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    Make Love Your Aim © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Make Love Your Aim
    Make Love Your Aim
    Lambert, Lance

    A Primazia do Amor na Vida da Igreja

    Bem, é sempre uma alegria para mim estar aqui e perceber a presença do Senhor em nosso meio, especialmente nestes dias em que estamos vivendo.

    Gostaria de convidá-los a abrir a Palavra de Deus na primeira carta do apóstolo Paulo aos coríntios: de 1 Coríntios 12:31 a 1 Coríntios 13:13, e também em 1 Coríntios 14:1.

    Mas desejai ardentemente os dons maiores. E ainda vos mostro um caminho sobremodo excelente.
    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
    E ainda que eu tenha o dom de profecia, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; e ainda que eu tenha toda a fé, de maneira que transporte montes, se não tiver amor, nada sou.
    E ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
    O amor é paciente e benigno; o amor não inveja; o amor não se vangloria, não se ensoberbece;
    Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não leva em conta o mal;
    Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade;
    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    O amor jamais acaba: mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, será aniquilada.
    Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
    Mas, quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado.
    Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino: agora que cheguei a ser homem, deixei as coisas de menino.
    Porque agora vemos por espelho, obscuramente; mas então veremos face a face: agora conheço em parte; mas então conhecerei plenamente, assim como também fui plenamente conhecido.
    Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
    Segui o amor.

    Oração Inicial

    Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui, em Tua presença. Temos Te adorado; temos percebido Tua presença em nosso meio. Somos tão gratos, Senhor, por termos a liberdade de nos reunir desta maneira.

    E, Senhor, chegamos agora à Tua Palavra. Senhor, queremos simplesmente reconhecer que, sem essa unção, essa graça e esse poder que vêm de Ti, tudo isso não resultará em nada.

    Nós Te agradecemos porque providenciaste a unção tanto para falar a Tua Palavra quanto para ouvi-la. Pela fé, nos colocamos sob essa unção nesta manhã, para que, Senhor, derrames sobre nós, neste lugar, tamanho poder e tamanha graça que nossos olhos se abram ainda mais do que nunca para contemplar o Senhor Jesus e tudo o que nos deste Nele.

    Amado Senhor, teremos o cuidado de Te dar graças e louvor por responderes a esta nossa oração. Está conosco, Senhor, e toca nosso coração. E, ao falarmos de um assunto que, em certo sentido, todos nós conhecemos, oramos, ó Senhor, para que o tornes uma realidade no íntimo de cada um de nós, com todo o poder do Teu Espírito Santo. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.

    O Amor como Princípio Essencial da Vida da Igreja

    Li uma passagem muito conhecida da Palavra de Deus. Este capítulo de 1 Coríntios 13 é tão extraordinário que quase parece existir por si só. Eu o vejo em muitas casas, na parede — infelizmente, não necessariamente na vida das pessoas, mas certamente nas paredes.

    É algo que todo filho de Deus conhece. Todos conhecem este capítulo de 1 Coríntios 13, esta extraordinária declaração da natureza essencial do amor — do amor divino. Mas poucas pessoas percebem em que contexto ele aparece.

    Quem diria que esse poema, essa maravilhosa declaração, que pode ser entendida de maneira meramente sentimental, está numa passagem inteiramente voltada à edificação do corpo de Cristo?

    A partir de 1 Coríntios 11 — na verdade, um pouco antes —, Paulo começa a tratar de assuntos relacionados à igreja: o partir do pão e sua importância; homens e mulheres e sua função na casa de Deus; e depois fala do corpo, dos dons, dos dons do Espírito Santo, da manifestação do Espírito Santo.

    Ele prossegue, em 1 Coríntios 14, falando de nossas reuniões, de como devemos nos reunir, de como é importante que tudo seja feito de modo que todos entendam, e de muito mais. Mas aqui, de repente, ele diz:

    Desejai ardentemente os dons maiores.

    Então acrescenta, para dizer de uma maneira mais atual:

    E eu lhes mostro o caminho mais excelente.

    Às vezes, realmente me pergunto se já compreendemos de verdade que a maior força atuante no funcionamento do corpo de Cristo e na edificação do corpo de Cristo é o amor de Deus manifestado nos membros do corpo.

    O problema dos cristãos é que conhecem a Bíblia — às vezes superficialmente —, mas, como dizemos numa expressão irlandesa, é como água que escorre das costas de um pato. Conhecemos isso tão bem.

    Ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

    Mas ninguém realmente encara a realidade contundente do que o apóstolo está dizendo pelo Espírito Santo.

    A Nulidade do Conhecimento e do Serviço sem Amor

    Ouçam novamente o que ele diz:

    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, e nada mais.

    E se eu tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência — pensem por um momento no que ele está dizendo:

    Conheço todos os mistérios, tenho toda a ciência, mas não tenho amor.

    Isso equivale a nada.

    Isso significa que podemos ter mil estudos bíblicos. Podemos conhecer nossa Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Podemos apresentar esboços. Podemos oferecer ensino sistemático. Podemos fazer mil e uma coisas, mas, se não houver amor, isso equivale a nada. Nada é nada. Por mais que você o multiplique, continua sendo nada.

    Não é como se ele dissesse: “Isso não vale muita coisa”. Ele diz: “Isso não é nada”. Isso significa que todos aqueles estudos bíblicos equivalem a nada. Todo aquele estudo da Palavra não resulta em nada. Não sou eu que estou dizendo isso; é o que diz a Palavra de Deus.

    Infelizmente, nenhum de nós — e eu me incluo nisso — realmente assimila essa verdade. Pensamos: “Não, não, não. Paulo era judeu. Eles exageram, sabe? Os judeus sempre exageram as coisas, e ele está exagerando para chamar nossa atenção”.

    É claro que ele está falando de alguém que conhece todos os mistérios — quem dera todo filho de Deus conhecesse os mistérios por revelação: o mistério da igreja, o mistério da encarnação, o mistério do evangelho, o mistério de Israel, o mistério de Sua habitação em nós, e outros. Quem dera os crentes tivessem tal conhecimento dos mistérios; tivessem conhecimento da Palavra de Deus — um conhecimento real, profundo, pleno da Palavra de Deus —; fossem capazes de falar profeticamente.

    Algumas pessoas acham que tudo isso deixou de existir com o fechamento do cânon das Escrituras. Nunca consegui aceitar isso. Elas citam justamente este capítulo, que fala de as línguas cessarem; mas ele diz que o conhecimento também será aniquilado. Nunca pensamos nisso, não é?

    O fato é que Charles Haddon Spurgeon era um profeta. Vez após vez, quando pregava a Palavra, ele de repente passava a dizer: “E você, ó filho de Deus, Deus lhe diz isto, isto e isto”. Lemos seus sermões e, de repente, percebemos: aqui está uma palavra profética dentro da própria mensagem. O mesmo acontecia com muitos outros.

    Mas não devo me desviar do assunto. Voltando a isto: conhecer todos os mistérios e toda a ciência, e ter toda a fé, de maneira que transporte montes — vocês não gostariam disso?

    Ser capaz de remover apenas aquele montinho que está incomodando você; ter fé suficiente para encarar o obstáculo que o aflige, o problema em sua casa, o problema insolúvel que pesa tanto para você. Mas, se você pudesse ter toda a fé, de maneira que transportasse montes, Paulo diz que, se não tiver amor, isso equivale a nada.

    Significa que você pode ter fé para remover obstáculos enormes, até mesmo vencê-los, mas, se não houver amor divino no meu coração ou no seu, isso não resulta em nada. Deixe essa verdade penetrar em você.

    Ele continua. Diz:

    Ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

    A maioria de nós pensaria que, se entregássemos nosso corpo como mártires, isso teria valor. Paulo diz que, se não houver amor, isso não lhe aproveitará em nada. Se você pegasse absolutamente tudo o que possui, convertesse em dinheiro e desse aos pobres, mas não houvesse amor, isso não lhe aproveitaria em nada.

    Acho que esse é o elo que falta em nossa comunhão. Tendemos a pensar que, se tivermos bons estudos bíblicos, boas reuniões de oração, algum zelo pelo Senhor, algum interesse por missões, alguma atividade evangelística, isso é bom. É claro que é bom. Mas, se não houver amor, isso equivale a nada.

    O Amor como Objetivo da Comunhão Cristã

    J. B. Phillips, um cônego da Igreja da Inglaterra — não vou dizer da Igreja Episcopal —, decidiu, em certo momento, usar seu conhecimento de grego para traduzir as cartas do apóstolo Paulo. Seu próprio testemunho foi que, ao fazer isso, sentia-se como um eletricista refazendo a instalação elétrica de uma casa muito antiga. Ele dizia que, de vez em quando, levava um choque terrível.

    A maneira como ele traduz 1 Coríntios 14:1 é, na minha avaliação, a melhor possível:

    Façam do amor o seu objetivo.

    Minha versão diz:

    Buscai o amor.

    Façam do amor o seu objetivo.

    Não é apenas uma questão de conhecimento — vocês precisam dele. Faço questão de dizer que precisam dele. Vocês precisam de uma fé que seja exercitada, uma fé relevante, uma fé prática, uma fé que funcione. Mas não basta ter essa fé, nem basta ter tamanho zelo que estejam dispostos a dar e dar, se não houver amor.

    Vocês não sentem que, às vezes, essa é a chave para entender a paralisia em nossas congregações e comunidades? Sabemos tudo. Conhecemos a verdade sobre a igreja. Conhecemos a doutrina. Conhecemos a base. Conhecemos o fundamento. Conhecemos o propósito de Deus, o propósito eterno de Deus. Entendemos como isso é essencial, como é necessário, mas continuamos paralisados.

    Somos como pequenos grupos reunidos em torno de alguma coisa que, de algum modo, nunca parecem avançar. Se me permitem dizer, o apóstolo Paulo pôs o dedo em algo que está no centro da realização do propósito de Deus em nosso meio, e esse algo é o amor.

    Bem, vocês dizem: “Todos nós sabemos disso”. É claro que sabemos. Mas, infelizmente, nem todos confessamos nossa necessidade ao Senhor. Não é interessante que o Senhor tenha tomado aquela maravilhosa comunidade, aquela maravilhosa congregação — uma das melhores entre as sete igrejas às quais foram dirigidas as sete cartas —, Éfeso, e tenha dito:

    Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.

    Ele diz:

    Arrepende-te; e, se não, removerei do seu lugar o teu candeeiro.

    O candeeiro, na verdade, não é a igreja. O candeeiro é o testemunho de Jesus. Em outras palavras, vocês se tornarão uma instituição — uma instituição cristã —, mas o testemunho terá desaparecido.

    O testemunho de Jesus é algo orgânico, algo vivo, algo que cresce, algo que se desenvolve. É um lugar onde o Senhor é descoberto, um lugar onde o Senhor Se manifesta, onde o Senhor Se expressa, onde o mundo toca o Senhor e o Senhor toca o mundo. Onde isso acontece, ali está o testemunho de Jesus.

    O Significado do Primeiro Amor

    Se vocês lerem a carta à igreja de Éfeso, verão que Ele os elogia por tantas coisas. Eram um grupo maravilhoso. Nós diríamos: “Ah, este é um lugar que gostaríamos de frequentar. Gostaríamos de fazer parte deste grupo. É bom, sólido — sólido na fé”.

    Mas o Senhor pôs o dedo em alguma coisa e disse:

    Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.

    Agora, acho que muitos de vocês sabem que já disse isto várias vezes, mas vale a pena dizer de novo.

    O primeiro amor não tem a ver com uma paixão juvenil. Não tem a ver com aquele tipo de amor que absorvia você quando era jovem. Chamamos isso de paixão juvenil.

    O primeiro amor é uma qualidade de amor. Quando uma pessoa realmente se apaixona de verdade, nada é demais. Ninguém fica falando dos quilômetros que percorreu para ver a pessoa amada. Não chega dizendo: “Foi uma viagem terrível para chegar até você, e estou esgotado. Queria nunca ter vindo”.

    No primeiro amor, você anda nas nuvens. Não importa se atravessa o mundo: você está apaixonado. Não importa quanto lhe custa: você está apaixonado. Não importa quanto trabalho dá: você está apaixonado. Você não fala disso como um dever ou uma responsabilidade. É uma qualidade de amor.

    Vocês entendem? Às vezes, você até compra flores. É uma qualidade de amor. Ah, mais tarde você nem pensaria em fazer isso. O primeiro amor se foi. Essa qualidade de amor foi esquecida, e agora tudo é uma questão de deveres e responsabilidades.

    Abandonaste o teu primeiro amor.

    Cada um de nós que é um verdadeiro filho de Deus certamente deve ter vivido essa experiência com o Senhor Jesus, quando de fato O viu pela primeira vez.

    Volta teus olhos para Jesus,
    Contempla plenamente Seu maravilhoso rosto;
    E as coisas da terra estranhamente perderão seu brilho
    À luz de Sua glória e graça.

    Certamente todo verdadeiro filho de Deus teve essa experiência em algum momento. Você certamente não se tornou apenas um convertido. Sinto pena de você se tudo o que você é se resume a um convertido. Você pertence a alguma organização religiosa; assinou onde lhe indicaram; tornou-se membro da igreja.

    Certamente, se você é um verdadeiro filho de Deus, em algum momento de sua vida viu o Senhor. Viu Sua graça. Viu Sua misericórdia. Viu a maneira como Ele lidou com você. Viu como Ele estava disposto a suportar você.

    Às vezes, pensamos que fazemos um favor tão grande ao Senhor ao sermos salvos. “Sabe, Senhor, vou me juntar a Ti. Tu deverias ser muito grato por mim. Vou ficar do Teu lado, Senhor. Vou Te apoiar e Te ajudar de todas as maneiras.”

    Não é esse o tipo de pensamento — que, de alguma forma, seremos uma grande vantagem para o Senhor? Não sei se algum filho de Deus já representou uma vantagem para o Senhor. Acho que somos um monte de problemas, cada um de nós.

    Às vezes, sinto tanta pena do Senhor quando Ele precisa lidar comigo: reclamando e resmungando, tão lento para perceber qual é Sua vontade, tão lento para discernir o caminho pelo qual Ele quer que eu vá. Então, quando finalmente o percebo, surgem mil perguntas: “Por que tenho que ir por este caminho? Não poderia ir por outro?” E assim por diante.

    É extraordinário para mim o modo como o Senhor nos ama. Se há alguém que tem o primeiro amor, esse alguém é o Senhor Jesus. Ele nunca o perdeu. Tendo salvado você, Ele o ama, e o ama até o fim.

    O Amor como Fundamento da Edificação da Igreja

    Digo que isso é algo tremendo quando se trata da edificação da igreja. Você não edifica a igreja pelo conhecimento, embora ele seja necessário. Não edifica a igreja pela compreensão dos mistérios, embora ela seja necessária. Não edifica a igreja por meio de uma fé viva, embora ela seja indispensável. Não edifica uma igreja dando, dando e dando.

    Tudo isso é absolutamente necessário, mas não é assim que você edifica a igreja. Você edifica a igreja pelo amor. E, quando o amor está completamente ausente, há uma paralisia. Está tudo aqui na cabeça, e nada aqui no coração.

    Onde há amor, há funcionamento. Não ministramos nem contribuímos porque é o que se espera de nós, ou porque isso, de algum modo, melhora nossa reputação. Fazemos isso porque amamos o Senhor Jesus e amamos o povo de Deus.

    Agora, considero isso tremendo. Deixem-me colocar de outra maneira. Agradeço a Deus por aquele monge que ficou louco, que dividiu o Novo Testamento em capítulos e versículos. Não sei o que faríamos sem ele. Como poderíamos memorizar as Escrituras? Teríamos de memorizar trechos inteiros. Onde começar? Onde terminar?

    Agradecemos ao Senhor por aquele monge. Ele realmente ficou louco. É claro que houve outros que também ficaram loucos: o autor da Concordância de Cruden ficou louco; Strong também. Quanto trabalho árduo dedicaram à produção de suas concordâncias e de seus léxicos.

    Mas o fato permanece: somos muito gratos por esses capítulos e versículos, porém, às vezes, os capítulos — especialmente os capítulos, mais do que os versículos — atrapalham nossa compreensão. Porque, vejam, de repente pensamos: “Ah, 1 Coríntios 13”. Nunca pensamos em 1 Coríntios 14.

    Paulo não escreveu em capítulos e versículos. Se eles não existissem, vocês entenderiam isso com muito mais clareza. Tudo está relacionado ao corpo de Cristo, aos dons do Espírito, à manifestação do Espírito, às reuniões do povo de Deus. E aqui, de repente, ele diz:

    E eu vos mostrarei um caminho sobremodo excelente.
    Façam do amor o seu objetivo.

    O Amor de Deus Revelado no Evangelho de João

    Sempre tive a impressão de que o Evangelho de João é o mais judaico de todos os Evangelhos. Normalmente, não se fala dele dessa maneira. A maioria das pessoas que não são judias fala de Mateus como o mais judaico dos Evangelhos. Mas acredito que o Evangelho de João é o mais judaico de todos.

    Ele começa onde a Antiga Aliança começou:

    No princípio, Deus.

    E diz:

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

    Então prossegue e diz:

    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

    Depois, ele toma oito declarações do Senhor Jesus e as associa ao nome impronunciável de Deus: “Eu Sou”.

    Eu Sou o pão da vida: aquele que comer deste pão viverá para sempre.
    Eu Sou a ressurreição e a vida: quem crê em Mim, ainda que morra, viverá;
    E todo aquele que vive e crê em Mim jamais morrerá.
    Eu Sou a porta: se alguém entrar por Mim, será salvo.
    Eu Sou o bom pastor.
    Eu Sou o caminho, e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por Mim.
    Eu Sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor.

    Ele faz essa ligação com o nome impronunciável do Senhor — que conhecemos por uma palavra terrivelmente deformada, “Jeová”. Nem sequer sabemos como era pronunciado, porque só era proferido três vezes em um único dia do ano, o Dia da Expiação.

    Sua pronúncia nunca foi registrada por escrito, e ninguém realmente sabe como era pronunciado. A vocalização vem de Adonai, que significa “o Senhor”. Portanto, realmente não sabemos como era pronunciado.

    Mas o interessante é isto: bem no centro dessas declarações, Ele diz:

    Antes que Abraão existisse, Eu Sou.

    Esse Evangelho não era um relato histórico. É claro que é historicamente correto, mas não é um relato histórico. Não é um Evangelho sinótico como Mateus, Marcos e Lucas. É uma interpretação.

    Agora, vocês sabem como ele encerra essa magnífica interpretação — não gosto da palavra “interpretação”, mas não consigo pensar em outra melhor — da vida de nosso Senhor Jesus e da obra de nosso Senhor Jesus? Assim:

    Tu Me amas?

    O Amor como Motivação para o Serviço

    Pedro não conseguiu corresponder àquele nível. Usou outra palavra: “Bem, Senhor, tenho afeição por Ti”. Então o Senhor lhe disse:

    Apascenta os Meus cordeiros.

    Em outras palavras, é 1 Coríntios 13.

    O serviço precisa nascer do amor pelo Senhor. Quando você perdeu seu amor pelo Senhor, quando perdeu seu primeiro amor, seu serviço não significa nada.

    Três vezes Ele disse:

    Tu Me amas?

    E Pedro respondeu: “Tenho afeição por Ti”. E Ele disse:

    Pastoreia as Minhas ovelhas.

    Na terceira vez, o Senhor desceu ao nível de Pedro. Disse: “Tens afeição por Mim?” Pedro ficou irritado e disse: “Tu sabes muito bem que tenho afeição por Ti”.

    Apascenta as Minhas ovelhas.

    Foi o que Ele disse.

    Não é incrível que essa magnífica interpretação da vida e da obra de nosso Senhor Jesus, o Messias, termine com esta pergunta:

    Tu Me amas?

    Se você Me ama, cuide das Minhas ovelhas. Em outras palavras, você não pode fazer isso por meio do conhecimento. Não é suficiente. Não pode fazer isso por meio do zelo. Não basta. Não pode fazer isso pela força de vontade. Não. Você Me ama?

    As Escrituras como História de Amor

    Se olharmos para a Palavra de Deus, ela é uma história de amor. Começou em Gênesis e termina em Apocalipse.

    Quando um escriba veio ao Senhor Jesus para pô-Lo à prova, perguntou: “Qual é o maior mandamento?” Os rabinos estavam sempre discutindo qual era o maior mandamento.

    Jesus disse:

    Ouve, ó Israel; o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor:
    E amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
    Este é o grande e primeiro mandamento.
    E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo.
    Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

    Em outras palavras, se o amor está ausente de nossa vida como crentes, se o amor está ausente de nosso trabalho como servos de Deus, se o amor está ausente de nossa vida como igreja de Deus, estamos deixando de compreender o essencial.

    É realmente simples assim. É um desafio tremendo, de fato, que nos é apresentado. Como você se encontra nesse aspecto? O que faremos se abandonamos nosso primeiro amor?

    O Arrependimento e a Restauração do Amor

    O Senhor nos deu a resposta: arrependam-se. Arrependimento não é apenas vestir pano de saco, cobrir-se de cinzas e parecer infeliz. Arrependimento é assumir a própria culpa.

    É fundamental para a vida cristã; não é algo que aconteceu no jardim de infância espiritual, mas algo que constitui o fundamento sobre o qual tudo é edificado.

    Vivemos numa sociedade que culpa todo mundo por tudo o que está errado. “A maneira como fui criado — esse é o meu problema. Meus pais, esse é o problema. Meus filhos, eles são o problema. Eu seria um santo se não fossem os filhos. Meu marido — não sei como fui me casar com ele. Não tem jeito. Aí está o problema. Minha esposa — vocês já ouviram minha esposa? Uma goteira num dia de chuva. Aí está o problema. Meu chefe, o problema. O governo, o problema. Às vezes, até Satanás é o problema.”

    Contanto que isso nos livre da responsabilidade. Vocês entendem? Somos tão hábeis em encontrar desculpas, porque agora vivemos numa sociedade que está inteiramente do lado do criminoso e não oferece nada à vítima. “Bem, o criminoso nunca teria sido criminoso se não fosse seu passado, a maneira como foi criado.”

    Não há arrependimento. Arrependimento é assumir a própria culpa. Vocês se lembram da história que o Senhor Jesus contou, quando disse que dois homens entraram no templo? Um era fariseu.

    Agora, nós, nos círculos cristãos, criticamos os pobres fariseus por todos os lados, como se ser fariseu fosse uma coisa peculiarmente judaica. Todo mundo pensa em pessoas de casaco, chapéu e meias compridas que, de algum modo, jejuam, dão aos pobres, guardam o sábado e observam as festas. Isso é uma ideia equivocada.

    Sempre digo que toda religião, quando morre, se torna farisaísmo. Há um ditado norueguês: “É mais fácil usar meias pretas do que ter um coração puro”.

    Em outras palavras, nos escondemos no ritual, na fachada e naquilo que não fazemos, e então nos consideramos santos. Saduceus.

    O Senhor disse que esse fariseu ficou ali e falou: “Eu Te agradeço, Senhor, porque jejuo tantas vezes por semana — acho que eram duas vezes por semana —, faço isto, faço aquilo, dou esmolas aos pobres, e Te agradeço, Senhor, porque não sou como este pobre sujeito aqui”.

    Aquele pobre sujeito estava prostrado com o rosto em terra e só conseguia fazer uma oração:

    Ó Deus, tem misericórdia de mim, o pecador.

    O pecador — não apenas um pecador.

    Ele poderia ter dito: “Senhor, ajuda-me, por favor. A culpa é da minha esposa. É por isso que estou nessa confusão. Preciso que Tu me tires disso, mas ela realmente… Meus filhos, Senhor, são um desastre. Perdoa-me. Meus sócios me arruinaram. Perdoa-me, Senhor. Mas, na verdade, havia circunstâncias atenuantes”.

    O que ele disse foi: “Senhor, a responsabilidade é minha. Eu sou o pecador. Não culpo mais ninguém. Estou nessa confusão por causa da minha própria insensatez e do meu pecado”. Isso é arrependimento.

    Agora, vejam, muitas vezes, quando falamos de amor, as pessoas me dizem: “Ah, bem, sabe, temos problemas em nossa comunidade. Não é de admirar que nosso amor tenha esfriado. Algumas pessoas estão agindo assim; outras agem daquele jeito. É claro, quem consegue estar cheio de amor quando acontecem coisas desse tipo?” Isso não é arrependimento.

    Ou algumas pessoas dizem: “Bem, não, não; acredito que cumprir meu dever é, na verdade, uma espécie de amor”. Mas tudo se tornou um dever cansativo. A luz se apagou.

    A chave para que o Senhor toque nosso coração é dizer: “Senhor, mal consigo colocar isso em palavras, mas perdi meu primeiro amor”.

    Agora é uma questão de aguentar, de cerrar os dentes e cumprir a tarefa.

    Nunca conheci alguém que parasse, se arrependesse e começasse a buscar o Senhor de verdade sem que o Senhor Se revelasse de uma maneira nova.

    O Senhor nos ama tanto. Em certo sentido, Ele tem um interesse particular em que nosso primeiro amor seja restaurado. Ele não está interessado apenas na bela maneira como você cumpre suas responsabilidades. Ele quer seu amor.

    Isso poderia ser entendido de uma maneira sentimental. Não é sentimental. Significa isto: quando você se apaixonar novamente pelo Senhor, cuidará das ovelhas.

    Não será apenas você e o Senhor isolados no alto de alguma montanha, com pássaros cantando, o nascer e o pôr do sol, e toda aquela tranquilidade.

    Será como C. T. Studd, quando irritou todo o mundo cristão com uns versinhos:

    Alguns gostam de viver ao som
    Do sino de uma igreja ou capela;
    Eu prefiro manter um posto de resgate
    A um passo do inferno.

    Exortação Final

    Que Deus desafie seu coração hoje. Não pense em outras pessoas que precisam desta mensagem. Pense em você mesmo.

    E talvez, se em você e em mim o amor de Deus fosse novamente aceso em nosso coração, talvez acontecesse algo que tocasse nossos colegas de trabalho, nossos familiares não salvos, nossos vizinhos e muitos outros.

    A mensagem é tão simples: uma história de amor.

    Oração Final

    Poucos de nós, Senhor, poderiam dizer que estão cheios de amor, se é que algum de nós poderia. E, de fato, ó Senhor, se há amor em nosso coração, temos plena consciência da pobreza do nosso amor.

    É quando não temos consciência disso, Senhor, que há, de fato, ausência de amor. Querido Senhor, oramos para que, pelo Teu Espírito Santo, venhas a cada um de nós. Não nos deixes escapar, Senhor, dessa questão.

    Podemos falar de coisas tremendas, verdades tremendas, verdades que transformam a vida. Mas, no fim, tudo se resume a uma pergunta que Tu fazes: “Você Me ama?”

    Senhor, oramos juntos: opera pelo Teu Espírito Santo em cada uma de nossas vidas onde há falta de amor, onde há um cumprimento fiel das responsabilidades, mas aquele primeiro amor se foi.

    Leva-nos, Senhor, ao lugar do arrependimento genuíno e de disposição para Te buscar até que acendas novamente esse amor em nós.

    Ó Tu, que vieste do alto
    Para conceder o puro fogo celestial,
    Acende uma chama sagrada de amor
    No humilde altar do meu coração.

    Faze isso, Senhor. Faze isso em cada um de nós, nós Te pedimos. Que sejamos renovados no amor. Como diz Tua Palavra, à medida que nos aproximamos do fim desta era, o amor de muitos esfriará. Que não seja assim conosco, Senhor.

    Que seja exatamente o contrário: que, à medida que nos aproximamos do fim desta era, não haja apenas conhecimento de profecias, ou conhecimento de mistérios, ou mesmo fé — nem sequer apenas zelo —, mas, Senhor, que nosso amor cresça cada vez mais até a Tua vinda.

    Ouve-nos, Senhor. Nós nos entregamos a Ti e à obra do Espírito Santo, que vela sobre Tua Palavra, Pai, para torná-la realidade em nossa vida e em nossa vida em comum como povo de Deus. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.