Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas, em Lucas 10:38-42. Vamos ler essa passagem.
E aconteceu que, indo eles de caminho, Ele entrou numa aldeia; e uma mulher, por nome Marta, O recebeu em sua casa.
E tinha ela uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra.
Marta, porém, estava distraída com muito serviço; e, aproximando-se, disse: “Senhor, não Te importas que minha irmã me tenha deixado servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.”
Mas Jesus, respondendo, disse-lhe: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
Agora, o Evangelho segundo João, em João 11:1-5. Vamos ler esses versículos.
Estava, porém, enfermo um certo homem, Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
E Maria era aquela que ungiu o Senhor com unguento e Lhe enxugou os pés com os seus cabelos; seu irmão Lázaro estava enfermo.
Mandaram, pois, as irmãs dizer-Lhe: “Senhor, eis que está enfermo aquele que Tu amas.”
E Jesus, ouvindo isso, disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.”
Ora, Jesus amava Marta, e sua irmã, e Lázaro.
João 12:1.
Veio, pois, Jesus, seis dias antes da Páscoa, a Betânia, onde estava Lázaro, que estivera morto e a quem Jesus ressuscitara dentre os mortos.
Fizeram-Lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia; e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele.
Então Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e Lhe enxugou os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa com o aroma do unguento.
Então um dos Seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, que estava para entregá-Lo, disse: “Por que não se vendeu este unguento por trezentos denários, e não se deu aos pobres?”
Ora, ele disse isso, não porque tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e levava o que nela se lançava.
Disse, pois, Jesus: “Deixa-a; ela guardou isto para o dia da Minha preparação para o sepultamento; porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a Mim nem sempre Me tendes.”
Uma grande multidão dos judeus soube, pois, que Ele estava ali; e vieram, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem Ele ressuscitara dentre os mortos.
Mas os principais sacerdotes deliberaram matar também Lázaro, porque muitos dos judeus, por causa dele, se afastavam e criam em Jesus.
E, finalmente, Mateus 21:17.
E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, desejamos ouvir a Tua palavra. Portanto, Senhor, fala; os Teus servos ouvem. Entregamos este tempo em Tuas mãos e oramos para que fales por meio da Tua palavra, pelo Teu Espírito, a cada um de nós, e nos conduzas ao lugar onde Tu estás. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Há alguns dias, enquanto eu esperava diante do Senhor, aquela pequena casa em Betânia ficou profundamente marcada em meu coração. Assim, se Deus quiser, nesta manhã vamos compartilhar sobre aquela pequena casa em Betânia.
Nosso Senhor Jesus amava Jerusalém, a cidade de Deus. Jerusalém era o lugar onde Deus escolhera colocar o Seu nome. Era em Jerusalém que estava o templo, a casa de Deus. Era em Jerusalém que havia o sacerdócio e os sacrifícios. Era em Jerusalém que estavam os rabinos e os escribas, aqueles que estudavam a Palavra e ensinavam a Palavra.
Nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, amava Jerusalém. Durante Seu ministério público, Ele foi a Jerusalém repetidas vezes. No início de Seu ministério, vocês se lembram, Ele entrou no templo. Viu o que havia ali e começou a purificar aquele templo, porque o templo deveria ser a casa do Pai. No entanto, agora se tornara um lugar de comércio, um bazar.
Mesmo no fim de Seu ministério público, na última vez que entrou em Jerusalém, Ele novamente purificou o templo, porque a situação havia piorado. Tornara-se uma casa de ladrões, um covil de ladrões. O coração de nosso Senhor estava voltado para Jerusalém.
Quando contemplou Jerusalém, Ele chorou. Disse:
“Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis ajuntar-te, como a galinha ajunta os pintinhos debaixo das asas, mas tu recusaste. E agora tua casa te será deixada, uma casa de desolação, até que digas: ‘Bendito Aquele que vem em nome do Senhor.’”
Jerusalém tinha todo o direito ao Messias. Deveria ser o lugar onde o Messias reinaria. Contudo, quando o Messias veio, eles O rejeitaram. Não tinham amor por Cristo.
Nosso Senhor foi repetidamente a Jerusalém, procurando resgatar, salvar, restaurar, para que ela fosse verdadeiramente a casa de Deus na terra. Mas eles recusaram.
Vocês se lembram de que, quando Ele foi a Jerusalém pela última vez, trabalhou ali e pregou ali; mas, naquela noite, foi embora. Ele não podia permanecer ali. Em vez disso, foi para Betânia.
Ora, Betânia era uma aldeia muito pequena. Ficava a cerca de três quilômetros de Jerusalém. Era um lugar muito insignificante. E, naquela pequena aldeia, havia uma família.
A Bíblia não nos fala sobre os pais de Marta, Maria e Lázaro. Muito provavelmente, os pais já haviam falecido; assim, eles eram órfãos: duas irmãs e um irmão mais novo, permanecendo unidos. E havia uma pequena casa em Betânia.
Curiosamente, vocês vão perceber que essa era a casa à qual nosso Senhor gostava de ir. Ele gostava de passar tempo ali. Por quê? Porque encontrava amor ali.
Jerusalém tinha tudo, nominalmente, como casa de Deus; mas, infelizmente, faltava uma coisa: amor — amor por Deus. Betânia não tinha nenhum direito legal a essa condição. Não tinha importância alguma: era pequena, desconhecida. E, no entanto, vocês vão perceber que o Senhor gostava de estar ali. Por quê? Por uma única razão: havia amor.
Esses três — o irmão e as irmãs — amavam o Senhor. Vocês se lembram de quando Lázaro ficou enfermo. As irmãs mandaram uma mensagem ao nosso Senhor Jesus porque, naquela ocasião, nosso Senhor, tendo sido rejeitado por Jerusalém, atravessara o rio Jordão e permanecia do lado oriental do Jordão. Os judeus queriam matá-Lo.
Então as duas irmãs mandaram uma mensagem ao nosso Senhor. E observem o que disseram — uma mensagem muito breve:
“Senhor, aquele que Tu amas está enfermo.”
Só isso.
Elas sabiam que o Senhor amava Lázaro e esperavam, com toda a confiança, que o Senhor voltasse depressa, impusesse as mãos sobre Lázaro e o curasse. Tinham plena fé no Senhor Jesus. Tinham toda a confiança de que era isso que o Senhor faria. Era tudo o que precisavam dizer ao Senhor.
Agora, vocês sabem que, quando elas disseram: “Aquele que Tu amas está enfermo”, a palavra amor, no grego original, é phileo. Em outras palavras, aquele por quem Tu tens um afeto bondoso; aquele por quem tens bons sentimentos; aquele por quem tens, por assim dizer, um amor fraternal; aquele a quem estás ligado. Era esse que estava enfermo.
Mas sabemos que o amor do Senhor é muito maior, mais elevado e melhor, porque, quando lemos João 11:5, vemos que nosso Senhor Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. A palavra amor no versículo 5 é agapao: aquele amor divino, aquele amor absoluto, aquele amor abnegado, sacrificial, aquele amor até o extremo, até o fim.
Portanto, na verdade, nosso Senhor Jesus amava Marta, Maria e Lázaro com um amor absoluto. Ele faria tudo por eles, qualquer coisa por eles. Até sacrificaria a Si mesmo por eles. É assim que o Senhor sempre ama: sem condições, até o extremo.
Mas, quanto a Maria, Marta e Lázaro, por que, ao mandarem uma mensagem, não disseram: “Aquele que Tu amas de maneira absoluta está enfermo”? Acho que provavelmente foi por causa da fraqueza deles. Essa é a fraqueza humana.
Em outras palavras, tudo o que conseguimos oferecer é o amor phileo — um amor fraternal, de amizade, de afeto, de apego. É só isso que conseguimos conhecer. E quantas vezes tentamos medir o amor de Cristo com a nossa própria medida.
Porque o amor deles pelo Senhor, até onde conseguiam percebê-lo em si mesmos, consistia em ter bons sentimentos pelo Senhor. Tinham amizade pelo Senhor e certo apego a Ele. Esse era o amor deles. Como o amor deles estava nesse nível, pensavam que o amor de Cristo por eles estava no mesmo nível, sem saber que o amor de nosso Senhor é muito maior e mais elevado.
Agora, irmãos e irmãs, o que vocês sentem pelo Senhor? Como vocês acham que o Senhor os ama? Não é verdade que, às vezes, tudo o que conseguimos dizer é: “Senhor, tenho bons sentimentos por Ti e espero que Tu também tenhas bons sentimentos por mim”?
Será que o nosso amor pode alcançar essa altura — ah, aquele amor absoluto, perfeito? Sim, nosso Senhor nos ama.
Ao longo do tempo, quando viajo e ouço as pessoas orando, elas dizem: “Senhor, eu Te amo. Eu Te amo tanto”. Fico pensando: quanto é esse “tanto”?
Vocês se lembram de Pedro. Quando nosso Senhor começou a revelar aos Seus discípulos que iria a Jerusalém, que seria morto, mas que, ao terceiro dia, ressuscitaria, Pedro amava o Senhor. Ele não permitiria que isso acontecesse ao nosso Senhor.
E, quando nosso Senhor disse:
“Quando o Pastor for ferido, as ovelhas serão dispersas”,
Pedro disse: “Não, eu não. Eu Te amo tanto. Estou disposto a morrer contigo”. Mas negou o Senhor três vezes.
Depois, em João 21:15-17, vocês veem que, após nosso Senhor ter ressuscitado e aparecido aos discípulos junto ao mar de Tiberíades, Ele perguntou a Pedro:
“Pedro, amas-Me? Amas-Me mais do que estes?”
A palavra amor que nosso Senhor usou foi agapao: amor absoluto. “Você diz que Me ama de maneira absoluta. Agora, você realmente Me ama com esse amor incondicional, absoluto? Ou ama mais o fogo do que a Mim?”
Vocês sabem, fazia frio. Pedro procurou se aquecer junto ao fogo e ficar com outras pessoas. Ele era alguém que gostava de companhia; não conseguia ficar sozinho. Mesmo naquele momento, queria estar com outras pessoas, até com seus inimigos. Era melhor do que ficar sozinho. Ele amava a si mesmo mais do que ao Senhor.
Então o Senhor disse: “Você Me ama mais do que estas coisas — suas companhias, o fogo, os peixes, alguma coisa para comer? Você realmente Me ama mais do que estas coisas?”
Pedro percebeu. Disse: “Senhor, Tu sabes que tenho apego a Ti”. Não ousava dizer que amava o Senhor com um amor absoluto.
Então o Senhor disse: “Você Me ama?” Sem comparação, mas apenas: “Você Me ama”, com um amor absoluto. Pedro disse: “Senhor, Tu sabes que tenho amizade por Ti. Tenho, sim, bons sentimentos por Ti”.
Então, na terceira vez, o Senhor usou a própria palavra de Pedro: “Você realmente Me ama? Você realmente tem apego a Mim? Tem bons sentimentos por Mim?” E Pedro ficou triste. Por quê? Porque não conseguia alcançar aquele amor absoluto. Por isso, disse: “Senhor, Tu sabes. Tu me conheces. Tenho apego a Ti”.
Mas, irmãos e irmãs, se vocês acham que amam o Senhor de maneira absoluta, provavelmente o amor de vocês é questionável. Pelo contrário, quando vocês realmente percebem que amam o Senhor, todo o seu amor parece estar naquele nível humano. Vocês não conseguem ir além disso, mas esse é o seu desejo. Vocês realmente querem amar o Senhor como Ele os amou, e, nesse momento, o amor Dele encherá o coração de vocês.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês vão perceber que, naquela pequena casa em Betânia, havia amor. Havia amor pelo Senhor. E, porque havia amor, o Senhor gostava de estar ali.
Betânia significa casa de figos ou de tâmaras. Na tipologia, Betânia representa a verdadeira casa de Deus.
Em Betânia, vocês têm uma pequena casa — apenas três membros. Vocês se lembram de que o Senhor disse:
“Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.”
Há nisso algo do significado da igreja.
Embora sejam apenas dois ou três, há amor ali. Eles amam o Senhor, e o Senhor os ama. E, onde há amor, ali está a casa de Deus. Esse é o lugar onde nosso Senhor gosta de estar.
Mas vocês percebem que, naquela pequena casa, não havia apenas amor entre eles e o Senhor. Havia também amor entre os três.
Quando Lázaro ficou enfermo, essas duas irmãs se preocuparam muito com seu irmão mais novo. Por isso, fizeram o melhor que podiam: mandaram uma mensagem ao Senhor, porque sabiam que a solução estava com o Senhor.
Ora, diremos: é claro, se vocês são irmãos e irmãs, especialmente se os pais não estão mais presentes, certamente cuidam uns dos outros. Mas, irmãos e irmãs, não somos membros de uma só família — da família de Deus? E, se estamos na família de Deus, não somos irmãos e irmãs? Não deveríamos ter a mesma preocupação e o mesmo cuidado uns pelos outros?
Talvez não seja natural, mas é sobrenatural. A vida que o Senhor nos deu é sobrenatural. Assim, nessa família vocês encontram não apenas aquele relacionamento vertical de amor com o Senhor, mas também aquele amor horizontal entre eles.
Marta servia. Estava ocupada com o serviço. Queria oferecer o melhor para receber o Senhor. Que Deus a abençoe. Mas, por estar tão ansiosa para agradar ao Senhor, procurava fazer o melhor que podia. Estava ocupada. Estava perturbada.
Por quê? Porque achava que estava muito ocupada e que sua irmã Maria a havia deixado servir sozinha. Enquanto isso, Maria estava sentada aos pés de Jesus, apenas ouvindo em silêncio.
E vocês sabem o que Marta fez? Foi ao Senhor e disse: “Senhor, Tu não vês que estou tão ocupada? Não Te importas? Não vais pedir à minha irmã que venha me ajudar?”
Agora observem, irmãos e irmãs: nosso Senhor era um hóspede naquela pequena casa. Mas será que Ele era um hóspede? Não.
Quando foi a Jerusalém, Ele era o Senhor de Jerusalém; contudo, foi tratado com indiferença. Mas, quando entrou na pequena casa em Betânia, imediatamente vocês percebem que Ele se tornou o Senhor daquela casa. Essa é a diferença.
Marta poderia muito bem ter falado com sua irmã e dito: “Maria, venha me ajudar”. Mas não fez isso. Reconheceu que, quando o Senhor estava na casa, Ele era o Dono da casa. Marta já não era a dona da casa. Suponho que ela costumava dirigir a casa, mas não podia fazer isso quando o Senhor estava ali.
Ela reconheceu que o Senhor era o Dono da casa. Embora quisesse a ajuda de sua irmã, pediu ao Senhor que desse permissão. Ora, isso não é bonito?
Irmãos e irmãs, será que realmente reconhecemos que nosso Senhor Jesus é o Senhor da casa? Temos de recorrer a Ele em tudo. Não temos direito algum. Quando Ele está presente, tem todo o direito sobre tudo.
Vocês conseguem perceber que Maria não olhou para sua irmã e disse: “Por que você reclama? Por que não me deixa sentar aos pés de Jesus e ouvi-Lo?” Nem uma palavra.
Ora, às vezes, entre irmãos e irmãs, vocês sabem, há respostas de um lado e de outro. Mas aqui vocês veem que Maria não respondeu. Havia submissão, um espírito submisso, naquela irmã mais nova.
Embora tivesse sido acusada injustamente, deixou a questão com o Senhor. E vocês sabem: Maria sempre fazia isso.
Vocês se lembram de quando ela ungiu nosso Senhor com unguento, e Judas começou a murmurar, junto com os outros discípulos? Ela não disse uma palavra. Deixou a questão com o Senhor. O Senhor sabia melhor.
Assim, vocês percebem que, entre esses três — o irmão e as irmãs —, havia amor, havia cuidado, havia submissão, sujeitando-se uns aos outros. Bonito. É bonito.
E, irmãos e irmãs, isso é o que a casa de Deus é. Isso é o que devemos ser.
Nosso Senhor Jesus disse:
“Como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros.”
Esse é o mandamento do Senhor, mas é mais do que um mandamento; é uma realidade. Assim como o amor do Senhor por nós é absoluto, Ele quer que amemos uns aos outros da maneira como Ele nos ama.
Vocês se lembram de que, em 1 Timóteo 1:5, Paulo diz a Timóteo que o fim daquilo que é ordenado — isto é, o fim de tudo o que Deus nos encarrega de fazer —, o objetivo supremo, o fim de todo o Seu ensino, exortação e instrução, é o amor.
Mas o fim do mandamento é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida.
O Senhor busca uma única coisa: amor. E de onde vem o amor? Vem de um coração puro.
Olhem para essas irmãs e seu irmão. Seus corações eram puros para com o Senhor — inteiramente voltados para o Senhor. Seus corações não estavam divididos. Não tinham uma mente dividida. Viam o Senhor, e o Senhor era tudo.
Tinham uma boa consciência porque seguiam o Senhor tanto quanto compreendiam. E tinham uma fé não fingida. Tinham plena confiança no Senhor.
Quando mandaram uma mensagem ao Senhor, acreditavam que o Senhor podia fazer qualquer coisa. Acreditavam que o Senhor voltaria e curaria seu irmão. Não havia dúvida em seus corações.
Quando o Senhor demorou a vir, isso foi uma decepção para elas. Mas, mesmo assim, não abalou sua fé, porque, quando o Senhor chegou, vocês se lembram de que tanto Marta quanto Maria disseram:
“Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.”
Elas ainda tinham fé no Senhor Jesus. Tinham confiança Nele.
É de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida que procede o amor. Irmãos e irmãs, será que realmente amamos o Senhor e amamos uns aos outros? Esse amor vem de um coração puro.
Nosso coração é mais importante do que qualquer outra coisa. A Bíblia diz:
Guarda o teu coração com toda a diligência;
Porque dele procedem as fontes da vida.
O que Deus observa é o nosso coração, não a nossa aparência. O homem olha para a aparência, mas Deus olha para o coração. Onde está o seu coração? Seu coração é puro para com Ele, ou está dividido?
A oração de Davi em Salmos 139:23-24 é:
“Senhor, sonda o meu coração e conhece os meus pensamentos.
Vê se há em mim algum caminho de dor.”
Em alguns manuscritos, diz:
“Vê se há em mim algum caminho de idolatria.”
Ora, idolatria pode significar simplesmente infidelidade. Você ama o Senhor, mas ama alguma outra coisa; ou ama o Senhor com uma segunda intenção — sem fidelidade.
“Vê se há em mim algum caminho de dor, algum caminho de idolatria, e guia-me pelo caminho eterno.”
Irmãos e irmãs, essa deveria ser a nossa oração, a nossa oração diária, porque o nosso coração é enganoso acima de todas as coisas.
Como vocês encontram em Jeremias:
“Enganoso é o coração acima de todas as coisas; quem o conhecerá?”
Nós mesmos não o conhecemos. Enganamos a nós mesmos; enganamos os outros. Mas somente o Senhor sonda o nosso coração. Ele prova o nosso íntimo.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos nos apresentar diariamente diante do Senhor. É uma questão diária. Seu coração pode ser puro para com o Senhor hoje, mas amanhã você não pode garantir isso. Precisamos nos apresentar diante Dele diariamente e pedir-Lhe que sonde o nosso coração, para ver se o nosso coração é puro para com Ele.
E, é claro, precisamos de uma boa consciência. Vocês sabem, um cristão precisa de uma boa consciência em seu andar diário. Não podemos carregar uma consciência culpada, porque, se carregamos uma consciência culpada, isso afeta a nossa comunhão com Deus e com o povo de Deus.
Nossa consciência deve estar sem ofensa diante de Deus e dos homens. E, graças a Deus, Seu Espírito toca a nossa consciência e nos faz lembrar se estamos ou não em um relacionamento correto com Ele.
Irmãos e irmãs, sempre que tiverem uma consciência culpada, não permitam que ela permaneça assim. Resolvam isso imediatamente — não esperem nem até a noite; resolvam de uma vez. Vão ao Senhor.
E, graças a Deus:
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Não precisamos carregar uma consciência culpada. Devemos ter uma boa consciência diante de Deus e dos homens, e o sangue do Senhor Jesus é plenamente capaz de nos purificar.
E uma fé não fingida: confiar no Senhor. Depositar Nele a nossa plena confiança. Talvez não compreendamos os Seus caminhos, mas continuamos crendo Nele.
Irmãos e irmãs, é desses três ingredientes que surge o amor. O amor não é apenas uma emoção. O amor é uma realidade. Tem seus fundamentos. E, com esses três fundamentos, vocês realmente têm aquele amor que vem de Deus.
Portanto, que o Espírito de Deus derrame Seu amor em nossos corações, porque essa é a única coisa que Deus está procurando.
Mas é mais do que amor pelo Senhor. É claro que esse é o primeiro mandamento:
Ama o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua mente, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.
Esse é o primeiro e principal mandamento. Mas o Senhor diz que há outro junto com ele:
“Ama o teu próximo como a ti mesmo.”
E, no que diz respeito a nós, é: “Amem uns aos outros como Ele nos amou”. Portanto, irmãos e irmãs, nessa pequena casa em Betânia, vocês encontram a realidade da igreja: amor.
Como expressamos o nosso amor uns pelos outros? Em 1 João, somos instruídos:
“Não amemos somente de palavra e de língua, mas por obras e em verdade.”
Agora, como amamos uns aos outros?
Creio que a Escritura tem muito a dizer sobre isso. Nosso amor uns pelos outros deve ser real, prático e expresso.
Durante a última ceia, nosso Senhor estava com Seus discípulos. Vocês sabem o que Ele fez: lavou os pés dos Seus discípulos.
Depois que terminou de lavá-los, sentou-se e disse:
“Sabeis que Eu sou o vosso Senhor. Sou o vosso Mestre. Mas lavei os vossos pés. Lavai os pés uns dos outros. Como Eu vos amei, assim também amai-vos uns aos outros.”
Portanto, irmãos e irmãs, como podemos amar uns aos outros de maneira prática? Lavando os pés uns dos outros.
Talvez não façamos isso literalmente. Vocês sabem, antigamente não havia ruas pavimentadas, e as pessoas não usavam calçados como os nossos. Quando vinham da rua para a sua casa ou para uma festa, geralmente seus pés estavam cobertos de sujeira, e elas se sentiam muito desconfortáveis.
A maneira como comiam não era simplesmente sentadas, com os pés debaixo da mesa. Na verdade, ficavam reclinadas, de modo que os pés de todos estavam expostos. Isso seria desconfortável não apenas para você, mas também para os outros.
Assim, o costume era que, quando você chegava a uma casa, geralmente a primeira coisa que faziam era lavar seus pés, para que você se sentisse revigorado e pudesse desfrutar da refeição. Hoje, é claro, talvez não tenhamos a mesma necessidade, embora às vezes seja bom praticar isso. Nós fazíamos isso quando eu estava na China.
Mas, espiritualmente, precisamos lavar os pés uns dos outros. Graças a Deus, todos nós já fomos lavados. Já fomos banhados, porque nosso Senhor Jesus nos lavou e nos deixou limpos. Tudo o que precisamos é lavar os pés, porque ainda estamos vivendo nesta terra.
Em nossa vida diária, em nosso andar diário, estamos em contato com o mundo. E, quando estamos em contato com o mundo, sem perceber, alguma sujeira pode se acumular sobre nós. Não nos sentimos renovados nem revigorados diante do Senhor. Nosso espírito fica um pouco entorpecido.
Irmãos e irmãs, de manhã, quando vocês se levantam, passam um bom tempo com o Senhor. Seu espírito é revigorado, vocês se sentem muito bem, e seus pés estão lavados. Mas, quando vão para o mundo e passam o dia no mundo, ao voltar, talvez sintam que seu espírito está um pouco lento, sobrecarregado, pesado e sem vigor. Vocês se sentem um pouco abatidos.
Mas, graças a Deus, às vezes, quando vocês se sentem assim e vêm à reunião de oração, a um tempo de comunhão ou para estar com os irmãos e irmãs, talvez não se sintam animados. Então algum irmão ou irmã pode dizer algumas palavras, ler a Palavra de Deus ou até cantar. Isso os revigora. Lava vocês, deixa-os limpos e eleva seu espírito.
Irmãos e irmãs, é isso que precisamos fazer — não apenas nas reuniões, mas em nossa vida diária: procurar levantar uns aos outros.
Irmãos e irmãs, estamos vivendo nestes tempos modernos. Costumo dizer que os tempos modernos não favorecem a espiritualidade, porque tudo é feito às pressas. Tudo exerce pressão. Depois de estar em contato com o mundo, vocês realmente se sentem um pouco lentos, sujos e sem vigor.
Irmãos e irmãs, é aí que entramos. Revigoramos uns aos outros. Lavamos os pés uns dos outros. Oramos uns pelos outros e conversamos uns com os outros.
Encorajem uns aos outros com a Palavra de Deus. Quando fazemos isso, nossos irmãos e irmãs são revigorados. Graças a Deus por isso. Irmãos e irmãs, há muitas maneiras práticas pelas quais podemos realmente ajudar uns aos outros.
E, é claro, vocês encontram em Romanos 12:9-10 — aquela passagem que usamos com frequência:
Seja o amor não fingido.
No amor fraternal, sede afetuosos uns para com os outros;
Na honra, preferindo-vos uns aos outros.
Isso está em Romanos 12:10. Em outras palavras, quando vocês pensam em seu irmão e em sua irmã, o que sentem? Sentem um afeto bondoso por seu irmão e por sua irmã?
Ou, quando pensam em seus irmãos e irmãs — na verdade, talvez nem pensem em seus irmãos e irmãs. Pensam apenas em si mesmos ou, no máximo, em sua família, mas se esquecem da família de Deus.
Será que passa algum dia em que vocês não pensam em nenhum irmão ou irmã? E, quando pensam neles, como se sentem? “Ah, aquele irmão — terrível. Aquela irmã…” Vocês têm bons sentimentos por eles? Sentem algo bom por eles? Sentem-se atraídos a eles e desejam o melhor para eles? Têm esses sentimentos?
E, quanto à honra, vocês dão preferência uns aos outros? Acham que seu irmão e sua irmã são melhores do que vocês, ou estão pensando: “Sou muito melhor, embora não seja perfeito”? Ora, onde está o amor? Onde está o amor?
E, é claro, vocês encontram em Gálatas 6:2:
Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.
É verdade, precisamos levar a nossa própria carga. Algumas pessoas querem que os outros a levem o tempo todo. Mas temos de lembrar que, basicamente, cada um de nós precisa levar a própria carga. Isso é verdade.
Mas, às vezes, nossa carga é maior do que conseguimos suportar. Precisamos que nossos irmãos e irmãs a levem conosco. Por isso, a Bíblia diz:
“Levai as cargas uns dos outros.”
E isso é cumprir a lei de Cristo.
Muitos irmãos e irmãs estão sobrecarregados de várias maneiras. Estão procurando alguém que esteja ali com eles. Onde podem encontrar essas pessoas?
Recentemente, um jovem irmão conversou comigo e disse: “Precisamos de alguém com quem conversar. Talvez não consigamos conversar com nossos pais, mas queremos encontrar alguém com quem possamos falar, alguém que nos ouça”.
Há um clamor aí, irmãos e irmãs. Oramos por nossos jovens, mas vocês sabem que os jovens também estão clamando? Querem pessoas que se importem, que tenham preocupação por eles, que os ouçam e que passem tempo com eles — não para criticá-los, não para julgá-los, mas para estar com eles e ajudá-los. Há um clamor aí.
Estamos cumprindo a lei de Cristo? Ah, que o Senhor levante irmãos e irmãs que estejam sempre disponíveis aos jovens — ouvindo, ajudando. É disso que eles precisam.
E não apenas os jovens, mas também os mais velhos.
E depois vocês encontram em Colossenses 3:12-14:
Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de um coração de compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade;
Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;
Assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também.
E, sobre todas estas coisas, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.
Precisamos suportar, ter paciência, perdoar e amar uns aos outros.
E, é claro, em Hebreus encontramos que, enquanto se chama hoje, precisamos encorajar uns aos outros. Irmãos e irmãs, vivemos em um tempo muito difícil. Muitos irmãos e irmãs estão desanimados. Não sabem como prosseguir. Parece que as pressões são pesadas demais para suportar. Precisam de encorajamento.
Não os desanimem, mas os encorajem. O Senhor está presente. Ele está sempre presente. Ele é capaz. Ele é sempre capaz. Ele pode guardar, e continuar guardando, até aquele dia.
Portanto, irmãos e irmãs, vamos amar uns aos outros, realmente cuidar uns dos outros e nos preocupar uns com os outros.
É verdade que até o nosso tempo é insuficiente para as nossas próprias necessidades. Não temos tempo de sobra para os outros irmãos e irmãs. Não temos forças de sobra, porque usamos todas as nossas forças para nós mesmos, apenas para seguir em frente.
Onde encontraremos forças e onde encontraremos tempo para nossos irmãos e irmãs? O segredo é:
Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Essa pequena casa em Betânia é o lugar onde o Senhor gosta de estar. E, irmãos e irmãs, que isso também seja verdade a nosso respeito.
Vocês sabem, desse amor surgem todos os ministérios necessários. Marta era muito diligente em servir. Não há nada de errado em servir, desde que vocês não fiquem perturbados.
Não há nada de errado em servir, desde que vocês sirvam sob o senhorio de Cristo. Precisamos servir. Todos precisam servir. Podemos servir de maneiras diferentes, mas somos salvos para servir — servir ao propósito de Deus, servir à vontade de Deus, servir sob o Seu senhorio e servir sem ficar inquietos.
Precisamos adorar, assim como Maria. Ela adorava porque colocava o Senhor no lugar que Lhe era devido, e ela mesma permanecia em seu devido lugar. Isso é adoração.
Ela reconhecia o valor do Senhor. Entregou tudo o que tinha ao Senhor. Isso é adoração.
Precisamos ser como Lázaro: um testemunho do Senhor, mesmo sem palavras. É curioso — Lázaro foi ressuscitado dentre os mortos, mas, depois de sua ressurreição, a Bíblia não registra nenhuma palavra que tenha saído de sua boca.
Em vez disso, ele simplesmente estava sentado com o Senhor, e as pessoas vinham vê-lo. Por meio dele, criam no Senhor Jesus. Testemunho — isso é o que o testemunho realmente é.
E, irmãos e irmãs, tudo isso procede do amor. Portanto, que o Senhor nos encha com o Seu amor.
Vamos orar.
Querido Senhor, Tu nos amas até o extremo. Tu Te entregas inteiramente por nós. Mas, Senhor, reconhecemos que o nosso amor é tão pequeno, tão fraco, tão débil.
Ó Senhor, agora abrimos o nosso coração e oramos para que enchas o nosso coração com o Teu amor, para que possamos amar-Te de todo o nosso coração e amar uns aos outros como Tu nos amas.
Senhor, oramos para que, pela Tua graça, sejamos um povo não apenas de nome, mas em realidade, como Teu povo — a casa de Deus. Abençoa-nos, pedimos, em Teu precioso nome. Amém.