Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    The Significance Of Jesus Christ Crucified, Risen, and Exalted © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    The Significance Of Jesus Christ Crucified, Risen, and Exalted
    The Significance Of Jesus Christ Crucified, Risen, and Exalted
    Austin-Sparks, T.

    A Cruz, a Igreja e a Nova Humanidade

    Senhor, quando Te dizemos:

    Abre Tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da Tua lei,

    Tu sabes que a coisa mais maravilhosa que podes nos mostrar é o Teu Filho. Portanto, Senhor, abre os nossos olhos para que O vejamos nesta manhã.

    Está escrito que certos homens disseram:

    Queremos ver Jesus.

    E, ó Senhor, concede, em Tua misericórdia, que, ao sairmos deste lugar, possamos verdadeiramente dizer:

    Vimos o Senhor.

    Que assim seja, por amor do Teu nome. Amém.

    Chegamos à última destas horas em que, nesta ocasião, temos nos ocupado com a grande transição. Dissemos, no início, que toda a Bíblia se ocupa com Deus e a humanidade. O Antigo Testamento se ocupa com uma velha humanidade, mostrando, do começo ao fim, como essa humanidade é completamente indigna de confiança e, por fim, comprovando o seu fracasso ao chegar ao encerramento.

    Imagino que vocês tenham observado que, não em ordem cronológica, mas em ordem espiritual, o Antigo Testamento termina com Malaquias. Que quadro lamentável: o Livro se encerra em fracasso.

    O Novo Testamento se ocupa inteiramente com a introdução e o desenvolvimento de uma nova humanidade, inaugurada pelo Senhor Jesus Cristo. A partir daí, todo o Novo Testamento se ocupa com essa nova humanidade, da qual Cristo é o representante: seu nascimento, seu crescimento e sua glorificação final e definitiva.

    A Revelação de Jesus Cristo

    Esse é o contexto geral destas horas da manhã ao longo desta semana. Há dois dias, chegamos à visão abrangente do Senhor Jesus e começamos — nunca terminaremos, mesmo que permaneçamos aqui por toda a vida — a ver o que há em Jesus Cristo, o que Ele introduziu e o que o apóstolo Paulo, assim como os outros, naturalmente — João, Pedro —, mas Paulo, creio eu, de maneira mais plena do que qualquer outro, viu no Senhor Jesus quando, como ele mesmo disse:

    Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.

    Mas que imensa revelação foi aquela! Ela cresceu e cresceu ao longo de toda a vida do apóstolo. Dissemos que quatro coisas se tornaram claras para ele naquela visão, naquela visão celestial, naquele contemplar interior do Senhor Jesus.

    Primeiramente, em Jesus glorificado, ele viu, segundo o pensamento eterno de Deus, o lugar, a natureza e o destino da humanidade — a humanidade segundo Cristo.

    Depois, ele viu a natureza e a dinâmica de uma vida de ministério, de um ministério ao longo desta extensa dispensação entre a ascensão do Senhor Jesus e a Sua volta. O que é o ministério — a vocação —, ele viu quando viu o Senhor Jesus.

    Depois, ele viu a natureza e o propósito da Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Essas três grandes coisas ele viu; então, viu uma quarta, da qual vamos nos ocupar nesta manhã.

    O Significado de Cristo Crucificado, Ressuscitado e Exaltado

    Jesus de Nazaré glorificado — o Homem na glória. Ao contemplá-Lo interiormente, ao olhar e continuar olhando para aquela visão, aquela revelação, ele viu essas três coisas que mencionamos. Depois, viu o imenso significado de Jesus Cristo crucificado, ressuscitado e exaltado.

    São essas coisas, naturalmente, que preenchem todos os seus escritos. Vocês precisam abordá-los tendo essas quatro coisas diante de si. Permitam-me repetir: o imenso significado de Jesus Cristo crucificado, ressuscitado e exaltado.

    Somos totalmente incapazes de sentir, reconhecer ou conceber o que aconteceu com esse homem, Saulo de Tarso, quando ele viu o Senhor Jesus.

    Vejam, ele considerava Jesus, o Nazareno, um impostor, um falso mestre, um falso líder, alguém que estava desviando as pessoas. Todos os sentimentos de hostilidade, ódio e amargura de que aquela grande alma era capaz estavam voltados contra esse Homem, Jesus de Nazaré.

    Ele fez disso a missão de sua vida: com suas extraordinárias capacidades naturais, sua formação e seu conhecimento, eliminar qualquer vestígio relacionado àquele Homem, Jesus Cristo. Ele considerava a cruz de Jesus Cristo uma crucificação merecida.

    Ele considerava a morte de Jesus de Nazaré simplesmente morte — tão definitiva quanto a conhecemos —, o fim; e um fim em vergonha, vergonha merecida, ignomínia merecida, desonra merecida. E, mais ainda, do seu ponto de vista judaico, considerava aquele Homem naquela cruz maldito por Deus — maldito pelo Deus Todo-Poderoso. Era assim que ele pensava a respeito de Jesus de Nazaré.

    Quando viu Jesus no caminho de Damasco e foi atingido pela luz, sem saber naquele momento Quem era ou o que aquilo significava, disse, diante daquela manifestação avassaladora:

    Quem és Tu, Senhor?

    Digo que jamais poderemos compreender a tremenda convulsão que deve ter ocorrido nesse homem quando veio a resposta:

    Eu sou Jesus.

    Eu sou Jesus — Aquele a respeito de Quem você teve todos esses pensamentos e sentimentos. “Sou Eu. Eu sou Jesus.”

    Digo que não podemos compreender o que aquele homem deve ter sentido naquele momento. Mas foi então, e a partir de então, que ele começou a ver que esse Jesus, o Homem glorificado, ocupava o lugar central do poder, capaz de derrubar até mesmo um homem como Saulo de Tarso com um só golpe, frustrando seus planos, deixando-o para ser levantado por outros homens e conduzido pela mão, cego, ao lugar para onde estava indo.

    Como aquilo foi avassalador! Naquela luz, ele começou a ver que não se tratava meramente de uma crucificação, nem de uma morte como ele imaginava que a morte fosse. Jesus Cristo crucificado era tudo aquilo que sua vida e seu ensino posteriores mostram que ele chegou a enxergar.

    A Cruz como Juízo Pessoal

    O que ele viu, antes de tudo, foi que aquela morte, aquela morte ignominiosa, aquela morte vergonhosa, aquela morte terrível, era a sua própria morte. Era o que Deus pensava a respeito dele. Era a atitude de Deus para com ele.

    Ele podia dizer: “Aquele Homem naquela cruz, daquela maneira, em todo aquele estado de degradação, vergonha, fraqueza impotente, desprezado e rejeitado — aquele era eu. Era eu. Era isso que Deus pensava da minha humanidade”.

    Ele morreu por mim. Mas, sabem, o significado é: em meu lugar. Ele morreu; eu morri. Aquela era a minha morte. E aquela era a avaliação que Deus fazia de mim — Saulo de Tarso. Ah, que revolução! Ele tinha uma elevada opinião de si mesmo e de suas próprias capacidades, mas ali Deus estava revelando quem era Saulo de Tarso.

    Ele morreu em meu lugar. Aquela era a minha morte. Uma nova compreensão da morte! Ele viu isso em toda a sua extensão. Estou me mantendo próximo do ensino dele, sem introduzir nada no texto nem inventar coisa alguma. Vocês mesmos podem se sentar e comprovar, pelo Novo Testamento, tudo o que estou dizendo.

    A Cruz como Morte da Raça Adâmica

    Ele não viu apenas aquela morte, aquela morte terrível, como um juízo sobre um tipo de homem — a sua própria morte. Viu que ela era a morte de toda a raça humana em Adão.

    O que ele diz?

    Porque assim julgamos: que Um morreu por todos; logo, todos morreram.

    Outro versículo diz: “Nele”. Portanto, era a morte de toda a raça. Em Adão, todos morreram. Eis uma nova concepção da cruz do Senhor Jesus: a morte de toda a raça, da humanidade à qual pertencemos por natureza. Portanto, todos morreram.

    A Cruz como Fim da Morte

    Mas ele também veio a enxergar isto na morte de Jesus: não era a morte como um fim; era uma morte que destruiu a morte. Em certo sentido, era uma morte que representava o fim da morte.

    Ele provou a morte por todos os homens, é verdade; mas então destruiu aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo. Assim, Saulo veio a enxergar tudo isso quando viu, por revelação de Deus, o Filho de Deus revelado nele.

    A Dimensão Cósmica da Cruz

    Ele viu ainda mais. Viu que aquela cruz era, para usar a palavra que empregamos antes, uma morte cósmica. Isto é, ela alcançava, para além do indivíduo e para além da raça, todo aquele domínio circundante de forças malignas que haviam produzido essa condição, tornando necessário aquele juízo.

    Ao caminhar para a cruz, Ele disse:

    Agora será expulso o príncipe deste mundo.

    E, mais tarde, o apóstolo disse:

    Tendo despojado os principados e as potestades, Ele os expôs publicamente, triunfando sobre eles na cruz.

    Uma cruz cósmica, uma morte cósmica, que alcança os limites mais remotos das regiões celestiais inferiores, destruindo aquele que tinha o poder da morte. Assim, ele veio a enxergar tudo isso quando viu, por revelação de Deus, o Filho de Deus revelado nele, como ele mesmo expressou.

    A Cruz como Culminação da Humanidade

    Bem, isso é o que diz respeito ao próprio Paulo. Para avançarmos nesta questão da cruz, da ressurreição e da exaltação do Senhor Jesus: se a revelação de Jesus Cristo abrange aquelas três coisas que mencionamos — o destino da humanidade, a natureza e a dinâmica de todo ministério verdadeiro ao longo desta dispensação e a natureza e a vocação da Igreja agora e nos séculos vindouros —, então todas essas coisas grandiosas estão centradas na cruz do Senhor Jesus.

    A cruz era algo poderoso, muito poderoso, para ele.

    Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Nós pregamos a Cristo crucificado.

    Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.

    Pois todo esse conteúdo está na cruz do Senhor Jesus. Ele viu que a cruz de Jesus Cristo era a culminação da humanidade — a culminação da humanidade. Era a hora zero da velha raça adâmica.

    O lugar em que, nas trevas — mais do que trevas naturais —, Deus disse: “A porta está fechada. A porta está fechada para um determinado tipo de humanidade. Isto é o ponto zero para essa humanidade”.

    Vejam, levamos uma vida inteira para aprender isso. O Espírito Santo, quando toma posse de nossa vida, está sempre nos trazendo de volta àquele único fato, colocando o dedo sobre isto, aquilo e mais alguma coisa, e dizendo: “Sabe, isso foi eliminado na cruz. A cruz fechou a porta para isso. Se você o trouxer de volta, estará contrariando a obra da cruz”.

    Agora, eu poderia parar por aí, sabem. Por exemplo, a carta aos Hebreus, assim como estas cartas aos Coríntios, apresenta advertências terríveis, terríveis, contra retroceder em relação à cruz, crucificar novamente o Filho de Deus e pisar o sangue de nossa redenção. Os apóstolos têm muito a dizer sobre isso, mas sei que é uma questão controversa, e esse não é o nosso assunto. Mas está lá.

    A cruz declarou: “Um fim. Não”, a toda uma espécie, um tipo e um modo de ser de determinada humanidade. O Espírito Santo está procurando nos ensinar isso. Se vocês são sensíveis ao Espírito Santo, reconhecem pelo sinal interior o que Ele permitirá e o que não permitirá. Ah, deveriam reconhecer.

    Ah, especialmente os jovens cristãos — mas também todos nós —, como é importante conhecermos o Espírito Santo dessa maneira! Vocês vão a uma pessoa, depois a outra: “Posso? Devo? É permitido?”. Não há necessidade alguma disso. E, se alguém começa a lhes dizer: “Você pode” ou “Você não pode”, está agindo de maneira errada.

    Vocês deveriam saber em seu próprio coração, pelo Espírito Santo, se nasceram do Espírito. Deveriam reconhecer o Espírito deixando vocês desconfortáveis com certas coisas — não sussurrando palavras ao ouvido e dizendo: “Não, você não deve fazer isso”, mas interiormente: “Já não me sinto tão bem com isso quanto antes. Já não me sinto tão livre para fazer essas coisas quanto me sentia”. Vocês sabem o que quero dizer, não sabem?

    O Espírito Santo está apenas trazendo vocês de volta à cruz e dizendo outra vez: “Zero para isso. Fim disso. Isso pertence à velha humanidade”. Não devo entrar em detalhes demais logo de início, mas a cruz é algo muito prático.

    A cruz não é apenas um acontecimento histórico. A cruz não é apenas um elemento do credo cristão. A cruz do Senhor Jesus é, de um lado, algo devastador, algo tremendo. Levamos uma vida inteira para aprender o quanto isso é verdade. Entretanto, o fato está presente desde o início: ela é a hora zero da raça adâmica.

    A Sujeição do Príncipe deste Mundo

    Além disso, ela assinala a sujeição do príncipe deste mundo. O apóstolo diz:

    O mundo inteiro jaz no maligno.

    O mundo inteiro está no colo do maligno. Por natureza, estamos nesse domínio, nesse reino.

    A grande palavra é esta: transição — transferidos da autoridade das trevas para o reino do Filho do Seu amor. Mas, por natureza, estamos dentro daquele reino do príncipe deste mundo.

    Na cruz, como dissemos, Jesus declarou:

    Agora será expulso o príncipe deste mundo.

    O que Ele quis dizer? Não a aniquilação do diabo; sabemos muito bem disso. Não que ele tenha deixado de existir ou de ter poder. Talvez algo melhor do que isso. Algo melhor do que isso.

    Sabem, existe a vitória, e existe algo que é mais do que vitória. Existe ser vencedor, e existe ser mais que vencedor. O que quero dizer?

    Bem, não muitos de vocês — alguns conseguem se lembrar, embora talvez na América vocês não deem muita atenção a isso nem saibam muito a respeito —, mas alguns de nós viveram durante a grande Guerra dos Bôeres, na África do Sul.

    Vocês sabem como ela transcorreu: a devastação e a desolação que aquela guerra trouxe à África do Sul. Finalmente, os britânicos assumiram a vantagem, como costumavam fazer, e capturaram alguns dos generais bôeres.

    Havia o general Botha, um dos grandes generais do exército bôer. Eles o capturaram e o colocaram na prisão. Ele havia sido vencido.

    À medida que Botha observava os britânicos, sua maneira de agir e de viver, e conhecia a verdade a respeito deles, começou a mudar. Por fim, para resumir a história, tornou-se um dos melhores conselheiros e aliados da Grã-Bretanha.

    A vida do general Botha é algo extraordinário. Como ele foi honrado e respeitado! Até mesmo na Primeira Guerra Mundial, veio como ajudador, um grande ajudador, ao lado dos britânicos. O que havia acontecido? Ah, sim, ele fora vencido, mas houve mais do que uma conquista: o inimigo foi transformado em aliado.

    Ah, vocês dizem: “Satanás se converteu?”. Ah, não, não; ele não é Botha. Suponho que a analogia deixe de funcionar aqui. Mas o que encontramos no Novo Testamento?

    Quero que saibais, irmãos, que as coisas que me aconteceram contribuíram antes para o progresso do evangelho.

    Aquelas coisas que aconteceram por meio de atividades satânicas — o Senhor tomou as obras de Satanás e as fez servir aos Seus fins. Talvez isso seja mais do que vencer. Naturalmente, eu preferiria que o Senhor o tivesse eliminado por completo; mas talvez seja melhor que o Senhor, em Sua autoridade absoluta no céu e na terra, faça o inimigo, ao final, servir ao Seu propósito. Isso é ser mais que vencedor, não é? Sabemos que ele é um servo contra a própria vontade.

    Mas vocês encontram isso ao longo do Novo Testamento: santos na casa de César. Ah, vejam só! Bem, a cruz, entendem, foi a verdadeira manifestação dessa sujeição do príncipe deste mundo a Jesus Cristo.

    A Sentença de Morte sobre o Mundo

    Além disso, ela foi a sentença de morte sobre o próprio mundo. Estou novamente me atendo a Paulo: a sentença de morte sobre este mundo que está sob maldição.

    O próprio Jesus, ao caminhar para a cruz, elevou Seu coração em oração ao Pai, na presença de alguns de Seus discípulos:

    Eles não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo.
    Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno.

    O mundo está proscrito — o sistema do mundo, o espírito do mundo, a influência do mundo —, está proscrito pela cruz. Não existe cristão mundano. Se você é mundano, está contradizendo o seu cristianismo. Entretanto, essa é a cruz: ela pronuncia a sentença de morte sobre este mundo.

    A Cruz como Início da Nova Criação

    Bem, esse é o lado negativo, mas a cruz tem outro lado. Em Jesus Cristo, ela foi o Dia D de uma nova criação. Dia D — o que é isso? Dia da libertação.

    Pedro precisa entrar aqui e nos dizer:

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos;
    para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós;
    que, pelo poder de Deus, sois guardados mediante a fé.

    O Dia D: uma nova esperança, uma nova criação, uma criação introduzida em nova vida, nova esperança, por meio da cruz, na ressurreição de Jesus dentre os mortos. Ora, tudo isso certamente nos dá uma concepção muito mais ampla da cruz.

    O Ministério Fundamentado na Cruz

    Não vou conseguir abranger todo o campo dessas três coisas, por isso vou tratar conjuntamente das duas seguintes: o ministério e a Igreja. O ministério e a Igreja procedem da cruz, estão contidos na cruz. Não há Igreja sem a cruz; não há ministério sem a cruz.

    Portanto, a cruz é o terreno sobre o qual o Espírito Santo acampa para o ministério. Vocês entendem por que tem havido tamanho ataque à cruz — para retirá-la da pregação ou atribuir-lhe outros aspectos, que até podem ser verdadeiros.

    Quando, no poder do Espírito Santo, vocês vivem a vida da cruz e ministram Cristo crucificado, o Espírito Santo vem sobre isso. Depende disso. Vocês querem saber onde o Espírito Santo acampa, assume Sua posição ou coopera? Ele sempre assume Sua posição sobre a cruz.

    Vocês nunca chegarão a um conhecimento genuíno da plenitude do Espírito Santo se a cruz não for o fundamento. Ela é a única segurança em meio a tantas coisas falsas e imitações. Quero saber, a respeito de tudo: que lugar a cruz ocupa ali? Não como ensino, teoria, doutrina ou algo que está na Bíblia, mas que lugar a cruz ocupa na vida?

    O lugar de acampamento do Espírito Santo é Cristo crucificado, conforme é pregado no poder do Espírito Santo. Paulo diz que aqui está “a sabedoria de Deus”, a coisa mais sábia vinda do céu, e “o poder de Deus”, a coisa mais poderosa vinda do céu: Cristo crucificado.

    Repito: a mensagem da cruz não é apenas uma doutrina. É a mensagem da vida humana — da vida humana.

    Antes de podermos pregar a cruz, precisamos conhecê-la. Ela precisa ter feito algo em nós, e algo drástico. O pregador, o ministro, o ministério, precisa ser crucificado. Deve ficar muito claro que não se está apenas transmitindo uma doutrina da cruz, mas que a pessoa que a transmite é uma pessoa crucificada.

    Isso nos examina profundamente, não é? Ah, sejamos cuidadosos ao falar sobre a cruz. Tenham cuidado com a maneira de falar sobre a cruz.

    Muitas pessoas vêm a mim e dizem: “Conheci o ensino da cruz há tanto tempo. Conheci a mensagem da cruz”. Isso se tornou algo mais? É muito melhor dizer: “A cruz, pelo Espírito Santo, fez algo em mim. Algo aconteceu em mim que a tornou muito mais do que uma doutrina, uma teoria, um assunto sobre o qual conversar”.

    De fato, será esse o problema? “O que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que você diz.” Sim, há algo de verdadeiro nisso. Quero ver aquilo que você está dizendo.

    Bem, aqui está, vejam: o ministério precisa ser conduzido pelo Espírito sobre o fundamento da cruz. O que o Espírito Santo permitirá no ministério? O que Ele permitirá no ministério, e como impedirá o que não permite? Aprende-se muito a respeito disso, sabem.

    Uma Lição sobre o Ministério

    Na época em que eu estava muito envolvido com a pregação, antes de uma grande crise, naturalmente me esforçava para preparar bons sermões. Reunia tudo para compor um sermão: citações deste homem e daquele, deste poeta e daquele poeta.

    Um dia, mais tarde, eu estava pregando e, no meio do sermão, fiz uma citação. Citei um homem — talvez eu nem devesse mencioná-lo; vocês certamente conheceriam seu nome. Eu o citei no sermão para sustentar um ponto.

    Naquele momento, meu sermão perdeu toda a sustentação — e eu também. Ah, tudo desmoronou, e tive de lutar para chegar ao fim. Fui para casa. O que havia acontecido? O que havia acontecido? Tudo se esvaziou naquele ponto.

    Então fui ao Senhor e examinei aquele poeta, um poeta muito famoso. O Senhor me disse: “Você sabe que esse poeta é um modernista, um teólogo liberal? Ele não crê nas grandes verdades da Pessoa e da obra de Cristo. E você o trouxe nesta manhã como seu aliado, para fazer do seu sermão um sucesso”.

    Aprendi uma lição — uma lição para a vida inteira. Se realmente estivermos sob a cruz, queridos amigos, saberemos o que o Espírito permitirá e o que não permitirá. Descobriremos que a cruz significa que tudo naquele âmbito perde a sustentação.

    Vocês entendem isso? Estou entrando em detalhes demais? Ah, não. Pois o ministério — e já defini o que é ministério — não é apenas o ministério de púlpito ou de plataforma, mas a função do cristão: ministrar Cristo. Isso é ministério: dar Cristo.

    Esse ministério precisa proceder da cruz, porque é ali que ele começa. A cruz deve ser a fonte de todo ministério verdadeiro do Espírito Santo.

    A Igreja como Expressão Concreta da Cruz

    Quanto à Igreja — sua natureza e seu propósito, agora e para sempre —, o que Deus tem em mente desde a eternidade a respeito desse vaso escolhido? O que ele é? Para que existe nos desígnios divinos?

    Apenas para ser, em si mesmo, o vaso, a expressão concreta de todo esse significado da cruz. Assim como acontece com o ministério e com os ministros, acontece também com a Igreja. Ela precisa ser uma Igreja crucificada para pregar um Cristo crucificado e levar aos homens, pelo Espírito Santo, todo o conhecimento de Deus.

    A Igreja é uma Igreja crucificada. Olhem para o início e vejam. No começo destas meditações, vimos a devastação que ocorreu, não apenas no mundo, mas nos discípulos — como a própria humanidade deles foi devastada na cruz, dispersa e desolada. Eram homens que não tinham nada, nada lhes restava, quando chegaram à cruz do Senhor Jesus.

    Na ressurreição do Senhor Jesus, a Igreja começa. Ele reúne os fragmentos dispersos e, aqui e ali, vai recompondo o vaso, mas sobre outro fundamento.

    Por que Ele permaneceu quarenta dias? Para assegurar que eles estavam sobre um novo fundamento, que haviam realmente compreendido o significado da ressurreição como um novo fundamento. Por que os levou até Betânia e, diante de seus olhos, partiu para a glória? Para lhes fazer saber que a Igreja está sobre um novo fundamento, e agora sobre um fundamento celestial.

    A sede da Igreja não está em Jerusalém; está no céu. Agora, tudo deve ser recebido do céu, por causa desse Homem que foi exaltado. Ele é o Governante, mas o governo é celestial. Estou usando uma linguagem que vocês não entendem, ou ela é familiar demais?

    Cristo está estabelecido no céu como o representante dessa nova humanidade, e o Espírito Santo, enviado do céu, deve governar tudo, tratar de tudo e de todos, primeiramente com base no fato de que a velha humanidade foi entregue ao juízo, e depois mediante o início e o desenvolvimento dessa outra humanidade. É para isso que o Espírito Santo está aqui.

    O escritor da carta aos Hebreus apresenta isso de maneira muito simples, ao falar de pais, crianças e filhos, não é?

    Filho meu, não desprezes a disciplina do Senhor.

    Disciplina, como um pai disciplina seu filho. Bem, e vocês, pais que têm filhos? O que estão fazendo com eles? Talvez não expressem dessa maneira, mas este é o sentido em que o Novo Testamento apresenta a questão: “Vou fazer de você um homem. Estou empenhado em fazer de você um homem. Às vezes, talvez você não se sinta muito feliz com o que estou fazendo, com a maneira como estou fazendo, mas vou fazer de você um homem”.

    Paulo diz a essas pessoas:

    Portai-vos como homens.

    Isto é, uma maturidade humana que o Espírito Santo veio desenvolver: um tipo de homem que chega à plena estatura da humanidade em Cristo. Essas são as palavras que ele realmente usa, como vocês sabem. Elas se aplicam, naturalmente, tanto às irmãs quanto aos irmãos.

    Um só Homem em Cristo — todos um só Homem em Cristo. Os tradutores não nos deram a tradução completa: “todos um em Cristo Jesus”, mas é todos um só Homem; está no masculino. Todos um só Homem em Cristo Jesus. A obra do Espírito Santo é fazer de nós um homem — ah, mas um homem segundo aquele Homem.

    Isso está de acordo com aquela humanidade? Tudo o que é humano deve ser examinado assim. Foi por isso que Jesus esteve aqui durante aqueles três anos e meio: um Homem entre homens, mas diferente de todos os outros. Trata-se de sermos conformados à imagem do Filho de Deus.

    A Vocação da Igreja na Oração

    Agora, vou encerrar em breve, mas quero chegar bem perto desta questão. Não apenas a natureza da Igreja — esta é a natureza da Igreja — e a vocação da Igreja, mas também a posição da Igreja agora e nos séculos vindouros.

    Como esse é um assunto muito amplo, vou me concentrar em uma coisa e procurar ajudá-los. Vou tomar como base a questão da oração.

    Estou convencido de que, em toda a recuperação que precisa acontecer, a recuperação da oração, da maneira como vou falar dela agora, é muito, muito importante.

    Vocês já perceberam, queridos amigos, qual é a posição da Igreja, se ela está em sua posição correta e devidamente constituída? Agora, não estou falando da Igreja universal, embora isso também se aplique a ela. Pensemos em uma igreja local.

    Onde está Cristo? Ele está assentado à direita de Deus. O que significa essa direita? O lugar de poder, o lugar de autoridade, o lugar de governo. Ele está ali como Cabeça da Igreja, que é o Seu Corpo.

    Ele foi investido de toda a autoridade no céu e na terra. Vocês já questionaram isso alguma vez? A autoridade de Cristo aqui neste mundo, quando veem as coisas caminhando como estão? Já se perguntaram sobre isso — toda a autoridade no céu e na terra?

    Agora, queridos amigos, se vocês têm um núcleo da Igreja em determinado lugar, devidamente constituído sobre o fundamento da cruz, da ressurreição e da exaltação de Jesus, o Senhor, estão unidos àquele trono.

    Se vocês se põem a orar sobre esse fundamento, como tal instrumento, vão tocar coisas nas regiões celestiais e na terra. Perdemos alguma coisa? Estamos deixando de alcançar alguma coisa?

    O Valor da Oração Coletiva

    Creio que provavelmente já contei aqui uma experiência pessoal de minha primeira visita aos Estados Unidos, em 1925. Nesta manhã, durante o café, eu conversava com um irmão ao meu lado, de Boston, e aquela experiência aconteceu quando o conheci pela primeira vez em Boston.

    Eu havia viajado para lá e estava apenas começando a aprender os grandes princípios da Igreja, da cruz e da relação entre a cruz e a Igreja. Havia ido falar em uma conferência na Igreja Congregacional de Park Street. Naturalmente, ela é bem conhecida hoje.

    Entrei no hotel, no meu quarto, e, assim que cheguei ali, uma terrível sensação de conflito e de trevas tomou conta de mim — uma sensação maligna, terrível. Aquilo era tão terrível, e eu precisava sair quase imediatamente para ministrar. Eu disse: “Não estou em condições. Não posso confiar nesse estado. Algo precisa acontecer”.

    Era realmente o que Abraão experimentou, aquilo que é chamado de “um horror de grandes trevas”. Foi isso que aconteceu comigo. Comecei a usar os meios que conhecia: combater o inimigo, usar contra ele a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e invocar o sangue. Nada aconteceu.

    Ali estava eu, andando de um lado para o outro naquele quarto, tentando travar a batalha espiritual, sem conseguir avançar. Clamei ao Senhor: “Senhor, o que significa isso? O que estás dizendo? Saí da Tua vontade? Eu não deveria estar aqui? O que é?”.

    Veio a mim com muita clareza: “Simplesmente firme-se na oração do povo do Senhor”. Ora, isso é muito simples, não é? Mas fiquei ali, no meu quarto, e disse: “Pela fé, firmo-me no valor da oração da Igreja em meu favor, em nome do Senhor Jesus”. Tudo aquilo desapareceu, ali mesmo. Conseguimos seguir adiante.

    Agora, naturalmente, esse não é o fim da história. Escrevi aos meus irmãos em Londres e lhes contei minha experiência. Um irmão escreveu e disse: “Você poderia nos informar exatamente a que horas isso aconteceu? Levando em conta a diferença de cinco horas entre Londres e Boston, diga-nos a hora exata em que aconteceu”.

    Então eu lhes disse. Eles responderam: “Naquela mesma hora, estávamos reunidos para orar. Sentimos que você estava enfrentando uma grande batalha e que precisávamos assumir essa batalha por você e perseverar em oração até vencê-la. E foi o que fizemos”.

    Vocês entenderam o que quero dizer? Perdoem a referência pessoal e deixem-na de lado; mas o princípio permanece. Três mil milhas de distância, diferenças de horário pelo mundo — simplesmente nada. Naquele exato momento, a Igreja orou muito longe dali; algo aconteceu. O inimigo nas regiões celestiais foi atingido — autoridade no céu —, e a situação na terra foi atingida — autoridade na terra —, em ligação com o trono.

    Então, vocês acham que precisamos de algo assim agora? Não há forças malignas nas regiões celestiais que precisam sofrer o impacto dessa autoridade absoluta no céu? Não há situações, até mesmo na Igreja ou nas igrejas, em que essa autoridade na terra precisa ser exercida para transformá-las? A Igreja é o vaso disso, o instrumento disso.

    Ah, que haja grupos locais sobre esse fundamento: o poder da cruz e a autoridade do Senhor ressuscitado e exaltado! Perguntem ao Senhor a respeito disso quando voltarem para onde vivem.

    Ah, tenham cuidado com técnicas de guerra de oração e com atacar o diabo diretamente. Cuidado; ele vai deixar vocês em frangalhos. Ele esperará a oportunidade. Mas escondam-se na cruz.

    Lembrem-se: não se trata da força de vocês, da sabedoria de vocês. É um vaso crucificado que fará isso. Mas, ah, o Senhor realmente precisa que esse tipo de vocação seja recuperado.

    A Vocação Eterna da Igreja

    Não vou parar aqui. Falei da vocação da Igreja nos séculos vindouros. Ah, talvez então ela não seja dirigida contra o diabo, pois citei uma passagem bíblica outro dia e lhes disse que não entendo o que ela significa.

    Paulo disse aos coríntios:

    Não sabeis que havemos de julgar os anjos?

    Havemos de julgar os anjos. Isso não significa que os anjos estejam fazendo algo errado e que serão levados a julgamento por nós na eternidade. Significa governo — dizer-lhes o que fazer, o que se exige deles. Ao menos, não sei o que significa, mas significa alguma coisa. Havemos de julgar os anjos.

    É a Igreja que será o instrumento administrativo de Cristo pelos séculos vindouros. Ela precisa aprender a administrar agora. Esse era o sentido daquelas palavras de Paulo aos coríntios: “Vocês estão recorrendo aos tribunais deste mundo para obter julgamento de homens mundanos, da sabedoria mundana. Não podem aprender a julgar entre vocês mesmos?”.

    Deveriam aprender, porque na eternidade terão de julgar os anjos. É melhor aprenderem agora. Vocês vão julgar os anjos; é melhor julgarem essas questões, em vez de levá-las aos tribunais. Deveriam ter sabedoria e discernimento agora.

    Aprendendo — ah, estamos em uma escola, uma escola maravilhosa —, aprendendo a cumprir uma vocação tão vasta nos séculos vindouros. Nos séculos vindouros. Esta é a escola para isso.

    Se realmente, por meio da cruz, estamos sob o Espírito Santo, sob o Espírito que unge — e todos fomos batizados em um só Espírito para formar um só Corpo —, se isso é verdade, talvez precisemos compreender com mais clareza o que é esse batismo, o que é essa unção e o que é esse Corpo.

    Mas não é justamente isto: que agora estamos sob o ensino do Espírito Santo — não um ensino teórico, mas sob o Seu ensino —, para que, quando o Senhor vier, passemos dessa escola àquela vocação para a qual fomos chamados e designados desde a eternidade, nos desígnios de Deus, para sermos o Seu vaso de governo neste universo?

    Isso está além da compreensão de vocês? Está além da minha. Mas é isso que Paulo ensina. Já começou agora.

    Para que, agora, pela Igreja, seja conhecida dos principados e das potestades nos lugares celestiais a multiforme sabedoria de Deus.

    Que vocação maravilhosa! Como ficamos aquém dela!

    Agora, nesta manhã, tenho certeza de que isso é suficiente para vocês ponderarem profundamente. Muito mais poderia ser dito, mas por enquanto isso basta. Fiquem em silêncio diante disso. Pensem nisso.

    Tudo isso, queridos amigos, tudo isso que procurei lhes dizer, que o Senhor procurou lhes mostrar, procede de um conhecimento vivido da cruz do Senhor Jesus. É assim. Agora vocês viram o que essa cruz significa em seus dois lados.

    Que ela não seja um assunto, uma doutrina, um ensino, uma teoria, mas a poderosa realidade que é em todos os domínios. Vamos orar.

    Estamos muito conscientes, Senhor, de que, quando tocamos domínios como estes, há muito que procura combater, sufocar e tornar difícil tanto falar quanto ouvir. Assim, agora, ao final desta série nesta ocasião, precisamos apelar a Ti, que estás no trono, para que exerças a Tua autoridade, o Teu poder, tornando essas coisas realidades — realidades vivas — para nós.

    Não o assunto da Convocação Banner de 1968, não o tema que certas pessoas adotaram em seu ministério, mas, ó Deus, salva-nos e leva-nos a desfrutar o benefício daquilo que dizes. Torna-o vivo. Torna-o uma força suficiente para produzir efeito na terra e no céu.

    Em nome do Senhor Jesus. Amém.