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    Kaung, Stephen

    A vida da igreja como expressão do corpo de Cristo

    Por favor, abram no livro de Atos 2:42.

    E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

    Fundamentos da igreja

    Gostaria de saber quantos de vocês se lembram do que compartilhamos há cerca de seis meses. Quando estivemos juntos naquela ocasião, consideramos esta questão da igreja: seu nascimento, seu significado e sua expressão.

    Mencionamos que a igreja não é um conceito humano, nem um projeto da história. A igreja é algo concebido na mente de Deus, antes mesmo da fundação do mundo.

    A igreja está sendo preparada pelo Filho de Deus, nosso Senhor Jesus. Ele veio a este mundo, tornou-Se homem e foi à cruz. Do Seu lado traspassado saíram água e sangue.

    São o Seu sangue e a Sua água que se tornam o material da igreja. Seu sangue nos lava de todos os nossos pecados, e a água representa Sua vida. Sua vida é derramada por nós e em nós. Por causa de Sua morte, somos redimidos e introduzidos na igreja.

    Foi no dia de Pentecostes que o Espírito Santo desceu sobre os cento e vinte que estavam reunidos no cenáculo. Em um só Espírito, eles foram batizados em um só corpo.

    Sabemos que a igreja é o corpo de Cristo. Ela é a plenitude dAquele que a tudo enche em todas as coisas.

    A igreja tem sua expressão tanto universalmente quanto localmente.

    A expressão universal e local da igreja

    Há somente uma igreja: a igreja universal. Ela inclui todos os redimidos do Senhor, desde o primeiro que creu no Senhor Jesus até o último que vier a crer, ao longo de todos os séculos e em toda a terra. Todos os que pertencem ao Senhor são membros desse corpo de Cristo.

    Esta é a igreja universal, e essa igreja universal tem sua expressão localmente. Primeiro, ela se manifestou em Jerusalém. Mais tarde, manifestou-se na Judeia, em Samaria, em Antioquia, na Macedônia e em Roma.

    Mas não parou em Roma. Onde quer que o evangelho seja pregado e onde quer que as pessoas creiam no Senhor Jesus, elas se tornam uma expressão do corpo de Cristo naquela localidade.

    O que é a igreja? A igreja é Cristo. É Cristo em Sua expressão corporativa. Isso é o que a igreja realmente é.

    Graças a Deus, por Sua graça, fomos chamados, escolhidos e introduzidos na igreja de Deus.

    Foi isso que compartilhamos há cerca de seis meses. Desta vez, gostaríamos de continuar edificando sobre esse fundamento. O nascimento da igreja, seu significado e sua expressão são verdades fundamentais a respeito da igreja.

    Agora queremos edificar sobre esse fundamento e entrar no aspecto mais subjetivo da igreja. Nesta noite, se o Senhor quiser, gostaríamos de compartilhar sobre a vida da igreja. Amanhã de manhã, se o Senhor quiser, compartilharemos sobre a função da igreja.

    A igreja como organismo vivo

    Agora, irmãos e irmãs, sabemos que a igreja é o corpo de Cristo, e esse corpo inclui muitos, muitos membros. É um organismo vivo.

    Você não se filia à igreja, nem pode se desligar dela. Se a igreja fosse uma organização, você precisaria se filiar a ela para ser membro; e, se não estivesse satisfeito, poderia se desligar dessa organização.

    Mas a igreja é um corpo. É um organismo. A única maneira de fazer parte desse organismo é pelo nascimento.

    Não há como se desligar desse corpo. Uma vez que você crê no Senhor Jesus, nasce do alto e é introduzido no corpo de Cristo.

    Muitas vezes, pensamos em crer no Senhor Jesus de maneira pessoal. É verdade: cada um de nós precisa crer pessoalmente no Senhor Jesus, e todos precisam nascer do alto. Ninguém pode substituir você. Você mesmo precisa crer.

    Ao crer, você se torna filho de Deus. Torna-se membro da família de Deus e, mais do que isso, torna-se membro do corpo de Cristo.

    Sabemos que somos salvos e que nascemos de novo. Graças a Deus por isso. Mas, muitas vezes, não sabemos que, no momento em que nascemos do alto, quando uma nova vida entra em nós, também somos introduzidos no corpo de Cristo. Tornamo-nos membros do corpo de Cristo.

    Temos uma só vida, uma só Cabeça — nosso Senhor Jesus Cristo —, e cada um de nós é um membro em particular. Portanto, crer no Senhor Jesus é mais do que uma questão pessoal; é uma questão corporativa.

    Uma vez que você crê no Senhor Jesus, pertence à família de Deus. Você não está sozinho. Não pode ser independente.

    Você não pode dizer: “Bem, vou crer no Senhor Jesus e vou buscar o Senhor, mas não preciso de nenhum irmão ou irmã”. Você não pode fazer isso, porque pertence à família de Deus. Você é membro do corpo de Cristo.

    A consciência de Deus e a consciência do corpo

    Quando você crê no Senhor Jesus, passa a ter consciência de Deus. Antes disso, Deus estava distante de você. Talvez você acreditasse que Ele existia, mas não tinha nenhum relacionamento com Ele.

    Mas, no momento em que você crê no Senhor Jesus e nasce do alto, um relacionamento é imediatamente estabelecido entre você e Deus. Deus já não está distante. Deus Se torna seu Pai celestial.

    A Bíblia diz que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Clamamos: “Aba, Pai”. Há uma consciência de que pertencemos a Deus. Ele é nosso Pai. Há um relacionamento íntimo.

    Mas, ao mesmo tempo, outra consciência surge em nós. No momento em que cremos no Senhor Jesus, começamos a ter consciência dos outros membros da família.

    Quando você encontra outro crente, talvez o esteja encontrando pela primeira vez; contudo, ao descobrir que ele também é crente, imediatamente percebe um amor que se dirige àquela pessoa. Parece haver algo fluindo entre vocês. Você sente que pertence a ele, e ele pertence a você, porque vocês são da mesma família e estão no mesmo corpo.

    Irmãos e irmãs, nós que cremos no Senhor Jesus não temos apenas consciência de Deus; temos consciência do corpo, porque pertencemos uns aos outros.

    A necessidade de viver a vida do corpo

    Por causa disso, precisamos fazer uma pergunta muito importante: já que pertencemos ao mesmo corpo, como podemos viver essa vida do corpo? Como podemos viver nossa vida da igreja?

    Infelizmente, encontramos muitos dentre o povo de Deus que, embora tenham consciência do corpo, não sabem como viver essa vida do corpo. Embora pertençam à igreja, não sabem o que é a vida da igreja.

    Chamamos a nós mesmos de cristãos. Na verdade, o nome cristão não surgiu logo no início. Se vocês lerem o livro de Atos, verão que, no princípio, eles eram chamados de crentes, discípulos e pessoas do Caminho.

    O nome cristão só aparece em Atos 11:26.

    E em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.

    No princípio, as pessoas não sabiam como chamá-los, então os chamavam de aqueles que criam no Senhor Jesus. Eram crentes. Eram discípulos do Senhor.

    O mundo percebeu que eles viviam de maneira diferente das outras pessoas, então os chamou de pessoas do Caminho. Era um modo de vida diferente.

    A palavra cristão só surgiu mais tarde, porque, no princípio, as pessoas pensavam que o cristianismo era simplesmente uma seita do judaísmo. No início, os crentes eram judeus; mas, em Antioquia, a maioria dos crentes era gentia. O mundo não sabia como chamá-los.

    Perceberam que eles eram homens de Cristo. Essas pessoas pertenciam a Cristo. Reuniam-se em nome de Jesus Cristo. Pregavam Cristo Jesus, adoravam Cristo Jesus e davam testemunho de Cristo.

    Eram homens de Cristo, e isso é ser cristão.

    Portanto, irmãos e irmãs, o cristianismo é um modo de vida. Há um modo de vida cristão. Todo cristão vive esse tipo de vida — não um cristão vivendo de uma maneira e outro cristão vivendo de outra.

    Todos os cristãos que creem no Senhor Jesus andam no mesmo caminho. Vivem o mesmo tipo de vida, totalmente diferente do mundo. É a vida da igreja. É a vida do corpo.

    O modelo da vida da igreja em Atos

    Quando vocês leem o início do livro de Atos, veem a igreja e como eles viviam. Abram em Atos 2:44.

    E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.

    Aqueles que criam no Senhor Jesus estavam juntos — não apenas fisicamente. Estavam juntos em um só espírito, uma só alma, uma só mente e um só amor. Tinham tudo em comum.

    Em outras palavras, foram libertos do apego àquilo que possuíam. Temos um impulso muito forte de nos apegar ao que é nosso: “Isto é meu. Isto me pertence. Você não tem parte nisso”. Isso é natural. Mesmo entre as crianças, podemos ver isso. Quando estão brincando com brinquedos, uma delas diz: “Isto é meu. Isto é meu”.

    Há esse apego ao que é nosso, e esse apego divide. Mas aqueles que creem no Senhor Jesus são libertos do individualismo e do apego às suas posses. Compartilham tudo com todos.

    Então, em Atos 2:46:

    E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração.

    Eles eram muito unidos. Reuniam-se todos os dias no templo. Tinham uma só mente — a mente de Cristo. Viam Cristo uns nos outros e amavam uns aos outros.

    Partiam o pão nas casas. Algumas versões dizem que partiam o pão de casa em casa. Sempre que faziam suas refeições, lembravam-se do Senhor no partir do pão. Recebiam com ações de graças aquilo que o Senhor lhes havia dado e lembravam-se do Senhor em cada refeição.

    Eram um povo que louvava, um povo que adorava, e contavam com o favor de todo o povo.

    Agora abram em Atos 4:32.

    E era um o coração e a alma da multidão dos que criam: e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria; mas todas as coisas lhes eram comuns.

    E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus: e em todos eles havia abundante graça.

    Desde o princípio, vocês percebem que aqueles que criam no Senhor Jesus viviam uma vida da igreja. Viviam como um só corpo. Eram membros uns dos outros. Amavam uns aos outros e cuidavam uns dos outros. Esta é a vida que Deus quer que vivamos.

    A vida da igreja como enriquecimento da vida pessoal e familiar

    Irmãos e irmãs, a vida da igreja enriquece nossa vida pessoal e nossa vida familiar. Pensamos muito em nossa vida pessoal: “Como posso viver plenamente?”. Também nos importamos com nossa família: “Como nossa família pode ser abençoada pelo Senhor?”.

    Há uma vida pessoal que cada um de nós precisa viver, e há uma vida familiar que todos vivemos. A vida da igreja não se opõe à nossa vida pessoal, nem se opõe à nossa vida familiar. Ela enriquece nossa vida pessoal e nossa vida familiar.

    Creio que cada um de nós tem uma vida pessoal para viver, e creio que todos nós temos uma vida familiar para viver. Mas você tem uma vida da igreja hoje? Tem uma vida do corpo?

    No que diz respeito à verdade, você está na família de Deus e está no corpo. Você é membro do corpo. Mas, quando chegamos à experiência, temos uma vida da igreja? Temos uma vida do corpo? Estamos vivendo na igreja? Estamos vivendo no corpo?

    Essa é uma pergunta que devemos fazer a nós mesmos. No domingo, vamos à igreja e passamos uma hora ali. Isso é a vida da igreja? Isso é a vida do corpo? Um membro do seu corpo viveria dessa maneira?

    Será que realmente sabemos o que é a vida da igreja? Será que realmente sabemos como viver nossa vida do corpo, para que possamos viver como aqueles que creram no Senhor nos primeiros dias?

    Os quatro elementos da vida da igreja

    Para dizer de maneira bem simples, a vida da igreja, ou a vida do corpo, está expressa no versículo que lemos logo no início: Atos 2:42.

    E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

    Quem são “eles”? Essa expressão não se refere apenas aos cento e vinte crentes. Esses crentes seguiram o Senhor Jesus. Viram o Senhor Jesus crucificado, viram-No ressuscitado e viram-No ascender ao céu. Reuniram-se no cenáculo durante dez dias, orando juntos, unânimes. Então o Espírito Santo veio, e eles foram batizados em um só corpo.

    Mas “eles” incluía mais do que esses cento e vinte, porque, no dia de Pentecostes, três mil vieram ao Senhor. “Eles” não se refere apenas a cento e vinte crentes espirituais que tinham uma longa história com o Senhor. “Eles” inclui três mil crentes recém-nascidos.

    Quer você creia no Senhor Jesus há muito tempo, quer tenha acabado de crer no Senhor, vemos que eles estavam juntos. Perseveravam. Continuavam firmes. Não se tratava apenas de uma reunião diária ou de um encontro de uma hora. Todos os dias, ocupavam-se com quatro coisas.

    Perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. Essas quatro coisas explicam a vida da igreja.

    As duas primeiras formam um par: o ensino e a comunhão dos apóstolos. Elas têm a ver com a verdade. As outras duas — o partir do pão e as orações — formam outro par. Elas colocam a verdade em prática.

    Irmãos e irmãs, vamos examinar essas quatro coisas.

    O ensino dos apóstolos

    Primeiro, perseveramos no ensino dos apóstolos. Agora, o que é o ensino dos apóstolos?

    Observem que não são os ensinos dos apóstolos, como se houvesse muitos ensinos provenientes de muitos apóstolos, cada apóstolo tendo seu próprio ensino. É o ensino dos apóstolos. Há muitos apóstolos, mas apenas um ensino.

    O que é o ensino dos apóstolos? Abram em Atos 13:12.

    Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor.

    Aqui vocês percebem que o ensino dos apóstolos nada mais é do que o ensino do Senhor.

    De onde vem o ensino dos apóstolos? Abram em João 14:26.

    Mas o Consolador, o Espírito Santo, a Quem o Pai enviará em Meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto Eu vos disse.

    Quando o Senhor estava com Seus apóstolos, talvez eles não conseguissem se lembrar de tudo. Mas, quando o Espírito Santo veio, Ele os fez lembrar do que o Senhor lhes havia ensinado e lhes ensinou todas as coisas.

    Em outras palavras, o ensino dos apóstolos nada mais é do que o ensino do Senhor. Pedro não tinha seu próprio ensino. João não tinha seu próprio ensino. Tiago não tinha seu próprio ensino. Paulo não tinha seu próprio ensino. Todos ensinavam o que o Senhor lhes havia ensinado.

    Você pode dizer: “Bem, Paulo veio ao Senhor depois que o Senhor havia ascendido. De onde veio o ensino dele?”. Leiam 1 Coríntios 11:23.

    Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei.

    Agora abram em Gálatas 1:12.

    Porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado, mas veio a mim por revelação de Jesus Cristo.

    O mistério de Deus foi revelado aos apóstolos e profetas, e deles recebemos o ensino do Senhor. O ensino dos apóstolos nada mais é do que o ensino do Senhor.

    Às vezes, por não compreendermos, pensamos que o ensino de Paulo e o ensino de Tiago se opõem. Pensamos que Romanos e Gálatas se opõem à epístola de Tiago.

    Dizemos que Paulo pregou a justificação pela fé e Tiago pregou a justificação pelas obras, então eles devem se opor. Alguns dizem: “Eu sou a favor de Paulo”, e outros dizem: “Eu sou a favor de Tiago”, e então se dividem.

    Mas, se conhecemos a Palavra de Deus, percebemos que eles se complementam. Não se opõem um ao outro. Tiago fala da obra da fé. Somos justificados pela fé, mas, depois de sermos justificados, deve haver obras.

    Em Efésios 2, somos a nova criação de Deus. Somos salvos pela graça, mediante a fé, e somos criados em Cristo Jesus para boas obras.

    Vocês percebem que há apenas um ensino: o ensino dos apóstolos. Não escolhemos, dizendo: “Vou receber somente o ensino que vem de Paulo e vou rejeitar o ensino que vem de Tiago”.

    Se você fizer isso, dividirá o corpo de Deus, porque aquilo que vem de Tiago é o ensino do Senhor. Precisamos receber tudo o que é ensinado pelo Senhor. Isso é a vida do corpo. Caso contrário, dividimos o corpo; caso contrário, não temos vida da igreja.

    A comunhão dos apóstolos

    Primeiro, há o ensino dos apóstolos — aquilo que o Senhor nos ensinou por meio de Seus apóstolos. Nisso perseveramos e com isso nos ocupamos.

    Então vocês percebem que não há apenas o ensino dos apóstolos; há também a comunhão dos apóstolos. Novamente, comunhão está no singular, enquanto apóstolos está no plural.

    Em outras palavras, todos os apóstolos pertencem a uma só comunhão. Em 1 Coríntios 1:9, está escrito:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Agora abram em 1 João 1:3.

    O que temos visto e ouvido, isso vos anunciamos também, para que também vós tenhais comunhão conosco: e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.

    O “nós” aqui se refere aos apóstolos. O apóstolo João diz:

    O que temos visto e ouvido, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco.

    Essa é a comunhão dos apóstolos. Nossa comunhão é, de fato, com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.

    Irmãos e irmãs, há uma comunhão divina. É uma comunhão entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. É a comunhão mais exclusiva de todo o universo. Somente as três Pessoas da Divindade compartilham essa comunhão.

    Mas Deus, em Seu amor, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, compartilhou Sua comunhão conosco, que cremos no Senhor Jesus. Somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.

    A comunhão que o Filho tem com o Pai, Ele agora compartilha conosco. Seu Pai é nosso Pai. Seu Deus é nosso Deus. Nosso Senhor Jesus compartilha Seu Pai conosco, e Seu Pai compartilha Seu Filho conosco. Tudo isso é no Espírito Santo.

    Somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Pertencemos a essa comunhão. É a comunhão mais exclusiva, porque, a menos que você nasça do alto, não pode fazer parte dela. Não importa quanto dinheiro você tenha ou que posição ocupe no mundo, não pode fazer parte dela.

    Por outro lado, porém, é a comunhão mais inclusiva, porque inclui todo o povo de Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, um só corpo significa uma só comunhão. Todos os membros do corpo têm comunhão uns com os outros, mas não há comunhão entre o corpo e o mundo exterior. Nenhuma partícula estranha pode entrar nesse corpo.

    É a mais exclusiva e, ainda assim, a mais inclusiva. Pertencemos a essa família. Não existe esta comunhão ou aquela comunhão — não há uma comunhão do apóstolo Paulo e uma comunhão do apóstolo João. Há somente uma comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, e essa é a comunhão dos apóstolos.

    É por isso que a Bíblia diz que precisamos receber todos aqueles a quem Cristo recebeu. Não importa quão diferentes sejamos, recebemos todos aqueles a quem Cristo recebeu, porque pertencemos a essa única comunhão.

    No que diz respeito à verdade, precisamos receber o ensino dos apóstolos e receber a comunhão dos apóstolos. Isso nos faz um só corpo e nos capacita a viver a vida do corpo.

    O partir do pão

    Então vocês encontram outras duas coisas que colocam a verdade em prática. Uma delas é o partir do pão.

    Isso surpreende vocês? No cristianismo de hoje, as pessoas não dão muito valor ao partir do pão, às vezes chamado de comunhão. Alguns grupos talvez nunca pratiquem o partir do pão. Em outros lugares, vocês encontram a chamada comunhão talvez uma vez por mês, ou talvez duas vezes por ano — no Natal e na Páscoa.

    Não compreendemos isso. Consideramos o partir do pão apenas um ritual ou uma cerimônia. Mas, irmãos e irmãs, o partir do pão é uma expressão viva da vida do corpo.

    Na noite em que foi traído, nosso Senhor Jesus amou tanto os Seus que tomou o pão, partiu-o e o deu aos Seus discípulos, dizendo:

    Tomai, comei; isto é o Meu corpo, que é por vós: fazei isto em memória de Mim.

    Depois disso, Ele tomou o cálice, abençoou-o e disse:

    Bebei dele todos; porque isto é o Meu sangue da aliança.

    Qual é o significado prático do partir do pão? Primeiro, é uma lembrança do Senhor. Lembrar é trazer à memória o passado. Lembramo-nos de como o Senhor nos amou e de como Ele Se sacrificou por nós.

    O partir do pão também é comunhão. Em 1 Coríntios 10, estamos em comunhão com Seu sangue e em comunhão com Seu corpo. A lembrança traz à memória o passado; a comunhão é algo presente.

    Quando bebemos o cálice, estamos em comunhão com o sangue de Cristo. Experimentamos novamente a purificação de todos os nossos pecados. Quando comemos o pão, estamos em comunhão com o corpo de Cristo. Vivemos por Sua vida; não vivemos por nossa própria vida.

    Ao mesmo tempo, embora sejamos muitos, somos um só pão e um só corpo. Estamos em comunhão com todos os irmãos e irmãs.

    O partir do pão também é uma antecipação, porque o Senhor disse que partimos este pão até que Ele venha. Quando partimos o pão, estamos antecipando Sua volta.

    Ao nos lembrarmos dEle, nosso amor é renovado. Somos constrangidos por Seu amor e voltamos ao nosso primeiro amor. Na comunhão com Ele, nossa fé aumenta. Ao aguardarmos Sua volta, nossa esperança se eleva.

    Os primeiros crentes partiam o pão porque seu amor pelo Senhor era tão forte, sua fé nEle era tão real, e eles aguardavam Sua volta.

    Mais tarde, vemos que, no primeiro dia da semana, eles se reuniam para partir o pão. Ao longo da história, a igreja tem mantido essa prática regular do partir do pão, porque ela é uma expressão de nossa comunhão e do ensino do Senhor.

    Espero que vocês deem mais atenção ao partir do pão. Sabemos que ele é uma expressão da vida do corpo, e é por isso que é algo tão sério.

    Em 1 Coríntios 11, está escrito que, se tomamos o pão e bebemos o cálice de maneira indigna, bebemos juízo para nós mesmos. Precisamos discernir o corpo.

    Quando partimos o pão, não devemos ver apenas o corpo pessoal de Cristo. Antes de partir o pão, vemos um único pão. Ele representa o corpo pessoal de Cristo. Cada um de nós parte um pedaço, pois Ele morreu por cada um.

    Depois que o recebemos, vocês já não veem o pão no prato, porque você tem um pedaço e eu tenho um pedaço. Mas, quando Deus olha do céu, Ele não vê apenas algumas pessoas partindo o pão; quando elas partem o pão, incluem todo o Seu povo.

    Irmãos e irmãs, esta é uma expressão viva da vida do corpo.

    A oração corporativa

    Agora, as orações aqui são mais do que meras orações pessoais. É claro que, como cristãos, precisamos orar. Em nossa vida pessoal, devemos ter nossa vida de oração, porque a oração é uma expressão de que dependemos dEle.

    Você não vai orar se considerar a si mesmo autossuficiente. Oramos porque sabemos que somos insuficientes. A oração expressa nossa dependência do Senhor.

    A oração também mostra que queremos buscar Sua vontade. Se fazemos as coisas sem oração, isso mostra que estamos fazendo nossa própria vontade. Não nos importamos com a vontade de Deus. Mas nós nos importamos com a vontade de Deus e, portanto, precisamos orar.

    Contudo, as orações aqui são mais do que orações pessoais. A passagem fala especialmente da oração corporativa. O povo de Deus precisa se reunir e orar.

    Em alguns grupos cristãos, não há reuniões de oração. Em outros grupos, no dia do Senhor, o lugar fica lotado, mas, na reunião de oração, talvez haja apenas três ou cinco pessoas. As pessoas não se reúnem para orar.

    Como vocês podem viver uma vida do corpo se não oram juntos? Aqueles que oram juntos permanecem juntos e são edificados juntos.

    O Senhor Jesus disse em Mateus 18:

    Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus.

    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.

    Isso é oração corporativa. “Se dois de vocês concordarem”: a palavra concordar significa entrar em harmonia, como numa sinfonia. É como uma orquestra: instrumentos diferentes se sincronizam e apresentam uma só música. Esse é o significado de concordância.

    Isso não significa que você concorda comigo e eu concordo com você. Todos nós concordamos com nossa Cabeça, Cristo. Quando todos concordamos com nossa Cabeça, Cristo, e oramos segundo a vontade de Deus, Deus responde. Ele ligará e Ele desligará.

    Esse é o ministério da igreja. Essa é a expressão viva da vida do corpo.

    Irmãos e irmãs, se vocês nunca experimentaram a bênção do partir do pão, se nunca experimentaram a bênção da oração corporativa, não sabem o que é a vida da igreja. Não praticam a vida da igreja.

    Conclusão e oração

    Graças a Deus, somos chamados a um só corpo, uma só igreja e uma só comunhão. Precisamos viver essa vida.

    Às vezes dizemos: “Cristo é nossa vida; a igreja é nosso viver”. Creio que isso é muito verdadeiro.

    Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu nos chamaste a um só corpo, uma só igreja e uma só comunhão. Nós Te agradecemos porque foi pela graça que Tu nos introduziste nesse corpo, nessa igreja, nessa comunhão.

    Pai, é o desejo de nosso coração que vivamos de acordo com isso. Ajuda-nos a ver como devemos amar uns aos outros, cuidar uns dos outros, orar juntos, adorar juntos e lembrar-nos de Ti juntos.

    Senhor, nós Te pedimos que nos livres de estarmos separados uns dos outros, para que guardemos diligentemente a unidade do Espírito no vínculo da paz. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.