Todas as manhãs, temos compartilhado sobre a questão da maturidade espiritual. Repetimos isso vez após vez: ser espiritualmente maduro é a vontade de Deus.
Se a nossa busca por crescimento espiritual não for realmente para o Senhor e para a Sua vontade, essa busca pode se tornar muito perigosa. Nessa questão, precisamos que a luz de Deus nos ilumine.
A razão pela qual buscamos a maturidade espiritual é a vontade de Deus. O propósito do Senhor não é que permaneçamos apenas crianças. Graças a Deus, em determinado momento fomos crianças, mas Ele não quer que permaneçamos nessa condição. Ele quer que cresçamos até a maturidade, que alcancemos a plenitude da Sua medida e estatura, para que a Sua vontade seja feita em nós.
Deus nunca quer que permaneçamos carnais; Ele quer que sejamos espirituais. Nos encontros anteriores, compartilhamos que devemos buscar amadurecer na vontade de Deus. Também vimos que a carnalidade é anormal. Precisamos ser libertos da carnalidade e buscar o Senhor para que Ele nos conduza à realidade espiritual, a fim de que sejamos maduros.
No passado, a ênfase recaía mais sobre o indivíduo: como cada um de nós deve buscar crescer espiritualmente até a maturidade. Precisamos deixar de ser crianças e crescer para nos tornarmos filhos maduros. A rigor, porém, o propósito final de Deus não é meramente individual.
O que Deus pretende obter, ao final, é algo corporativo. Somente por meio da vida corporativa podemos entrar nessa plenitude e expressá-la.
Toda a plenitude da Divindade habita corporalmente em Cristo Jesus. Nosso Cristo é tão pleno e tão completo. Nenhum indivíduo pode desfrutar ou conter a plenitude de Cristo, e nenhum indivíduo pode expressar a glória de Deus.
Embora busquemos o crescimento individualmente, podemos desfrutar um pouco da Sua plenitude e expressar algo dessa plenitude. Mas, por mais que tenhamos, isso ainda é muito limitado.
Vamos supor que um irmão seja, de fato, maduro e glorifique a Deus. A glória de Deus pode se manifestar por meio dessa pessoa. No entanto, por mais que cresçamos ou amadureçamos individualmente, e por mais que pensemos conhecer a plenitude de Cristo, todos ficamos aquém da Sua glória.
Não podemos entrar individualmente na glória insondável e inescrutável de Deus. O propósito de Deus é corporativo, e Ele nos chama para essa vida corporativa.
No que diz respeito à verdade e à revelação de Deus, Efésios está no ponto mais elevado. Nessa revelação, vemos que o chamado de Deus é corporativo, para que sejamos o Corpo de Cristo.
Deus não quer que sejamos cristãos apenas como indivíduos. Se formos somente cristãos individuais, isso é muito pequeno. Nunca poderemos conter toda a plenitude de Cristo, e não teremos uma maneira adequada de expressar a Sua glória.
Cada um de nós é apenas um membro do único Corpo. Todos os membros são ajustados uns aos outros, e então se vê o Corpo. É o Corpo que pode conter a plenitude da Cabeça. É o Corpo que é capaz de expressar a glória do céu.
Nesta manhã, estamos compartilhando sobre a medida da estatura da plenitude de Cristo. Isso vai além do indivíduo. Trata-se do Corpo — a igreja como Corpo de Cristo.
Nesse Corpo estão a medida e a estatura da plenitude de Cristo. Como essa é a vontade final de Deus, vamos começar por Efésios 1.
Efésios 1:22 nos diz:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés;
e O deu à igreja para ser a Cabeça sobre todas as coisas.
Antes da eternidade, Deus tinha um propósito em Seu coração — o propósito mais elevado, segundo o Seu próprio beneplácito, que Ele propôs em Si mesmo. Esse propósito é que Seu Filho, Cristo, seja a Cabeça sobre todas as coisas. Seu Filho deve herdar todas as coisas, e, por meio Dele, todas as coisas serão reunidas. Esse é o propósito mais elevado de Deus.
Para realizar essa vontade, Deus enviou Seu Filho à terra. O Filho percorreu o caminho da cruz e realizou a obra da redenção. Deus O ressuscitou dentre os mortos, exaltou-O ao lugar mais elevado, assentou-O à Sua direita e sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés.
Essa é a realidade; esse é o fato. Todas as coisas estão sujeitas debaixo dos Seus pés. Isso não é surpreendente. É assim que deve ser, porque todas as coisas foram criadas para Ele. É a vontade de Deus que Ele herde todas as coisas.
Mas o que nos surpreende é a frase seguinte:
E O deu à igreja para ser a Cabeça sobre todas as coisas.
Essa é uma declaração muito surpreendente.
Às vezes, as traduções transmitem a ideia de que Cristo é a Cabeça sobre todas as coisas em favor da igreja, como se Deus tivesse colocado todas as coisas debaixo dos Seus pés por causa da igreja. Isso pode dar a impressão de que a igreja é o centro e de que Cristo existe em função da igreja.
É verdade que a igreja ocupa um lugar muito elevado no propósito de Deus, mas esse lugar não pode ser mais elevado que Cristo. Que Cristo seja a Cabeça sobre todas as coisas é a vontade de Deus, haja igreja ou não. Que todas as coisas estejam sujeitas a Ele é como deve ser.
No entanto, porque Ele ama a igreja, tornou-Se a Cabeça sobre todas as coisas para a igreja. Em outras palavras, Ele quer que a igreja experimente aquilo que Ele é. No que diz respeito a Ele, todas as coisas já estão sujeitas debaixo dos Seus pés. Ele quer que a igreja seja como Ele próprio, para que todas as coisas também estejam sujeitas à igreja, porque a igreja é o Seu Corpo.
A Cabeça é a Cabeça sobre todas as coisas, e o Corpo e a Cabeça são um. Portanto, aquilo que pertence a Ele pertence a nós. Essa é uma graça maravilhosa de Deus: podemos estar tão unidos a Ele que Cabeça e Corpo sejam um.
A igreja é o Seu Corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos.
Efésios 1 a 3 nos mostra o que está em Cristo — a realidade e os fatos que estão em Cristo. A verdade é eterna. Efésios costuma ser dividido em duas partes: os capítulos 1 a 3, que falam daquilo que Deus realizou em Cristo; e os capítulos 4 a 6, que falam da nossa experiência e do nosso andar em Cristo.
Em Efésios 1 a 3, vemos um fato glorioso: o Senhor Jesus Cristo não apenas ressuscitou dentre os mortos e ascendeu ao céu, mas está acima de todas as coisas; todas as coisas estão sujeitas debaixo dos Seus pés, e Ele é a Cabeça sobre todas as coisas.
A igreja também foi ressuscitada com Ele e está assentada com Ele nos lugares celestiais. Na realidade estabelecida por Deus, a igreja também está acima de todas as coisas.
É por isso que Paulo orou para que os efésios recebessem o espírito de sabedoria e de revelação. Precisamos de revelação. A revelação nos permite ver os fatos da verdade que estão no próprio Deus.
Deus tem prazer em revelar Seu Filho em nosso coração. Por meio da revelação, sabemos que Cristo não é apenas o nosso Salvador, que veio à terra e morreu por nós na cruz. Sabemos que Ele é Aquele que ressuscitou, Aquele que ascendeu, que está assentado no céu, com todas as coisas sujeitas debaixo dos Seus pés.
Sem revelação, um crente pode conhecer apenas o Cristo crucificado e não conhecer Cristo como Aquele que ressuscitou. Embora seus pecados tenham sido perdoados, esse crente pode não ter poder para vencer o pecado e pode não viver na vida de ressurreição.
Mas, se O vemos como Aquele que ressuscitou e O ouvimos dizer:
Eu sou a ressurreição e a vida.
Então entramos na vida de ressurreição. Da mesma forma, se a ascensão do Senhor não nos for revelada, podemos viver como se o Senhor ainda estivesse apenas na terra, em vez de conhecê-Lo como Aquele que está acima de todas as coisas.
A vida de realeza já está disponível, mas, sem revelação, as pessoas não sabem como vivê-la. Tudo o que Deus realizou em Cristo é fato; tudo é real; tudo já foi realizado.
Hoje, se Deus nos der sabedoria e revelação, então nós verdadeiramente O conheceremos. Aos olhos de Deus, a igreja já é um fato consumado. O Corpo já está ali, e é a plenitude Daquele que enche todas as coisas.
A igreja é um Corpo glorioso, ajustado a uma Cabeça gloriosa. Assim como a Cabeça está sobre todas as coisas, assim também é com a igreja. Assim como todas as coisas estão sujeitas debaixo dos Seus pés, assim também é com a igreja. A igreja é uma igreja vitoriosa.
No entanto, precisamos confessar que muitas vezes não temos visto isso. Vemos uma igreja dividida. Vemos problemas na igreja e, por vermos essas coisas, ficamos desanimados. Questionamos e perguntamos: “Onde está aquela igreja pela qual o Senhor anseia? Onde está aquele Corpo?”
Uma igreja não pode estar à frente de todas as coisas quando se torna sujeita a todas elas e não consegue vencer as coisas deste mundo. Falta-nos revelação; por isso, não sabemos como prosseguir.
Aos olhos de Deus, Ele já obteve a igreja que deseja. Ele já vê aquele Corpo de Cristo. É a plenitude Daquele que enche todas as coisas. É uma igreja que ascendeu, uma igreja ressuscitada, uma igreja acima de todas as coisas.
Irmãos e irmãs, precisamos de revelação para ver isso. Precisamos nos apresentar diante do Senhor e orar: “Deus, tem misericórdia de nós. Dá-nos o espírito de sabedoria e de revelação para vermos a igreja que já está na glória”.
Para Deus, não há passado nem futuro; para Deus, há somente o agora. Aos olhos de Deus, a igreja já está completa. Ela já alcançou a plenitude da medida da estatura de Cristo e já está com Cristo na glória. Esse é um fato eterno.
Como esse fato eterno existe, vemos a obra do Espírito Santo na terra. Efésios 1:22-23 é uma revelação e um fato que já está estabelecido. O que precisamos é vê-lo com olhos espirituais.
Mas, quando chegamos a Efésios 4:13, lemos:
Até que todos cheguemos à unidade da fé
e do conhecimento do Filho de Deus,
ao homem plenamente maduro,
à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Por meio desse versículo, descobrimos que, no que diz respeito à nossa experiência na terra e no tempo, a igreja ainda não alcançou a plena medida e estatura que pertencem a Cristo. Há algo que precisamos alcançar, e precisamos da obra contínua do Espírito Santo para que essa realidade, que já está em Deus, seja operada em nós.
Assim, revelação e vocação estão ligadas. No fato eterno de Deus, a igreja está completa. Em nossa experiência, isso ainda está diante de nós, e precisamos chegar lá.
Como a igreja pode alcançar a plena medida e estatura da plenitude que pertence a Cristo? O desejo de Deus é que a igreja chegue a esse ponto.
Deus não quer apenas que sejamos individualmente conformados à imagem de Seu Filho. Romanos 8:29 nos diz que Cristo deve ser o primogênito entre muitos irmãos. Hebreus nos diz que Deus está conduzindo muitos filhos à glória. Essas passagens enfatizam a maturidade individual.
Mas, quando chegamos a Efésios, a maturidade é corporativa. Como nós, enquanto igreja em sua expressão corporativa, podemos alcançar a maturidade? Vamos abrir em 1 Coríntios 12:12.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros,
e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo;
assim também é Cristo.
Esse é um versículo maravilhoso. O corpo é um, mas tem muitos membros. Embora haja muitos membros, o corpo é um. Então Paulo diz:
Assim também é Cristo.
De acordo com o nosso pensamento natural, o versículo deveria terminar dizendo: “Assim também é a igreja”. Mas o Espírito Santo diz:
Assim também é Cristo.
Aqui vemos o que a igreja realmente é: a igreja é o próprio Cristo.
A igreja não é simplesmente Cristo em Pedro, Cristo em Tiago e Cristo em João — com cada pessoa vivendo de acordo com o seu eu natural. Se Pedro, Tiago e João vivessem na carne, haveria muitos problemas, porque cada um desejaria ser a cabeça.
O que é a igreja? É Cristo em Pedro, menos Pedro; Cristo em João, menos João; Cristo em Tiago, menos Tiago. Isso é Cristo. Isso é a igreja.
A rigor, a verdadeira igreja não é simplesmente você e eu juntos em nossa vida natural. A igreja é o próprio Cristo. Precisamos do tratamento da cruz. Algumas pessoas dizem que a igreja é a extensão de Cristo. Essa é uma expressão útil.
A igreja é uma, mas tem muitos membros. Se a igreja deve crescer, os indivíduos que estão nesse Corpo precisam crescer. Se o Corpo quer crescer, mas os membros não querem crescer, como o Corpo poderá crescer?
Portanto, a maneira como crescemos individualmente é de importância vital. Deus colocou cada um de nós no Corpo de Cristo. Não apenas pela vontade de Deus, mas também por amor à igreja, precisamos crescer.
Se não crescermos, a igreja não poderá ser madura. É uma perda para nós, uma perda para o Senhor e uma grande perda para a igreja. Cada um de nós precisa buscar crescer espiritualmente — não para nós mesmos, mas para a Sua igreja.
Não podemos ficar satisfeitos conosco mesmos, dizendo: “Deixe que eles cresçam”, enquanto permanecemos bebês ou crianças. Isso afeta o crescimento da igreja.
A igreja hoje cresce muito lentamente. É como se algo estivesse impedindo o seu crescimento. Esse impedimento está entre os membros do Corpo. Se nos recusamos a crescer, se queremos permanecer crianças e queremos que outros nos alimentem e sustentem, se não queremos assumir responsabilidades, afetamos o crescimento da igreja.
Individualmente, todos temos responsabilidade. Espero que, nesta manhã, cada um de nós veja a sua responsabilidade individual. Para que a igreja alcance a plena medida e estatura da plenitude de Cristo, os membros individuais precisam crescer.
Embora haja muitos membros, o Corpo é um. Na primeira expressão de 1 Coríntios 12:12, a ênfase está nos membros: há um Corpo, mas muitos membros. Todos os membros têm responsabilidade.
Na expressão seguinte:
E todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo.
A ênfase está no Corpo. O Senhor quer que conheçamos e enxerguemos o Corpo.
Precisamos compreender que somos apenas membros. Podemos buscar crescer, mas somos apenas membros. Se não enxergarmos o Corpo, teremos dificuldades em nosso crescimento. Não cresceremos normalmente, e nosso crescimento será limitado.
Quando buscamos crescer espiritualmente, precisamos ser libertos do individualismo. Isso é especialmente importante para aqueles que buscam sinceramente a maturidade espiritual e a quem o Senhor concedeu graça.
É muito fácil desenvolver o conceito: “Somos apenas o Senhor e eu. Não preciso dos meus irmãos”. Quando você ouve isso, pode parecer muito espiritual. Alguns dizem: “Não tenho nada a ver com meus irmãos e irmãs. O próprio Senhor é suficiente”.
Mas o propósito de Deus não é que uma pessoa seja apenas um membro individual. Não é que ela seja um membro independente. O propósito de Deus é que ela seja ajustada ao Corpo juntamente com outros membros.
Todos os membros do Corpo são devidamente ajustados uns aos outros. Quando reconhecemos nossa própria limitação, tomamos consciência de que pertencemos ao Corpo. Espiritualmente, não podemos permanecer isolados.
O individualismo precisa ser tratado pela cruz. Por sermos tão individualistas e não termos sido tratados pela cruz, aqueles que se consideram espirituais muitas vezes não conseguem ser ajustados a outros irmãos e irmãs. Isso é um desenvolvimento anormal.
Precisamos reconhecer que somos apenas membros, mas pertencemos ao Corpo. Precisamos estar devidamente relacionados com os outros membros. Recebemos ministério e suprimento dos outros membros, e também suprimos os outros membros do Corpo.
O propósito não é o nosso desenvolvimento individual nem a nossa espiritualidade pessoal. O propósito é que o Corpo seja edificado.
Para que o Corpo alcance a plena medida e estatura que pertencem a Cristo, precisamos nos manter firmemente unidos à Cabeça. Colossenses 2:19 fala de:
Manter-se unido à Cabeça,
da Qual todo o corpo, suprido e unido
por meio das juntas e dos ligamentos,
cresce com o crescimento de Deus.
Se o Corpo deve crescer e alcançar a plena medida e estatura que pertencem a Cristo, há uma questão muito importante: individualmente, precisamos nos manter firmemente unidos à Cabeça.
A Cabeça se refere a Cristo. Pedro não é a cabeça. Apolo não é a cabeça. Paulo não é a cabeça. Há somente uma Cabeça: Cristo.
Todos precisamos nos manter firmemente unidos à Cabeça e nos submeter à Sua autoridade. Então seremos devidamente ajustados uns aos outros, e haverá o suprimento por meio de cada junta.
Muitas vezes, quando falamos da unidade do Corpo, esquecemos a Cabeça. Como posso estar unido aos meus irmãos e irmãs? Sabemos que não podemos viver isoladamente, mas como podemos estar unidos uns aos outros?
Será que eu me uno a você e você se une a mim? Nossa unidade é meramente horizontal? Esse é um problema entre o povo de Deus hoje. Quando se fala de unidade, há muitas opiniões. A unidade passa a se basear no temperamento, na preferência, na cultura, na comida ou no gosto natural.
Essa unidade é natural e artificial. Ela divide o povo de Deus. Mas a unidade do Corpo é vertical.
Precisamos nos manter firmemente unidos à Cabeça individualmente. Sob a Sua autoridade, nós nos tornamos um. A partir Dele, o Corpo é unido e cresce em conjunto.
Você se mantém firmemente unido à Cabeça, e eu me mantenho firmemente unido à Cabeça. Você permite que Cristo seja a sua Cabeça; você não é a cabeça. Eu permito que o Senhor seja a minha Cabeça e abro mão dos meus próprios conceitos. Nele, somos um.
Não apenas estamos unidos; também apoiamos e ajudamos uns aos outros. Em nosso serviço, se não estivermos firmemente unidos à Cabeça, não poderemos ser ajustados uns aos outros. Cada pessoa desejará servir à sua própria maneira, e não conseguiremos apoiar uns aos outros mutuamente.
Portanto, precisamos nos manter firmemente unidos à Cabeça e guardar diligentemente a unidade do Espírito.
Para que o Corpo cresça, a questão mais fundamental é que cada membro pertença ao Corpo. Se um corpo estivesse espalhado, com uma parte em um lugar e outra parte em outro, seria uma visão terrível. Para que a igreja tenha um crescimento normal, é preciso haver a unidade dos membros.
Quando Paulo fala de como essa igreja gloriosa é edificada na experiência, ele diz que precisamos ser diligentes em guardar a unidade do Espírito.
Louvado seja Deus, a unidade já nos foi dada pelo Espírito Santo. Não precisamos inventar um método para nos introduzir nessa unidade.
Hoje há muitas maneiras e métodos que tentam reunir o povo de Deus. Mas, pela obra de Deus, a unidade do Espírito já nos foi dada. O que precisamos é guardá-la diligentemente.
Você não pode guardar aquilo que não tem. Se o que você tem é algo comum, não precisa guardá-lo diligentemente. Se você tem apenas duas moedas de pouco valor no bolso, talvez não se preocupe com elas. Mas, se tem uma grande quantia de dinheiro no bolso, sua mão estará tocando aquele bolso o tempo todo. Você a guardará diligentemente.
O que é mais precioso do que a unidade? O dom da unidade no Espírito é extremamente precioso. A possibilidade de o Corpo alcançar a plena medida e estatura de Cristo depende, em grande parte, dessa questão.
Graças a Deus, essa unidade já nos foi dada. Nós já a possuímos. Primeiro, Deus é o nosso Pai. Chamamos Deus de nosso Pai. Há uma intimidade: somos Seus filhos, e Ele é o nosso Pai.
Segundo, quando encontramos outro crente, há uma intimidade espiritual. É como Isabel e Maria: quando Maria saudou Isabel, o bebê saltou no ventre de Isabel. Um abismo chama outro abismo.
Quando vemos outro irmão ou irmã, há uma verdadeira afinidade interior. Estamos no mesmo Corpo. Isso é algo que muitos crentes experimentam.
Efésios 4:4-6 explica a unidade do Espírito por meio de sete elementos únicos:
Há um só corpo e um só Espírito,
assim como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
um só Deus e Pai de todos,
o Qual é sobre todos, e por todos, e em todos.
Há um só Corpo, um só Espírito e uma só esperança da nossa vocação. Esses três estão no Espírito.
Por um só Espírito, fomos batizados em um só Corpo. O Espírito Santo não apenas nos dá vida espiritual; ao mesmo tempo, Ele nos batiza no Corpo de Cristo. Não fomos batizados em muitos corpos. Há um só Corpo.
Há também uma só esperança da nossa vocação. Qual é essa esperança? Hoje somos o Corpo de Cristo. Quando esse Corpo estiver plenamente maduro, o Noivo virá e tomará a igreja como Sua noiva.
A igreja não pode permanecer criança. Cristo não pode se casar com uma criança. A igreja precisa crescer até alcançar a mesma medida e estatura de Cristo, e Cristo precisa ser formado na igreja. Então Ele poderá tomá-la como Sua noiva.
Se a igreja não cresce, essa é uma das razões para a demora da Sua vinda. Não é que Ele não queira vir. Ele deseja vir, mas não pode abraçar uma criança e se casar com uma criança.
Há outros três elementos: um só Senhor, uma só fé e um só batismo. Eles se encontram em Deus, o Filho.
Há somente um Senhor: Jesus Cristo. Fora Dele, não há outro Senhor. Há uma só fé, a fé fundamental de que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Sem essa fé, não podemos ser salvos.
Porque cremos Nele e somos batizados Nele, pertencemos a Ele. O batismo é um testemunho público de que pertencemos a Cristo.
O seu Senhor é o meu Senhor. A sua fé é a minha fé. O seu batismo é o meu batismo. Fomos batizados em Cristo; portanto, somos um.
Por fim, há um só Deus e Pai de todos. Esse Deus é o Pai de todos, o Qual é sobre todos, por todos e em todos.
A verdadeira unidade está no próprio Deus Triúno. Assim como o Deus Triúno é um em Si mesmo, também Nele nós somos um.
Como essa unidade é maravilhosa e preciosa. Portanto, precisamos guardá-la diligentemente, porque é fácil perdê-la em nossa experiência.
Se não permanecemos no Espírito, se não vemos o Senhor Jesus ou se buscamos outras coisas em vez do próprio Deus, perdemos o desfrute prático dessa unidade.
Precisamos permanecer na unidade que já é nossa no Espírito. Por mais diferentes que sejam as nossas origens, por mais diferentes que sejam as nossas maneiras de nos reunir, por mais diferentes que sejam as nossas experiências, ou por mais distintas que sejam as nossas interpretações das Escrituras, pelo menos nesses sete elementos somos um.
Portanto, devemos receber uns aos outros como Cristo nos recebeu. Somos todos irmãos e irmãs. Precisamos aprender a amar uns aos outros.
Isso não significa que já tenhamos chegado à unidade da fé em todas as questões. Uma só fé é a fé básica e fundamental: Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo — Sua pessoa e Sua obra. Todo aquele que crê no Senhor crê nisso.
No entanto, há também “a fé” em um sentido mais amplo: todo o conjunto da verdade revelada nas Escrituras. Essa é a fé pela qual devemos lutar e que devemos defender.
Hoje ainda não chegamos à unidade da fé, porque temos interpretações diferentes. Alguns interpretam de uma maneira, e outros, de outra. Entre o povo de Deus, há muitas interpretações, embora todos amem o Senhor.
Certa vez, um irmão foi ao Peru e viajou pelo rio Amazonas com missionários. Antes de sua partida, houve uma reunião de irmãos e irmãs nativos que tinham vindo de muitas aldeias, atravessando a floresta.
Um missionário da Inglaterra participou da reunião e fez perguntas ao irmão sobre várias questões doutrinárias. Finalmente, perguntou: “Qual é a sua visão sobre o arrebatamento? É pré-tribulacionista, mesotribulacionista ou pós-tribulacionista?”
O irmão respondeu honestamente: “Irmão, é assim que eu vejo o arrebatamento”. O missionário o acusou de não crer na Bíblia. O irmão respondeu: “Meu irmão, eu creio na Bíblia tanto quanto você crê na Bíblia. Mas, quanto à maneira como interpretamos a Bíblia, não vemos exatamente da mesma forma”.
Ele continuou: “Se o Senhor me der luz e eu descobrir que aquilo que sei está errado, estou disposto a me corrigir. Mas não diga que eu não creio na Bíblia”.
Mais tarde, o missionário disse: “Se você compartilhar esta noite, eu não vou pregar”. O irmão visitante não queria criar um problema para os crentes locais, por isso se retirou e permitiu que o missionário falasse.
Isso ilustra uma coisa: ainda não chegamos à unidade da fé. Essa é a realidade. Mesmo em nosso conhecimento do Filho de Deus, ainda não chegamos lá. Não apenas diferimos na interpretação; também diferimos na experiência.
Aquilo que já temos, precisamos guardar diligentemente. Aquilo que ainda não temos, precisamos buscar.
Em Efésios 4, a unidade é mencionada duas vezes: primeiro, a unidade do Espírito; depois, a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus. Na verdade, não são duas unidades separadas. São duas extremidades de uma só unidade.
Partindo de uma extremidade da unidade, chegamos à outra. O início dessa unidade é a obra do Espírito Santo. A unidade que nos foi dada no Espírito já é nossa. Precisamos começar por ela e guardá-la.
Por mais que sejamos diferentes na interpretação da Palavra de Deus ou em nossas experiências, todos pertencemos a Cristo. Portanto, somos um. Começamos por aí.
Temos comunhão. Eu compartilho o Cristo que conheço, e você compartilha o Cristo que conhece. Você compartilha a verdade que conhece, e eu compartilho a verdade que conheço. Gradualmente, chegaremos à unidade da fé.
Não devemos insistir: “Porque eu vejo dessa maneira, você precisa concordar comigo”. Se insistirmos que não pode haver comunhão a menos que todos vejam exatamente como nós vemos, nunca chegaremos à unidade da fé.
Precisamos ser humildes. Precisamos receber uns aos outros, trazer as questões diante do Senhor, buscá-Lo e discernir o que devemos receber. Esse é o caminho pelo qual podemos chegar à unidade da fé.
Infelizmente, muitas vezes invertemos essas duas extremidades da unidade. Quando encontramos outro crente, talvez primeiro perguntemos se ele é crente, mas logo em seguida fazemos perguntas sobre formas de batismo, falar em línguas, interpretação profética ou outras questões.
Quando percebemos que outro crente pensa de maneira diferente de nós, talvez sintamos que não pode haver comunhão. Mas, se fizermos isso, nunca chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Para que o Corpo cresça e amadureça, precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito e avançar em direção à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus. Precisamos receber uns aos outros. Não precisamos brigar.
Também precisamos receber os ministérios que Deus deu à igreja. Efésios 4 nos diz que o Senhor ressuscitado ama a igreja e deseja que ela cresça. Portanto, Ele deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.
Pastores e mestres constituem uma única categoria de pessoas. Essas quatro categorias de dons são dadas por Deus à igreja. Todas têm um ministério da Palavra.
O que edifica a igreja é a palavra da graça de Deus. Esses dons ministram a Palavra de Deus à igreja para o aperfeiçoamento dos santos.
A palavra aperfeiçoamento tem dois aspectos. Em relação à vida, significa aperfeiçoar ou amadurecer os santos. Em relação ao trabalho, significa capacitá-los para o serviço.
Nenhum ministério é completo em si mesmo. O Senhor deu diferentes ministérios à igreja, e a igreja precisa receber todos os dons que Deus concedeu. Então o Corpo poderá crescer normalmente.
Se a igreja recebe apenas um tipo específico de ministério, isso é um crescimento anormal. Ela não pode crescer de maneira equilibrada. Um dos fatores importantes para a maturidade da igreja é receber os diversos ministérios que Deus concedeu.
Hoje, muitas vezes a igreja não consegue crescer adequadamente porque escolhemos um ministério e rejeitamos outro. Alguns dizem: “Eu sou de Paulo”, enquanto outros dizem: “Eu sou de Apolo”. Mas Paulo, Apolo e Cefas são todos nossos. Nós somos de Cristo, e Cristo é de Deus.
A obra desses ministérios não é edificar a igreja diretamente. Seu ministério é fazer com que os santos cresçam em vida e capacitá-los.
Efésios 4:12 diz:
Para o aperfeiçoamento dos santos,
para a obra do ministério,
para a edificação do corpo de Cristo.
A obra do ministério aqui é o ministério do Corpo. Não é algo que vem de fora para dentro da igreja. Ela surge e cresce dentro da igreja.
Cada membro se torna uma junta de suprimento. Todo membro que tem uma função precisa exercê-la. À medida que cada membro cresce e é capacitado, cada um ocupa o seu lugar no Corpo. Esse é o ministério do Corpo.
Somente esse ministério do Corpo edifica diretamente a igreja. Muitas vezes, dependemos do ministério da Palavra para edificar o Corpo, enquanto o restante do Corpo não funciona. Isso mostra que o Corpo não está crescendo adequadamente.
Quando cada membro — seja grande ou pequeno — se levanta e exerce sua função, então o Corpo edifica a si mesmo em amor. Então ele cresce em direção à plena medida e estatura que pertencem a Cristo.
Na revelação de Deus, a igreja já chegou a esse lugar glorioso. Na experiência, porém, precisamos avançar nessa direção. Precisamos voltar à revelação original.
Às vezes, parece que estamos avançando na direção oposta. Em vez de avançarmos em direção à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, vemos as ruínas da igreja. Vemos a igreja na condição de Laodiceia.
Quando a igreja poderá alcançar a plena medida e estatura que pertencem a Cristo? Certa vez, um irmão perguntou a T. Austin-Sparks qual capítulo das Escrituras era mais difícil de ver cumprido. Ele respondeu: “Efésios 4”.
Ele havia lido a passagem muitas vezes, mas ficava apreensivo quando a considerava. Quando o povo de Deus poderá chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus? Quando a igreja alcançará a plena medida e estatura que pertencem a Cristo?
Para os homens, isso não é possível. Como isso pode se cumprir? Se não se cumprir, como nosso Senhor poderá voltar? Essa é uma pergunta solene.
Nos meus primeiros anos, perguntei a um irmão sobre Efésios 5. Cristo amou a igreja e entregou-Se por ela. Ele a santifica e a purifica pela lavagem de água com a Palavra, para apresentar a Si mesmo a igreja gloriosa, sem mancha nem ruga.
Perguntei: “Como essa passagem pode se cumprir?” Quando eu olhava para a condição da igreja, isso parecia impossível. Quanto mais eu olhava, menos via uma igreja gloriosa. Via muitas manchas, muita coisa repreensível e pouca santidade.
O irmão respondeu: “Veja, esse é o princípio dos vencedores”. Por causa das dificuldades desta era, muitos filhos de Deus não avançam, mas retrocedem. O caminho do Senhor parece difícil demais.
Muitos discípulos deixaram o Senhor, mas Pedro respondeu:
Senhor, para quem iremos nós?
Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e sabemos
que Tu és o Santo de Deus.
O cumprimento de Efésios 4 e 5 está nesse princípio. Não podemos esperar que todos os filhos de Deus se levantem para alcançar tal condição. Mas esperamos que haja um pequeno grupo que se recuse a permanecer criança.
Porque se identificam com aquilo que está no coração de Deus, eles crescerão para se tornarem filhos maduros. Por amor à igreja, crescerão. Estarão dispostos a pagar o preço e a seguir o Cordeiro aonde quer que Ele vá.
Um dia, haverá uma voz vinda do céu:
São chegadas as bodas do Cordeiro,
e a Sua esposa já se preparou.
Apocalipse menciona a esposa do Cordeiro duas vezes: uma em Apocalipse 19 e outra em Apocalipse 21. Em Apocalipse 19, no fim desta era, há uma voz do céu declarando que as bodas do Cordeiro chegaram.
A noiva se preparou e vestiu sua roupa gloriosa de linho fino, que são os atos de justiça dos santos. Bem-aventurados aqueles que são convidados para a ceia das bodas do Cordeiro.
Quando João ouviu isso, a notícia era tão maravilhosa que ele se prostrou para adorar o anjo. Mas o anjo disse:
Não faças isso.
Sou conservo teu.
Adora a Deus.
A notícia era boa demais para João. Talvez a pergunta no coração de João fosse a mesma que está no nosso: Como Efésios 4 e 5 podem se cumprir? Como pode haver uma festa de bodas do Cordeiro? Quando a noiva se preparará?
Mas então vem a voz do céu: “Chegou a hora. A noiva já se preparou”. Isso acontece no início da era milenar, no fim da presente era.
Creio que a esposa do Cordeiro em Apocalipse 19 representa os vencedores, as primícias que representam toda a igreja.
Então, em Apocalipse 21, depois do fim dos mil anos e no início da era eterna, a esposa do Cordeiro é mostrada a João. Ele vê a Nova Jerusalém descendo do céu, cheia de glória.
Novamente, João se prostra para adorar o anjo, porque a visão é gloriosa demais. Mas o anjo diz: “Somos todos servos de Deus. Adora a Deus”. Naquele momento, toda a igreja se torna a esposa do Cordeiro.
O propósito eterno é cumprido. Em Apocalipse, ele já está cumprido na perspectiva de Deus.
Que Deus nos dê fé. Precisamos buscar diligentemente. Para os homens, isso não é possível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.
Que todos nós nos levantemos, busquemos diligentemente, cresçamos e nos mantenhamos firmemente unidos à Cabeça. Que apressemos a vinda do Senhor.
Senhor, sentimos vergonha em nosso íntimo, porque somos nós que estamos atrasando a Tua volta. Encoraja mais uma vez o nosso coração, para que nos levantemos e Te busquemos.
Senhor, tem misericórdia. Ansiamos por ver a Tua igreja crescer até alcançar a plenitude da medida e estatura que pertencem a Ti, para que recebas a recompensa do Teu trabalho. Amém.