Agradecemos ao Senhor por nos reunir novamente neste ano. Como nosso irmão mencionou ontem à noite, esta é a nona conferência deste tipo.
Será que vocês perceberam que esta conferência tem um tema específico? O tema de toda esta nona conferência são as coisas espirituais.
Antes de conhecermos o Senhor, conhecíamos apenas as coisas terrenas, mundanas, físicas e temporais. Às vezes, penso que éramos como águias rastejando pelo chão, inteiramente alheias a tudo o que é celestial, invisível e eterno.
Mas, desde que o Senhor entrou em nosso coração, algo aconteceu. Começamos a voar alto como águias. Começamos a entrar numa esfera que nunca havíamos conhecido. Fomos introduzidos na vasta esfera do espiritual.
É aqui que estamos, é isso que buscamos e é assim que devemos ser.
Penso que somos como Moisés. Deus o chamou ao monte Nebo, ao cume de Pisga, e lhe mostrou a terra prometida. E também somos como Josué. Deus disse a Josué:
Levanta-te e atravessa o Jordão, e toma posse da terra.
Em outras palavras, cremos que Deus nos reuniu para termos uma visão da esfera espiritual e celestial — das coisas espirituais —, e não apenas para contemplá-la, mas também para andar nela. Realmente creio que é por isso que o Senhor nos tem reunido ano após ano.
Devemos viver nas regiões celestiais e tocar as realidades espirituais. É aqui que estamos e é aqui que precisamos estar.
Neste ano, concentraremos nossa atenção no conhecimento espiritual. Nossa oração é que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, nos dê espírito de sabedoria e de revelação para o pleno conhecimento de Deus. Espero, de fato, que, durante estes poucos dias em que estaremos juntos, esse seja o clamor do nosso coração.
Por favor, abram em Gênesis 2:8-9. Vamos ler:
E o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente; e ali pôs o homem que havia formado.
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para alimento;
e a árvore da vida no meio do jardim,
e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
E, na carta aos Colossenses, leremos Colossenses 1:9-12:
Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar e de pedir por vós,
para que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda sabedoria e entendimento espiritual;
para andardes de modo digno do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra
e crescendo no conhecimento de Deus;
fortalecidos com todo poder, segundo a força da Sua glória, para toda perseverança e longanimidade, com alegria;
dando graças ao Pai, Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz.
Vamos fazer uma oração.
Querido Pai celestial, nós Te agradecemos por nos reunires em torno do nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Nós Te louvamos e Te agradecemos por nos dares fome e sede de Ti mesmo, e Te agradecemos porque prometeste nos satisfazer.
Senhor, pedimos que sopres sobre a Tua Palavra e abras nosso entendimento, para que a Tua Palavra se torne vida, luz e espírito para nós; para que possamos conhecer-Te de maneira viva. A Ti seja a glória, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O conhecimento espiritual é absolutamente essencial ao nosso bem-estar espiritual. A controvérsia de Deus com Seu povo Israel dizia respeito a essa questão do conhecimento. Em Oseias 4:6, Ele disse:
O Meu povo é destruído por falta de conhecimento.
O temor do Senhor é o princípio do conhecimento.
Portanto, o conhecimento é muito importante para nós, que cremos.
Mas, irmãos e irmãs, ao buscarmos o conhecimento espiritual, uma coisa é essencial: precisamos saber que tipo de conhecimento estamos realmente buscando.
Há dois tipos diferentes de conhecimento neste mundo, e esses dois tipos de conhecimento são representados pelas duas árvores no jardim do Éden.
Quando Deus criou o homem à Sua imagem, conforme a Sua semelhança, plantou um jardim — um belo jardim — e colocou o homem nele. A Bíblia nos diz que Deus plantou no jardim todo tipo de árvore frutífera, agradável à vista e boa para alimento.
Mas, no meio do jardim, Deus plantou a árvore da vida. Ao lado da árvore da vida, Deus plantou outra árvore: a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Deus colocou o homem no jardim e lhe deu uma escolha. Ele podia escolher entre as duas árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Podia escolher entre a vida e o conhecimento.
É claro que, quando contrastamos a vida com o conhecimento, entendemos que esse conhecimento não procede da vida, porque a própria vida é conhecimento. Vocês se lembram da oração de nosso Senhor Jesus em João 17:3:
E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.
Em outras palavras, a vida nos dá conhecimento. A vida nos dá o conhecimento de Deus, o único Deus verdadeiro; e a vida nos dá o conhecimento Daquele a Quem Deus enviou, nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas há outro conhecimento fora da vida de Deus: o conhecimento do bem e do mal. Deus colocou o homem diante dessas duas árvores e permitiu que ele fizesse uma escolha: se queria viver pela vida de Deus, fazendo da vida o princípio do seu viver, ou se preferia ter conhecimento à parte de Deus — um conhecimento que residisse nele e lhe permitisse viver segundo esse conhecimento como princípio do seu viver.
Podemos dizer que um é o conhecimento do espírito — a árvore da vida — e o outro é o conhecimento da alma — a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Nossos antepassados fizeram uma escolha. Como sabemos pela Palavra de Deus, escolheram a árvore do conhecimento do bem e do mal em vez da árvore da vida.
Lembrem-se de que havia muitas árvores no jardim. Deus plantou todo tipo de árvore frutífera. Por quê? Porque Deus amava o homem que havia criado; por isso, providenciou tudo para ele. Todas essas árvores frutíferas eram agradáveis à vista e boas para alimento.
Essas árvores foram dadas ao homem para suprir suas necessidades físicas. O homem tem um corpo físico e, por isso, seu corpo tem necessidades. Deus criou todas essas árvores como provisão para as necessidades físicas do homem.
Além de todas essas árvores, havia a árvore do conhecimento do bem e do mal. Para que servia essa árvore? Embora fosse agradável à vista e boa para alimento, era um tipo diferente de alimento. Não se destinava às necessidades físicas; era alimento para as necessidades da nossa alma.
Deus criou o homem em três partes: espírito, alma e corpo. Todas essas partes do homem têm suas necessidades específicas. A árvore do conhecimento do bem e do mal destinava-se a satisfazer os desejos da alma — a satisfazer nosso intelecto, nossa emoção e nossa vontade. Isso é alimento para a alma.
Então encontramos a árvore da vida. A árvore da vida é alimento para o nosso espírito. Deus nos criou com um espírito, e esse espírito precisa de alimento. A árvore da vida é o alimento para o espírito.
Às vezes, as pessoas pensam que a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma árvore má. Pessoalmente, penso que Deus não colocaria nada mau no jardim do Éden. Era algo bom. Na verdade, era melhor do que todas as outras árvores frutíferas. Era superior a todas as outras árvores, mas, naturalmente, era inferior a uma: a árvore da vida.
Deus colocou o homem diante dessas duas árvores e o deixou escolher: se queria viver pela vida de Deus e, por meio dessa vida, conhecer Deus de maneira viva — viver por Deus e para Deus — ou se desejava desenvolver sua própria alma à parte da vida de Deus.
O homem poderia ter algo dentro de si que lhe permitisse ser independente de Deus e viver por sua mente racional, seus raciocínios e sua lógica. Dois modos diferentes de viver estavam diante do homem.
O homem fez sua escolha. Preferiu a árvore do conhecimento do bem e do mal. Preferiu desenvolver sua própria alma e ser independente, como Satanás sugeriu:
Sereis como deuses.
Vocês não precisam mais de Deus; vocês mesmos são deuses.
Ou estaria o homem disposto a aceitar a vida de Deus como princípio do seu viver? Infelizmente, nossos antepassados escolheram a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Irmãos e irmãs, em certo sentido, quando nosso antepassado fez essa escolha, não escolheu apenas por si mesmo; fez essa escolha por cada um de nós. Adão é nosso antepassado, e todos os que estão em Adão, todos os que nasceram de Adão, herdam essa escolha.
É por isso que, desde que Adão fez essa escolha, ao longo de milhares de anos de história humana, o homem tem buscado o conhecimento à parte da vida de Deus. Por meio desse conhecimento, os homens declaram sua independência de Deus e pensam que eles mesmos são deuses.
O Senhor disse:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Por que Deus proibiu o homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, se era uma árvore boa, um alimento para a alma?
O inimigo sugeriu a Eva que Deus não lhe permitia comer da árvore porque tinha ciúmes. Ele não queria que ela fosse como Ele; queria mantê-la na ignorância para poder controlá-la.
Era por isso que Deus não permitia que o homem comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal? Sabemos que essa foi a sugestão de Satanás. Não era o desejo original de Deus.
Deus nos ama tanto! Ele quer nos dar tudo o que é bom para nós e quer nos afastar daquilo que nos trará morte. Ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal à parte da vida de Deus, e ao desenvolver conhecimento separado da vida de Deus, o resultado é sempre a morte.
Isso fica muito claro quando voltamos à história do jardim do Éden. Adão e Eva comeram o fruto proibido. No momento em que o comeram, seus olhos se abriram. Mas se abriram para quê? Eles se viram nus.
Por que não sabiam antes que estavam nus? Quando Deus criou todos os animais, todos tinham uma cobertura. Nasceram vestidos: com penas, peles e pelos. Deus os vestiu quando foram criados.
Vocês conseguem imaginar que, quando Deus criou o homem, o tenha criado nu, sem nenhum tipo de vestimenta? Se foram criados nus, por que Adão e Eva não perceberam isso antes de comer da árvore proibida?
Pessoalmente, penso que, quando Deus criou o homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança, Ele o vestiu de glória. A glória é a vestimenta do homem. Como estavam vestidos de glória, não podiam ver sua nudez.
Mas, quando pecaram contra Deus, a glória se desvaneceu, e eles começaram a perceber que estavam nus. Imediatamente tentaram se cobrir. Costuraram folhas de figueira, fazendo aventais para cobrir sua nudez.
Mas conseguiram? De modo nenhum. Quando Deus entrou no jardim, esconderam-se entre as árvores, porque disseram a Deus: “Estávamos nus”. O tempo havia mudado, o vento soprava e fazia frio. Suas vestimentas de folhas de figueira eram insuficientes.
Isso é apenas o que aconteceu exteriormente ao homem quando comeu o fruto proibido. A Palavra de Deus diz:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
No entanto, Adão e Eva viveram centenas de anos depois disso. Geraram filhos e filhas; tiveram vida familiar e vida social. Não morreram fisicamente no dia em que comeram, mas a Palavra de Deus é exata.
No dia em que comeram daquela árvore proibida, algo morreu imediatamente. Seus corpos ainda viveram por centenas de anos, e suas almas continuaram vivas, mas seus espíritos estavam mortos.
Deus é Espírito, e Deus criou o homem com um espírito para que pudesse se comunicar com Ele. Vocês não podem se comunicar com Deus por meio do corpo físico. Embora as pessoas possam se prostrar diante de Deus, o simples ato de se prostrar não toca Deus.
Tampouco podem tocar Deus com a alma. Vocês podem ter pensamentos muito nobres a respeito de Deus, mas ninguém consegue encontrá-Lo apenas pela investigação. Deus é Espírito; portanto, vocês precisam de um espírito para se comunicar com Ele.
Mas, no dia em que Adão e Eva comeram aquele fruto proibido, seu espírito morreu. Sua comunicação com Deus foi interrompida. Isso não significa que deixaram de ter um espírito. Ainda tinham um espírito como órgão, mas a função própria desse órgão cessou.
É por isso que o homem ainda podia se comunicar com espíritos malignos, mas não podia se comunicar com Deus. Seu espírito estava morto.
Ao tentar obter conhecimento à parte da vida de Deus, o espírito morreu. Aquilo foi apenas o começo, porque, gradualmente, a morte conquistaria a alma e o corpo. A Palavra de Deus é sempre verdadeira.
Qual é o conhecimento representado pela árvore do conhecimento do bem e do mal? Esse conhecimento inclui todo o conhecimento que possuímos à parte da vida de Deus — o conhecimento científico e tecnológico, o conhecimento filosófico e especulativo, e o conhecimento moral, ético e religioso.
Na verdade, o conhecimento do bem e do mal é o mais elevado de todos os conhecimentos deste mundo. Às vezes, pensamos que o conhecimento científico e tecnológico é o mais elevado. Não é. Ou pensamos que o conhecimento filosófico e especulativo é mais puro do que o conhecimento tecnológico. Não.
Nos seres humanos, o conhecimento mais elevado é o conhecimento do bem e do mal. É o senso racional, ético e moral do homem. No entanto, estranhamente, mesmo esse conhecimento mais elevado, em vez de dar vida ao homem, o leva à morte.
Portanto, irmãos e irmãs, desde o início precisamos perceber a distinção entre esses dois tipos de conhecimento. Depois, precisamos saber que tipo de conhecimento estamos realmente buscando.
Vamos ilustrar isso com o conhecimento científico e tecnológico. O mundo tem feito grandes progressos nessa área, e, por causa desse conhecimento, sentimos que a vida se tornou mais cômoda.
Ele realmente nos proporciona muitas vantagens físicas. Mas esse conhecimento nos ajuda a nos tornar homens e mulheres melhores? Embora nos proporcione tantas comodidades neste mundo, cria muito mais problemas e nos leva até mesmo à beira da aniquilação da humanidade.
Qual é o verdadeiro propósito do conhecimento científico e tecnológico? Segundo a Palavra de Deus, ele deveria nos aproximar de Deus. Vocês se lembram de Romanos 1:20:
Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, são claramente vistas, sendo percebidas por meio das coisas criadas, a saber, o Seu eterno poder e a Sua divindade.
Quando olhamos para as coisas que Deus criou e as descobrimos, elas deveriam nos aproximar de Deus.
Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.
À medida que descobrimos as leis da criação, as aplicamos e desfrutamos delas, isso deveria nos aproximar de Deus.
Mas, pelo contrário, esse conhecimento muitas vezes nos afasta ainda mais de Deus. Faz com que sintamos que não precisamos mais de Deus, que somos deuses e podemos fazer tudo e qualquer coisa.
Não há nada de errado com o conhecimento em si. O que está errado é a pessoa — o homem ou a mulher — que lida com esse conhecimento. A humanidade caída tornou-se egoísta e centrada em si mesma. Com essa vida degradada e caída, quanto mais conhecimento científico e tecnológico temos, pior o mundo se torna.
Isso não nos ajuda espiritual nem moralmente. Não nos leva a Deus; afasta-nos de Deus.
O mesmo acontece com o conhecimento filosófico e especulativo. Quando vocês procuram Deus com a mente, o pensamento, a vontade ou a emoção, isso pode parecer aproximá-los de Deus. Mas, na realidade, pode afastá-los de Deus.
As pessoas podem ter pensamentos muito nobres a respeito de Deus e, ainda assim, estar enganadas. Pensam que, por meio disso, conhecem Deus. Bem, podem saber a respeito de Deus, mas ainda estão nas trevas. Não conhecem Deus de verdade. Esse conhecimento se torna um substituto e as afasta de Deus.
Por exemplo, leiam a carta aos Colossenses. Aqueles irmãos haviam chegado ao Senhor, mas, em sua busca por mais conhecimento de Deus, foram desviados.
Os expositores e comentaristas falam da heresia colossense. O que era ela? Era uma estranha combinação de gnosticismo pagão e ritualismo judaico.
Eles especulavam a respeito do universo, das origens, de um Deus bom e de um Deus mau, e de as coisas materiais serem más em si mesmas. Essa especulação era combinada com o ritualismo judaico:
Não manuseies, nem proves, nem toques.
Aqueles irmãos de Colossos buscavam esse conhecimento. Pensavam que, ao tentar explicar o universo e seu sistema, realmente conheceriam Deus e cresceriam espiritualmente. Mas, em vez disso, desviaram-se; foram afastados de Deus.
Paulo precisou escrever aquela carta para ajudá-los a perceber que toda a sabedoria e todo o conhecimento de Deus estão escondidos em Cristo Jesus, e que somos completos Nele. Somente Nele há verdadeiro conhecimento. Se vocês tentarem encontrar conhecimento fora Dele, serão desviados.
Se vocês lerem 1 Timóteo 6:20-21, encontrarão Paulo exortando Timóteo a se guardar do conhecimento falsamente assim chamado, que levou alguns a se desviarem da fé. Quando buscamos conhecimento filosófico e especulativo à parte da vida, desviamo-nos da fé. Somos levados para o caminho errado. Isso nos dá morte, não vida.
Talvez possamos dizer que, se o conhecimento científico e filosófico não nos traz vida, mas nos conduz à morte, então certamente o conhecimento moral, ético e religioso nos levará a Deus e trará Deus a nós. Será verdade?
Tomem, por exemplo, a lei. Deus deu os Dez Mandamentos aos filhos de Israel. Embora nós, gentios, não tivéssemos aquela lei escrita, Deus, por Seu Espírito, inscreveu Sua lei em nosso coração.
Em outras palavras, o mundo inteiro — todos os seres humanos — está debaixo da lei de Deus, quer ela esteja escrita em pedras, quer esteja inscrita em nosso coração. Todos temos a lei de Deus em nós.
Deus é santo, e Sua lei é santa. Quando essa lei nos é dada, qual é seu propósito? O propósito da lei é nos dar o conhecimento do pecado. Pela lei, sabemos que pecamos.
A lei nos impele, ou nos conduz como um aio, a Cristo. Se não soubermos que pecamos, se não formos convencidos dos nossos pecados, não teremos necessidade de Cristo como Salvador. Mas a lei nos mostra que pecamos e nos leva a Cristo. Esse é o propósito da lei.
Infelizmente, em vez de recebermos a lei como um meio para alcançar um fim, fazemos da lei o próprio fim. Tentamos guardar a lei por nossas próprias obras, pelas obras da carne, e descobrimos que não conseguimos.
Então tentamos enganar a nós mesmos. Se conseguimos guardar apenas a letra da lei, sentimos que somos justos por nós mesmos.
Vocês se lembram daquele jovem que veio ao Senhor e disse:
Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
O Senhor lhe perguntou se havia guardado os mandamentos:
Honra teu pai e tua mãe;
não furtarás;
não adulterarás;
não matarás;
não cobiçarás.
O jovem disse:
Todas essas coisas tenho observado desde a minha juventude.
Então o Senhor disse:
Vende tudo o que tens, dá aos pobres e vem, segue-Me.
Ele guardou a letra da lei, mas transgrediu o espírito da lei.
Os fariseus se orgulhavam de si mesmos porque guardavam a lei ao pé da letra, mas violavam o próprio espírito da lei. Eram hipócritas. Enganavam a si mesmos. Tinham uma forma de piedade, mas sem o seu poder.
As pessoas podem parecer moralmente corretas por fora, mas não há vida. Isso não é espiritual; não há vida.
A carta aos Gálatas trata desse problema. Os irmãos da Galácia começaram com o Espírito, mas tentaram ser aperfeiçoados pela lei. Pensavam que, depois de crer no Senhor Jesus, precisavam fazer algo por si mesmos, guardar a lei, e então seriam aperfeiçoados.
Mas, em vez disso, caíram da graça de Deus. Foram afastados de Cristo, em vez de crescer em Cristo. Isso também não funciona. O resultado é a morte.
Podemos ir um pouco além. E quanto ao conhecimento das Escrituras — o conhecimento da Bíblia? Certamente não deveria haver nenhum problema com o conhecimento das Escrituras. A Palavra é verdadeira. Nosso Senhor Jesus disse:
Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Isso deveria estar certo. Mas, irmãos e irmãs, se nos aproximarmos da Palavra de Deus de maneira mental, intelectual ou emocional — se nos aproximarmos da Palavra de Deus com nossa velha vida e nosso próprio intelecto —, talvez sejamos capazes de explicá-la ou expô-la.
Podemos parecer ter um bom conhecimento da Palavra de Deus. Talvez sejamos até capazes de reduzir a Palavra de Deus a um sistema. Transformamos a Palavra de Deus em dogmas, e, por fim, ela se torna tradição. Tornamo-nos muito conhecedores da Palavra de Deus.
Mas isso nos aproximará de Deus? Podemos saber muito a respeito de Deus, mas talvez não tenhamos muito de Deus em nossa vida.
Nosso Senhor Jesus disse:
A carne para nada aproveita; as palavras que Eu vos tenho falado são espírito e são vida.
Paulo disse:
A letra mata, mas o espírito vivifica.
Quantas vezes, ao nos aproximarmos da Palavra de Deus, fazemos isso intelectualmente? É por isso que muitos seminários teológicos começam muito firmes nos fundamentos da fé, mas acabam se tornando muito liberais em sua fé. Por quê? Porque se aproximam da Palavra de Deus com a carne. Tocam a Palavra de Deus com a mente da carne.
Somente o Espírito de Deus pode nos revelar a verdade. Ela não pode ser apreendida apenas com nossa mente. A Palavra de Deus não é um sistema, um “ismo”. Ela é viva; cresce conosco à medida que crescemos no Senhor.
Mesmo quando tentamos nos aproximar da Palavra de Deus à parte da vida, isso traz morte. Até esse tipo de conhecimento é o conhecimento do bem e do mal.
Eu me pergunto, irmãos e irmãs: depois de todos estes anos conhecendo o Senhor, quanto conhecimento real de Deus temos?
Em toda a nossa busca até aqui, será que estamos no caminho errado? Estamos no caminho certo na busca pelo conhecimento espiritual? Não se trata tanto de quanto sabemos a respeito de Deus. Provavelmente sabemos muita coisa. A questão é quanto de Deus mesmo realmente tocamos e conhecemos, de modo que isso se tenha tornado um conhecimento vivo dentro de nós.
O que é conhecimento espiritual? Conhecimento espiritual é o conhecimento que procede da vida. Já citamos João 17:3:
E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.
O conhecimento espiritual vem da vida. Em João 1:4, lemos:
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
O que é luz? Luz é conhecimento. Se temos a vida de Cristo em nós, essa vida é a luz dos homens. Essa vida nos dá conhecimento espiritual.
Essa vida nos mostra e nos revela Quem Deus é, que tipo de Deus Ele é, qual é o Seu caráter, como são Seu coração, Sua mente, Seu propósito e Sua vontade, qual é o Seu conselho e o que Ele está realizando.
Irmãos e irmãs, é a vida em nós que nos revela essas coisas. Com essa vida em nós, temos um novo relacionamento com Deus.
Antes, talvez soubéssemos a respeito de Deus, mas não tínhamos comunicação nem relacionamento com Ele. Mas, quando vocês creem no Senhor Jesus e essa vida entra em vocês, imediatamente percebem que um novo relacionamento foi estabelecido. Vocês O chamam de “Aba, Pai”.
Não nos dirigimos a Ele apenas como o Deus Que está nos céus. Nós O chamamos de “Aba, Pai”. É um relacionamento novo e diferente. Vocês O conhecem porque compartilham a mesma vida.
Vocês não conhecem Deus simplesmente porque outras pessoas lhes falam a respeito Dele. Vocês conhecem Deus porque Ele vive dentro de vocês. Ele lhes mostra aquilo de que gosta e de que não gosta, o que Lhe agrada e o que Lhe desagrada.
Ele é justo e santo dentro de vocês, e lhes mostra Quem Ele é e qual é Sua natureza. Nós O conhecemos por Sua natureza.
Com essa vida dentro de nós, encontramos uma luz que guia nossos passos. Como andamos nesta terra como cristãos? É verdade que temos a Palavra de Deus como lâmpada para os nossos pés. Isso é verdade.
Mas, em nossa vida diária, a Bíblia nos dá princípios; e, em nossa vida diária, é o Espírito Santo dentro de nós que brilha como a luz da vida.
Se andarmos na luz, como Deus está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado.
Que luz é essa? É a luz da vida. Essa luz é Deus, porque, no versículo anterior, está escrito que Deus é luz e que Nele não há treva alguma.
Essa luz é a luz interior. Deus habita em nós; Ele é nossa vida. À medida que O conhecemos interiormente, Ele nos conduz adiante. Ele revela as trevas dentro de nós, e, pelo sangue de nosso Senhor Jesus, somos continuamente purificados. É assim que crescemos no Senhor: crescemos em vida.
Irmãos e irmãs, a vida dentro de nós nos dá o conhecimento de Deus e nos transforma. Não é apenas conhecimento mental, mas um conhecimento que transforma nossa vida e nos conforma à imagem do Seu Filho amado.
Isso é conhecimento espiritual. É o conhecimento que nos dá Deus — ou podemos dizer de outra maneira: a vida de Deus nos dá esse conhecimento. É esse conhecimento que devemos buscar.
O que acontece com os outros tipos de conhecimento, o conhecimento da alma? Isso significa que, por buscarmos o conhecimento do espírito, negligenciamos ou rejeitamos todos os outros conhecimentos — o científico, o tecnológico, o filosófico, o ético e o moral?
Irmãos e irmãs, dizemos novamente que a árvore do conhecimento do bem e do mal é uma árvore boa. Ela não é má em si mesma. Esses tipos de conhecimento não são maus em si mesmos. O problema é que o homem caiu e, quando o homem caído lida com essas coisas, elas se tornam desastrosas e destrutivas.
Mas, quando buscamos o próprio Senhor e temos dentro de nós o conhecimento que procede da vida, algo acontece. Esse conhecimento faz com que todos os outros conhecimentos sejam usados adequadamente.
Quanto mais vocês conhecem a ciência e a tecnologia, mais percebem a glória de Deus. Isso os aproxima de Deus e os capacita a beneficiar a humanidade, não a destruí-la.
Isso coloca o conhecimento filosófico dentro dos seus devidos limites, e ele se torna útil, porque os ajuda a expressar aquilo que Deus lhes revelou.
Isso dá vida à moralidade — não uma moralidade morta, mas uma moralidade viva. Isso é espiritualidade. O conhecimento espiritual eleva todos os outros conhecimentos e os conduz ao seu devido lugar.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês percebem que o mais importante é o conhecimento espiritual.
Gostaria de usar uma ilustração. Nós nos lembramos de Salomão. Salomão foi o mais sábio dos homens.
Em 1 Reis e 2 Crônicas, somos informados de que ele realmente amava Deus. Depois de se tornar rei de Israel, foi a Gibeão, onde estava o altar de bronze, e ofereceu milhares de sacrifícios naquele altar para demonstrar seu amor a Deus.
Por causa de seu amor a Deus, Deus lhe apareceu em sonho naquela noite e disse:
Pede o que quiseres.
O que você quiser, basta pedir.
Salomão pediu apenas uma coisa. Ele disse:
Deus, sou apenas uma criança. Tu me puseste sobre uma grande nação. Não sei como sair ou entrar entre o Teu povo, nem como julgar o Teu povo.
Por isso, pediu sabedoria e conhecimento.
A Bíblia diz que ele pediu um coração entendido. No original, um coração entendido é um coração que ouve. Ele pediu um coração capaz de ouvir Deus. Foi isso que pediu.
Deus Se agradou muito dele, porque disse:
Não pediste riquezas, grande fama, a destruição dos teus inimigos ou uma vida longa. Pediste apenas um coração que possa Me ouvir.
Deus lhe deu um coração entendido, um coração amplo, um coração capaz de ouvir Deus.
Em 1 Reis 4, vocês encontram que a sabedoria de Salomão excedia a sabedoria do Oriente. De modo geral, a sabedoria do Oriente era conhecimento filosófico e especulativo — conhecimento meditativo e místico. O conhecimento de Salomão excedia esse tipo de conhecimento.
Seu conhecimento também excedia a sabedoria do Egito. Naquela época, o Egito era um dos maiores impérios, famoso por suas realizações arquitetônicas. Até hoje, as pessoas visitam o Egito para ver as pirâmides — não apenas seu tamanho, mas também o conhecimento científico presente nelas.
A sabedoria de Salomão excedia a sabedoria do Egito: o conhecimento científico e tecnológico. Sua sabedoria excedia até mesmo a de Etã, Hemã, Calcol e Darda — homens associados à expressão inspirada, poética e religiosa.
Por quê? Porque lhe foi dado conhecimento espiritual: um coração que ouvia Deus.
Salomão escreveu três mil provérbios. Os Provérbios que temos são apenas uma pequena parte desses três mil. Os provérbios são como orientações morais para nossa vida diária, mas, quando vocês leem Provérbios, encontram algo que eleva essas orientações acima das orientações morais do mundo.
Diferentes nações e países têm seus provérbios e suas máximas morais. Mas, porque Salomão conhecia Deus, vocês encontram um elemento em Provérbios:
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Isso acrescenta algo à moralidade. Salomão também escreveu mil e cinco cânticos, e o Cântico dos Cânticos é o cântico de Salomão que temos.
Ali vocês percebem que ele tocou o amor da maneira mais profunda — algo que vai além do amor humano. É um amor que existe entre Deus e o homem.
Ele escreveu sobre as árvores, desde o cedro do Líbano até o hissopo que cresce no muro. Escreveu sobre os animais, o gado e os seres rastejantes. Não como um zoólogo ou um botânico; ao escrever, ele via Deus em todas essas coisas criadas. Isso é conhecimento espiritual.
Portanto, irmãos e irmãs, de que precisamos? Precisamos de conhecimento espiritual.
A única coisa de que precisamos, como nosso irmão já mencionou, é orar. Precisamos pedir ao Senhor que nos dê espírito de sabedoria e de revelação para o pleno conhecimento de Deus.
Isso não nos é natural. Deveria ser sobrenaturalmente natural para nós, mas é algo que precisamos desejar.
Temos buscado o conhecimento deste mundo, e agora é hora de realmente voltarmos nosso coração para essa vida espiritual — para que Deus nos conceda espírito de sabedoria e de revelação, a fim de que possamos conhecê-Lo.
Em Tiago 1, somos informados de que, se alguém tem falta de sabedoria, deve pedir, e Deus a dará liberalmente, se pedirmos com fé.
Esperamos, de fato, que todos nós percebamos a necessidade do conhecimento espiritual. Que todos nós percebamos que há uma diferença entre o conhecimento espiritual e aquilo que conhecemos como o chamado conhecimento.
Quando vocês realmente perceberem isso, creio que sentirão a falta desse conhecimento. Somente quando sentirem essa falta é que o pedirão. Se o pedirem, Deus o dará a vocês. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Querido Pai celestial, nós Te agradecemos porque desejas nos dar o melhor. Tu nos dás o Teu Filho, e Nele estão todo o conhecimento e toda a sabedoria.
Oramos, Senhor, para que abras nosso entendimento e nosso coração, a fim de que a única coisa que busquemos seja o Teu Filho amado, Que é o conhecimento de Deus. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.