Por favor, abram no livro de Atos, capítulo 11. É essa a passagem. Vamos ler do versículo 19 ao versículo 30.
Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação que sobreveio por causa de Estêvão viajaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém senão aos judeus.
Havia, porém, entre eles alguns homens de Chipre e de Cirene que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
E a mão do Senhor era com eles: e grande número dos que creram se converteu ao Senhor.
E a notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém: e enviaram Barnabé até Antioquia.
O qual, tendo chegado e visto a graça de Deus, alegrou-se; e exortava a todos a que, com firme propósito de coração, permanecessem unidos ao Senhor.
Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé: e muita gente foi acrescentada ao Senhor.
E partiu para Tarso, à procura de Saulo;
E, tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E aconteceu que, durante um ano inteiro, se reuniram com a igreja e ensinaram muita gente; e em Antioquia os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.
Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.
E levantou-se um deles, chamado Ágabo, e anunciou pelo Espírito que haveria uma grande fome em todo o mundo: a qual ocorreu nos dias de Cláudio.
E os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que habitavam na Judeia;
O que também fizeram, enviando-o aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Saulo.
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque podemos nos reunir em nome de Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo.
Nós Te agradecemos porque, estando em Tua presença, podemos ouvir Tua voz. Pedimos que fales ao nosso coração nesta manhã, para que realmente Te sigamos até o fim.
Que Teu nome seja glorificado. Que Tua vontade seja feita na terra como é feita no céu.
Em nome de nosso Senhor Jesus, oramos. Amém.
Graças a Deus por nos reunir nesta ocasião. Por causa daqueles que não estavam aqui ontem, talvez devamos fazer uma breve revisão para chegar ao que vamos compartilhar nesta manhã.
Lembramo-nos do que nosso Senhor Jesus disse certa vez:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
— João 5:17
Qual é a obra que o Pai tem realizado? E qual é a obra que nosso Senhor Jesus realiza?
Mencionamos que é a obra de edificação da igreja. É a edificação daquela cidade que tem fundamentos. Sabemos que, ainda hoje, essa é a obra que o Espírito Santo está realizando, e todos nós somos chamados a participar dessa obra de Deus.
Agora, para cooperarmos com Deus, precisamos saber o que Ele realmente está fazendo, o que Ele já fez e como Ele faz. Precisamos desse conhecimento.
E agradecemos ao Senhor porque, no livro de Atos, Ele nos deu muitos exemplos do que fez no primeiro século. Assim também fará neste século XX.
Ele é um Deus vivo e sempre trabalha de maneira viva. As igrejas edificadas ao longo dos séculos são todas diferentes. Cada assembleia local tem suas características próprias; contudo, os princípios que fundamentam toda a atuação de Deus são os mesmos.
Portanto, ao examinarmos esses exemplos, podemos aprender algumas lições muito preciosas.
Ontem de manhã, falamos sobre a igreja em Jerusalém, porque a igreja em Jerusalém é a primeira igreja que Deus edificou na terra.
A propósito, devo acrescentar uma breve observação. Deus está edificando Sua igreja, mas ela é a igreja universal. Entretanto, ao edificar a igreja universal, Ele o faz por meio das igrejas locais. Assim, ao edificar essas igrejas locais, Ele está edificando a igreja universal.
Por exemplo, no livro de Apocalipse, nos capítulos 2 e 3, encontramos as sete igrejas da Ásia. O Senhor ressurreto anda no meio das sete igrejas.
No entanto, quando chegamos aos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, encontramos a cidade santa, a Nova Jerusalém. Ela é a igreja universal. Assim, ao edificar as igrejas locais, Ele chega à igreja universal.
É por isso que queremos examinar todos esses exemplos de igrejas locais, porque é assim que Ele edifica. Com elas, podemos aprender lições muito preciosas.
A respeito da igreja em Jerusalém, mencionamos algumas coisas. Uma igreja nasce; ela não é organizada, porque a igreja de Deus é um organismo. Não é uma organização.
Também mencionamos uma lei universal: a lei das dores de parto. Sem dores de parto, não há nascimento. Foi para o nascimento da igreja que o Deus Triúno sofreu essas dores.
Deus Pai sofreu dores de parto ao entregar Seu Filho unigênito. Deus Filho sofreu dores de parto na cruz do Calvário. O Espírito Santo sofreu dores de parto no dia de Pentecostes, pois houve um sopro vindo do coração sobre os cento e vinte crentes.
Por meio das dores de parto do Deus Triúno, vemos que os cento e vinte crentes responderam também com dores de parto. Eles estavam ali, orando de comum acordo durante dez dias. Essa é a oração com dores de parto.
E, das dores de parto do céu e da terra, nasceu a igreja em Jerusalém. Esse princípio não se aplica apenas à primeira igreja; aplica-se ao nascimento de toda igreja de Deus na terra.
Haverá alguns crentes que sofrerão dores de parto em oração, e então surgirá uma igreja.
Em segundo lugar, mencionamos o significado de Pentecostes, porque foi no dia de Pentecostes que a igreja em Jerusalém nasceu.
Quando pensamos em Pentecostes, geralmente somos atraídos pelo som e pelo que se viu. Mas, na verdade, Pentecostes é mais do que isso.
No dia de Pentecostes, aconteceu algo que nunca havia acontecido antes na terra. Foi o momento em que nasceu o corpo de Cristo.
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
— 1 Coríntios 12:13
A igreja é o corpo de Cristo, e todos nós somos membros desse corpo.
Em terceiro lugar, mencionamos que a igreja em Jerusalém começou, no dia de Pentecostes, com cento e vinte crentes. Mas terminou aquele dia com três mil e cem membros do corpo de Cristo.
Vemos que cada membro do corpo de Cristo era um membro ativo, tanto os cento e vinte crentes maduros quanto os três mil recém-nascidos na fé. Todos estavam ativamente envolvidos. Não havia ninguém passivo. Isso mostra como esse corpo de Cristo era saudável.
E, ao observarmos a vida da igreja, vemos que eles perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. Estavam juntos. Estavam cheios de amor. Essa era a condição da igreja primitiva.
Que o Senhor faça com que a igreja de hoje seja assim também.
Essas são, em linhas gerais, as coisas que mencionamos ontem. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre a igreja em Antioquia.
A igreja em Jerusalém era composta principalmente de judeus e estava localizada em Jerusalém. Jerusalém é o centro do judaísmo. Portanto, vemos que a igreja em Jerusalém era, de alguma maneira, afetada pelo judaísmo.
Na verdade, naquela época, as pessoas viam a igreja como uma seita dentro do judaísmo. Sabemos que, no judaísmo, havia a seita dos fariseus, a seita dos saduceus e a seita dos essênios. Então, consideravam esses crentes em Jesus como a seita dos nazarenos.
Assim, vemos que a igreja em Jerusalém estava, de alguma forma, misturada com o judaísmo. Estava sob a influência do judaísmo. Não estava completamente livre da tradição judaica.
Além disso, vemos que os crentes da igreja em Jerusalém estavam muito felizes juntos. Simplesmente permaneciam em Jerusalém. Desfrutavam do Senhor e da companhia uns dos outros.
Eles se esqueceram do que o Senhor lhes havia ordenado. O Senhor disse:
Sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.
— Atos 1:8
Mas esses crentes estavam tão felizes uns com os outros! Estavam tão felizes no Senhor, em Jerusalém, que se recusavam a sair para a Judeia, Samaria e os confins da terra.
Então, depois de alguns anos, o Senhor enviou perseguição à igreja em Jerusalém. Creio que vocês se lembram de que, no livro de Atos, isso começou com um homem chamado Saulo. A perseguição sobreveio à igreja em Jerusalém e, por causa disso, os crentes começaram a se dispersar.
Na verdade, Deus enviou perseguição à igreja em Jerusalém para fazê-los sair. À medida que esses crentes se dispersavam, levavam consigo o evangelho de Jesus Cristo aonde quer que fossem.
Assim, o evangelho começou a se espalhar pela Judeia e por Samaria. Em Atos 11, lemos que alguns deles passaram pela região da Fenícia, por Chipre e por Antioquia. Aonde quer que fossem, anunciavam as boas-novas do Senhor Jesus.
Mas aqueles crentes judeus, quando foram a todos esses lugares diferentes, ainda estavam presos à tradição judaica. Por isso, falavam apenas aos judeus que viviam naquelas regiões. Não falavam aos gentios.
Mas alguns dos cireneus e dos cipriotas provavelmente eram gentios. Assim, quando chegaram a Antioquia, começaram a falar aos gregos, aos gentios.
E a Bíblia diz:
A mão do Senhor era com eles: e grande número creu e se converteu ao Senhor.
— Atos 11:21
Aqui vemos que o Espírito Santo iniciou um novo mover. O primeiro mover foi em Jerusalém, mas parecia que a igreja em Jerusalém havia se tornado estática. Não estava avançando. Estava presa ao judaísmo.
Então o Espírito Santo iniciou um novo mover em Antioquia. Aqui encontramos algo muito diferente da igreja em Jerusalém.
Em Jerusalém, os crentes eram todos judeus. Mas, em Antioquia, vemos que a maioria dos crentes era gentia.
Agora, vocês se lembram: o que é o corpo de Cristo? A Bíblia diz:
Em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo.
— 1 Coríntios 12:13
Quer judeus, quer gentios.
A igreja não é uma igreja judaica, nem é apenas uma igreja gentílica. É a igreja de judeus e gentios, porque é a vontade de Deus trazer todos para dentro da igreja.
Se a igreja é composta apenas de judeus, ela não é a igreja representativa que Deus deseja. Se é composta apenas de gentios, também não é representativa. Na igreja em Antioquia, encontramos judeus e gentios juntos.
Ao estudar a Bíblia, muitas vezes dizemos que a igreja em Antioquia é uma igreja modelo, porque é isso que o Senhor realmente busca.
O que há de glorioso é que, embora a igreja seja composta de judeus e gentios, quando eles entram na igreja, quando entram no corpo de Cristo, não há judeu nem gentio. Isso é um mistério.
Quando estávamos no mundo, tínhamos todas essas distinções raciais e muitas outras: formação educacional, origem social, contexto cultural, idioma e todo tipo de distinção. Por causa dessas distinções, estávamos separados.
Os judeus não queriam ter nada a ver com os gentios. Não podiam sequer comer com um gentio. Consideravam os gentios impuros. E os gentios desprezavam os judeus. Assim, não havia comunicação nem comunhão entre judeus e gentios.
Mas acontece algo glorioso. Quando um judeu entra na igreja, já não é judeu; é cristão. Quando um gentio entra na igreja, já não é gentio; é cristão.
No corpo de Cristo, não há judeu nem gentio, livre nem escravo, bárbaro nem cita, circuncisão nem incircuncisão. Em Cristo, todos somos um.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos que a igreja em Antioquia era composta de judeus e gentios; contudo, espiritualmente falando, não havia judeu nem gentio. Todos eram um em Cristo Jesus.
Isso era verdade na igreja em Antioquia, e é verdade em toda igreja de Deus na terra.
Assim, irmãos e irmãs, quando nos reunimos como igreja, como corpo de Cristo, deixemos de lado nossas diferenças passadas e lembremos que todos somos um em Cristo. Não há chinês nem americano. Todos somos um em Cristo.
Outra coisa que devemos observar é que a igreja em Jerusalém começou com os apóstolos, mas a igreja em Antioquia começou de maneira diferente.
Na verdade, há duas maneiras pelas quais uma igreja se forma. Ou Deus envia Seus servos para pregar o evangelho, e um grupo de pessoas é reunido — é assim que a igreja começa —, ou Ele envia Seus santos e, à medida que se dispersam por diferentes lugares, eles são testemunhas do Senhor. As pessoas são reunidas, e assim se forma uma igreja.
Portanto, uma igreja pode ser formada pela obra dos apóstolos ou pode ser o resultado da dispersão dos santos.
Nenhum apóstolo foi enviado a Antioquia para iniciar a igreja ali. A igreja em Antioquia foi iniciada pelos crentes.
Agora, algumas pessoas dizem que, se não houver apóstolo, não pode haver igreja. Não, não, não. Isso não é verdade, porque a igreja em Antioquia não foi iniciada por um apóstolo. Na verdade, ela produziu apóstolos. Foi iniciada pelos crentes.
Assim, aonde quer que o Senhor nos envie, quer estejamos dispersos por causa de perseguição, por causa de nossa profissão ou por qualquer outra razão, lembremos: temos uma missão. Onde quer que estejamos, somos testemunhas do Senhor.
E o Senhor pode nos usar para estabelecer um testemunho.
A mão do Senhor estava com a igreja em Antioquia, e muitos creram e se converteram ao Senhor. A notícia chegou a Jerusalém.
Agora, observem o que a igreja em Jerusalém fez. Quando ouviram que muitos gentios haviam se convertido ao Senhor em Antioquia, decidiram enviar alguém para ver o que estava acontecendo. Mas quem enviaram?
Notem que eles não enviaram um apóstolo, nem vários apóstolos. Não enviaram Pedro e João. Em vez disso, enviaram Barnabé.
Irmãos e irmãs, isso é muito, muito importante. A igreja em Jerusalém foi a primeira igreja, e agora vemos surgir a igreja em Antioquia. Quando a notícia chegou a Jerusalém, como eles responderiam?
Se tivessem enviado João e Pedro para lá, seria como se estivessem dizendo à igreja em Antioquia: “Agora, a igreja em Jerusalém é a igreja-mãe, e vocês serão uma igreja-filha. Viemos colocá-los debaixo de nossas asas”. Esse teria sido o resultado.
Mas a igreja em Jerusalém não fez isso. Eles tinham plena consciência de que cada igreja local é independente. Não existe essa coisa de igreja-mãe e igreja-filha. Não existe essa coisa de uma sede central com todas essas filiais ao redor.
Então, em vez de enviar apóstolos para lá, enviaram Barnabé.
Agora, quem era esse Barnabé? Em Atos 4:36-37, lemos:
E José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé — que, traduzido, significa Filho de exortação —, levita, natural de Chipre,
Possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos.
Aqui encontramos Barnabé. Ele era judeu; era levita. Mas era um judeu helenista, não um judeu hebreu.
Não sei se vocês conhecem a diferença. Um judeu hebreu é um judeu que nasceu e foi criado na Judeia. Um judeu helenista é um judeu que nasceu e foi criado em uma terra gentílica.
Assim, vemos que esse homem, Barnabé, era um judeu helenista. Em outras palavras, ele recebeu influência grega porque nasceu em Chipre.
E ele era chamado Barnabé, filho da consolação. Era cheio de amor e compreensão. Então vemos a igreja em Jerusalém enviando um homem assim para visitar Antioquia.
Isso mostra que eles não tinham a intenção de tentar colocar Antioquia sob seu controle. Enviaram alguém que pudesse lhes trazer consolo. Era uma questão de comunhão, não uma questão de controle.
Assim, vemos esse homem, Barnabé, indo a Antioquia. Penso que essa é outra lição que precisamos aprender: cada assembleia local é independente. Ela se volta diretamente para o Senhor. Não está sob o controle de nenhuma outra igreja.
Contudo, há comunhão entre as assembleias: elas cuidam umas das outras e ajudam a edificar umas às outras.
Barnabé chegou a Antioquia e, quando viu o que o Senhor havia feito, ficou cheio de alegria.
Há ocasiões em que, se o Senhor faz algo por meio de você, você se alegra. Mas, se o Senhor usa outra pessoa para fazer alguma coisa, você não fica tão feliz. Talvez até sinta ciúme.
Mas não foi assim com Barnabé. Quando viu o que o Senhor havia feito em Antioquia, ele se alegrou. Simplesmente se colocou inteiramente à disposição deles.
Ele os encorajou e os exortou a permanecerem unidos ao Senhor com firme propósito de coração.
Essas pessoas haviam crido e se convertido ao Senhor Jesus. Mas não deveriam apenas crer no Senhor; deveriam permanecer com o Senhor, perseverar e continuar no Senhor.
E muitas outras pessoas foram acrescentadas à igreja.
Então Barnabé percebeu uma coisa: aquela obra era maior do que ele podia cuidar sozinho. Ele conhecia sua própria limitação.
Por isso, foi procurar Saulo. Levou Saulo a Antioquia e, juntos, reuniram-se com os crentes e os instruíram. Ensinaram durante um ano inteiro.
Aqui está outra lição para aprendermos: precisamos conhecer nossa limitação. Não importa quem você seja, você é limitado. Precisa da ajuda de outros.
Barnabé era um homem humilde. Conhecia sua limitação. Por isso, pediu que Saulo viesse ajudá-lo, e durante um ano inteiro ensinaram as pessoas ali.
A propósito, lembro-me de uma coisa. Em 1942, o Senhor me levou à Índia, e conheci um grupo de pessoas. Elas estavam se reunindo havia apenas um ano.
Era uma obra iniciada pelo irmão Bak Singh. Quando ele começou a obra em Madras, dois irmãos da Inglaterra permaneceram com os crentes durante um ano inteiro.
Eles se reuniam com os crentes duas vezes por dia, durante um ano inteiro. Antes de irem trabalhar, as pessoas se reuniam e recebiam instrução. Depois do trabalho, reuniam-se novamente e eram ensinadas.
Quando fui para lá, havia passado apenas um ano. Então vocês podem perceber que fundamento sólido havia sido estabelecido.
A igreja em Antioquia foi edificada sobre um fundamento muito sólido. Estava enraizada e alicerçada na Palavra de Deus.
Essa era a condição da igreja em Antioquia: muitos haviam sido reunidos, haviam se convertido ao Senhor, permaneciam com o Senhor com firme propósito de coração e eram profundamente instruídos na Palavra de Deus.
E vocês sabem o que aconteceu? Os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez em Antioquia. Esse foi o resultado.
Eles foram chamados cristãos pelo mundo. Hoje nós nos chamamos cristãos, mas, no princípio, esse nome não existia.
Se vocês lerem o livro de Atos antes do capítulo 11, verão que aqueles crentes eram chamados discípulos. Eram discípulos do Senhor Jesus. Eram chamados pessoas do Caminho, porque tinham um modo de vida diferente de qualquer outro.
Também eram chamados crentes, porque, naquela época, eram considerados uma seita do judaísmo. Mas agora a situação era diferente. Aqueles crentes eram principalmente gentios; por isso, não se podia considerá-los uma seita do judaísmo.
Então o mundo olhou para essas pessoas e disse: “Afinal, quem são vocês?”. Vocês sabem, o mundo sempre tenta descobrir quem vocês são. Quer identificá-los.
Olharam para esses crentes, esses discípulos do Senhor, e finalmente inventaram um apelido. Disseram: “Bem, estes são cristãos”.
Agora, o que é um cristão? Um cristão é um homem de Cristo. No princípio, “cristão” era um apelido.
E agora nós nos chamamos cristãos. Mas, irmãos e irmãs, a pergunta é: merecemos esse apelido? Quando o mundo olha para nós, pode realmente nos chamar cristãos — homens de Cristo?
Em toda a Bíblia, há apenas três ocorrências da palavra cristão. É claro que uma delas está em Atos 11:26: os discípulos do Senhor Jesus em Antioquia foram chamados cristãos pela primeira vez.
Agora, por que o mundo chamou esses crentes de cristãos? Porque percebeu que essas pessoas eram obcecadas por Cristo.
Vocês sabem, obsessão não é uma palavra boa. Não devemos ser obcecados por nenhuma outra coisa. Mas é bom ser obcecado por Cristo.
O que significa ser obcecado por Cristo? Eles olharam para essas pessoas e perceberam que, sempre que falavam, falavam de Jesus. Sempre que se reuniam, reuniam-se em nome de Jesus. Sempre que oravam, oravam em nome de Jesus. E viviam para Jesus.
Tudo era Jesus. Nada mais tinha importância. Jesus era tudo. “Ah”, disseram, “vocês são obcecados por Jesus. Vocês são cristãos”.
Irmãos e irmãs, somos obcecados por Cristo? Ou estamos ocupados com muitas outras coisas, e Cristo é apenas uma pequena parte de nossa vida?
Preferimos ser obcecados pelo mundo, pela fama, pela posição, por qualquer outra coisa. Mas aqueles crentes eram tão obcecados por Cristo que entregaram a vida a Cristo. Ele era tudo.
O mundo hoje olha para os cristãos e diz que eles não se parecem com Cristo. Não são obcecados por Cristo. Onde está o nosso testemunho?
Portanto, um cristão é uma pessoa obcecada por Cristo. Que sejamos dignos desse nome.
A segunda ocorrência da palavra cristão está em Atos 26:28. Vocês se lembram de que Paulo estava defendendo sua fé diante de Agripa. Foi-lhe dada a oportunidade de se defender, mas, em vez de defender a si mesmo, ele defendia Cristo.
Festo, o governador, disse:
Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.
— Atos 26:24
Paulo estava defendendo Cristo em vez de defender a si mesmo, e fez isso tão bem que Festo disse: “Você está louco”. Você recebe uma oportunidade de se defender, mas não a aproveita. Em vez disso, defende Cristo. Você é um louco.
Mas Paulo disse: “Não, não estou louco. Estou em perfeito juízo e estou dizendo a verdade”. Ele tentou persuadir o rei Agripa. Disse: “Sei que crês nos profetas”. Em outras palavras, tentou levar Agripa a Cristo.
E o que o rei Agripa disse no versículo 28?
Com tão pouca persuasão, queres fazer de mim um cristão.
— Atos 26:28
Vocês sabem, cristão é um nome desprezado. Para o mundo, um cristão é um louco, porque não ama a si mesmo; ama o Senhor. Está disposto a negar a si mesmo e seguir o Senhor.
Agora, irmãos e irmãs, somos suficientemente loucos? Receio que sejamos inteligentes demais, sensatos demais. Pensamos demais em nós mesmos. Amamos demais a nós mesmos. Calculamos o custo com muito cuidado e, às vezes, sentimos que seguir o Senhor custa caro demais.
Não somos suficientemente loucos por Cristo. Estamos dispostos a ser considerados loucos pelo mundo? Isso é ser cristão.
Em terceiro lugar, a terceira passagem em que essa palavra aparece é 1 Pedro 4:16. Pedro está falando sobre sofrimento.
Mas, se alguém sofrer como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesse nome.
— 1 Pedro 4:16
Um cristão é alguém disposto a sofrer por amor a Cristo. Ninguém gosta de sofrer. Se podemos evitar o sofrimento, nós o evitamos.
Mas há um sofrimento para o qual Deus nos chamou. Devemos participar dos sofrimentos de Cristo.
É claro que não podemos participar de Seu sofrimento vicário. Agora estou usando alguns termos teológicos. Na cruz, Ele sofreu por nossos pecados para fazer expiação por nós. Esse sofrimento foi vicário. Não podemos participar dele, porque Ele pisou o lagar sozinho. Por Seus sofrimentos, foi feita expiação por nós.
Mas há outros sofrimentos de Cristo dos quais somos chamados a participar com Ele. Somos chamados a sofrer por causa da justiça. Somos chamados a sofrer pelo nome de Cristo. Somos chamados a sofrer como cristãos.
Outras pessoas podem fazer certas coisas, mas nós não podemos. Devemos sofrer por isso. Se sofrermos com Cristo, reinaremos.
Portanto, há uma dimensão de sofrimento em ser cristão. Precisa haver disposição para sofrer.
Irmãos e irmãs, vocês têm disposição para sofrer? Estão dispostos a sofrer por amor a Cristo? Estão dispostos a abrir mão de alguma coisa por Cristo? Estão dispostos a ser mal compreendidos porque são cristãos? Estão dispostos a deixar alguma coisa de lado porque são cristãos?
Irmãos e irmãs, essa é uma pergunta que precisamos considerar. Aos olhos do mundo, os cristãos são tolos. É um tolo quem está disposto a sofrer. Mas os cristãos são os tolos de Deus. Vocês estão dispostos a isso?
Graças a Deus. Isso é o que um cristão é. Assim, vemos a igreja em Antioquia: aqueles discípulos foram chamados cristãos. Que testemunho deve ter sido aquele!
E, irmãos e irmãs, o que dizer de nós? Usamos o nome cristão com tanta despreocupação, mas, na verdade, esse é um nome do qual precisamos ser dignos. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Há muitas outras coisas sobre a igreja em Antioquia que podemos compartilhar, mas penso que isso é suficiente.
Pai celestial, queremos Te agradecer por colocar diante de nós a igreja em Antioquia, aquela que Tu edificaste no primeiro século. Como Te louvamos e agradecemos pelo bom testemunho deles!
Nós Te agradecemos porque Tu os tornaste dignos do nome cristão. Senhor, nós nos achegamos a Ti nesta manhã e pedimos que sejas bondoso e misericordioso conosco, para que também sejamos feitos dignos de ser cristãos.
Que estejamos tão ocupados com Cristo que o mundo nos considere um povo obcecado. Senhor, que realmente sejamos tão inteiramente dedicados a Ti, esquecendo-nos de nós mesmos, que o mundo possa até nos considerar loucos.
Que estejamos dispostos a sofrer por amor ao Teu nome. Que o mundo nos considere tolos. Ó Senhor, nós Te pedimos que sejamos dignos de ser cristãos e que Teu nome seja glorificado.
Em nome de nosso Senhor Jesus, oramos. Amém.
Deus realmente nos falou com clareza por meio de Seu servo. Que o Espírito Santo revele mais claramente o coração e os desejos do Senhor, para que os dias restantes de nossa vida sejam um bom testemunho Dele e para que realmente saibamos o que significa ser cristão.
Que realmente vivamos esse testemunho de ser obcecados por Cristo.
Vamos cantar o hino 535.
Depois de cantarmos esse hino, pediremos aos irmãos e às irmãs que sentirem esse encargo que nos conduzam em oração, e juntos diremos amém à sua oração.