Por favor, abram no livro de Romanos.
Romanos 8. Começaremos no versículo 1: Romanos 8:1-6.
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte. Porquanto aquilo que a lei não podia fazer, por estar enfraquecida pela carne, Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne: Para que a ordenança da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne se ocupam das coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, das coisas do Espírito. Porque a mentalidade da carne é morte; mas a mentalidade do Espírito é vida e paz.
Vamos ter mais um momento de oração.
Querido Pai celestial, nós nos alegramos juntos na Tua presença. Nós Te louvamos e Te agradecemos por nos reunires para nos encontrarmos em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus.
Querido Pai, valorizamos muito este tempo em que nos reunimos diante de Ti. Sabemos que o Teu pensamento para conosco é bom, precioso e até mesmo glorioso.
Querido Pai, pedimos que removas qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração. Oramos para que sejamos um povo preparado para a Tua Palavra.
Pedimos, Senhor, que o Teu Espírito sopre sobre a Tua Palavra escrita e a torne viva e operante em nossa vida, para que sejas glorificado. Pedimos em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos reunir novamente neste ano.
Agora, se vocês se lembram, no ano passado nosso tema foi a ascendência espiritual. A ascendência do nosso Senhor Jesus Cristo é a nossa ascendência.
E, neste ano, sentimos um encargo por um novo tema: a mentalidade espiritual.
Vocês verão que há uma relação muito estreita entre a ascendência espiritual e a mentalidade espiritual. Na verdade, se queremos andar em ascendência, nossa mente tem muito a ver com isso. É por essa razão que sentimos que, neste ano, devemos considerar juntos e aprender juntos sobre essa questão da mentalidade espiritual.
Romanos 8 é um capítulo sobre a vida em ascendência. É um capítulo sobre a vida que vence, uma vida vitoriosa, uma vida que não é desprovida de força.
Porque, logo no início desse capítulo, o apóstolo Paulo disse:
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Sabemos que essa palavra, condenação, tem duas aplicações diferentes. Quando usada no sentido jurídico, significa condenação ou julgamento. Mas também é usada num sentido civil, significando estar sem força.
E, neste caso, creio que provavelmente é esse último sentido que está sendo usado aqui. Por quê? Porque o apóstolo Paulo, ao passar de Romanos 7 para Romanos 8, disse:
Portanto, agora nenhuma condenação há…
Ou seja, depois de vocês passarem por Romanos 7, já não há condenação, ou já não há falta de força, para os que estão em Cristo Jesus.
Em Romanos 7, encontramos uma vida cristã impotente e derrotada. Mas aqui, em Romanos 8, entramos numa vida cheia de força. E qualquer pessoa que esteja em Cristo Jesus — se realmente enxergarmos que estamos em Cristo Jesus — deve ser alguém que não está desprovido de força.
Agora, por que isso acontece? Isso é explicado em Romanos 8:2:
Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.
Aqui, a palavra lei significa um princípio, um princípio que se aplica universalmente. Portanto, encontramos aqui duas leis diferentes. Uma é a lei do pecado e da morte; a outra é a lei do Espírito da vida.
A lei do pecado e da morte opera na carne. A lei do Espírito da vida opera em Cristo Jesus. Assim, se fomos transferidos da carne para Cristo, vocês verão que uma lei diferente começa a agir, a operar, em nossa vida.
Vocês conhecem a lei do pecado e da morte. A lei do pecado é esta: aquilo que você não quer fazer, você faz. Às vezes, por pertencer ao Senhor, você não quer fazer coisas que desagradem ao nosso Senhor Jesus; mas, de alguma maneira, percebe que está preso à lei do pecado, porque faz aquilo que não quer fazer. Essa é a lei do pecado.
E, às vezes, você percebe que há coisas que deveria fazer como crente. Você quer agradar ao Senhor, mas não consegue fazê-las. Essa é a lei da morte.
Assim, vemos que esse princípio universal do pecado e da morte parece nos abater. É como a lei da gravidade, sabem? É uma lei universal. Se você segura alguma coisa na mão e a solta, verá que ela cai. Por quê? Porque a lei da gravidade atua sobre aquele objeto. Isso é universalmente verdadeiro.
Se fizermos isso aqui hoje, funciona. Se alguém fez isso mil anos atrás, em outro lugar, funcionou da mesma maneira. E, mesmo no futuro, se houver um dia futuro, funcionará exatamente da mesma maneira, porque é a lei da gravidade. É a lei da terra, e vocês não podem evitá-la.
Mas, graças a Deus, existe uma lei superior. Essa lei é chamada de lei do Espírito da vida. É como a lei da flutuação. Vocês veem que um avião pode voar no ar. Veem que um balão pode voar no ar. Parece que a lei da gravidade está sendo vencida.
Portanto, o que Paulo procura nos dizer é isto: os que estão em Cristo Jesus têm uma lei superior operando neles. É a lei do Espírito da vida. É a lei da vida. É o Espírito da vida.
Em outras palavras, nós, que cremos no Senhor Jesus, temos uma nova vida dentro de nós, e o Espírito de Deus torna essa nova vida viva e operante. Assim, uma nova lei opera naqueles que estão em Cristo Jesus.
Se estamos na carne, então é a lei do pecado e da morte que opera em nossa vida. Não importa quem você seja, nem se é uma carne boa ou uma carne má: é uma lei universal. Se você está na carne, há uma lei operando em sua vida: a lei do pecado e da morte. Você não pode escapar dela. Não pode vencê-la. Você é controlado por ela. Está debaixo do seu poder.
Mas, graças a Deus, quando Ele nos transfere para Cristo Jesus, quando nos transfere para as regiões celestiais, uma lei superior começa a operar. É a lei do Espírito da vida, e ela me liberta da lei do pecado e da morte.
Aqui, observem, Paulo usou um pronome pessoal:
Porque a lei do Espírito da vida […] me libertou…
Por quê? Porque, em Romanos 7, Paulo nos relata sua própria experiência. O que ele quer fazer, não consegue fazer. O que não quer fazer, ele faz.
Porque ele descobre que nele, isto é, em sua carne, não há bem algum. Descobre que sua carne está vendida ao pecado e que a lei do pecado e da morte opera em sua vida. Finalmente, ele clama:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Graças a Deus, por Jesus Cristo.
Portanto, aqui encontramos a experiência de Paulo: uma experiência de libertação, de ser libertado de uma lei inferior e entrar numa lei superior. Assim, aqui em Romanos 8, ele diz que, em Cristo Jesus, já não há falta de força.
Agora, por que a lei do pecado e da morte opera na carne, e como podemos ser libertados dessa lei inferior? Como podemos ser libertados da carne? Romanos 8:3 nos explica isso.
Porquanto aquilo que a lei não podia fazer, por estar enfraquecida pela carne, Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne.
Graças a Deus. Deus conhece os nossos problemas.
Mas, em Romanos 8:3, vocês verão que a lei mencionada aqui não é a mesma de Romanos 8:2. Em Romanos 8:2, a lei é um princípio, um princípio universal e constante. Mas aqui a lei é a lei moral. Em outras palavras, é um conjunto de regras dado pela autoridade superior, que é Deus.
Assim, vemos que existe uma lei moral neste mundo. Os filhos de Israel receberam os Dez Mandamentos. Mas os gentios não receberam os Dez Mandamentos por escrito; ainda assim, a Bíblia nos diz que a lei moral está escrita em nosso coração — em outras palavras, em nossa consciência.
Deus escreveu essa lei dentro de nós, e a lei é esta: há certas coisas que não devemos fazer e há certas coisas que devemos fazer.
Mas a Bíblia nos fala daquilo que a lei não pode fazer. Vemos que a lei não consegue fazê-lo. Por quê? Por causa da fraqueza da carne. Não há problema algum com a lei de Deus. A Bíblia nos diz que a lei é santa; a lei é espiritual. Mas o problema é que nós, em nossa carne, somos fracos.
Nossa carne, nosso homem natural, nossa vida natural, é fraca. Não somos capazes de cumprir a lei moral de Deus. Por causa disso, parece que a lei não funciona.
Quando Deus dá a lei ao homem, ela deveria dar vida ao homem, porque, se cumprirmos a lei, viveremos. Mas, infelizmente, nossa carne é fraca. Não conseguimos cumprir a lei; em vez disso, nós a transgredimos.
Então, diante daquilo que a lei não pode fazer por causa da fraqueza da carne, existe alguma salvação para nós? No que depende de nós mesmos, não há nada que possamos fazer. Mas agradecemos ao Senhor: Deus abre um caminho para nós.
Assim, para resolver o nosso problema, Deus enviou o Seu próprio Filho a este mundo. Nosso Senhor Jesus veio a este mundo e tomou sobre Si a semelhança da carne do pecado.
Agora, irmãos e irmãs, prestem atenção. Aqui vemos que nosso Senhor Jesus, quando veio a este mundo — quando o Verbo Se encarnou, quando Deus tomou sobre Si a carne para ser como um homem —, tomou sobre Si a semelhança da carne do pecado.
Em outras palavras, nossa carne é carne pecaminosa, porque temos pecado. Mas, quando nosso Senhor veio a este mundo e tomou sobre Si essa carne, um corpo, a Bíblia diz que era a semelhança da carne do pecado.
Em outras palavras, Ele tem a mesma carne que nós temos, mas é apenas uma semelhança. Isto é, na carne Dele não há pecado. Essa é a diferença.
Assim, quando nosso Senhor nasceu, foi chamado de Santo. Ele tem o mesmo corpo que nós temos, a mesma carne que nós temos. Parece carne pecaminosa, mas é apenas uma semelhança. Não há pecado nela.
Vocês se lembram de quando os filhos de Israel estavam no deserto, de como se rebelaram contra Deus, e Deus enviou serpentes abrasadoras para o meio deles. Quem fosse mordido pela serpente morreria.
E, quando clamaram ao Senhor, Deus instruiu Moisés a fazer uma serpente de bronze e levantá-la. Quem olhasse para aquela serpente de bronze viveria.
Essa serpente de bronze é um tipo do nosso Senhor Jesus. Ela se parece com uma serpente, mas não há veneno nela. É uma serpente de bronze. Mas, porque Aquele que não conheceu pecado pode ser feito pecado por nós, vemos aqui que nosso Senhor Jesus veio em semelhança da carne do pecado e, em Sua carne, condenou o pecado.
Em outras palavras, quando Ele morreu na cruz, não apenas pagou a penalidade pelo nosso pecado, mas também tirou o poder do pecado.
O pecado já não tem poder algum, porque Ele o condenou. Ele o deixou sem força.
Esse é um lado. Do outro lado, quando Ele foi crucificado na cruz, nós — a carne, o velho Adão, o velho homem — fomos crucificados juntamente com Ele na cruz.
Assim, vocês veem uma salvação dupla. Por um lado, Ele destituiu o pecado do seu poder. Por outro lado, Ele tirou a carne do caminho.
E, quando isso aconteceu, então, em Romanos 8:4, Ele diz que a justa exigência da lei se cumpre em nós.
Aqui, a justa exigência da lei é cumprida porque nosso Senhor Jesus já pagou tudo o que a lei exige. Aquele que peca deve morrer, e Ele morreu por nós. Mas é mais do que isso.
Em outras palavras, nós, que estamos em Cristo Jesus, agora somos capazes de cumprir todas as justas exigências de Deus — não no sentido de guardar a letra da lei, mas no sentido de viver pela lei do Espírito da vida.
À medida que seguimos o princípio que está dentro de nós, o Espírito da vida, vocês verão que viveremos, de maneira sobrenatural, tudo o que Deus exige do homem. Portanto, irmãos e irmãs, aqui vocês encontram a gloriosa salvação.
Mas Romanos 8:4 não termina aí. Vocês verão que há uma cláusula que estabelece uma condição:
Para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós…
Em quem?
…que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Aqui chegamos à questão do nosso andar diário. Irmãos e irmãs, o que Cristo fez por nós na cruz é a verdade objetiva.
Isto é, Deus, em Cristo Jesus, fez algo Nele por nós. E tudo o que Ele fez está consumado, completo, é eterno; nunca muda.
Em outras palavras, quando Cristo morreu na cruz, Ele condenou o pecado. Ele destituiu o pecado do seu poder. Quando Cristo morreu na cruz, levou nosso velho homem com Ele para a cruz; assim, nossa carne, com suas paixões, foi crucificada com Cristo.
No que diz respeito a Deus, a salvação está realizada. Está consumada. Nunca muda. É eterna. Ela se aplica tanto a dois mil anos atrás quanto a hoje.
Essa é a verdade objetiva, na qual precisamos crer. Mas, quando chegamos ao nosso andar diário, à nossa vida diária, começamos a perceber que a verdade objetiva deve ser aplicada à nossa experiência subjetiva.
Devemos experimentar diariamente o que Cristo fez por nós na cruz. Assim, o apóstolo Paulo agora está nos conduzindo à nossa experiência subjetiva.
Como? Quem experimentará essa vida em ascendência? Quem experimentará essa vida de libertação, essa vida vitoriosa, essa vida que vence a lei do pecado e da morte, essa vida vivida no poder do Espírito da vida?
Quem viverá nela diariamente? Aqueles que andam diariamente, não segundo a carne, mas segundo o Espírito.
A Bíblia nos diz que já não somos devedores à carne. Por quê? Nossa carne foi crucificada com Cristo. Portanto, já não somos devedores à carne. Devemos viver no Espírito.
E, se realmente vivermos no Espírito, de acordo com o que Cristo fez por nós na plenitude de Sua obra consumada, então, irmãos e irmãs, verdadeiramente andaremos no Espírito e cumpriremos todas as exigências morais de Deus. É assim que devemos ser.
Mas, infelizmente, vemos que muitos do povo de Deus — talvez possamos dizer assim: provavelmente a maioria do povo de Deus — parecem não conseguir se apropriar do que Cristo fez por nós.
Embora o que Cristo fez por nós seja uma obra consumada, de alguma maneira não conseguimos entrar nela. Ainda vivemos segundo a carne, em vez de viver segundo o Espírito.
Se esse é o caso, então nossa vida na terra é derrotada. Não vivemos uma vida cristã gloriosa, em ascendência.
Então, irmãos e irmãs, a pergunta agora é: como sabemos se estamos vivendo segundo a carne ou segundo o Espírito?
Como avaliamos isso? Quais são os critérios que nos mostram se hoje, irmãos e irmãs, neste exato momento, estamos vivendo segundo o Espírito ou segundo a carne? Há alguma maneira de avaliar isso? Há alguma maneira de demonstrá-lo?
É aí que encontramos Romanos 8:5. Nesse versículo, somos informados:
Porque os que são segundo a carne se ocupam das coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, das coisas do Espírito.
Então, irmãos e irmãs, chegamos a este ponto: como sei se estou andando segundo o Espírito ou segundo a carne? É fácil identificar, porque os que andam segundo a carne se ocupam das coisas da carne, e os que andam segundo o Espírito se ocupam das coisas do Espírito.
Em outras palavras, sua mente mostrará isso.
Assim, vocês veem aqui a ligação entre nossa mente e nosso andar espiritual.
Temos o Espírito de Deus em nosso espírito, e essa nova vida dentro de nós tem uma nova natureza. O Espírito de Deus fará essa nova natureza se manifestar em nosso andar diário.
Mas, de alguma maneira, há um bloqueio, e esse bloqueio é a mente. De alguma maneira, quando o Espírito de Deus procura trazer essa nova vida para o nosso andar, Ele é impedido pela nossa mente. Nossa mente não coopera. Nossa mente está pensando em outra coisa.
Por causa disso, o que está dentro de nós não consegue se expressar exteriormente. Assim, queridos irmãos e irmãs, vemos que nossa mente é muito importante para o nosso andar espiritual.
A razão pela qual não andamos segundo o Espírito, a razão pela qual não cumprimos todas as justas exigências de Deus na lei, é que nossa mente não foi libertada.
A mente é uma das funções da nossa alma. É a sede da reflexão. Envolve consciência e entendimento, pensamento e percepção. Ela nos dá uma espécie de discernimento e até mesmo a capacidade de decidir.
Portanto, irmãos e irmãs, essa nossa mente, mesmo não ocupando o lugar mais elevado em nossa vida — sabemos que o lugar mais elevado é o espírito —, ainda assim tem um lugar muito, muito importante em nossa vida espiritual.
Se há algo errado com a mente, se ela ainda se ocupa das coisas da carne, você não consegue andar espiritualmente.
Porque a mentalidade da carne é morte; mas a mentalidade do Espírito é vida e paz.
Creio, irmãos e irmãs, que todos nós temos esse tipo de experiência. Quando você está pensando, quando sua mente está voltada para as coisas da carne, e não para as coisas do Espírito, sente interiormente uma sensação de morte.
Mas, quando você realmente pensa nas coisas do Espírito, ocupa-se delas e volta sua mente para elas, de alguma maneira sente que há vida dentro de você e que há paz em você.
Irmãos e irmãs, nossa mente não apenas nos diz que tipo de andar temos; podemos ir um passo além e dizer que nossa mente determina como andamos.
O que você pensa é o que você é. Se pensa nas coisas da terra, você é terreno. Se pensa nas coisas do céu, você é celestial. Se pensa nas coisas da carne, anda segundo a carne. Mas, se pensa nas coisas do Espírito, anda espiritualmente.
Portanto, irmãos e irmãs, vejam como nossa mente é importante.
Infelizmente, entre o povo de Deus, parece que essa é uma área que negligenciamos. E, porque a negligenciamos, nosso andar espiritual sofre.
Durante estes dias, os irmãos explicarão onde vocês estão hoje e os ajudarão a ser libertados, para que possam entrar na mentalidade espiritual, porque isso fará com que vivam uma vida espiritual.
Espero, então, que, com esta introdução, vocês comecem a enxergar a importância da nossa mente. Agora, vamos voltar ao princípio.
Quando Deus criou o homem, Ele o colocou no jardim do Éden.
Ele deu ao homem domínio sobre as aves do céu, os animais do campo e os peixes do mar.
Ele disse ao homem que cultivasse e guardasse o jardim. Disse que poderia comer livremente de todas as árvores do jardim — de todas as boas árvores frutíferas, boas para o corpo.
Até mesmo a árvore que estava no meio do jardim, a árvore da vida, não era proibida. Mas, quanto à árvore do conhecimento do bem e do mal, que ficava ao lado da árvore da vida, Deus disse:
Não comerás dela; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Agora, por que Deus faz uma coisa assim? Porque Deus quer lembrar ao homem que Ele o colocou acima de tudo, mas debaixo de Um; com domínio sobre todas as coisas criadas, mas debaixo de Deus. Esse é o lugar do homem.
Então, como vocês sabem, em Gênesis 3, certo dia aconteceu alguma coisa.
Adão e Eva eram marido e mulher. Eram um. Deveriam estar juntos. Mas, de alguma maneira, Eva parece ter se afastado sozinha.
Naturalmente, ela foi atraída para o centro do jardim. Estranhamente, não viu nada maravilhoso, glorioso ou belo na árvore da vida, mas sua atenção parecia estar voltada para a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Essa devia ser uma árvore muito atraente. E, quando ela olhou para a árvore, sem dúvida começou a pensar.
E isso deu oportunidade ao inimigo. Sabem, a curiosidade é uma coisa boa, mas pode ser muito ruim.
Então a serpente, com Satanás nela, veio e sugeriu: “Deus disse que vocês não podem comer de nenhuma das árvores do jardim?”
Apenas um pensamento introduzido na mente de Eva. Era um pensamento irracional. Por quê? Porque, se Deus os proibisse de comer de qualquer fruto, eles morreriam. Que tipo de Deus seria esse? Um Deus insensato, sem amor? Certamente não.
Sabem, quando Satanás introduziu aquele pensamento, ele era tão irracional. No entanto, Eva disse: “Ah, não, podemos comer de todas as árvores, menos desta; e não podemos nem tocar nela”.
Agora vocês podem ver que, em seu coração, ela começou a se perguntar, a se perguntar. Começou a duvidar da bondade do Senhor. “Por que Deus não nos permitiu comer daquela árvore?”
Assim, ela começou a sentir que Deus era um senhor severo: não só não podiam comer dela, como também não podiam tocá-la.
Então Satanás encontrou sua brecha. “Ah”, disse ele, “vocês não conhecem Deus. Deus sabe que, se comerem daquela árvore, serão como Deus. Conhecerão o bem e o mal. Não precisarão mais de Deus. Vocês serão Deus. Não é maravilhoso?”
Isso atraiu Eva. Então Eva olhou para a árvore. Era boa para comer. Ela pegou o fruto, comeu, encontrou seu marido e deu o fruto a ele.
Irmãos e irmãs, foi aí que o pecado entrou neste mundo. O pecado entrou neste mundo pela mente.
Uma sugestão — irracional, mas que, de alguma maneira, despertou a concupiscência em Eva. Assim, encontramos em Tiago 1:14-15:
Mas cada um é tentado, quando atraído e seduzido pela sua própria concupiscência. Depois, a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado: E o pecado, sendo consumado, gera a morte.
Sabem, Deus nunca tenta o homem, e Deus também nunca pode ser tentado. Quando somos tentados, quando Satanás vem nos tentar, por que ele faz isso? Porque sabe que há algo em nós que responderá a ele. Isso se chama concupiscência — esse desejo desordenado.
Isto é, não há nada de errado em comer, mas comer o que Deus proibiu é concupiscência. Sabem, quando a concupiscência é tentada e concebe, torna-se pecado; e, quando o pecado é consumado, isso é morte.
Foi assim que o pecado entrou neste mundo: por meio da nossa mente.
Agora, irmãos e irmãs, todos nós que somos de Adão, quando nascemos neste mundo, não temos a mente em sua condição correta.
Em outras palavras, quando nascemos neste mundo, já somos pecadores. Nossa mente já está obscurecida.
Vamos ler, então, Romanos 1:21:
Porquanto, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças; antes, tornaram-se vãos em seus raciocínios, e o seu coração insensato foi obscurecido.
Irmãos e irmãs, Deus revelou Sua divindade e Seu poder nas coisas que criou. Quando vemos Sua criação, nossa mente naturalmente chega à conclusão de que Deus existe, de que Deus é todo-poderoso, de que Deus é divino.
No entanto, vemos que nossa mente está distorcida. Conhecendo a Deus, não O honramos. Nossa mente cai na insensatez, e nossa mente está em trevas.
Então lemos Romanos 1:28:
E, assim como rejeitaram ter Deus em seu conhecimento, Deus os entregou a uma mente reprovada.
Sabem, porque o homem em pecado não quis pensar em Deus, Deus nos entregou a uma mente reprovada. Uma mente reprovada é uma mente sem discernimento moral.
Assim, hoje vemos que as pessoas no mundo têm uma mente. Sua mente pode ser muito perspicaz. Elas se consideram racionais. Mas, na verdade, diante de Deus, sua mente está em trevas. Sua mente não tem discernimento moral.
E, se vocês lerem Efésios 4:17-18:
Isto, portanto, digo e testifico no Senhor: que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade da sua mente, Obscurecidos no entendimento, separados da vida de Deus, por causa da ignorância que há neles, por causa do endurecimento do seu coração.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos aqui que as pessoas hoje andam na vaidade da sua mente. Não é verdade?
Nossa mente está obscurecida, sem entendimento. Essa é a nossa decadência, e é a partir dessa condição que nossa mente pensa.
Porque nossa mente está nas coisas da terra, nas coisas da carne, nas coisas do mundo e até nas coisas do diabo, nosso andar é segundo a carne. Nossa mente determina o nosso andar.
Agora, irmãos e irmãs, como podemos ser salvos?
A luz precisa entrar nas trevas. Assim, quando chegamos a Gênesis 1, vemos que, na restauração da terra, no primeiro dia, Deus disse:
Haja luz.
E houve luz.
Porque as trevas estavam sobre as águas. Tudo estava em trevas, em ruínas. Tudo estava vazio e sem propósito. Assim, a primeira coisa que Deus fez foi dizer:
Haja luz.
E houve luz.
Espiritualmente, acontece a mesma coisa. Nós, que vivíamos em trevas, pensávamos que estávamos vivendo uma vida boa, uma vida moral, uma vida digna de elogio. Mas, na verdade, vivíamos em trevas.
Na verdade, toda a nossa vida era contrária a Deus. Não conseguíamos compreender as coisas do Espírito. Pensávamos que eram loucura e não conseguíamos recebê-las. Estávamos completamente separados da vida de Deus.
No entanto, um dia Deus disse:
Haja luz.
E houve luz.
Vocês se lembram do filho pródigo? Depois de desperdiçar tudo o que o pai lhe havia dado e de ficar reduzido a tamanha pobreza, até mesmo passando fome, ele começou a perceber sua situação. Em outras palavras, começou a pensar.
Na casa de seu pai havia tantas coisas, e ali estava ele morrendo. Então disse: “Vou voltar”.
Irmãos e irmãs, isso é arrependimento. A primeira coisa que aconteceu conosco foi o arrependimento.
Agora, o que é arrependimento? O próprio significado de arrependimento é uma mudança de mente.
Sua mente está voltada contra Deus. Sua mente está voltada para o mundo. Sua mente está voltada para a morte. Mas, um dia, de alguma maneira, Deus, em Sua misericórdia, fez Sua luz brilhar sobre nossa mente, sobre nossa consciência, e nos capacitou a ter uma mudança de mente.
De repente, uma mudança de mente: “Vou voltar para casa”. Esse é o começo da nossa salvação.
Por isso, sempre gosto de contar aquela história. Certa vez, houve uma conferência, e todos os teólogos se reuniram para discutir essa questão do arrependimento. Todos apresentaram suas dissertações, muito teológicas e teóricas, e todos ouviam, mas ninguém entendia.
Por fim, um velho missionário, que estava sentado lá atrás, não aguentou mais e levantou a mão. Ele disse: “Senhor presidente, poderia me dar uma oportunidade de falar também?”
O presidente olhou para aquele homem e pensou: “O que ele saberá sobre arrependimento?” Mas, por ser um missionário veterano, em sinal de respeito, o presidente disse: “Está bem, dou-lhe cinco minutos”.
Então o homem se levantou e começou a caminhar em direção à plataforma. Enquanto caminhava, ergueu as duas mãos e disse: “Estou indo para o inferno. Estou indo para o inferno. Estou indo para o inferno”.
Aquilo eletrizou toda a plateia. Disseram: “Esse homem deve estar louco”. Ele foi gritando até a plataforma. Então se virou, ergueu as mãos e disse: “Estou indo para o céu”. Isso é arrependimento. Todos entenderam.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês veem como nossa mente é importante.
A luz entra em nossa mente, e há uma mudança temporária, uma mudança de direção. Quando nos voltamos e vemos o que o Senhor Jesus fez por nós, irmãos e irmãs, nós O recebemos como nosso Senhor e Salvador.
Mas, mesmo com o arrependimento, mesmo depois de sermos salvos, infelizmente essa mudança de mente é apenas uma mudança temporária, superficial.
Nossa mente ainda permanece a velha mente. Vemos que temos uma nova vida, mas carregamos uma velha mente.
Isto é, mesmo que a vida seja nova, nosso pensamento, nossa mentalidade, nossa maneira de avaliar, nossos valores, as coisas que consideramos preciosas e boas para nós — as coisas que queremos ter — não mudaram.
Porque ainda carregamos uma velha mente, irmãos e irmãs, continuamos andando na carne. Por isso precisamos da renovação da mente.
Creio que não só os outros irmãos, mas provavelmente eu também, falaremos mais sobre isso. Mas, de qualquer maneira, quero apenas destacar um ponto aqui.
O ponto é este: nossa mente é o campo de batalha da nossa vida espiritual.
Se vocês leram A guerra santa, de John Bunyan, verão como ele nos mostra que nossa mente é o campo de batalha. O inimigo procura invadir nossa mente para alcançar nossa alma, para alcançar nossa vontade.
Infelizmente, vemos que, ainda hoje, a mente de muitos do povo de Deus não é renovada dia após dia, e o inimigo consegue edificar fortalezas em sua mente.
É isso que encontramos em 2 Coríntios 10. Paulo orou pelos crentes de Corinto. Eles eram crentes, mas ainda eram carnais. Ainda andavam segundo a carne. Por quê?
Porque sua mente estava sendo levada cativa pelo inimigo. O inimigo edificou fortalezas em sua mente — pensamentos altivos, raciocínios contra Deus.
Com essas fortalezas edificadas em sua mente, não importava o que Paulo dissesse: não adiantava.
Vemos que as armas da nossa batalha não são carnais; é tudo por meio da oração, para que essas fortalezas sejam derrubadas e todo pensamento seja levado à obediência de Cristo. Isso é verdadeira libertação.
Portanto, irmãos e irmãs, creio que nesta manhã fiz apenas uma introdução. Vamos orar um pouco.
Querido Senhor, grava em nosso coração a importância da nossa mente. Reconhecemos que negligenciamos nossa mente por tempo demais e permitimos que o inimigo edificasse fortalezas.
Senhor, oramos para que graves profundamente em nós o quanto nossa mente é importante e como ela precisa ser renovada, para que tenhamos uma mente espiritual e andemos espiritualmente.
Desejamos, Senhor, que durante estes dias continues a falar conosco, a abrir a Tua Palavra para nós e a nos capacitar a entrar naquela liberdade que pertence aos filhos de Deus. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.