Bem, nesta manhã, temos de concluir estes estudos em Ezequiel. E creio que não podemos fazer melhor do que ir diretamente ao final do próprio livro.
E o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali.
Podemos colocar ao lado dessas palavras algumas palavras de Efésios.
Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus;
edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular;
em Quem cada edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor;
em Quem também vós sois juntamente edificados para habitação de Deus no Espírito.
— Efésios 2:19-22
Efésios 3:17-21:
Para que Cristo habite, pela fé, em vossos corações; a fim de que, arraigados e fundamentados em amor,
possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade;
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós,
a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
— Efésios 3:17-21
E o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali.
— Ezequiel 48:35
Esta é a finalidade para a qual convergem todas as obras de Deus. Tudo o que temos neste livro aponta para essa única finalidade.
E essa finalidade é a presença de Deus em plenitude e de maneira definitiva. O propósito de Deus é que Ele encha todas as coisas. Portanto, o resultado final é este: o Senhor está ali.
Agora, há algo muito específico que essas palavras nos dizem. Para que esse objetivo seja alcançado, Deus precisa poder confiar-Se ao homem sem receio.
Era isso que Deus queria fazer no princípio. Está perfeitamente claro, no início do livro de Gênesis, que Deus queria confiar-Se ao homem. Ele queria estar com o homem. Queria colocar todos os Seus interesses nas mãos do homem, confiar-Se ao homem.
Isso é absolutamente essencial para que o propósito final de Deus seja alcançado.
Era isso que o Senhor Jesus queria fazer, mas constatou que não podia. Vocês conhecem as palavras de João 2:23-25.
Estando Ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos creram em Seu nome, vendo os sinais que Ele fazia.
Mas Jesus não Se confiava a eles, porque conhecia a todos;
e porque não precisava que alguém desse testemunho acerca do homem, pois Ele próprio sabia o que havia no homem.
— João 2:23-25
Jesus constatou que não podia confiar-Se ao homem. Em Seu Filho, Deus não podia confiar-Se ao homem. Portanto, não podia permanecer com o homem.
Ele terá de criar as condições que sejam adequadas a Si mesmo. Deus terá de criar as condições que não O envolvam no estado desordenado do homem.
Então, vejam, isso pode explicar muita coisa.
Por exemplo, em todo o mundo há oração por avivamento. Isso acontece há anos. Por que Deus demora?
Pode ser que Ele não possa confiar-Se ao homem. Não possa envolver-Se com o homem e com os seus caminhos. Quer isso seja verdade ou não nessa situação específica, é verdade como princípio estabelecido de Deus.
Ele não Se confiará àquilo que procede do homem. Ele exige condições que sejam adequadas a Si mesmo. Seria perigoso para o próprio Deus confiar-Se ao homem.
Desde o princípio, Satanás sempre tentou colocar o homem como obstáculo no caminho de Deus. O homem foi criado precisamente para este propósito: que Deus estivesse com ele. E Satanás fez do homem o maior impedimento para Deus.
Portanto, Deus não pode confiar-Se a esse tipo de homem. Assim, foi o homem que tornou perigoso para Deus confiar-Se a ele.
Ele sabia o que havia no homem. Não precisava que ninguém Lhe dissesse o que havia no homem. Ele não podia nem queria confiar-Se ao homem.
É por isso que, exatamente nesse ponto, surge toda a questão do novo nascimento. Não deveria haver uma divisão entre os capítulos 2 e 3 do Evangelho de João. O texto deveria prosseguir sem interrupção: Jesus não Se confiava ao homem; portanto, é necessário nascer de novo.
Aconselho vocês a simplesmente riscarem esse número 3 que indica o capítulo. Não, não — o texto deveria continuar sem interrupção. Ali está o homem a quem Jesus não Se confiará; portanto, ele precisa nascer do alto.
Assim, a grande questão que agora temos diante de nós é esta: A que Deus Se confiará?
Todo o livro de Ezequiel é a resposta a essa pergunta.
Em primeiro lugar, a resposta é dada de maneira negativa. Deus não Se confiará àquilo em que Satanás tem lugar.
Satanás havia conquistado um lugar na nação de Israel e nas nações ao redor. Por isso, a glória se retira e vai para fora. Deus não Se confiará àquilo em que Satanás tem lugar.
Satanás e suas obras precisam ser destruídos antes que Deus Se confie.
Para isto Se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.
— 1 João 3:8
Mas isso não era um fim em si mesmo. Ele Se manifestou para destruir as obras do diabo a fim de abrir caminho para Deus, para que Deus tivesse o Seu lugar e alcançasse o Seu objetivo.
Deus não Se confiará àquilo que não tenha sido julgado em justiça. Agora, lembrem-se de tudo o que dissemos sobre a cruz nessas profecias.
Deus não Se confiará enquanto a nação não tiver sido julgada em justiça. O mesmo se aplica às nações. Enquanto isso não tiver sido feito, vocês não poderão chegar a esse ponto em que o Senhor está ali.
Esse é o lado negativo, ou a resposta negativa, à nossa pergunta.
A que Deus Se confiará? A resposta positiva tem vários aspectos.
Primeiramente, é onde Cristo está do outro lado do juízo.
O Homem no trono representa Cristo do outro lado do juízo. O arco-íris é o símbolo da redenção. No livro de Apocalipse, isso é representado pelo Cordeiro no trono.
O Cordeiro é o Homem, e o Homem é o Cordeiro. Ele está ali, do outro lado do juízo. E essa é a primeira coisa relacionada ao ato de Deus Se confiar.
Digo, e repito: Deus Se confiará onde Cristo estiver do outro lado do juízo. É ali que todo o juízo foi cumprido.
Vocês precisam estudar isso com o Novo Testamento nas mãos. Quando Jesus foi ao Seu batismo, disse a João Batista:
Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça.
— Mateus 3:15
Seu batismo era, como sabemos, uma figura da Sua cruz. A cruz representa o cumprimento de toda a justiça.
Assim, tendo passado pelo juízo, Ele é um novo Homem, além do alcance do juízo. É aí que devemos estar pela fé em Jesus Cristo.
É aí que a igreja está no início da carta aos Efésios. Ela está assentada juntamente com Ele nos lugares celestiais. Essa igreja é vista como estando do outro lado do juízo. Ela foi ressuscitada juntamente com Ele.
É precisamente isso que abre caminho para a glória na igreja. Isso abre caminho para que o próprio Deus venha.
Há outros aspectos disso. É onde Cristo é glorificado.
Deus Se confiará onde Cristo for glorificado e o Espírito for concedido. A concessão do Espírito é Deus confiando-Se, e Ele Se confia com base na glorificação de Jesus.
Onde o homem é glorificado, Deus Se mantém afastado. Nenhuma carne se gloriará em Sua presença. Somente onde Jesus é glorificado é que Deus Se confiará.
Aqui está uma lei de Deus: se Deus há de dar a Si mesmo pelo Seu Espírito, então Jesus precisa ser glorificado. Quando glorificar o Senhor Jesus for o nosso único objetivo, então o Pai virá pelo Espírito.
Há, então, este terceiro aspecto. Deus Se confiará onde Jesus estiver entronizado no governo — onde esse Homem estiver no trono e realmente governar tudo.
Então Deus Se confiará. Onde toda a autoridade confiada ao Seu Filho for reconhecida e aceita, ali Deus Se confiará.
Assim, a autoridade de Satanás foi destruída. É onde se torna realidade a declaração:
Agora será expulso o príncipe deste mundo.
É onde a autoridade do homem é removida; onde toda outra forma de autoridade, exceto a autoridade do Filho de Deus, é afastada.
Se entrarmos com a nossa própria autoridade, então Deus Se mantém afastado. Nossa autoridade precisa sair do caminho de Deus, e Deus espera por isso antes de Se confiar.
Deus Se confia onde tudo é formado segundo Cristo, onde tudo recebe de Cristo a sua medida. Vejam, todas essas coisas estão no livro de Ezequiel.
Estivemos apenas observando a casa. Não a estudamos em detalhe, mas o que sabemos a seu respeito é que tudo foi medido pelo Homem de bronze.
Até a menor coisa tinha a sua medida determinada. Tudo recebia do Homem a sua medida. Esse é o lugar ao qual Deus Se confiará: onde tudo recebe de Cristo a sua medida.
E, então, mais uma coisa apenas. Deus Se confiará onde a cruz governar tudo — governar tudo, por dentro e por fora. Portanto, onde a cruz governar tudo, Deus Se confiará.
O Senhor Jesus é o grande exemplo de tudo isso. Deus Se confiou ao Seu Filho. Foi ali, no batismo de Jesus, que Deus Se confiou a Ele.
Os céus se abriram, e o Espírito desceu sobre Ele.
Dissemos que a concessão do Espírito é Deus confiando-Se. Assim, ali Deus Se confiou a Jesus.
Está escrito que Deus não dá o Espírito por medida a Jesus. Isto é, Ele dá o Seu Espírito plenamente, sem qualquer reserva, a Jesus. Ele Se confia inteiramente a Ele.
Quando o significado da cruz foi assentado e estabelecido, então Deus Se confia. Essa é a base de Deus.
Deus Se confiou a Jesus em razão de Sua íntima caminhada com o Pai, da maneira como Jesus media tudo segundo o céu. Temos destacado isso tantas vezes.
Jesus jamais Se deixava governar pela mente do homem — fazer alguma coisa, dizer alguma coisa ou ir a algum lugar por conselho dos homens. O tempo todo, Ele afastava de Si as sugestões de homens e mulheres. Fez isso com relação a Satanás. Fez isso com relação a tudo.
Ele rejeitava tudo o que procedia do homem. Somente do Pai recebia o Seu caminho e as Suas palavras. Ele media tudo segundo o céu.
Essa era a mais íntima caminhada com o céu. Em cada detalhe de Sua vida, Ele Se submetia ao governo do céu.
O Pai Se confiou ao Filho. E, então, quanto ao Seu aperfeiçoamento, Ele disse:
Devo trabalhar hoje e amanhã; e, no terceiro dia, sou aperfeiçoado.
— Lucas 13:32
É-nos dito que Ele foi aperfeiçoado por meio do sofrimento. Naturalmente, entendemos que isso não era um aperfeiçoamento moral. Não se tratava de tornar perfeita a Sua natureza.
Tratava-se de conduzi-Lo à plenitude. Ele caminhava todos os dias na vontade de Deus. Ele disse:
Eis que venho para fazer a Tua vontade.
Mas a vontade de Deus Lhe fazia exigências cada vez maiores, até que, por fim, a vontade de Deus exigiu que Ele bebesse o cálice. Ele deveria passar pelo Getsêmani e seguir até a cruz.
Ele estava sendo aperfeiçoado, ou tornado completo, quanto à vontade de Deus.
E, quando Ele foi aperfeiçoado quanto à vontade de Deus, Deus Se confiou plenamente a Ele. Deus Lhe deu essa plenitude para a igreja.
Deus Lhe deu o nome que está acima de todo nome. Deus Se confiou a Ele.
Creio que tudo isso está bem claro. Jesus é o grande exemplo.
Agora chegamos ao fim deste estudo. Para que esse objetivo seja plena e definitivamente alcançado, três coisas são necessárias. A igreja precisa ter essas três coisas.
Em primeiro lugar, uma compreensão clara do propósito de Deus. É absolutamente necessário que a igreja veja qual é o propósito de Deus.
É por isso que Paulo fez aquela grande oração por um espírito de sabedoria e revelação, para que a igreja tivesse os olhos do coração iluminados.
É absolutamente necessário que tenhamos uma compreensão clara do propósito de Deus — e esse propósito é que Deus venha habitar em plenitude na igreja; que a igreja seja a plenitude Daquele que enche tudo em todos.
Deus deve ter pleno lugar na igreja. Essa é a primeira necessidade: que vejamos isso e que sejamos governados por essa visão.
Portanto, trata-se de entendimento espiritual, de uma revelação do propósito de Deus para a igreja.
É por isso que lemos aquelas passagens das Escrituras no início: para que a igreja seja uma habitação de Deus pelo Espírito; para que Deus habite ali e se possa dizer:
O Senhor está ali.
Ela deve ser, de fato, uma habitação de Deus. Para chegar a isso, precisamos ver qual é o propósito de Deus.
A segunda coisa é uma compreensão clara do caminho de Deus para alcançar o Seu objetivo: uma compreensão clara da cruz. Essas três coisas são essenciais para que Deus esteja ali.
Agora, há dois aspectos dessas três coisas. Há o presente progressivo e o futuro perfeito.
Neste momento, tudo isso ainda não é plenamente verdadeiro. E, no entanto, aquilo que está na carta aos Efésios tem uma aplicação presente.
No presente, isso é verdadeiro em maior ou menor grau, à medida que essas coisas se comprovam: onde há uma compreensão clara do Seu propósito, onde há uma compreensão clara da Sua casa, onde há uma compreensão clara da cruz, ali vocês encontrarão a maior medida da presença do Senhor.
No presente, essas coisas determinam a medida em que o Senhor está presente. Mas está chegando o tempo em que essas coisas se tornarão completas, quando Ele vier para ser glorificado em Seus santos. Então Ele estará ali.
A cidade representa o instrumento no qual e por meio do qual Deus está presente para governar. É nela que Deus está presente em Seu governo.
Bem, apresentamos um panorama geral. Procuramos tornar claras essas linhas de pensamento.
Não tomem isso como apenas mais um estudo bíblico. Eu lhes disse que não estou interessado nisso.