Bom dia, irmãos e irmãs. Vamos ter mais um momento de oração.
Senhor, nós nos achegamos a Ti como a corça que anseia pelas águas. Senhor, ao nos aproximarmos da Tua Palavra nesta manhã, temos um único desejo: contemplar a Ti mesmo de uma maneira muito viva.
E, Senhor, nós Te agradecemos porque nos capacitaste para Te contemplar. Tu nos purificaste com o sangue do Cordeiro. Tu nos ungiste pelo Teu Espírito Santo para falar e ouvir. Pela fé, nos apropriamos da plenitude da Tua provisão, Senhor, para que possas realizar, no coração de cada um de nós, aquilo que desejas.
Senhor, queremos sair daqui nesta manhã como corças satisfeitas, satisfeitas na presença do nosso Pai celestial. Em nome de Jesus, amém.
Vamos abrir a Bíblia nesta manhã? Gostaria de ler algumas passagens, a primeira no livro de Atos — passagens que, a esta altura, já nos são muito familiares. Vamos abrir em Atos 1:1 e, depois, passar para Atos 1:8.
Escrevi o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar.
As palavras nas quais gostaríamos de nos concentrar nesse versículo são: “Tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar”, quando Lucas se refere ao seu Evangelho.
Depois, lemos em Atos 1:8:
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo:
e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria,
e até aos confins da terra.
O chamado do Senhor ali é para que sejamos Suas testemunhas, seja em Jerusalém, na Judeia, em Samaria ou na parte mais remota da terra.
Agora, vamos à carta de Paulo à igreja em Éfeso, em Efésios 3:17-19. Paulo escreve para encorajar os irmãos:
Para que Cristo habite em vossos corações pela fé;
a fim de que vós, estando arraigados e alicerçados em amor,
possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento,
para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
No meio de Efésios 3:18, fala-se de compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade. O Senhor deseja que não compreendamos apenas individualmente, mas que compreendamos, com todos os santos, a plenitude Dele mesmo.
Por fim, em Apocalipse 5:9-10, encontramos estes versículos. Eles são um cântico que está sendo entoado:
Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos:
porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação,
e os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus;
e eles reinam sobre a terra.
O desejo do meu coração hoje, ao nos reunirmos e vermos o que o Senhor está fazendo em nosso meio — e somos gratos pelo que Ele está fazendo —, é que também sejamos lembrados, de uma maneira renovada, de que estamos envolvidos em uma grande obra que Ele está realizando por toda esta terra.
Ele está realizando uma obra aqui, em muitas vidas e entre nós como uma assembleia, mas isso não é tudo. Somos apenas parte de uma grande obra que Ele tem realizado, está realizando e continuará a realizar até a Sua volta.
É realmente esse o encargo que gostaria de compartilhar hoje: que enxerguemos além de nós mesmos. Somos muito gratos pelo que temos e pela maneira como o Senhor tem agido e nos conduzido, mas desejamos também olhar além, para a amplitude e a grandeza daquilo que nosso Senhor está fazendo neste tempo e nesta terra.
Sou muito grato pelo privilégio que temos de fazer parte da obra aqui, localmente. Mas também é um tremendo privilégio participar da grande obra que Ele está realizando por toda a terra e de todos os relacionamentos que Ele nos tem concedido.
É impressionante pensar em todos os contatos e relacionamentos que nós, uma pequena assembleia aqui, algumas pessoas reunidas, temos por toda esta terra. É um testemunho maravilhoso da Sua graça e misericórdia, de como Ele está chamando para Si um povo de toda tribo, língua e nação.
Ele está nos reunindo. Por quê? Para manifestar a Sua própria excelência por toda a eternidade. Que o Senhor nos dê um vislumbre disso.
Agradecemos ao Senhor pela maneira como Ele tem falado conosco aqui, localmente. Sou muito grato pelas ministrações recentes, por termos sido lembrados de nos apropriar de todas aquelas preciosas e magníficas promessas.
Ao nos apropriarmos dessas promessas individuais, elas nos conduzem à promessa: aquele reino eterno e o desejo que Ele tem em Seu coração de conduzir muitos filhos à glória — de ter um povo em Seu reino por toda a eternidade.
Agradecemos ao Senhor por nos lembrar de que colocou diante de nós uma porta estreita e um caminho estreito. Ele nos chama a andar por esse caminho. Há muitas coisas nesta terra nos puxando em tantas direções, mas o Senhor diz: “Vejam, coloquei um caminho diante de vocês. Andem nele”.
A alegria é que, ao entrarmos nesse caminho estreito e percorrermos essa vereda estreita, descobrimos, assim que colocamos o pé nela, que ela é imensa em suas riquezas. Esse caminho, que parecia tão estreito quando o olhávamos de fora, torna-se um lugar onde vemos, como Paulo, a largura, o comprimento, a altura e todas as coisas que nunca imaginamos.
Os únicos para quem esse caminho parece estreito são aqueles que não estão nele. Quando vocês estão no caminho, onde o Senhor deseja que estejamos, há um comprimento, uma largura e uma altura indescritíveis. Agradecemos ao Senhor por isso.
Agradecemos ao Senhor pela maneira como Ele nos tem encorajado, mostrando que fez de cada um de nós reis e sacerdotes para Ele. É para Ele. Não tivemos de nos qualificar. Não tivemos de nascer em determinada família.
Mas Ele, com Seu grande amor, redimiu cada um de nós e nos fez reis e sacerdotes para o nosso Deus. Esse é o nosso modo de vida agora. Vivemos a cada dia como reis, e Ele deseja que entremos nessa realidade — não como os reis deste mundo, mas como reis moldados segundo o Seu caráter régio.
Ele nos fez sacerdotes para servi-Lo. Nosso modo de vida, nossa ocupação, é ser sacerdotes para Ele — não apenas usar um colarinho elegante e ostentar um título, mas viver essa vida na prática.
Também agradeço ao Senhor pela maneira como Ele tem trabalhado entre nós enquanto O buscamos para receber direção para a assembleia. É muito precioso que os irmãos tenham se reunido semana após semana, mês após mês.
Mas a maravilhosa fidelidade do Senhor se manifestou nisto: Ele falou. Ele nos mostrou a direção. Ele nos mostrou o que estava em Seu coração para o grupo. Enquanto esperávamos Nele, Ele trouxe à tona toda essa questão do pastoreio, do cuidado de uns pelos outros. Louvado seja Deus por isso.
Há adoração em nosso coração. E agora, ao começarmos a estudar o livro de Atos, sou muito grato por estarmos estudando esse livro. Eu sabia desde o começo que era isso que deveríamos estudar. Só demorou todo esse tempo para vocês chegarem lá.
Mas sou grato porque, mesmo naqueles versículos que lemos, Lucas nos mostrou em seu Evangelho tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar. Então, em Atos, vemos tudo o que Jesus continua a fazer e a ensinar por meio do Seu corpo.
Irmãos e irmãs, sabemos que o livro de Atos ainda está sendo escrito. Ele continua a fazer e a ensinar por meio do Seu corpo, por toda esta terra, hoje e até a Sua volta. Em que grande obra pudemos entrar! Que grande privilégio foi colocado diante de nós!
Agora, quando usamos essa expressão, “grande obra”, o que estamos dizendo? Será apenas uma expressão bonitinha? Na verdade, o Senhor a usa várias vezes ao longo do Antigo Testamento.
Em Deuteronômio, Ele resume tudo o que fez para tirar a nação de Israel do Egito: “Vocês podem ver a Minha grande obra, que realizei no Egito para libertá-los”.
O livro de Juízes fala de como, quando Josué estava prestes a morrer, havia uma geração que conhecia a grande obra do Senhor. Mas, depois dela, veio uma geração que não conhecia o Senhor nem a Sua grande obra.
O chamado para nós, nestes dias, é conhecer o Senhor e a Sua grande obra.
Há um testemunho tremendo em Neemias. Quando estavam reconstruindo o muro, o inimigo tentava distraí-los e envolvê-los em coisas nas quais não precisavam se envolver. Qual foi o testemunho de Neemias?
Ele disse:
Estamos fazendo uma grande obra.
Estamos fazendo uma grande obra. Parecia um murinho de nada em volta de uma cidade pequena, mas Neemias havia visto o coração de Deus e sabia que eles estavam envolvidos em uma grande obra.
Então, o que é essa grande obra? Em certo sentido, precisamos ter cuidado quando começamos a definir as coisas do Senhor, porque, ao começarmos a definir Seu caráter e Sua natureza, acabamos limitando-os ou restringindo-os.
Vocês já tentaram descrever o amor de Cristo? Paulo, na carta à igreja que lemos, começa a descrevê-lo; mas, de repente, é arrebatado pela sua amplitude. Há um comprimento, há uma largura, há uma altura. Não é possível descrever plenamente o caráter e as coisas do Senhor.
Tentem descrever a glória do Senhor, e vocês apenas a limitarão, porque sempre haverá mais. Assim, quando tentamos definir essas coisas, provavelmente é melhor descrever as coisas do Senhor. É isso que Paulo faz por nós ao longo do Novo Testamento.
Em termos amplos, poderíamos dizer que essa grande obra é o Senhor preparando um povo para ser Sua companheira eterna. Essa é uma descrição muito abrangente, mas Sua grande obra é tão magnífica que, mesmo quando Paulo, pelo Espírito Santo, procura descrevê-la, não há uma única palavra capaz de defini-la.
Ao longo do Novo Testamento, essa grande obra é descrita de muitas maneiras. Às vezes, é descrita como uma noiva sendo preparada. E não é semelhante a uma noiva — é uma noiva. Não são comparações. Não são expressões de “como se”. É uma noiva sendo preparada.
Paulo diz que é uma casa sendo edificada conjuntamente. É um corpo que está crescendo. Temos Cristo, a Cabeça, e somos o Seu corpo. Temos uma família que ama uns aos outros e passa por esse processo. Temos crianças amadurecendo para se tornarem filhos maduros — não permanecendo como bebês, mas crescendo e amadurecendo.
Temos um poderoso guerreiro sendo treinado. Em Efésios 6, temos a figura de um poderoso guerreiro aprendendo na escola da oração, sendo treinado para o combate. Temos um reino sendo preparado. Temos uma cidade sendo santificada.
Toda essa obra está acontecendo em nossa vida, dia após dia, como povo do Senhor. Temos também outras descrições: um sacerdote sendo treinado, um novo homem, um povo de propriedade exclusiva de Deus. Podemos continuar descrevendo Sua grande obra sem parar.
Sabemos, pelo que vemos em Apocalipse 21 e 22, que, ao final, temos essa companheira eterna. Se vocês voltarem e lerem Apocalipse 21 e 22, verão a noiva; verão a cidade santa; verão reis; verão sacerdotes. As Escrituras continuam procurando descrever essa plenitude.
Como essa noiva é formada? Como funciona esse processo? É por meio da operação da cruz em nossa vida individual. A cruz fala do sangue do Cordeiro — o nosso próprio fundamento.
Temos o sangue do Cordeiro sendo aplicado ao nosso coração e à nossa vida, dia após dia. Como eles venceram? Venceram pelo sangue do Cordeiro.
Irmãos e irmãs, se desejamos ser formados como essa companheira eterna, quanto precisamos permitir a operação diária da cruz em nossa vida! Agradecemos ao Senhor, porque Ele é Aquele que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação.
Que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação,
não segundo as nossas obras,
mas segundo o Seu próprio propósito e graça,
que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.
Isso está em 2 Timóteo 1:9. Ele nos salvou e nos chamou segundo o Seu próprio propósito, que estabeleceu em Seu Filho, Cristo Jesus. Louvado seja o Senhor, irmãos.
Este é o desejo do meu coração hoje: que vejamos não apenas a grande obra que o Senhor está realizando aqui, mas também a amplitude e a grandeza da obra que Ele tem realizado e continua a realizar.
Agradeço ao Senhor, ao olhar ao redor desta sala, pela maneira como Ele nos reuniu de tantos lugares — de toda tribo, língua e nação. Mas por que Ele fez isso?
Temos contatos em tantos lugares desta terra, e eles são usados para nos mostrar a realidade dessa grande obra. Ao vê-los, nossa visão se amplia e nossa fé é encorajada, à medida que o Senhor trabalha nesta terra.
Agradecemos ao Senhor por termos oportunidades, especialmente nas noites de quarta-feira, de apresentar essas questões diante Dele em oração. Mas, novamente, por que Ele fez isso? Por que Ele nos reuniu? Por que Ele nos fez conhecer esses contatos por toda a terra?
Estas são as duas perguntas que gostaria que considerássemos: por que estamos juntos e por que temos esses contatos.
Primeiro, quero parar e observar como o Senhor nos reuniu. Quantas pessoas nesta sala nasceram em Richmond? Levantem a mão.
Agora, se vocês excluírem os que têm menos de vinte e cinco anos, tiram essa geração mais jovem da contagem. Mas, de fato, não são tantos assim. Levantem a mão de novo — os que nasceram em Richmond. Muito bem.
Agora, deixem-me perguntar: quantos nasceram ou já moraram fora dos Estados Unidos?
Se pararmos e olharmos ao redor, veremos pessoas que o Senhor reuniu, vindas da Alemanha, Irlanda, Iugoslávia, originalmente da Romênia, Palestina, África do Sul, Índia, Japão, China, Taiwan, Vietnã e Filipinas — tantos lugares maravilhosos.
Foi o Senhor quem nos reuniu, para que pudéssemos ver o que Ele está fazendo. Será apenas coincidência? Será que isso simplesmente aconteceu por acaso?
Irmãos e irmãs, eu diria que não. Não é coincidência. É a soberania do nosso precioso Senhor, que nos reuniu com o desejo de que sejamos um testemunho para Ele.
Somos um testemunho para Aquele que nos amou, Aquele que morreu por nós e nos chamou para Si, a fim de que sejamos uma expressão viva de como Ele comprou pessoas de toda tribo, língua e nação.
Estamos aqui em Richmond para expressar Sua vida nesta localidade específica. Mas vamos deixar clara outra coisa.
Somos a igreja em Richmond? Não. Não somos. Somos apenas parte dessa igreja. Sabemos que a igreja em qualquer localidade é composta por todos os crentes daquela localidade.
Somos o testemunho Dele em Richmond? Não. Simplesmente nos reunimos a Ele, em Seu nome, com o desejo de ser um testemunho para Ele.
Nós nos reunimos com o desejo de ser um testemunho para Ele — um testemunho da unidade que compartilhamos com todos os crentes. Mesmo com todas as nossas imperfeições, fraquezas, problemas, manchas e rugas, temos esse desejo: que Sua vida seja expressa em nosso meio, que possamos ser esse testemunho para Ele e que sejamos fiéis em nossa geração.
É para isso que Ele nos está chamando. Agradecemos ao Senhor e queremos louvá-Lo por tudo o que Ele está fazendo, por tudo o que fez e pelo encorajamento de tudo o que ainda fará.
Sou muito grato por fazer parte dessa grande obra. Ela nos mostra como somos pequenos, mas também nos permite ver como Ele é grande, como Ele é imenso.
Depois de olharmos para o que Ele tem feito localmente, quero dedicar um tempo agora a observar a amplitude dessa grande obra que Ele está realizando. De certa maneira, poderíamos dizer que já vimos o aspecto local e agora queremos olhar mais para o universal.
Mas, ao considerarmos isso, há algo que precisamos manter em perspectiva. Precisamos manter o equilíbrio porque, como seres humanos, temos essa tendência inerente de pender para um extremo ou para o outro.
Por que vocês acham que as dietas são tão populares? E se alguém aparecesse e dissesse: “Tenho uma nova dieta para vocês: façam apenas três refeições equilibradas por dia, sem calorias demais e com alimentos de todos os grupos”? Vocês acham que esse livro seria um sucesso de vendas? Não.
Mas, se a dieta disser: “Coma toda a proteína que quiser”, todo mundo compra. Ou: “Coma todos os carboidratos complexos que quiser”. Tem de haver uma dieta da toranja ou uma dieta do arroz — os extremos. Gastamos bilhões de dólares porque somos tão inconstantes.
O mesmo acontece com os programas de exercícios. Se alguém disser: “Faça vinte minutos de exercício por dia, três ou quatro dias por semana, e você ficará bem”, quantos livros vocês acham que essa pessoa venderia? No entanto, as pessoas compram todo tipo de aparelho. É impressionante de quantas maneiras diferentes conseguem fazer aquela rodinha para exercitar o abdômen.
Não vou perguntar quantas pessoas têm uma dessas guardada no sótão. Mas vamos para esses extremos, de um lado ou do outro.
Também em nossa vida cristã permitimos que esse extremismo entre. Por isso, quando falamos dessa questão do local ou do universal, não se trata de escolher um ou outro. Podemos nos concentrar no local ou pender para o universal, mas há uma plenitude de vida na qual o Senhor deseja que entremos.
Hesitei até em usar a palavra “equilíbrio”, porque, no mundo, ela pode significar concessão. Provavelmente, para nós, seria melhor usar a palavra plenitude. É na plenitude de vida que Ele nos chama a entrar.
No mundo, quando tentamos alcançar o equilíbrio, muitas vezes acabamos fazendo concessões. Ou acrescentamos a um lado algo que não deveria estar ali, ou retiramos do outro um ingrediente essencial para reduzi-lo.
O que é o movimento ecumênico em toda a cristandade? As pessoas tentam reunir todo mundo e depois dizem: “Precisamos eliminar isto para que tudo fique igual”, ou: “Vamos acrescentar aquilo, mesmo que eles não sejam o que chamamos de cristãos”. Começamos a usar termos amplos e genéricos para tentar alcançar o equilíbrio. Esse é o caminho do homem.
Mas, com o Senhor, o equilíbrio é alcançado por meio da plenitude. É a plenitude de Cristo em nossa vida individual e a plenitude de Cristo em nossa vida coletiva que nos permitem viver uma vida equilibrada. É a plenitude Dele.
Só houve uma Pessoa equilibrada nesta terra, e essa Pessoa foi o nosso Senhor. Mas, louvado seja Deus, agora temos essa vida equilibrada — essa vida plena — dentro de nós, e Ele deseja que a vivamos na prática.
Temos essas tendências. Podemos nos concentrar em nossa vida individual: “Preciso colocar minha vida em ordem. Vou ler todas essas coisas. Vou passar esse tempo sozinho. Preciso organizar minha vida individual”.
Tentamos desenvolver uma musculatura enorme em nossa vida individual, negligenciando a vida coletiva. Acabamos nos tornando, como alguns dizem, borboletas espirituais — por aí, buscando apenas o que nos interessa. Pegamos um pouquinho aqui e um pouquinho ali, mas não estamos vinculados uns aos outros.
Ou podemos olhar tanto para a vida coletiva que o indivíduo fica de fora. Podemos ir tão longe na ênfase da vida coletiva que deixamos até Cristo de fora. Então, isso pode se tornar uma vida em comunidade e adquirir características de seita.
Irmãos e irmãs, na plenitude do Senhor, Ele deseja que a plenitude Dele mesmo seja expressa em cada um.
Podemos entrar em questões como predestinação e livre-arbítrio. Temos a tendência de ir para um lado ou para o outro.
Se nos envolvermos com a predestinação, ou mesmo com a soberania divina, podemos acabar caindo no fatalismo: Que será, será — o que tiver de ser, será. Mas, embora o Senhor tenha um plano maravilhoso para nós e seja soberano, Ele também deseja que sejamos responsáveis.
Podemos pender tanto para o outro lado, enfatizando a responsabilidade, que acabamos agindo segundo nossa própria vontade e justiça própria, e nos afastamos Dele.
O mesmo acontece com o descanso. Dizemos: “Precisamos descansar no Senhor”, e então podemos nos tornar passivos. “Ah, estou descansando no Senhor.” Não, você não está. O Senhor está dizendo:
Desperta, ó tu que dormes.
E você nem sequer O ouve gritando: “Acorde!”
Então podemos ir para o outro lado, e tudo se resume a obras exteriores. Podemos ver como temos dentro de nós essas tendências de ir para um extremo ou para o outro. Francamente, muito disso é determinado pela nossa própria personalidade.
Se você é uma pessoa prática, pode tender para a diligência, as boas obras e a responsabilidade. A pessoa prática tende a ir nessa direção. Depois há os sonhadores: “Ah, o Senhor é tão bom. Ele está no controle, e nós vamos simplesmente seguindo, sonhando”.
Mas o Senhor deseja que sejamos as duas coisas. Estudamos o livro de Atos e dizemos: “Ah, vou apenas ficar sentado aqui, e o Senhor vai abrir esse livro para mim”. Seu Espírito falará conosco, sim, mas também há esse outro lado. Precisamos entrar nessa plenitude de vida.
Enquanto eu lia um sermão de Charles Spurgeon, ele falava sobre predestinação e livre-arbítrio. Mas o princípio também se aplica aqui.
Um amigo foi até ele e perguntou: “Como você reconcilia essas duas diferenças? Como reconcilia predestinação e livre-arbítrio? Elas se opõem uma à outra”.
Charles Spurgeon disse: “Não, você está completamente enganado nisso. Inimigos precisam de reconciliação. Coisas que se opõem precisam ser reconciliadas. Mas os melhores amigos nunca precisam de reconciliação”.
São os melhores amigos porque ambos procedem do nosso Senhor. São os melhores amigos porque vêm do Seu coração. São Dele.
Alguns descreveram essas verdades como dois trilhos. Permanecemos sobre os dois trilhos, seguimos adiante e alcançamos o grande alvo que temos. O problema é que ficamos sobre um trilho ou sobre o outro e, então, descarrilamos.
Mas, quando nosso Senhor olha para esses dois trilhos, Ele os vira de lado. Quando vocês viram dois trilhos de lado, o que veem? Veem um só. Ele vê Seu Filho. Ele vê Cristo. É apenas uma perspectiva diferente.
O Senhor está procurando nos fazer enxergar as coisas pela perspectiva Dele, e não apenas pela nossa própria perspectiva. Ele está nos chamando a isso.
Quando consideramos essa questão da dimensão local e da dimensão universal, não se trata de escolher uma ou outra. Se nos concentrarmos apenas no local, podemos nos tornar exclusivistas.
Houve um grupo que ficou conhecido como Igreja Local. Eles se tornaram exclusivistas e achavam que eram a igreja, porque se concentraram tanto na dimensão local que podiam se esquecer da obra universal que o Senhor está realizando.
Mas, se nos concentrarmos apenas no aspecto universal — na grande obra e na igreja universal —, podemos perder a perspectiva da obra local que Ele está realizando.
O que acontece com aqueles que se concentram apenas na igreja universal é que não conseguem lidar com as imperfeições. Essa igreja celestial é tão perfeita que qualquer coisa imperfeita não poderia fazer parte dela; não poderia ser do Senhor.
Para mim, essa é uma das belezas de estudar o livro de Atos. Desde o início, vemos Deus realizando uma grande obra, mas também vemos como Ele usa vasos imperfeitos. Ele sempre os usou.
Às vezes, podemos ler o livro de Atos com lentes cor-de-rosa. Mas a beleza de Atos é vermos vasos imperfeitos como nós encontrando Aquele que é perfeito para lidar com seus problemas e suas situações.
Nisso, Ele realmente manifesta Sua glória. Ele Se manifesta em situações como a de Ananias e Safira e quando as viúvas enfrentaram dificuldades porque não estavam recebendo os devidos cuidados. Nessas situações, vemos Sua maneira maravilhosa de agir.
Quando falamos da igreja — local e universal —, trata-se de uma única igreja. Isso já foi dito muitas vezes, mas é uma única igreja. O Senhor diz:
Edificarei a Minha igreja.
Essa única igreja é constituída por todos os crentes desde o dia de Pentecostes, desde aquela primeira igreja em Jerusalém, até os nossos dias e até a volta do Senhor.
Estou usando o termo “igreja universal” como uma descrição, não como uma definição. Vocês não encontram esse termo exato nas Escrituras. É simplesmente uma descrição da sua amplitude. Somos tão limitados pelas palavras.
Talvez vocês não encontrem a expressão “igreja universal” nas Escrituras, mas a veem descrita em sua universalidade.
Como essa igreja é edificada? Ela é edificada em cada localidade, à medida que irmãos e irmãs se reúnem e encontram a vida do Senhor em cada situação. Eles permitem que o Senhor entre, e Seu caráter e Sua natureza são desenvolvidos e edificados no interior dos irmãos e das irmãs.
O Senhor e Sua igreja estão sendo edificados. Graças ao Senhor, não precisamos escolher entre o local e o universal. Tudo é uma única obra — Sua grande obra.
Novamente, por que o Senhor abriu todas essas portas e janelas para que vejamos Sua grande obra por todo o mundo? Já mencionamos algumas razões.
Isso nos lembra, localmente, que estamos envolvidos em uma grande obra — que isso não é tudo o que existe. Expande e amplia nossa visão, amplia nossa capacidade e aumenta nossa fé, porque vemos a grande obra que Ele está realizando.
Mas há outro aspecto: isso aumenta nosso encargo de oração.
Ao vermos essa grande obra que o Senhor está realizando, nosso encargo de oração aumenta. Percebemos que, assim como oramos por nós mesmos e desejamos ser edificados juntos aqui, irmãos e irmãs por todo este mundo estão passando por problemas semelhantes e precisam ser edificados juntos.
Eles se encontram em circunstâncias semelhantes. Quando oramos para que sejamos edificados juntos, também podemos orar por eles.
Mas também vemos, ao recebermos notícias de muitos lugares, que as pessoas vivem em circunstâncias bastante diferentes por causa dos países onde moram. Por isso, oramos por essas pessoas.
Nós, aqui nos Estados Unidos, vivemos em um país de abundância e temos tanto de tudo. No entanto, grande parte do mundo sofre tamanha escassez. O Senhor deseja que oremos uns pelos outros.
Não apenas apoiamos uns aos outros enquanto o Senhor realiza essa obra, mas também podemos nos apoiar enquanto Ele trabalha em localidades específicas.
Por causa do tempo, vou apenas mencionar alguns versículos. Em Marcos 11:17, o Senhor fala da Sua casa:
Não está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações?
Uma casa de oração para todas as nações. Em Efésios 6, vemos o treinamento nesse maravilhoso ministério de oração:
Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito,
e vigiando para isso com toda perseverança e súplica por todos os santos.
A oração em Efésios 6 é por todos os santos — para que sustentemos uns aos outros em oração.
Também em 1 Pedro 5:9 somos lembrados dos nossos irmãos por todo o mundo:
Sabendo que os mesmos sofrimentos se cumprem em vossos irmãos que estão no mundo.
Nossos irmãos e irmãs por toda esta terra estão passando por muitas das mesmas coisas pelas quais estamos passando, e também por muitas coisas diferentes.
Gostaria que considerássemos alguns dos lugares onde temos contatos. Oramos por eles nas noites de quarta-feira e em outras ocasiões. Oferecemos apoio financeiro, por meio do ministério de fitas e das transcrições; alguns desses lugares nos visitaram, e alguns daqui os visitaram.
Somos muito gratos pela maneira maravilhosa como o Senhor tem aberto portas. Uma das maneiras pelas quais o Senhor abriu portas e estabeleceu contatos no último ano foi por meio do site.
Esses países sombreados são os países de onde houve acesso ao site do Christian Tape Ministry no ano passado — mais de dezenove mil downloads. Há países representados em toda a América do Sul, na África e em todos os continentes. Agradecemos ao Senhor por ter proporcionado contatos em todos esses países.
Um dos grandes meios que o Senhor tem usado para abrir portas é a conferência da família aqui. Há muitos anos, há mais de vinte e cinco anos, alguns irmãos daqui tinham o encargo de que houvesse uma conferência por meio da qual o Senhor pudesse compartilhar uma palavra profética relacionada ao Seu propósito eterno.
Esse realmente tem sido o tema e o encargo central dessa conferência da família por muitos anos. Há muitas conferências maravilhosas neste país e por todo o mundo, mas, muitos anos atrás, o Senhor havia colocado no coração de alguns daqui o encargo de uma conferência específica, voltada à proclamação dessa palavra profética acerca do Seu propósito eterno.
Ela foi iniciada por irmãos fiéis aqui em Richmond. À medida que cresceu ao longo dos anos, agradecemos ao Senhor porque agora há mais de quinze assembleias diferentes, principalmente da Costa Leste, promovendo juntas essa conferência.
Há anos nos reunimos na Universidade de Richmond. Na semana passada, foi feito um anúncio sobre as oportunidades para todos servirem durante esse período. O anúncio não foi feito nesta semana porque, eu sei, todo mundo foi lá e se ofereceu como voluntário, então não há mais necessidades. Não seria o ideal? É muita ingenuidade.
Mas espero que vocês tenham entendido o que quero dizer. Ainda há tempo e oportunidade para servir.
Uma das riquezas dessa conferência é a maneira como as pessoas vêm de todas as partes do mundo. Temos oportunidades de ser enriquecidos por elas e por sua comunhão, e de ver o que o Senhor está fazendo.
Vou encerrar daqui a pouco. Na próxima vez que compartilhar, veremos obras específicas que o Senhor está realizando por toda esta terra, como na Rússia, na China e em Cuba, e também algumas pessoas que saíram daqui.
Isso é muito precioso. Há alguns meses, missionários foram martirizados no Iêmen, no hospital de Jibla. Alguns anos atrás, tivemos um irmão daqui que esteve lá, e ele conhecia aquelas pessoas.
Esse é um contato. Aqui está um pequeno grupo em Richmond, Virgínia, e, pela graça de Deus e por Sua soberania, Ele nos permite ter um contato ali. Há muitos testemunhos maravilhosos como esse, e sou muito grato por eles.
Na próxima vez, queremos compartilhar não apenas sobre algumas dessas obras, mas também sobre as lições que podemos aprender ao nos envolvermos com nossos irmãos e irmãs nesses diferentes lugares.
Este mapa mostra todas as regiões do mundo com as quais esta pequena assembleia tem contatos e relacionamentos. Isso é bastante impressionante. Tenho certeza de que deixei algumas de fora; se alguém tiver algum contato, me avise, e na próxima vez poderemos incluí-lo.
Temos contatos por toda a América do Norte, América do Sul, Europa, Rússia, China, Índia, Papua-Nova Guiné, Bornéu, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Iêmen e Bahrein.
Agradecemos ao Senhor pela maneira como Ele nos permite ter esses diferentes contatos. Por que Ele nos deu esses contatos? Para que permitamos que eles nos expandam, nos ampliem e nos ajudem a ver Sua grande obra, dando-nos maior capacidade para a oração.
Ele deseja que Sua casa seja uma casa de oração para todas as nações. Enquanto somos treinados nessa escola de oração, enquanto nos entregamos a ela, enquanto nos entregamos a essa obra de oração, que permitamos que Ele nos mostre a imensidão Dele mesmo e do Seu coração.
Que Ele nos permita enxergar além dos nossos pequenos mundos, contemplando a grandeza daquilo que está fazendo. Somos muito gratos ao Senhor por tão grande salvação. Somos gratos ao Senhor por Sua grande obra.
Que Ele use até mesmo o que compartilhamos hoje para nos permitir ver como deseja que entremos na plenitude da Sua vida. Se temos estado desequilibrados individualmente, que Ele nos conduza ao equilíbrio acrescentando mais de Si mesmo.
À medida que diminuímos e Ele aumenta, a plenitude do Seu coração e da Sua vida se manifesta, e vemos o maravilhoso testemunho da Sua vida. Então, vamos orar.
Senhor, nós Te adoramos hoje. Nós Te agradecemos, Senhor, pela maneira como nos chamaste com uma vocação tão santa. Tu nos separaste, Senhor, para uma obra tão grande.
Senhor, confessamos que tantas vezes Te limitamos por causa da nossa própria pequenez. Mas simplesmente desejamos que, enquanto estás trabalhando na vida de cada um de nós, também possamos ter os olhos do nosso coração iluminados para ver a grandeza da obra que tens realizado ao longo das gerações, que estás realizando agora e que realizarás até a Tua volta.
Ajuda-nos, Senhor, para que sejamos aqueles que apressam a Tua volta. Em nome de Jesus, amém.