Boa tarde.
Vou pedir que abram novamente, por favor, em Romanos 8. Começaremos ali.
Ao nos aproximarmos do estudo da Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável — um princípio que não podemos considerar garantido, sem o qual não podemos viver. Refiro-me a essa grande verdade: a dependência total do Espírito Santo de Deus ao nos aproximarmos deste precioso Livro.
Há muitas, muitas coisas úteis, todo tipo de recurso acadêmico. Mas, no fim das contas, precisamos vir como criancinhas e pedir ao Senhor que faça a luz de Cristo raiar sobre nós.
Pensando em nosso tema, eu me lembrava daquele maravilhoso versículo em Lucas 24. Vocês se lembram de quando nosso Senhor apareceu no caminho de Emaús e, depois, aos Seus discípulos na sala? Em Lucas 24:45, depois que Ele apareceu, lemos:
Então lhes abriu a mente para compreenderem as Escrituras.
Tenho certeza de que ouviremos muito sobre a mentalidade espiritual, mas aí está ela. Ele lhes abriu a mente para que compreendessem as Escrituras.
Quando chegamos ontem à noite, o último versículo de Marcos 1 veio ao meu coração. Marcos 1:45 diz:
Vinham de todas as partes ter com Ele.
Não a Harvey Cedars. Vinham de todas as direções, de todos os lugares, a Ele. É por isso que estamos aqui: para ver o Senhor.
Então vou pedir que inclinem a cabeça comigo, por favor, e entregaremos nosso tempo ao Senhor. Vamos orar.
Nosso Pai, mais uma vez, como somos gratos porque Tu não nos deixaste por nossa própria conta para compreender o Teu precioso Livro, o Teu coração, os Teus caminhos; mas puseste em nosso coração o Espírito Santo, que sonda as profundezas de Deus e nos revela as coisas de nosso Senhor Jesus.
Mais uma vez, esperamos em Ti agora. Pedimos que ministres ao nosso coração de maneira viva. Mostra-nos o Senhor Jesus, nós Te pedimos em nome de Jesus. Amém.
Agora, só para esclarecer, vocês perceberam que deixei minha Bíblia aqui ao lado. Minha visão está piorando cada vez mais, sabem? Por isso ampliei o texto, e ele está aqui diante de mim. Prometo que saiu dali. Não estou deixando a Bíblia de lado. Estamos examinando essa preciosa Palavra de Deus.
Bem, é uma alegria estar com vocês e compartilhar sobre esse grande tema. Desde cedo, Deus trabalhou em meu coração para me convencer a chegar aqui não tanto como alguém que fala, mas como alguém que busca. Então estou com vocês como alguém que busca.
Anseio conhecer o coração dEle sobre esse grande assunto. Já enxerguei algumas coisas, mas sei que Ele usará Seus servos para abrir Seu coração a todos nós. Portanto, vamos orar para que Deus nos mantenha receptivos.
Quero começar dando a vocês uma boa notícia. E a boa notícia é esta: Deus está muito mais interessado em que você tenha uma mentalidade espiritual do que você mesmo.
Deus está muito mais interessado em que eu tenha uma mentalidade espiritual do que eu mesmo. E a razão de isso ser uma boa notícia é que Deus não apenas nos ensinará o que isso significa, mas também organizará as circunstâncias de nossa vida para nos levar ao lugar em que aprenderemos o que isso significa.
Você não está por sua própria conta para aprender o que significa ter uma mentalidade espiritual. Deus Se propôs a nos ensinar isso, e nós aprenderemos.
Se vocês estão em Romanos 8, olhem novamente, por favor, para Romanos 8:6. A versão New American Standard diz:
A mente voltada para a carne é morte, mas a mente voltada para o Espírito é vida e paz.
Qual é a importância do tema que Deus orientou os irmãos a escolher para a conferência deste ano? Qual é a importância dessa ideia de mentalidade espiritual?
Percebi que, no folheto, no programa, vocês tinham esse mesmo versículo citado na versão New King James:
Ter uma mentalidade carnal é morte, mas ter uma mentalidade espiritual é vida e paz.
Kenneth Wuest, em sua tradução ampliada, expressa assim:
Ter a mente dominada pela natureza pecaminosa é morte, mas ter a mente dominada pelo Espírito é vida e paz.
Godet traduz:
Porque a mente da carne é morte; a mente do Espírito, vida e paz.
Portanto, qualquer que seja a tradução que vocês decidam usar, faço esta pergunta: qual é a importância disso? Esse versículo nos ensina que é uma questão de vida ou morte. Essa é a sua importância.
Há duas possibilidades. Uma significa vida, e a outra significa morte.
Agora, a Bíblia expressa essas possibilidades de muitas maneiras diferentes. Lemos em Romanos 1 sobre a mente reprovada. Lemos em Gálatas 2 sobre a mente carnal. Lemos em 1 Timóteo 3 sobre a mente corrompida; em Tito 1, sobre a mente contaminada; em Mateus, sobre a mente voltada para os interesses humanos.
Provérbios e Tiago falam de um homem de ânimo dobre. Provérbios fala de um homem de mente ingênua. Isaías fala de um homem de mente obstinada. Romanos fala da mentalidade carnal, da mentalidade mundana, de um modo diferente de pensar. São muitas expressões, mas tudo termina em morte.
Da mesma maneira, temos em Mateus a mente voltada para os interesses de Deus; em Colossenses, a mente voltada para as coisas do alto; em Atos, aqueles que tinham uma mente nobre; em Coríntios, uma mente sóbria; em 2 Coríntios, o mesmo modo de pensar; em Romanos 8, a mentalidade espiritual.
Lemos sobre ter a mente de Cristo, a mente renovada. E, seja qual for a maneira de expressar isso, termina em vida.
Não sei se vocês levaram isso em consideração quando decidiram vir à conferência deste ano. Por que vocês vão à conferência? Ora, é uma questão de vida ou morte. É por isso que vocês estão aqui.
Talvez vocês tenham dito: “Vou à conferência porque quero renovar a comunhão. Há uma comunhão tão preciosa ali. O povo de Deus está lá. Os santos estão lá. Gosto de ouvir a ministração da Palavra. Amo a adoração conjunta”. Talvez seja uma combinação de tudo isso.
Mas Deus tem esta razão em mente: Ele quer nos ensinar coisas sobre a vida, coisas sobre a morte, e nos capacitar a escolher a vida em vez da morte.
Há o perigo de abordar um tema como este de maneira apenas técnica, apenas mecânica, e tratá-lo de modo excessivamente teológico. Que Deus nos livre disso.
Permitam-me apresentar ao coração de vocês a direção pela qual creio que o Senhor me guiou nesse grande assunto.
Confesso a vocês que, quando comecei a estudar isso, percebi a pobreza de meu próprio coração em relação a esse assunto. Estou animado por estar aqui e estou receptivo. Mal posso esperar para aprender sobre isso.
Vocês dizem: “Bem, então o que você está fazendo aí na frente?”. Bem, não posso contar tudo a vocês, mas posso contar o pouco que sei. Portanto, quero compartilhar só um pouquinho, e talvez isso nos prepare para aquilo que estou convencido de que Deus nos dará como um banquete por meio dos outros irmãos.
Precisamos ter um ponto de partida. Deus começou a me familiarizar com esse ponto de partida.
Romanos 8:5 diz:
A mente voltada para as coisas do Espírito.
Mas Romanos 8:6 não diz “as coisas do Espírito”. O versículo seguinte diz:
A mente voltada para o Espírito.
Para a Pessoa.
Deus nos diz, por meio de Seu servo Paulo, em Colossenses 3:1:
Continuai buscando as coisas do alto, onde Cristo está, onde Ele está assentado à direita de Deus.
Devemos voltar nossa mente para as coisas do alto.
Deixem-me perguntar isto: as coisas celestiais são coisas? As coisas celestiais são coisas — coisas do alto? Romanos 15 fala das coisas que dizem respeito a Deus. As coisas que dizem respeito a Deus são coisas?
Deus nos diz em Filipenses que devemos aprovar as coisas excelentes. As coisas excelentes são coisas?
Em 1 Coríntios 2:10, lemos:
O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus.
O livro de Atos termina com estas palavras, em Atos 28:31:
Pregando o reino de Deus e ensinando as coisas referentes ao Senhor Jesus.
Quais são as coisas referentes ao Senhor Jesus? Lemos em 1 Coríntios 2:12:
Nós recebemos, não o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
Creio que existe o perigo de nos envolvermos com coisas — coisas celestiais, coisas espirituais, coisas invisíveis, coisas inabaláveis, coisas eternas, as próprias coisas de Deus — e perdermos de vista a Ele.
É aí que está meu coração. Se vamos ter uma mentalidade espiritual, vamos a Isaías 26:3:
Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firmada em Ti.
Seja o que mais for a mentalidade espiritual, ela precisa incluir isso, vocês concordam? “Cuja mente está firmada em Ti.” Porque, se vou ser conformado a Ele, se minha mente será renovada, preciso começar olhando para Ele. Preciso vê-Lo. Então Ele pode me transformar. Então Ele pode me renovar. Então posso ser conformado à Sua imagem.
Será que Deus coloca Seu amado Filho de um lado e as coisas do outro? Quero que vejamos Jesus. E prometo: se O virmos, vocês não perderão as coisas do Espírito, as coisas celestiais, as coisas excelentes que precisam ser aprovadas, as coisas de Deus, as coisas referentes ao Senhor Jesus e as coisas que nos foram dadas gratuitamente em Cristo.
Tenho pedido a Deus que nos dê uma antecipação de Efésios 1:9-10:
Ele nos fez conhecer o mistério da Sua vontade, segundo a Sua boa intenção, que propôs nEle; tendo em vista uma administração adequada à plenitude dos tempos, isto é, reunir todas as coisas em Cristo, as coisas nos céus e as coisas na terra.
Quero que olhemos para a verdade da mentalidade espiritual em termos do que significa ter nossa mente firmada nEle. E então creio que, a partir daí, poderemos avançar para aquelas outras coisas.
Na minha abordagem, não vamos nos deter na mentalidade espiritual como a capacidade de enxergar as coisas do ponto de vista dEle. Há muito a aprender ao enxergarmos as coisas como Deus as enxerga. Espero que você veja a si mesmo como Deus o vê.
O Senhor tratou comigo recentemente. Eu não conseguia ver Cristo em um irmão. E Deus me ensinou a ver aquele irmão em Cristo. Ah, eu lhes digo: isso faz diferença — enxergar as coisas como Deus as enxerga.
Nem sequer vou abordar as maravilhosas verdades de Filipenses 2: ter essa mente, essa disposição, esse esvaziamento de si mesmo, essa humildade, essa simplicidade de criança, essa entrega de si mesmo. Se virmos Cristo, Deus pode operar isso em nós. Mas essa não é a direção que vou seguir.
Minha direção é esta: quero vê-Lo. Não vou perder nada se meus olhos estiverem nEle. Vocês conhecem aquele grande hino, “Mais de Jesus”? Bem, é aí que estarei:
Mais de Jesus, mais, mais de Jesus; ver mais da plenitude da Sua salvação; mais do amor dAquele que morreu por mim.
Aqui está uma estrofe desse hino:
Mais de Jesus quero aprender; mais da Sua santa vontade discernir; Espírito de Deus, sê meu Mestre, mostrando-me as coisas de Cristo.
Mais uma passagem como introdução, e então começaremos aquilo que quero mostrar a vocês. Salmos 25:14-15 diz:
O segredo do Senhor é para os que O temem; Ele lhes fará conhecer a Sua aliança. Meus olhos estão continuamente voltados para o Senhor, pois Ele tirará meus pés da rede.
Apenas essa expressão: “Meus olhos estão continuamente voltados para o Senhor”. Prometo a vocês: se seus olhos estiverem continuamente voltados para o Senhor, vocês terão uma mentalidade espiritual.
Não às vezes. Não de vez em quando. Não na maior parte do tempo. Não quase o tempo todo. Meus olhos estão continuamente voltados para o Senhor.
Portanto, aqui está o pequeno esboço do que gostaria de compartilhar com vocês. Gostaria de tentar mostrar um pouco do que significa meus olhos estarem continuamente voltados para o Senhor na vida cotidiana. É isso que gostaria de examinar nesta tarde.
E depois, algo que pesa muito em meu coração: meus olhos continuamente voltados para o Senhor no estudo das Escrituras. Como ver Jesus na Bíblia — é isso que examinaremos amanhã, pela graça de Deus.
Como contemplá-Lo na vida; como contemplá-Lo na Bíblia. Porque sei que, se começarmos a contemplá-Lo, então Ele poderá começar a renovar nossa mente e nos conformar à imagem de Seu adorável Filho.
Então, para meditarmos nisso — é aí que estamos agora —, vou pedir que abram suas Bíblias, por favor, no salmo mais barulhento da Bíblia.
Eu disse isso em Rhode Island, e um jovem casal abriu a Bíblia — bem, eles não são tão jovens assim —, um casal abriu a Bíblia em Salmos 150. Eles disseram: “Esse deve ser o salmo mais barulhento da Bíblia, por causa das trombetas, dos instrumentos de sopro, de todo o canto, das danças, dos címbalos e de tudo mais”.
Salmos 150 é um salmo de muito barulho, mas não é tão barulhento quanto o salmo que estou convidando vocês a abrir. O mais barulhento — essa expressão eu tirei de G. Campbell Morgan. Foi ele quem o chamou de salmo mais barulhento da Bíblia.
Talvez vocês o conheçam como o salmo de Lutero. Sabem, “Castelo Forte É o Nosso Deus” foi baseado nesse salmo: Ein feste Burg ist unser Gott. Ele escreveu aquele maravilhoso hino com base nesse salmo.
Ele tinha uma relação próxima com Filipe Melanchthon, seu amigo, e às vezes ficava ansioso. É claro que, mais tarde, houve um pequeno afastamento; sempre parece acontecer alguma coisa assim. Mas, nos primeiros anos, eles eram tão próximos, e Lutero dizia: “Venha, Filipe, vamos cantar juntos o salmo quarenta e seis, e depois deixemos o diabo fazer o trabalho dele”.
Então, irmãos e irmãs, vamos abrir em Salmos 46.
Deus é o nosso refúgio e fortaleza; socorro bem presente na angústia. Portanto, não temeremos, ainda que a terra se transforme, ainda que os montes deslizem para o coração do mar; ainda que suas águas rujam e espumem, ainda que os montes tremam diante de sua impetuosa elevação. Selá.
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, as santas moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; ela não será abalada; Deus a ajudará ao romper da manhã. As nações se alvoroçaram; os reinos vacilaram; Ele levantou a Sua voz; a terra se derreteu. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa fortaleza. Selá.
Vinde, contemplai as obras do Senhor, que tem feito desolações na terra. Ele faz cessar as guerras até os confins da terra; quebra o arco e corta a lança em duas partes; queima os carros com fogo. Cessai de lutar e sabei que Eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado na terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa fortaleza. Selá.
Vocês perceberam que li a palavra “Selá” no salmo. Quando lerem os Salmos, leiam essa palavra. Ela aparece setenta e uma vezes em Salmos e, depois, três vezes em um dos Profetas Menores.
Há muitas opiniões divergentes quanto ao significado dessa palavra. Alguns dizem que significa “para sempre”. Alguns dizem que significa “o fim”. Alguns dizem que significa “pare, olhe, escute”. Alguns dizem que significa elevar uma nota musical.
Literalmente, a palavra significa “levantar a mão”. E alguns dizem: “Bem, isso significa levantar as mãos e orar”. É possível. Mas alguns pensam que provavelmente significa levantar as mãos dos instrumentos.
Em outras palavras, em nossa música, é uma pausa. Você chega àquele ponto da canção, e há uma pausa. E a pausa faz parte da música. Está escrita na partitura. Tem uma duração determinada. Há um tempo para a pausa. Você tem uma pausa de mínima, uma pausa de semibreve; você conta o tempo.
E, a propósito, quando Deus traz uma pausa à sua vida e o coloca de lado, isso faz parte da composição. Faz parte da música. Tem uma duração determinada. Seu tempo é contado. Não tenha medo dessas pausas.
Ela corresponde ao duplo “em verdade” do Novo Testamento, com esta diferença: o duplo “em verdade” está dizendo: “Preste atenção. Estou prestes a dizer algo maravilhoso”. O Selá diz: “Preste atenção. Acabei de dizer algo maravilhoso”.
Vocês percebem a diferença? O duplo “em verdade” faz você olhar adiante, esperando algo maravilhoso. O Selá diz: “Agora pare e reflita sobre o que já ouviu”.
E vocês percebem que há três Selás nesse maravilhoso salmo. Em Salmos 46:1-3, Deus diz algo maravilhoso e então diz: “Agora pare e pense nisso. Isso é tremendo”. Depois, em Salmos 46:4-7, Ele diz novamente algo maravilhoso, e então diz: “Pare e pense nisso”. E depois, até o fim do salmo, Ele faz isso outra vez e diz: “Pare e pense nisso”.
Deixem-me dizer por que G. Campbell Morgan chamou esse salmo de o mais barulhento da Bíblia. Olhem novamente para Salmos 46:2-3:
Portanto, não temeremos, ainda que a terra se transforme, ainda que os montes deslizem para o coração do mar; ainda que suas águas rujam e espumem, ainda que os montes tremam diante de sua impetuosa elevação.
E depois olhem, por favor, para Salmos 46:6:
As nações se alvoroçaram; os reinos vacilaram; Ele levantou a Sua voz; a terra se derreteu.
São coisas muito barulhentas que acontecem nesse salmo. A terra está passando por transformações. A maioria acredita que Salmos 46:2 faz referência a um terremoto.
Nunca estive em um terremoto. Só por curiosidade, alguém aqui já esteve em um terremoto? Há várias pessoas. Bem, não temos tempo para ouvir o testemunho de vocês, mas conheci dois irmãos que passaram por um terremoto.
Um deles, em 1964, estava em Anchorage naquela Sexta-feira da Paixão, durante aquele grande terremoto. Ah, ele estava bem no meio de tudo, e que devastação ele descreveu! Outro irmão achou que estava tendo um ataque cardíaco na Califórnia durante um daqueles terremotos.
Mas um terremoto abala os alicerces. Deixa você atordoado e espantado. Tudo começa a tremer — prédios, pontes, árvores e todo esse tipo de coisa.
Deixem-me perguntar: isso é apenas a imagem que a natureza nos oferece. É possível ter uma mentalidade espiritual durante um terremoto?
Guardem essa pergunta por um momento, porque Salmos 46:2 fala dos montes deslizando para o mar. Os montes representam estabilidade, segurança, força e sustentação. E agora esses montes estão simplesmente cedendo. Estão se desfazendo. Estão desmoronando no mar. É dramático.
O mar é sempre aquele símbolo de instabilidade e inquietação. Em Salmos 30:7, Davi disse:
Tu, Senhor, pelo Teu favor, fizeste meu monte permanecer forte.
Mas então Deus escondeu Seu rosto, e o que aconteceu com o monte? Ele disse:
Fiquei perturbado.
Deixem-me fazer esta pergunta: é possível ter uma mentalidade espiritual em um deslizamento?
Acrescentem à violência e à comoção do terremoto, e acrescentem à devastação do deslizamento, o que aparece em Salmos 46:3: o rugido do mar.
Os comentaristas acreditam que o que está sendo descrito aqui é um terremoto submarino que provoca um maremoto. Essa onda gigantesca está vindo em direção à costa, e os montes estão dizendo: “Não, eu não quero esse maremoto”. É uma imagem muito vívida.
Então os montes estão tremendo de medo, porque o maremoto ameaça engolir, inundar e arrastar tudo.
Eu lhes digo: essas coisas são impressionantes na natureza — o terremoto, o deslizamento, o maremoto. São ainda mais impressionantes como um princípio de vida.
Você já teve um terremoto em sua vida? Um deslizamento em sua vida? Algum maremoto tremendo se aproximando, ameaçando arrastar tudo?
Então olhem para Salmos 46:6:
As nações se alvoroçaram; os reinos vacilaram.
Esse é o barulho da guerra. Aqui, o mundo inteiro está em guerra. A guerra era algo barulhento naquele tempo: sons de cavalos e carros, gritos de guerra. A guerra é barulhenta hoje, com explosões, aviões, bombas inteligentes, tiros e todo esse tipo de coisa.
Percebem por que é um salmo barulhento? Terremotos, deslizamentos, maremotos — tudo está desmoronando. Tudo está se despedaçando e, para onde quer que você olhe, há guerra.
Alguns tentaram pegar esse belo salmo e relacioná-lo a alguma ocasião histórica. Dizem que Davi o escreveu e está falando das guerras que travou contra Amom e Moabe. Outra pessoa diz: “Não, não, não, não. É Isaías. Ele está celebrando a vitória sobre Senaqueribe e a Assíria”. Alguém diz: “Você não está lendo direito. É Josafá, e essa é a sua grande vitória”.
Bem, deixem-me dizer desde já: ninguém sabe quem o escreveu, e ninguém sabe qual foi a ocasião histórica. É como o espinho na carne: Deus deixou o espaço em branco para que você possa preenchê-lo.
O terremoto, o deslizamento, o maremoto, a guerra por todos os lados — isso é abrangente o bastante para se aplicar a qualquer situação.
E, se vamos compreender esse salmo, vocês precisam enxergar seu cenário. As coisas estão ruindo. As coisas estão desmoronando. Coisas seguras estão se tornando inseguras. As coisas estão sob a ameaça de serem arrastadas.
Irmãos e irmãs em Cristo, façam-me um favor. Não deem esse salmo a Davi, não o deem a Isaías, não o deem a Josafá. Ele é para vocês. É para mim.
Meu palpite é — apenas um palpite, porque não estive no lugar de vocês —, meu palpite é que vocês nunca viram tanto barulho em sua vida quanto há nesse salmo.
Sei que eu não vi tanto barulho, não ouvi tanto barulho em minha vida quanto há nesse salmo. Alguns de vocês talvez estejam em uma situação em que dizem: “Está perto. Está perto. Já tive muito barulho em minha vida”.
Esse salmo não é um sermão. Estou apresentando-o como um sermão. Mas é uma canção. É uma canção.
Será que Deus pode dar uma canção quando tudo está tremendo, tudo está deslizando, tudo está desmoronando, e o que resta está sendo ameaçado por alguma grande calamidade que virá e arrastará tudo?
Qual é a revelação do coração de Deus nesse salmo? Comecem em Salmos 46:10:
Cessai de lutar e sabei que Eu sou Deus.
João Calvino pensa que isso se refere às nações ímpias, que devem ficar quietas porque Deus está prestes a julgá-las. Tenho dificuldade com essa interpretação. Não sei. Não quero me colocar contra João Calvino, mas a nota na margem da minha Bíblia diz: “Solte. Relaxe”.
Não consigo imaginar Deus dizendo às nações: “Relaxem. Estou prestes a julgá-las”. Creio que isso pertence à pessoa que está cantando a canção.
Salmos 46:10. Que versículo! Gosto da tradução King James — não necessariamente da tradução em si, mas eu o memorizei na King James. Há algo nela:
Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.
Irmãos e irmãs em Cristo, esse seria um grande versículo em qualquer lugar da Bíblia. Seria um grande versículo em Deuteronômio. Seria um grande versículo em Isaías. Seria um grande versículo no Evangelho de João.
Mas Deus não o colocou ali. Ele o colocou no salmo mais barulhento da Bíblia.
É possível aquietar-se e saber que Ele é Deus quando tudo está sendo abalado, tudo está caindo, tudo está sob a ameaça de ser destruído, e para onde quer que você se volte, por todos os lados, não há ajuda? Só há guerra e desunião ao redor.
Não é apenas possível. É a provisão de Deus. É a promessa de Deus.
Qual é o segredo desse descanso permanente? Qual é o segredo de uma vida livre de pânico? Deixem-me chegar ao cerne disso.
Vocês já perceberam que, quando há algum tipo de barulho, a cabeça de vocês se volta na direção daquele barulho? Se há uma batida, vocês se viram. Se há uma sirene: “O que é isso?”. Se há um sino, se há um grito — somos tão facilmente distraídos. Nós nos voltamos tão facilmente para essas coisas.
Então, quando há um terremoto, às vezes ficamos inteiramente envolvidos com nosso pequeno terremoto, com nosso pequeno deslizamento, com nosso pequeno maremoto, ou com a dificuldade de nos entendermos com um irmão ou uma irmã, e assim por diante.
Salmos 46:4-5:
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, as santas moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; ela não será abalada; Deus a ajudará ao romper da manhã.
Há um rio. Não sei se vocês conhecem o livro do irmão T. Austin-Sparks, Rios de Água Viva, mas ele acompanhou esse rio pelas Escrituras. Por toda a Bíblia, vocês encontram esse rio — a resposta de Deus à esterilidade, à ausência de frutos e à sede.
Salmos 65:9 diz:
O rio de Deus está cheio de água.
Cheio de água. E desde Gênesis, até o momento em que ele flui de debaixo do trono e de debaixo do Cordeiro, temos esse maravilhoso rio.
E não somos deixados a adivinhar o que ele é. Fico admirado com a quantidade de suposições. Alguns dizem: “Bem, o rio é a igreja. O rio é a graça de Deus. O rio é a bênção de Deus. O rio é a plenitude do Espírito”.
Creio que Jesus resolveu isso em João 7:38:
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
João 7:39 explica:
Isso Ele disse a respeito do Espírito, que haviam de receber os que nEle cressem.
Vou dizer a vocês o que é o rio. É uma Pessoa. É o Senhor. Salmos 46:5: Deus está no meio dela.
Um rio sempre presente, sempre ao alcance, sempre alegrando, sempre refrescando, sempre fluindo, não importa o que aconteça — é Ele.
Segundo esse salmo — e não estou dizendo que já cheguei a esse ponto; apenas o li, e meu coração clama por isso —, segundo esse salmo, quando estou concentrado no Senhor, é irracional temer ou ficar inquieto.
E, quando vocês estão concentrados no Senhor, é irracional temer ou ficar inquietos. Salmos 46:2 começa com a palavra portanto. Qual é o segredo de não temer?
Olhem, por favor, para Salmos 46:1:
Deus é o nosso refúgio e fortaleza; socorro bem presente na angústia.
Vocês olham para esse versículo, e eu não quero ser irreverente, mas gostaria de desmontá-lo. Depois vou montá-lo novamente, acrescentando um modificador de cada vez, para que possamos enxergar o coração do Senhor.
Ele começa assim: “Deus é”. Não “Deus dá” nem “Deus faz”. Não nos diz o que Ele faz; diz-nos quem Ele é. Deus é o nosso refúgio.
Quando penso em refúgio, sempre penso nas cidades de refúgio do Antigo Testamento. E duas coisas precisam ser verdadeiras quanto às cidades de refúgio. Primeiro: alguém está perseguindo você. Segundo: você está com medo.
Tomem o princípio. Não sei o que está perseguindo você. Talvez seu passado. Talvez sua consciência. Talvez alguma culpa. Não sei o que está perseguindo você. Mas Ele Se apresenta como um refúgio. Deus é o seu refúgio.
Agora, o versículo deveria terminar aí. Falo como um insensato. Isso deveria bastar. Deus é o seu refúgio. Quando a terra treme debaixo de você, e Deus permite que aquilo que pode ser abalado seja abalado, e você aprende que Deus é o seu refúgio, isso deveria bastar.
Mas você é tão fraco quanto eu, e não basta. Então Deus disse: “Está bem, Eu sou o seu refúgio e a sua força”.
Não é que Ele dê força. Ele é a sua força.
Vejam, Ele dá força quando provê para vocês. Se Ele supre sua necessidade financeira, se cura seu corpo, se resolve algum problema, se abre alguma porta, se abençoa seu ministério — então é Deus dando, Deus abençoando, Deus dando força a vocês.
Mas quando as contas se acumulam e Ele não provê, quando seu corpo piora cada vez mais e Ele não cura, quando você não tem uma solução para o problema, todas as portas estão fechadas e seu ministério não dá em nada—
—e você corre desamparado para o Senhor, e falo novamente como um insensato, e tudo o que você tem é Ele, e você continua quando não consegue continuar — então Ele é a sua força.
Nossa! Isso deveria bastar. Mas não basta. Somos fracos. Ah, somos tão frágeis.
Então Ele disse: “Está bem. Eu sou o seu refúgio. Sou a sua força e sou o seu socorro”.
Uma coisa é saber que alguém é forte. Outra coisa é saber que ele é forte em seu favor. Alguém pode ter dinheiro — ter dinheiro —, mas, se não vai dá-lo a você para suprir suas necessidades, de nada adianta ele ser rico.
Deus diz: “Eu sou o seu socorro. Sou forte em seu favor”.
Então, quando o terremoto vem, o deslizamento vem, o maremoto vem, e há guerra por todos os lados, Deus diz: “Há um rio. Deus está no meio. Eu sou o seu refúgio. Sou a sua força. Sou o seu socorro”.
Deveria bastar. Não basta. Somos tão fracos. Então Ele disse: “Está bem, Eu sou o seu socorro na angústia”.
Em outras palavras, quando todas essas coisas acontecem — quando sua saúde se vai, a morte bate à porta, todos os seus apoios apodrecidos cedem e todos os recursos humanos se esgotam —, no dia da angústia, Eu sou o seu socorro.
Isso deveria bastar. Não basta. Ele diz: “Está bem, Eu sou o seu socorro presente. Sou o seu refúgio. Sou a sua força. Sou o seu socorro. Sou o seu socorro na angústia. Sou o seu socorro presente na angústia”.
Ouvi uma história sobre uma criancinha. Ela me mostra como estou começando a ficar velho. Uma criança chega ao pai e diz: “Conte-me sobre os velhos tempos, quando a pessoa precisava levantar da cadeira e ir até a televisão para ligá-la ou mudar de canal”.
As pessoas não precisam mais fazer isso. Aqueles eram os velhos tempos. Agora ficam sentadas com um botão e um controle remoto, e fazem tudo a distância.
Deus está no controle? Sim ou não? Ele está controlando a distância? Ele não está sentado lá longe, apertando botões. Ele não está distante. Vocês têm um Deus que é socorro presente.
Então vocês dizem: “Isso deveria bastar”. Mas não basta, não.
Vocês percebem como Ele vai acrescentando coisas nesse primeiro versículo? “Eu sou o seu refúgio” — não basta. “Eu sou o seu refúgio e a sua força” — não basta. “Eu sou o seu refúgio, a sua força, o seu socorro” — não basta. “Eu sou o seu refúgio, a sua força, o seu socorro na angústia” — não basta. “Eu sou o seu refúgio, a sua força, o seu socorro, o seu socorro presente na angústia” — não basta.
Ele disse: “Está bem: socorro bem presente”. Vocês percebem o que Ele está fazendo? Que Deus nós temos! Ele é socorro bem presente no tempo da angústia.
Como em Salmos 46:5: “Deus ajudará ao romper da manhã”. Acho que uma tradução diz: “bem cedo”. Outra diz: “no tempo determinado”.
Irmãos e irmãs, não sei quando isso acontecerá, mas vocês enfrentarão um terremoto. Haverá algum barulho em sua vida. Aquilo que é estável ficará instável e deslizará para o mar. Alguma coisa se levantará, crescerá e ameaçará arrastar tudo. Para onde quer que vocês se voltem, haverá guerra por todos os lados.
Você pode perder o emprego. Pode perder a saúde. Pode perder alguém da família. Mas não precisa perder a paz. Você não precisa perder a paz.
Portanto — percebem como o “portanto” entra? “Eu sou o seu refúgio. Sou a sua força. Sou o seu socorro. Sou o seu socorro na angústia. Sou o seu socorro presente, o seu socorro bem presente na angústia. Portanto, não temeremos, ainda que essas coisas aconteçam.”
É assim que tudo se encaixa.
Olhem para Salmos 46:8. Parece tão fora de lugar:
Vinde, contemplai as obras do Senhor, que tem feito desolações na terra.
Coloquem isso no contexto. Aquele terremoto que veio — vinde, contemplai as obras do Senhor, que tem feito desolações na terra. Aquele deslizamento não aconteceu por acaso.
Não tenham medo de dizer isso, sem nenhuma reserva: para o cristão, não existem causas secundárias. É o Senhor. Ele é quem permitiu aquele terremoto, permitiu aquele deslizamento e permitiu que aquele maremoto viesse e arrastasse tudo. É o Senhor.
Vocês dizem: “Por que Ele faria isso?”. Eu lhes digo: estamos tocando em algo — vida e morte, mentalidade espiritual.
E vocês não vão alcançar uma mentalidade espiritual apenas estudando. Não vão consegui-la dessa maneira. Às vezes, Deus precisa abalar vocês para levá-los a isso. Às vezes, Deus precisa me abalar para me levar a isso.
Vocês sabem por que Deus faz todas essas coisas? Porque Ele sabe que, no dia do terremoto, no dia do deslizamento, no dia do maremoto, no dia da guerra, vocês serão impelidos a Cristo. Vocês se voltarão para Ele. Olharão para o Senhor. Chegarão ao fim de si mesmos. Olharão, clamarão e dirão: “Socorro!”.
Esse é o ponto de partida da mentalidade espiritual. É aí que ela começa: enxergando o Senhor na vida.
E, quando nossos olhos estiverem no Senhor na vida, e depois estivermos vendo a Ele nas Escrituras, então Ele poderá começar a trabalhar em nós, a nos transformar e nos conformar à Sua imagem.
Esse salmo tem sido chamado de salmo de Natal por causa de Salmos 46:7 e Salmos 46:11. Alguns dizem que certos copistas omitiram esse trecho de Salmos 46:3, mas que ele também estava ali:
O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é a nossa fortaleza.
Emanuel: Deus conosco. O Deus de Jacó é a nossa fortaleza.
“O Senhor dos Exércitos está conosco.” Lemos isso: lá, lá, lá. Vocês sabem quem é o Senhor dos Exércitos?
O termo traduzido como “exércitos” é usado de três maneiras na Bíblia. Em um caso, fala dos céus — o exército, o exército celestial, todas as estrelas da galáxia. Esse é o exército.
Em outro caso, fala dos anjos: o exército celestial, os incontáveis bilhões de anjos de Deus. Às vezes, Israel, o exército de Israel, é chamado de exército do Senhor.
O Senhor dos Exércitos — o Senhor do céu e da terra, e dos exércitos do céu e da terra — está com você.
Fiquei admirado quando vi: “O Senhor dos Exércitos está com você”. Mas fiquei ainda mais admirado quando vi a parte seguinte: “O Deus de Jacó é a sua fortaleza”.
Esse é um dos meus títulos favoritos do Senhor no Antigo Testamento. Jacó era um trapaceiro. Era alguém que fazia manobras. Manipulava. Era um conspirador e alguém que puxava os cordões nos bastidores. Era aquele que agarrava o calcanhar: Jacó.
Vocês sabem por que amo esse título? Porque, se Ele é o Deus de Jacó, Ele é o Deus de Ed Miller. Ele é o seu Deus. Ele é o meu Deus.
Vou dizer por que isso é tão precioso para mim. Quando venho compartilhar, sempre tenho preparado o que vou dizer. Nem sempre estou pronto. Quase nunca estou pronto. Mas sempre tenho preparado o que vou dizer. Nem sempre foi assim.
Alguns anos atrás, tive a oportunidade de falar em uma conferência missionária. E eu não havia me preparado, porque podia improvisar. Eles não sabiam muita coisa, e achei que simplesmente improvisaria.
Eu estava sentado em uma cadeira elegante, esperando para falar. Nem sequer tinha um texto. Não tinha um versículo. Não sabia o que dizer. E estava começando a suar. Eu dizia: “Senhor, Tu precisas me ajudar. Eu nem sequer… Se pudesse pensar em alguma coisa, talvez pudesse pegar embalo e dizer algo”.
E a missionária estava lá na frente cantando, e eu sabia que, quando ela terminasse, eu estaria acabado.
E me lembro até hoje do que ela estava cantando:
Não vos comove isto, todos vós que passais pelo caminho?
E eu orava para que, se Ele não me desse um texto, desse a ela mais mil estrofes daquela canção.
Agora, isso vai parecer algo que inventei, mas Lillian estava lá, e ela é minha testemunha. Lembrei-me: “Deus de Jacó”. E disse: “Senhor, eu sou Jacó. Tu és o Deus de Jacó. Tu precisas me ajudar”.
Foi uma daquelas vezes, sabem, em que você abre a Bíblia ao acaso e mergulha o dedo indicador sobre a página, esperando que Deus venha ao seu encontro. E Ele veio, querida.
Abri em Isaías 41:14. E diz:
Eu te ajudarei, ó Jacó, Meu servo.
Vejam, agora eu também consigo rir. Mas naquele dia chorei.
Esse se tornou meu texto naquela manhã, enquanto eu confessava meu pecado. Nunca mais fui sem me preparar.
Ele é o Deus de Jacó. Ele é o seu Deus. O Senhor dos Exércitos está com você.
Então Ele organiza um abalo em sua vida, um deslizamento em sua vida e ameaças. É somente porque Ele quer que você saiba que Ele é o seu refúgio e a sua força.
Ele não quer que você confie em outros refúgios. Não quer que você confie em outras forças. Não quer que você corra para outros recursos. Ele é o seu refúgio. É a sua força. É o seu socorro. É o seu socorro na angústia. É o seu socorro presente na angústia. É o seu socorro bem presente na angústia.
O Senhor dos Exércitos está com você. O Deus de Jacó é a sua fortaleza.
Quer ter uma mentalidade espiritual? Isaías 26:3:
Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firmada em Ti.
Na verdade, o hebraico não diz “perfeita paz”. Diz “paz, paz”. Quando os hebreus queriam mostrar a plenitude de uma ideia, repetiam a palavra.
“Eu o conservarei em paz, paz.” O que vem depois da paz? Paz. E o que vem depois de “paz, paz”? É isso que vocês têm em “de força em força”. O que vem depois da força? Força. E o que vem depois disso? Força.
E é por isso que vocês têm “de fé em fé”. O que vem depois da fé? Fé. O que vem depois disso? Mais fé. E é por isso que vocês têm “de glória em glória”. O que vem depois da glória? Glória. E o que vem depois disso? Mais glória.
De glória em glória, de glória em glória; força e força; e Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firmada em Ti.
Quero que olhem uma última vez para Salmos 46:10, e vou mostrar duas coisas que isso significa.
Aquietai-vos.
Fique quieto. Relaxe. Solte. O que isso significa é: aquiete-se em seu coração. Sem medo. Sem inquietação. Sem ansiedade.
Há um rio. Você tem o Senhor. Ele está sempre presente. Olhe para Ele. Ele organiza essas coisas para levar você a Ele. Precisamos olhar para Cristo. Ele está presente. Ele estará presente.
Mas isso também significa outra coisa. Fiquei admirado quando fiz um estudo dessa expressão, “aquietai-vos”, porque eu achava que significava: “Aquiete-se em seu coração”. Aqui está o outro significado:
Aquiete-se.
Cale a boca.
É isso que significa. Sem reclamar. Sem questionar. Sem discutir. Sem se lamentar. Sem resmungar. Sem murmurar.
Mais uma vez, Deus tem um interesse maior em você do que você mesmo. Deus tem um interesse maior em mim do que eu mesmo. Ele deseja que saibamos o que é a mentalidade espiritual muito mais do que jamais poderíamos imaginar.
E Ele organizará sua vida. Abalará o que precisa ser abalado. Desfará o que precisa ser desfeito. Arrastará o que precisa ser arrastado.
Até que, finalmente, cheguemos ao rio. Há um rio. Deus está no meio.
Até que deixemos de lado todos os nossos próprios recursos e nos voltemos para Aquele que é o nosso refúgio, é a nossa força, é o nosso socorro presente, é o nosso socorro bem presente.
O Senhor dos Exércitos está com você. O Deus de Jacó é a sua fortaleza.
Então, pensem nisso.
Vamos orar.
Pai, nós Te louvamos por esse salmo — não pelo que pensamos que ele talvez signifique, mas por tudo o que Tu sabes que ele significa. Opera isso em nosso coração, para que possamos começar a ter uma mentalidade espiritual, concentrando nosso coração no Senhor Jesus, que é tudo em todos, e em quem tudo e todas as coisas são reunidos.
Como nós Te louvamos por esse rio que está sempre presente e pela graça que Tu nos dás para nos levar a esse rio.
Agora, já neste fim de semana, capacita-nos a beber profundamente desse rio. Pedimos no nome de nosso Senhor Jesus, que prevalece sobre tudo. Amém.
Obrigado.