Por favor, abram em Efésios 5:21, na carta aos Efésios.
Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Agora abram em 1 Samuel 15:22-23.
Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à voz do Senhor?
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar;
e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.
Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria;
e a obstinação é como a iniquidade e a idolatria.
Voltemo-nos para o Senhor.
Amado Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos por Tua graciosa provisão, pelo sangue de Teu Filho amado e pelo novo e vivo caminho que Ele consagrou para nós. Tendo-O como nosso grande Sumo Sacerdote, ousamos nos aproximar do Teu trono da graça.
Nós Te agradecemos porque agora estamos em Tua presença. Que a Tua glória encha esta casa. Senhor, pedimos que tudo o que se opõe a Ti seja removido neste momento.
Oramos para que estejamos diante de Ti, inteiramente expostos sob a Tua luz. Que nesta manhã vejamos a luz na Tua luz.
Senhor, confiamos em Teu Espírito Santo para abrir nossos olhos e nosso entendimento, a fim de que sejamos verdadeiramente conduzidos à Tua verdade. Reconhecemos, Senhor, que, no que depende de nós, tudo se opõe a Ti e à Tua verdade.
Mas nós Te agradecemos e louvamos porque Tu venceste. Tu abriste o caminho. Tu nos deste o Teu Espírito e a Tua Palavra. Por isso, simplesmente confiamos em Teu Espírito e em Tua Palavra para realizar a obra nesta manhã.
Queremos que Tu verdadeiramente ganhes cada um de nós para a Tua própria glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nesta manhã, estamos tendo comunhão sobre este assunto muito, muito importante. Creio que é algo que a igreja de Deus precisa ouvir nestes dias, e creio firmemente que tem muito a ver com a preparação da noiva do Cordeiro.
Trata-se da submissão espiritual.
Mencionamos ontem à noite que, quando pensamos em Deus, começamos pela autoridade, porque Deus é a autoridade do universo. Sua autoridade é original, inerente e direta; e devemos nos submeter absolutamente à Sua autoridade e obedecer a ela.
Mas, quando falamos do homem, creio que não devemos começar pela autoridade. Na verdade, devemos afastar de nossa mente esse pensamento de autoridade. Ao falarmos do homem, precisamos começar pela submissão.
Agora, o que é o homem? Qual é a posição do homem neste universo?
Deus criou o homem à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança. Depois de criar o homem, Deus lhe deu domínio sobre as aves do céu, os animais do campo e os peixes do mar.
Em outras palavras, depois de criar o homem, Deus o colocou acima de todos os outros seres criados nesta terra. Deu-lhe autoridade sobre todas essas criaturas vivas.
Portanto, o homem está, de fato, acima de todos, mas debaixo de Um. O homem foi criado para estar acima de todas as criaturas vivas. Essa é a posição em que Deus o colocou; contudo, ele foi colocado debaixo da autoridade de Um, e esse Um é Deus.
Enquanto ele mantém sua posição de estar acima de todos, mas debaixo de Um, tudo está bem. Mas, sempre que se esquece de que está debaixo de Um e se lembra apenas de que está acima de todos, ele se encontra em grandes dificuldades.
O homem foi criado para se submeter a Deus e obedecer-Lhe. É somente quando se submete a Deus que ele é capaz de sujeitar todas as coisas a Deus.
Creio que é muito claro por que, ao criar o homem e colocá-lo naquele belo jardim, o jardim do Éden, Deus lhe deu um mandamento — apenas um.
De todas as árvores do jardim, ele podia comer livremente, inclusive da árvore da vida. Mas havia uma única árvore: a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus disse:
Dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Por que Deus deu um mandamento ao homem? Deus lhes deu tudo. Eles podiam comer dos frutos de todas as árvores do jardim do Éden. Vocês sabem, no princípio o homem se alimentava de frutas, e no jardim do Éden havia toda espécie de fruta. Todas eram boas, e Deus lhes deu tudo com abundância.
Eles podiam comer de todas as frutas — de todas as variedades, de todos os sabores. E, melhor ainda, até da árvore da vida. Era como se Deus dissesse: “Vocês podem até receber a Minha vida. Estou dando a Minha vida a vocês — não apenas todas estas frutas, mas até a Mim mesmo. E vocês podem Me receber”.
Ele deu tudo, mas apenas um fruto era proibido. Por quê? Creio que há muitas razões, mas uma delas era lembrar ao homem que ele estava debaixo de Deus. Ele foi criado para estar debaixo da autoridade de Deus. Essa era a posição que precisava manter.
Enquanto mantivesse sua posição, submetendo-se a Deus, ele poderia exercer domínio sobre as aves do céu, os animais do campo e os peixes do mar.
Mas, naturalmente, hoje sabemos o que aconteceu no jardim do Éden. O inimigo tentou Eva.
De alguma forma — não sabemos exatamente o que aconteceu —, Eva se afastou de seu marido. Eles deveriam estar juntos. A vontade de Deus era que fossem um e não fossem separados. Mas, de alguma forma, Eva se afastou de Adão.
O que a levou a se afastar, e para onde ela estava indo? Evidentemente, ela não estava apenas andando sem rumo. Havia algo em seu coração, algo que queria ver — provavelmente por curiosidade.
Vocês sabem, a curiosidade é algo maravilhoso, mas também é algo muito terrível. De alguma forma, a curiosidade tomou conta de Eva. Ela se afastou de Adão e foi até a árvore do conhecimento do bem e do mal. Olhou para a árvore e começou a se perguntar a respeito dela. Foi assim que tudo começou.
Então o tentador veio e disse:
É assim que Deus disse: Não comereis de nenhuma árvore do jardim?
Vocês sabem o que isso significa? Naquele tempo, o homem vivia dos frutos das árvores. Se Deus não lhes permitisse comer fruto algum, então Deus pareceria cruel: teria lhes dado vida, mas não lhes permitiria sustentá-la.
Assim, Satanás introduziu um pensamento de crueldade na mente daquela Eva curiosa. É claro que não era verdade. Todos deveriam saber disso. Contudo, Satanás introduziu deliberadamente aquele pensamento: “Será que Deus é tão cruel que cria vocês sem lhes dar o alimento de que precisam?”.
Eva não aceitou aquilo por completo, mas, de alguma forma, aceitou algo daquela sugestão maligna. Ela disse: “Ah, não, podemos comer de todas as árvores, exceto desta. Deus disse:
Não comereis dele, nem nele tocareis”.
Ora, Deus nunca disse isso. Eva acrescentou essas palavras. Em outras palavras, em sua mente, Deus estava se tornando alguém que fazia exigências sem razão.
Então Satanás disse: “Você sabe por que Deus não permitiu que vocês comessem dele? Porque, se comerem, conhecerão o bem e o mal e serão como Deus. Vocês mesmos serão Deus. Não precisarão mais de Deus. Deus tem ciúmes. Ele não quer que vocês sejam como Ele. É por isso que lhes proibiu comer daquela árvore”.
E, de alguma forma, Eva quis conferir. Pegou o fruto e o comeu.
Em outras palavras, ela se rebelou contra a autoridade de Deus. Rebelou-se contra o mandamento de Deus. Exerceu sua vontade própria. Por trás da rebelião está a vontade própria. Ela substituiu a vontade de Deus pela sua própria vontade.
Depois que ela comeu, provavelmente Adão se aproximou. É provável que Adão estivesse procurando por ela. Ela deu o fruto a Adão para que comesse, e Adão o tomou.
Na verdade, vemos que Deus responsabilizou Adão. Embora tenha sido a mulher quem foi enganada, foi Adão quem Deus responsabilizou. Por quê?
Porque, nesse ato de rebelião, Eva violou, na verdade, duas ordens divinas. Primeiro, violou a ordem divina de Deus sobre o homem. Rebelou-se contra Deus — contra a posição de Deus como Cabeça.
Ao mesmo tempo, rebelou-se contra a autoridade delegada por Deus. Porque, em Sua ordem divina, Deus estabeleceu o marido como cabeça da família. Portanto, nesse único ato, Eva se rebelou contra duas autoridades: a autoridade direta de Deus e a autoridade indireta do homem; a autoridade original de Deus e a autoridade concedida ao homem. Ela transgrediu ambas.
Mas foi Adão quem Deus responsabilizou. Por quê? Porque, quando lemos Gênesis, parece que, quando Deus disse que o homem podia comer de todos os frutos, exceto de um — o da árvore do conhecimento do bem e do mal —, aquele mandamento foi dado diretamente a Adão:
Porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Na sequência de Gênesis 2, parece que Eva foi criada depois disso. Portanto, o mandamento foi dado diretamente a Adão. Eva o ouviu de Adão, e é por isso que vemos que Adão foi mais culpado que Eva.
Segundo, Deus fez de Adão o cabeça da família. Como cabeça da família, ele era responsável por tudo o que acontecesse nela. Não deveria ter permitido que Eva o deixasse e se afastasse. Deveria ter cuidado dela. De alguma forma, vemos que ele falhou em sua responsabilidade para com a esposa.
Eva foi enganada, mas Adão pecou deliberadamente. Quando Eva deu a Adão o fruto que havia comido, ele sabia muito bem que aquilo era proibido. Conhecia muito bem a consequência.
Contudo, de alguma forma, ele escolheu sua esposa em vez de Deus. Teve medo de perder a esposa. Amava tanto sua esposa que estava disposto a perder Deus. Foi algo deliberado.
É por isso que a Bíblia diz que o pecado entrou neste mundo por meio de um homem, e esse homem é Adão.
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
—1 Coríntios 15:22
Depois que Adão e Eva se rebelaram contra Deus e fizeram prevalecer sua vontade própria, vemos uma mudança na própria vida do homem. O pecado havia entrado no mundo. O pecado havia contaminado e dominado a vida humana. A vida humana se tornou corrompida e contaminada; tornou-se rebelde e egoísta.
Em Adão, todos morreram. Em outras palavras, todos nós que descendemos de Adão herdamos a natureza adâmica. E essa natureza adâmica que herdamos é pecaminosa, corrompida, rebelde e dominada pela vontade própria.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos reconhecer uma coisa: a rebelião não é algo que aconteceu somente no início da história humana. Não é algo que aconteceu apenas uma vez no jardim do Éden.
Desde aquele ato de rebelião, a rebelião se tornou uma natureza. Todos nós herdamos essa vida rebelde. Somos todos pessoas dominadas pela vontade própria. A submissão nos é desconhecida. A obediência simplesmente não faz parte do nosso caráter.
Isso inclui vocês e eu. Agora, é verdade: ao tentar analisar os seres humanos, vocês podem perceber que algumas pessoas parecem nascer mais submissas, e outras parecem nascer mais rebeldes. Mas não se deixem enganar. Isso é um engano.
Mesmo quanto àqueles que parecem nascer mais submissos que outras pessoas, irmãos e irmãs, lembrem-se: trata-se apenas de uma aparência exterior. Não é algo real.
Isso pode vir dos costumes. Por exemplo, no Oriente, por causa de uma longa tradição e dos costumes, vemos que as mulheres parecem ser mais submissas aos homens. Mas vocês não as conhecem.
Ouvi dizer que as mulheres chinesas muitas vezes têm uma vontade mais forte que os homens. É verdade. Por causa dos costumes, talvez por causa da educação e do ensino — temos o ensino confucionista —, cria-se uma espécie de ambiente de falsa submissão, e as pessoas parecem ser mais submissas.
Mas essa submissão não é verdadeira. É repressão. É dolorosa, porque, por dentro, o coração está fervendo.
Além disso, as pessoas que parecem ser muito submissas são imediatamente provadas quando se trata das coisas de Deus. Quando chegamos às coisas de Deus, descobrimos que há dentro de nós uma oposição natural, uma rebelião natural. Há resistência.
Descobrimos que todos preferimos nossa vontade própria à vontade de Deus. Isso nos é natural. É inato. Não é algo ensinado. Não é algo acrescentado depois. É inato.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos reconhecer isso. Creio que a razão pela qual a submissão espiritual é tão rara neste mundo é que não reconhecemos o quanto somos rebeldes.
Somos tão rebeldes — não há remédio, não há conserto. Não se pode melhorar essa natureza. Não se pode educá-la.
Vocês sabem, é por isso que a disciplina é tão necessária. O livro de Provérbios é o livro da sabedoria. Ao ler Provérbios, encontramos muitas passagens que mencionam a disciplina.
Naturalmente, Provérbios trata do comportamento humano e das relações humanas, por isso encontramos a disciplina mencionada muitas vezes. Por que a disciplina é tão necessária? Se fôssemos naturalmente submissos e obedientes, não precisaríamos de disciplina alguma.
Em Provérbios 10:13:
Nos lábios do entendido se acha a sabedoria;
mas a vara é para as costas do que é falto de entendimento.
Em Provérbios 22:15:
A estultícia está ligada ao coração da criança;
mas a vara da correção a afugentará dela.
Em Provérbios 26:3:
O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento;
e a vara para as costas dos tolos.
Em Provérbios 29:15:
A vara e a repreensão dão sabedoria;
mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.
Às vezes, vocês se perguntam por que a vara é necessária. Hoje, as pessoas de mentalidade moderna dizem que a vara é desnecessária. “Você não deve dar palmadas em seu filho. Poupe a vara. Não discipline, porque a natureza humana é tão boa; ela é perfeita. Deixe-a crescer. Deixe-a se expressar livremente. Incentive-a.”
Bem, vocês sabem o que acontece. A estultícia está ligada ao nosso coração, e é somente por meio da disciplina que ela é afastada. Tudo isso mostra como é importante percebermos que em nós — isto é, em nossa carne natural — não se pode encontrar submissão.
Não existe obediência na carne. O que existe é rebelião. É vontade própria. É assim que somos. Quanto mais cedo reconhecermos isso, melhor.
Vocês sabem, Deus nos deu tudo, e faz apenas uma exigência de nós. Ele exige apenas submissão e obediência. É tudo o que Ele exige.
Para tornar isso mais claro, vamos tentar explicar desta maneira. Acho maravilhosas as palavras chinesas usadas aqui. Em chinês, quando falamos dessa questão da obediência, há, na verdade, duas palavras. Essas duas palavras representam os dois aspectos: a submissão e a obediência.
Uma palavra significa obedecer, seguir, fazer tudo o que se ordena. É um ato; é uma ação. A outra diz respeito à atitude do coração: ceder, submeter-se.
Agora, irmãos e irmãs, digamos que a submissão seja mais uma atitude interior. Vocês têm uma atitude interior de ceder, de se colocar debaixo, de ocupar uma posição subordinada; então, isso deve se expressar em ação, que é a obediência. Vocês fazem tudo o que lhes é dito para fazer.
Submissão sem obediência é falsa. É fingimento — não é real. Onde há verdadeira submissão, necessariamente haverá obediência. Se vocês têm essa atitude, ela precisa ser colocada em prática.
Mas obediência sem submissão também não é real. É apenas uma aparência exterior. Não é aceitável.
Vocês se lembram da história que nosso Senhor contou sobre dois irmãos. Quando o pai disse ao filho mais velho: “Vá fazer determinadas coisas”, aquele filho respondeu: “Não vou fazer”. Mas, por fim, ele fez.
Vocês se lembram do outro filho. O pai disse: “Vá fazer isso”. Ele respondeu: “Eu vou”, mas nunca fez. Assim, às vezes vocês podem dizer: “Bem, eu me submeto”, mas não fazem o que lhes foi dito. É apenas de palavra, não de fato; não é real.
Mas, às vezes, vocês podem se rebelar e, depois, se arrepender e fazer. Portanto, o importante é percebermos que, para com Deus, precisamos ter submissão absoluta e obediência absoluta.
Na verdade, Deus Se deleita em nossa obediência. Quanto mais vocês obedecem, mais Ele dá. Vejam Abraão, o pai da fé. Quando a glória de Deus apareceu a Abraão, Abraão obedeceu.
A cada passo de sua obediência, Deus o abençoava mais e mais. Vocês se lembram de quando ele ofereceu Isaque: Deus chegou a jurar por Si mesmo. As palavras de Deus são eternas e, contudo, Deus fez um juramento, como se Suas palavras não fossem suficientes para dar segurança a Abraão e abençoá-lo.
Cronologicamente falando, o livro de Jó é o primeiro registro escrito da Bíblia. Os cinco livros de Moisés foram escritos por Moisés, mas Jó evidentemente viveu no tempo dos patriarcas. Ele não era israelita; na verdade, era edomita.
Mas ali encontramos Jó. Qual era a lição que Deus queria que o homem aprendesse? Ao ler o livro de Jó, vemos que Deus queria que Jó aprendesse uma lição, e essa lição era a submissão, ou obediência.
Jó era um homem perfeito. Temia a Deus. Era íntegro, justo e muito cuidadoso. Mas havia algo nele que Deus conhecia. Havia justiça própria. Ele era tão bom que se considerava justo em si mesmo.
Então Deus permitiu que o tentador entrasse em cena, e ele abalou Jó — abalou-o profundamente. Por fim, qual foi a lição que Jó aprendeu, quando chegamos a Jó 42?
Jó perguntou: “Por quê? Por que um homem tão bom como eu, tão perfeito, sofre tanto?”. Embora tenha dito:
O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor.
De alguma forma, dentro de seu coração havia uma murmuração, uma queixa.
Ele não conseguia entender. Questionou Deus. Desafiou Deus a debater com ele. Deus não debateu com ele. Seus amigos debateram com ele, mas seus argumentos estavam errados. Deus não debateu com ele.
Tudo o que Deus fez foi mostrar-lhe Sua glória. Foi só isso.
Quando Jó viu a glória de Deus, disse:
Bem sei eu que tudo podes;
e que nenhum dos Teus propósitos pode ser impedido.
Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi de Ti;
mas agora Te veem os meus olhos.
Por isso me abomino;
e me arrependo no pó e na cinza.
—Jó 42:2, 5-6
Jó aprendeu uma lição de submissão e obediência. Quando vocês se aproximam de Deus, irmãos e irmãs, precisam saber Quem Ele é. Ele é soberano. Vocês precisam ver Sua autoridade. Precisam ver Sua glória. Não podem questioná-Lo. Tudo o que precisam fazer é se submeter e se arrepender no pó e na cinza.
Essa é nossa posição diante de Deus, e é uma posição abençoada. Quando Jó chegou a essa posição, Deus o abençoou com uma porção dobrada.
Tudo o que Deus exige de nós é obediência. Irmãos e irmãs, nós Lhe damos isso?
Lemos 1 Samuel 15. Deus ordenou a Saul, por meio de Samuel: “Vá e destrua os amalequitas — homens e animais, tudo”.
Por quê? Porque, quando os filhos de Israel saíram do Egito e estavam no deserto, os amalequitas os atacaram e tentaram destruí-los. Vocês se lembram da história em Êxodo: Josué lutou contra os amalequitas, e Moisés subiu ao monte e levantou as mãos.
Enquanto suas mãos estavam levantadas, Josué prevalecia. Mas, quando Moisés se cansava e suas mãos baixavam, Amaleque prevalecia. Por isso, suas duas mãos precisaram ser sustentadas para que os amalequitas fossem vencidos.
Desde aquele dia, Deus disse a Moisés que escrevesse no livro que o nome de Amaleque deveria ser apagado deste mundo. Sem entrar nos detalhes de por que Deus ordenou isso, naturalmente havia uma razão.
Então Deus disse a Saul: “Vá e destrua os amalequitas — homens, mulheres, crianças e animais. Destrua tudo”.
Saul destruiu os amalequitas e os animais, mas poupou Agague, o rei dos amalequitas. Também conservou o melhor do gado e das ovelhas.
Em outras palavras, ele obedeceu a Deus apenas pela metade. Achou que Deus estava sendo muito pouco razoável. Destruir o que era ruim — isso era razoável. Mas destruir tudo o que era bom não lhe parecia certo.
Por isso, conservou tudo o que havia de melhor. Exerceu sua vontade própria. Questionou a autoridade de Deus. Questionou a sabedoria de Deus. Achou que era mais sábio que Deus.
Então Samuel veio, e Saul teve a cara de encontrar Samuel e dizer: “Fiz tudo o que Deus me ordenou. Destruí os amalequitas”.
Samuel disse:
Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o mugido de bois que ouço?
Saul respondeu: “Foi o povo. O povo quis conservar o melhor para oferecer a Deus, para consagrar a Deus. Se você os matar, eles se vão. Por que não usá-los para servir a Deus?”.
O povo desejava que essas coisas fossem conservadas para servir a Deus. Então Samuel disse: “Tem Deus prazer em holocaustos e sacrifícios?”.
Irmãos e irmãs, quando se trata das coisas de Deus, esta parece ser nossa tendência natural: em vez de dar a Deus o que Ele deseja, sempre tentamos substituir isso por outra coisa que consideramos boa.
O que é melhor que um holocausto? O holocausto é uma oferta em que todo o sacrifício é queimado. Em outras palavras, nada sobra.
Se for uma oferta pacífica, vocês queimam uma parte, dão uma parte ao sacerdote e guardam outra para seu próprio desfrute. Mas, no holocausto, a oferta é completa. Todo o sacrifício é queimado até se tornar cinza para Deus, como alimento de Deus.
Não há nada mais elevado que um holocausto. Em outras palavras, vocês estão dispostos a dar tudo a Deus — o animal inteiro a Deus. Sacrifício significa que vocês estão dispostos a sacrificar, a se privar de alguma coisa para dar a Deus.
Ora, para nós, isso parece ser o melhor, o mais elevado. O que pode ser mais elevado que oferecer um holocausto a Deus? O que pode ser mais elevado que sacrificar a Deus? Ah, essas coisas deveriam agradar tremendamente a Deus.
Mas, irmãos e irmãs, qual é o deleite do nosso Deus? Deus Se deleita em holocaustos e sacrifícios? O gado sobre milhares de montes pertence a Ele. Todos esses sacrifícios pertencem a Ele.
Mesmo que vocês os ofereçam a Ele, isso é apenas uma expressão da nossa parte. Mas Deus Se deleita em holocaustos e sacrifícios tanto quanto em que se atenda à Sua voz? Qual é o deleite de Deus?
Irmãos e irmãs, nós somos os remidos do Senhor. Devemos agradar a Deus. Essa deveria ser nossa ambição.
O apóstolo Paulo disse, em 2 Coríntios 5:9: “Tenho apenas uma ambição”. No original, ele disse: “Sou ambicioso”. Quer vivo, quer morto, minha ambição é ser agradável a Deus.
Ora, esse deveria ser o desejo do nosso coração: agradar a Deus, alegrar a Deus. Mas, muitas vezes, tentamos alegrar a Deus com aquilo que nos alegra.
Não procuramos descobrir qual é o deleite de Deus. O que Ele realmente quer? O que agradará ao Seu coração? O que O alegrará? Deixamos de descobrir isso.
Deus Se deleita em holocaustos e sacrifícios tanto quanto em que se atenda à Sua voz? Em outras palavras, o deleite de Deus é que nós O ouçamos. E ouvi-Lo não é apenas ouvir; é também fazer. É nisso que Deus Se deleita.
Mas quantas vezes tentamos Lhe oferecer outra coisa em substituição. Não é verdade? Toda vez que a vontade de Deus nos é revelada, tentamos substituí-la por outra coisa.
Lembro-me do que aconteceu com nosso querido irmão Watchman Nee. Quando era jovem, ele tinha uma namorada. Cresceram juntos, e ele a amava muito.
Mas, depois de ser salvo, tentou levar sua namorada ao Senhor. Podia conversar com ela sobre qualquer coisa debaixo do céu, exceto sobre o Senhor. Ela não queria ouvir. Mas era sua amada.
Vocês se lembram de que, certa vez, ele estava buscando o Senhor intensamente. Na verdade, ia pregar e estava diante do Senhor, procurando um versículo. O Senhor lhe deu aquele versículo do Salmo 73:
Quem tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
—Salmos 73:25
O irmão Nee disse que podia dizer: “Quem tenho eu no céu senão a Ti?”. Mas não podia dizer: “E na terra não há quem eu deseje além de Ti”. É claro que ele desejava aquela moça. Bem, mesmo assim, ele pregou a mensagem.
Mas, depois que pregou aquela mensagem, o Senhor tratou com ele. Finalmente, um dia, o Senhor tratou profundamente com ele: “Você está disposto a Me seguir? Se quer ser Meu servo, ser usado por Mim, se quer ter poder para Me servir, precisa Me seguir de maneira absoluta”.
Por fim, o amor de Deus tocou seu coração. Ele abriu mão dela. Contou-nos que, depois de abrir mão dela, trocou de roupa, vestiu uma roupa velha, pegou alguns cartazes evangelísticos e saiu à rua para afixá-los.
Na verdade, ele havia dito a Deus: “Deixa-me apenas ficar com ela. Estou disposto a Te servir com o dobro de energia. Estou disposto a ir a qualquer lugar aonde Tu queiras que eu vá, se apenas me deixares ficar com ela”. Ele tentou oferecer um substituto, mas Deus nunca aceitou aquele substituto.
Irmãos e irmãs, isso não é verdade quanto a cada um de nós? Creio que vocês já passaram por momentos assim. Eu já passei.
Sempre que Deus exige obediência, procuramos substituí-la por sacrifícios e holocaustos. Mas aquilo em que Deus Se deleita é um coração que ouve — que atende à Sua voz e obedece.
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar;
e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.
—1 Samuel 15:22
Por que atender à voz de Deus é melhor que holocaustos e sacrifícios? Porque a obediência é melhor que o sacrifício. É muito melhor obedecermos do que oferecermos alguma coisa a Ele.
Dar ouvidos é muito melhor que a gordura de carneiros. Sabemos que a gordura de carneiros é a melhor parte do carneiro a ser queimada para Deus. Mas Deus diz que atender é melhor.
Por que a obediência é melhor que o sacrifício? Porque, no sacrifício, ainda pode haver vontade própria — e muitas vezes há. Mas, na obediência, sua vontade própria precisa ser posta de lado. É por isso que a obediência é melhor que o sacrifício, e atender é melhor que a gordura de carneiros.
Percebemos o quanto a rebelião é grave? Compreendemos realmente o quanto a vontade própria é grave?
Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria;
e a obstinação é como a iniquidade e a idolatria.
—1 Samuel 15:23
Ora, a adivinhação é quando vocês procuram um falso deus, um ídolo ou pessoas como adivinhos ou aqueles que consultam bolas de cristal. Vocês procuram outra pessoa ou outro lugar para buscar orientação e segui-la. Isso é adivinhação.
A adivinhação é pecado diante de Deus. Na Bíblia, vemos que ela é proibida. É uma abominação para Deus.
Nós temos Deus, o verdadeiro Deus. Ele é sabedoria. Devemos ir a Ele, buscar Seu conselho, descobrir Sua vontade e fazer Sua vontade. É isso que devemos fazer.
Não devemos buscar, fora do nosso Deus, conselho de homens ou de espíritos malignos para segui-lo. Não devemos fazer isso. É uma abominação para Deus.
Vocês cometeriam o pecado de adivinhação? Saul cometeu. Vocês se lembram de Saul, bem no final, quando procurou uma feiticeira para tentar obter orientação. Mas Deus lhe havia proibido isso.
Irmãos e irmãs, ficaríamos assustados se alguém nos dissesse: “Vocês cometem o pecado de adivinhação”. Diríamos: “Ah, certamente não. Nunca fiz isso. Como posso cometer o pecado de adivinhação?”.
Mas, irmãos e irmãs, a rebelião é como o pecado de adivinhação. Vocês têm sido rebeldes? Percebemos a gravidade disso?
Nós tratamos isso como algo muito leve. “Sou apenas humano. Bem, Deus é tão bondoso. Ele entende. Ele perdoa.” Mas, irmãos e irmãs, cada vez que nos rebelamos contra Deus, cometemos um pecado de adivinhação.
A vontade própria é como a iniquidade e a idolatria. O que é iniquidade? Iniquidade é violar, ultrapassar os limites, transgredir contra a autoridade, a soberania e a glória de Deus. Isso é iniquidade.
Cada vez que fazemos prevalecer nossa vontade própria, cometemos essa iniquidade. Cada vez que afirmamos nossa vontade contra a vontade de Deus, cometemos o pecado de idolatria.
Vocês ousariam ir adorar um ídolo? É claro que não. Mas como ousamos insistir em nossa vontade própria! Pensem nisso.
Irmãos e irmãs, estamos tratando de algo muito fundamental. É elementar, mas muito fundamental. Precisamos saber onde estamos.
Vocês sabem por que nos rebelamos? Sabem por que não somos submissos? Sabem por que desobedecemos a Deus?
Basicamente, é porque não conhecemos realmente Quem é o nosso Deus. Dizemos que sabemos Quem é o nosso Deus. Dizemos que sabemos que Ele é soberano, todo-poderoso, nosso Criador, nosso Deus, nosso Cabeça e nosso Senhor. Intelectualmente, sabemos.
Mas sabemos realmente Quem Ele é? Somente quando nos rebelamos começamos a perceber que não conhecemos Deus como pensamos conhecê-Lo.
A falta do conhecimento de Deus é a raiz da nossa insubordinação e desobediência. Para realmente nos submetermos a Deus e obedecer-Lhe, precisamos conhecê-Lo.
Nosso querido irmão Nee disse: “Não contem quantas vezes vocês obedeceram, mas contem quantas vezes desobedeceram. Então saberão onde estão”.
Vocês sabem, a prova da nossa obediência e submissão provavelmente se torna mais evidente quando se trata dessa questão da autoridade delegada.
Se vocês realmente sabem: “Este é Deus; esta é Sua autoridade direta”, então não ousam desobedecer — embora todos nós desobedeçamos. Mas, especialmente quando chegamos à autoridade delegada, a prova é realmente severa.
Em Romanos 13, creio que conhecemos bem esta passagem:
Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.
Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.
Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela;
porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme; pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal.
Portanto, é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do castigo, mas também por causa da consciência.
Por esta razão também pagais tributos; porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.
Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
—Romanos 13:1-7
Desde o tempo de Noé, depois do dilúvio, Deus estabeleceu o governo neste mundo. Foi por causa da maldade do homem que Deus estabeleceu o governo para refrear o mal.
Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado.
Isso é governo. Portanto, vemos que Deus estabeleceu governos e autoridades.
Agora, lembrem-se: Deus é a única autoridade. Não há autoridade que não venha de Deus. Portanto, é Deus Quem delega autoridade àqueles que governam.
Eles são estabelecidos por Deus com um propósito: manter a ordem, punir o mal e proteger o bem. É para isso que são estabelecidos.
Por causa disso, devemos nos submeter às autoridades que Deus estabeleceu neste mundo.
Ora, nosso problema é este: se realmente vemos que a autoridade vem de Deus, então não teremos problema, porque não estamos nos submetendo ao homem; estamos nos submetendo a Deus.
Mas, se não sabemos o que realmente é autoridade, pensamos que estamos apenas obedecendo a homens ou nos submetendo a homens, e temos grande dificuldade.
Quando a autoridade está certa — ou, em outras palavras, quando achamos que está certa —, é mais fácil nos submetermos e obedecermos. Mas, quando achamos que a autoridade está errada, devemos nos submeter e obedecer?
É aí que está a diferença. Se vocês realmente compreendem o que é autoridade, então conseguem ver que, esteja a autoridade delegada certa ou errada, se vocês estão debaixo dessa autoridade, precisam se submeter.
Mas isso não significa que precisam obedecer. Para com Deus, vocês oferecem submissão absoluta e obediência absoluta. Para com o homem, podem oferecer submissão absoluta, mas apenas obediência relativa. Nenhum ser humano pode exigir obediência absoluta. Essa é uma prerrogativa de Deus.
Devemos obedecer aos homens sob cuja autoridade estamos apenas até o limite da nossa consciência, porque nossa consciência é a voz de Deus.
Pedro e João estavam ensinando em Cristo. Foram levados diante do conselho judaico, a mais alta autoridade religiosa sob a qual estavam. O conselho proibiu esses dois apóstolos de pregar o evangelho.
Ali vemos que os apóstolos demonstraram um espírito humilde e submisso. Disseram:
Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.
Essa é a coisa certa a fazer.
Temos de obedecer a Deus. Se vocês quiserem nos colocar na prisão, iremos para a prisão. Não nos rebelaremos. Mas não podemos obedecer, porque temos uma autoridade superior à qual obedecer.
Portanto, irmãos e irmãs, é aqui que realmente está a prova. Mas precisamos reconhecer a autoridade de Deus para agir assim.
Vamos orar?
Amado Senhor, estamos tratando de algo que nos é estranho. Oramos para que, uma vez que Tu nos deste a Tua vida, agora nos capacites a receber aquilo que vem de Ti.
Oramos para que sondes nossos corações e nos tires de nós mesmos, levando-nos para dentro de Cristo, a fim de que possamos verdadeiramente aprender a submissão e conhecer Tua autoridade. Pedimos em Teu precioso nome.