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    Deny Yourself And Take Up The Cross © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Deny Yourself And Take Up The Cross
    Deny Yourself And Take Up The Cross
    Lambert, Lance

    A Mente de Cristo e a Comunhão da Igreja

    É uma alegria estar mais uma vez com todos vocês. Abram comigo a carta do apóstolo Paulo aos Filipenses. Vou ler alguns versículos do capítulo 2.

    Filipenses 2:1-11

    Se há, pois, alguma exortação em Cristo,
    se alguma consolação de amor,
    se alguma comunhão do Espírito,
    se alguns afetos e compaixões,
    completai a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar,
    tendo o mesmo amor, sendo unidos de alma, tendo uma só mente;
    nada fazendo por facção ou vanglória,
    mas, em humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo;
    não olhando cada um somente para o que é seu,
    mas cada qual também para o que é dos outros.

    Tende em vós esta mente, que também estava em Cristo Jesus:
    o Qual, existindo na forma de Deus,
    não considerou o ser igual a Deus algo a que Se apegar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo,
    tornando-Se semelhante aos homens;
    e, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo,
    tornando-Se obediente até à morte, sim, à morte de cruz.

    Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira,
    e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
    para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
    dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
    e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
    para a glória de Deus Pai.

    Gostaria de acrescentar a essa leitura um trecho da carta do apóstolo Paulo aos Romanos, no capítulo 12, começando pelo versículo 1.

    Romanos 12:1-5

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
    que é o vosso culto espiritual.

    E não vos conformeis com este mundo:
    mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
    para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

    Porque, pela graça que me foi dada, digo
    a cada um dentre vós
    que não pense de si mesmo além do que convém;
    mas pense com sobriedade,
    conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.

    Porque, assim como temos muitos membros em um só corpo,
    e nem todos os membros têm a mesma função;
    assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo,
    e, individualmente, membros uns dos outros.

    Vamos nos inclinar juntos para mais uma palavra de oração.

    Amado Senhor, queremos agradecer-Te porque fizeste provisão para nós em todos os aspectos, tanto para falar a Tua palavra como para ouvi-la. Já entregamos nosso tempo a Ti. Queremos agora simplesmente reconhecer que, sem Ti, nada podemos fazer.

    Tu nos concedeste essa unção, graça e poder, e, pela fé, nos firmamos nessa provisão, tanto para falar a Tua palavra como para ouvi-la. Que nosso tempo nesta noite seja, de fato, um encontro Contigo, no qual Tu toques nosso coração, nos desafies, nos encorajes, nos corrijas e nos enchas do Teu Espírito Santo.

    Teremos o cuidado de dar-Te todo o louvor e toda a glória por assim falares conosco e operares entre nós nesta noite. Pedimos tudo isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Conflito na Comunhão Cristã

    Tenho tido certa dificuldade com a palavra para esta noite e para amanhã de manhã. Não tenho dúvida quanto à palavra; a dificuldade está na capacidade de transmiti-la. Agora vou confiar no Senhor para isso. Sinto que o conflito em torno dela provavelmente é um sinal de sua importância.

    Sinto como se estivesse viajando há cinco ou seis dias sem parar. Estávamos numa ilha, e vieram as tempestades. Eu tinha certeza de que não haveria barco para nos levar a Atenas, mas o barco apareceu milagrosamente, apesar do vento, das ventanias, da neblina e de tudo o mais. Conseguimos chegar a Atenas e, depois, a Jerusalém, bem a tempo para o sábado.

    Então houve uma greve geral, e a companhia aérea nos deixou numa grande confusão. Eu disse: “Bem, não vamos conseguir chegar”. Depois de ter chegado até ali, eu havia dito ao Senhor: “A responsabilidade é Tua, Senhor. Se queres que cheguemos aos Estados Unidos, se tens algo a fazer ou a dizer, tanto em mim como em vocês, a responsabilidade de nos levar até lá é Tua”.

    Então a companhia aérea telefonou e disse: “Se vocês conseguirem chegar cedo ao aeroporto, vamos antecipar o voo em tantas horas”. Isso significava passar a noite sem dormir. Corremos para o aeroporto e conseguimos pegar o voo. Daí em diante, foi um pouco mais simples. Então, aqui estamos. Louvado seja o Senhor. Cansados e exaustos, mas, ainda assim, o poder do Senhor é suficiente.

    Eu me pergunto por que temos tantos problemas na comunhão do povo de Deus. Vocês já se perguntaram isso? Parece-me incrível que não consigamos conviver bem. Estamos sempre nos desentendendo, sempre entrando em confronto. É realmente extraordinário. Qual é o problema?

    Não é como se isso fosse uma particularidade de vocês aqui. Parece ser uma particularidade do povo de Deus em toda parte. Eu me pergunto se, de fato, veremos um abalo cada vez maior no meio do povo de Deus.

    Parece-me que, aonde quer que eu vá, só ouço falar de facções, divisões, distorções, mal-entendidos e mais mil e uma coisas. Às vezes, tudo acontece por questões absolutamente ridículas — tão absurdas que me fazem lembrar daqueles problemas que dividiram toda a comunidade judaica na Europa Oriental e na Rússia durante a Idade Média: quantos anjos poderiam ficar na cabeça de um alfinete.

    Às vezes, é realmente extraordinário ver as coisas que nos dividem. Não são essenciais, fundamentais nem básicas. Precisamos nos perguntar: o que faremos se Satanás descer à terra, sabendo que seu tempo é curto, e a atmosfera ficar cheia de demônios e espíritos malignos?

    O que faremos se, num tempo de paz e de algo que quase poderíamos chamar de tranquilidade, conseguimos nos desentender? O que faremos quando a verdadeira tempestade nos atingir?

    A Mentalidade de Cristo

    Acho que, pelo Espírito de Deus, o apóstolo Paulo tocou no ponto central quando disse:

    Tende em vós esta mente, que também estava em Cristo Jesus.

    Vocês notarão que ele começa falando sobre ter o mesmo modo de pensar, ter o mesmo amor, ser unidos de alma e ter uma só mente; nada fazer por facção ou vanglória, mas, em humildade, cada um considerar o outro superior a si mesmo; não olhar cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros.

    Depois ele diz:

    Tende em vós esta mente, que também estava em Cristo Jesus.

    Ou seja, no Messias Jesus.

    Notei que, na versão New American Standard — eu uso a antiga, de 1901 —, está escrito:

    Tende entre vós esta atitude.

    Acho que isso provavelmente faz mais sentido para a nova geração, mas preciso dizer que, a meu ver, diminui o verdadeiro significado.

    Ter uma atitude é um pouco diferente de ter essa mente em vocês. Há algo mais profundo e mais pleno em ter essa mente. Quase me pergunto se poderíamos dizer:

    Tende em vós esta mentalidade, que também estava em Cristo Jesus.

    Qual era essa mentalidade que estava no Messias Jesus? Ele não Se apegou à Sua igualdade com Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo. Acho que isso vai ao cerne da questão.

    A Renúncia aos Direitos Pessoais

    Nosso problema é que estamos sempre defendendo nosso ministério, nosso chamado, nosso dom, nossa reputação e nossa posição.

    É a coisa mais natural no mundo em que vivemos — especialmente nesta época de direitos humanos e de tudo o que diz respeito a direitos: os direitos das mulheres, os direitos das crianças, os direitos dos animais, os direitos disto, os direitos daquilo. Tudo gira em torno de direitos.

    É a coisa mais natural dentro de toda essa mentalidade do mundo. Não que haja algo errado em lutar pelos direitos dos outros, mas há algo nessa mentalidade do mundo que entra em todos nós.

    Sentimos que precisamos ficar na defensiva. Sentimos que precisamos nos resguardar. Sentimos que precisamos, de alguma maneira, quase nos tornar um gueto para nos proteger de sermos feridos.

    Essa mentalidade do nosso Senhor Jesus é completamente diferente. Ele não Se apegou. Não Se apegou à Sua igualdade com Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo.

    Uma versão traz uma nota de rodapé que diz: “Ele abriu mão de todos os Seus privilégios”. Que comunhão abençoada haveria se todos abrissem mão de todos os seus privilégios, e se não houvesse luta por nossa posição, nossa reputação, nosso ministério ou nosso lugar.

    Se pudéssemos abrir mão de todos os nossos privilégios… Mas é mais do que isso. Se vocês lerem com atenção a palavra que já lemos juntos, ela diz:

    O Qual, existindo na forma de Deus,
    não considerou o ser igual a Deus algo a que Se apegar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de escravo.

    Não de um empregado doméstico: de um escravo. Um escravo não tinha direitos. Um escravo pertencia ao seu senhor durante as vinte e quatro horas de cada dia. Na verdade, em certo sentido, não havia nada pelo que lutar. É terrível pensar na escravidão.

    Mas é ainda mais extraordinário pensar que o Senhor Jesus realmente tomou a forma de escravo — isto é, de alguém sem direito algum, sem posição alguma para defender, nem ministério algum em torno do qual Ele sentisse que precisava construir uma muralha. Acho isso realmente impressionante.

    E o texto continua. Não é como se terminasse ali:

    Tornando-Se semelhante aos homens;
    e, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo,
    tornando-Se obediente até à morte, sim, à morte de cruz.

    A Cruz e o Fim do Interesse Próprio

    Uma pessoa condenada à morte não tem mais direitos. Acabou.

    Temos uma ideia muito estranha do que é carregar uma cruz, basicamente por causa das pinturas religiosas com as quais todos crescemos, seja qual for nossa origem. Vemos Jesus com essa enorme cruz sobre os ombros. Vocês veem isso em milhares de pinturas.

    Se vocês olharem no Evangelho de Marcos — acho que é por volta do capítulo 8 —, Jesus disse:

    Se alguém quiser seguir-Me,
    negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Negar a si mesmo é abrir mão de todo direito sobre si mesmo.

    Como eu disse, tendemos a pensar que Ele estava carregando a cruz inteira. Na verdade, o Senhor Jesus estava usando uma imagem que Ele mesmo, um dia, exemplificaria — uma cena vista repetidas vezes nas ruas cheias de Jerusalém e em muitos lugares da Palestina naqueles dias.

    Os soldados abriam caminho, gritando para que as pessoas saíssem da frente, e a pessoa vinha carregando uma trave — não a cruz, apenas a trave transversal. O poste vertical da cruz já estava sempre no lugar. O local da morte normalmente era um lugar de execução pública, e havia postes ali.

    Às vezes, era apenas um velho tronco de árvore, o próprio tronco. De vez em quando, ele tinha ramificações e, por isso, quase não havia necessidade da trave transversal. A pessoa condenada levava ao redor do pescoço a sentença de morte — o motivo pelo qual havia sido condenada à morte. Se fosse rica, podia pagar a um servo para carregar a sentença à sua frente.

    Quando Jesus disse:

    Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz,

    Ele estava Se referindo à trave transversal. Isso significava que, daquele momento em diante, a pessoa tinha dentro de si a sentença de morte. Não havia mais direitos. Ela estava a caminho do lugar de execução.

    Portanto, essa é uma imagem extraordinária que Jesus nos deu. Ouçam novamente, com muita atenção:

    Marcos 8:34

    Se alguém quiser seguir-Me,
    negue-se a si mesmo,
    tome a sua cruz
    e siga-Me.

    Em outras palavras, a crucificação propriamente dita aconteceria depois. A sentença de morte já havia sido pronunciada, e aquela pessoa não tinha mais direitos.

    É por isso que o Senhor Jesus continuou dizendo que aquele que procura salvar a vida da sua alma a perderá, e aquele que perde a vida da sua alma por causa Dele e do evangelho a salvará. Em outro lugar, está escrito que a encontrará para a vida eterna.

    Em outras palavras, se vocês vão seguir o Senhor Jesus, precisam tomar a trave da cruz. Não existe discipulado sem a cruz.

    Agora, ouvimos falar da cruz o tempo todo. Podemos falar, falar e falar sobre a cruz, especialmente nos tipos de comunhão dos quais fazemos parte. Ouvimos falar da cruz o tempo todo, mas onde está a prática?

    Não estou falando de dizer: “Espero que fulano esteja ouvindo isto”. Estou falando de você, porque todos nós somos muito enganosos. Ah, logo pensamos: “Era exatamente disso que fulano precisava — uma pancada bem no meio da testa. Derruba essa pessoa, Senhor!”. Mas o culpado é você.

    Quando lhe é dada a oportunidade de tomar a trave da cruz e caminhar até o lugar de execução, você luta com tudo o que há em você por sua posição, seu caráter, sua reputação, seu ministério ou qualquer outra coisa. Esse é o problema.

    Os Agentes da Crucificação

    “Bem”, você diz, “quem vai fazer a crucificação?” Ah, nisso não há problema. As pessoas mais próximas e queridas fariam isso de bom grado. Não há problema. Os carrascos são muitos: seu marido, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus colegas de trabalho e, se tudo o mais falhar, a própria igreja.

    Não faltam carrascos. Trata-se da sentença de morte.

    Jesus não disse: “Se alguém quiser ser grandemente usado, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Jesus nunca disse: “Se alguém quiser ser alguma coisa no reino, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. É claro que isso é verdade, mas Ele nunca disse isso. Ele disse:

    Se alguém quiser seguir-Me.

    Isso significa que, se você e eu não estamos abrindo mão de todo direito sobre nós mesmos e tomando a trave da cruz, não estamos seguindo Jesus. Podemos estar seguindo alguma doutrina — não que eu queira desprezar a doutrina boa e sadia —, mas podemos estar seguindo um conceito, uma ideia de cristianismo ou alguma ideia do que é ser espiritual. Mas isso não é seguir o Senhor Jesus.

    Ninguém pode seguir o Senhor Jesus e escapar da cruz. Ela está no caminho. Essa é uma das grandes ironias da fé: você é salvo pela obra do Senhor Jesus na cruz e, depois de salvo, só pode conhecer a plenitude e a expressão prática da sua salvação negando a si mesmo e tomando a trave da cruz.

    Agora, aqui está nosso problema. Se fossem anjos que nos crucificassem, seria muito agradável. De alguma forma, sentiríamos que isso seria algo maravilhoso — anjos ao redor, colocando delicadamente a mão na trave, amarrando a trave ao poste e quase nos anestesiando espiritualmente enquanto cravassem os pregos em nossas mãos.

    Mas não são anjos que fazem isso. É o mundo, são as pessoas mais próximas e queridas, e é a igreja. Esse é nosso problema.

    Ficamos escandalizados com a ideia de que pessoas na igreja possam ser carrascos. Escandalizados porque seu marido é um carrasco quando chega a hora; sua esposa também; seus pais; seus filhos. As próprias pessoas que achamos que deveriam ser doces e amorosas são aquelas que se tornam os agentes da nossa crucificação.

    Nossa comunhão, nossa vida familiar, nossa vida no lar e nossa vida profissional seriam transformadas se abríssemos mão de todo direito sobre nós mesmos e tomássemos a trave da cruz.

    Às vezes, as pessoas pedem ao Senhor que possam viver uma vida crucificada, mas não ficam muito felizes quando descobrem que são seus irmãos ou irmãs que as estão crucificando. Não é uma contradição estranha?

    Posso ver que alguns de vocês já estão perplexos, dizendo: “Ah, é ridículo ouvir uma coisa dessas”. Bem, o que vocês acham que é a crucificação? Acham que é um doce êxtase? Acham que é algo bonito? É algo sangrento. É algo implacável.

    Acho que, para todos nós, o maior choque são as pessoas que Deus usa para nos levar ao lugar de morte.

    O apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 1:9:

    Tínhamos em nós mesmos a sentença de morte,
    para que não confiássemos em nós mesmos,
    mas em Deus, Que ressuscita os mortos.

    Em outras palavras, vocês podem me crucificar, mas minha fé está em Deus, em que Ele me ressuscitará em novidade de vida.

    No fim, você se tornará grato pelas próprias pessoas que são os agentes da sua crucificação.

    Vocês dizem: “Bem, não esperávamos que falasse sobre isso. Pensávamos que talvez falasse sobre os últimos tempos e algumas outras coisas desse tipo, mas esse assunto não é tão reconfortante para nós”. Bem, deixem-me dizer isto: não há outro caminho para andar em novidade de vida e conhecer a vida de ressurreição. Tampouco há outro caminho para conhecer a vida da igreja.

    A Igreja como Comunidade da Graça

    Tende em vós, entre vós mesmos, esta mentalidade
    — a expressão está no plural —,
    que também estava no Messias Jesus,
    o Qual, existindo na forma de Deus,
    não considerou o ser igual a Deus algo a que Se apegar.

    Pense na sua reputação — essa coisinha insignificante. Pense nessa posição tola pela qual você está lutando. Ela se torna insignificante diante daquilo pelo que o Senhor Jesus poderia ter lutado. Existindo na forma de Deus, Ele não considerou o ser igual a Deus algo a que Se apegar.

    Se o Senhor Jesus não Se apegou a uma posição assim — uma posição tão divina, tão inteiramente legítima —, onde isso deixa você, e onde isso me deixa? O que há de errado conosco? Pelo que estamos lutando?

    Quando lutamos por nossos direitos, destruímos a nós mesmos e destruímos os outros.

    Muitos de nós, quando somos novos no Senhor, pensamos na igreja como a mais maravilhosa comunidade de santos. Lembro-me de que, quando fui salvo, achei que aquilo era a coisa mais maravilhosa que já havia visto — todas aquelas pessoas queridas, com o rosto radiante.

    Dentro de poucos anos, descobri a feiura em todas elas, e foi como se minha vida cristã tivesse perdido o chão.

    Lembro-me muito bem de que o pastor Alan Redpath ficou horrorizado quando fui passar um tempo com um tio e uma tia em Paris. Ele pediu que orassem, porque disse: “É o fim. Esse jovem” — eu tinha apenas dezesseis anos — “está acabado, indo para Paris”. Ele considerava Paris um lugar tão perverso.

    Na verdade, acho que Londres é muito mais perversa, mas isso é outra questão. Para ele, Paris era simplesmente uma escola de maldade e iniquidade. No que dizia respeito a mim, aquilo era o fim.

    Escrevi uma carta — não ao pastor, mas à diaconisa. Ela era uma senhora muito querida; amava o Senhor. Mas ficou muito irritada com minha carta, que estava cheia de reclamações sobre toda a congregação, do pastor para baixo.

    Eu disse: “Os diáconos nunca vêm à reunião de oração. Estão todos ocupados demais”. Além disso, eu ouvia reclamações sobre isto, aquilo e aquilo outro. Reclamei que os jovens não eram jovens; havia uma classe bíblica de moças na qual nenhuma integrante tinha menos de setenta e cinco anos.

    Todas haviam crescido com a classe, ficado para titia e envelhecido com ela. A diaconisa ficou tão mortificada com minha carta que a levou ao pastor e a entregou aos diáconos.

    Para mim, aquilo foi o fim. Eu estava apenas desabafando e pensei que talvez aquilo a levasse a se ajoelhar para orar. Mas era muito real o fato de minha vida com os crentes — que me haviam parecido as pessoas mais maravilhosas — ter perdido o chão. Não se esqueçam de que eu vinha de um meio não cristão.

    Eu havia perdido o chão. Tínhamos dois pastores, e havia duas grandes facções na igreja. Elas lutavam uma contra a outra o tempo todo.

    Todos cantavam hinos maravilhosos — “Minhas correntes caíram”, e coisas desse tipo —, mas para mim estava bastante claro que as correntes continuavam muito presentes.

    Quando recebi a resposta daquela querida irmã, a diaconisa, contando o que havia feito, era uma carta muito fria. Realmente senti que tudo havia chegado ao fim. Disse em voz alta: “Senhor, não me importo nem um pouco com o Teu povo. Para mim, acabou. Que bando de gente sem eira nem beira”.

    Lembro-me claramente de uma voz atrás de mim dizendo: “Você pode desistir deles, mas pode desistir de Mim?”. Foi tão real que me virei como se houvesse alguém ali. Então percebi que era o Senhor e disse: “Não posso”.

    Como diz o peregrino em O Peregrino, quando Cristão atravessava o último rio e começou a afundar, ele clamou: “Ajude-me! Salve-me!”. Então, de repente, seus pés tocaram o fundo, e ele disse: “Está tudo bem. Toquei o fundo”.

    Foi naquele momento que tudo mudou para mim. Dali em diante, não importava se cada pessoa do povo de Deus fosse mentirosa, falsa, sem senso de realidade ou qualquer outra coisa. Minha vida estava edificada sobre o próprio Senhor Jesus. Eu não podia desistir Dele.

    Só posso dizer que, se vocês esperam muito do povo de Deus, eu me pergunto se alguma vez já pensaram em vocês mesmos.

    O Acolhimento dos Outros segundo o Acolhimento de Cristo

    Deixem-me colocar de outra maneira. Como o Senhor recebeu você? Como um santo plenamente formado e santo em tudo? Não, Ele não recebeu você assim. Ele recebeu você como uma pessoa cheia de determinação para ir até o fim? Não, acho que não. Ele recebeu você como alguém preparado para dar a vida por Ele? Não, acho que não.

    Como Ele recebeu você? Como um pecador sem valor, cheio de feiura.

    Se alguém pensa que o Senhor o salvou porque era tão doce e adorável, bem, é para isso que serve a igreja: para arrancar essa fachada. É exatamente para isso que serve a igreja. Todo mundo está procurando a igreja perfeita. Onde está a igreja perfeita?

    Fui salvo aos treze anos de idade, e agora tenho setenta e dois. Nunca encontrei a igreja perfeita. Só encontrei grupos elitistas, todos agrupados em torno de alguma doutrina ou verdade específica.

    Nunca encontrei a igreja perfeita porque não existe tal coisa. Na terra, a igreja, para ser igreja, precisa ser imperfeita. O Senhor usa a igreja para nos colocar face a face com a realidade.

    Como o Senhor recebeu você? Como um pecador, sem nenhum direito a reivindicar diante Dele; um pecador destinado ao inferno e a uma eternidade de perdição. Ele salvou você por Sua graça — graça pura e absoluta. Você não merecia nada. Se acha que merecia, preciso dizer que o Senhor ainda tem um pouco mais de trabalho a fazer em você.

    O apóstolo Paulo escreveu sua primeira carta e disse que era o menor de todos os santos, mas, quando escreveu sua última carta, chamou a si mesmo de principal dos pecadores. Quanto mais prosseguia com o Senhor, mais percebia que era salvo somente pela graça de Deus, que ele não merecia.

    Deus planejou a igreja de tal maneira que toda fachada que você tiver será destruída por seus irmãos e irmãs. Por quê? Isso faz parte do próprio projeto da casa de Deus.

    É claro que algo maravilhoso está acontecendo. Há ouro, prata, pedras preciosas e pérolas. Todas essas coisas estão sendo produzidas. Mas o fato é que o Senhor usa os membros do corpo de Cristo para destruir todas as nossas fantasias e nos colocar face a face com a realidade.

    Tende em vós esta mentalidade, que também estava no Messias Jesus,
    o Qual, existindo na forma de Deus,
    não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar ou pelo que lutar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo e tornou-Se escravo.

    O Exemplo da Humildade de Cristo

    “Ah”, alguém diz, “mas certamente deveria haver santidade na igreja”. Deveria haver santidade na igreja, mas, infelizmente, a maioria de nós, por natureza, está muito longe de ser santa.

    “Ah, mas”, você diz, “não se pode ter nada a ver com isso”. Claro que não. Mas vou lembrar vocês do nosso Senhor Jesus. Na noite em que foi traído, Ele tomou uma toalha e uma bacia com água e lavou os pés dos discípulos.

    Você diz: “Isso é maravilhoso. Que imagem bonita”. Sim — e cada um daqueles cujos pés Ele lavou iria negá-Lo. Você teria feito isso? Não, não venha me enganar. Você não teria feito isso.

    Você teria dito: “Não vou lavar os pés de alguém que vai me negar três vezes, com juramentos. Fora!”. “Ah, mas”, você diz, “é preciso ser cheio de graça”. Sim. Então, e Judas?

    Ele lavou os pés de Judas. Judas era ladrão, além de traidor. Era ladrão.

    E vocês sabem o que Jesus disse?

    Eu vos deixei um exemplo.

    Qual é o problema de lavar os pés uns dos outros? Os pés são a parte mais malcheirosa de nós. De modo geral, não são a parte mais bonita. Sei que os chineses consideram os pés eróticos, mas, de modo geral, os pés são a parte mais malcheirosa do ser humano.

    Por que o Senhor nos deixou um exemplo assim? Você diz: “Não, não, Ele realmente deveria ter demonstrado mais discernimento, porque eu só tenho comunhão com pessoas que não têm pés malcheirosos”.

    Ah, meus queridos amigos, vocês sabem muito bem o que estou tentando dizer. Todos nós temos pés nesta terra. Nosso Senhor Jesus disse que a prova do discipulado de vocês é se conseguem lavar os pés uns dos outros.

    Tende em vós esta mentalidade, que também estava no Messias Jesus,
    o Qual, existindo na forma de Deus,
    não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar,
    mas humilhou-Se a Si mesmo.

    Aqui está Deus Filho, por meio de Quem todas as coisas foram criadas, para Quem todas as coisas foram criadas e em Quem todas as coisas subsistem — lavando os pés de um grupo de discípulos que iriam falhar com Ele, sem exceção.

    Isso não derruba todos os nossos argumentos? “Bem, não vou sorrir para fulano. Não vou ter nada a ver com ele.”

    A Natureza Inclusiva da Igreja

    Deixem-me colocar de outra maneira. Existe uma ideia de que a igreja é exclusiva.

    É claro que há um sentido correto em que a igreja é exclusiva. Todos os que não nasceram de novo estão fora dela. Mas a igreja, por sua própria natureza, é inclusiva. Todo aquele que nasceu de Deus, seja qual for o nome que use, se nasceu de Deus, está em Cristo. Se está em Cristo, está na igreja.

    Seja católico, ortodoxo, batista do sul, presbiteriano ou dos Irmãos — e até mesmo dos Irmãos Exclusivos —, se nasceu de Deus, está em Cristo.

    Se não nasceu de Deus, está excluído — não da graça de Deus, não da misericórdia de Deus, não do amor de Deus, mas da igreja.

    Essa verdade maravilhosa é algo extraordinário. Não sei como explicá-la.

    Costumo usar a ilustração do exílio. Os que voltaram eram uma minoria tão pequena. Voltaram a Jerusalém; voltaram à terra em três etapas.

    Reconstruíram a casa de Deus, os muros de Jerusalém e todas as cidades. Na verdade, as profecias de Isaías, Miqueias e outros não poderiam ter sido cumpridas sem essa pequena minoria dentro de toda a comunidade do povo de Deus.

    Se eles não tivessem voltado, as Escrituras proféticas não poderiam ter sido cumpridas, nem o Messias poderia ter nascido em Belém. Não havia Belém; ela havia sido destruída. Não havia Nazaré; ela havia sido destruída. Não havia Cafarnaum; ela havia sido destruída. Não havia templo no qual o Senhor pudesse aparecer de repente, conforme Malaquias.

    O Senhor usou aquele pequeno grupo. Mas em nenhum momento os que voltaram se separaram dos que permaneceram na diáspora.

    Eles não se envolveriam naquilo que havia de errado entre os que permaneceram na diáspora, mas, como o irmão Sparks costumava dizer, eram uma equipe de trabalho avançada. Voltaram para que os demais pudessem participar da salvação de Deus.

    No fim, três vezes por ano, todas aquelas pessoas da diáspora subiam a Jerusalém. Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    Estou tentando dizer simplesmente isto: quando vocês enxergam o que é a igreja e se firmam em Cristo, recebem todo crente nascido de novo. Eles são parte de vocês, e vocês são parte deles.

    Vocês não vão se envolver no que está errado, mas nunca vão se separar do povo de Deus que está em todas essas denominações e estruturas institucionais. Eles continuam sendo de vocês, e vocês pertencem a eles.

    Caso contrário, vocês se tornam exclusivistas e passam a dividir o corpo do nosso Senhor Jesus.

    Se um cardeal da Igreja Católica vem até mim e nasceu de Deus, preciso recebê-lo. Lembro-me muito bem de ter sido convidado, como líder cristão, para ir ao Palácio de Lambeth, em Londres, residência do arcebispo de Cantuária, a uma reunião de líderes cristãos de todos os tipos para conversar sobre a condição espiritual do país.

    Lembro-me de que o arcebispo — não vou mencionar seu nome; isso aconteceu há muitos anos — era evangélico. Ele realmente pregava o evangelho. No entanto, quando fez seu pronunciamento, estava morto como uma pedra, absolutamente sem vida.

    Então, quando terminou, disse: “Gostaria de convidar o cardeal Hume a vir à frente e orar por nós”.

    Basil Hume se levantou, caminhou até a frente, caiu de joelhos, ergueu as mãos, e o céu se abriu. Esse foi o homem que levou ao Senhor Malcolm Muggeridge, o maior agnóstico do século XX na Grã-Bretanha.

    Agora, o que você faz? Ele é católico. Não apenas católico; é cardeal. “Bem”, alguns poderiam dizer, “meu Deus, não podemos ter nada a ver com isso”. É claro que não vamos nos envolver com todo aquele sistema, mas aquele homem é um irmão.

    Ele foi recebido por Cristo. Posso rejeitá-lo?

    Uma das coisas mais difíceis do mundo é não se envolver com aquilo que está errado e, ainda assim, receber um irmão e uma irmã como pessoas recebidas pelo Senhor.

    O Remanescente como Equipe de Trabalho Avançada

    Então, o que estamos fazendo juntos? Por que não voltamos todos para o lugar de onde viemos? Boa pergunta.

    Porque cremos que a casa de Deus precisa ser edificada. É por isso. Porque cremos que há um remanescente daqueles que, como os que voltaram a Jerusalém, precisam voltar pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo.

    Eles precisam reconstruir o templo e reconstruir os muros de Jerusalém, para que o propósito de Deus e a palavra de Deus possam ser cumpridos. Somos uma equipe de trabalho avançada em favor dos demais. No fim, encontraremos todos eles.

    Mas foram os que voltaram que estiveram diretamente envolvidos na vinda do Messias, não os que permaneceram na dispersão, no exílio. Eles tinham casas confortáveis, vidas confortáveis, sinagogas, lugares de adoração, lugares de estudo bíblico e tudo o mais.

    Mas o propósito de Deus e a palavra de Deus não poderiam ser cumpridos no exílio.

    Agora, o problema é que nem todos os que voltam são doces e puros. Esse é o problema. Então, temos tantos carrascos entre o remanescente que volta quanto temos no exílio, prontos para pregar você na cruz.

    Por que lutamos contra isso?

    A Humildade como Caminho para a Vida de Ressurreição

    Bem, preciso terminar, mas acho isso realmente tremendo, porque está escrito:

    Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira.

    É um princípio de Deus: você desce até a morte; Deus cuidará da ressurreição.

    Quanto mais fundo você descer, mais alto será levantado. O caminho para a grandeza passa pela humildade, e o caminho para ser cheio do poder e da glória de Deus é o quebrantamento.

    É tão simples. Todos nós sabemos disso. É do processo que não gostamos. Conhecemos a verdade; é do processo que não gostamos. Se ao menos fossem pecadores perversos e cheios de feiura que nos estivessem martirizando — mas é o povo do Senhor.

    Até conseguimos aceitar que pessoas não salvas participem dessa execução. Mas, quando é o povo do Senhor, achamos tão difícil.

    Então, tudo dentro de nós se levanta para nos defender, defender nosso ministério, defender nossa posição, defender nosso caráter, defender tudo. Mas nisso não há direitos. Essa é a porta de entrada para a vida.

    O Sacrifício Vivo e a Mente Renovada

    Não é interessante que o apóstolo diga novamente, em Romanos 12:1:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

    Depois ele acrescenta — sempre sinto que a melhor maneira de traduzir o grego é:

    Que é a vossa adoração espiritualmente inteligente.

    Adoração espiritualmente inteligente é ser um sacrifício vivo.

    Bem, o que faziam com esses sacrifícios? Boa pergunta. Eram colocados sobre o altar, mortos e consumidos pelo fogo, subindo em fumaça. Ah, pensamos, isso não é bem o que esperávamos nem o que queríamos.

    Mas o fato é que a palavra continua dizendo:

    Não vos conformeis com este mundo,
    mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.

    Aqui estamos novamente. São palavras diferentes em grego, mas é a mesma ideia.

    Se vocês têm uma mente velha, serão conformados a este mundo. É somente sendo transformados pela renovação da mente que podem experimentar qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

    Vocês não podem achar a vontade de Deus agradável sem serem transformados pela renovação da mente. Mas, quando isso acontece, por meio de serem um sacrifício vivo, todo o restante vem em seguida.

    De repente, vocês descobrem o corpo. De repente, descobrem que são membros uns dos outros. São membros, antes de tudo, do Senhor Jesus, do próprio Messias. Depois descobrem que são membros uns dos outros.

    Exatamente como está escrito em Romanos 15:7:

    Recebei-vos uns aos outros,
    como também Cristo vos recebeu,
    para a glória de Deus.

    Você e eu começamos a receber uns aos outros sobre a base mais simples: sou um pecador salvo pela graça. Então já não ficamos chocados.

    “Você ouviu o que aconteceu com Phil? Nunca pensei que fossem capazes de uma coisa dessas.” Cheguei à conclusão de que os filhos de Deus são capazes de qualquer coisa. Não tenho nenhuma dessas grandes ilusões de que não sejam capazes; são capazes de qualquer coisa.

    Mas Deus, em Sua graça, nos salvou. Embora não nos tornemos participantes dos pecados uns dos outros, ainda assim recebemos uns aos outros como Cristo também recebeu a mim e a você.

    Exortação Final e Oração

    Que o Senhor nos ajude. Estamos entrando em dias nos quais veremos cada vez mais atividade demoníaca. Creio que o país e a nação de vocês são o último baluarte contra a vinda do Anticristo.

    Não me surpreenderia se, nos próximos anos, vocês vissem uma inundação de maldade submergir os Estados Unidos. Então o último grande baluarte contra a vinda do Anticristo terá sido levado pelas águas.

    Seja qual for a opinião de vocês sobre seu presidente, ele me parece ser um filho de Deus. Ele ora mais do que alguns cristãos que conheço. Outro dia mesmo, ouvi a história de alguém que entrou no Salão Oval e o encontrou prostrado com o rosto em terra diante de Deus.

    Se ele compreende algumas das coisas da palavra de Deus que deveria compreender, não sei. Mas tudo o que sei é que essa é a última oportunidade que o mundo tem.

    Se ele sair, e os Estados Unidos perderem sua condição de superpotência, vocês verão o mal de uma maneira que nunca viram antes.

    Como vamos prosseguir? Como vamos permanecer juntos? Como vamos ver a casa de Deus concluída?

    É verdade que, segundo Zacarias 4:7, quando a pedra de remate for trazida, eles clamarão:

    Graça, graça a ela.

    Foi a graça de Deus que começou esta obra, a graça de Deus que a desenvolveu e preservou, e a graça de Deus que a concluirá.

    Portanto, em meio ao colapso, à maldade, às trevas e à vinda do Anticristo, a pedra de remate será colocada em seu lugar. A pedra de remate, é claro, é o Senhor Jesus, assim como Ele é o fundamento, a principal pedra angular e a cabeça da esquina. Assim, Ele é a pedra de remate. Acho isso maravilhoso.

    Como vamos permanecer juntos? Como vamos atravessar tudo isso juntos? Vamos nos separar em pequenos grupos de elite? Bem, deixem-me dizer uma coisa — e preciso terminar, ou ficaremos aqui a noite inteira.

    Esses pequenos grupos de elite — vi tantos deles ao longo da vida — nunca duram. São tão elitistas, mas sempre encontram alguns que não são tão de elite, e esses são postos para fora. Então mais alguns saem por um lado, e mais alguns por outro.

    Precisamos ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, uma só mente, nada fazendo por vanglória. Precisamos ter em nós esta mente que também estava no Messias Jesus.

    Que o Senhor nos desafie. Você não precisa procurar alguém com quem teve um problema e dizer: “Tive um problema terrível com você. Você não faz ideia do que me fez ao longo desses anos”.

    Já vi isso muitas vezes. Vamos e dizemos: “Por favor, me perdoe. Tive tanto problema com você porque acho você tão feio, tão sombrio, tão arrogante e orgulhoso. Mas o Senhor me concedeu arrependimento”. Não faça isso. Isso é uma bofetada disfarçada.

    O que você precisa fazer é se humilhar diante do Senhor. É muito interessante: a palavra de Deus nos diz para nos humilharmos. Não espere ser humilhado. É terrível! É como uma grande pedra que cai sobre você e o reduz a pó.

    Ajoelhe-se e diga: “Senhor, perdoa-me. Tenho esperado demais, criticado, murmurado e feito tudo o mais. Perdoa-me. Ajuda-me a acertar isso diante de Ti. Ajuda-me a fazer parte da edificação. Ajuda-me a fazer parte daquele remanescente que prosseguirá até a glória”.

    Poderia haver algo mais maravilhoso do que, no fim, ouvir o Senhor dizer:

    Muito bem, servo bom e fiel?

    Que o Senhor nos ajude e nos dê essa mentalidade que estava no Messias Jesus. Vamos orar?

    Senhor, no fim das contas, todos nós somos matéria-prima muito pobre. Mas Tu, em Tua misericórdia, nos salvaste.

    Às vezes, Senhor, temos problemas com a pobreza de caráter uns dos outros, com a falta de santidade ou com qualquer outra coisa. Senhor, desafia-nos nesta noite a não pensar nos outros, mas a pensar em nós mesmos.

    Ajuda-nos, Senhor, a nos humilharmos debaixo da Tua poderosa mão, para que Tu nos exaltes no devido tempo. Senhor, ouve-nos.

    Que esta palavra seja guardada e preservada de qualquer tipo de mal-entendido. Mas, Senhor, faze com que ela alcance profundamente nosso coração, com todo o poder da Tua unção, de modo que não possamos escapar dela.

    Queremos seguir-Te. Queremos ir até o fim, Senhor. Faz algo em nossa vida que nos liberte de toda essa crítica e desse julgamento errado uns dos outros.

    Livra-nos, ó Senhor, do espírito do mundo, desse espírito que vem do inferno. Livra-nos dele, Senhor. Renova-nos, levando-nos a ser sacrifícios vivos e transformando-nos pela renovação da nossa mente.

    Para que possamos experimentar qual é a Tua boa, perfeita e agradável vontade. Ouve-nos, Senhor, nós Te pedimos.

    Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.