Sim, deveras, considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por Quem sofri a perda de todas as coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo; e ser achado Nele, não tendo justiça própria, a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a justiça que procede de Deus pela fé: para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte; para ver se, de algum modo, posso alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que eu já tenha alcançado, ou já tenha sido aperfeiçoado: mas prossigo, para ver se posso alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não considero que eu mesmo já o tenha alcançado: mas uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que ficam para trás, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos nós, pois, que somos perfeitos, tenhamos este mesmo modo de pensar: e, se em alguma coisa pensais de outro modo, também isso Deus vos revelará; somente, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra. Irmãos, sede juntamente meus imitadores, e observai os que assim andam, conforme o exemplo que tendes em nós.
Sempre acho muito difícil compartilhar depois da mesa do Senhor, porque sinto que já chegamos ao ponto mais alto. Estamos em comunhão com Ele e, por meio Dele, estamos na presença de Deus, nosso Pai, para contemplar a Sua glória. E o que mais se pode dizer?
Mas, graças a Deus, aqui está a Sua Palavra.
Ao ler a carta aos Filipenses, vocês percebem que o apóstolo Paulo parece dar muita ênfase a essa questão da mente — nous, a nossa mente —, porque ela realmente ocupa um lugar muito importante em nossa caminhada cristã e em nosso serviço cristão.
Mencionamos ontem à noite a exortação do apóstolo para nós: que tenhamos a mente de Cristo.
Haja em vós este mesmo modo de pensar, que houve também em Cristo Jesus.
E o que é a mente de Cristo? É o esvaziamento de si mesmo, o apagamento de si mesmo, a negação de si mesmo. Nosso Senhor Jesus, sendo um com Deus, ainda assim esvaziou a Si mesmo. Ele Se esvaziou de toda a glória, honra e majestade que Lhe pertenciam como Deus.
Ele Se esvaziou de todos aqueles atributos metafísicos de Deus: Sua onipresença, onisciência e onipotência. Esvaziou a Si mesmo de todas essas coisas para que pudesse assumir a semelhança de um homem.
É claro que mencionamos ontem à noite que Ele não poderia Se esvaziar de Seus atributos morais, nem de Seu próprio ser como Deus, porque, embora tenha vindo para Se tornar homem, Ele continua sendo Deus. Ele é Deus.
Mas que esvaziamento isso deve ter sido para Ele! Ele veio do lugar mais elevado e tomou o lugar mais baixo, assumindo até mesmo a forma de um escravo. Como Deus, Ele tinha todos os direitos; contudo, veio ocupar um lugar em que não tinha direito algum. E tudo isso porque Ele nos ama. Assim, pôde ir à cruz e realizar a obra de redenção por todos nós.
E essa é a mente de Cristo. Essa é a mente que Deus deseja que cada um de nós tenha, porque somente com uma mente assim somos capazes de confortar os outros, de consolar em amor e de ter comunhão no Espírito.
Vimos ontem à noite que essa mente de Cristo é a mente de Paulo. É também a mente de Timóteo e a mente de Epafrodito. Portanto, é possível termos a mente de Cristo.
Agora, depois de Paulo ter compartilhado com os irmãos ali sobre essa questão da mente de Cristo, parece que ele estava prestes a concluir sua carta. Por isso, vocês encontram, no início do terceiro capítulo, estas palavras:
Finalmente, meus irmãos.
Ele diz:
Finalmente, alegrai-vos no Senhor.
A alegria no Senhor é realmente aquilo que mede a nossa condição espiritual. Se a sua condição espiritual está correta diante do Senhor, há alegria dentro de você.
Agora, quando falamos de alegria, ela é diferente daquilo que as pessoas costumam chamar de felicidade. Você pode estar muito feliz exteriormente, ou pode estar feliz porque conseguiu alguma coisa, mas isso é passageiro e vem das circunstâncias exteriores.
Mas a alegria de que a Escritura fala é uma qualidade interior. É algo dentro de nós. Não é influenciada pelas circunstâncias exteriores. Pensem em Paulo. Ele estava preso em Roma e, mesmo assim, vocês veem a alegria transbordando dentro dele. Ele tinha tanta alegria que era capaz de compartilhá-la com seus irmãos em Filipos.
Eles estavam em condições muito melhores. Não estavam presos. Na verdade, vocês percebem que a igreja em Filipos era, em certo sentido, uma igreja muito saudável. Desde o início, tinham uma só mente, uma só alma e um só espírito, lutando juntos pela fé do evangelho.
Até o momento em que Paulo escreveu essa carta, eles ainda eram um em espírito, um em alma e um em coração, lutando juntos pelo evangelho de Jesus Cristo. Portanto, era uma igreja muito saudável; mas, embora estivessem em condições tão boas, a alegria não estava presente.
De alguma forma, havia uma tensão por baixo da superfície, e essa tensão entrou por meio de duas irmãs — duas irmãs espirituais, duas cooperadoras. Essas duas irmãs exerciam liderança. Haviam ajudado Paulo na pregação do evangelho e certamente eram muito dotadas e muito eficazes em seu ministério.
Mas, de alguma forma, essas duas irmãs começaram a desenvolver uma espécie de rivalidade. Começaram a lutar uma contra a outra. Buscavam fama e vanglória. Ainda trabalhavam juntas pelo evangelho de Jesus Cristo, com outros irmãos e irmãs, mas havia uma rivalidade ali. Alguma coisa não estava bem.
Elas perderam a mente de Cristo. Perderam aquela humildade e aquele apagamento de si mesmas, e começaram a buscar alguma coisa para si. Por causa dessa rivalidade, uma sombra caiu sobre toda aquela igreja, e a igreja perdeu a alegria no Senhor.
Vocês podem avaliar se uma pessoa está espiritualmente saudável ou não pela alegria que há nela. O mesmo se aplica a uma comunidade de crentes. Quando uma comunidade de crentes está em uma condição espiritual saudável, a alegria do Senhor é a sua porção; a alegria do Senhor é a sua força.
Mas, quando uma comunidade não está na condição espiritual correta, vocês percebem que falta alguma coisa ali. Falta alegria. É por isso que, na carta aos Filipenses, Paulo fala tanto de alegria. Em cada capítulo, ele menciona a alegria. Ele queria que a igreja em Filipos recuperasse sua alegria no Senhor.
A maneira de recuperá-la é voltar à mente de Cristo. Porque, quando vocês passam a ter a mente de Cristo, percebem que não há nada que possa nos privar dessa alegria.
Então, ele estava prestes a concluir essa carta e disse:
Alegrai-vos no Senhor.
Que haja alegria. Se vocês passarem a ter a mente de Cristo, terão a mesma mente. Essas irmãs passarão a ter a mesma mente, porque já não pensarão em si mesmas. Pensarão apenas no Senhor e nos irmãos e irmãs. Elas se esquecerão de si mesmas e, ao fazerem isso, terão a mesma mente.
Vocês sabem, no capítulo 2, Paulo fala de pensar a mesma coisa e de ter a mesma mente. Agora, o que isso significa? Significa que temos de controlar a mente de todos os irmãos e irmãs, fazendo uma lavagem cerebral para que pensem exatamente na mesma linha? Você não pode sair da linha; se sair da linha do partido, está fora. É isso que significa? Não, certamente não.
É isso que o mundo faz. Mas, quando a Escritura fala de pensar a mesma coisa e de ter a mesma mente, o que isso significa? Significa que temos a mente de Cristo. É isso que significa.
Não significa que cada pensamento seja completamente controlado e que você tenha de pensar de determinada maneira; caso contrário, fica de fora. Significa que, quando estamos cheios da mente de Cristo, temos a mesma mente, porque ela não é nem a sua nem a minha: é a de Cristo.
É amar. É dar. É cuidar. É procurar aperfeiçoar uns aos outros. E, assim, vocês passam a ter a mesma mente. Irmãos e irmãs, aqui vocês encontram Paulo dizendo: “Alegrai-vos no Senhor. Que a alegria volte à igreja”.
Embora ele estivesse tentando concluir, na verdade parece que começa de novo. Lembro-me de que, anos atrás, o irmão T. Austin-Sparks esteve conosco certa vez. Ele mencionou que a palavra traduzida como “finalmente”, ou “quanto ao mais”, no original significa reunir tudo o que foi dito antes e elevá-lo a um patamar mais alto.
É isso que a palavra “finalmente” significa. Não significa que esse seja o fim. Significa que já chegamos a certo nível e que agora tudo está sendo reunido: “Alegrai-vos no Senhor”; então, ele nos leva a outro nível.
Assim, aqui no capítulo 3, chegamos a outro aspecto da mente. No capítulo 2, Paulo fala da mente de Cristo. Em outras palavras, precisamos ter uma atitude mental que seja a mente de Cristo.
Mas agora, no capítulo 3, ele vai falar sobre o objeto da mente. No capítulo 2, ele fala da atmosfera — de como precisamos de determinada atmosfera, e essa atmosfera é a mente de Cristo. No capítulo 3, ele passa a tratar do conteúdo da mente.
No capítulo 2, é nous, a mente. Mas, no capítulo 3, é phroneō, em grego. É um verbo. Significa pensar, ter determinada disposição mental, pensar em algo ou manter algo em mente. Se transformarmos isso em um substantivo verbal, seria “o ocupar-se mentalmente”.
Em outras palavras, vocês precisam ter determinada atitude mental, e essa atitude é esvaziar-se de si mesmos. Mas agora, para onde a sua mente estará voltada? Em que a sua mente se fixará? Com o que você realmente se ocupa em seus pensamentos?
Portanto, no capítulo 3, Paulo está falando sobre isto: com o que nós, como crentes, devemos ocupar a nossa mente? Para onde a nossa mente deve estar voltada? Em que devemos pensar?
Mais uma vez, vocês encontram Paulo usando a si mesmo como ilustração. Ele nos apresenta sua história passada. Diz que foi circuncidado ao oitavo dia. Quando Deus fez uma aliança com Abraão, disse a Abraão que todo menino nascido na família deveria ser circuncidado ao oitavo dia. O oitavo dia é o dia da ressurreição.
Paulo diz:
Circuncidado ao oitavo dia.
Não como Ismael, que foi circuncidado quando tinha treze anos. Aquilo não estava de acordo com a aliança. Ele era da raça de Israel — não de Esaú, mas de Jacó — e da tribo de Benjamim.
Por que isso era importante? Quando as doze tribos, a nação de Israel, foram divididas em duas partes, dez tribos seguiram por um caminho, e duas permaneceram. Benjamim foi a tribo que permaneceu com Judá. Em outras palavras, nunca se afastaram.
Essa era a sua linhagem — algo de que se orgulhar: pertencer àquele povo privilegiado e escolhido, ser verdadeiramente israelita. Quanto à sua formação, ele disse: “Sou fariseu. Fui formado como fariseu”. Essa era a seita mais rigorosa do judaísmo.
Ele estudava a lei, guardava a lei e memorizava a lei. Quanto à sua conduta, segundo a justiça da lei, era irrepreensível e estava acima de qualquer censura. Não era um hipócrita nem um falso fariseu. Era um verdadeiro fariseu. Guardava cada letra da lei e, mais do que isso, guardava as tradições dos pais. Era uma vida muito rigorosa.
Não apenas isso; ele disse: “Sou zeloso” — zeloso por sua religião a tal ponto que perseguia a igreja. Segundo o ensino dos pais, o Senhor Jesus parecia ser um rebelde e um impostor aos olhos do judaísmo.
Paulo era tão zeloso por sua fé que perseguia os cristãos, não apenas em Jerusalém e nas cidades da Judeia, mas até fora da Judeia. Pediu documentos oficiais aos sacerdotes para que pudesse ir a Damasco, prender os crentes e levá-los a Jerusalém para serem julgados.
Seu zelo superava o de muitas pessoas. Na verdade, ele reconheceu que estava mais adiantado do que seus próprios contemporâneos. Orgulhava-se de seu nascimento, de seus direitos de nascimento como judeu, de sua formação e de suas realizações.
Porque sua mente estava voltada para uma única coisa: ele queria ser alguém no judaísmo. Se não fosse o principal rabino dos judeus, certamente seria um dos rabinos mais destacados, um dos líderes. Esse era o seu alvo. Era nisso que sua mente estava fixada.
Depois de fixar sua mente nisso, ele buscou esse objetivo com toda a sua energia. Irmãos e irmãs, humanamente falando, se ele não tivesse sido detido pelo Senhor no caminho de Damasco, teria alcançado aquilo em que havia fixado a mente. Era um homem de vontade tão férrea que certamente conseguiria o que desejava.
Para conseguir isso, estava disposto a sacrificar muitas coisas. Pensem em um jovem guardando cada letra da lei. Que vida disciplinada ele deve ter levado! Quantos prazeres da juventude, do mundo e do pecado teve de abandonar! Ainda assim, estava disposto a sacrificar tudo. Por quê? Porque tinha a mente fixada em se tornar um grande rabino.
Algumas pessoas chegam a dizer que, embora fosse muito jovem, ele já tinha assento no conselho dos judeus — o Sinédrio, o tribunal mais elevado. Não sabemos se isso é verdade ou não. Alguns dizem que sim; outros dizem que não, porque ele não era casado. Mas, tradicionalmente, dizia-se que ele já havia alcançado a posição de um dos setenta naquele conselho dos judeus.
Era nisso que sua mente estava voltada.
Mas, graças a Deus, no caminho de Damasco, Deus o deteve. Muitas vezes sinto que Deus nos permite ir tão longe quanto podemos, tão longe quanto Ele nos permite ir. Deus permitiu que Paulo, naquele momento, fosse tão longe quanto desejava.
Ele havia sido bem-sucedido em perseguir os cristãos em Jerusalém, e agora ia perseguir os cristãos em cidades gentias. O Senhor permitiu que ele fosse. Mas, no caminho de Damasco, antes de chegar à cidade, graças a Deus, Deus o deteve.
Uma luz brilhou sobre ele, mais forte que o sol do meio-dia. Ele foi atingido por aquela luz, caiu por terra e ouviu uma voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues? Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
Em outras palavras, vocês percebem que somos como uma mula ou um boi teimoso quando queremos seguir o nosso próprio caminho. Vocês sabem que ninguém que nasce neste mundo é livre? Você pode pensar que é livre. Pode pensar que pode ir a qualquer lugar que queira e fazer qualquer coisa que deseje. Mas Deus tem um propósito para a sua vida.
Você nasceu neste mundo para servir ao propósito Dele. Você é como um boi. Pertence a um dono, e o dono o usa para arar seu campo, a fim de obter uma colheita. Você está preso a um jugo, e há Alguém que o conduz. Você pode não saber disso, mas Ele permite que você siga o seu caminho.
De tempos em tempos, Ele usará aquele aguilhão. Um lavrador tem um instrumento pontiagudo na mão e, sempre que o boi quer sair do caminho, ele toca muito levemente a perna do animal. Não o perfura para machucá-lo. Apenas o toca e permite que você sinta, para que saiba que tem um dono.
Mas, infelizmente, o boi muitas vezes dá coices contra os aguilhões. Quando você dá coices contra os aguilhões, isso dói. Deus não quer machucá-lo; Ele só quer lembrá-lo. Mas você machuca a si mesmo, porque dá coices contra os aguilhões. Ao se machucar repetidamente, começa a aprender que está sujeito a Ele. Começa a aprender de Cristo e a seguir pelo caminho reto.
Então, o Senhor disse a Saulo: “Não pense que você é livre ou independente. Não pense que pode seguir o seu próprio caminho. Eu deixarei você ir tão longe quanto puder, mas não além disso. Já toquei você com um aguilhão”.
Certamente, quando Estêvão foi apedrejado, o jovem Saulo estava guardando as roupas daqueles que o apedrejavam. Quando Estêvão estava morrendo, viu o Senhor em pé, esperando por ele. Ele disse:
Vejo os céus abertos, e o Filho do Homem em pé.
Antes de morrer, disse:
Senhor, perdoa-lhes.
Saulo estava ali, observando. Evidentemente, aquilo deve ter tocado a consciência de Saulo. O aguilhão o havia tocado. Mas ele deu coices contra os aguilhões. Tornou-se pior; endureceu sua consciência e passou a perseguir os cristãos com ainda mais ferocidade do que antes. Por quê? Ele queria silenciar sua consciência.
O Senhor o lembrou: “Não dê coices contra os aguilhões. Por fim, você terá de ceder. Por que não fazer isso agora?”. E Saulo disse:
Senhor, que queres que eu faça?
Em outras palavras, ele cedeu.
Quando Saulo se entregou ao Senhor ressurreto, houve uma transformação. Sua mente foi renovada. Mencionamos ontem à noite que, na consagração, o Espírito Santo renova a nossa mente.
Quando ele se ofereceu ao Senhor, capitulou; rendeu-se ao Senhor e entregou-se completamente a Ele. Disse: “Senhor, o que devo fazer? No passado, eu sabia o que deveria fazer. Ninguém precisava me dizer; eu dizia aos outros. Mas agora estou perdido. Não consigo viver nem um dia por mim mesmo. Não sei aonde ir. Não sei o que fazer. Tu tens de me dizer. Sou Teu”.
Irmãos e irmãs, aqui vocês veem sua mente renovada.
O apóstolo Paulo disse que, por causa de Cristo, as coisas que antes eram ganho para ele agora considerava como perda. Que mudança de mente! Sua mente havia estado fixada nessas coisas. Eram as coisas que ele valorizava, das quais se orgulhava e que buscava incansavelmente. Quase as alcançou.
Mas agora ele disse: “Considero todos esses ganhos como perda”. Por quê? Porque o impediam de conhecer a Cristo.
Mais do que isso, ele disse:
Considero todas as coisas como perda.
Não apenas as coisas que havia alcançado, mas tudo, todas as coisas, como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus. Quanto mais possuía essas coisas, menos conhecia o Senhor.
Posição, seja ela qual for — considero todas as coisas como perda, para que possa ganhar a Cristo. Que mudança em sua mente! Mas, mais do que isso, ele disse:
Sofri a perda de todas as coisas.
Ele permitiu que elas se perdessem.
Não foi apenas uma mudança psicológica: “Considero todas as coisas como perda”. Foi algo prático. Ele abriu mão de tudo. Por quê? Porque disse que essas coisas eram refugo. Vocês não ficam contentes em se livrar do lixo? Se consideram essas coisas como lixo, por que mantê-las em casa? Abram mão delas.
Que mudança em sua mente! Agora vocês percebem que sua mente estava voltada para outro objeto. Antes, sua mente estava voltada para o judaísmo. Mas agora sua mente estava voltada para Cristo.
“Ganhar a Cristo” — isso se tornou sua paixão. “Tenho apenas uma paixão neste mundo e, de agora em diante, minha única paixão é Cristo. Quero ganhá-Lo”.
Sempre me lembro daquele homem, o conde Zinzendorf. Ele vinha de uma família nobre. Quando era um menino pequeno, provavelmente de quatro ou cinco anos, conheceu o Senhor. Vivia em um castelo, é claro, e amava tanto o Senhor que, às vezes, sentava-se à janela do castelo, escrevia em uma folha de papel “Jesus ama você” e a jogava para fora, para demonstrar seu amor por Cristo.
Quando jovem, recebeu uma educação muito boa, mas amava o Senhor. Quando estava na escola, o Senhor o usou. Antes de sair da escola, ele já havia iniciado mais de dez grupos de estudo bíblico.
Como jovem na Europa, para completar sua educação, ele precisava viajar pelo continente e aprender mais. Viajou para Paris. Outros jovens chegavam a Paris e perdiam a cabeça, mas ele foi a Paris e não encontrou nada ali.
Quando chegou a Düsseldorf, na Alemanha, foi a um museu. Havia ali um quadro pintado por um artista. Esse artista havia recebido encomendas de várias pessoas e da Igreja Católica para pintar temas religiosos.
Certo dia, o artista usou uma jovem cigana como modelo. Enquanto ela estava em seu ateliê, sua atenção foi atraída por uma pintura inacabada de Cristo crucificado. Ela começou a lhe fazer perguntas: “Quem é esse Homem? Por que O crucificaram?”.
O pintor era um cristão nominal, mas conhecia a história. Disse: “Esse é Jesus, e eles O crucificaram”. Mas a jovem continuou a fazer perguntas e, por fim, ele teve de lhe contar toda a história.
Depois que ele terminou a história, a jovem cigana disse: “Bem, você deve amar muito essa Pessoa”. Aquilo tocou seu coração. Ele se converteu genuinamente.
Depois de se converter, dedicou todo o seu talento a pintar um retrato da cabeça de Cristo. É claro que era fruto da imaginação; ninguém sabe exatamente qual era a aparência Dele. Mas ele pintou um retrato da cabeça de Cristo e, embaixo, escreveu:
Tudo isto fiz por ti; que tens feito por Mim?
Ele o deu de presente ao museu. O quadro estava pendurado ali e, todos os dias, ele ia ao museu, ficava a certa distância e orava para que alguém que visse aquele quadro fosse tocado.
Certo dia, aquele jovem, Zinzendorf, chegou ao museu. Parou diante do quadro e não conseguia ir embora. O funcionário veio e disse: “Estamos fechando. Você precisa sair”. Ele foi para o hotel e entregou toda a sua vida ao Senhor.
Esse foi o início da missão morávia. Ele disse: “Tenho apenas uma paixão: Jesus, Jesus, Jesus”.
Assim também foi com o apóstolo Paulo. Daquele momento em diante, ele tinha apenas uma paixão: Cristo. Nada mais. Considerou todas as coisas como refugo e sofreu a perda de todas elas. Só queria ganhar a Cristo. Era com isso que sua mente se ocupava.
Em Romanos 8:6, está escrito:
O pensar do Espírito é vida e paz.
Irmãos e irmãs, com o que nossa mente se ocupa? Para onde voltamos nossa mente? O que estamos buscando?
“Conhecê-Lo” — essa é a paixão do apóstolo Paulo.
Antes, Paulo tentava estabelecer sua própria justiça, a justiça segundo a lei. Tentava guardar cada letra da lei. Mas descobriu que, mesmo assim, sua justiça diante de Deus era como trapos de imundícia. Não podia cobrir sua nudez.
Mas agora ele havia experimentado a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo. Aceitou Jesus como sua justiça. Queridos irmãos e irmãs, como agradecemos a Deus por estarmos agora revestidos de Cristo como nossa justiça!
Isso nos dá uma posição diante de Deus. Caso contrário, ninguém poderia entrar na presença de Deus. Qualquer pessoa que ousasse entrar na presença de Deus seria ferida de morte, porque nosso Deus é santo.
Mas, graças a Deus, estamos revestidos de Cristo como nossa justiça. Portanto, podemos permanecer diante de Deus. Graças a Deus, nossa justiça nunca muda. Nós podemos mudar, mas nossa justiça nunca muda, porque ela é Cristo. Ele nunca muda.
Paulo disse: “Depois de experimentar a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo, depois de conhecer o que Cristo fez por mim, quero conhecer Aquele que tanto me ama. Quero conhecê-Lo”.
Conhecer Sua obra deve despertar em nós o desejo de conhecê-Lo. Não basta apenas saber o que Ele fez por você. Cristo fez tanto por nós, e agradecemos a Deus por isso. Mas, irmãos e irmãs, de alguma forma, isso deveria produzir em nós um anseio por conhecer Aquele que tanto lhes deu, Aquele que tanto os ama, Aquele que lhes concede tanto favor e tanta graça.
Você tem esse anseio dentro de si? Se você experimenta Sua obra consumada, então, irmãos e irmãs, penso que é natural e espontâneo desejar conhecê-Lo.
Paulo diz: “Quero conhecê-Lo”. Não basta apenas conhecer Sua obra — o que Ele fez por mim. Quero conhecê-Lo. Quero ter um relacionamento íntimo com Ele. Quero conhecer Seu caráter. Quero saber do que Ele gosta e do que não gosta.
Quero conhecer Seus sentimentos. Como Ele Se sente a respeito das coisas? Quero conhecer Seus pensamentos, Sua mente. Quero conhecer Seu ser. Quero conhecê-Lo. E isso se tornou aquilo com que a mente do apóstolo se ocupava.
Queridos irmãos e irmãs, é essa a nossa disposição mental? É nisso que fixamos a nossa mente — em conhecê-Lo e conhecer o poder da Sua ressurreição?
Conhecê-Lo é conhecer Sua vida, e Sua vida é vida de ressurreição. Sua vida de ressurreição é poderosa. Antes, vivíamos pela nossa vida natural. É claro que, em nossa vida natural, nem tudo é mau do ponto de vista humano. A carne não é inteiramente má. Há carne má, e há carne boa.
Aqui vocês encontram Saulo, em sua carne boa, tentando ser perfeito, guardando toda a lei e as tradições dos pais. Isso é carne boa. Mas, mesmo assim, ele vivia por sua velha vida, e essa não é a maneira como Deus quer que vivamos.
Como podemos viver a vida cristã? Agora você é um crente. Agora a justiça de Deus veio sobre você. Você foi revestido de Cristo. De agora em diante, precisa viver como cristão, viver uma vida semelhante à de Cristo. Como vai viver essa vida?
Você não pode vivê-la por sua própria vida natural, por melhor que essa vida seja. Não consegue. Pode tentar, mas, quanto mais tenta, mais percebe que é impossível; mais cedo ou mais tarde, desistirá.
Li um livro chamado Cristãos nervosos. Os cristãos nervosos são bons cristãos, porque, se você não for um bom cristão, nunca ficará nervoso. Você não se importa se agrada a Deus ou não. Portanto, não fica nervoso.
Mas, se você for um bom cristão e quiser agradar ao Senhor, ficará muito nervoso. Por quê? Porque percebe que simplesmente não consegue. Tenta e tenta, mas não consegue. Esse é um cristão nervoso.
Mas Deus não quer que sejamos cristãos nervosos. Você fica nervoso porque está tentando viver a vida cristã por sua vida natural. Há apenas uma maneira de viver a vida cristã: viver pela vida de Cristo.
Cristo é a sua vida. Se você quer conhecê-Lo, é isso que Ele é. Ele é a sua vida. Ele vive em você. Ele é a sua vida, e essa vida é vida de ressurreição. Em outras palavras, é uma vida que vence tudo.
Não há poder maior do que a morte, mas a vida de ressurreição vence a morte. É uma vida poderosa. Irmãos e irmãs, temos dinamite dentro de nós. Há poder dentro de nós, e, por esse poder, vocês podem viver a vida cristã, viver uma vida semelhante à de Cristo, porque é Cristo Quem vive; não são vocês.
Não eu, mas Cristo vive em mim.
Esse é o poder da Sua ressurreição. Graças a Deus, Paulo entrou nessa experiência. Ele conheceu o poder da Sua ressurreição, porque disse:
Para mim, o viver é Cristo.
Não sou eu; é Cristo Quem vive em mim. É assim que posso viver a vida cristã.
E então, “a comunhão dos Seus sofrimentos”. Vocês não podem ter comunhão em Seus sofrimentos antes de conhecerem o poder da Sua vida de ressurreição.
Irmãos e irmãs, nós sofremos, sim. Mas sofremos por nossas próprias falhas, nossos próprios pecados, nossa própria ignorância e por causa da nossa carne. Sofremos no passado, mas isso não é comunhão nos sofrimentos Dele. Se você sofre porque faz algo errado, não está tendo comunhão nos sofrimentos de Cristo — de modo algum.
Você começa a ter comunhão em Seus sofrimentos somente depois de conhecer o poder da Sua ressurreição, não antes.
Os sofrimentos de Cristo são de dois tipos. Um deles é Seu sofrimento vicário, ou Seu sofrimento expiatório. Esse é um sofrimento no qual vocês não podem ter comunhão. Não podem participar dele nem ter parte nele, porque nosso Senhor Jesus pisou o lagar sozinho.
No que diz respeito ao sofrimento expiatório, para expiar nossos pecados, Ele sofreu sozinho. Por um só Homem, pelos Seus sofrimentos, somos redimidos. Recebemos o benefício de Seu sofrimento, mas não podemos ter parte nesse sofrimento.
Mas há outro aspecto dos sofrimentos de Cristo: Ele nos chama a sofrer com Ele. De que sofrimento Ele nos chama a participar? A Escritura nos diz que, se seguirmos o Senhor, sofreremos por causa da justiça.
Quando nosso Senhor estava na terra, Ele sofreu porque estava certo. As pessoas sofrem porque estão erradas, mas Ele sofreu porque estava certo. Se você seguir o Senhor, curiosamente, também sofrerá por causa da justiça.
Porque você quer fazer o que é certo, ser justo aos olhos de Deus, vai contra a corrente do mundo e sofre por isso. Pode sofrer perdas. Pode ser ridicularizado pelas pessoas como alguém insensato. Você tem de sofrer por causa da justiça, e isso é comunhão nos sofrimentos Dele.
Bem-aventurados são esses sofrimentos. Você pode sofrer por ser cristão. A Bíblia diz em 1 Pedro 4:14-16 que, se você sofre por ser cristão, é bem-aventurado. Você se declara cristão, alguém que pertence a Cristo, e, por isso, as pessoas o ridicularizam e o desprezam, pensando que você está fora de sintonia com os tempos deste mundo.
Bem, graças a Deus por isso: comunhão nos sofrimentos Dele.
Você também sofre porque, para segui-Lo, precisa negar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-Lo. Nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.
Curiosamente, no caso de Deus, a obediência não se apresenta da mesma maneira, porque Deus é a autoridade do universo. Ele ordena. Mas, quando o Filho de Deus veio para Se tornar homem, teve de aprender a obediência, porque ela não estava presente no caráter humano.
Ele aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Nosso Senhor tinha carne humana, assim como nós, mas naquela carne humana não havia pecado. A nossa é carne pecaminosa, mas a carne Dele era pura. Mesmo assim, Ele teve de abrir mão de Sua carne.
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Ele teve de negar a Si mesmo, tomar Sua cruz e ser crucificado. Quanto mais nós, irmãos e irmãs, em nossa vida cristã.
Todos os dias, há muitas ocasiões em que vocês encontram cruzes diante de si. Percebem que sua vontade, a vontade da carne, é contrária à vontade de Deus. Percebem sua velha mente voltando, em oposição à mente de Cristo. Percebem que seu amor e seus sentimentos naturais são contrários ao amor divino e ao sentir divino.
Todos os dias, vocês têm muitas cruzes que podem carregar. Mas tomar ou não essas cruzes depende de negarem ou não a si mesmos. Se você negar a si mesmo, então tomará a cruz e limitará, por assim dizer, a vida do seu eu, dando lugar à vida de Cristo.
Mas, se não negar a si mesmo, não tomará essa cruz. Seguirá o seu próprio caminho. Irmãos e irmãs, não há dor mais dolorosa do que a morte da carne. Isso é comunhão nos sofrimentos Dele. Vocês estão dispostos a passar por isso?
O Senhor está nos chamando a ter comunhão em Seus sofrimentos. Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês não conhecem o poder da Sua ressurreição, como podem passar por essa comunhão em Seus sofrimentos? Não podem.
Então, ele diz:
Sendo conformado à Sua morte.
Os sofrimentos levam à morte — não a qualquer tipo de morte, mas à morte Dele. A morte de Cristo é como um molde. É uma morte que põe fim a toda morte.
Por Sua morte, Ele levou à morte tudo o que está morto. Por Sua morte, Ele levou à morte o pecado. Por Sua morte, Ele levou à morte o mundo. Por Sua morte, Ele levou à morte até a própria morte. Sua morte tragou toda morte.
Ele disse que devemos ser conformados. Em outras palavras, devemos ser derramados nesse molde. Devemos ser moldados segundo Ele, para que sejamos libertos do poder do pecado. Morremos para o pecado. Somos libertos do mundo.
O mundo está crucificado para mim, e eu estou crucificado para o mundo. Estamos mortos para a morte. Não morremos mais. A morte é tragada pela vida.
Até mesmo diariamente, podemos ser vivificados pelo Espírito em nosso corpo mortal. Irmãos e irmãs, é uma morte que abrange tudo. Quando temos comunhão em Seus sofrimentos, começamos a ser derramados nesse molde.
Mas lembrem-se: a morte não é o fim. Se a morte fosse o fim, isso seria muito negativo. Seria budismo — vazio, vazio, nada. Não. A morte é um meio para alcançar um fim.
Por isso, o apóstolo Paulo diz que deseja alcançar a ressurreição para fora dentre os mortos. Ele já havia experimentado o poder da vida de ressurreição de Cristo. Agora, aguardava aquela ressurreição para fora dentre os mortos.
Sabemos que todos os mortos acabarão ressuscitando, até mesmo os ímpios. Em João 5:28-29, o Senhor Jesus disse que os bons ressuscitarão, e até os maus ressuscitarão para o juízo. Mas há uma ressurreição chamada de ressurreição para fora dentre os mortos.
Essa ressurreição para fora dentre os mortos é a primeira ressurreição mencionada na Escritura. Aqueles que têm parte na primeira ressurreição são bem-aventurados, porque reinarão com Cristo por mil anos. Era isso que Paulo aguardava.
A morte Dele nos leva a essa ressurreição para fora dentre os mortos, à primeira ressurreição, a reinar com Cristo. É disso que se trata.
Se vocês perguntassem a Paulo: “Você já chegou?”, ele diria: “Não”. Quando escreveu a carta aos Filipenses, já vinha servindo fielmente ao Senhor havia muitos anos e havia sofrido muito pelo Senhor. Ainda assim, o apóstolo Paulo disse: “Ainda não cheguei. Continuo prosseguindo”.
“Esqueço-me das coisas que ficam para trás. Esqueço tudo. Quer tenha sido bem-sucedido ou não, esqueço tudo o que ficou no passado. Não fico preso ao passado — nem mesmo ao dia de ontem. Fixo meus olhos no alvo. Prossigo. Estendo-me para a frente”.
Assim como um atleta, você precisa se esforçar além da sua medida atual para que haja progresso. Precisa se esforçar além da sua medida atual para alcançar esse alvo.
Qual é esse alvo? O prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Qual é o alvo? O alvo é Cristo. Ganhar a Cristo — esse é o alvo. E qual é o prêmio? A ressurreição para fora dentre os mortos. Esse é o prêmio.
O apóstolo diz que todos os que são perfeitos devem ter esse mesmo modo de pensar. Agora, a palavra perfeito, na Escritura, não significa perfeição sem pecado. Há apenas um Homem que é perfeito e sem pecado: nosso Senhor Jesus.
Mas a palavra perfeito, na Escritura, significa maduro: alguém que cresceu até a maturidade. O propósito de Deus para nós é que sejamos filhos de Deus — filhos e filhas crescidos, não apenas crianças em Cristo.
Temos de começar como crianças, mas o propósito de Deus a nosso respeito é que cresçamos até a maturidade, até a perfeição, e sejamos conformados à imagem do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, se é isso que queremos ser, se vocês realmente buscam a maturidade, o apóstolo Paulo diz:
Tenhamos este mesmo modo de pensar.
Fixemos nossa mente em Cristo como nosso alvo.
Essa é a única disposição mental que vocês podem ter se quiserem chegar ao alvo. Fixamos nossa mente em Cristo — na plenitude de Cristo?
Paulo diz: “Quero alcançar tudo aquilo para o que fui alcançado por Deus”. Deus nos alcançou. Ele tem um propósito para cada um de nós. Quer que cheguemos a determinada medida. É isso que Deus quer que sejamos.
Mas você quer ser aquilo que Ele quer que você seja? Ou estabelece um alvo mais baixo e se contenta com menos do que aquilo para o que Deus o alcançou? Deus o alcançou para a glória, e você está disposto a ser apenas salvo?
Não tenham outro modo de pensar. Tenham esse mesmo modo de pensar. Sua mente precisa estar fixada em Cristo, na plenitude de Cristo, para que vocês sejam conformados a Ele. Seu alvo precisa ser esse alvo absoluto.
Mas, em sua caminhada, você precisa dar um passo de cada vez. Nossa mente dá direção à nossa caminhada. Sua mente precisa estar fixada no alvo, na plenitude de Cristo; mas, para caminhar, precisa andar passo a passo.
Você não chega ao alvo em um único passo. Portanto, irmãos e irmãs, estabeleçam um alvo elevado, mas contentem-se em caminhar um dia de cada vez. É assim que deve ser.
Em Filipenses 3:15-19, Paulo nos diz o que significa ter outro modo de pensar. Ele diz: “Tenhamos este mesmo modo de pensar”, mas há aqueles que pensam de outra maneira. Felizmente, ele os coloca entre parênteses. Isso não é normal. Não é a vontade de Deus.
Infelizmente, há algumas pessoas assim. De quem Paulo está falando — de incrédulos? Não. Ele está falando de crentes. Pensem nisso.
Em Filipenses 3:18-19, ele diz:
Porque muitos andam, dos quais muitas vezes vos falei, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo: cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória está na sua vergonha, os quais pensam nas coisas terrenas.
Paulo chorava por esses crentes porque tinha o mesmo coração de Cristo. Tinha zelo por Cristo. Queria ver cada crente com esse mesmo modo de pensar, mas via muitos que pensavam de outra maneira.
São inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a destruição, cujo deus é o ventre e cuja glória está na sua vergonha — os que pensam nas coisas terrenas.
Irmãos e irmãs, nossa cidadania está nos céus. Somos um povo celestial. Devemos fixar nossa mente nas coisas do alto, não nas coisas da terra. É assim que deve ser.
Mas, infelizmente, há crentes que pensam nas coisas terrenas. Suas mentes não foram renovadas. Andam segundo sua velha mente. Ainda avaliam as coisas de acordo com o padrão do mundo. Valorizam o que o mundo valoriza e desprezam o que Deus deseja.
São inimigos da cruz de Cristo. Recusam-se a deixar que a cruz opere em suas vidas, cortando a carne para que Cristo cresça neles. Procuram satisfazer sua carne. Seu deus é o ventre, e o resultado é destruição.
Agora, essa destruição precisa ser entendida no contexto. Não é destruição eterna. A destruição aqui está em contraste com o prêmio da soberana vocação.
Em outras palavras, essas pessoas não terão parte no reino quando o reino vier sobre esta terra. Quando Cristo reinar sobre esta terra, elas não poderão reinar com Ele. Isso é destruição.
Vale a pena?
Paulo disse que, quando pensava na leve aflição — na leve e temporária aflição — pela qual estava passando, que produziria para ele um eterno peso de glória, considerava essas coisas como nada.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, tenhamos esse mesmo modo de pensar.
Querido Senhor, Tu nos chamaste com a Tua própria soberana vocação. Queremos responder a Ti por meio da Tua graça. Queremos ter esse mesmo modo de pensar. Queremos fazer de Ti o nosso único alvo. Queremos esquecer tudo o que ficou para trás e queremos nos estender, pela Tua graça, em direção a Ti.
Queremos ganhar a Ti, ó Senhor. Capacita-nos a abrir mão de todas as coisas, para que possamos ganhar a Cristo. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.