada. Não temos.
Somente Aquele que é maior que Salomão — o Filho, maior que Salomão — é a própria sabedoria para edificar a igreja. Somente Ele pode fazê-lo. No entanto, Ele dá Seu Espírito àqueles que enche de sabedoria e entendimento, e essas pessoas podem trabalhar sob Sua direção para transformar todos os materiais em uma obra acabada.
Somos pedras vivas, mas, infelizmente, há tantos outros elementos ligados a nós. Temos a vida de Cristo dentro de nós, mas, infelizmente, toda a vida adâmica ainda está presente. Temos a nova natureza, mas ainda temos a velha natureza. Vemos que somos uma mistura.
Deus precisa nos purificar e nos santificar pela lavagem de água com a palavra. Ele precisa trabalhar muito em nossa vida — não apenas para remover todo o lixo e os resíduos, tudo o que é da carne, tudo o que é do mundo em nós, tudo o que é do pecado em nós e até algumas coisas satânicas.
Ele precisa nos purificar. E não só isso: precisa transformar essas pedras vivas em pedras preciosas — não apenas vivas, mas preciosas.
Para nos tornar pedras preciosas, é preciso pressão — grande pressão, quase insuportável. É preciso calor, calor intenso. É preciso escuridão, escuridão completa, para transformar as pedras em pedras preciosas.
Irmãos e irmãs, isso fala conosco? Por que, quando nos oferecemos ao Senhor, as coisas mudam? Se vocês guardam tudo para si, parece que podem viver uma vida relativamente tranquila e fácil. Mas, assim que se entregam inteiramente ao Senhor, a vida se torna mais difícil.
As coisas começam a acontecer: pressão, calor, escuridão, muitas coisas que vocês não entendem. “Se Deus me ama, por que permite que isso aconteça comigo?”
O Espírito Santo está nos disciplinando. Ele está organizando o ambiente ao nosso redor. Está colocando certas pessoas junto de nós para tratar conosco. Está organizando nossas circunstâncias e aquilo que nos acontece para nos transformar em pedras preciosas. O Espírito Santo está trabalhando muito em nossa vida.
Ele não apenas nos torna pedras preciosas; não nos torna pedras preciosas simplesmente para sermos expostos em um museu. Ele quer que essas pedras preciosas sejam edificadas juntas. Isso exige mais trabalho.
Ele precisa talhar, precisa cortar, precisa alisar. Precisa trabalhar muito em nossa vida para que possamos nos ajustar uns aos outros.
Todos os nossos pontos fortes são os pontos difíceis quando se trata de sermos unidos. Não é a nossa fraqueza; é a nossa força. O Espírito de Deus precisa tratar conosco por meio da cruz.
Quando somos fracos, então somos fortes. Estamos sendo entrelaçados, unidos, ajustados uns aos outros. Há muito trabalho que o Espírito Santo precisa fazer em nossa vida.
Foi preciso menos de um ano para construir o tabernáculo. Foram necessários sete anos para construir o templo. Mas quantos anos tem levado a edificação da igreja? Dois mil anos se passaram, e a construção ainda não está concluída.
Mas Deus está trabalhando. Ele está trabalhando. Está edificando. Em Sua sabedoria, transforma essas matérias-primas em uma obra acabada.
Irmãos e irmãs, é isso que Deus está fazendo hoje. Quando entendermos isso, não nos sentiremos ofendidos pelo Senhor. Caso contrário, é tão fácil nos sentirmos ofendidos. Graças a Deus por isso.
Então, finalmente, é claro, a obra acabada deve ser apresentada. Deus levou Eva a Adão. Assim que Adão viu Eva, soube imediatamente:
Esta é agora osso dos meus ossos,
e carne da minha carne:
será chamada Mulher,
porque do Homem foi tomada.
Os dois foram unidos em um só. Irmãos e irmãs, quando Moisés concluiu o tabernáculo, tudo estava de acordo com o modelo mostrado no monte. Quando o levantaram, vocês sabem o que aconteceu: uma nuvem encheu o tabernáculo. A glória do Senhor desceu sobre ele, e nem mesmo os sacerdotes puderam permanecer no tabernáculo. Precisaram sair. O povo simplesmente adorou.
A mesma coisa aconteceu com o templo. Quando o templo foi concluído, quando Salomão ofereceu o holocausto, desceu fogo do céu, e então a nuvem encheu o templo. Os sacerdotes precisaram se retirar, e todos simplesmente adoraram.
Irmãos e irmãs, quanto mais glorioso será quando chegar o dia em que aquilo que está no pensamento de Deus se tornar realidade.
Como vemos em Efésios 5, Cristo amou a igreja e Se entregou por ela. Ele a está santificando pela lavagem de água com a palavra, para torná-la santa.
Para que Ele apresente a Si mesmo a igreja gloriosa,
sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante;
mas santa e sem defeito.
A igreja gloriosa será apresentada a Ele como Sua noiva. Quando chegamos ao fim da Bíblia, ao livro de Apocalipse, encontramos a cidade santa, a Nova Jerusalém, preparada e adornada para o Noivo, descendo e cheia de glória.
Vocês veem Cristo em Sua expressão corporativa, completa. Não há nada que possamos fazer além de adorar.
Portanto, irmãos e irmãs, graças a Deus. Esta é a obra de Deus. O nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Esta é a obra de Deus.
Cremos que aquilo que Deus começou, Ele concluirá. Mesmo falando do ponto de vista humano, quanto mais olhamos para a situação de hoje, mais nosso coração se abate. Mas, pela fé, sabemos que o Senhor está trabalhando. Ele não terminou de trabalhar. Está sempre trabalhando, trabalhando, trabalhando.
Cremos que está chegando o dia em que a igreja gloriosa será manifestada. Que Deus nos dê fé e também nos dê obediência.
Vamos orar?
Amado Pai celestial, queremos agradecer-Te por Teu precioso e glorioso pensamento: Tu desejas dar ao Teu Filho amado algo que corresponda plenamente ao Seu coração.
Nós Te louvamos e agradecemos porque é Tua vontade que o homem seja isso. Amado Senhor, queremos agradecer-Te por nos dares a Tua vida. Queremos agradecer-Te por todo o preço que estiveste disposto a pagar por nós.
Pedimos que sejamos pessoas tocadas pelo Teu amor e dispostas a nos oferecer como sacrifício vivo, permitindo que trabalhes conosco e em nós pelo Teu Espírito, até que a igreja gloriosa possa ser apresentada ao Teu Filho amado.
Ó Senhor, apressa essa obra. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nós Te agradecemos porque Jesus é o sim a toda promessa. Senhor, que isso seja realidade em nós. Que sejamos purificados, para que possamos ser esse sacerdócio santo que oferece sacrifícios espirituais e um templo espiritual para Ti.
Obrigado por Tua promessa. Tu começaste esta obra.
Como nosso tempo juntos é curto, gostaria de fazer uma pergunta. Eu poderia fazê-la em particular, mas vou fazê-la publicamente, e então você poderá me dizer se é uma boa pergunta para discutirmos.
Ao longo dos anos, muitos de nós nos familiarizamos com aquilo que você disse hoje por meio dos escritos de Watchman Nee e de seu próprio ministério. Há um problema específico, penso eu, que tenho visto na vida de outras pessoas e que sei que também afetou a minha vida.
Tem a ver com nossa personalidade e nosso temperamento — quem somos como indivíduos. Quando você fala de João mais Cristo, sem João, ficando apenas Cristo, o que resta de nós? Essa é a minha pergunta. Podemos conversar em particular, mas, se for bom falar sobre isso aqui, acho que seria proveitoso. Você entende?
Sim. Quando você diz “João mais Cristo”, sim, João é João. O que resta de nós quando falamos de nossa personalidade e de nosso temperamento? Acho que precisamos perceber a diferença entre temperamento e personalidade.
Em outras palavras, quando Deus nos criou, criou cada um de nós de maneira diferente. Quanto ao corpo, não há duas pessoas fisicamente idênticas, nem mesmo gêmeos, porque Deus ama a variedade.
Pessoalmente, creio que é assim também que Deus cria nossa alma. A forma da nossa alma é o temperamento. Deus nos fez com temperamentos diferentes.
Alguns têm um temperamento mais extrovertido; outros são mais reservados. Alguns são mais rápidos; outros são mais lentos. Cada um tem seu temperamento diferente.
No que diz respeito ao temperamento, assim como nosso corpo físico, ele é neutro. Tudo o que Deus faz é belo. Pessoas de temperamento rápido são belas, e pessoas de temperamento lento também são belas.
O problema é: quem está usando o temperamento? Esse é o problema. Se o velho homem está usando o temperamento, nada de bom sairá disso.
Se você é rápido, será rápido demais. Se é lento, será lento demais. Se é extrovertido demais, como Pedro, acabará em dificuldades. Se é reflexivo demais, também acabará em dificuldades.
Quanto ao temperamento em si, ele é a forma da nossa alma. É o que você é. Na verdade, ele é mais real que nosso corpo. O que você realmente é está na alma, e é na forma da sua alma que se encontra a sua individualidade. Portanto, nosso temperamento determina nossa individualidade.
Deus nos ama como indivíduos. Deus não quer que sejamos como uma massa de carne. Trata-se de um corpo, e cada membro é diferente. Essa é a beleza.
Tentamos imitar outras pessoas ou pensamos: “Se ao menos eu tivesse o temperamento daquela pessoa”. Não. Deus diz: “Permaneça como você é. Foi por isso que Eu o fiz assim”.
“Se você permitir que Eu use seu temperamento, se permitir que Minha vida governe seu temperamento, ele será muito útil.” Pedro é útil. Quando usa seu próprio temperamento, causa problemas. Mas, quando Deus o usa no Pentecostes, que diferença!
João não poderia fazer aquilo — levantar-se diante de grandes multidões, transmitir uma mensagem daquelas, e três mil pessoas serem salvas. João era tão tímido; não poderia fazer aquilo. Somente Pedro poderia, porque tinha o temperamento adequado.
No entanto, João tinha seu próprio temperamento. É por isso que vemos que ele é aquele que conserta tudo, como se estivesse escondido, mas reparando as coisas.
Portanto, não se preocupe com seu temperamento. Você não consegue mudá-lo. Pode moderá-lo um pouco — isso é verdade, por meio do domínio próprio —, mas não pode mudar seu temperamento.
Graças a Deus, muitas vezes Ele une dois temperamentos diferentes para formar marido e mulher. Essa é a maravilha do casamento. Se juntássemos duas pessoas do mesmo temperamento, seria desastroso.
Vocês precisam aprender — há muita cruz, naturalmente —, mas é aí que procuramos complementar um ao outro. Portanto, não há problema com o temperamento ou com a individualidade. O problema é aquilo que chamamos de personalidade.
A personalidade é a soma total do nosso caráter. Ao longo dos anos, com a velha vida, desenvolvemos diferentes características. A combinação dessas características se torna nossa personalidade — aquilo que aparece às pessoas, aquilo que somos.
Depois de sermos salvos, pessoalmente creio que nossa personalidade precisa mudar. Deus tratará com nossa personalidade. Isto é, Ele tratará com nossa velha natureza, nossos velhos hábitos e todo o nosso modo de viver. Essas coisas formam a base da nossa personalidade.
A personalidade é a sua pessoa. É aquilo que expressa você. Em Adão, é isso que somos. Portanto, a personalidade precisa mudar.
Em outras palavras, com a nova natureza — a vida de Cristo em nós —, devemos ser participantes de Sua nova natureza. Ser participantes de Sua nova natureza significa que, gradualmente, somos transformados, e um novo caráter é formado.
Agora, isso é caráter cristão. Caráter cristão não é ética. Não é algo que o próprio homem tenta aperfeiçoar. Algumas pessoas pensam que, ao aperfeiçoarem a si mesmas e seu caráter, tornam-se cristãs. Não. O caráter cristão é Cristo.
O Espírito Santo começa a trabalhar em nós, usando a cruz para eliminar os velhos hábitos, o velho modo de pensar, o velho modo de viver, a velha mente e todas essas coisas. Ele começa a nos capacitar a seguir a nova natureza que está em nós.
À medida que vocês seguem a nova natureza, isso se torna um hábito: um novo hábito, um novo caráter. A combinação das características desse novo caráter é sua nova personalidade.
Assim, vemos que, mesmo na eternidade, as doze pedras dos fundamentos, que representam os apóstolos, são todas pedras preciosas diferentes. São combinações diferentes.
Pedro continua sendo Pedro. João continua sendo João. A individualidade permanece, mas a personalidade é Cristo. Nada do velho Simão está ali; tudo é o novo Pedro.
É isso que o Senhor está realizando. Entendo que, às vezes, sentimos que há um problema na igreja por causa da personalidade. Mas, na verdade, é por isso que precisamos de uma nova personalidade. A velha personalidade é sempre um problema; é um remanescente da velha criação.
É por isso que precisamos da renovação da nossa mente. Precisamos, gradualmente, desenvolver novos hábitos e um novo caráter, e deixar que o caráter de Cristo nos caracterize.
Vocês conhecem o fruto do Espírito. Mesmo no fruto do Espírito, há combinações diferentes em pessoas diferentes. Isso nos torna pedras diferentes — pedras preciosas —, e essa é a beleza.
Mas, no que diz respeito à personalidade, um dia aquilo que a expressará será Cristo. Muitas vezes, quando temos problemas, dizemos: “Bem, é um problema de personalidade”. Naturalmente, ninguém pode tratar de um problema de personalidade, a não ser Deus. Essa é a especialidade do Espírito Santo.