Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia:
O que vês, escreve num livro e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.
E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, tendo-me voltado, vi sete candeeiros de ouro;
E, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um filho de homem, vestido de uma veste que chegava aos pés e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.
E a Sua cabeça e os Seus cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os Seus olhos eram como chama de fogo;
E os Seus pés, semelhantes a bronze polido, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a Sua voz, como a voz de muitas águas.
E Ele tinha na Sua mão direita sete estrelas: e da Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes: e o Seu rosto era como o sol quando resplandece na sua força.
E, quando O vi, caí aos Seus pés como morto. E Ele pôs a Sua mão direita sobre mim, dizendo: Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último,
E o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo para todo o sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades.
Escreve, pois, as coisas que viste, as que são e as que hão de acontecer depois destas;
O mistério das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candeeiros de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas: e os sete candeeiros são sete igrejas.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Querido Senhor, queremos verdadeiramente agradecer-Te por nos convidares à Tua mesa. Agradecemos-Te pelo sangue que foi derramado para a remissão dos nossos pecados. Agradecemos-Te pelo corpo que foi partido, para que pudéssemos ser unidos como um só corpo.
Oh, como Te louvamos e agradecemos pelo privilégio dessa comunhão, de podermos ter comunhão Contigo e uns com os outros. Senhor, que podemos dizer, senão nos prostrar e adorar-Te?
E agradecemos-Te por nos reunires novamente para ouvir a Tua palavra. Fala, pois os Teus servos ouvem. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Pela graça de Deus, temos nos reunido nestes dias. Como mencionamos antes, concentramos toda a nossa atenção em uma única coisa: essa questão da visão, a visão celestial.
Vocês vão notar que a palavra visão que usamos está no singular. É claro que, nas Escrituras, vocês podem encontrar muitas visões; contudo, há uma visão que abrange tudo. Essa é a visão que todo crente precisa ver.
É uma visão que foi dada aos apóstolos: a Pedro, a Paulo e a João. Embora eles tenham recebido essa visão como pessoas distintas, e aquilo que viram pareça diferente, descobrimos que essas visões são apenas desdobramentos, partes da única visão.
Na verdade, trata-se de uma única visão celestial. É uma visão que governa toda a nossa vida espiritual, uma visão que nos dá direção e nos mostra o caminho para seguir nessa direção. Ela nos dá força para prosseguir.
É a visão de Cristo e da Igreja. Esse é o mistério do evangelho.
Vemos que, a Pedro, a visão é dada como preparação. Em Paulo, vemos seu desenvolvimento. E, em João, vemos que ela chegou à sua consumação. Mas a visão é uma só.
Precisamos ver Cristo. Precisamos ver Quem Ele é, o que Ele é para Deus e para nós. Muitas vezes, nossa compreensão de Jesus é limitada demais. Precisamos vê-Lo como Deus O vê. Precisamos ter uma visão ampla do nosso Senhor Jesus.
E também precisamos ver o que a Igreja realmente é, para que ela não seja apenas uma teoria para nós, mas se torne algo muito real em nossa vida. Uma compreensão mais profunda de Cristo e de Sua Igreja é essencial para nós.
Nas ocasiões anteriores, compartilhamos sobre a visão dada a Pedro e também sobre a visão dada a Paulo. Nesta manhã, se Deus quiser, gostaríamos de compartilhar sobre a visão dada ao apóstolo João. Ela é chamada de visão de Patmos.
João, como sabemos, estava entre os primeiros discípulos que seguiram o Senhor Jesus. Entre os doze apóstolos, ele foi o último a permanecer na terra.
A Bíblia diz que, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus, ele foi exilado na ilha chamada Patmos. Provavelmente, ao lermos o livro de Apocalipse, a expressão “a palavra de Deus” se refere ao Antigo Testamento, porque naquela época eles não tinham o Novo Testamento que temos hoje.
O Antigo Testamento é a palavra de Deus: os cinco livros de Moisés, os Profetas e os Salmos. A palavra de Deus dá testemunho de uma única Pessoa: Jesus. Jesus é o cumprimento de tudo o que foi escrito na palavra de Deus.
Ao ler o livro de Atos, vocês verão que a mensagem ao mundo é esta: tudo o que foi escrito nos livros de Moisés, nos Salmos e nos Profetas se cumpriu em Cristo Jesus.
Por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus, João foi exilado na ilha chamada Patmos. Durante o reinado de Domiciano, ele foi exilado em Patmos, uma pequena ilha rochosa no mar Egeu. Provavelmente, foi exilado ali para realizar trabalho escravo nas minas.
Enquanto estava ali, no dia do Senhor, provavelmente estava sentado numa rocha, olhando para o leste. Se o dia estivesse claro, ele poderia ver o contorno da costa da Ásia Menor.
Antes de ser exilado, ele trabalhava para o Senhor na Ásia Menor — a província romana da Ásia, não o continente asiático. Paulo, usado pelo Senhor, havia estabelecido as igrejas ali na Ásia. Vocês se lembram de que ele esteve em Éfeso por três anos. Depois disso, havia várias igrejas em diferentes cidades.
Paulo e Pedro foram martirizados na década de sessenta, e, ao que tudo indica, Deus enviou João à Ásia para continuar a obra ali. Antes de ser exilado, João trabalhava nessas cidades da Ásia. Ele era como um pastor para o rebanho.
Mas agora estava exilado. Sem dúvida, no dia do Senhor, ele devia estar pensando nos irmãos e nas irmãs da Ásia: como desejava vê-los novamente, como desejava continuar a ministrar a eles. Devia estar se perguntando o que havia acontecido com aquelas igrejas.
Enquanto pensava neles, de repente ouviu uma voz atrás de si, dizendo:
Escreve às sete igrejas da Ásia.
Ele se voltou para ver a voz, e a Bíblia nos diz que viu sete candeeiros de ouro. No meio dos sete candeeiros havia Um semelhante a um filho de homem.
Isso é o que chamamos de visão de Patmos. Esses sete candeeiros representam as sete igrejas da Ásia, pois isso foi explicado a João. No final do primeiro capítulo, foi-lhe dito que o mistério dos sete candeeiros são as sete igrejas.
As sete igrejas estavam na Ásia, mas, aos olhos de Deus, ou diante de Deus, eram sete candeeiros de ouro.
Se vocês se lembram, no tabernáculo do Antigo Testamento, no lugar santo, havia um candeeiro de ouro com sete braços. Na tipologia, isso fala da unidade da Igreja. Mas aqui vocês encontram sete candeeiros de ouro, e cada candeeiro representa uma igreja local.
Isso fala da responsabilidade de cada igreja para com o testemunho de Jesus. Agora, irmãos e irmãs, seja o que for que vocês vejam nas igrejas aqui na terra, lembremo-nos de que, diante de Deus, uma igreja é um candeeiro de ouro.
O que é um candeeiro? Um candeeiro é um suporte que sustenta e eleva a luz. Vocês se lembram de que, em Mateus 5:15, o Senhor Jesus disse que não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um alqueire. Quando se acende a lâmpada, ela é colocada no candeeiro, e todos os que estão na casa veem a luz.
Em Marcos 4:21, vocês veem que não se coloca uma lâmpada debaixo de uma cama, mas sobre um candeeiro. Em Lucas 11:33, vocês veem que não se coloca uma lâmpada num lugar escondido, nem se oculta a lâmpada, mas ela é colocada sobre um candeeiro.
O que significa colocar uma lâmpada debaixo de um alqueire? O alqueire é uma medida. Isso significa esconder a luz debaixo dos cuidados da vida, das preocupações com o sustento:
Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
Se estivermos ocupados com todas essas coisas, a luz ficará escondida.
Também não se coloca uma lâmpada debaixo de uma cama. A cama fala dos confortos da vida, do nosso desejo de viver uma vida muito confortável e tranquila. Ao fazer isso, escondemos a luz. A luz precisa ser colocada no candeeiro.
Irmãos e irmãs, a Igreja é um candeeiro. A Igreja não é a luz. A luz é o nosso Senhor Jesus. Ele é a Luz do mundo.
NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
A Igreja é quem sustenta a luz.
Não pregamos a nós mesmos. Pregamos Jesus Cristo, e Este crucificado. Não pregamos a Igreja. A Igreja não é um fim; é apenas um meio para um fim.
É lamentável quando as pessoas dão ênfase à Igreja em vez de a Cristo, porque a Igreja existe para Cristo. Ela sustenta a luz; não é a própria luz. Portanto, é nossa responsabilidade exaltar Cristo.
Não devemos exaltar a Igreja, porque, se fizermos isso, estaremos exaltando a nós mesmos. Mas o candeeiro é importante. A luz precisa do candeeiro, porque, sem ele, a luz não pode brilhar intensamente e alcançar longe. O testemunho de Jesus não consegue se espalhar.
A Igreja é o vaso para o testemunho de Jesus. Para ser esse vaso, ela precisa ser adequada a esse testemunho. Por isso, vocês veem que o candeeiro é feito de ouro puro.
Se vocês lerem o livro de Êxodo, verão que todos os utensílios do tabernáculo, com exceção do altar de bronze, são feitos de madeira, mas revestidos de ouro. Sabemos que, nas Escrituras, a madeira simboliza a natureza humana, e o ouro representa a natureza de Deus.
É muito curioso: vocês encontram todos os utensílios do lugar santo e do Santo dos Santos feitos de madeira e revestidos de ouro. Mas há um utensílio feito somente de ouro puro: o candeeiro de ouro.
A mesa dos pães da proposição é feita de madeira, mas revestida de ouro. O altar é feito de madeira revestida de ouro. Até a arca, no Santo dos Santos, é feita de madeira, mas revestida de ouro por dentro e por fora. O candeeiro, porém, não tem madeira; somente ouro puro.
Agora, quando vocês pensam na Igreja, o que é a Igreja? Vocês dirão que a Igreja é formada por pessoas; ela deveria estar cheia de madeira. Sabemos que a Igreja não é um edifício. A Igreja são pessoas: aquelas que o Senhor chamou para fora do mundo e reuniu em nome do Senhor Jesus.
Vocês pensariam que, dentre todos os utensílios do tabernáculo, certamente o candeeiro deveria ser feito de madeira, talvez revestido de ouro, mas principalmente de madeira. No entanto, curiosamente, o Espírito de Deus nos diz que o candeeiro, que representa a Igreja diante de Deus, é feito de ouro puro.
Vocês se lembram daquele versículo das Escrituras que diz, a respeito da Igreja:
Não há judeu nem gentio, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro nem cita, escravo nem livre; mas Cristo é tudo e está em todos.
Como isso é possível? Dizemos que a Igreja é formada por judeus e gentios. No dia de Pentecostes, os judeus foram batizados em um só corpo. Na casa de Cornélio, os gentios também foram batizados nesse mesmo corpo. Portanto, a Igreja é composta de judeus e gentios; contudo, as Escrituras dizem que, na Igreja, não há judeu nem gentio.
Quando um judeu entra na Igreja, já não há judeu. Você não pode se chamar de cristão hebreu. Quando um gentio entra na Igreja, já não há americano nem chinês. Isso não é maravilhoso? O judeu desapareceu. O gentio desapareceu. A circuncisão desapareceu. A incircuncisão desapareceu.
Os bárbaros desapareceram, e os citas, que eram considerados o povo mais bárbaro, desapareceram. Aos olhos de Deus, não há pessoas civilizadas. Somos todos bárbaros, mais ou menos bárbaros. Não há escravo nem livre.
Quando você entra na Igreja, não pode trazer para ela o lado humano. Seja a cultura, seja a língua, seja a posição social, seja a natureza humana: tudo, quando você entra na Igreja, foi eliminado pela cruz do nosso Senhor Jesus.
O que vocês veem na Igreja? Não veem um chinês. Não veem um americano. Não veem um mexicano. Tudo o que veem é Cristo. É ouro. É ouro puro. Nada além de Cristo. Essa é a Igreja aos olhos de Deus.
Ao ler Êxodo 37:17-24, vocês descobrem que todo o candeeiro é feito de um talento de ouro. Esse talento de ouro é trabalhado a martelo até tomar a forma de um candeeiro. Quanto à natureza da Igreja, ela é ouro puro. É o próprio Cristo. É uma só peça.
No entanto, para tomar a forma do candeeiro de ouro, ele não é moldado. Não se derrete o ouro e se despeja num molde, de modo que dali saia o candeeiro de ouro. Foi assim que o bezerro de ouro foi feito, mas não é assim que se faz o candeeiro de ouro.
O candeeiro de ouro precisa ser trabalhado a martelo até tomar a forma de um candeeiro. Pensem nisso: um talento de ouro, martelado, martelado e martelado, até finalmente tomar a forma de um candeeiro. Quantas marteladas esse ouro precisa sofrer!
Pensaríamos que, se fosse madeira ou pedra, seria preciso cortar, desbastar e alisar. Mas, se é ouro, se representa Cristo, é claro que Ele não precisa de mais marteladas. Ele é perfeito, ouro puro.
Mas, curiosamente, vemos que, para Cristo realmente formar o candeeiro, são necessárias muitas marteladas. Mesmo tendo a vida de Cristo em nós, precisamos passar juntos por muitas marteladas para tomar a forma de um candeeiro.
É a obra paciente do Espírito Santo. É o cuidado do nosso Senhor Jesus até que, finalmente, Sua vida em nós seja trabalhada a martelo, unindo-nos como uma igreja, um candeeiro de ouro.
Esse candeeiro de ouro é um belo candeeiro. Vocês veem que ele tem uma base, uma haste, cálices, botões e flores. Embora seja trabalhado a martelo, é tão primoroso e tão belo.
Nosso Deus é um Deus de beleza, e, ao mesmo tempo, nosso Deus é muito prático. O candeeiro não existe como ornamento. Hoje, vocês podem colocar um candeeiro como uma espécie de decoração, mas nosso Deus é muito econômico; Ele nunca desperdiça nada.
Ele é belo, mas é funcional. O candeeiro não é para decoração; existe para um propósito: elevar a luz, refletir a luz, ampliar o seu brilho.
Há uma base e uma haste. Vocês se lembram de que 1 Timóteo 3:15 diz que a Igreja é a Igreja do Deus vivo; é a coluna e o fundamento da verdade. Isso é o que a Igreja é. Ela é a base e a coluna da verdade. Ela dá testemunho da verdade.
Em cada braço, vocês encontram o cálice, o botão e a flor. Nas Escrituras, tudo tem um significado espiritual. O cálice representa a nossa porção.
Vocês se lembram de Salmos 16:5:
O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice:
Tu sustentas a minha sorte.
O cálice representa a nossa herança.
NEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, e nEle estamos completos.
Oh, como louvamos ao Senhor porque a Igreja é como um cálice, cheio do próprio Cristo. Davi disse:
O meu cálice transborda.
Depois, há o botão junto ao cálice. O botão é a concentração da vida. A vida se concentra num botão. Isso fala de toda a plenitude da vida de Cristo. Desse botão surgem flores. É a beleza do Senhor; é o fruto do Espírito, como vocês encontram em Gálatas 5:22-23.
A própria Igreja é muito bela. Ela é:
A plenitude dAquele que enche tudo em todos.
E ela manifesta a beleza do Senhor. Isso é o que a Igreja realmente é. Essa é a Igreja aos olhos de Deus. Essa é a Igreja que Deus deseja.
Não importa que tipo de igreja vocês vejam na terra. Mesmo ao ler Apocalipse 2–3, vocês descobrem que aquelas igrejas não são muito belas, e o Senhor chama cinco delas ao arrependimento. Contudo, diante de Deus, elas permanecem como candeeiros de ouro.
Essa é a visão que precisamos ter. Sem essa visão, ficaremos decepcionados. Ficaremos sem esperança. Mas, graças a Deus, diante dEle a Igreja é um candeeiro de ouro.
João viu que, no meio dos sete candeeiros de ouro, havia Um semelhante a um filho de homem. Irmãos e irmãs, precisamos ver isso. Os sete candeeiros de ouro ficam em segundo plano; em primeiro plano, vocês veem o Filho do Homem.
A Igreja está sempre em segundo plano. Não façam da Igreja o centro de tudo. Ela existe com o propósito de engrandecer Cristo Jesus. No meio dos sete candeeiros de ouro, e em primeiro plano, vocês veem Um semelhante a um filho de homem.
Por que diz “semelhante a um filho de homem”? Sabemos que Ele é o Filho do Homem. A mesma expressão é usada no livro de Daniel. Em Daniel 7:13, Daniel viu, numa visão noturna, Um semelhante a um filho de homem vindo ao Ancião de Dias.
Ele veio ao Ancião de Dias — isto é, a Deus — e recebeu de Deus domínio sobre toda a terra. É claro que isso é profecia. Na visão profética, o que Daniel viu era semelhante a um filho de homem, porque o Filho do Homem ainda não havia vindo ao mundo.
Mas, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, vocês sabem como Ele chamou a Si mesmo? O Filho do Homem. Ele é o Homem que Deus tinha em mente quando criou o homem no princípio, porque o homem foi criado à Sua imagem, conforme a Sua semelhança.
Ao longo da história, o homem não tem se comportado como homem. O homem nunca foi o homem que Deus pretendia em Seu propósito na criação. Por isso, Deus enviou Seu Filho à terra para ser homem. Ele é o Homem segundo o coração de Deus; por isso, chamou a Si mesmo de Filho do Homem.
Como Filho do Homem, Ele foi humilde, humilhado, rejeitado e crucificado. Esse é o Homem que João conhecia muito bem, porque João chegou a se reclinar sobre o peito do nosso Senhor Jesus.
Mas agora, na visão, ele viu Um semelhante a um filho de homem. No original, não há o artigo definido; diz apenas “semelhante a um filho de homem”. Isso significa que a ênfase está no caráter: o caráter do Filho do Homem.
Por quê? Porque o Filho do Homem agora está na glória. Ele já não é o Filho do Homem em humilhação, com Quem João estava familiarizado. Ele parece muito diferente porque está na glória, mas é exatamente o mesmo.
Aqui vocês veem que, no céu, nosso Senhor Jesus é o Sumo Sacerdote e Rei. Ele é Rei. Ele estava diante de Deus, mas não estava sentado ali.
Na Bíblia, encontramos algo muito interessante: depois de ressuscitar e ascender ao céu, nosso Senhor Jesus assentou-Se à direita de Deus. Por que Ele está sentado? Porque a obra foi concluída. Quanto à obra da redenção e da expiação, está consumada.
No entanto, naquela visão, Ele estava de pé. E não apenas de pé: Ele estava trabalhando. Estava atuando ali. Estava ministrando aos sete candeeiros de ouro. Estava olhando para os candeeiros, examinando sua condição, usando as espevitadeiras de ouro para aparar tudo o que precisava ser removido, a fim de que a luz brilhasse intensamente.
Essa é a obra atual do nosso Senhor Jesus. A obra do nosso Senhor Jesus, quando esteve na terra, foi concluir a obra da redenção, e essa é uma redenção eterna. Está consumada. Ele não precisa ir à cruz uma segunda vez. De uma vez por todas, está consumada.
Quanto a isso, Ele está sentado. Mas não está cochilando. Descobrimos que há outro aspecto do nosso Senhor Jesus: hoje, no céu, Ele é o nosso grande Sumo Sacerdote.
Tendemos a pensar nEle como nosso Sumo Sacerdote apenas no âmbito pessoal e individual. Na verdade, a maioria dos crentes nem sequer sabe o que significa Cristo ser Sumo Sacerdote. Conhecemos Cristo como nosso Redentor; não O conhecemos como nosso Sumo Sacerdote.
Se você não O conhece como Sumo Sacerdote, como pode viver a sua vida cristã? Pois Ele vive sempre para interceder por nós, a fim de nos salvar completamente. Nossa vida cristã, nossa vida cristã diária, depende de Seu sumo sacerdócio.
Mas, irmãos e irmãs, vocês veem que Ele é Sumo Sacerdote e Rei não apenas para cada indivíduo. Ele é Sumo Sacerdote e Rei que ministra às igrejas.
Sabemos que Ele é o Sumo Sacerdote pela descrição apresentada. Quando João viu Um semelhante a um filho de homem, Sua veste chegava até os pés. Essa é a veste do Sumo Sacerdote.
Nas Escrituras, uma veste ou roupa representa a justiça. Toda a nossa justiça é como trapos de imundícia. Ela não pode cobrir a nossa nudez. É como os aventais feitos por Adão e Eva: quando o vento sopra, tudo desaparece.
Essa é a nossa justiça. Somos como o filho pródigo. Quando voltamos, estávamos em trapos. Mas vocês se lembram de que o pai o vestiu com a melhor roupa: Cristo, nossa justiça. Cristo é o Justo.
Em 1 João 2:1, vocês veem que temos um Advogado diante do Pai, o Justo. Ele é o Justo. Ele é cheio de justiça.
Depois, vocês veem que Ele está cingido à altura do peito com um cinto de ouro. Normalmente, coloca-se um cinto ao redor da cintura, porque, nos países orientais, as pessoas usam vestes longas e soltas. Sempre que vão trabalhar, precisam prendê-las com um cinto.
No entanto, curiosamente, esse cinto está sobre o Seu peito, e o peito representa o amor. Ele nos ama com um amor divino.
Depois, vocês veem Sua cabeça e Seus cabelos brancos como lã branca, como a neve. Se vocês lerem Daniel, descobrirão que os cabelos brancos significam sabedoria. Infelizmente, eu tenho alguns cabelos brancos, mas sou muito tolo! Nas Escrituras, porém, os cabelos brancos representam sabedoria.
Ele é cheio de justiça. Ele é cheio de amor. Ele é cheio de sabedoria. Seus olhos são como chama de fogo. Em outras palavras, Ele é cheio de luz, cheio de discernimento. Seus olhos olham para você, e Seus olhos veem o seu interior.
Seus pés são como bronze polido, como que ardendo numa fornalha. Nas Escrituras, o bronze representa o juízo. Aquilo que Ele vê, Ele julga. Quando vê algo na Igreja, Ele o julga.
Sua voz é como a voz de muitas águas. Isso fala de poder, de poder majestoso. Depois, vocês O veem com sete estrelas na mão direita. As sete estrelas representam os sete anjos das igrejas.
Pessoalmente, entendo que esses não são anjos celestiais; são anjos terrestres, porque a palavra anjo significa mensageiro. São aqueles que têm responsabilidade espiritual por essas igrejas. O Senhor os segura em Sua mão. Em outras palavras, Ele oferece pleno sustento. Ele os sustentará para que possam cumprir sua responsabilidade.
Da Sua boca sai uma espada afiada de dois gumes. Ele é cheio de autoridade, porque, quando nosso Senhor fala, fala como Quem tem autoridade. Seu rosto resplandece como o sol em sua força. Isso significa que Ele é cheio de beleza. Sua beleza irradia dEle.
Irmãos e irmãs, esse é o nosso Senhor Jesus na glória, e esse é o nosso Sumo Sacerdote. Como Ele Se compadece de nós, como Ele é capaz, como Ele é fiel, como Ele é capaz de nos restaurar ao propósito original de Deus.
Nós não somos capazes, mas Ele é plenamente capaz de nos apresentar irrepreensíveis e perfeitos, para que Deus seja glorificado. Aqui vocês encontram a visão de Patmos: as sete igrejas em segundo plano e o Filho do Homem em primeiro plano. O Senhor, no céu, hoje está ministrando às Suas igrejas.
João já não podia ministrar às sete igrejas. Mas quem estava cuidando delas? Vemos que nosso Senhor, como o grande Sumo Sacerdote, estava cuidando delas.
Quando João viu aquela visão, caiu como morto. Aquele que havia se reclinado sobre o peito do Senhor Jesus, ao ver o Senhor na glória, caiu como morto.
Por quê? Porque percebeu como era fraco, pecador e corrupto. Percebeu como eram fracas e corruptas todas as igrejas às quais havia ministrado, apesar de ter feito o melhor que podia.
Quando vocês veem a glória do Senhor e a glória da Igreja, precisam cair como mortos. Mas o Senhor tocou nele e disse:
Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último. Eu sou o Vivente. Estive morto, mas vivo para sempre. Tenho em Minhas mãos as chaves da morte.
Em outras palavras, o Senhor disse: “Você não pode, mas Eu posso”.
Quando lemos o livro de Atos, especialmente os primeiros capítulos, quando a Igreja começou nesta terra, realmente vemos uma Igreja gloriosa. Aqueles que criam no Senhor Jesus eram todos cheios do Espírito Santo e perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos. Partiam o pão e oravam.
Quando oravam, a casa tremia, e eles eram cheios de ousadia para testemunhar do Senhor. Ninguém dizia: “Isto é meu”. Estavam completamente livres do impulso de possuir as coisas para si mesmos. Amavam uns aos outros. Compartilhavam uns com os outros. Todos eram verdadeiramente um. Que cena gloriosa!
Mas, ao longo dos séculos, vemos que a Igreja começou gradualmente a se deteriorar. Hoje, o que vemos? Vemos o povo de Deus dividido e disperso em pedaços. O povo de Deus é tão pobre espiritualmente. Somos miseráveis, nus e cegos, exatamente como se descreve a igreja em Laodiceia.
Na verdade, vocês não precisam ter a visão do nosso Senhor Jesus para enxergar essas coisas. Mesmo com nossos olhos cegos, podemos vê-las. Como ficamos decepcionados! Não apenas decepcionados com nossos irmãos e irmãs, decepcionados com o que vemos na Igreja; ficamos decepcionados conosco mesmos.
Provavelmente, irmãos e irmãs, fazemos uma pergunta: há alguma esperança? Há alguma esperança de que eu venha a ser conformado à imagem do Filho de Deus? Há alguma esperança de que a Igreja seja uma Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante? Será que a noiva do nosso Senhor Jesus algum dia estará pronta?
Quanto mais vocês olham para a Igreja hoje, mais pensam que isso é impossível. Será que temos esse sentimento?
Foi por essa razão que, certa vez, quando nosso querido irmão Watchman Nee estava com o irmão Sparks, fez uma pergunta: “Qual é a passagem das Escrituras mais difícil para você?” Isto é, qual é a mais difícil de se cumprir?
A resposta do nosso irmão foi Efésios 4:13:
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a um homem plenamente amadurecido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Vocês já se perguntaram quando Deus terá Sua Igreja gloriosa? Já se perguntaram quando a noiva de Cristo estará pronta? Por que nosso Senhor Jesus ainda não veio?
No primeiro século, os crentes esperavam a volta do Senhor. Não estavam errados; estavam certos em ter essa atitude. Mas agora estamos no final do século vinte, e a vinda do Noivo ainda está sendo adiada.
Existe algum noivo que não esteja ansioso por sua noiva? Normalmente, vocês veem que a noiva já está pronta, mas o noivo se atrasa. Aqui, porém, o Noivo está pronto, e a noiva ainda não está pronta.
Às vezes, pensamos que estamos esperando Sua volta, mas, na verdade, Ele está esperando por nós. Nosso Senhor está sempre pronto, mas o problema é que nós não estamos prontos.
Quando vocês pensam nessas coisas, realmente desanimam. Pensam que é um caso sem esperança. Desistem.
Mas aqui, no livro de Apocalipse, o Senhor sabe exatamente qual é a condição das igrejas. O Senhor sabe como elas falharam em sua responsabilidade. Ele sabe que o testemunho de Jesus tem sofrido muito nas mãos dessas igrejas. Ele conhece a Igreja mais do que nós a conhecemos.
Contudo, Ele nunca desiste. Nosso grande Sumo Sacerdote nunca desiste. Ele continua trabalhando, trabalhando e trabalhando. Então, vocês veem que Ele chama os vencedores:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
O Espírito de Deus está falando às igrejas. Temos ouvidos para ouvir o que Ele diz? Se O ouvimos, nos arrependemos e respondemos, então vencemos.
Quanto à condição geral da Igreja, provavelmente vocês verão que ela está ficando cada vez pior, pior e pior. Até mesmo na Bíblia, em 2 Tessalonicenses 2:3, somos informados de que haverá uma apostasia geral. A Igreja, como a vemos hoje, entrará em apostasia.
Mas isso significa que Deus falhou? Significa que Deus nunca terá Sua Igreja gloriosa, que nunca terá Sua noiva? Não. Em meio a todo o caos, a toda a ruína, Ele está chamando os vencedores.
Os vencedores são aqueles que estão na Igreja. Não são supercristãos; são cristãos normais. Os cristãos de hoje estão abaixo do normal e fora do normal. Mas aqueles que respondem a Cristo, quando Cristo Se revela a nós, respondem à Sua revelação.
Quando Ele diz:
Eu sou o Primeiro.
Respondemos e dizemos: “Tu és o Primeiro”. É verdade: no passado, Ele não era o primeiro; nós éramos os primeiros. Talvez Ele nem sequer fosse o segundo. Mas nos arrependemos e dizemos: “Senhor, Tu és o Primeiro”.
Quando Ele Se revela como o Último, dizemos: “Senhor, Tu és o Último. Tu tens a última palavra, e toda a glória é Tua”. Se Ele diz:
Eu sou o Vivente.
Nós dizemos: “Senhor, Tu és a minha vida”.
Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim.
Sim, Tu morreste; eu morri Contigo.
Estou crucificado com Cristo.
Mas Tu dizes:
Estou vivo para todo o sempre.
És Tu Quem vive em mim para sempre.
Vivo pela fé — não a minha fé, mas a fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Sim, é verdade: muitas vezes fui derrotado. Muitas vezes fui esmagado. Mas Tu tens as chaves da morte e do Hades. Tu és capaz. Tu és capaz de fazer de mim um vencedor.
Irmãos e irmãs, é pela Sua graça, não por nós mesmos. Não somos melhores do que ninguém. Somos tão fracos quanto os outros, talvez até mais fracos. Mas, quando somos fracos, somos fortes, porque Ele disse:
A Minha graça te basta.
Dependemos do nosso grande Sumo Sacerdote. Deixemos que Ele nos sustente. Deixemos que Ele venha nos ajudar. Dependemos dEle, e nos arrependemos e respondemos.
Por meio dos vencedores, Ele terá Sua noiva pronta. Os vencedores na Igreja são as primícias.
Quando vocês plantam um campo, sempre há uma pequena parte desse campo em que o trigo amadurece antes. Parece que essas plantas recebem mais luz, porque amadurecem primeiro. Quando há primícias, normalmente elas são colhidas primeiro.
Nos tempos do Antigo Testamento, as primícias eram apresentadas a Deus no tabernáculo. Sempre que há primícias, elas garantem a colheita. Se há primícias, isso significa que um dia haverá uma colheita.
Portanto, os vencedores representam a Igreja. O que Deus fez nos vencedores garante que, um dia, o mesmo será feito em toda a Igreja.
Sabemos que o ministério de João é o ministério de restauração. Aqui vocês veem que a Igreja será restaurada para ser o candeeiro de ouro, quando a luz de Cristo brilhar intensamente e alcançar longe.
Graças a Deus, Ele alcançará aquilo que propôs antes mesmo da fundação do mundo.
Mas hoje precisamos ser fiéis. Precisamos ser fiéis à visão que Deus nos deu. Não devemos nos contentar com nossa condição atual. Devemos prosseguir para ser o que Ele deseja que sejamos.
Somos incapazes, mas, para Deus, todas as coisas são possíveis. É graça, tudo é graça. Como Paulo disse:
Pela graça de Deus, sou o que sou.
Gloriemo-nos em nosso Senhor Jesus, pois Ele é o Vencedor.
Querido Senhor, como Te louvamos e agradecemos porque Tu nunca desistes de nós. Tu nunca desistes da Tua Igreja. Como Te louvamos e agradecemos porque, seja qual for a nossa condição, Tu és capaz de nos conduzir até onde devemos estar.
Tu terás uma Igreja gloriosa. Tu terás a Tua noiva. E a glória do Senhor encherá esta terra. Nós Te adoramos em nome do nosso Senhor Jesus.