Depois destas coisas, Jesus e Seus discípulos foram para a terra da Judeia; e ali permaneceu com eles e batizava.
João também batizava em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e as pessoas vinham e eram batizadas.
Pois João ainda não havia sido lançado na prisão.
Surgiu, então, uma discussão entre os discípulos de João e um judeu acerca da purificação.
E foram a João e lhe disseram: Rabi, Aquele que estava contigo além do Jordão, de Quem deste testemunho, eis que Ele está batizando, e todos vão a Ele.
João respondeu e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe tiver sido dada do céu.
Vós mesmos sois minhas testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas fui enviado adiante Dele.
Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e O ouve, muito se alegra por causa da voz do noivo: assim, esta minha alegria está completa.
É necessário que Ele cresça, mas que eu diminua.
Querido Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos! Tu nos amas tanto que nos deste Teu Filho unigênito, o Senhor Jesus.
Nós Te louvamos porque, Nele, Tu nos aceitaste; e, por meio Dele, temos livre acesso a Ti.
Ao nos reunirmos em Tua presença, nosso Pai, pedimos que Teu Espírito esteja entre nós, exaltando Teu Filho unigênito.
Pedimos que Tua Palavra se torne luz para nós, para que nos tenhas inteiramente para Ti, porque somente Tu és digno.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, já estamos reunidos há três dias. Estamos tomando João Batista como ponto de partida para fazermos três perguntas a nós mesmos.
Pela graça de Deus, esperamos obter todas as respostas certas — não apenas respostas mentalmente corretas, mas respostas que tenhamos em nosso coração.
Na primeira noite, fizemos a pergunta: Quem é você? Essa foi a pergunta que os fariseus fizeram a João Batista.
João Batista disse:
Eu não sou o Cristo. Não sou Elias. Não sou o profeta. Mas sou uma voz no deserto, preparando o caminho do Senhor.
Agora, queridos irmãos e irmãs, precisamos saber, coletivamente, quem somos. Só podemos saber quem somos à luz de Deus. Somente pela Palavra de Deus sabemos realmente o que somos — não o que as pessoas dizem que somos, nem mesmo o que pensamos que somos, mas o que Deus diz que somos.
Aquilo que fomos destinados a ser em Cristo define nossa condição de vida. Somos uma raça eleita, dentre todas as nações, todas as línguas, todas as tribos e todos os povos.
Deus nos chamou para estarmos juntos junto de Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus. Somos uma raça eleita. Somos um sacerdócio real, régio. Somos uma nação santa, um povo de Sua propriedade exclusiva.
Somos o corpo de Cristo. Somos a igreja do Deus vivo. Devemos anunciar as virtudes Daquele que nos libertou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Isso é o que somos à luz de Deus. A questão é que precisamos andar na luz de Deus. Isso é o que realmente somos.
Na segunda noite, as pessoas fizeram a João a segunda pergunta: “Se você não é o Cristo, nem Elias, nem o profeta, por que batiza as pessoas? Com que direito, ou com que autoridade, faz isso?”
João respondeu:
Eu, na verdade, vos batizo com água, mas há Alguém mais poderoso do que eu, Alguém que está no meio de vós, mas a Quem não conheceis. Não sou digno sequer de desatar a correia de Suas sandálias.
Eu vos batizo com água, mas isso é apenas uma preparação. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
Agora, irmãos e irmãs, depois de sabermos quem somos, a pergunta seguinte é: Por que nos reunimos desta maneira?
Como povo de Deus, precisamos nos reunir. A Bíblia diz:
Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome […]
Isto é, em nome do Senhor Jesus.
[…] ali estou Eu no meio deles.
Isso é a igreja: todos os chamados para fora reunindo-se junto ao Senhor Jesus.
Por que nos reunimos desta maneira? Cremos que Deus tem uma vontade não apenas para nossa vida individual. Individualmente, precisamos buscar conhecer a vontade de Deus, para vivermos de modo digno de Seu nome.
Mas também cremos que a Bíblia nos mostra o caminho de Deus para nos reunirmos. Portanto, precisamos saber por que nos reunimos desta maneira.
Não devemos considerar isso apenas uma tradição de nossos pais. Não devemos dizer: “Era assim que nossos pais faziam; portanto, estamos apenas seguindo a tradição deles”.
Nós nos reunimos no Dia do Senhor. Partimos o pão juntos. Cantamos louvores ao Senhor. Reunimo-nos para orar. Reunimo-nos para ler as Escrituras e encorajar uns aos outros.
Agora, essas coisas são apenas tradições para nós? Ou todas elas são revelações para nós? Realmente enxergamos, em nosso coração, o significado das coisas que fazemos?
Queridos irmãos e irmãs, a razão pela qual nos reunimos desta maneira é que cremos na autoridade de Cristo como Cabeça.
Não nos colocaremos sob a liderança de nenhum homem como cabeça, por mais espiritual que essa pessoa seja, porque ninguém está qualificado para ser o cabeça da igreja. Somente Cristo é o Cabeça da igreja.
Assim, nós nos reunimos sob Sua autoridade. Isto é, colocamo-nos sob Sua autoridade e deixamos que Ele nos dirija e governe em tudo. Procuramos nos apegar firmemente a Ele como o Cabeça. Isso é fazer Sua vontade.
Nós nos reunimos porque cremos no corpo de Cristo. O Cabeça é um só, portanto o corpo é um só.
Por isso, recusamos nos reunir sobre uma base sectária. Nós nos reunimos sobre a base da unidade do corpo de Cristo. Recebemos todos aqueles que Cristo recebeu e consideramos todos os que creem no Senhor Jesus nossos irmãos e irmãs.
Eles pertencem a nós, e nós pertencemos a eles. Nossa comunhão é a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Cremos que a igreja é uma casa espiritual e que somos um sacerdócio santo. Por isso, precisamos ser edificados juntos, organicamente, como membros uns dos outros; e, como sacerdócio, servimos a Deus juntos.
Cremos que devemos ser a noiva de Cristo. Portanto, como virgens castas, precisamos nos preparar, conservar-nos puros para nosso Senhor e estar prontos para Sua vinda, quando Ele nos receberá para Si.
É por isso que estamos aqui. É por isso que nos reunimos desta maneira.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de fazer a terceira pergunta. Embora essa pergunta não tenha sido feita a João, ela diz respeito ao que João fazia: Qual é o nosso testemunho?
Durante quatrocentos anos, Deus permaneceu em silêncio diante de Seu povo. Então, de repente, uma voz veio do deserto, proclamando:
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
Isso causou uma comoção em toda a nação. Muitas pessoas afluíram ao deserto para receber o batismo de João.
Enquanto recebiam seu batismo, João as advertia com muita solenidade. Não pensem que apenas receber o batismo com água é suficiente. Vocês precisam produzir frutos dignos de arrependimento.
O arrependimento não é apenas uma reação emocional. Ele precisa ser real. Vocês precisam produzir frutos de arrependimento.
As pessoas o ouviam. Naquela época, ele era bem recebido pelo povo. Na verdade, era muito estimado pelas pessoas.
Vocês sabem, há uma grande tentação quando alguém é bem-sucedido, quando prospera, quando as pessoas começam a admirá-lo. Esse é um momento muito perigoso, porque você é tentado a se considerar maior do que realmente é.
Você vê como as pessoas vêm em grande número até você. Vê como elas o ouvem. E pensa: “Devo ser alguém importante”. Que tentação isso deve ser!
Mas João não cedeu à tentação. Quando as pessoas afluíam a ele, dizia-lhes abertamente: “Eu não sou o Cristo, nem sou o profeta que Moisés anunciou”.
“Sou apenas uma voz — somente uma voz. A voz vem e desaparece. Não se apeguem a mim, porque vou desaparecer. Sou apenas uma voz. Não sou nada.”
Mas por que sua voz era importante? Porque preparava as pessoas para receber Aquele que era mais poderoso do que ele, Aquele que estava vindo para o meio delas.
João não cedeu à tentação. Manteve-se humilde diante de Deus.
Então, um dia, Jesus veio até ele e pediu para ser batizado por ele. Isso deve ter sido uma grande tentação. Se as pessoas vinham para ser batizadas por João, então, de repente, aquele que batizava era maior do que aquele que era batizado.
Mas aqui Jesus veio até ele para ser batizado. Que tentação isso poderia ter sido! Um pensamento mau poderia ter surgido na mente de João: “Oh, como sou grande, pois até Jesus veio para ser batizado por mim!”
Mas João não cedeu à tentação. Quando viu Jesus vindo até ele, imediatamente percebeu que havia grandeza naquele Homem, Jesus.
Diante daquele Homem, Jesus, ele se sentiu impuro. Precisava ser batizado. Assim, quando Jesus lhe pediu que O batizasse, João disse: “Oh, não, não. Eu é que deveria ser batizado por Ti”.
“Tu és tão nobre, tão puro. Tu és o Cordeiro de Deus, puro e sem mancha. Em Tua presença, sou impuro. Preciso ser batizado por Ti.”
O Senhor Jesus disse:
Deixa por agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça.
O que isso significa? Significa que, na economia de Deus, Ele havia determinado que, naquele momento, João Batista viesse para proclamar, anunciar e pregar o arrependimento, e que aqueles que se arrependessem fossem batizados com água.
Essa era a vontade de Deus para aquele momento, a fim de preparar as pessoas para o Messias. Essa é a justiça de Deus. Todos os que se arrependiam e eram batizados cumpriam a justiça de Deus.
Por isso, Jesus disse: “Batize-Me, para que cumpramos a justiça de Deus”.
Agora, Cristo Jesus era puro. Ele não tinha nada de que Se arrepender. Mas por que precisava ser batizado? Porque, no plano de Deus, Ele seria o Cordeiro de Deus.
Ele tiraria o pecado do mundo. Levaria todos os nossos pecados em Seu próprio corpo e morreria por nós.
Em outras palavras, Ele pessoalmente não precisava de arrependimento, mas tomou nosso lugar e Se arrependeu em nosso favor. Foi batizado em nosso lugar. Isso é cumprir a justiça de Deus.
Seu batismo prefigurava o Calvário. Ao entrar na água, Ele aceitou a cruz.
Assim, irmãos e irmãs, Ele disse a João Batista: “Vamos cumprir a justiça de Deus”. João Lhe obedeceu.
Quando Jesus foi batizado, enquanto orava, o Espírito Santo desceu sobre Ele e permaneceu sobre Ele.
João testemunhou:
Aquele que me enviou a batizar me disse de antemão: Sobre Aquele em Quem vires o Espírito descer e permanecer, Esse é Ele. Este é o Filho de Deus.
Em vez de ceder à tentação, João Batista recebeu uma nova revelação. Viu Jesus como o Filho de Deus — não apenas um homem, mas o Filho de Deus.
Os discípulos de Jesus estavam batizando as pessoas, e João ainda estava batizando. Mas todos vinham ao Senhor Jesus.
Vocês percebem que os discípulos de João estavam um pouco enciumados. Então foram ao seu mestre e disseram: “Aquele de Quem você deu testemunho também está batizando as pessoas, e todos vão a Ele”.
Que tentação isso deve ter sido para João! Será que João ficou com ciúmes por causa disso?
Não. Ele disse:
O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe tiver sido dada do céu.
“Eu lhes disse: não sou o Cristo. Estou apenas preparando Seu caminho.”
“É o noivo que se casa com a noiva. Eu sou o amigo do noivo.”
Antigamente, o amigo do noivo era quem negociava o casamento. Era ele quem conduzia a noiva ao noivo. Fazia todas essas coisas pelo noivo; não estava pensando em si mesmo.
João disse: “É o noivo que se casa com a noiva. Quando ouço a voz do noivo, alegro-me muito. Por quê? Porque minha missão foi cumprida”.
Agora o noivo tem a noiva, e é hora de eu desaparecer.
É necessário que Ele cresça, mas que eu diminua.
É assim que deve ser.
Graças a Deus, João Batista venceu. Mas vocês veem que outras tentações vieram.
Pouco tempo depois, João Batista foi preso por Herodes. Enquanto permanecia na prisão, seus discípulos lhe traziam notícias acerca Daquele de Quem havia dado testemunho.
Contavam-lhe como Jesus estava pregando o reino dos céus, como abria os olhos dos cegos, curava os coxos e ressuscitava os mortos — que milagres Ele estava fazendo!
E João estava ali, permanecendo na prisão. Começou a se perguntar o que estava acontecendo. Então enviou seus discípulos a Jesus e perguntou:
És Tu Aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?
Agora, irmãos e irmãs, será que a fé de João havia falhado? Ele havia dado um testemunho tão forte de Jesus, e agora perguntava: “És Tu o Messias, ou devemos esperar outro?”
Creio que sua fé não havia falhado. Mas ele tinha um problema. Por quê? Porque era o precursor do Messias e havia preparado o caminho para o Messias.
Agora o Messias havia chegado e estava fazendo maravilhas. Ele podia fazer tudo o que quisesse. Por isso, João Batista pensava: “Este deve ser o momento em que o reino virá”.
“Se Ele estabelecer Seu reino, qual será meu lugar nesse reino? Tenho sido fiel a Ele, e Ele deveria fazer alguma coisa por mim. Tem feito todas essas coisas por outras pessoas. Poderia muito bem me tirar da prisão e, quem sabe, me tornar Seu primeiro-ministro.”
“Por que Ele Se esqueceu de mim?” Em certo sentido, João estava tentando lembrar o Senhor Jesus de sua situação. Estava tentando levar o Senhor Jesus a fazer alguma coisa por ele.
Irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: João Batista era judeu e, como judeu, tinha uma determinada concepção do Messias.
O Messias era Aquele que viria em glória, estabeleceria Seu reino sobre a terra, faria da nação judaica a primeira entre as nações, derrubaria o Império Romano e estabeleceria Seu próprio reino.
Essa era a concepção do povo judeu. Até os discípulos de Jesus tinham a mesma concepção. Portanto, João Batista também a tinha.
Ele pensava que o reino dos céus seria estabelecido na terra naquele exato momento. Não entendia que primeiro ele precisava ser espiritual, e que depois haveria a manifestação pública.
Entre o estabelecimento do reino espiritual dos céus e a manifestação pública do reino de Deus sobre a terra, haveria um mistério. Haveria um período em que Deus revelaria Seu mistério — o mistério da igreja.
Isso era desconhecido dos profetas antigos e também de João Batista. Naturalmente, nosso Senhor Jesus sabia, mas João não sabia dessas coisas.
Ele pensava que era hora de restabelecer o reino de Israel como o reino de Deus. Mas nosso Senhor Jesus veio para salvar os perdidos, para edificar uma casa espiritual e um reino espiritual.
Então, em Sua segunda vinda, Ele estabelecerá Seu reino sobre esta terra. Mas João não sabia dessas coisas. Não é de admirar que estivesse perplexo.
Ele pensava: “Tenho sido tão fiel a Jesus. Por que Ele não fez nada por mim?”
O Senhor Jesus respondeu, dizendo aos discípulos de João:
Ide e contai a João o que tenho feito.
Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em Mim.
João corria o risco de se ressentir do Senhor. “Por que Tu não fazes alguma coisa por mim? Tenho todo o direito de esperar que faças alguma coisa por mim.”
“Outras pessoas talvez não tenham esse direito, porque não fizeram nada por Ti, e, mesmo assim, Tu fazes todas essas coisas por elas. Eu preparei Teu caminho. Não achas que deverias fazer alguma coisa por mim?”
Então o Senhor disse:
Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em Mim.
O Senhor não fez nada por João. Não lhe explicou tudo. Mas disse, em essência: “Não se ressinta. Eu sei o que estou fazendo”.
“Você terá seu lugar. Vá descansar até o fim dos dias, e então se levantará e receberá sua recompensa. Mas apenas confie em Mim.”
Creio que João aceitou isso. Creio que João não se ressentiu do Senhor, embora o Senhor não tenha feito nada por ele nem lhe dado explicações.
João honrou o Senhor como o Messias, confiando Nele até a morte.
Vocês veem que João Batista, depois de ser usado pelo Senhor, foi tentado ao longo de todo o seu caminho. Mas, graças a Deus, foi fiel.
Como ele deu testemunho do Senhor! Na verdade, João Batista não testemunhou em favor de si mesmo. Testemunhou contra si mesmo.
As pessoas achavam que ele era grande. De fato, nosso Senhor Jesus disse que ele era grande. Entre os nascidos de mulher, não havia ninguém maior do que João Batista. Toda a Lei e os profetas se encerraram em João.
Ele era o maior dos profetas porque andou adiante do Senhor e preparou Seu caminho. Mas o que João testemunhou acerca de si mesmo?
Ele disse:
Não sou digno sequer de desatar a correia de Sua sandália.
Naqueles dias, as pessoas não usavam sapatos como nós; usavam sandálias. Era tarefa de uma escrava desatar a correia das sandálias quando alguém chegava em casa.
João Batista disse: “Sou ainda inferior a uma escrava”. Como ele testemunhou contra si mesmo!
Ele disse: “Não, eu não sou o noivo. Sou apenas um amigo e vou desaparecer, porque é o noivo quem tem a noiva. Ele deve crescer”.
Esse é o testemunho de João acerca de si mesmo.
Que testemunho João deu acerca do Senhor Jesus! Seu testemunho do Senhor Jesus era tão pleno. Ele recebeu uma revelação tão rica do alto que talvez, ainda hoje, não consigamos superá-lo em seu conhecimento do Senhor Jesus.
O que ele testemunhou acerca do Senhor Jesus? Testemunhou que Ele é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Desde o jardim do Éden, Deus preparou um cordeiro. Quando Adão e Eva pecaram contra Deus, descobriram que estavam nus.
Pessoalmente, creio que Deus vestiu o homem de glória. Vocês podem aceitar isso ou rejeitá-lo, mas creio que o homem foi criado e vestido de glória.
Não era uma vestimenta física; era glória. Mas a glória desapareceu, e eles ficaram nus.
Adão e Eva pegaram folhas de figueira e as entrelaçaram para cobrir sua nudez. Especialmente quando Deus veio, perceberam que estavam nus e não estavam em condições de permanecer diante Dele.
Então Deus os vestiu com peles de animais. Ora, para obter couro e peles, é preciso matar um animal.
Isso nos mostra que Deus matou um animal inocente para vestir o homem caído. Evidentemente, o animal morto foi uma ovelha.
Ao longo da história da humanidade, houve sacrifícios. Qual é o significado do sacrifício? O inocente em lugar do pecador.
Incontáveis cordeiros, cabritos e bois foram sacrificados, mas todos eles eram tipos e sombras. Não tiravam o pecado.
Nos tempos do Antigo Testamento, ofereciam sacrifícios no Dia da Expiação, para que seus pecados fossem expiados. Mas seus pecados eram apenas cobertos por um ano; nunca eram lavados e removidos.
Seus pecados eram apenas cobertos. Por isso, no ano seguinte, precisavam celebrar novamente o Dia da Expiação. Sob a Lei, nada era completo e perfeito.
Mas aqui vemos que, um dia, o Cordeiro de Deus finalmente veio. Todos aqueles incontáveis sacrifícios eram apenas sombras e tipos.
O Cordeiro de Deus — Deus preparou um Cordeiro para o mundo inteiro, para tirar o pecado do mundo.
O testemunho de João foi:
Eis o Cordeiro de Deus.
É Nele que vocês devem crer, para que seus pecados sejam perdoados.
João também testemunhou que esse Homem é diferente de todos os outros homens, porque Ele é o Filho de Deus. Foi o Filho de Deus que veio para Se tornar homem.
Vocês olham para Ele: é um homem, exteriormente não é diferente de vocês e de mim. Mas Nele está Deus. Ele é Emanuel — Deus conosco.
Esse é o testemunho de João acerca do Senhor Jesus.
Mais do que isso, João disse que Ele é Aquele que batiza no Espírito Santo. Ele não é apenas Aquele que tira nosso pecado, Aquele que nos salva; é também Aquele que nos batiza com o Espírito Santo.
Em um só Espírito, tornamo-nos um só corpo. Somos membros uns dos outros e somos um só corpo sob um só Cabeça, Cristo.
À medida que o corpo cresce até a maturidade, o Cabeça cuida do corpo. Ele o alimenta e o trata com carinho. Ele o ama tanto! Ele o santifica e o purifica.
Então, um dia, esse corpo chegará à maturidade, e eis que o Noivo nos receberá como Sua noiva. Será uma união eterna.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o testemunho de João acerca de nosso Senhor. É um testemunho completo.
Agora, qual é o nosso testemunho? O apóstolo Paulo disse:
Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, qual é o testemunho da igreja? O testemunho da igreja é o testemunho de Jesus.
A igreja não dá testemunho de si mesma. A igreja dá testemunho do Senhor Jesus.
É verdade que a igreja é muito preciosa aos olhos de Deus. Precisamos saber o que é a igreja. Precisamos ser instruídos a respeito dela.
Mas, queridos irmãos e irmãs, não pregamos a igreja. Pregamos Cristo Jesus.
Se vocês pregarem a igreja, terão a cruz. Se pregarem a cruz, terão a igreja. Lembrem-se dessas palavras.
Para que a igreja se torne uma realidade, a cruz precisa estar operando em nós. Se vocês pregarem a cruz, o resultado será a edificação da igreja.
Mas, ainda assim, não pregamos a nós mesmos. Não pregamos a igreja. Ensinamos a respeito da igreja, mas não a pregamos. Pregamos somente Jesus Cristo.
Não conhecemos nada além de Jesus Cristo e Ele crucificado. Não exaltem a igreja acima de Cristo.
A igreja deve permanecer em segundo plano. Cristo está sempre em primeiro plano.
Vocês se lembram da visão que João teve na ilha de Patmos. Havia sete igrejas na Ásia, mas ele viu Alguém em pé no meio delas.
Em outras palavras, os sete candeeiros estavam em segundo plano, e Alguém semelhante a um Filho do Homem estava em primeiro plano.
Exaltem sempre o Senhor Jesus. Ensinem sempre acerca do Senhor Jesus. Não preguemos a nós mesmos, nem preguemos a igreja.
Se formos à frente do Cabeça, teremos um corpo sem cabeça. Se exaltarmos o corpo, acabaremos com um corpo sem cabeça. E um corpo sem cabeça é um cadáver.
É algo terrível. Que seja sepultado.
Oh, irmãos e irmãs, qual é o nosso testemunho? Nosso testemunho deveria ser contra nós mesmos.
Perguntaram a João Batista: “Quem é você?” Ele respondeu: “Não sou nada. Sou uma voz. Sou inferior a uma escrava. Não sou o personagem principal. Sou apenas o amigo da noiva”.
É necessário que Cristo cresça, mas que eu diminua.
Oh, irmãos e irmãs, qual é o nosso testemunho? Nosso testemunho é o testemunho de Jesus.
Abram em Apocalipse 1:17-18. O que o Senhor Jesus disse acerca de Si mesmo? Aqui, o apóstolo João estava na ilha de Patmos.
E, quando O vi, caí a Seus pés como morto. E Ele pôs sobre mim Sua mão direita, dizendo: Não temas; Eu sou o primeiro e o último,
e Aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.
O que nosso Senhor Jesus diz acerca de Si mesmo? Esse é o testemunho de Jesus.
Ele diz:
Eu sou o primeiro e o último.
Cristo precisa ter o primeiro lugar. Ele precisa ter o primeiro lugar em sua vida. Precisa ter o primeiro lugar na igreja. E terá o primeiro lugar em toda a criação.
Esta é a vontade eterna de Deus: que Ele tenha a preeminência em todas as coisas.
Ele é o último. Ele é o fim. Tudo se consuma Nele. Ele tem a última palavra, e é Ele Quem deve ser adorado e reverenciado.
Ele é Aquele que vive. Ele é a vida. Ele é a vida eterna. Graças a Deus, cremos Naquele que vive.
Mas Ele esteve morto. Por quê? Por nossa causa. Mas foi ressuscitado dentre os mortos e vive para todo o sempre.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o nosso testemunho. Cremos em um Cristo vivo.
Sim, Ele morreu por nós, mas foi ressuscitado dentre os mortos. Está assentado à direita de Deus, esperando que Seus inimigos sejam postos por estrado de Seus pés.
Adoramos um Cristo vivo. Servimos a um Cristo vivo. Porque Ele vive, nós também vivemos. Ele vive em nós.
Oh, irmãos e irmãs, Ele vive em nós. Assim como Ele vive, nós também viveremos. Isso é o cristianismo.
Ele diz:
Tenho as chaves da morte e do Hades.
A morte perdeu seu poder. Agora Ele tem as chaves da morte e do Hades.
O Hades é o lugar onde estarão os mortos que não creram. Mas nosso Senhor Jesus tem as chaves da morte e do Hades.
O Senhor Jesus disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Por quê? Porque nosso Senhor tem as chaves.
Este é o nosso testemunho: o testemunho da igreja é que Jesus é Senhor.
Ele é Senhor de tudo. Hoje nos submetemos ao Seu senhorio, e um dia toda a criação estará sujeita a Ele.
Um dia, quando Ele voltar, será o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Todo joelho se dobrará diante Dele, e toda língua confessará que Jesus é Senhor.
Esse é o nosso testemunho. Que testemunho glorioso! A igreja é o vaso desse testemunho.
Agora, estamos dando testemunho de nosso Senhor Jesus? Como somos tentados!
Quando somos um pouco abençoados pelo Senhor, ficamos orgulhosos de nós mesmos. Pensamos que somos melhores do que as outras pessoas.
Oh, irmãos e irmãs, como somos facilmente tentados! Deus nos abençoa, e pensamos que somos maiores do que realmente somos.
Em vez de nos orgulharmos, deveríamos ser humilhados pela bênção de Deus. A bênção de Deus deveria nos tornar humildes. Deus nos abençoou em Cristo.
Quem somos nós para sermos destinados a ser filhos de Deus? Isso deveria nos tornar humildes.
Como é enganoso quando recebemos uma pequena bênção do Senhor e começamos a exaltar a nós mesmos, em vez de exaltar Cristo! Isso será nossa ruína.
Irmãos e irmãs, esta é nossa única segurança: Deus dá graça aos humildes e resiste aos soberbos.
É por seguirmos o Senhor que nos sentimos os únicos? Temos ciúmes?
Vocês se lembram de que, um dia, João veio ao nosso Senhor Jesus e disse: “Vimos alguém expulsando demônios em Teu nome, mas ele não nos acompanha”.
“Como ele ousa fazer tudo isso sem ser um dos nossos? Nós o proibimos.”
Como é fácil sentirmos ciúmes! Porque seguimos o Senhor, pensamos que somos os únicos.
Mas Deus é grande. Onde quer que encontre algo que possa abençoar, Ele abençoará. Apesar de nós, Ele abençoará.
Não tenham ciúmes. Alegrem-se no Senhor, porque quem não é contra vocês é a favor de vocês.
Você é tentado a se ressentir do Senhor? Olhe para outros cristãos. Eles amam o mundo e, mesmo assim, são muito bem-sucedidos. São muito prósperos. Parece que não têm provações.
Mas você deseja seguir o Senhor. Porque ama o Senhor, não pode amar o mundo. Além disso, tem muitas provações e muitos sofrimentos.
Talvez, no início de sua vida cristã, quando tinha um problema, você orasse e fosse imediatamente liberto.
Mas agora você já segue o Senhor há trinta anos e O ama ainda mais do que há trinta anos. No entanto, quando está em dificuldades e clama ao Senhor, Ele permanece em silêncio.
Você se pergunta o que aconteceu. Será que, de alguma maneira, está se ressentindo do Senhor?
Oh, irmãos e irmãs, somente os espirituais têm a oportunidade de se ressentir do Senhor. Se você não é espiritual, não se ressentirá do Senhor. Nem sequer terá esse privilégio.
Mas, se você é espiritual e realmente ama o Senhor, haverá momentos em que sentirá que o Senhor o abandonou. Ele Se esqueceu de você. Faz tudo por todos, menos por você.
Você consegue suportar isso?
Conheci muitos irmãos e irmãs que amavam o Senhor e entregaram sua vida a Ele durante trinta, quarenta anos — os melhores anos de sua vida.
Então, de repente, descobriram que haviam sido enganados por homens. Disseram: “Por que o Senhor não nos disse isso no início? Por que Ele não nos advertiu e permitiu que desperdiçássemos trinta ou quarenta dos nossos melhores anos?”
“Eu amava o Senhor. Fiz isso pelo Senhor. E, no fim, descobri que não era o Senhor.”
Não se ressintam. O Senhor sabe o que está fazendo. Vão descansar, e receberão sua recompensa no fim dos dias.
Oh, queridos irmãos e irmãs, quem são vocês? Que o Senhor tenha misericórdia de nós, para que, como povo, saibamos quem somos.
Pela graça de Deus, que sejamos aquilo que somos.
Vocês sabem por que nos reunimos desta maneira? Têm uma revelação do caminho da igreja?
Que Deus tenha misericórdia de nós. E qual é o nosso testemunho? Nosso testemunho somos nós mesmos?
“Vejam como crescemos. Vejam como somos prósperos. Vejam nossos edifícios cada vez maiores. Vejam como estamos cada vez mais ricos.”
Não somos nada.
Se vocês seguirem o Senhor, a estrada é estreita. É o caminho da cruz, mas conduz à glória.
Vocês estão dispostos a andar nesse caminho? Somente assim poderão testemunhar que Jesus é verdadeiramente Senhor.
Ele é nosso Senhor, e será o Senhor de tudo. Que Ele tenha misericórdia de nós.
Querido Pai celestial, pedimos que Tu faças a obra e a completes.
Faze de nós aquilo que nos destinaste a ser. Mostra-nos Teu caminho.
Pedimos que sejamos verdadeiramente esse vaso coletivo do testemunho de nosso Senhor Jesus.
Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.