Por favor, abram em 1 Tessalonicenses 5:23-24.
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama, o Qual também o fará.
Vamos orar mais uma vez.
Amado Senhor, nós Te agradecemos por nos reunires nesta tarde em Teu precioso nome. Senhor, temos a confiança de que Tu estás aqui. Reconhecemos que estamos em solo santo.
Senhor, ensina-nos a tirar os sapatos e a estar diante de Ti como Teus servos. Senhor, o que tens a nos dizer? Fala, e obedeceremos.
Entregamos este tempo em Tuas mãos. Confiamos que Teu Espírito Santo vivificará Tua Palavra em nosso coração. Livra-nos de um mero exercício mental.
Senhor, pedimos que todo o nosso ser esteja aberto diante de Ti e permita que Tu realizes Tua obra de nos santificar segundo Tua vontade. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nestas tardes, durante três encontros, se Deus quiser, vamos nos concentrar nesta bênção do apóstolo Paulo à igreja em Tessalônica:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Aquele que vos chama, o Qual também o fará.
Graças a Deus, Ele é o Deus santo. Ele é inteiramente diferente. Ele é único. Ele está só, separado de tudo.
E esse mesmo Deus nos santificará, para que também sejamos separados de tudo o que não é de Deus. Quanto há em nós que não é de Deus! Que obra tremenda Ele precisa realizar em nós. Mas Ele disse que nos santificará pessoalmente. Ele cuidará para que isso seja feito.
Nosso espírito, nossa alma e nosso corpo — isto é, todo o nosso ser — serão conservados irrepreensíveis. Agora, irmãos e irmãs, pensem nisso: irrepreensíveis. Nada de que nos envergonhar. Não apenas não teremos vergonha diante Dele, mas nem mesmo Ele terá vergonha de nós: irrepreensíveis na vinda do Senhor Jesus.
Graças a Deus, Aquele que nos chama é fiel, e Ele o fará. Sabemos que é da vontade de Deus, e também do Seu prazer, santificar-nos.
Santificar-nos significa que devemos ser separados — não apenas separados de tudo o que não é de Deus, mas inteiramente dedicados a Ele. Isso é santificação. Isso é santidade.
Nestas tardes, teremos comunhão a respeito de como esse Deus de paz realizará essa obra maravilhosa. Ontem à tarde, dissemos que, quando Deus criou o homem, Ele nos criou como seres tripartidos, com espírito, alma e corpo.
Ele usou a terra vermelha para formar nosso corpo. Com esse corpo, temos consciência do mundo ao nosso redor. Então, Ele soprou o fôlego de vida em nossas narinas, e esse fôlego de vida, que veio diretamente do próprio Deus — que é vida —, tornou-se nosso espírito.
Deus é Espírito; por isso, Ele deu ao homem um espírito, para que pudéssemos nos comunicar com Deus.
Lembro-me de quando os astronautas russos foram ao espaço pela primeira vez, muitos anos atrás. Um deles voltou e disse que havia olhado ao redor e constatado que Deus não existia. Que absurdo! Por quê? Porque Deus não pode ser visto com o corpo. Deus não pode nem mesmo ser imaginado com nossa mente. Deus é Espírito, e, a menos que seu espírito esteja vivo, você não pode vê-Lo, tocá-Lo nem conhecê-Lo.
Quando o fôlego de vida que veio diretamente de Deus entrou nas narinas daquela forma de terra, um terceiro elemento passou a existir: nossa alma. A Bíblia diz que o homem se tornou alma vivente. Em outras palavras, o homem passou a ter consciência de si mesmo.
Nossa alma nos permite ter consciência de nós mesmos. Ela nos dá tanto nossa individualidade quanto nossa personalidade. Nossa alma é a parte central do nosso ser.
É por isso que, às vezes, a Bíblia usa a palavra alma em lugar de pessoa. A Bíblia diz que setenta almas entraram no Egito, querendo dizer que setenta pessoas entraram no Egito. Nossa alma é a parte central do nosso ser; em outras palavras, nossa alma somos nós mesmos.
Na ordem divina da criação, nosso espírito ocupa o lugar mais elevado do nosso ser. Ele deve ser o senhor. Ele tem comunhão com Deus, recebe a mente de Deus e a vontade de Deus e, então, transmite à nossa alma aquilo que aprende de Deus.
Nossa alma é como um mordomo. Ela recebe as ordens do senhor e depois as transmite ao nosso corpo, que é como um servo, para que ele execute a vontade de Deus. Essa é a ordem divina de Deus.
Mas, como mencionamos ontem, quando o homem pecou, o Senhor disse:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
No entanto, Adão continuou vivendo por centenas de anos, mais do que qualquer pessoa aqui, e teve filhos e filhas.
Quanto ao seu corpo, ele só morreu centenas de anos depois. Quanto à sua alma, ele ainda tinha emoções e vida familiar. Sua alma ainda estava viva, embora estivesse perdida e um dia viesse a morrer.
Mas a Bíblia disse:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
No dia em que o homem pecou contra Deus, seu espírito morreu.
Morte significa a cessação da comunicação com o ambiente próprio de alguém. Quando nosso corpo está morto, já não temos consciência do nosso ambiente próprio — o mundo ao nosso redor. Quando nossa alma está morta, estamos perdidos em nossa alma caída, separados da vida de Deus. Mas, quando o espírito está morto, toda comunicação com Deus cessa.
Isso foi tipificado quando Adão foi expulso do jardim do Éden.
Irmãos e irmãs, agradecemos a Deus porque a primeira coisa que Ele faz para nos restaurar diante Dele, reconciliar-nos e nos trazer à paz com Ele é vivificar esse espírito morto.
Você precisa nascer de novo. Precisa nascer do alto. Precisa nascer do Espírito — isto é, do Espírito de Deus. O Espírito de Deus toca nosso espírito morto e o vivifica para uma nova vida: um novo espírito.
Quanto àqueles que creem no Senhor Jesus, o que significa ser salvo? Significa que, quando você crê no Senhor Jesus como seu Salvador pessoal, seu espírito morto é tocado pelo Espírito de Deus e recebe uma nova vida. Imediatamente, seu espírito está vivo para Deus.
O Espírito Santo e o espírito de vocês testificam que vocês são filhos de Deus. Antes de tudo, Deus restaura nosso espírito, tornando-o vivo para Deus.
Mas esse novo espírito precisa ser fortalecido por meio da comunhão e de um relacionamento íntimo com Deus. Ao nos aproximarmos de Deus em nossa vida diária, exercitamos nosso espírito e sua faculdade de comunhão. Precisamos estar em contato com Deus o tempo todo. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais forte nosso espírito se torna.
Também precisamos exercitar a capacidade intuitiva do nosso espírito. Precisamos aprender a ouvir a voz do Espírito Santo, a unção que está em nós, porque Ele nos ensinará em todas as coisas, pequenas e grandes. Se ouvirmos a unção dentro de nós, permaneceremos em Cristo.
Também precisamos exercitar nossa consciência, porque ela foi trazida de volta à vida. Antes de crermos no Senhor Jesus, a consciência ainda tinha alguma função; caso contrário, ninguém poderia ser salvo. Deus precisa tocar nossa consciência para nos trazer de volta a Si mesmo.
Mas o padrão da nossa consciência havia se perdido. Deus deveria ser o padrão da nossa consciência, mas a sociedade, o mundo e a opinião pública a governavam. Assim, nossa consciência já não era confiável.
As pessoas podem dizer: “Tenho a consciência tranquila”, e ainda assim fazer muitas coisas contra Deus, contra as pessoas e contra si mesmas, porque a consciência foi endurecida pelo pecado.
Graças a Deus, quando nascemos de novo, essa consciência é purificada pelo sangue do Senhor Jesus. A Bíblia diz que Seu sangue nos purifica de uma má consciência. Agora, o próprio Deus se torna o padrão da nossa consciência, e precisamos ter o cuidado de ouvi-la.
Se nossa consciência estiver perdida, somos como um navio sem bússola. Graças a Deus, Ele purificará nosso espírito de todas as contaminações do mundo e do pecado. Precisamos ser cheios do Espírito Santo, para que diariamente estejamos sob Seu controle e governo. Isso é ter nosso espírito inteiramente santificado.
Foi isso que consideramos ontem. Nesta tarde, passaremos à segunda parte: nossa alma sendo inteiramente santificada.
Quanto à salvação de Deus e à obra consumada de Cristo, quando Ele nos providenciou Sua salvação, isso foi feito de uma vez por todas.
Nosso Deus não é limitado pelo tempo e pelo espaço. Ele é eterno. Tudo o que Ele faz é eterno. Portanto, a obra do nosso Senhor Jesus na cruz é eterna. Não é limitada pelo tempo nem pelo espaço.
Aqueles que viveram antes do tempo em que nosso Senhor esteve na terra e aqueles que vivem depois, todos olham para a cruz em busca de salvação, porque a cruz é eterna. Quanto à salvação de Deus, ela foi realizada de uma vez por todas. Está consumada.
Mas, quanto à nossa experiência, à medida que entramos na salvação de Deus, ela acontece passo a passo, até se realizar plenamente.
No momento em que você creu no Senhor Jesus, algo maravilhoso aconteceu com você. Seu espírito morto foi trazido à vida. Esse é seu novo nascimento. Agora, você tem comunhão com Deus e clama: “Aba, Pai”.
Quando você é salvo, não apenas seu espírito recebe uma nova vida, mas sua alma também é tocada. Por quê? Porque arrependimento significa uma mudança de mente.
Quando o Espírito Santo usa a Palavra de Deus para tocar nossa consciência e nos convencer do pecado, ao mesmo tempo nossa mente passa por uma mudança repentina. Antes disso, você estava voltado para o inferno e para o pecado. Era isso que você amava, e essa era a direção em que estava seguindo. Mas, de algum modo, acontece uma mudança de mente.
É exatamente como o filho pródigo. Ele estava numa terra distante, desperdiçando tudo o que o pai lhe havia dado. Mas, em seu desespero, de repente caiu em si: “Na casa de meu pai há fartura; por que eu deveria morrer aqui?”. Então, ele se levantou e começou a voltar para casa. Houve uma mudança de mente.
Antes, ele queria ficar o mais longe possível de casa; agora, queria voltar. Isso é uma mudança de mente. Mas lembrem-se: embora tenha havido uma mudança de mente, ainda não havia uma renovação da mente. Em outras palavras, a alma ainda espera ser salva.
No momento em que somos salvos, a salvação também toca nosso corpo. Antes de você crer no Senhor Jesus, estava sob tamanha pressão e debaixo de tanto peso do pecado e do mundo que seu rosto ficava cada vez mais comprido. Mas, quando você crê no Senhor Jesus, seu rosto não começa a mudar? Ele começa a ficar cada vez mais redondo.
Portanto, a salvação realmente toca seu corpo, mas, infelizmente, isso é superficial. Seu corpo precisa ser inteiramente santificado e entrar na ressurreição.
Lembremo-nos de que, quando somos salvos, algo acontece com todo o nosso ser. Mas o que acontece de fundamental é em nosso espírito. Nossa alma precisa ser salva.
Quando Deus criou o homem, Ele nos fez alma vivente. Ele nos deu todas as funções necessárias, legítimas e próprias da alma.
Somos criados como almas viventes. Temos vontade, temos mente e temos emoções. Um bebê nasce e, muito cedo, você descobre que ele tem vontade própria. Você quer dormir à noite, mas ele diz: “Não, eu quero comer”.
Ele tem vontade própria. Há emoção ali; ele manifesta sua raiva. Ele tem mente própria. Essas são funções legítimas que fazem de você uma alma vivente, um ser animado.
Mas, no jardim do Éden, nossos antepassados usaram sua alma de maneira ilegítima.
Eva, quando foi tentada pelo tentador, olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal e viu que ela era boa para se comer. Sua mente começou a desejá-la, sua emoção foi despertada, a cobiça começou a surgir, e ela decidiu tomá-la porque isso a tornaria como Deus.
Depois de comer, ela deu ao marido. A Bíblia diz que a mulher foi enganada, mas o homem não foi enganado. Adão sabia que estava contrariando a vontade de Deus e o fez deliberadamente, mas, de algum modo, amava tanto sua esposa que não queria perdê-la. Preferiu escolher sua esposa em vez de Deus; por isso, comeu.
Esse foi o uso ilegítimo da sua alma. Por meio de um só homem, Adão, o pecado entrou no mundo.
A alma do homem deveria ser um mordomo, recebendo a vontade de Deus por meio do seu espírito. No princípio, quando o homem e a mulher estavam no jardim, Deus vinha e tinha comunhão com eles. Eles eram como crianças inocentes. Dependiam de Deus para tudo e confiavam Nele.
Mas a alma do homem começou a assumir o senhorio. Em vez de perguntar a Deus, em vez de usar o espírito para ter comunhão com Deus e conhecer Sua vontade, a alma declarou sua independência.
A alma tomou o lugar do espírito, tornou-se um mordomo injusto e tentou ser um falso senhor. O pecado entrou na alma do homem. Nossa alma caiu e se perdeu.
Adão pecou e se tornou pecador. Mas nós, que descendemos de Adão, somos pecadores antes mesmo de pecar. Adão pecou para se tornar pecador diante de Deus, mas estamos numa condição pior, porque descendemos de Adão, dessa linhagem caída.
Herdamos dele essa alma caída, a alma dominada e governada pelo pecado. Somos pecadores por nascimento e, porque somos pecadores, é natural pecarmos. Você alguma vez se surpreende por pecar? Isso é normal para um pecador.
Herdamos de nossos antepassados uma alma caída. Nossa alma está completamente separada de Deus, alienada de Deus, o Autor da vida. Nossa alma é dominada pelo pecado e se fecha em si mesma. Torna-se egocêntrica e egoísta. Tudo é “eu, eu, eu”.
A Bíblia diz que o homem se tornou carne. Carne, aqui, não significa simplesmente carne e sangue. Significa alma e corpo, mas sem um espírito em atividade — não que você não tenha espírito, mas que seu espírito perdeu a comunicação que lhe é própria e está morto para Deus.
Assim, você é apenas alma e corpo. É por isso que as pessoas no mundo hoje sabem apenas que têm alma e corpo; elas não sabem que têm espírito. Infelizmente, até no cristianismo, as pessoas frequentemente falam de dualismo: alma e corpo, sendo o espírito apenas uma parte da alma. Por causa disso, as pessoas não conhecem as coisas espirituais.
Se você ler a Palavra de Deus, que tipo de vida o homem caído, uma alma caída, vive?
Nascemos com uma alma, e é natural funcionar por meio dela. Isto é, porque temos alma, exercemos legitimamente todas as capacidades com que Deus nos dotou. Pensamos, imaginamos, analisamos, sentimos e decidimos. Essas são coisas próprias da alma.
Mas, quando o homem caiu, em vez de apenas funcionar por meio da alma, passou a ser dominado por ela. Ser dominado pela alma significa que nos fechamos em nossa alma e permitimos que ela domine nosso ser e expresse a si mesma, em vez de expressar Deus.
Antes de sermos salvos, irmãos e irmãs, todos somos almas caídas. Somos pessoas que vivem pela alma — dominadas pela alma —, não espirituais. Que tipo de vida vivíamos?
Se vocês abrirem em Romanos 1, encontrarão uma descrição da vida de uma alma caída. Embora conheçamos, pela criação, a divindade e o poder de Deus, não queremos honrá-Lo nem tê-Lo em nossa vida. Assim, nossa mente se obscurece, nossa vontade se perverte e nossas emoções encontram uma expressão errada.
Caímos na concupiscência dos olhos, na concupiscência da carne e na soberba da vida. Se quiserem conhecer os detalhes, leiam Romanos 1:18 em diante.
Se quiserem saber que tipo de vida viviam antes, leiam Efésios 2:1-3. Estávamos mortos em pecados e transgressões. Éramos mortos-vivos, porque estávamos mortos para Deus, mortos para a vida.
Fazíamos tudo segundo nossa mente e segundo nossa carne. Pensávamos que éramos livres, sem saber que estávamos sob o domínio do poder maligno do ar. Éramos filhos da ira. Essa era nossa situação.
Mas, graças a Deus, Ele nos ama. Ele não nos abandonará. Ele enviou Seu Filho unigênito a este mundo para se tornar homem.
Ele tomou sobre Si a forma de homem, a forma da carne pecaminosa; mas lembrem-se de que havia uma diferença: Ele não tinha pecado. Portanto, Aquele que não tinha pecado podia se tornar nosso substituto, o substituto de nós, pecadores.
Ele tomou sobre Si todos os pecados do mundo.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Ele tomou seus pecados, meus pecados e todos os pecados que cometemos. Ele os tomou todos sobre Si e ali se tornou nosso substituto. Morreu na cruz, rejeitado pelos homens e abandonado por Seu Pai. Por quê?
Antes de morrer, Ele clamou:
Está consumado.
Então, inclinou a cabeça e entregou Seu espírito ao Pai. Está feito, irmãos e irmãs. Que coisa grandiosa Deus fez por nós!
Porque Ele tomou nossos pecados sobre Si e morreu por nós, já não precisamos morrer. Nossos pecados são perdoados e remidos por causa do sangue do nosso Senhor Jesus. Nascemos de novo e recebemos uma nova vida. Como o filho pródigo, voltamos para casa.
Quando você foi salvo, pensou: “Agora sou uma nova criatura. Tudo é novo. Todas as coisas antigas passaram”. Graças a Deus, naquele primeiro amor, parecia ser assim.
Você amava ler a Bíblia; cada palavra falava com você. Amava orar e se aproximar de Deus. Amava reunir-se com os santos e ter comunhão com outros crentes. Aprendeu a testemunhar da bondade do Senhor.
Se nosso Senhor lhe pedia alguma coisa, você obedecia de boa vontade. Sem problema.
Mas, aos poucos, seu primeiro amor começou a diminuir. Você percebeu que seu velho Adão, seu velho “eu”, o velho homem, o ego e a carne começaram a se levantar e a se impor sobre você. Você percebe isso?
Como dissemos ontem, começou uma guerra civil dentro de você. Seu espírito deseja fazer o que é certo, mas sua carne é fraca.
Você entra na experiência do apóstolo Paulo registrada em Romanos 7. Sabe o que é certo. Quer fazer as coisas que agradam a Deus, mas encontra outra lei, outra vida em você, que se opõe a esse desejo.
No homem há um homem interior e um homem exterior. Segundo o homem interior, ele quer fazer a vontade de Deus e agradar a Deus; mas o homem exterior não permite e o arrasta de volta à sua antiga vida.
Ele tenta. Ele se determina. Faz promessas. Não adianta. Não adianta. Os fracassos se repetem. Ele precisa clamar:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Será que Deus não preparou uma salvação para nós? Há alguma imperfeição na obra redentora do nosso Senhor Jesus? Certamente não.
Quanto à salvação de Deus, ela está consumada. Tudo está pronto. Tudo está preparado. Tudo o que precisava ser feito já foi feito pelo nosso Senhor Jesus. Graças a Deus por isso.
Mas o problema é que não sabemos disso. Somos ignorantes. Deus já providenciou tudo, mas ainda estamos nos esforçando, lutando e tentando, por nós mesmos, viver uma vida santa, uma vida que agrade a Deus. Mas descobrimos que isso está além da nossa capacidade.
Costumo dizer que um cristão nervoso é um bom cristão. Você fica nervoso porque quer agradar a Deus, mas não consegue.
Até que, um dia, você chega ao fim de sua luta. Graças a Deus, Ele começa a abrir seu entendimento e a levá-lo de volta àquela antiga cruz.
Ali você vê que, quando nosso Senhor Jesus morreu na cruz, Ele não morreu apenas como seu substituto, tomando sobre Seu próprio corpo todos os pecados que você havia cometido e recebendo por você a penalidade — o salário do pecado, que é a morte.
Mas Ele sabe que aquilo que é nascido da carne é carne. Nós, que nascemos da carne de Adão, somos carne. Essa vida adâmica não pode ser mudada.
Não importa o que você faça com seu velho eu, com sua vida adâmica: ela não pode ser mudada. Aquilo que é nascido da carne é carne.
Então você começa a perceber:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Quem? Há Alguém. Ele já o fez.
Deus não vai consertar sua carne. Deus não vai melhorar sua carne. Deus vai realizar uma obra radical. Ele diz: “A carne precisa morrer”.
Quando nosso Senhor Jesus foi para a cruz, Ele levou consigo toda a raça adâmica. Nosso Senhor Jesus é o segundo Homem. Ele é o último Adão.
Adão é um cabeça representativo, o ancestral da humanidade. Todos os que nascem neste mundo estão em Adão e recebem dele sua vida e sua natureza. Embora pessoas diferentes manifestem aspectos diferentes da vida adâmica, ainda é Adão: carnal, egoísta, pecaminoso, morto para Deus e rebelde.
Quando Deus enviou Seu Filho a este mundo, Ele veio como o último Adão. Em outras palavras, Deus disse: “Que a raça adâmica tenha seu fim na morte deste Homem, o último Adão”.
Ele levou toda a raça adâmica — você, eu, todos — consigo para a cruz. Quando Ele morreu, toda a raça adâmica morreu.
Gosto muito de usar esta ilustração. Os chineses frequentemente remontam sua ascendência ao Imperador Amarelo. A lenda nos conta que, certo dia, o Imperador Amarelo travou uma batalha contra Chiyou. Durante aquela batalha, havia neblina por toda parte. Como poderiam lutar em meio à neblina?
Felizmente, o Imperador Amarelo inventou a bússola. Com a bússola, conseguiu derrotar seu inimigo em vez de ser derrotado. É por isso que o povo chinês existe hoje.
Agora, suponham que ele não tivesse inventado a bússola e tivesse sido morto por Chiyou. Onde vocês, chineses, estariam? Vocês teriam deixado de existir, porque seu cabeça representativo estaria morto.
Como é maravilhosa a maneira de Deus fazer as coisas! Ele criou apenas um homem, para que todos os homens estivessem nele e sob ele.
Você pode dizer: “Bem, se Adão pecou, Deus poderia criar outro homem que não pecasse. Isso não seria mais fácil?”. Não. Se Ele fizesse isso, o outro homem também pecaria. O que você faria?
Então, Deus colocou em Adão todos os homens que dele descenderiam, para que, quando o último Adão viesse, todos os que estavam em Adão morressem com Ele na cruz.
Foi isso que nosso Senhor Jesus fez na cruz do Calvário. Foi mais do que levar nossos pecados em Seu corpo. Ele morreu como nosso representante. Representou cada um de nós — essa vida adâmica, essa vida do ego, essa carne, esse “eu”. Ele levou todos nós consigo e, quando foi crucificado, nós também fomos crucificados. Deus fez isso.
Em Romanos 6:6, Paulo diz:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado,
para que o corpo do pecado seja desfeito,
para que não sirvamos mais ao pecado.
Quando Cristo foi crucificado há dois mil anos, você e eu também fomos crucificados — mortos. Aquela velha vida teve seu fim.
Você pode dizer: “Como isso é possível?”. Deixe-me perguntar: por que, quando você confessa seus pecados e pede a Deus que o perdoe, Ele o perdoa? Porque você crê no sangue do nosso Senhor Jesus, derramado há dois mil anos.
Você diz: “Eu não estava lá. Ainda não tinha nascido. Ainda não havia cometido nenhum pecado”. Mas Deus sabe, porque Ele é eterno. Para Ele, não existe o fator tempo. Deus já sabe cada pecado que você cometerá. Ele já os conhecia e colocou todas essas coisas sobre Seu Amado.
Quando você crê, seus pecados são perdoados. É simples. Receba isso pela fé, crendo no que Deus fez em Cristo Jesus.
Deus não faz isso separadamente em cada um de nós. Deus fez tudo em Seu Filho e, pela fé, nós nos apropriamos disso.
É por isso que o apóstolo Paulo diz em Gálatas 2:20:
Já estou crucificado com Cristo;
e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé
do Filho de Deus, o Qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.
Nosso querido irmão Watchman Nee, depois de ser salvo, percebeu, durante vários anos, que não conseguia vencer sua velha carne.
Depois de seis ou sete anos — talvez sete anos —, certo dia, ele estava lendo a Bíblia em seu quarto. De repente, o Espírito Santo lhe revelou essa verdade. Como a morte de Cristo, que havia morrido dois mil anos antes, podia ser também a sua morte?
Ele queria morrer para si mesmo, mas não conseguia. Quanto mais você tenta morrer para si mesmo, mais vivo você está.
Mas, naquele dia, de repente o Senhor abriu seu entendimento. “Ah!”, ele disse. “Eu morri com Ele. Por quê? Porque eu estava Nele.”
Se você colocar alguma coisa dentro de um livro e deixar o livro cair, onde fica essa coisa? Ela continua flutuando no ar? Não, ela também cai. Você não deixou aquela coisa cair separadamente; deixou o livro cair, mas tudo o que estava dentro do livro também caiu.
De repente, ele compreendeu: “Estou em Cristo. Deus me colocou em Cristo, e, quando Cristo morreu, eu morri. Graças a Deus por isso”.
Ele saiu correndo do quarto e encontrou um irmão no andar de baixo. Segurou-o e disse: “Irmão, você sabe que estou morto?”. O irmão olhou para ele e perguntou: “O que aconteceu?”. “Ah”, ele disse, “estou morto. Estou morto.”
Irmãos e irmãs, graças a Deus, essa é a verdade. A verdade é eterna. É real em Deus e é real em nós, mas precisamos nos apropriar dela pela fé.
Da mesma forma que você crê que Jesus morreu por seus pecados, creia que Jesus morreu por você. Quando Ele morreu, você morreu. Quando Ele ressuscitou dentre os mortos, você foi ressuscitado dentre os mortos.
Isso já foi demonstrado em sua vida, embora talvez você não saiba. Você foi batizado.
Quando foi batizado, você sabe o que estava fazendo? O batismo não é apenas uma cerimônia; é um testemunho. É a representação de algo que já foi realizado.
No batismo, você entra na água, é sepultado debaixo da água e se levanta novamente para fora da água. O que é isso? É a identificação com a semelhança de Sua morte, sepultamento e ressurreição.
Na verdade, em seu batismo, você já representou isso. Contudo, talvez não creia nisso. Você morreu. Já não sou eu; é Cristo que vive em você. Isso é salvação. Isso é a salvação da alma.
Na Bíblia, encontramos a própria expressão salvação da alma. Há dois livros na Bíblia, especialmente Hebreus e 1 Pedro, que tratam da salvação da alma.
Em Hebreus 10:39, a Bíblia diz:
Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição,
mas daqueles que creem para a conservação da alma.
A perdição ali não significa perdição eterna. Todo o livro de Hebreus não trata de salvação eterna, vida eterna ou morte eterna. Essas questões já foram resolvidas para os crentes hebreus. Todo o livro trata da salvação da alma.
Como nossa alma pode ser salva? Não recuando para a perdição. Essa perdição não se refere à perdição eterna; refere-se ao reino, aos mil anos, à era vindoura — à salvação da alma.
Então, encontramos em 1 Pedro 1:9:
Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
A respeito dessa salvação, ao continuar a leitura, Pedro diz que os profetas antigos, movidos pelo Espírito Santo, profetizaram acerca dos sofrimentos de Cristo e das glórias que se seguiriam. Até os anjos desejam perscrutar essa salvação.
Vocês sabem que a salvação da alma é algo profetizado pelos profetas antigos? Eles sabiam que isso não era para si mesmos, mas para nós. Vocês sabem que a salvação da alma é algo que até os anjos anseiam compreender? Contudo, hoje o povo de Deus se esqueceu completamente dela. Como isso é triste!
O fundamento da salvação da nossa alma é a obra consumada de Cristo na cruz. Sua morte é nossa morte — morte para a carne e morte para a vida do ego.
Sua ressurreição é nossa ressurreição, para que vivamos em novidade de vida. Pela fé, nós nos apropriamos disso. Essa é a verdade.
Agora chegamos ao aspecto da experiência. Como entramos na experiência da salvação da nossa alma?
Antes de tudo, em sua experiência cristã, mais cedo ou mais tarde você descobrirá que há uma diferença entre sua alma e seu espírito.
Em Hebreus 4:12, está escrito:
Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes,
e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas,
e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
Antes de crermos no Senhor Jesus, nosso espírito estava morto. Éramos dominados pela alma. Conhecíamos apenas nossa alma: eu, a mim, meu. Era tudo o que conhecíamos.
Mesmo quando somos salvos e nosso espírito volta à vida, o Espírito Santo se torna a própria vida do nosso espírito. Mas, infelizmente, o “eu” ainda é a vida da alma. Aos poucos, você começa a descobrir a diferença entre alma e espírito.
Esse é o começo. Sem esse conhecimento, você nem sequer sabe por onde começar. Você precisa enxergar isso.
Pessoalmente, sinto que, depois da salvação, essa é a próxima experiência cristã. Você começa a perceber que há uma guerra civil dentro de você. Fica inquieto com isso.
Ao ler a Palavra de Deus, aos poucos você compreende que nem tudo o que vem dessa pessoa nascida de novo é aceitável ou agradável a Deus. Algo antigo ainda está ali. Esse é o primeiro despertar.
Ao despertar para isso, algumas pessoas começam a duvidar de que sejam salvas. Mas, na verdade, é um bom sinal. Mostra que você está gradualmente entrando na vida do espírito. Esse é o primeiro passo.
O segundo passo é este: à medida que você busca o Senhor, Ele abrirá seu entendimento. Começará a lhe mostrar que, quando Cristo morreu na cruz, você também morreu.
Romanos 6 começa a se tornar algo que você conhece. Na verdade, você deveria ter conhecido isso muito antes, mas, infelizmente, não sabemos. Quando chega a Romanos 6, depois de Romanos 3, 4 e 5, você começa a compreender que seu velho homem foi crucificado com Cristo.
Quando você é iluminado e passa a enxergar o fato da cruz, então o abraça pela fé. Isso é Romanos 6:11:
Assim também vós considerai-vos certamente mortos para o pecado,
mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
Você começa a exercitar sua fé: considerar, aceitar, reconhecer como verdadeiro que está morto para o pecado em Cristo Jesus — não em si mesmo, mas em Cristo Jesus — e que está vivo para Deus em Cristo Jesus.
Quando começa a aceitar isso pela fé, você descobre que é uma obra consumada de Cristo. Está feito.
Ainda assim, no início, é algo que você aceita objetivamente. É a verdade. Você aceita a verdade pela fé, firma-se nela e descobre que funciona. Funciona.
Mas, às vezes, funciona e, às vezes, parece não funcionar. Quando vem a tentação, você diz: “Estou morto, estou morto”. Quanto mais diz “estou morto”, mais vivo parece estar. O que aconteceu? Há algo errado com a verdade? Não.
Deixem-me usar uma ilustração. Suponha que você tenha em seu quintal uma macieira ruim. Todas as maçãs são azedas. Como você vai melhorar essa macieira?
Por meio da enxertia. Você faz um corte perto da base da árvore, depois faz outro corte vertical e coloca nessa abertura um pequeno ramo de uma boa macieira.
Muito em breve, você percebe que a árvore começa a crescer com uma nova natureza e produz maçãs doces e suculentas. Maravilhoso.
Mas isso não é o fim. Aos poucos, surgirão brotos abaixo do corte. Se você não vigiar e permitir que cresçam, as maçãs que nascerem nesses brotos abaixo do corte não serão doces. Serão azedas, duras e não poderão ser comidas.
O que o jardineiro faz? Sempre que vê algum broto surgindo abaixo do corte, ele o corta. Então, você tem somente maçãs boas. Aleluia!
Irmãos e irmãs, é isso que acontece. Deus fez uma enxertia em sua vida. A cruz fez um corte em sua vida, e a vida de Cristo foi implantada em você.
Se você permitir que essa nova vida cresça, esse é o fruto do Espírito. Mas, infelizmente, abaixo do corte, a carne tenta surgir novamente. Corte-a. É isso que a Bíblia diz.
O que Deus fez está feito. Não há dúvida sobre isso. Mas o Espírito Santo, que está em você, continuamente o ensinará, o lembrará e o advertirá.
Sempre que algo que está abaixo da cruz — seu velho eu — tentar levantar a cabeça, o Espírito Santo lhe diz: “Corte isso”. Pelo poder do Espírito Santo, com base na cruz, você é capaz de cortá-lo.
É por isso que a Bíblia diz que quem ama a vida da sua alma a perderá, mas quem está disposto a perder a vida da sua alma por amor ao Senhor a ganhará para a eternidade.
No aspecto da experiência, diariamente precisamos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo.
Pelo poder de Sua cruz, somos capazes de negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo.
Ao seguir o Senhor, você descobrirá que o Espírito Santo organiza nossas circunstâncias e traz cruzes para nossa vida. Não tente criar cruzes para outras pessoas. Não tente fazer cruzes para si mesmo. Não há necessidade. Você já tem muitas cruzes para carregar.
O Espírito Santo preparará as cruzes para você. Por meio da cruz, tudo o que pertence à velha vida adâmica, tudo o que é da carne, tudo o que é “eu, meu, para mim” será revelado e, pelo poder do Espírito Santo, cortado.
Irmãos e irmãs, nossas emoções precisam ser purificadas. É por isso que o Senhor disse que, se alguém ama pai, mãe, irmãos, irmãs, esposa, filhos ou até a si mesmo mais do que a Ele, não pode ser Seu discípulo.
Por quê? Porque nossas emoções caíram. Elas precisam ser resgatadas. Ao amarmos o Senhor mais do que qualquer outra coisa, nossas emoções são colocadas em seu devido lugar. Sua vida controlará nossas emoções.
Isso não significa que amaremos menos. Amaremos mais, porque é o amor de Cristo que ama por meio de nós.
Nossa mente precisa ser renovada. Não pense nas coisas dos homens, mas nas coisas de Deus. Lembrem-se de como Pedro pensou nas coisas dos homens e tentou convencer o Senhor a não ir para a cruz.
O Senhor disse que, se você salvar sua vida, a perderá; se perder sua vida por amor a Ele, a ganhará.
Irmãos e irmãs, nossa vontade precisa ser resgatada.
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
À medida que passamos por esse processo de santificação, sendo libertos da vida do ego e entrando na vida de Cristo, nossa alma é salva de maneira gradual e crescente.
A salvação do nosso espírito acontece de uma vez por todas. A salvação da alma é um processo contínuo.
A salvação do nosso espírito acontece quando você crê no Senhor Jesus. A salvação da alma acontece depois que você crê no Senhor Jesus, até o dia em que vê Sua face.
Ao continuarmos nesse caminho, na vinda do nosso Senhor Jesus seremos conservados irrepreensíveis, porque seremos semelhantes a Ele. Teremos sido transformados à Sua semelhança.
Quando Ele voltar em glória, entraremos na glória com Ele. Essa é a vontade de Deus. Ele conduzirá muitos filhos à glória. Louvado seja o Senhor.
Vamos orar.
Amado Pai celestial, por que Tu nos amas tanto? Ó Senhor Jesus, por que Tu nos amas tanto, entregando-Te por nós?
Cheios de gratidão, nós Te agradecemos por morreres na cruz por nós, levando nossos pecados em Ti, perdoando-nos e levando-nos à cruz.
Senhor, Tu fizeste o que era certo. Nós o aceitamos. Confiamos que Teu Espírito Santo nos conduzirá à plena experiência da obra de salvação da alma que Tu realizaste por nós, para que sejamos inteiramente santificados.
Glória a Deus. No precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.