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    What Is True Spirituality? The Marks Of True Spirituality © 2026 Christian Testimony Ministry
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    What Is True Spirituality? The Marks Of True Spirituality
    What Is True Spirituality? The Marks Of True Spirituality
    Kaung, Stephen

    A verdadeira espiritualidade: Cristo expresso por meio da humanidade

    Por favor, abram em 1 Coríntios 2:15.

    Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.

    No mesmo livro, 1 Coríntios 15:45-46:

    Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.
    Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual.

    Abram também em 2 Coríntios 4:7:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.

    E, em Filipenses:

    Porque para mim o viver é Cristo. — Filipenses 1:21
    De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. — Filipenses 2:5
    Para conhecê-Lo, e à virtude da Sua ressurreição, e à comunicação de Suas aflições, sendo feito conforme à Sua morte. — Filipenses 3:10
    Posso todas as coisas Naquele que me fortalece. — Filipenses 4:13

    Ou, como diz outra tradução:

    Tenho força para todas as coisas por meio Daquele que me capacita.

    Oração inicial

    Amado Senhor, nossos corações se maravilham por Tu nos amares tanto e nos ordenares que nos lembremos de Ti à Tua mesa. Nós Te louvamos e agradecemos porque Tu Te entregas a nós.

    Senhor, o desejo de nossos corações é que Tu nos tenhas inteiramente para Ti. Por um lado, ansiamos pela Tua volta, para que possamos ver-Te face a face. Mas, por outro lado, tememos que haja muito pouco em nós que possa realmente satisfazer o Teu coração.

    Assim, Senhor, nossa oração diante de Ti é que Tu cresças em nós e que nós diminuamos. Não permitas que vivamos numa condição falsa. Senhor, queremos ser verdadeiros. Queremos que Tu sejas tudo, e confiamos no Teu Espírito Santo para realizar essa obra.

    Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, sentimos que o tempo é tão curto. A menos que Tu realizes uma obra profunda em nós, Senhor, como poderemos ver-Te?

    Nós nos colocamos aos Teus pés e Te convidamos a aperfeiçoar a boa obra que começaste em cada um de nós, para o louvor da Tua glória. Entregamos este tempo em Tuas mãos.

    Reconhecemos que isso é algo que somente Tu podes fazer. Somos incapazes e simplesmente nos apoiamos em Ti. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    A preocupação com a verdadeira espiritualidade

    Neste tempo que passamos juntos, uma coisa pesa em nosso coração: aquilo que é espiritual. Percebemos que, sem verdadeira espiritualidade, não apenas nós não temos realmente coisa alguma, mas o Senhor também terá muito pouco.

    Nosso desejo é que o Senhor tenha muito para Si. Ele, Que nos ama tanto e nos deu tudo de Si, merece receber muito de nós. É por isso que nos reunimos: para considerar essa questão da verdadeira espiritualidade. Na realidade, não é apenas para nós mesmos; é para Ele.

    Ontem pela manhã, procuramos estabelecer um contraste entre a verdadeira e a falsa espiritualidade. Mateus 5 realmente nos descreve o que é a verdadeira espiritualidade, e Mateus 23 nos mostra o que é a espiritualidade falsificada, a falsa espiritualidade.

    Depois de ler as bem-aventuranças em Mateus 5, que impressão fica em vocês? Creio que a impressão que fica é Cristo. Embora o texto diga:

    Bem-aventurados os pobres de espírito.

    Ainda assim, é Cristo que vocês veem nos pobres de espírito.

    Mas, quando leem Mateus 23, que impressão vocês têm? Naqueles sobre os quais são pronunciadas maldições, a impressão que vocês têm é de religião.

    De um lado, está o Cristo vivo em nós. Isso é verdadeira espiritualidade. Do outro, encontramos o ser religioso. É carne religiosa: uma falsificação, um fingimento, uma representação de um papel no palco.

    Não há nada mais perigoso para os filhos de Deus, pois nada é mais contrário à espiritualidade do que a religiosidade. Tornamo-nos muito religiosos porque, sendo religiosos, pensamos que somos espirituais. É um substituto, uma falsificação, um engano.

    Podemos ser muito ortodoxos, mas mortos. Podemos ser muito tradicionais, mas não ter revelação. Podemos ser muito legalistas, mas não ter vida. Podemos ter uma forma de piedade, mas onde está o seu poder?

    Tornamo-nos divisivos e sectários. Irmãos e irmãs, vemos essa situação no cristianismo de hoje. Vemos essa situação entre o povo de Deus em toda parte.

    “Nós somos os ortodoxos. Temos a verdade. Sabemos o que é certo.” Tornamo-nos orgulhosos e ciumentos. Mas onde está Cristo? Onde O vemos?

    O homem natural, o homem carnal e o homem espiritual

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de compartilhar juntos sobre o que é a verdadeira espiritualidade e quais são as suas marcas.

    Em 1 Coríntios 15, está escrito que o primeiro Adão foi uma alma vivente, e o último Adão, um Espírito que dá vida. Primeiro vem o que é natural; depois, o que é espiritual.

    Quero tomar esses dois versículos como ponto de partida. Quando vocês pensam em Adão, pensam no homem natural. Quando pensam em Cristo, pensam no Homem espiritual. Primeiro vem o homem natural; depois, o Homem espiritual.

    Tudo o que é de Adão é natural. O homem natural não aprecia as coisas do Espírito. Elas estão além de seu alcance. Ele não conhece as coisas do Espírito. Portanto, é impossível que um homem natural seja espiritual.

    Se um homem natural tenta ser espiritual, vocês sabem, isso é uma pseudoespiritualidade. É uma imitação.

    Nós, que cremos no Senhor Jesus, em certo sentido, não somos classificados entre os homens naturais. Contudo, como nosso irmão já mencionou, nós, que pertencemos ao Senhor e cremos no Senhor Jesus, embora não pertençamos à categoria do homem natural, ainda podemos ser classificados como homens carnais.

    A única diferença entre o homem carnal e o homem natural é que o homem natural tem apenas alma e corpo, sem um espírito vivo; seu espírito está morto. O homem carnal teve seu espírito vivificado e renovado, mas ainda vive segundo a carne, e não segundo o espírito. A Bíblia diz que ele é carnal.

    Um homem carnal pode conhecer as coisas do Espírito, mas não pode obedecer ao Espírito. É impossível que um homem carnal seja espiritual. A carnalidade precisa ser tratada antes que haja a possibilidade de ser espiritual.

    Os crentes de Corinto eram cristãos carnais. Eram cristãos, mas eram cristãos carnais. Quando cristãos carnais fingem ser espirituais, isso é uma falsificação.

    Portanto, irmãos e irmãs, queremos deixar bem claro que a espiritualidade não é possível para o homem natural, e está além do alcance do homem carnal. Deus precisa fazer algo em nossa vida para nos conduzir à verdadeira espiritualidade.

    Cristo como padrão de espiritualidade

    Agora, o que é espiritualidade? Quem é aquele que é espiritual? Já dissemos que Cristo é o Homem espiritual. Entre todos os homens, Cristo é o Homem espiritual. Ele é o Homem espiritual em Sua perfeição.

    Tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, encontramos várias pessoas espirituais, mas elas são espirituais dentro de uma medida. Nosso Senhor Jesus é espiritual sem medida. Deus Lhe deu o Espírito Santo sem medida. Portanto, Ele é o padrão da verdadeira espiritualidade.

    Olhem para o nosso Senhor Jesus. Será que, por ser espiritual, Ele é menos humano, ou deixa de ser humano? Provavelmente, nosso conceito é que, para sermos espirituais, não podemos ser humanos. Pelo menos, deveríamos ser menos humanos. Então nos tornaríamos espirituais.

    Mas esse é um conceito falso, porque nosso Senhor Jesus é o ser humano mais perfeito.

    Ele é amigo de pecadores e publicanos. Ele ama as crianças. É acessível, podemos nos aproximar Dele, e Ele está aberto a todos. É santo e justo, mas as pessoas não têm a impressão de que Ele esteja dizendo: “Sou mais santo do que você”. Ele é misericordioso e cheio de graça.

    Ele foi tentado em todas as coisas. Qualquer coisa em que vocês possam pensar — um ser humano exposto à tentação —, nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, foi tentado em todas as coisas. Não há nada em que vocês sejam tentados que nosso Senhor não tenha sido tentado. Ele foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado.

    Ele chorou. Sua alma ficou angustiada. Às vezes, Seu espírito ficou oprimido. Quando foi rejeitado, Ele sentiu isso; contudo, elevou-Se acima disso.

    Nosso Senhor Jesus sentiu a dor, os sofrimentos, a rejeição. Pensem no Getsêmani. Pensem no Calvário. Tão humano e, ainda assim, tão espiritual.

    Ele era espiritual não porque fosse menos humano. Era humano porque era espiritual. Agora, para nós, é justamente o contrário. Precisamos ser humanos antes de podermos ser espirituais.

    Pensem nisso: se não somos humanos, não podemos ser espirituais. Por “humano”, não quero dizer a humanidade caída. Refiro-me ao ser humano que Deus tinha em Sua mente quando o criou.

    Toda a vida de nosso Senhor Jesus era uma com o Espírito de Deus. O Pai, o Filho e o Espírito são todos um.

    Vocês se lembram de que, em Sua última conversa com os discípulos antes de Sua morte, Ele disse:

    Eu vos enviarei outro Consolador.
    Vós O conheceis, porque Ele está convosco e estará em vós.

    Quem estava com os discípulos naquele momento? O próprio Senhor. Contudo, o Senhor disse que esse outro Consolador estava com eles, porque Ele e o Senhor são um. Depois que nosso Senhor Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos, Ele foi glorificado, e o Espírito foi dado: outro Consolador, outro da mesma natureza, não de uma natureza diferente, mas da mesma natureza de nosso Senhor.

    Ele nasceu pela ação do Espírito de Deus, que cobriu com Sua sombra o ventre da virgem Maria. Depois que Ele foi batizado, os céus se abriram, e o Espírito de Deus desceu sobre Ele como uma pomba; não apenas sobre Ele, mas fazendo Nele Sua morada.

    Quando voltou da tentação, Ele estava cheio do poder do Espírito Santo. Quando começou Seu ministério, disse:

    O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu.

    Ao longo de Sua vida, vocês veem que Ele e o Espírito Santo são indivisíveis. São um, em Sua vida e em Seu ministério. Foi pelo Espírito eterno que Ele Se ofereceu uma vez por todas a Deus, sem mácula, como sacrifício.

    Irmãos e irmãs, isto é espiritualidade: uma vida no Espírito.

    Olhem para a vida de nosso Senhor Jesus. Vocês veem que Ele nunca viveu para Si mesmo. Ele vivia pelo Pai.

    Em João 6:57, Ele disse:

    Assim como o Pai, Que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim quem de Mim se alimenta também viverá por Mim.

    Em outras palavras, Ele vivia pelo Pai, e não por Si mesmo.

    Ele vivia para o Pai, e não para Si mesmo. Em João 17:4, disse:

    Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer.

    Ele vivia para o Pai e vivia no Pai.

    Ele disse a Filipe:

    Estou há tanto tempo convosco, e não Me tens conhecido?
    Quem Me vê a Mim vê o Pai.
    Não crês tu que Eu estou no Pai, e que o Pai está em Mim?

    Portanto, irmãos e irmãs, aqui vocês encontram um Homem. Ele é a espiritualidade em sua perfeição: muito humano e, ainda assim, profundamente espiritual. Esse é nosso Senhor Jesus. Esse é o padrão da verdadeira espiritualidade.

    O apóstolo Paulo como vaso de barro

    Vamos considerar o apóstolo Paulo e como ele aprendeu de Cristo nessa área da espiritualidade. Paulo é um homem sujeito às mesmas paixões que nós. Ora, se Paulo pode ser espiritual, então nós também temos esperança.

    Quem é Paulo? Ele é um homem em Cristo. Em 2 Coríntios 12, disse:

    Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos…

    Esse homem foi arrebatado ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, ele não sabia. Foi arrebatado ao Paraíso e ouviu coisas que não podiam ser expressas. Vocês sabem, ao lerem isso, que ele está falando de si mesmo. Ele é um homem em Cristo.

    Há dois livros no Novo Testamento que revelam Paulo como homem e seu ministério: 2 Coríntios e Filipenses. Se vocês quiserem usar uma palavra para resumir 1 Coríntios, essa palavra é carnalidade. Mas, se quiserem usar uma palavra para descrever 2 Coríntios, é espiritualidade.

    Embora 2 Coríntios seja mais uma descrição do ministério espiritual do apóstolo Paulo, ministério e vida não podem ser separados. Podemos falar de 2 Coríntios sob o ponto de vista do ministério espiritual, mas, nesta manhã, queremos usar esse livro para olhar para Paulo como um homem em Cristo.

    Ao abrirem 2 Coríntios, vocês veem que o livro começa com tribulação e sofrimento. Isso é a vida. Paulo era um homem que conhecia tribulações e sofrimentos, mas também conhecia a consolação de Deus.

    Infelizmente, muitas pessoas conhecem tribulações e sofrimentos, mas não conhecem as consolações de Deus. Paulo tinha sobre sua vida a sentença de morte. Ele disse:

    Até da vida desesperamos.

    Contudo, conhecia o poder da ressurreição de Cristo.

    Paulo desejava visitar Corinto. Ele amava os crentes de Corinto e queria visitá-los duas vezes. Disse-lhes isso. Mas as circunstâncias mudaram, e ele não foi.

    Então as pessoas disseram: “Olhem para esse homem. Não se pode confiar nele”. Paulo disse: “Sim, mudei de ideia. Prefiro ser verdadeiro a ser apenas coerente”. Mas o evangelho que ele pregava não era “sim e não”. Em Cristo, era “sim e amém”.

    Poderíamos pensar que Paulo era tão forte. Contudo, quando estava em Trôade, a porta para o evangelho estava amplamente aberta, mas ele não conseguia encontrar Tito. Havia combinado que Tito visitaria os coríntios e esperava que ele trouxesse notícias. Tito se atrasou. Embora a porta para o evangelho estivesse amplamente aberta, Paulo não conseguia trabalhar. Ele saiu dali e foi para a Macedônia. Que fracasso — tão humano.

    Contudo, ele disse:

    Graças a Deus, Que sempre nos conduz em triunfo em Cristo.

    Ele era fiel aos coríntios e, por causa dessa fidelidade, escreveu-lhes uma carta severa. Essa carta se perdeu; não era 1 Coríntios. Ele escreveu uma carta com lágrimas. Os coríntios pesavam tanto em seu coração. Ele falou a verdade em amor: uma carta severa, mas com lágrimas, muitas lágrimas.

    Depois de escrever a carta, ficou inquieto. “Ah, por que escrevi uma carta assim? É severa demais.” Contudo, quando chegaram as boas notícias, ele foi consolado por saber que aquela carta havia produzido o resultado certo. Muito humano.

    Quando foi rejeitado, sentiu isso profundamente. Contudo, disse:

    Quanto menos sou amado, mais vos amo.
    Estou disposto a gastar e a me deixar gastar por vós.

    Aqui está um homem que foi forçado a agir como um insensato e, contudo, tinha visões e revelações; um homem que tinha um espinho na carne, mas sabia que a graça de Deus lhe era suficiente.

    O que vocês veem nesse homem? Ele é um homem de barro, mas com um tesouro dentro dele.

    Irmãos e irmãs, o que é verdadeira espiritualidade? A verdadeira espiritualidade é um vaso de barro com um tesouro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não do homem.

    Em outras palavras, é o poder do tesouro que se manifesta por meio do vaso de barro. Isso é verdadeira espiritualidade.

    A verdadeira espiritualidade não é o vaso de barro. Tentamos refinar o vaso de barro, decorar o vaso de barro, fazer o vaso de barro parecer espiritual. Mas isso não é espiritualidade.

    Ou vamos ao outro extremo e dizemos: “Destrua o vaso de barro. Ele é um obstáculo tão grande. Ah, se eu pudesse destruir esse vaso de barro — não haveria mais humanidade —, então seria espiritual”. Não.

    O vaso de barro precisa estar ali. A humanidade está ali. Mas, com o vaso de barro por si só, não há espiritualidade. Precisa haver um tesouro no vaso de barro.

    Ou, dizendo de outra maneira: o que é verdadeira espiritualidade? Dizemos que é o tesouro. Não. Não é apenas o tesouro sem o vaso de barro. Isso não é verdadeira espiritualidade.

    A verdadeira espiritualidade é a vida divina manifestando-se por meio da humanidade. Isso é verdadeira espiritualidade.

    É um paradoxo. Vocês sempre serão fracos. O vaso de barro é fraco. Um tesouro pode muito bem ser levado num vaso rachado. Essa fragilidade sempre estará presente.

    Contudo, Paulo disse:

    Glorio-me na minha fraqueza, porque, quando estou fraco, então sou forte.

    Um paradoxo.

    É Cristo manifestando-Se por meio de uma vida humana. Isso é espiritualidade.

    Portanto, irmãos e irmãs, não sejam idealistas demais, pensando que tudo é tesouro e que não há vaso de barro. Não é isso que Deus quer. Vocês nunca chegarão a esse ponto. É o tesouro no vaso de barro.

    Vocês veem a humanidade em Paulo: muito humano. Contudo, por meio dessa humanidade, veem Cristo. Isso é verdadeira espiritualidade.

    O caminho para a verdadeira espiritualidade

    Bem, se essa é a verdadeira espiritualidade, como chegamos a ela? Eu realmente agradeço a Deus. Embora nós três irmãos não tenhamos conversado sobre o que iríamos compartilhar, fomos conduzidos a falar na mesma direção. Agradeço ao Senhor porque não estamos simplesmente repetindo uns aos outros. Creio que isso vem do Senhor. O Senhor nos dá um só espírito e uma só mente.

    Deixem-me colocar isso de maneira bem simples. Antes de tudo, precisa começar com a regeneração, com o novo nascimento. Como já dissemos muitas vezes, a espiritualidade tem sua origem no espírito.

    Graças a Deus, quando Ele nos fez nascer de novo e vivificou nosso espírito morto, colocou em nós o Seu próprio Espírito. O Espírito Santo é o único agente da espiritualidade. Sem Ele, não pode haver espiritualidade.

    Todo filho de Deus, toda pessoa nascida de novo, não apenas tem um espírito novo, mas também tem o Espírito Santo habitando em seu espírito. A obra do Espírito Santo é nos conduzir à espiritualidade, tornar-nos espirituais, porque essa é a vontade de Deus.

    A vontade de Deus não é que vocês sejam carnais a vida inteira. A vontade de Deus é que vocês sejam filhos e filhas de Deus. Em Romanos 8, está escrito:

    Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

    Portanto, precisamos ser guiados pelo Espírito. É isso que o Espírito que habita em nós está fazendo em nossa vida.

    Nossos dois irmãos mencionaram essa questão da consagração. Romanos 12. A consagração é uma chave.

    Vocês têm o espírito novo. Têm o Espírito Santo habitando em seu espírito. Tudo já está ali para que avancem no caminho da espiritualidade, mas a porta precisa ser aberta. A chave é a consagração.

    Nosso irmão mencionou que, quando se consagrou, disseram-lhe que se tornasse batista. Bem, a mesma coisa aconteceu comigo — não no sentido de me tornar pastor batista.

    Quando fui salvo, eu tinha quinze anos. Busquei o Senhor durante um ano inteiro. O Senhor parecia esquivar-Se de mim. Mas, depois de um ano inteiro buscando-O, finalmente Ele veio ao meu encontro.

    Quando eu estava pronto para desistir, disse isso a Ele. Eu disse ao Senhor: “Se Tu não me salvares desta vez, adeus”. E Ele me salvou naquela mesma tarde. Graças a Deus.

    Mas, segundo o cristianismo tradicional, o último dia de toda convenção ou conferência é sempre dedicado à consagração. E, por consagração, entende-se tornar-se ministro, obreira bíblica ou missionário. Esse era o conceito.

    Um grande mapa da China estava pendurado na parede atrás da plataforma, e o pregador insistia com toda força: “Se você ama o Senhor, entregue-se — consagre-se a Ele — e vá pregar o evangelho”. Ele até nos disse: “Vocês podem escolher para onde querem ir”.

    Eu era um jovem tão grato ao Senhor. Quando o pregador disse: “Agora, venham à plataforma. Coloquem o dedo no lugar para onde querem ir”, pensei: “Na China, qual é o lugar mais difícil, o mais distante? A Mongólia”.

    Então fui à plataforma e coloquei o dedo na Mongólia. “É para lá que vou.” Eu estava falando sério. Mas, até hoje, nunca estive na Mongólia.

    O que é consagração?

    Consagração não é fazer alguma coisa para Deus. Consagração é entregar-se a Ele e deixar que Ele faça a obra. Isso é consagração.

    Ele vai realizar uma grande obra em sua vida para tornar você espiritual. Mas não vai forçá-lo. Ele está esperando que você abra a porta, que Lhe dê permissão.

    Pensem nisso. Ele tem todo o direito sobre vocês e, ainda assim, espera sua permissão. Consagrar-se é oferecer a si mesmo:

    Apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo.

    Diga: “Senhor, estou aqui, à Tua disposição. Faz o que está em Teu coração”.

    Isso abre a porta para que o Espírito Santo comece a trabalhar em sua vida.

    A santificação da alma

    Irmãos e irmãs, nossa alma precisa ser santificada. Quem está habitando em nossa alma? O eu: você, eu.

    Fomos salvos pela graça de Deus, e a obra da graça já começou em nosso espírito. Mas ela precisa alcançar a alma.

    Contudo, vocês percebem que nosso eu está no trono de nossa alma: esse eu caído, esse eu pecaminoso, esse eu egoísta. Ele está no controle da vida de nossa alma.

    O eu se expressa por meio de nossas emoções. Expressa-se por meio de nossa mente, de nossa vida de pensamentos. Expressa-se por meio de nossa capacidade de decidir, de nossa vontade.

    Como nossos irmãos disseram, precisa haver uma transformação para que nossa alma expresse Cristo, e não a nós mesmos. Ou, dizendo de outra maneira, Cristo precisa ser entronizado em nossa alma. Nosso eu precisa ser removido e substituído por Cristo.

    É isso que vocês encontram em Efésios 3, na oração de Paulo: que Cristo habite em seu coração. Cristo habita em seu espírito hoje, mas Ele habita em seu coração? Vocês permitem que Ele venha, encha seu coração, assuma o controle de todas as faculdades de sua alma e Se expresse por meio de vocês?

    Como isso acontece? O Espírito Santo organiza as circunstâncias ao seu redor.

    Lembrem-se, irmãos e irmãs: para um Deus soberano, até os cabelos de sua cabeça estão numerados; não apenas contados, mas numerados. Cada cabelo tem um número. Assim, quando vocês penteiam o cabelo pela manhã, certos números caem, e Deus sabe disso. Vocês não sabem, mas Deus sabe.

    Ele nos ama a esse ponto. Vocês acham que as circunstâncias ao seu redor podem mudar por coincidência? Nunca.

    À medida que vocês se entregam ao Senhor, Ele organiza suas circunstâncias. Por meio delas, Ele traz a cruz para que vocês a carreguem.

    Não criem suas próprias cruzes. Isso é obra do Espírito Santo. Haverá muitas.

    À medida que o Espírito Santo organiza suas circunstâncias — sejam pessoas, acontecimentos, relacionamentos ou qualquer outra coisa na vida diária —, Ele as organiza e fala dentro de seu espírito. Ele lhes diz: “Tome a sua cruz e siga o Senhor”.

    O que é uma cruz? Uma cruz é algo que atravessa o seu caminho.

    Você quer ir numa direção, e o Senhor diz: “Não, é na outra direção”. Isso é uma cruz. Você quer uma coisa, e o Senhor diz: “Não, a outra coisa”. Isso é uma cruz. Você quer a sua vontade, e o Senhor diz: “Não, a Minha vontade”. Isso é uma cruz.

    A cruz serve a um único propósito: crucificar o eu.

    É por isso que nosso Senhor Jesus disse:

    Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Caso contrário, vocês não podem ser Meus discípulos. Isso significa que vocês nunca aprenderão.

    Negar o eu é uma questão de vontade. Depois que você se entrega ao Senhor, há essa disposição. Tomar a cruz: você precisa fazer isso. É algo ativo e positivo. Você pode fugir dela; pode contorná-la.

    Mas, se estiver disposto a tomar a cruz para que o eu seja crucificado e eliminado, então, irmãos e irmãs, Cristo virá e ocupará o lugar que Lhe pertence por direito.

    É por isso que vocês encontram Paulo dizendo em 2 Coríntios 4:

    Trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos.

    Somos entregues à morte diariamente, para que possamos conhecer a vida diariamente.

    Se fugirmos da cruz, o eu nunca será destronado, Cristo nunca será entronizado em nosso coração, e a transformação não acontecerá.

    Portanto, irmãos e irmãs, isso é muito importante: nesse caminho para a espiritualidade, vocês descobrirão que se trata de um caminho de cruz.

    Não sei se algum de vocês já leu A verdadeira espiritualidade, de Francis Schaeffer. Nesse livro, ele diz que o “como” da verdadeira espiritualidade não está no esforço nem na energia humana.

    Ele diz que o “como” da verdadeira espiritualidade é, na realidade, Romanos 6:11:

    Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.

    Mortos para o pecado em Cristo: esse é o aspecto negativo. Vivos para Deus em Cristo: esse é o aspecto positivo.

    Assim, ele diz que o “como” da verdadeira espiritualidade é simplesmente isto: o poder de Cristo Jesus crucificado, ressurreto e glorificado, pela ação do Espírito Santo e mediante a fé.

    Lembro-me de James Stewart dizer que a verdadeira espiritualidade não é necessariamente uma elevada compreensão intelectual das doutrinas das Escrituras. Vocês encontram verdadeira espiritualidade nos crentes mais simples, para quem Cristo é tudo.

    O significado, o sinal, o caminho e o poder da espiritualidade

    A verdadeira espiritualidade é Cristo em vocês.

    Filipenses é uma carta que revela Paulo como homem espiritual. Em Filipenses 1:21, ele diz:

    Porque para mim o viver é Cristo.

    Bem, esse é o significado da verdadeira espiritualidade.

    Para mim, o viver é Cristo. Vocês têm o “mim” ali; têm Cristo ali. Não sou eu quem vive; é Cristo Quem vive. Para mim, o viver é Cristo vivendo em mim. Isso é verdadeira espiritualidade.

    Você vive, mas não é você. É um mistério. É Cristo vivendo em você.

    O sinal da verdadeira espiritualidade é a mente de Cristo. Como nossos irmãos já mencionaram, a mente de Cristo é um sinal da verdadeira espiritualidade: uma mente de humildade, uma disposição de esvaziar a si mesmo, de considerar os outros superiores a si mesmo, uma mente de obediência.

    O caminho para a verdadeira espiritualidade encontra-se em Filipenses 3:10: conhecer a Ele, o poder de Sua ressurreição, a comunhão de Seus sofrimentos e a conformidade com Sua morte.

    O poder da verdadeira espiritualidade encontra-se em Filipenses 4:13:

    Posso todas as coisas por meio Daquele que me capacita.

    Vocês sabem, irmãos e irmãs, toda espiritualidade diz: “Posso todas as coisas”. Mas o Senhor diz em João 15:5:

    Sem Mim nada podeis fazer.

    Já chegamos a esse ponto? Sem Ele, nada podemos fazer.

    Mas alguns irmãos e irmãs param aí: “Então não posso fazer nada; por isso, não faço nada”. Tornam-se muito passivos. Bem, isso é apenas a preparação.

    Se você pode fazer todas as coisas, então Cristo não pode fazer nada. Portanto, você precisa ser levado ao ponto em que reconheça que nada pode fazer sem Ele. Então perceberá: “Posso todas as coisas por meio Daquele que me capacita”. Esse é o poder da verdadeira espiritualidade.

    As marcas da verdadeira espiritualidade

    Bem, quais são as marcas da verdadeira espiritualidade? Vou mencionar apenas algumas. Nosso irmão já mencionou algumas delas.

    Pobreza de espírito

    Antes de tudo, creio que a marca da verdadeira espiritualidade é ser pobre de espírito.

    Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
    — Mateus 5:3

    A pseudoespiritualidade é o espírito dos laodicenses:

    Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta.

    Mas o Senhor diz:

    Não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

    O fariseu entrou no templo e orou:

    Ó Deus, graças Te dou porque não sou como os demais homens.

    “Ah, não sou como aquele publicano. Dou a décima parte de tudo. Jejuo duas vezes por semana. Sou grato a Ti. Tu deverias ser grato a mim.”

    Hipócrita. Isso é falsa espiritualidade.

    A verdadeira espiritualidade se manifesta na pobreza de espírito. Por quê? Porque a pessoa viu o Senhor.

    Se você viu o Senhor — como Ele é rico e pleno —, percebe como você é miserável, pobre, cego e nu.

    Até Daniel, o amado de Deus, quando viu o Senhor, disse:

    Transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio.

    Somente quem não viu o Senhor pensa que é mais justo do que todos os outros. Mas, quando Jó viu o Senhor, arrependeu-se no pó e na cinza.

    Queridos irmãos e irmãs, a marca segura da verdadeira espiritualidade é a pobreza de espírito: não fingir ser pobre, mas ser verdadeiramente pobre porque se viu o Senhor. Quanto mais você vê o Senhor, mais percebe como é pobre.

    Riqueza em amor

    Em segundo lugar, a marca da verdadeira espiritualidade é a riqueza em amor.

    A ciência incha, mas o amor edifica.

    Nosso conhecimento intelectual, até mesmo nosso conhecimento intelectual das Escrituras — conhecemos a doutrina, temos uma elevada compreensão intelectual das doutrinas das Escrituras —, isso apenas nos enche de orgulho. É pseudoespiritualidade.

    Mas o amor edifica. O verdadeiro conhecimento espiritual produz amor.

    Na oração de Paulo em Efésios, ele pede que nos seja concedido o espírito de sabedoria e de revelação para o pleno conhecimento de Deus. Depois, ele prossegue com outra oração: que nosso homem interior seja fortalecido pelo Espírito Santo, que Cristo habite em nosso coração, que possamos compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Deus, que excede o conhecimento.

    Queridos irmãos e irmãs, o verdadeiro conhecimento produz amor: amor a Deus, amor pelos irmãos e amor pelas pessoas. A verdadeira espiritualidade se expressa em amor, porque Deus é amor.

    Ela não se expressa apenas em conhecimento, nem em manifestações de poder. Isso não é a realidade da espiritualidade.

    A sentença de morte

    A terceira marca da espiritualidade é a sentença de morte.

    Paulo disse em Gálatas 6:17:

    Trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.

    As feridas de Cristo. Queridos irmãos e irmãs, estamos intactos, sem nunca termos sido tratados?

    Nunca fomos despejados de um vaso para outro, de modo que nosso sabor permanece o mesmo? Se fomos tratados pelo Senhor, haverá sobre nós a sentença de morte. Não ousamos confiar em nós mesmos. Não ousamos levantar a cabeça.

    Contudo, conhecemos o poder da ressurreição da vida de nosso Senhor. Essa é a verdadeira marca da espiritualidade.

    Visão e revelação

    Em quarto lugar: a verdadeira espiritualidade é marcada por visão e revelação. Com isso, não quero dizer o que as pessoas dizem hoje: “Bem, tenho uma visão. Tenho um sonho. Tenho uma revelação”.

    O que quero dizer é que aquele que é espiritual é tão puro de coração que vê a Deus. Ele vê o próprio coração de Deus, a própria mente de Deus, o próprio propósito de Deus.

    Ele é iluminado. Anda na luz, como Deus está na luz, e tem comunhão com os outros; e o sangue de Jesus Cristo o purifica de todo pecado.

    Discernimento espiritual

    Em quinto lugar: o espiritual discerne todas as coisas. O discernimento espiritual vem por meio de muita experiência com o Senhor.

    Isso acontece porque você se torna transparente. À medida que se torna transparente, tudo fica claro.

    Vocês sabem, quando o Senhor Jesus estava na terra, Ele não precisava que as pessoas Lhe falassem sobre o homem, porque Ele sabia. Ele via tudo por dentro. Olhou para Pedro, e Pedro ficou sem forças.

    Irmãos e irmãs, o espiritual discerne todas as coisas. Os espirituais não são enganados pelas aparências; conseguem ver além delas.

    Mas o discernimento espiritual não é para julgar. É para ministrar.

    Nosso problema é que, quanto mais vemos, mais julgamos. Tornamo-nos o juiz do Supremo Tribunal. Julgamos todos e tudo.

    Mas a verdadeira espiritualidade lhe dá discernimento para que você possa servir. Como você pode servir a seus irmãos e irmãs se não consegue discernir? Você não sabe onde eles estão nem qual é sua condição espiritual. Podem dizer uma coisa, mas não estão dizendo o que realmente há dentro deles. Muitas vezes, dizemos uma coisa, mas queremos dizer outra. Você precisa de discernimento.

    É para o serviço, para o ministério. Mas, infelizmente, outra marca do espiritual é que ele de ninguém é discernido. Em outras palavras, será muito incompreendido por todos. Esse é o preço que você precisa pagar.

    O chamado à autenticidade espiritual

    Quando cantamos a canção “Maranata”, ela me tocou profundamente. O Senhor está voltando em breve. Realmente creio que temos o desejo de vê-Lo.

    Mas eu estava pensando: quando eu O vir, quanto Ele receberá de volta para Si? Quanto será queimado? Quantas coisas — meses e anos — vivi nessa condição, pensando que tinha a realidade, mas era uma falsificação, um fingimento, algo que não era verdadeiro?

    Não é Cristo em mim. Sou eu tentando ser como Cristo.

    Sinto realmente temor. É por isso que essa preocupação pesa em nosso coração, irmãos e irmãs. Estes já não são dias para brincar: brincar com sua vida espiritual, brincar com a vida da igreja. Não temos tempo para isso.

    Minha oração é que, quanto mais cedo soubermos quanto há em nossa vida que não é verdadeiro, melhor; assim, poderemos permitir que o Espírito de Deus realmente manifeste Cristo em nossa vida.

    E, quando O virmos, como Paulo disse, não seremos envergonhados. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?

    Oração final

    Senhor, podemos falar de espiritualidade. Podemos adotar a terminologia e tentar parecer espirituais. Não permitas isso.

    Oramos para que todos nós caiamos aos Teus pés, permitindo que Tu nos examines e nos proves.

    Senhor, seja qual for o custo, se isso significar que sejamos reduzidos a zero, Senhor, faz isso.

    Oramos para que, de agora em diante, seja Cristo em nós, a esperança da glória. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.