Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
Todo ramo em Mim que não dá fruto, Ele o tira; e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto.
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.
Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós.
Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos;
Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem Mim, nada podeis fazer.
Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará;
E os recolhem, lançam no fogo, e são queimados.
Se permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.
Nisto é glorificado Meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis Meus discípulos.
Nosso Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos. Tu és misericordioso; Tu és cheio de graça. Tu nos trouxeste até aqui, e nós Te agradecemos porque, sempre que nos reunimos, nos reunimos em Teu nome.
Senhor, nós nos submetemos à Tua autoridade. Fala ao nosso coração. Esperamos que o Espírito Santo, por meio da Tua Palavra, faça uma obra profunda em nosso coração.
Queremos alcançar aquilo para o que Tu nos alcançaste, para que sejas louvado. Em nome do Senhor Jesus, amém.
Em nossos encontros pela manhã, temos compartilhado sobre essa questão da comunhão espiritual. Descobrimos que Deus anseia por ter comunhão conosco, e Seu chamado é para que tenhamos comunhão com Ele. Portanto, no mais profundo do nosso ser, devemos responder ao Seu anseio.
Como escreveu o salmista, há uma coisa que peço e que buscarei:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
Para contemplar a beleza do Senhor
E inquirir no Seu templo.
Essa deveria ser a oração de todos nós, porque Ele deseja ter comunhão conosco. Por isso, Ele providenciou o caminho para que tenhamos comunhão com Ele.
Hoje, por causa do sangue do Senhor Jesus e porque Ele inaugurou para nós esse novo e vivo caminho, podemos atravessar o véu — e esse véu é Cristo. Temos um grande Sacerdote que intercede por nós.
Como o Senhor já providenciou esse caminho para nós, podemos entrar em comunhão com Ele. Porque deseja ter comunhão conosco, Ele esteve disposto a pagar esse preço tão alto.
Com isso, descobrimos a urgência que há em Seu coração por comunhão. Por isso, precisamos habitar no esconderijo do Altíssimo. Ele prometeu que habitaríamos à sombra do Onipotente.
Ainda hoje, enquanto vivemos nesta terra, nosso coração e nosso espírito já podem habitar no esconderijo do Altíssimo, onde estamos face a face com Deus. Ao nos aproximarmos Dele, recebemos força e sabedoria para viver nossos dias na terra.
Então, cada dia terá valor para Ele. Não estaremos simplesmente ocupando espaço e desperdiçando nosso tempo aqui. Em todas as circunstâncias, podemos aprender algo do Senhor, e o Espírito Santo pode realizar Sua obra transformadora em nossa vida.
O Espírito Santo está formando Cristo em nós. Ele usa as circunstâncias que preparou para esse propósito, para que sejamos transformados e conformados à imagem do Senhor Jesus Cristo.
Se fizermos isso, nossos dias na terra não serão desperdiçados. Ele nos livrará das aflições que enfrentamos nesta vida. Ele nos colocará num lugar elevado e enviará Seus anjos para nos servir.
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo recebe grandes bênçãos.
Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar a partir de João 15 e descobrir o que o Senhor está nos dizendo por meio desse capítulo.
Na noite anterior à Sua traição, o Senhor Jesus e Seus discípulos se reuniram no cenáculo, em Jerusalém. Celebraram juntos a festa da Páscoa.
A rigor, o Cordeiro da Páscoa é nosso Senhor Jesus Cristo. Ao final daquela celebração, Ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e o deu aos discípulos.
Ele disse:
Este é o Meu corpo. Eu o entrego por vós.
Fazei isto em memória de Mim.
Então, tomou o cálice, abençoou-o e o deu aos Seus discípulos para que bebessem.
Ele disse:
Esta é a nova aliança no Meu sangue, para que os vossos pecados sejam perdoados.
Fazei isto em memória de Mim.
Em outras palavras, na festa da Páscoa, o Senhor deu a Si mesmo aos Seus discípulos. Ao beberem do cálice, entraram em comunhão com Seu sangue. Ao comerem o pão, participaram do corpo do Senhor. O Senhor comunicou a Si mesmo aos Seus discípulos.
Depois de partirem o pão e beberem do cálice, cantaram um hino, levantaram-se, desceram, saíram da cidade de Jerusalém e seguiram em direção ao jardim do Getsêmani.
É possível que, a caminho do Getsêmani, tenham visto videiras à beira da estrada. O Senhor usou as videiras para ensinar Seus discípulos, dizendo:
Eu sou a videira verdadeira.
Há muitas videiras nesta terra, mas todas elas são apenas sombras. A realidade da videira verdadeira é o Senhor Jesus.
Todas as coisas materiais que vemos são temporais. Não passam de sombras, porque nada material pode durar para sempre. Somente aquilo que dura para sempre é realidade, não sombra.
Assim, o Senhor usou a videira para falar de Si mesmo:
Eu sou a videira verdadeira.
Na eternidade passada, nosso Senhor Jesus Cristo era o Filho unigênito de Deus. Ele era igual a Deus e não Se apegou à Sua igualdade com Deus. Não há um maior ou menor entre o Filho e o Pai; no Espírito, o Pai e o Filho estão em perfeita unidade.
Mas um dia, segundo a vontade e o propósito de Deus, o Filho de Deus foi enviado a este mundo. O Verbo Se fez carne.
Quando nosso Senhor veio a esta terra para ser homem, Ele Se tornou a videira verdadeira. O lavrador dessa videira é o Pai.
No Evangelho de Lucas, vemos essa semente sendo plantada na terra e depois brotando. Nosso Senhor Jesus, quando criança, crescia e era cheio de sabedoria. Ele crescia em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens.
Enquanto Ele crescia nesta terra, Deus era o lavrador. Deus não apenas O plantou nesta terra; Deus também O cultivou. Aos trinta anos, Ele iniciou Seu ministério.
Durante aqueles três anos e meio de ministério, vemos a videira plenamente desenvolvida. A Bíblia diz que Ele era cheio de graça e de verdade.
Precisamos louvar a Deus, porque nunca vimos nesta terra um Homem tão perfeito. Ele expressava toda a glória de Deus. Ele podia dizer:
Quem Me vê, vê o Pai.
Ninguém jamais viu a Deus; somente Aquele que está no seio do Pai O manifestou. Essa videira era realmente plena, e todos os seus frutos eram belos.
Mas um dia todas essas uvas foram esmagadas. Assim como as uvas são colocadas no lagar e esmagadas para que o suco escorra, também o Homem perfeito foi à cruz.
Ele não foi ali por Si mesmo. Foi por nós, pecadores. Ele foi esmagado na cruz, e Seu sangue escorreu como vinho.
Para aqueles que dele bebem, há perdão e alegria. Esse é nosso Senhor Jesus Cristo. Porque Ele derramou Seu sangue e sacrificou Sua vida, podemos ter Sua alegria, e nossa vida pode ser satisfeita.
O Senhor disse:
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
Em João 15, o Senhor não quer apenas que prestemos atenção Nele. Quando diz: “Eu sou a videira verdadeira”, Ele quer falar sobre o relacionamento que deseja ter com Seus discípulos.
Ele diz:
Eu sou a videira verdadeira; vós sois os ramos.
Originalmente, nosso Senhor Jesus era a videira verdadeira, cultivada pelo Pai. Mas, depois que o Senhor passou pela morte e ressuscitou, essa videira já não se refere somente ao próprio Senhor. Ela fala Dele juntamente com Seus discípulos.
Originalmente, essa videira era Ele mesmo. Agora, ela se tornou um homem corporativo. Por meio da redenção, Ele nos trouxe para Si.
O Senhor quer que vejamos o relacionamento entre Ele e Seus discípulos. Quando falou essas palavras, estava prestes a Se separar deles, e havia tristeza no coração deles.
Durante três anos e meio, eles haviam estado sempre juntos. Sempre que tinham perguntas, podiam ir ao Senhor. O Senhor estava sempre com eles. Aonde quer que o Senhor fosse, eles iam com Ele.
Essa vida juntos era muito agradável e satisfatória. Mas agora o Senhor estava prestes a partir, e o coração deles estava triste.
O Senhor os consolou: “Embora Eu esteja deixando vocês, vocês não ficarão órfãos. A razão de Eu partir é que quero ter maior intimidade com vocês de uma nova maneira”.
Quando estava na carne, Ele só podia estar ao lado deles. Às vezes, estava com eles; outras vezes, não, como quando enviou Seus discípulos. Na carne, às vezes estamos juntos e às vezes precisamos nos separar.
Mas o Senhor disse que, daquele momento em diante, Seu relacionamento com eles seria mais íntimo. Seria o relacionamento desse mistério: não apenas estarem juntos, mas serem um em vida.
Os ramos vêm da videira. Você não pode simplesmente amarrar um ramo numa videira. Os ramos brotam da videira.
O relacionamento entre os ramos e a videira é um relacionamento de vida. Não é exterior; é algo interior. Não é apenas um relacionamento externo, mas um relacionamento vivo.
Porque o Senhor realizou uma redenção completa por nós, assim que cremos Nele, nascemos de novo. O que é nascido do Espírito é espírito.
João 1:12 nos diz que aqueles que creem Nele e O recebem recebem o direito de se tornarem filhos de Deus. Eles não nascem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Louvado seja Deus: nosso relacionamento com o Senhor é interior. Não é apenas exterior, como se simplesmente estivéssemos com Ele; é que crescemos Nele.
Há um relacionamento em vida. Aqui temos uma união, e essa união nunca pode ser desfeita.
Somos identificados com Ele e unidos a Ele em Sua morte. Ele morreu para o pecado, e nós morremos para o pecado. Quando Ele ressuscitou dentre os mortos, ressuscitamos com Ele. Assim como Ele vive para Deus, nós também vivemos para Deus.
Há uma união em vida com Ele, e essa união nunca pode ser desfeita. Hoje podemos ser justificados porque somos um com Ele. Hoje podemos ser santificados porque estamos unidos a Ele.
Essa união com Ele é um fato objetivo. Mais do que união, há unidade.
O Senhor não diz: “Eu sou a raiz da videira”, nem apenas: “Eu sou o tronco da videira”. Ele diz:
Eu sou a videira, e vós sois os ramos.
Se Ele fosse apenas a raiz ou o tronco, os ramos poderiam ser cortados enquanto a videira continuasse vivendo. Mas o Senhor diz: “Eu sou a videira”. A videira inteira é uma só. Você faz parte da videira; você faz parte Dele.
Se você é cortado, então algo é cortado Dele, porque você e Ele são um.
Quando Saulo estava a caminho de Damasco, o Senhor apareceu a ele e disse:
Por que Me persegues?
Saulo poderia ter dito: “Senhor, Quem és Tu? Nunca Te encontrei. Tu estás no céu, e eu estou na terra. Como posso Te perseguir?”
Mas, quando Saulo perguntou: “Senhor, Quem és Tu?”, o Senhor disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Quando você toca em um dos membros Dele, está tocando Nele, porque Seus membros e Ele são um.
Não enxergamos a grandeza da nossa redenção. O Senhor diz: “Eu sou a videira verdadeira”. Ele não diz: “No futuro, serei a videira verdadeira”. Ele diz: “Eu sou a videira verdadeira”. Essa é uma realidade eterna que não pode ser alterada.
Ele também diz: “Vocês são os ramos”. Não no futuro, na esperança de que você venha a se tornar um ramo. Você é o ramo. Você é o que é.
De fato, o Senhor realizou algo maravilhoso. Nós não fizemos nada. Tudo é obra Dele. Ele realizou essa grande salvação, e aqueles que creem tornam-se parte Dele e tornam-se um com Ele para sempre.
Essa é uma verdade objetiva. É o que o Senhor Jesus fez por nós. Não demos nenhuma contribuição e nada podemos fazer. Em Cristo, Deus fez tudo. Nós apenas nos achegamos pela fé e nos apropriamos disso.
Essa verdade é eterna e nunca pode ser alterada. Você percebe que é um ramo na videira verdadeira? Você sabe que sua união com Ele é uma união viva?
Essa união nos torna um. Você não pode mudá-la. O inimigo não pode mudá-la. Nada neste mundo pode mudá-la. É uma realidade eterna.
Precisamos nos firmar nessa verdade. Pela fé, tomamos nossa posição nessa realidade. Se fizermos isso, haverá transformação em nossa vida.
No final do século XIX, um inglês chamado Hudson Taylor foi à China para pregar o evangelho. Ele sentia que o Senhor o havia chamado à China para esse propósito.
Naqueles dias, os missionários de outros países geralmente chegavam ao litoral da China e moravam em concessões estrangeiras, onde os estrangeiros tinham privilégios especiais.
Quando Hudson Taylor chegou pela primeira vez, foi a Xangai e ficou na concessão. Mas percebeu: “Se eu não viver com os chineses, nunca poderei compartilhar o evangelho com eles”.
Então, deixou a concessão estrangeira e foi morar nos bairros chineses. Usava o cabelo numa trança à maneira chinesa e vestia uma túnica longa chinesa, porque queria estar com o povo chinês e compartilhar o evangelho com ele.
Depois de trabalhar por vários anos na China, ele tinha cooperadores trabalhando ao seu lado. A Missão para o Interior da China foi estabelecida, e seu propósito era levar o evangelho ao interior do país.
Naqueles dias, os que compartilhavam o evangelho pagavam um preço muito alto. Precisamos louvar e agradecer a Deus por eles.
Hudson Taylor amava o Senhor. No entanto, depois de pregar na China por vários anos, havia algo dentro dele que não estava satisfeito.
Ele sentia que sua vida não era perfeita diante de Deus. Sentia que não conseguia manifestar e expressar Cristo plenamente. Queria que o Senhor o ganhasse de maneira mais completa.
Queria ser cheio do próprio Senhor e vencer o pecado e a tentação em sua vida, para que o Senhor pudesse expressar-Se plenamente por meio dele diante do povo chinês.
Apesar de seus jejuns e orações, parecia não haver nenhum resultado positivo. Ele reconhecia sua própria fraqueza e perguntava: “Como posso apresentar Cristo ao povo chinês?”
Ele pensava: “Se eu puder realmente ser um com o Senhor, se puder estar unido a Ele e me apropriar de Sua força, então poderei viver uma vida vitoriosa. Então poderei glorificar meu Senhor”.
Assim, ele orava: “Quero estar unido a Ti, para receber a plenitude que há em Ti”. Ele queria se apropriar, pela fé, da plenitude que havia em Cristo e, por isso, orava pedindo fé.
Mas, quanto mais orava, menos fé parecia ter. Então, um dia, chegou a João 15.
O Senhor disse:
Eu sou a videira verdadeira; vós sois os ramos.
O Senhor abriu seus olhos, e ele descobriu algo.
Ele disse: “Eu estava orando para poder entrar na videira. Estava orando para poder me apropriar da força da videira. Estava orando por fé para poder estar unido a Ele”.
“Mas a Palavra de Deus me diz que sou um ramo. Já estou Nele, e Ele já está em mim. Eu orava para entrar Nele, mas já estou Nele”.
Ele percebeu que o Senhor não é apenas a raiz e o tronco da videira; Ele também é os ramos. Ele é o sol, a chuva e o solo. Ele é tudo. Nós estamos Nele; simplesmente descansamos.
Quando recebeu essa revelação, ele foi transformado. Já não lutava para descobrir como entrar em Cristo ou como fazer Cristo entrar nele. Pela fé, encontrou descanso.
Cada um de nós precisa enxergar isso por si mesmo. Como não vemos plenamente o que Deus fez por nós em Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, ficamos lutando do lado de fora.
Pensamos: “O Senhor está lá, e eu estou aqui. Quero me aproximar Dele. Quero me apropriar de Sua força. Quero estar unido a Ele”.
Irmãos e irmãs, vocês não percebem que isso já foi realizado? Vocês não podem fazer essa obra. Somente Deus pode fazê-la. Essa obra já está feita.
Tudo o que você pode fazer é, pela fé, permanecer firme em Cristo. Isso é suficiente.
O Senhor diz:
Eu sou a videira verdadeira; vós sois os ramos.
Toda a plenitude que pertence à videira pertence aos ramos.
Deus nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Todas são nossas. Simplesmente nos achegamos pela fé e as recebemos. Pensem na graça de Deus.
Mas a ênfase principal não é apenas essa. João 15 agora fala sobre nosso relacionamento com o Senhor.
A ênfase principal de João 15 é a frutificação. O Senhor diz que, se um ramo não dá fruto, Ele o tira; mas o ramo que dá fruto, Ele o poda para que dê mais fruto.
A ênfase principal de João 15 é dar fruto. Quando falamos de dar fruto, precisamos passar da verdade objetiva à experiência subjetiva.
A verdade objetiva é aquilo que Deus fez por nós em Cristo Jesus. Ela é eterna e absolutamente imutável. Nada pode mudá-la.
A experiência subjetiva acontece quando o Espírito Santo toma aquilo que o Senhor Jesus realizou por nós e o trabalha dentro de nós. Então, acontece a transformação.
A ênfase aqui não está na salvação. Algumas pessoas interpretam as Escrituras fora de contexto. Não observam o que vem antes nem o que vem depois.
Quando chegam a João 15:2 e leem que os ramos podem ser tirados, dizem que uma pessoa salva pode deixar de ser salva. Não, isso não trata da salvação.
A questão da salvação já está resolvida, porque o Senhor diz:
Eu sou a videira verdadeira, e vós sois os ramos.
Essa questão já foi resolvida.
O problema que enfrentamos agora é a questão da frutificação. Agradecemos a Deus porque nossa união com Cristo nos torna um com Ele.
Essa verdade objetiva está estabelecida para sempre. O que significa, então, um ramo ser tirado? Sabemos que isso diz respeito à frutificação.
Há o corte, e há também a poda, em relação à frutificação. Deixem-me dizer assim: a união é eternamente imutável.
Nem mesmo a incredulidade pode mudar esse fato. Estamos unidos a Ele em Sua morte e estamos unidos a Ele em Sua ressurreição. Alguns podem não crer nisso, mas sua incredulidade não pode mudar o fato.
No entanto, por causa da incredulidade, não podem receber o benefício dessa realidade de união. Não podem alterar o fato, mas precisam crer para que essa vida de união seja manifestada.
Por que temos essa união em vida? A união existe para a comunhão. Se não há comunhão, para que existe esse relacionamento de união?
O resultado da união é a comunhão. Sem união, não pode haver comunhão. A comunhão é a evidência de que estamos realmente unidos, e a união é o fundamento da comunhão.
Essa união nunca pode ser alterada; é uma verdade objetiva. Mas a comunhão pode mudar. Às vezes desfrutamos da comunhão com Ele, e às vezes nossa comunhão com Ele é interrompida.
Quando nossa comunhão é interrompida, o resultado é uma vida infrutífera.
Todos os ramos de uma videira natural deveriam dar fruto. Há apenas um propósito para ser um ramo: dar fruto.
Você não pode usar um ramo de videira para construir uma casa. Há apenas um propósito para o ramo na videira: fruto. Se ele está unido à videira e há comunhão, a frutificação será o resultado natural.
Portanto, todo ramo deve ser frutífero. Se você pertence ao Senhor, deve ser um ramo que dá fruto.
Como você pode dar fruto? Você dá fruto porque está unido a Ele em comunhão.
Mas hoje, mesmo estando unido a Ele, se você não desfruta dessa comunhão, como pode dar fruto? O ramo não pode dar fruto por si mesmo.
O ramo é apenas um recipiente. Ele recebe todas as riquezas da videira. Toda a plenitude e todas as riquezas da videira fluem para o ramo.
Por causa das riquezas da videira, os ramos podem dar fruto. Não é que o ramo possa dar fruto por si mesmo.
O fruto é o resultado de uma vida de comunhão. Essa é a nossa vida cristã.
O que o Senhor quer dizer com fruto? O fruto se refere ao fruto do Espírito. Abram em Gálatas 5:22.
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Há muitos aspectos nesse fruto, mas, na verdade, o fruto é um só, porque o fruto do Espírito é Cristo.
A obra do Espírito Santo é reproduzir Cristo em nós, para que Cristo seja incorporado em nós e manifestado por meio de nós. Esse fruto é o fruto da vida.
Isso não é algo que você possa fabricar. Não é algo que possa produzir por si mesmo. Esse fruto é produzido sem que você perceba.
Porque há comunhão entre o ramo e a videira, as riquezas fluem para o ramo. Então, aparecem cachos de uvas, embora o próprio ramo não tenha consciência disso.
Por causa dos muitos cachos de fruto, o ramo se inclina para baixo. A rigor, todos os ramos deveriam dar fruto.
No entanto, é possível que um ramo não dê fruto, embora esteja unido à videira. Pode haver falta de comunhão.
É como se houvesse uma obstrução entre o ramo e a videira, de modo que as riquezas da videira não conseguem fluir para o ramo.
O pecado pode impedir a comunhão. O que impede a comunhão? O pecado. Adão perdeu a comunhão com Deus no jardim por causa do pecado.
Aqueles que pertencem ao Senhor podem permitir que o pecado permaneça em sua vida e não estar dispostos a lidar com ele. Então, perdem a comunhão. A justiça e a injustiça não têm comunhão.
Quando não há comunhão, Sua vida não pode fluir por meio de nós. Então, não somos frutíferos e não podemos manifestar a beleza de Cristo ao mundo.
Se permitirmos que as riquezas deste mundo e suas tentações bloqueiem nossa frutificação e impeçam nossa comunhão com o Senhor, não poderemos viver uma vida frutífera.
Todo pecado precisa ser confessado e perdoado. Não devemos permitir que o pecado permaneça de um dia para o outro, porque não sabemos se, durante aquela noite, o Senhor poderá vir.
Precisamos pedir que Ele nos ilumine e nos livre do engano deste mundo. Se amamos o mundo, o amor do Pai não está em nós. Essas coisas nos impedem de viver uma vida que dá fruto.
Se permitirmos que o pecado governe nossa vida e que o mundo nos escravize, nos tornaremos ramos infrutíferos.
Então, o Pai dirá: “Há um nome, mas não há realidade. Preciso cortá-lo”.
Mas os ramos que dão fruto, Deus os podará para que haja muito mais fruto.
Se os ramos permanecem em comunhão com a videira e recebem dela todos os nutrientes, a frutificação acontece naturalmente. Mas, às vezes, os ramos desenvolvem brotos e folhas demais.
Então, todos os nutrientes da videira são consumidos pelos ramos e pelas folhas em excesso, e há muito pouco fruto. Podemos estar nessa condição.
Quando o Senhor foi a Jerusalém, viu uma figueira cheia de folhas, mas sem fruto. O que isso representa?
Representa aqueles que podem ter comunhão com o Senhor, mas usam Sua graça de maneira errada, para desenvolver e manifestar a vida do eu, a carne e o ego.
A graça de Deus é desperdiçada quando desenvolvemos a nós mesmos, em vez de usar Sua graça para a manifestação de Cristo. Podemos ter muitas folhas e parecer exuberantes e impressionantes, mas não conseguimos satisfazer as pessoas.
Muitos crentes podem ser assim: de ótima aparência, mas sem fruto. Não conseguem ministrar a ninguém nem satisfazer os outros.
Porque nos ama, o Pai nos poda. Ele corta a vida do eu. Quer nos reduzir até que sejamos apenas um ramo sem nada mais.
Às vezes, pensamos que Ele não nos ama ou não cuida de nós. Mas, porque nos ama, Ele nos poda, pois quer que demos muito fruto para Ele.
Precisamos nos submeter à disciplina de Deus e permitir que Ele nos pode.
É claro que, quando Ele nos poda, sentimos desconforto. Pode parecer que Ele remove nossa beleza e até tira nossos dons. Podemos lamentar essas coisas, mas não conhecemos a vontade de Deus para nós.
O Espírito Santo usa a Palavra de Deus para nos podar. A Palavra de Deus é mais cortante do que qualquer espada de dois gumes e penetra até dividir alma e espírito. Nossa condição interior é exposta.
Ele também usa a cruz para crucificar a vida do eu. Isso tem o propósito de nos levar a dar muito fruto.
Como podemos dar fruto? Qual é o segredo da frutificação? O Senhor diz:
Eu sou a videira; vós sois os ramos.
Essa é a verdade objetiva.
A ordem é importante: “Eu sou a videira” e, depois, “Vocês são os ramos”. Ele vem antes de nós. Se Ele não é a videira, não há possibilidade de sermos ramos.
Mas então Ele diz:
Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto.
Aqui, a ordem é invertida. Passamos da verdade objetiva à experiência subjetiva.
Para entrar na experiência subjetiva, precisamos assumir nossa responsabilidade. Quanto à verdade objetiva, tudo o que precisamos fazer é crer e receber.
Mas, na experiência subjetiva, precisamos tomar uma atitude. O que significa permanecer Nele? Significa habitar Nele e fazer Dele nosso lar.
Não O trate como um hotel. Quando você se hospeda num hotel, fica alguns dias e depois vai embora. Você não considera o hotel seu lar.
Muitos crentes tratam o Senhor como se Ele fosse um hotel. Quando precisam Dele, vão até Ele; quando não precisam, vão embora.
Mas precisamos enxergar que Ele é nosso lar. Fazemos Nele nossa morada.
Não devemos ser como o filho pródigo, que se afastou de casa. Precisamos voltar ao nosso lar. Precisamos habitar e permanecer nele.
Precisamos estar face a face com o Senhor. Precisamos falar com Ele todos os dias. Precisamos estar continuamente em comunhão com Ele.
Essa permanência significa contemplar Seu rosto continuamente. Permanecemos em comunhão com Ele, nos submetemos a Ele, recebemos Sua disciplina e permitimos que Ele faça Sua obra transformadora.
Permitimos que a cruz opere e removemos tudo o que nos impede. Nossa oração deve ser que não haja nenhuma barreira entre nós e o Senhor.
Então, permanecemos Nele sempre. Essa é a nossa responsabilidade. Estamos cumprindo nossa responsabilidade?
Muitas vezes somos muito passivos. Esperamos até que Ele tenha de nos carregar de volta para Si. Às vezes, Ele permite que cheguemos a um lugar distante para que comecemos a pensar em casa.
Mas não devemos ser passivos. Não podemos apenas esperar até que, de alguma maneira, sejamos forçados a voltar para Ele. Para permanecer Nele, precisamos tomar essa atitude.
Senhor, Tu tens sido a nossa morada de geração em geração.
“Tu és meu lar. Longe de Ti, não tenho descanso”.
Além de Ti, Quem tenho eu no céu? Além de Ti, nada tenho nesta terra. Quero estar em Ti. Não quero permitir que nada se coloque entre Ti e mim. Quero ver Teu rosto.
Temos essa paixão e esse anseio dentro de nós? Permaneça Nele, e Ele permanecerá em você. Então, você dará muito fruto — não apenas mais fruto, mas muito fruto.
Como podemos permanecer Nele? Às vezes, pergunto aos novos crentes: “Como podemos permanecer continuamente Nele?”
Alguns dizem: “Eu leio a Bíblia. Quando leio a Bíblia, sei que estou permanecendo”. Outros dizem: “Eu oro. Quando oro, estou permanecendo”. É verdade que precisamos orar e ler a Palavra de Deus; essas coisas nos ajudam a permanecer.
Mas há um verdadeiro segredo. 1 João 2:27 diz:
E, quanto a vós, a unção que Dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine;
Mas, como a Sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, assim como vos ensinou, permanecei Nele.
Como podemos permanecer continuamente Nele? Deus já providenciou o caminho. Vejam como Seu amor por nós é completo.
No momento em que cremos Nele, Ele coloca o Espírito Santo em nosso coração. O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus, e podemos chamar Deus de “Aba, Pai”.
O Espírito Santo permanece em nós. Quando o Consolador vem, Ele não nos deixa. Graças a Deus.
Quando o Espírito Santo entra em nosso espírito, faz dele Sua morada. Ele entra, e você não pode expulsá-Lo. Ele permanece ali para sempre.
Quantas vezes entristecemos o Espírito. Quantas vezes abafamos Seus impulsos. Quantas vezes nos rebelamos contra Ele. Ainda assim, Ele fica para sempre; nunca nos deixará.
Se Ele nos deixasse, estaríamos perdidos. Mas Ele habita em nós.
O que Ele faz dentro de nós? Ele tem uma missão: nos ensinar.
Ele nos ensina em todas as coisas — nas grandes e nas pequenas. Seu ensino é verdadeiro; não há mentira nele.
Mas, às vezes, não ouvimos bem. A unção já está operando dentro de nós.
As Escrituras usam a imagem do óleo da unção. Um unguento é aplicado para aliviar as feridas. Da mesma forma, o Espírito Santo fala conosco com Sua voz suave, trazendo alívio ao nosso interior.
O Espírito Santo também é como a luz, iluminando nosso interior. Quando fazemos alguma coisa, Ele nos ilumina e nos permite enxergar as trevas.
Às vezes, enquanto estamos falando, a unção interior nos diz para parar. O Espírito Santo nos ensina em todas as coisas.
Se permanecermos sob o ensino da unção e nos submetermos a ele, o resultado será permanecermos Nele. Ele nos ensina porque quer nos manter em Cristo.
O Espírito Santo não chama atenção para Si mesmo. Seu propósito em nós é glorificar o Senhor e nos conduzir a toda a realidade espiritual.
Irmãos e irmãs, se queremos permanecer e habitar em Cristo, precisamos obedecer à unção em tudo. Então, permanecemos Nele.
Dar fruto não é para nós mesmos. Dar fruto é para o dono da videira — o Pai.
O que pode glorificar a Deus? Não é apenas o que você pode fazer por Ele. Não são todas as atividades que você procura realizar. Não é o quanto você consegue alcançar aqui.
O que glorifica a Deus é a medida em que Cristo é manifestado por meio de você. Essa é a realidade.
Você não pode glorificar a Deus por si mesmo. Eu não posso glorificá-Lo. Por mais que eu faça ou por mais importante que eu me sinta, não posso glorificá-Lo.
O que glorifica o Pai é o Espírito Santo produzir fruto em nós e manifestar o próprio Cristo.
Quando o Pai vê o Filho, Ele Se alegra. Ele diz:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Dessa maneira, Deus é glorificado.
Se dermos muito fruto, demonstramos ser Seus discípulos. Um discípulo é avaliado pelo quanto se parece com seu mestre.
Não é o quanto você faz por Ele. É, antes, o quanto Cristo é expresso por meio de você.
Portanto, precisamos permanecer Nele, e Ele permanecerá em nós. Pertencemos a Ele. Graças a Deus.
Senhor, nós Te agradecemos. Nós Te louvamos. Tu não apenas nos dás vida; pelo Teu Espírito Santo, desejas operar em nós.
Senhor, nosso clamor a Ti é este: que Tu cresças e nós diminuamos, para que o Pai seja glorificado. Em nome do Senhor Jesus, amém.