Romanos 8:2
Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.
1 João 2:27
E, quanto a vós, a unção que Dele recebestes permanece em vós,
e não tendes necessidade de que alguém vos ensine;
mas, como a Sua unção vos ensina acerca de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira,
assim como ela vos ensinou, permanecei Nele.
João 1:4
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
2 Coríntios 7:1
Tendo, pois, estas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.
Gálatas 6:17
Desde agora, ninguém me perturbe: porque trago em meu corpo as marcas de Jesus.
2 Coríntios 3:17-18
Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como em um espelho a glória do Senhor,
somos transformados na mesma imagem, de glória em glória,
como pelo Senhor, o Espírito.
Querido Pai celestial, estamos em Tua presença e desejamos que vivifiques a Tua Palavra em nosso coração. Oramos para que as Tuas palavras sejam verdadeiramente vida e espírito para nós.
Livra-nos de apenas ouvir a letra da Tua Palavra sem entrar no Espírito. Assim, Senhor, confiamos no Teu Espírito Santo para nos guiar a toda a verdade, e a Ti seja a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Ontem pela manhã, compartilhamos sobre esta questão da vida. Deus é um Deus vivo. Sua própria natureza é vida.
Portanto, vocês verão que a questão entre Deus e o homem não é outra senão a questão da vida. Se não é da vida, não é de Deus. Se não é da vida, então não é aceitável a Deus.
Assim, vocês verão que, desde o princípio até o fim da Palavra de Deus, a questão é sempre esta: a vida. A questão de Deus conosco, e a nossa questão com Deus, não é outra senão a vida.
Não está no ensino. Não está nem mesmo na doutrina. Não está na organização. Não está no método. Não está em nenhuma outra coisa, senão na vida. Essa é a questão.
Portanto, é de extrema importância que saibamos o que é a vida, que conheçamos essa vida, porque ela é diferente de qualquer outra vida. É diferente da vida humana, natural. É a vida eterna — a própria vida de Deus, a própria natureza de Deus.
E ela não apenas possui todos os atributos de Deus, mas é, na verdade, o próprio Deus — o próprio Filho.
Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante e considerar juntos, diante do Senhor, esta questão da lei da vida.
Vocês sabem, toda espécie de vida traz consigo uma natureza, e essa natureza da vida é, na verdade, a sua lei.
Geralmente pensamos na lei natural como as leis físicas ao nosso redor. Por exemplo, vivemos neste planeta e nos encontramos sob a força da lei da gravidade. Somos atraídos para o centro da Terra o tempo todo.
Há uma lei física, e chamamos essas leis físicas de leis naturais. Isso é verdade, porque Deus, o Criador, colocou essas leis no universo físico.
Mas precisamos lembrar que não existem apenas as leis físicas externas, por assim dizer, ao nosso redor. Descobrimos que há uma lei interior dentro de nós. Há uma lei moral, ou metafísica, se quisermos usar essa palavra, que Deus colocou dentro de nós.
Portanto, a lei natural não se refere apenas às leis físicas. A lei natural também se refere àquela lei interior, a lei com a qual nascemos. É a lei da natureza, seja a natureza ao nosso redor, seja a natureza dentro de nós.
Assim, nossa consideração diante do Senhor nesta manhã não diz respeito à lei externa que nos cerca, mas à lei da vida — a lei da natureza, a lei natural que é inata ou que herdamos. É sobre essa lei que gostaríamos de compartilhar nesta manhã.
Toda vida tem sua natureza ou sua lei. Por exemplo, uma ave nasce com a natureza de voar, e voar é, na verdade, a sua lei. Para uma ave, voar é natural; é correto. Para uma ave, não voar é contrário à natureza e não é correto.
Vocês sabem, a vida cresce de acordo com sua lei natural. Se vocês contrariam essa lei natural, sofrem por isso. Mas, se seguem essa lei natural, a vida cresce de acordo com ela.
O mesmo acontece com um peixe. Um peixe nasce com a natureza de nadar, e nadar é a lei da vida de um peixe. Se vocês tiram um peixe da água, ele morre.
O mesmo acontece conosco, seres humanos. Agora, precisamos voltar um pouco para entender essa lei natural que está dentro de nós.
Quando Deus criou o homem, Ele o criou com uma alma. O homem é uma alma vivente. O homem tem uma personalidade. Ele tem uma vida da alma, ou podemos dizer, uma vida anímica.
Mas essa vida da alma que Deus deu ao homem quando ele foi criado não era santa nem pecaminosa. Em outras palavras, era neutra.
Pensem em Adão quando foi criado e colocado no jardim do Éden, antes de ceder à tentação. No que diz respeito à sua vida — isto é, à sua vida natural —, ela era neutra. Ele não era santo, mas também não era pecaminoso, porque ainda não havia cometido pecado.
Mas então vocês veem que algo lamentável aconteceu no jardim: Adão caiu em pecado. Porque Adão caiu em pecado, o pecado entrou em sua vida e reinou sobre ele.
Aqui vocês veem que essa vida, que hoje chamamos de vida natural, é uma vida pecaminosa. Essa vida natural de Adão está sob a lei do pecado e da morte.
Depois de cair, Adão ficou sob a lei natural do pecado e da morte. Em outras palavras, em Adão, nessa vida, existe essa lei natural. Ela é natural a essa vida, e essa lei natural é a lei do pecado e da morte.
Isso não é verdade apenas quanto a Adão, mas também quanto a todos os que estão em Adão. Ou seja, nós, que herdamos de Adão a sua vida, também recebemos dele essa lei natural que governa essa vida. Essa lei natural é a lei do pecado e da morte.
É por isso que, em 1 Coríntios 15:22, está escrito:
Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.
Nós, que estamos em Adão, nós, que vivemos por essa vida adâmica, precisamos lembrar que essa vida é governada por uma lei natural, assim como nosso corpo físico é governado pela lei da gravidade. Há uma lei interior dentro de nós que governa e domina essa vida natural de Adão, e ela é a lei do pecado e da morte.
Adão comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Hoje, sempre julgamos as pessoas segundo esse conhecimento.
Os filhos de Adão — todos nós somos filhos de Adão —, entre eles vocês encontram pessoas que têm mais mal do que bem. Outras têm mais bem do que mal. Em algumas pessoas, parece haver uma quantidade igual de bem e de mal.
Sempre julgamos as pessoas assim: este homem é bom, aquele homem é mau, ou outro homem é mais ou menos. Em outras palavras, julgamos as pessoas pelo bem e pelo mal, e esse bem e esse mal são segundo o conhecimento do bem e do mal.
Consideramos algumas pessoas boas. Por quê? Porque, segundo a árvore do conhecimento do bem e do mal, elas parecem ser boas. Consideramos outras más porque, segundo essa mesma árvore, sentimos que são más.
Mas o bem que nós reconhecemos não é aceitável a Deus. Em outras palavras, vocês verão que até mesmo o bem em Adão está morto aos olhos de Deus.
É por isso que não podemos ser justificados por nossas boas obras, porque a nossa justiça é, diante de Deus, como trapos de imundícia. Eles não podem cobrir a nossa nudez. Não podem satisfazer a justiça de Deus. Para Deus, isso não tem valor algum; mas, para o homem, dizemos que é bom, porque julgamos pela árvore do conhecimento do bem e do mal.
Agora, enquanto estivermos na esfera do bem e do mal, estaremos sob a lei do pecado e da morte. O bem que queremos fazer, não conseguimos fazer. Por quê? Porque estamos sob a lei da morte. O mal que sabemos que não devemos fazer, nós fazemos. Por quê? Porque estamos sob a lei do pecado.
Lembrem-se de que nós, em nosso estado natural, estamos sem esperança e sem recursos para nos ajudar.
É importante que um dia percebamos que, enquanto vivermos em Adão, enquanto vivermos por essa vida natural que resulta da árvore do conhecimento do bem e do mal, estaremos sob essa lei do pecado e da morte, e não haverá como escapar.
Agora, o que é uma lei? Uma lei é algo que age, ou reage, sempre da mesma maneira definida, dadas as mesmas condições, independentemente do tempo.
Por exemplo, a lei da gravidade é uma lei. Por quê? Porque essa lei sempre age da mesma maneira, quer fosse no primeiro século, quer seja agora no século XX; quer seja em Londres, quer seja em Santa Bárbara.
Quem quer que solte um objeto — você pode ser branco, pode ser negro, pode ser amarelo —, se soltar alguma coisa, ela cai. Isso é uma lei: a lei da gravidade. Ela não leva em conta a pessoa. Não há parcialidade nela. É universal.
Enquanto vocês estiverem neste planeta Terra, é assim que ela funcionará. Isso é uma lei. Irmãos e irmãs, vocês sabem que estão sob essa lei?
Romanos 7 — há diferentes interpretações sobre tudo isso. Algumas pessoas pensam que Romanos 7 descreve a experiência de Paulo como fariseu; em outras palavras, era a experiência de Saulo, o fariseu.
Outras pessoas pensam que é a experiência de Paulo como crente, depois de ter crido no Senhor Jesus. Mas, queridos irmãos e irmãs, na verdade, não é essencial se vocês entendem Romanos 7 como a experiência de Paulo enquanto fariseu no passado, ou se o aplicam a Paulo como alguém que já havia encontrado o Senhor. Isso não faz diferença.
Por quê? Porque, enquanto vocês viverem na carne, essa lei do pecado e da morte opera. Quer seja antes da conversão, quer seja depois da conversão, é exatamente a mesma coisa.
Aqui vocês encontram um homem. Ele conhece a lei, e por lei, aqui, quero dizer os mandamentos. Temos os mandamentos, e aqui está um homem que conhece o mandamento.
Entre todos os mandamentos, há um dos dez que realmente governa o nosso desejo interior. Todos os outros mandamentos podem ser aplicados exteriormente, mas há um dos dez que trata do íntimo do coração:
Não cobiçarás.
Não sejas ganancioso.
De fato, vocês veem que esse homem é incomodado por esse único mandamento. Mas a lei em Romanos 7 não se refere ao mandamento. A lei em Romanos 7 se refere à lei interior, à lei da natureza, à lei do pecado e da morte.
Os mandamentos dão ocasião para que a lei natural interior opere. Os mandamentos são santos, justos e espirituais. Mas, infelizmente, esse homem é carnal; ele vive segundo a carne.
Portanto, vocês veem que a lei natural interior de Adão se aproveita do mandamento santo, justo e espiritual e ataca esse homem, para tornar o pecado ainda mais pecaminoso e a morte ainda mais mortal.
Em Romanos 7, vocês verão que há uma batalha entre a vontade e a lei. Aqui está uma boa vontade: “Quero ser bom. Quero agradar a Deus. Não quero ser ganancioso”.
Se há alguém de vontade forte, certamente Paulo é um deles. Ele tem uma vontade de ferro. Assim, vocês o veem exercendo a sua vontade para lutar contra uma lei — a lei do pecado e da morte.
“Não farei o que não devo fazer, mas farei tudo o que devo fazer.” E ele começa a agir assim.
Talvez consiga ter sucesso por algum tempo. Vocês sabem, se eu segurar esta Bíblia — esta Bíblia é bem pequena; não pesa muito. Eu a trouxe porque é leve.
Certamente posso segurar esta Bíblia com o braço estendido durante uma hora. Meu braço — minha vontade —, direi ao meu braço: “Segure-a. Não a deixe cair”. E consigo fazer isso durante uma hora.
Mas, depois de uma hora, meu braço começa a doer, e começo a tremer. Talvez, depois de uma hora e meia, meu braço ceda, e a Bíblia caia no chão.
A lei da gravidade — a vontade de vocês não pode vencer uma lei. Por mais forte que seja a vontade de vocês, não podem vencer uma lei, porque uma lei nunca muda. Ela é permanente, perpétua, e está sempre ali exercendo sua força, sem jamais cessar.
É por isso que vocês não podem lutar contra uma lei.
Por que essa lei opera? Porque, em Romanos 7, vocês veem que o homem está vivendo na carne — não na carne má, mas na carne boa.
Esse homem tem discernimento suficiente para rejeitar aquilo que é mau e perverso na carne. Mas não tem discernimento para ver que o bem da carne ainda é carne. Ainda procede da árvore do conhecimento do bem e do mal, e ainda está sob a lei do pecado e da morte.
Porque não vê isso, ele luta contra essa lei como se não estivesse sujeito a ela, e o resultado é fracasso e derrota.
Até que um dia ele descobre:
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Até que um dia confessa que em mim — isto é, na minha carne — não há bem algum.
Quando esse dia chega, o Libertador vem.
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Assim, irmãos e irmãs, aqui descobrimos uma coisa: nós, que estamos em Adão, nós, que vivemos segundo a carne, quer seja antes de sermos salvos, quer seja depois de sermos salvos, enquanto vivermos na carne, estaremos sob essa lei.
Enquanto vocês considerarem que ainda há algum bem em sua carne, enquanto tentarem usar o bem de sua carne para agradar a Deus, descobrirão que, por fim, não apenas o bem está preso pela morte, mas o mal também se manifestará. Em outras palavras, vocês cairão em pecado. Não há esperança para Adão.
Em Adão todos morrem, mas em Cristo todos receberam vida. Assim, vocês veem que a salvação está em Cristo Jesus. Agradecemos a Deus porque nosso Senhor Jesus veio a este mundo e, quando veio, trouxe outra vida a este mundo.
Nele estava a vida.
Ele trouxe uma nova vida a este mundo e, como mencionamos ontem, por meio da cruz, por meio da morte e da ressurreição, Ele liberou essa vida para nós. Quando cremos Nele e O recebemos, recebemos essa vida, que é Ele próprio.
Hoje, queridos irmãos e irmãs, estamos em Cristo. Em 1 Coríntios 1:30, está escrito:
Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus.
Vocês sabem que, ao crerem no Senhor Jesus, não apenas a Sua vida entrou em vocês e se tornou a vida de vocês, mas, ao mesmo tempo, Deus os colocou em Cristo? Portanto, hoje estamos em Cristo Jesus.
Em Adão todos nós morremos, mas em Cristo Jesus todos nós vivemos. Agora vivemos por uma nova vida.
Graças a Deus, assim como a velha vida traz consigo uma velha natureza e está sob uma velha lei, essa nova vida que recebemos hoje traz consigo uma nova natureza e é governada por uma nova lei.
Agora, qual é essa nova lei? Essa nova lei é chamada nas Escrituras de lei do Espírito da vida.
Em Cristo, é a lei do Espírito da vida que opera. Em Adão, é a lei do pecado e da morte que opera.
Quando estamos neste planeta Terra, a lei da gravidade opera. Não importa aonde vocês vão, não importa o que fazem, vocês estão sob a lei da gravidade porque estão neste planeta Terra.
Mas suponham que vocês vão ao espaço — e as pessoas estão indo ao espaço. Quando vão ao espaço, escapam da lei da gravidade, porque no espaço a lei da gravidade não existe. Vocês flutuam.
Vocês estão sob uma lei superior. Uma lei superior opera no espaço. Mas suponham que retornem à Terra. Então, o que acontece? Vocês descobrem que a lei da gravidade novamente exerce sua força sobre vocês. Não podem escapar disso.
A única maneira de escapar é permanecer para sempre no espaço. Então vocês escapam inteiramente dessa lei. Mas, infelizmente, os homens sempre voltam à Terra.
Agora, espiritualmente, acontece a mesma coisa. Irmãos e irmãs, existem duas esferas. Uma esfera é em Adão, e a outra é em Cristo.
Se vocês estão em Adão, estão sob a lei do pecado e da morte, e não há como escapar.
Às vezes nos perguntamos por que isso acontece, já que somos salvos. Sabemos que somos salvos. Temos certeza de que somos salvos. Sabemos que temos a vida de Cristo em nós. Mas às vezes nos perguntamos: “Por que, por que ainda nos encontramos sob a lei do pecado e da morte? Não conseguimos fazer o que devemos fazer. Fazemos o que não devemos fazer. Miserável homem!”
Clamamos: “Por quê?” Às vezes até nos perguntamos se somos salvos. Pensamos que, se somos salvos, não deveria ser assim.
Irmãos e irmãs, é muito simples: vocês precisam permanecer em Cristo.
É verdade que Deus colocou vocês em Cristo. Essa é a posição de vocês. Mas, se não continuarem nessa posição — permanecer significa simplesmente fazer ali a sua morada —, se não ficarem em seu novo lar, se voltarem à sua antiga residência, descobrirão que a velha lei está sobre vocês, e não haverá como escapar.
Portanto, o segredo é permanecer em Cristo.
Permanecer é algo diário. Permanecer é uma experiência diária. Portanto, é importante que nós, os crentes, sabendo que estamos em Cristo Jesus — graças a Deus por isso —, vivamos permanentemente nessa posição: permanecendo.
Agora, como permanecemos em Cristo? Lembro-me de que, muitos anos atrás, tivemos uma conferência de jovens. Durante a conferência, fiz uma pergunta aos jovens. Eu disse: “Como permanecemos em Cristo?”
Esses jovens me deram respostas diferentes. Alguns disseram: “Você permanece em Cristo orando. Se você ora, então permanece em Cristo”. Outros disseram: “Você permanece em Cristo lendo as Escrituras”. Houve todo tipo de resposta.
Agora, irmãos e irmãs, como permanecemos em Cristo? Se queremos viver sob a lei do Espírito da vida, precisamos permanecer em Cristo. Mas como permanecemos Nele?
Há um versículo que nos dá o segredo. É a chave para permanecer: 1 João 2:27.
E, quanto a vós, a unção que Dele recebestes permanece em vós,
e não tendes necessidade de que alguém vos ensine;
mas, como a Sua unção vos ensina acerca de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira,
assim como ela vos ensinou, permanecei Nele.
Agora, graças a Deus. Quando cremos no Senhor Jesus, Deus faz tanto por nós. Ele não apenas nos deu uma nova vida — Sua própria vida, vida não criada, uma vida liberada por meio de Cristo Jesus, disponível e que pode ser recebida.
Essa vida de Cristo está agora em nós como a nossa vida. Mas, ao mesmo tempo, vocês verão que, quando somos salvos, Deus vivifica o nosso espírito morto.
Vocês sabem, por causa do pecado, nosso espírito, como órgão, estava morto em relação a Deus. Mas, quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo de Deus vivifica o nosso espírito morto e o torna vivo, fazendo dele um novo espírito.
Então o Espírito Santo vem e habita em nosso espírito. Agora, irmãos e irmãs, foi isso que aconteceu com vocês. Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo: vocês recebem uma nova vida, recebem um novo espírito e recebem o Espírito Santo que habita em vocês.
Não apenas o espírito de vocês é renovado — isto é, é vivificado para Deus, e agora vocês podem ter comunhão com Deus —, mas também o Espírito Santo vem e habita no novo espírito de vocês.
O Espírito Santo é chamado de Espírito da vida. Em outras palavras, Ele está ali encarregado dessa vida.
Nós não sabemos como lidar com essa vida, vocês sabem. Por isso, Deus nos dá o Espírito Santo para permanecer em nós — em outras palavras, para fazer em nós a Sua morada. Ele nunca nos deixará nem nos abandonará. Ele está sempre ali.
Ele permanece em vocês. No espírito de vocês, no novo espírito de vocês, Ele faz Sua morada. Ele cuida dessa nova vida por vocês, porque vocês não sabem como cuidar dessa nova vida. Ele é chamado de Espírito da vida.
Quando o Espírito opera, a lei é vida. Sempre que o Espírito opera, Ele traz vida.
Vocês sabem, de João 14 a João 16, nosso Senhor Jesus fala aos Seus discípulos sobre a vinda do Consolador, outro Consolador. Quando o Espírito da verdade vier, Ele revelará Cristo a vocês. Ele os guiará a toda a verdade. Ele tomará o que é de Cristo, o dará a conhecer e o tornará real para vocês.
Essa é a obra do Espírito Santo. O Espírito Santo está encarregado dessa nova vida. Ele conduz vocês ao conhecimento e à experiência dessa nova vida. Ele faz essa nova lei operar sobre vocês.
Assim como a lei do pecado e da morte é uma lei, também o Espírito da vida é uma lei. Ela nunca muda.
Se vocês estão em Adão, aquela lei opera. Se vocês estão em Cristo, uma nova lei opera: o Espírito da vida opera. É igualmente natural. É sobrenaturalmente natural.
Vocês sabem, às vezes pensamos que nossa vida cristã é muito pouco natural. Antes de crermos no Senhor Jesus, vivíamos uma vida natural. Vivíamos naturalmente. Cometer pecado era algo natural. Fazer o bem era contrário à nossa natureza. Achávamos isso muito difícil e sempre seguíamos pelo caminho mais fácil.
Mas, depois que somos salvos, irmãos e irmãs, vocês descobrem que começam a viver uma vida que não é natural. Por quê? Porque tentam viver a vida cristã por meio de sua vida adâmica, e isso é muito pouco natural.
É tão contrário à natureza que, depois de um ano como cristãos, vocês começam a ficar muito tensos. Em dois anos, ficam nervosos. Talvez, em três anos, entrem em colapso, porque isso é tão pouco natural.
Algumas pessoas até pensam que é preciso orar por tudo. Portanto, quando vão comer, precisam orar: “Senhor, devo comer uma porção ou duas?”
Se vocês tentarem viver dessa maneira, nossa, a tensão sobre vocês será enorme.
Mas lembrem-se: a vida espiritual é natural. É sobrenaturalmente natural. É espontânea. Não exige esforço. É aí que a lei opera.
A vontade é algo que vocês precisam exercer. Há esforço — esforço produzido por vocês mesmos. Mas a lei não faz esforço algum. Ela simplesmente está ali. É espontânea. É sempre assim. Nunca muda.
Irmãos e irmãs, nós vemos isso? Vemos que, assim como vivíamos naturalmente em Adão, agora viveremos em Cristo de maneira sobrenaturalmente natural? É nisso que consiste a vida cristã.
Se vivemos na carne, estamos sob a lei do pecado e da morte. Mas, se vivemos segundo o Espírito, então veremos que a lei do Espírito da vida opera.
Graças a Deus, o Espírito Santo é tão fiel. Como disse um irmão, Ele é o seu chefe residente. Ele é tão fiel e ensina vocês em todas as coisas. Ele está sempre ali — em todas as coisas, nas grandes e nas pequenas. Tudo o que Ele ensina é verdadeiro e não é mentira.
Irmãos e irmãs, como permanecemos em Cristo? Obedeçam ao ensino da unção, e permanecerão em Cristo. Sigam o Espírito Santo, e permanecerão em Cristo.
Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.
Enquanto vocês agirem de acordo com o ensino da unção, permanecerão em Cristo. Irmãos e irmãs, o Espírito Santo está dentro de nós como a unção. Em outras palavras, Ele está sempre ali nos ungindo.
Quando Ele aplica a unção, há uma sensação de alívio e paz. Ele está sempre nos dizendo o que é de Deus e o que é da vida. Não é uma questão de bem e mal.
Os cristãos não devem ser governados apenas pelo bem e pelo mal. Os cristãos devem ser governados por uma lei superior: vida ou morte. Muitas coisas são boas, mas estão mortas.
A vida é o critério. O Espírito da vida está sempre ali operando, trazendo vida para dentro de nós. À medida que vocês obedecem ao Espírito Santo, a vida entra. E mais vida leva a mais obediência ao Espírito Santo — é um ciclo. É assim que vocês crescem. Vocês crescem naturalmente, de maneira sobrenaturalmente natural, no Espírito Santo.
Quero citar para vocês algo escrito pelo amado T. Austin-Sparks. Quando ele tenta explicar alguma coisa, sempre usa palavras difíceis. Mas, se vocês entendem, chegam ao próprio cerne da questão.
Aqui está o que ele disse sobre uma lei:
Uma lei é um princípio fixo e estabelecido. Ela possui potencialidades. Isso significa que, se vocês se ajustarem a ela e forem governados por ela, certos resultados serão inevitáveis; que as potencialidades que ela contém certamente encontrarão expressão quando essa lei estiver estabelecida.
Portanto, o que temos aqui é que a marca das coisas que procedem de Deus, o Espírito Santo, é a vida. Se alguma coisa procede de Deus, o Espírito Santo, ela viverá. Sua característica principal será a vida. Isso é uma lei, um princípio estabelecido.
Mas há outra coisa que precisamos observar desde o início. Quanto à vida como princípio fixo, a vida está em Cristo Jesus. Chegamos a ver que a vida, em todas as suas múltiplas expressões, está em Cristo Jesus. Para conhecer a vida, precisamos conhecê-Lo. Precisamos compreendê-Lo.
Essa lei do Espírito da vida é tão importante. Precisamos conhecê-la. Como chegamos a conhecer essa lei? Conhecemos essa lei por suas expressões, por suas manifestações.
Em outras palavras, onde quer que essa lei do Espírito da vida opere, vocês encontrarão certas expressões. Por essas expressões, sabem que a lei está operando. Portanto, irmãos e irmãs, é a isso que vocês precisam prestar atenção.
Em primeiro lugar, quando a lei do Espírito da vida está operando, ela sempre traz luz, revelação e iluminação.
Por quê? Porque o Espírito de Deus é um Espírito de sabedoria e revelação. Ele é o Espírito Que revela aquilo que tomou do Filho. Ele revela o Filho em nós. Essa é a própria natureza do Espírito Santo: revelar. Ele é um Espírito de sabedoria e revelação.
Nosso Deus é luz. Em 1 João 1:5, está escrito:
Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Em Tiago 1:17, está escrito que Ele é o Pai das luzes:
Em Quem não há variação, nem sombra de mudança.
Em outras palavras, nosso Deus é luz perfeita. Não há trevas, variação, penumbra nem sombra Nele. Esse é o nosso Deus. Essa é a Sua vida.
Quando o Senhor Jesus veio a este mundo, está escrito:
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
Há luz Nele. Ele é a vida, e nessa vida há luz.
Pensem em nosso Senhor Jesus. Pensem em Sua vida na Terra. Ele viveu uma vida cheia de luz. Em outras palavras, vocês veem que Ele sempre conhecia a vontade do Pai. Ele sempre fazia a vontade do Pai.
Vocês veem que Ele é transparente. Ele é como um espelho. Sempre que alguém entra em Sua presença, o que está dentro dessa pessoa é revelado, porque Ele é transparente. Vocês não podem esconder nada Dele.
Ele é profundo, mas não há ocultação. Ele é muito aberto, mas não há insensatez nisso. Ele não tem duas faces. Ele nunca finge. Ele é sempre verdadeiro. Por quê? Porque Ele é luz.
Assim, vocês veem que Deus é luz. Nosso Senhor Jesus, durante Seus dias na Terra, viveu uma vida de luz. O Espírito Santo, Que hoje habita em nós, nos conduz a essa mesma vida.
Sempre que a lei do Espírito da vida opera, vocês veem que ela traz revelação, luz e iluminação.
Vocês sabem, vivemos em trevas. O mundo inteiro está em trevas. Até mesmo o que consideramos luz — raciocínio, conhecimento racional, ética — é trevas, não vida.
Há um versículo em Isaías de que gosto muito, Isaías 50:11, porque ele realmente descreve a nossa situação:
Eis que todos vós, que acendeis um fogo, que vos cingis de tições,
andai na chama do vosso fogo e entre os tições que acendestes.
Isto vos virá da Minha mão: em tormento vos deitareis.
Em outras palavras, nós nos cercamos do fogo que nós mesmos acendemos. Pensamos que estamos andando na luz, seja na tradição, seja no raciocínio. Andamos nessa luz, mas lembrem-se: esse é um fogo que nós mesmos acendemos, e o resultado é que nos deitamos em tormento.
Há apenas um lugar onde podemos obter luz. Em Salmos 36:9, está escrito:
Na Tua luz veremos a luz.
Irmãos e irmãs, é somente quando nos achegamos ao Senhor, à Sua vida, que Sua vida brilha sobre nós e expõe tudo. Vocês sabem, Efésios nos diz que é a luz que expõe tudo e revela o verdadeiro caráter de todas as coisas.
Quando o Espírito da vida está operando, invariavelmente vocês verão que haverá luz, revelação e iluminação. Ela exporá o verdadeiro caráter de tudo. Julgará tudo. Abaterá tudo. Matará tudo. Mas, ao mesmo tempo, curará. Curará. Isso é luz.
Em nossa vida cristã, se alguma coisa não procede de revelação, se alguma coisa não vem por revelação, pelo Espírito Santo nos revelando, nada vive.
Vocês podem ter, intelectualmente, a melhor compreensão e exposição da Palavra de Deus. Podem memorizar os versículos e conhecê-los de cor — como se estivessem no coração, mas não estão no coração, estão no cérebro. Vocês não encontram nada vivo. Está morto.
A Palavra é verdadeira, mas, se não houver revelação, se o Espírito da vida não operar e trouxer luz e iluminação, ela estará morta para vocês. Não terá poder.
Mas, se o Espírito Santo tomar a Palavra de Deus e a revelar a vocês, se a abrir para vocês, imediatamente descobrirão que há vida. Há poder.
Então, como vocês sabem que o Espírito da vida está operando? Quando há luz dentro de vocês.
Por revelação, não quero dizer algo muito profundo ou muito misterioso. Por revelação, quero dizer simplesmente que o Espírito Santo toma as coisas de Deus e as abre para nós, de modo que realmente as vemos em nosso coração. Sabemos que é vida. É vivo. É realidade. Funciona.
É assim que sabemos que a lei do Espírito da vida está operando.
Em segundo lugar, vocês veem que, quando a lei do Espírito da vida está operando, sempre há separação.
Nosso irmão mencionou isso ontem à noite. Deus é santo. Agora, o que é ser santo? Ser santo significa simplesmente estar separado de tudo o que é comum.
Estamos sendo separados de tudo o que é comum, separados para Aquele Que não é comum — Que é santo.
Sempre que o Espírito da vida está operando, vocês veem que Ele separa.
O Espírito da vida está operando na vida de vocês, ao longo de toda a vida. Isso não significa que Ele opere apenas uma vez. Houve um momento em que, quando o Espírito da vida estava operando, vocês foram separados do pecado para a justiça. Graças a Deus por isso.
Mas isso não termina aí. Se o Espírito da vida estiver operando na vida de vocês, verão que a separação prossegue continuamente. Como nosso irmão mencionou ontem à noite, etapa após etapa, vocês serão separados do mundo.
Até mesmo a separação do mundo se torna cada vez mais profunda: primeiro, separados das coisas do mundo; depois, separados dos padrões, do molde do mundo; e, então, separados do espírito do mundo.
Precisamos ser separados da carne — não apenas da carne má, mas da carne boa. Precisamos ser separados da vida do eu que há em nós.
À medida que somos separados, somos consagrados a Deus. É assim que a lei do Espírito da vida opera. Quando essa lei opera em nós hoje, nós sabemos.
Em terceiro lugar, vocês veem que, sempre que a lei do Espírito da vida opera, há a marca, o estigma, da cruz.
Como Paulo disse:
Desde agora, ninguém me perturbe: porque trago em meu corpo as marcas de Jesus.
Se não há feridas, se não há cicatrizes, vocês sabem, o Espírito da vida não está operando.
Não pensem que podem viver a vida cristã sem nenhuma ferida, sem nenhuma marca da cruz. É impossível, porque, quando o Espírito da vida opera, Ele sempre nos conduz à cruz.
Olhem para nosso Senhor Jesus. Pelo Espírito eterno, Ele ofereceu a Si mesmo, sem mácula, a Deus.
A cruz nos conduz ao Espírito, e o Espírito nos conduz de volta à cruz.
Por fim, onde quer que a lei do Espírito da vida opere, há glória. Há glória.
O irmão Sparks explica a glória como Deus estando satisfeito. Sempre que Deus está satisfeito, a glória aparece.
Quando nosso Senhor Jesus estava na Terra, João 1:14 diz:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós
(e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai),
cheio de graça e de verdade.
Quando nosso Senhor Jesus estava na Terra, Sua glória como Filho de Deus estava velada. O que o homem via era Sua glória moral como Filho do Homem. Vocês veem um Homem cheio de glória, mas é a glória moral do Filho do Homem.
Essa glória eterna do Filho de Deus estava sempre velada. Ela se manifestou apenas uma vez, no monte da transfiguração. Mas aqueles que tinham olhos espirituais podiam ver, penetrando através da glória moral do Filho do Homem até a glória eterna do Filho de Deus.
Por que há sempre glória? Porque o Pai está sempre satisfeito.
Irmãos e irmãs, quando o Espírito da vida está operando em nós, invariavelmente vocês verão que haverá glória.
Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como em um espelho a glória do Senhor,
somos transformados na mesma imagem, de glória em glória,
como pelo Senhor, o Espírito.
O Espírito Santo está trazendo glória para dentro de nós, para que um dia sejamos manifestados em glória.
Graças a Deus, podemos agradar a Deus, podemos satisfazer o Pai. Graças a Deus, Cristo pode ser formado em nós. Graças a Deus, essa é a Sua vontade, e é isso que Ele está fazendo.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos colocaste em Cristo Jesus. Nós Te agradecemos porque a lei do Espírito da vida está operando.
Oramos para que permaneçamos Nele, para que conheçamos a lei do Espírito da vida. Senhor, desejamos que haja glória para Ti. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.