Por favor, abram em Filipenses, capítulo 3 — a carta aos Filipenses, capítulo 3. Apenas um versículo: Filipenses 3:15.
Estou lendo uma nova tradução, então ela pode ser um pouco diferente da de vocês, mas o conteúdo é o mesmo.
Todos, pois, quantos somos perfeitos, tenhamos este mesmo sentimento; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também isto Deus vos revelará.
— Filipenses 3:15
Abram também em Gênesis 17:1.
Sendo Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda perante Mim e sê perfeito.
— Gênesis 17:1
E em Mateus 5:48.
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
— Mateus 5:48
Agora, Hebreus 6:1-3.
Pelo que, deixando a doutrina dos princípios de Cristo, prossigamos para a perfeição; não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus,
da doutrina dos batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.
E isto faremos, se Deus o permitir.
— Hebreus 6:1-3
Finalmente, Hebreus 13:20-21.
Ora, o Deus de paz, que pelo sangue de uma aliança eterna tornou a trazer dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus,
vos aperfeiçoe em todo bem, para fazerdes a Sua vontade, operando em nós o que é agradável aos Seus olhos, por Jesus Cristo; a Quem seja a glória para todo o sempre. Amém.
— Hebreus 13:20-21
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Querido Pai celestial, nós nos reunimos em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus. Cremos que Tu estás aqui conosco. Estamos em solo santo. Desejamos tirar os nossos sapatos, por assim dizer, e ouvir o que Tu tens a nos dizer.
Estamos todos aqui. Fala, ó Senhor; os Teus servos ouvem. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Enquanto eu estava diante do Senhor, perguntando a Ele o que deveríamos ouvir juntos nesta ocasião, senti que talvez fosse da parte do Senhor ouvirmos juntos sobre esta questão da perfeição cristã.
Sabemos que este é um assunto muito negligenciado. É também um assunto muito mal compreendido.
Cremos que a perfeição cristã é a vontade de Deus. Ela tem muito a ver com o propósito eterno de Deus. Mas o inimigo sabe como a perfeição cristã é importante; por isso, vocês veem como ele tenta, de todas as maneiras, causar confusão a respeito desse assunto.
Entre o povo de Deus hoje, ou nunca ouvimos falar da perfeição cristã e da possibilidade de haver perfeição cristã nesta terra, ou ouvimos falar dela, mas estamos muito confusos. As pessoas realmente não sabem o que é a perfeição cristã.
Por isso, precisamos esperar no Senhor, para que Ele esclareça essa questão para nós e nos faça compreender o Seu pensamento, a fim de que possamos não apenas conhecer, mas também entrar na realidade da perfeição cristã.
Agora, o que não é perfeição cristã? Em primeiro lugar, a perfeição cristã não é perfeição sem pecado.
Há somente Um que é perfeito e sem pecado: nosso Senhor Jesus. Além do nosso Senhor Jesus, não há ninguém, ao longo de todas as eras da história da humanidade — nem mesmo uma pessoa — que seja perfeito e sem pecado.
Nascemos em pecado e temos pecado. Somente o Senhor Jesus é perfeito e sem pecado. Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Quando nosso Senhor Jesus nasceu, Ele foi chamado de Santo, porque nasceu pela ação do Espírito de Deus, que envolveu com Sua sombra o ventre de uma virgem.
Nosso Senhor Jesus não herdou a natureza pecaminosa da raça adâmica. Durante toda a Sua vida, Ele nunca conheceu o pecado. Não apenas nunca cometeu pecado, mas nunca conheceu o pecado. Ele sempre foi obediente ao Seu Pai.
Por ser perfeito e sem pecado, Ele estava qualificado para ser feito pecado por nós. Portanto, irmãos e irmãs, em primeiro lugar, não estamos falando de perfeição sem pecado.
Em segundo lugar, a perfeição cristã não é a erradicação do pecado.
Sabem, eu fui salvo entre os irmãos do movimento de santidade. Nesse movimento, eles creem que podemos receber uma segunda bênção. Essa segunda bênção consiste em passar por uma experiência, e, por meio dessa experiência, o pecado seria arrancado de nós pela raiz. Daquele dia em diante, nunca mais pecaríamos. Muito bonito.
Mas, se vocês lerem a Palavra de Deus, verão que o pecado, como natureza, reside em nós. Ele não é erradicado; é isolado.
Em Romanos 6:6, lemos:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não mais sermos escravos do pecado.
— Romanos 6:6
Ou, falando com mais precisão, ele fica desempregado — sem emprego —, para que sejamos libertos do pecado, do poder do pecado.
Enquanto vivermos nesta terra, enquanto ainda estivermos neste corpo mortal, o pecado, como natureza, continuará a residir em nós. Mas, graças a Deus, ele está isolado, porque o nosso velho homem foi crucificado com Cristo.
Assim, este corpo está desempregado e precisa ser empregado novamente. Ele é empregado pelo Senhor para a justiça e a santidade.
Por causa da salvação do Senhor, um cristão não é obrigado a pecar. Podemos deixar de pecar; não devemos pecar. Mas isso não significa que não possamos pecar.
Se vocês lerem 1 João, capítulo 2, encontrarão o apóstolo João dizendo:
Estas coisas vos escrevo para que não pequeis.
— 1 João 2:1
Graças a Deus, podemos deixar de pecar. Não somos obrigados a pecar, porque existe a redenção do Senhor.
Mas ele disse:
Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo.
— 1 João 2:1
Um Advogado — um Paráclito —, nosso Senhor Jesus, o Justo, que está diante do Pai. Ele é a nossa propiciação, não apenas por nós, mas pelo mundo inteiro.
Portanto, irmãos e irmãs, mais uma vez vemos que a perfeição cristã não é a erradicação do pecado. Podemos vencer o pecado, mas ele não é erradicado — não até nos revestirmos de um novo corpo, um corpo espiritual.
Agora, em terceiro lugar, a perfeição cristã não está limitada a uns poucos. Em outras palavras, a perfeição cristã não é para uma elite. É para todos os filhos de Deus.
O chamado à perfeição é um chamado a todos os filhos de Deus. Se você é salvo, se nasceu de novo, se é um filho de Deus, você é chamado à perfeição cristã. Esse chamado é universal para todo o povo de Deus.
Muitas vezes, pensamos que a perfeição cristã é apenas para algumas pessoas muito especiais. Pensamos assim porque olhamos para o nosso caminhar, em vez de olharmos para o chamado de Deus.
Quando você olha para o seu caminhar, pensa: “Bem, eu ainda não cheguei lá. É impossível. Talvez alguns santos especiais cheguem; então, a perfeição cristã é para eles. Não é para nós, crentes comuns”.
Mas, irmãos e irmãs, não confundam o chamado com o caminhar. O chamado vem de Deus, e o chamado de Deus é universal. Ele chama todos nós à perfeição, porque o nosso Deus é perfeito. Ele não pode nos chamar a algo inferior ao que Ele é.
Responder ou não ao Seu chamado é nossa responsabilidade. Infelizmente, muitas vezes falhamos em nossa responsabilidade e, por falharmos, dizemos que não fomos chamados. Isso não é verdade. Você foi chamado e, porque foi chamado, vamos responder.
Se vocês lerem a Palavra de Deus no Antigo Testamento, encontrarão em Gênesis 17:1 o relato de quando Abraão tinha noventa e nove anos. Ora, Abraão é o pai da fé, e devemos andar em suas pisadas.
Graças a Deus, pela fé, quando Deus o chamou, ele obedeceu. Saiu de Ur dos caldeus. Seguiu o Senhor sem saber para onde ia, mas sabia que Deus o estava conduzindo. Se vocês lerem o livro de Gênesis, verão como Deus o conduziu pelo caminho da fé.
Em Gênesis, capítulo 15, vocês veem que Deus Se revelou a Abraão e lhe deu grandes promessas. Ele creu em Deus e, por ter crido, isso lhe foi imputado como justiça. Graças a Deus por isso.
Mas, quando chegamos ao capítulo 16, vemos que algo aconteceu. Deus prometeu dar-lhe uma descendência como as estrelas do céu, mas ele não tinha sequer um filho.
Vocês se lembram de como ele esperou conseguir um descendente por meio de Agar e tentou ajudar um pouquinho a Deus a cumprir Sua promessa. Fez isso quando tinha oitenta e seis anos. Teve Ismael.
Mas, depois disso, Deus não lhe dirigiu uma palavra por treze anos. Deus ficou em silêncio com ele, porque ele não estava seguindo o Senhor. Não estava andando de maneira perfeita aos olhos de Deus.
Aqueles treze anos de silêncio foram uma disciplina muito profunda para Abraão. Mas, depois de treze anos, quando ele tinha noventa e nove anos, Deus lhe apareceu e voltou a falar com ele. Deus disse:
Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda perante Mim e sê perfeito.
— Gênesis 17:1
Em outras palavras, isso nos mostra que o pensamento de Deus a respeito de Abraão era a perfeição. Deus não estava satisfeito com Abraão quando ele não andava de maneira perfeita diante Dele.
Mas Deus disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso — El Shaddai. Eu sou o Deus todo-suficiente. Anda perante Mim e sê perfeito”.
Como você pode ser perfeito? Qual é o segredo da perfeição? Lembre-se: o segredo da perfeição não está em você. O segredo da perfeição está em Deus.
Deus disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Lembre-se de que Eu sou o Deus todo-suficiente. Porque Eu sou o Deus todo-suficiente, se você andar diante da Minha face — simplesmente estiver diante de Mim, esperar em Mim, contemplar a Minha face, confiar em Mim —, se fizer isso, você será perfeito”.
Isso é perfeição cristã, irmãos e irmãs.
Se conhecermos a Deus, se soubermos Quem Ele é e estivermos em constante comunhão com Ele — não andando atrás Dele, escondendo-nos Dele, mas andando diante da Sua face —, nós O veremos diariamente. Irmãos e irmãs, Ele nos aperfeiçoará. Ele fará a obra.
Voltemos um pouco. Vocês se lembram de Noé. Se lerem Gênesis, capítulo 6, verão que Noé achou favor aos olhos de Deus. Depois, a Bíblia diz que Noé era perfeito em sua geração.
Primeiro, ele achou favor aos olhos de Deus. Em outras palavras, achou graça diante de Deus. Depois, foi declarado perfeito em sua geração. Então, mais uma vez, encontramos aqui um segredo: o segredo da perfeição é a graça de Deus.
Se você achar graça diante de Deus, será perfeito.
Essa perfeição era em sua geração; em outras palavras, de acordo com a luz que uma pessoa tem em seu tempo. Isso não nos diz que se trata de perfeição sem pecado.
Noé era um homem perfeito, perfeito aos olhos de Deus, mas não era uma perfeição sem pecado. Na verdade, vemos mais adiante que ele se embriagou.
Mas ele achou graça aos olhos de Deus e era perfeito em sua geração, de acordo com a luz que tinha em seu tempo.
Portanto, irmãos e irmãs, como podemos ser perfeitos diante de Deus? Conhecendo a graça de Deus, obedecendo à luz que Deus nos deu e andando nela.
Deus é luz; Ele habita na luz.
Se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
— 1 João 1:7
Outra pessoa: pelo que sabemos, o livro de Jó foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito. Jó viveu no tempo dos patriarcas. Nem sequer era judeu; na verdade, vivia em Edom, na terra de Uz.
Mas, se vocês lerem o livro de Jó, verão que a Bíblia diz que Jó era perfeito e reto. Ele temia a Deus e se desviava do mal.
Ele era considerado perfeito diante de Deus em sua geração. Por quê? Porque temia a Deus e se desviava do mal.
Não diz que ele era perfeito e sem pecado. Não diz que as raízes do pecado haviam sido erradicadas nele e que, por isso, não podia mais pecar. Não; diz apenas que ele temia a Deus e se desviava do mal.
Agora, se vocês quiserem ouvir o que Jó disse a respeito de si mesmo, abram em Jó 9:20-21.
Ainda que eu seja justo, a minha própria boca me condenará;
ainda que eu seja perfeito, ela me declarará perverso.
Sou perfeito; não faço caso de mim mesmo;
desprezo a minha vida.
— Jó 9:20-21
Em outras palavras, Jó sabia muito bem que, se ele se considerasse perfeito, Deus poderia demonstrar que ele era perverso. Por isso, ele não se considerava perfeito; no entanto, Deus disse que ele era perfeito, porque temia a Deus e se desviava do mal.
Vamos usar outra ilustração: Davi. Davi era um homem segundo o coração de Deus. Mas Davi era perfeito — perfeito e sem pecado? Todos sabiam que não.
No entanto, Davi falou sobre perfeição. Se vocês lerem Salmos 37:37 — é fácil de lembrar —, encontrarão:
Observa o homem perfeito e considera o reto;
porque o fim desse homem é a paz.
— Salmos 37:37
Davi era um homem segundo o coração de Deus. Ele conhecia o que estava no coração de Deus; por isso, disse:
Observa o homem perfeito e considera o reto;
porque o fim desse homem é a paz.
— Salmos 37:37
Agora, abram em Salmos 138:8. É quase uma oração de Davi a respeito dessa questão da perfeição.
O Senhor aperfeiçoará o que me concerne;
a Tua misericórdia, ó Senhor, dura para sempre;
não abandones as obras das Tuas mãos.
— Salmos 138:8
Em outras palavras, Davi cria que Deus o aperfeiçoaria. É a bondade amorosa de Deus que o aperfeiçoa. É a obra de Deus que o aperfeiçoa.
Em outras palavras, a perfeição é obra de Deus. Por causa da Sua misericórdia, por causa da Sua bondade amorosa, Ele aperfeiçoará você para o louvor da Sua glória.
Agora, se vocês forem ao Novo Testamento, naturalmente, em Mateus 5:48, nosso Senhor Jesus disse:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
— Mateus 5:48
Se isso não é perfeição cristã, o que é? A quem o Senhor dirige essas palavras: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”?
Se vocês lerem Mateus, capítulo 5, verão que o Senhor Jesus subiu ao monte e Se assentou. Seus discípulos se aproximaram Dele, e Ele abriu a boca e proferiu o que chamamos de Sermão do Monte.
Em outras palavras, essas palavras foram dirigidas aos discípulos. Não foram dirigidas à multidão. As multidões vieram e ouviram o que o Senhor dizia aos Seus discípulos, mas essas palavras foram dirigidas diretamente aos discípulos, porque somente os discípulos são capazes de ouvi-las.
Se você não é um discípulo de Cristo, ao ouvir essas palavras e tentar imitá-las, tentar praticá-las, descobrirá que é impossível. Você não consegue; elas o condenam.
Mas, se você é um discípulo de Cristo, descobrirá que existe essa possibilidade. Por isso, o Senhor Jesus disse:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
— Mateus 5:48
Sabem, a perfeição segue o caráter de Deus. Porque o nosso Deus, o nosso Pai, é perfeito, nós também devemos ser perfeitos.
A perfeição aqui não diz respeito à divindade. Espero que deixemos isso muito claro desde o início: não significa que devemos ser tão perfeitos a ponto de nos tornarmos divinos.
Somos sempre seres humanos. Graças a Deus, somos seres humanos. Não tente ser um anjo. Você é um homem, uma mulher, um ser humano, e por toda a eternidade seremos seres humanos.
Fomos criados à imagem do próprio Deus; isso é superior aos anjos. Mas nunca nos tornamos divinos. Lembrem-se: Deus é sempre Deus, e nós somos sempre humanos.
Mas precisamos ser perfeitos como o nosso Pai celestial é perfeito. Em que sentido? Isso significa que devemos ter o mesmo caráter do nosso Pai, porque somos Seus filhos. Nascemos com a Sua vida. Sua vida está em nós.
Portanto, precisamos que essa vida se desenvolva em um caráter semelhante ao de Deus.
Deus ama o homem bom e ama o homem mau. Ele dá chuva ao bom e ao mau. Faz o sol brilhar sobre o mau e sobre o bom. Em outras palavras, ali está o amor de Deus.
Assim, o Senhor disse que devemos ser perfeitos em amor, como o nosso Pai celestial é perfeito em amor. Ele Se preocupa com a nossa conduta, com o nosso caminhar e com o nosso caráter cristão. Precisamos desenvolver o nosso caráter cristão para sermos perfeitos como o nosso Pai celestial é perfeito.
Vocês se lembram de um jovem em Mateus, capítulo 19, um jovem que exercia autoridade — um bom jovem. Não se encontra isso hoje em dia.
Ele correu até o Senhor. Ajoelhou-se diante Dele, no meio da multidão, e disse: “Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?”.
A Bíblia diz que o Senhor olhou para ele e o amou. Ele era uma raridade, mesmo naquela época e, naturalmente, também hoje: um jovem desejoso de ter a vida eterna.
Por desejar tanto a vida eterna, ele não teve vergonha de se ajoelhar diante do Senhor e pedir que o Senhor o ensinasse. Era um bom jovem.
Então, o Senhor disse: “Por que você Me chama de bom? Há somente Um que é bom: Deus. Deus é o único que é bom. Você não é bom. Não pense que é bom. Você não é. Somente Um é bom”.
Mas ele estava confuso. Pensava que a vida eterna era algo que se conquistava e que, fazendo o bem, poderia merecer a vida eterna.
Então, o Senhor lhe disse: “Bem, se você realmente quer ser bom, guarde os mandamentos”. Ele respondeu: “Mas quais mandamentos?”.
O Senhor lhe apresentou a segunda tábua de pedra, não a primeira. A primeira tábua contém os quatro mandamentos que dizem respeito ao nosso relacionamento com Deus. Mas o Senhor lhe apresentou os mandamentos que diziam respeito ao seu relacionamento com os seres humanos, porque isso era algo que ele podia compreender.
Ele disse: “Desde a infância tenho guardado todos eles”. Sim, ele os guardava na letra, mas não no espírito. Por isso, quando o Senhor o confrontou com o espírito dos mandamentos, ele teve de se retirar triste, porque não havia amado o próximo como a si mesmo.
O Senhor disse: “Está bem, você é bom. Agora, deixe-Me dizer o que é ser bom. Se você quer ser perfeito…” Lembrem-se: ele perguntou ao Senhor sobre o bem, e o Senhor disse: “Se você quer ser perfeito”, porque a perfeição é o bem.
“Se você quer ser perfeito, venda tudo o que tem” — porque o Senhor sabia que ele amava demais o dinheiro. “Dê aos pobres, guarde o espírito dos mandamentos e venha seguir-Me.”
Isso não significa que, se ele desse seus bens aos pobres, seria perfeito. Não; isso era para remover a barreira: “Venha seguir-Me”.
Em outras palavras, para o homem é impossível; para Deus, todas as coisas são possíveis. Portanto, irmãos e irmãs, se vocês querem ser perfeitos, isso é impossível por vocês mesmos, mas é possível para Deus.
Não pense que você pode aperfeiçoar a si mesmo. Pode tentar aperfeiçoar a si mesmo; mas irá embora triste, como aquele jovem. Contudo, graças a Deus, se você simplesmente confiar na Sua graça, Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que você pode até mesmo imaginar. Ele é poderoso.
Sabem, se vocês lerem a carta aos Coríntios, em 1 Coríntios 2:6, Paulo diz:
Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos.
— 1 Coríntios 2:6
Do versículo 1 ao versículo 5, Paulo disse: “Quando estive entre vocês, decidi não saber coisa alguma entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e Ele crucificado”.
“Não vim com palavras floreadas ou grande sabedoria, por assim dizer. Apresentei a vocês, com simplicidade, temor e tremor, Jesus Cristo, e Ele crucificado. Nada mais soube entre vocês.”
Então, no versículo 6, ele mudou de repente. Disse:
Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos.
— 1 Coríntios 2:6
Naturalmente, se vocês lerem a descrição dessa sabedoria, saberão que ele está falando da igreja. Essa é a sabedoria de Deus.
Mas ele disse: “Entre os perfeitos, falamos sabedoria”. Em outras palavras, há pessoas que são perfeitas — que são consideradas perfeitas.
Talvez, ao lerem 1 Coríntios, vocês digam: “Bem, provavelmente são os presbíteros, não todos os crentes”. Mas, se forem a 2 Coríntios, capítulo 13, quando Paulo concluiu a carta, ele disse:
Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos; sede aperfeiçoados.
— 2 Coríntios 13:11
Em outras palavras, ele disse: “Sejam aperfeiçoados, irmãos” — cada irmão, cada irmã, porque as nossas irmãs são irmãos do sexo feminino. Sabem, irmãos do sexo masculino e irmãos do sexo feminino: somos todos irmãos. Irmão, seja perfeito. Isso é para todos.
Leiam Hebreus, a carta aos Hebreus, capítulo 6. Vocês encontrarão o autor dizendo: “Vocês, santos irmãos, que receberam esse chamado celestial, agora é hora de deixar os princípios da Palavra e prosseguir para a perfeição — o pleno crescimento”.
Não permaneçam apenas no fundamento. O fundamento precisa ser lançado, mas, depois de lançado, vocês precisam edificar sobre ele e avançar para o pleno crescimento.
Portanto, irmãos e irmãs, se vocês lerem a Bíblia, seja o Antigo ou o Novo Testamento — estou dando apenas algumas ilustrações —, verão que a perfeição é o que Deus busca em vocês.
A perfeição se fundamenta no próprio Deus. Porque Deus é perfeito, como vocês podem imaginar que Ele nos chamaria à imperfeição? Isso contradiz o próprio caráter de Deus. Ele nos ama tanto! Ele quer que sejamos semelhantes a Ele.
Agora, o que é a perfeição cristã?
Há várias palavras em grego para essa palavra, perfeito, mas penso que mencionar duas será suficiente, porque são as duas principais.
Uma delas é teleios — T-E-L-E-I-O-S. A palavra teleios significa plenamente desenvolvido, maduro, completo, íntegro.
Quando aplicada a um cristão, significa maturidade cristã.
Há outra palavra: katartizō — K-A-T-A-R-T-I-Z-O. Significa consertar, como consertar as redes; ou, quando os ossos estão fora do lugar, colocá-los novamente em posição. Significa equipar, preparar ou deixar pronto.
Quando aplicada a um cristão, significa capacitação espiritual.
Ao compararmos essas duas palavras, teleios se refere à experiência cristã e à vida cristã, enquanto katartizō se refere ao serviço cristão.
Teleios se refere à maturidade cristã em relação ao caráter. Katartizō se refere à capacitação cristã: somos equipados para o serviço.
Assim, no Novo Testamento, essas duas palavras principais são traduzidas como “perfeito”. Ou a palavra se refere ao caráter — isto é, você está amadurecendo e se revestindo do caráter de Cristo —, ou se refere a ser equipado com dons espirituais para servir ao Senhor de acordo com a Sua vontade.
Esse é o sentido da palavra perfeito. Portanto, perfeição não significa perfeição sem pecado. Significa ser maduro e estar equipado.
Quando cremos no Senhor Jesus, nascemos de novo. Nascemos do alto.
Mas, irmãos e irmãs, quando nascemos fisicamente, somos bebês. Não somos como Adão. Quando ele foi criado, foi criado como um homem plenamente desenvolvido. Não passou pela fase de bebê, pela infância e pela adolescência.
Mas, com exceção de Adão, todos nós nascemos como pequenos bebês. Até o nosso Senhor nasceu como um pequeno bebê. Graças a Deus, Ele passou pela fase de bebê e pela infância.
Assim, espiritualmente, quando nascemos de novo, irmãos e irmãs, não se esqueçam: somos bebês em Cristo. Temos uma nova vida. Temos a vida de Deus. Temos a vida de Cristo em nós. Há um potencial tão grande aí!
Mas, quando nascemos, somos apenas bebês. Ora, os bebês são lindos. Todos amam os bebês. Não há um bebê que não seja lindo.
Mas ser bebê não é o propósito da vida. O propósito da vida é chegar à maturidade como homem ou mulher. Se alguém permanecesse bebê depois de trinta anos, todos balançariam a cabeça. Que coisa feia!
Espiritualmente, é a mesma coisa. Quando nascemos, somos bebês em Cristo, mas permanecer assim não é a vontade de Deus.
A vontade do nosso Pai celestial é que cresçamos até a maturidade, como homens e mulheres, para sermos conformados à imagem do Seu Filho amado. Essa imagem se refere ao caráter. Essa é a vontade de Deus.
Irmãos e irmãs, infelizmente muitos crentes ficam muito felizes em ser bebês. Por quê? Porque, enquanto você é bebê, as pessoas precisam cuidar de você. Você não tem responsabilidade alguma.
Mas essa não é a vontade de Deus. Ele quer que cresçamos. Se não crescermos, bem, Ele ainda nos ama; ainda cuida de nós, isso é verdade. Mas como isso O entristece! Isso não cumpre o Seu propósito.
Portanto, vocês precisam crescer. Vejam os crentes de Corinto. Paulo esteve com eles durante um ano e meio. Eles foram tão privilegiados!
Mas, não muito tempo depois de Paulo partir — alguns anos mais tarde —, ele escreveu a primeira carta aos Coríntios. No capítulo 3, Paulo diz: “Quando estive com vocês, tratei vocês como bebês, porque eram bebês. Vocês eram de carne”.
Essa expressão, “de carne”, significa que vocês são feitos de carne; esse é o seu elemento. Eu gostaria de usar outra palavra: vocês são carnosos.
Sabem, um bebê é muito carnoso. Por quê? Porque, à meia-noite, quando sente fome, ele não se importa com o seu sono. Ele vai chorar. Não vai parar até que você o alimente. Muito carnoso.
Vocês veem que ele simplesmente se expõe, mostrando o que é. Não há fingimento. Quanto mais você cresce, mais fachada apresenta. Mas um bebê é simplesmente carnoso — todo carne.
Quando você é um bebê em Cristo, é assim. Não há disfarce. Se não está satisfeito com os seus irmãos e irmãs, você diz o que pensa. Se não está satisfeito com o que estou falando, levanta-se e vai embora.
É permitido que vocês sejam assim, de carne, por certo período. Não se pode esperar que crentes recém-nascidos sejam plenamente maduros. É preciso dar-lhes algum tempo para crescer.
Mas, depois de alguns anos, Paulo diz: “Vocês ainda são carnais”. Vocês ainda são de carne. Isso já não se refere apenas ao material de que são feitos; há uma conotação moral nisso.
Em outras palavras, depois de alguns anos, vocês já deveriam ter superado essa carnalidade. Já deveriam saber levar a carne à cruz. Mas continuam vivendo na carne, como as pessoas do mundo.
Ainda é preciso dizer a vocês que não estão exercitados espiritualmente para discernir as coisas mais excelentes. Isso está muito errado — muito errado.
Se vocês lerem o livro de Hebreus, encontrarão a mesma coisa. O autor de Hebreus, no capítulo 5, nos diz: “A esta altura, vocês já deveriam ser mestres. Deveriam ser capazes de ajudar os outros. Mas ainda precisam ser alimentados com leite. Não conseguem digerir alimento sólido”.
O alimento sólido é para os adultos, mas o leite é para os bebês. Ora, o que é o leite? O leite é alimento previamente digerido. Sua mãe digere o alimento, e ele se torna leite para você.
Assim, vocês estão tão fracos que não conseguem assimilar alimento sólido. Precisam de leite para se alimentar. Não conseguem receber alimento sólido. Seus sentidos espirituais não estão exercitados, e isso está muito errado.
Por isso, o autor disse que vocês deveriam deixar o fundamento — não no sentido de abandoná-lo, mas de avançar além dele. Edifiquem sobre o fundamento e prossigam para o pleno crescimento, para a perfeição.
Portanto, irmãos e irmãs, esse não é o chamado de Deus a cada um de nós? Somos chamados à perfeição cristã. Somos chamados a crescer até a maturidade. Somos chamados a ser equipados para o serviço. Isso é para todo crente. Essa é a vontade de Deus.
Há algum perigo na perfeição cristã? Como saber se você já chegou ou ainda não chegou?
Por um lado, vemos Paulo dizer em 1 Coríntios: “Entre os perfeitos”. Deve haver pessoas que são perfeitas. Mas, por outro lado, como sabemos se podemos ser considerados entre os perfeitos? Existe um padrão?
Meus irmãos e irmãs, meditei nisso. Esperei no Senhor e apenas apresento esta proposta a vocês. Espero que pensem a respeito. Se for da parte do Senhor, aceitem; se não for, rejeitem.
Mas é assim que sinto diante do Senhor: sinto que a perfeição cristã é tanto absoluta quanto relativa.
A perfeição cristã tem um padrão absoluto, porque Deus é o padrão.
A Bíblia diz:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
— Mateus 5:48
Vocês conseguem pensar em Deus como alguém que não seja absolutamente perfeito?
Ele é perfeito em amor, perfeito em misericórdia, perfeito em beleza, perfeito em pureza, perfeito em santidade, perfeito em justiça — perfeito em tudo. Ele é perfeito.
Porque Ele é o padrão, eu realmente creio que existe um padrão de perfeição. Existe um padrão.
Mas vocês se lembram do apóstolo Paulo em Filipenses, capítulo 3. Ele disse: “Não posso dizer que já cheguei”.
“Oh, como desejo alcançar aquilo para o que fui alcançado por Ele! Deus tem um propósito para a minha vida. Deus quer que eu seja perfeito como Cristo, e como desejo ser semelhante a Cristo!”
“Mas ainda não alcancei. Eu prossigo. Esqueço o que fica para trás e me estendo em direção ao alvo, à vocação celestial, ao prêmio que está no alto.”
Irmãos e irmãs, Paulo já estava preso em Roma quando escreveu essa carta — um cristão maduro, tão maduro que havia ajudado muitas, muitas pessoas. Ainda assim, ele disse: “Não, ainda estou prosseguindo”.
Quando você vê a perfeição tendo Deus como alvo, está a caminho. Nunca chega ao fim.
Você não chegará ao fim apenas nesta vida, durante o seu tempo aqui; mesmo na eternidade, nunca chegará ao fim. Todo o fascínio da eternidade jamais perderá o brilho.
Na eternidade, a revelação virá tão rapidamente — não como hoje. Sabem, nossa revelação talvez venha uma vez na vida, tão lentamente, e é sempre limitada.
Mas, na eternidade, a luz virá com pleno brilho e com tamanha velocidade; ainda assim, será necessária a eternidade para conhecer a Deus. Você continuará a conhecê-Lo. Continuará no caminho da perfeição — sem nunca chegar ao fim.
Bem, esse é o fascínio de ser cristão: nunca chegar ao fim, sempre prosseguir, sempre ter algo à frente. Você pensa que está no ponto certo, olha para cima, e Ele está adiante; então, precisa correr atrás Dele.
Assim, quando vemos que há um aspecto absoluto na perfeição, irmãos e irmãs, o maravilhoso é que estamos sempre prosseguindo. Isso não é bom?
Por outro lado, a perfeição cristã é relativa. Ao dizer relativa, quero dizer que existe um ponto ao qual vocês chegarão.
Quando você é salvo e procura seguir o Senhor, começa a crescer. Ao crescer até certo ponto, parece que você atravessa um limiar. Quando atravessa esse limiar, passa a ser considerado entre os perfeitos.
Os que estão entre os perfeitos não são absolutamente perfeitos — nunca. Mas Paulo disse que há pessoas entre os perfeitos porque elas atravessaram esse limiar.
Agora, qual é esse limiar? Deixem-me usar outra ilustração.
Vocês se lembram dos filhos de Israel. Eles estavam no Egito como escravos, mas Deus os libertou do Egito.
Qual era o propósito de Deus? O propósito de Deus era levá-los a Canaã, não apenas tirá-los do Egito. Naturalmente, se você está no Egito, nunca estará em Canaã. Mas sair do Egito é para entrar em Canaã. Esse é o propósito de Deus.
Deus nunca deseja que sejamos apenas libertos do pecado, do mundo. Deus quer nos libertar para nos levar à plenitude de Cristo.
Mas, quando os filhos de Israel estavam no Egito, não conheciam a si mesmos. Por isso, Deus lhes deu os Dez Mandamentos, a lei, para demonstrar — não a Deus, mas a eles mesmos — que, por si próprios, era impossível.
Eles disseram: “Tudo o que Deus ordenar, nós faremos”, movidos por seu zelo — sinceros, mas enganados.
Durante quarenta anos, peregrinaram no deserto. Aqueles quarenta anos serviram para revelar a eles quem eram. Eram carne. Embora tivessem sido libertos do Egito, em si mesmos ainda eram carne.
Mas então, na Sua misericórdia, Deus os levou a Canaã — uma nova geração. Eles atravessaram o rio Jordão e, depois de atravessá-lo, estavam em Canaã.
Quando estavam no deserto, Deus fazia chover maná dia após dia para sustentar suas vidas durante quarenta anos. Quando atravessaram o Jordão e se estabeleceram ali, o maná cessou, porque começaram a comer os grãos armazenados da terra.
Vocês veem a diferença? Em certo sentido, depois de atravessarem o rio Jordão, eles foram considerados entre os perfeitos. Mas precisavam aprender a tomar posse daquilo que lhes pertencia.
A possibilidade estava ali. Eles podiam possuir a terra. Não podiam possuí-la enquanto estavam no deserto, mas agora podiam, porque já estavam na terra.
Portanto, irmãos e irmãs, usando isso como ilustração, estou pensando no seguinte: existe um limiar em nossa vida espiritual que precisamos atravessar para andar no caminho dos perfeitos? Creio que sim.
É Romanos 6:6.
Irmãos e irmãs, o que é o rio Jordão? O rio Jordão é morrer juntamente com Cristo.
Há o mar Vermelho, mas vemos que foi a Palavra de Deus que dividiu o mar, e eles passaram por ele. Pelo poder de Deus, foram libertos da morte para a vida.
Mas o rio Jordão é diferente. A arca passou à frente deles, e a arca fala de Cristo.
Em outras palavras, no batismo há o mar Vermelho, simbolizando que somos batizados em Cristo. No rio Jordão, somos batizados em Sua morte. Portanto, há ali uma morte juntamente com Ele.
Embora sejamos salvos, ainda há o nosso velho homem. Por dentro está o novo homem, mas por fora está o velho homem. Por dentro está Cristo, mas por fora estamos nós mesmos.
Por causa disso, somos impedidos de alcançar a perfeição. Portanto, precisamos chegar a um ponto em que comecemos a reconhecer que não há bem algum em mim — isto é, na minha carne.
Não tentem sequer ser bons, guardar os mandamentos, porque já tentamos e não conseguimos. Então começamos a compreender o que Cristo fez por nós.
Ele sabia disso muito antes de nós. Sabia que não havia bem algum em nós. Por isso, quando morreu, tomou o nosso velho homem — tomou a nós — e nos crucificou com Ele na cruz.
Meus irmãos e irmãs, nós não cremos nisso. Pensamos que somos bons demais para ser crucificados.
Então, depois de sermos salvos, tentamos usar o nosso velho homem, a nossa velha energia, para servir a Deus e guardar os Seus mandamentos, até chegarmos a um ponto em que vemos que não há bem algum em nós.
Deus já nos crucificou com Cristo há dois mil anos, mas esse homem morto ainda está tentando.
Então, um dia, percebemos: “Fomos crucificados com Cristo. Já não sou eu; é Cristo Quem vive em mim”. Desisti de mim mesmo.
Quanto a mim mesmo e à minha própria capacidade de servir a Deus, estou morto, sepultado, fora de vista. É Cristo Quem vive em mim. Olho para Ele. Ele vive por meio de mim.
Irmãos e irmãs, quando vocês chegam a isso, atravessam o limiar. Estão entre os perfeitos, porque o caminho da perfeição agora está inteiramente aberto para vocês.
Sabem, muitos crentes não crescem. Por quê? Porque estão todos parados ali. Saíram do Egito, mas não atravessaram o Jordão.
São como as duas tribos e meia que ficaram do lado oriental do Jordão. Nunca estão na terra.
Portanto, irmãos e irmãs, como precisamos pedir ao Senhor que realmente nos mostre que Cristo não apenas levou os nossos pecados na cruz, para que fossem perdoados, mas também levou você e eu na cruz.
Assim, já não sou eu, já não é você; agora é Cristo. Vocês creem nisso?
Se vocês creem nisso, se permanecem firmes nessa verdade, atravessam o limiar. O caminho da perfeição está inteiramente aberto para vocês. Agora estão no caminho do crescimento.
Irmãos e irmãs, o que é a vida cristã? O que é o serviço cristão? A vida cristã nada mais é do que a perfeição cristã.
A vida cristã é ser conformado à imagem de Cristo. A vida cristã é crescer em Cristo. A vida cristã é revestir-se do caráter de Cristo. Isso é a vida cristã: ser perfeito em Cristo.
Em Colossenses, capítulo 1, encontramos Paulo dizendo:
O mistério que esteve oculto desde os séculos e as gerações, mas agora foi manifestado aos Seus santos,
aos quais Deus quis dar a conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios: Cristo em vós, a esperança da glória.
— Colossenses 1:26-27
Esse é o mistério: Cristo em vocês, a esperança da glória. Cristo está em vocês? Aí está. Portanto, há esperança.
A esperança é algo futuro. Você ainda não a alcançou, mas há uma esperança. Por que essa esperança é a glória? O que é a glória? Deus é glória. Ser conformado à imagem de Cristo: isso é glória.
Por isso, ele diz: “Cristo em vós, a esperança da glória”. Agora, ouçam com atenção:
A Quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.
— Colossenses 1:28
Esse é o propósito de Deus: Cristo em vocês, a esperança da glória; todo homem perfeito em Cristo. Isso é a vida cristã.
Depois, em Colossenses, capítulo 2, Paulo fala da grande luta que tem pelos crentes, para que seus corações sejam encorajados, unidos em amor, e alcancem todas as riquezas da plena certeza do entendimento, o pleno conhecimento do mistério de Deus, em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.
Mais uma vez, vemos que todo o trabalho de Paulo visa levar os santos a essa perfeição em Cristo Jesus.
Vocês se lembram de Efésios, capítulo 4. Deus deu dons à igreja para equipar os santos, para aperfeiçoar os santos — para amadurecê-los e capacitá-los.
Eles são levados a exercer sua função para a obra do ministério, para a edificação do Corpo em amor.
Portanto, quer pensemos na maturidade cristã na vida, quer pensemos na capacitação cristã no serviço, encontramos a mesma coisa: nosso alvo, o propósito de Deus, é que sejamos perfeitos. Esse é o nosso chamado.
Portanto, irmãos e irmãs, nesta tarde eu gostaria apenas de apresentar isto a vocês: vocês têm um chamado maravilhoso. Cada um de vocês é chamado à perfeição cristã — à maturidade na vida e a ser equipado com dons para o serviço de Deus.
Se Deus permitir, amanhã à tarde gostaríamos de ouvir juntos sobre o caminho para a perfeição cristã. Mas espero realmente que vocês orem muito, para que o Senhor nos mostre como podemos entrar nessa realidade da perfeição cristã, porque creio que ela é a vontade de Deus.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, reconhecemos que as palavras humanas só podem encobrir o Teu pensamento.
Pedimos que Tu, pelo Teu Espírito, leves a Tua Palavra ao coração de todos os irmãos e irmãs, criando em nós um desejo pela perfeição cristã.
Ó Senhor, Tu és o único que pode fazer isso. Apenas pedimos que, se isso agradar ao Teu coração, Tu o faças em cada um de nós.
Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.