Por favor, abram em Mateus 6. Começaremos em Mateus 6:1.
Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles: de outro modo, não tereis recompensa junto de vosso Pai, Que está nos céus.
Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa.
Mas, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita:
para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, Que vê em secreto, te recompensará.
E, quando orardes, não sejais como os hipócritas: pois gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento interior e, tendo fechado a tua porta, ora a teu Pai, Que está em secreto; e teu Pai, Que vê em secreto, te recompensará.
E, ao orardes, não useis de vãs repetições, como os gentios: pois pensam que serão ouvidos pelo seu muito falar.
Não sejais, portanto, semelhantes a eles: pois vosso Pai sabe de que coisas necessitais, antes de Lhe pedirdes.
Portanto, orai desta maneira: Pai nosso, Que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como também nós temos perdoado aos nossos devedores.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.
Pois, se perdoardes aos homens as suas transgressões, também vosso Pai celestial vos perdoará.
Mas, se não perdoardes aos homens as suas transgressões, tampouco vosso Pai perdoará as vossas transgressões.
Mateus 6:19:
Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões arrombam e roubam:
mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam:
pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
A lâmpada do corpo é o olho: se, pois, o teu olho for simples, todo o teu corpo será cheio de luz.
Mas, se o teu olho for mau, todo o teu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes são essas trevas!
Ninguém pode servir a dois senhores: pois ou há de odiar um e amar o outro; ou há de apegar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Mateus 6:33:
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Portanto, não andeis ansiosos pelo amanhã: pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.
Nosso Pai celestial, nós Te agradecemos. Cremos que Tu estás conosco e que somente Tu podes satisfazer nosso coração. Nós nos prostramos diante de Ti e esperamos em Ti, para que nos fales.
Pedimos que abras nosso coração a Ti e que nos abras a Tua Palavra, para que a Tua Palavra caia em boa terra e, com perseverança, produza fruto a cem por um, para a Tua glória.
Senhor, confessamos que estamos longe de ser aquilo que Tu desejas que sejamos. Queremos Te dizer que estamos dispostos. Leva-nos ao lugar onde Tu estás. Que a Tua vontade seja feita em nós, e nós Te daremos toda a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos reunir nesta manhã. Temos compartilhado sobre o chamado Sermão do Monte.
Sabemos que o Sermão do Monte foi proferido por nosso Senhor aos Seus próprios discípulos — àqueles que não apenas creram Nele, mas também responderam ao Seu chamado e se entregaram ao Senhor, permitindo que o Senhor os ensinasse, os transformasse e os conformasse à Sua própria imagem.
O Sermão do Monte não nos apresenta uma nova lei para cumprirmos. O Sermão do Monte é uma mensagem de graça. Nosso Senhor primeiro nos deu a Sua vida, e então começou a nos dizer o que é essa vida.
Na verdade, o Sermão do Monte é uma descrição da vida de nosso Senhor Jesus. Ele é o Homem celestial Que veio a esta terra, e vive uma vida celestial sobre a terra.
Ele vem estabelecer o Seu reino nesta terra. Está atraindo um povo para Si e transformando-o para que seja como Ele. Esses constituirão o Seu reino; serão o povo do reino dos céus. São os filhos do reino dos céus.
Por isso, louvamos e agradecemos ao Senhor, porque Ele não está tentando nos impor um fardo pesado, como se estivesse estabelecendo um padrão muito elevado e depois dizendo: “Tentem alcançá-lo”.
Pelo contrário, vocês verão que Ele nos dá a Sua própria vida e nos diz quão gloriosa e poderosa é essa vida. Se apenas permitirmos que a Sua vida se expresse por meio de nós, será assim que viveremos.
Portanto, é uma questão de graça. É uma questão de vida. É uma questão do crescimento da vida. É disso que trata o Sermão do Monte.
O Sermão do Monte começa com as bem-aventuranças, e ali descobrimos que a ênfase está no nosso ser, e não no nosso fazer.
Porque o Senhor diz:
Bem-aventurados os pobres de espírito: pois deles é o reino dos céus.
Vocês percebem que o Sermão do Monte começa com a ênfase no ser, e não no fazer.
O próprio Senhor é a personificação das bem-aventuranças, porque era assim que Ele era quando estava nesta terra. Ele é Aquele Que é pobre de espírito.
Ele era igual a Deus, mas não considerou isso algo a que devesse Se apegar. Tomou sobre Si a forma de servo e, sendo encontrado em figura humana, foi obediente ao Pai até a morte, sim, a morte de cruz.
É isso que significa ser pobre de espírito.
Agora, irmãos e irmãs, por natureza, todos nós somos ricos em nossa alma. Achamos que temos muito dentro de nós. Achamos que podemos fazer muita coisa. Temos orgulho de nós mesmos. A humildade é algo que está além de nós.
É necessária a vida do Senhor Jesus dentro de nós, porque a Sua vida é uma vida humilde. É uma vida que se esvazia.
Como a Sua vida está dentro de nós, Ele nos chama a ser como Ele. Pela operação do Espírito Santo e pela operação da cruz em nossa vida, estamos sendo gradualmente esvaziados de nós mesmos.
À medida que somos esvaziados, somos cheios da vida do Senhor Jesus. É então que somos verdadeiramente bem-aventurados. Ou seja, somos realmente felizes no Senhor.
Portanto, as bem-aventuranças são uma descrição da vida de nosso Senhor Jesus. O Senhor está dizendo aos Seus discípulos: “É isso que quero que vocês sejam. É assim que viverão nesta terra, e receberão a sua herança celestial”.
Também vemos que o Senhor Jesus nos diz que, se a nossa justiça não exceder a justiça dos escribas e fariseus, não podemos entrar no reino dos céus.
Qual é a justiça dos escribas e fariseus? É uma justiça segundo a lei. É uma justiça segundo a letra da lei.
Os escribas e fariseus procuravam cumprir cada letra da lei, mas, ao fazerem isso, violavam o próprio espírito da lei. A justiça deles era algo produzido pelo homem, apenas uma aparência exterior.
Não havia realidade dentro deles. Podiam estar certos exteriormente, mas era algo legalista. Isso lhes dava grande orgulho, e assim se vangloriavam da própria justiça.
Eram hipócritas e superficiais, mas criticavam as outras pessoas. A justiça deles os tornava muito orgulhosos.
A Bíblia diz que, aos olhos de Deus, as nossas próprias justiças são como trapos imundos. Não podem cobrir a nossa nudez e são inteiramente rejeitadas por Deus.
Portanto, como discípulos do Senhor Jesus, nossa justiça precisa exceder a justiça dos escribas e fariseus. O que é essa justiça superior?
É algo que vem de dentro. É uma questão de vida. Pela graça de Deus, essa vida começa a se expressar. É algo do Espírito e da vida. Está acima da letra; vai além do que a letra exige. Chega ao próprio coração. É o transbordar da vida interior.
Nosso Senhor usou cinco ilustrações diferentes, e por meio delas nos mostra qual é a justiça que excede a justiça dos escribas e fariseus. São essas as coisas que abordamos nos últimos dois dias.
Nesta manhã, continuaremos em Mateus 6. Ao lerem este capítulo, vocês verão que ele pode ser dividido muito claramente em duas partes.
Mateus 6:1-18 trata da questão de fazer todas as coisas em secreto. Em outras palavras, fala-nos de uma vida oculta como filhos do reino dos céus.
Temos uma vida oculta. Temos uma vida que o mundo não vê, mas essa vida é a própria fonte daquilo que o mundo pode ver.
A segunda parte, Mateus 6:19-34, nos mostra que a vida do reino é uma vida de fé.
Agora, irmãos e irmãs, nós, que somos filhos do reino dos céus, temos uma vida oculta. É o céu vivendo sobre a terra. Há uma dimensão celestial que, por assim dizer, não é vista; ela deve ser vista somente por Deus.
Muitas vezes, nós, cristãos, tendemos a viver uma vida puramente exterior. É como se não houvesse essa vida interior, oculta, dentro de nós. É como se estivéssemos vivendo apenas diante dos homens, em vez de vivermos diante de Deus.
Mas, como povo de Deus, precisamos nos lembrar de que temos uma vida oculta. Vocês se lembram de Salmos 91:1:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso descansará.
Em outras palavras, precisamos viver no esconderijo do Altíssimo. Se vivermos no esconderijo do Altíssimo, então permaneceremos à sombra do Todo-Poderoso.
Esse é o segredo da nossa força neste mundo. Há uma coisa que realmente precisamos buscar: precisamos buscar viver no lugar secreto de Deus.
Diariamente, devemos ter essa comunhão constante com o Pai, Que está nos céus. Quanto mais desenvolvemos a vida secreta com o Senhor, com mais poder conseguimos viver nesta terra.
Ela nos dá a força pela qual podemos viver segundo a vontade de Deus.
Lembramos que, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, viveu uma vida oculta durante trinta anos. Não sabemos muito sobre esses trinta anos, mas sabemos que, durante aqueles trinta anos ocultos, Ele teve profunda comunhão com Seu Pai e desenvolveu intensamente Sua vida diante de Deus.
Depois daqueles trinta anos ocultos, quando Ele iniciou Seu ministério público, vemos que havia tanto poder e tanta força.
Portanto, irmãos e irmãs, nós, que somos filhos do reino dos céus, precisamos desenvolver uma vida oculta com Deus. Precisamos buscar a Sua face e viver uma vida face a face com Deus.
Com esse tipo de vida oculta, recebemos poder para viver nesta terra.
Em Mateus 6, nosso Senhor Jesus começa com uma exortação:
Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles: de outro modo, não tereis recompensa junto de vosso Pai, Que está nos céus.
Em Mateus 5, o Senhor diz que nossa justiça precisa exceder a justiça dos escribas e fariseus. Aqui, Ele ainda está falando de justiça, mas, ao tratar dessa justiça, lida com a motivação.
Nossa motivação para agir corretamente deve ser Deus, e não os homens. Então, Ele usa três ilustrações: dar esmolas, orar e jejuar.
Dar esmolas diz respeito ao nosso relacionamento com o mundo. A oração diz respeito ao nosso relacionamento com o próprio Deus. O jejum diz respeito ao nosso relacionamento conosco mesmos. Em outras palavras, vemos as três dimensões da vida.
Nós, que vivemos nesta terra, nos relacionamos com os homens, com Deus e conosco mesmos. Como devemos viver nesses relacionamentos?
O Senhor começa com a prática de dar esmolas. Dar esmolas é considerado justiça porque nosso Deus é o grande Doador.
Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito. Quando Deus nos deu Seu Filho, deu-nos tudo. Aquele Que nos deu Seu próprio Filho não nos dará também todas as coisas?
Nosso Deus é um grande Doador. Como povo de Deus, Ele quer que tenhamos esse espírito de dar.
Por natureza, todos nós queremos receber. Queremos receber, receber, receber; e somos muito mesquinhos ao dar. Por quê? Porque somos tão voltados para nós mesmos.
Mas, como povo do próprio Deus, Ele quer que tenhamos esse espírito de dar. Agora, qual é a motivação por trás daquilo que damos?
Na verdade, tudo o que podemos dar é aquilo que Ele nos deu. Ele quer que demos de tal maneira que o façamos em secreto, e não para sermos vistos pelos homens.
Quando se trata de ajudar as pessoas ou dar algo a elas, vemos que o mundo quer que as pessoas saibam disso. As pessoas anunciam o que fizeram. Fazem com que todos saibam: “Ah, como essa pessoa é generosa!” Querem algum tipo de memorial para si mesmas.
O Senhor diz que, se você dá dessa maneira, já recebeu a sua recompensa, e a sua recompensa é terrena. Você não receberá recompensa no céu.
Portanto, quando nós, o povo de Deus, damos, precisamos fazê-lo em secreto. Não deixe a sua mão esquerda saber o que a sua mão direita está fazendo.
É possível dar com a mão direita sem que a mão esquerda saiba? É claro que, literalmente, isso é impossível. Mas é possível neste sentido: não fique pensando naquilo que você dá.
Não fique tão consciente do bem que fez, porque você o faz para o Senhor. Você o faz ao Senhor e pela graça de Deus. Não há nada de que possa se vangloriar, e você não espera ser reconhecido pelos homens.
Você faz isso em secreto, e seu Pai celestial, Que vê em secreto, vê o que você faz. Então, Ele o recompensará.
Portanto, irmãos e irmãs, nossa justiça não é para os homens verem. Não esperamos que as pessoas nos elogiem. Nossa justiça é para Deus ver. Nosso Pai, Que está nos céus, nos recompensará.
Então, nosso Senhor Jesus fala da oração. A oração também é considerada justiça.
Se tudo o que fazemos em oração é pedir ao Senhor que nos dê isto e aquilo, vocês acham que há alguma justiça nisso? Se nossa oração é assim, estamos orando como as nações, como os gentios.
Nós, que somos filhos de Deus, temos um Pai celestial Que nos ama e cuida de nós. Ele sabe do que precisamos. Antes de pedirmos, Ele já sabe do que precisamos, e está pronto para dar, porque nos ama tanto.
Então, como devemos orar? Os fariseus e escribas gostavam de orar nas sinagogas. Em particular, não oravam, mas gostavam de orar apenas em público.
Quando andavam pela rua e chegavam a uma esquina, onde podiam ser vistos por mais pessoas, começavam a fazer longas orações. O Senhor disse: “Eles já receberam a sua recompensa”. A oração deles não chega ao céu.
Vocês se lembram de uma parábola que o Senhor nos contou. Dois homens entraram no templo para orar. Um era fariseu. Ele foi para a frente, levantou os olhos e disse: “Ó Deus, eu Te agradeço porque jejuo duas vezes por semana. Dou a décima parte da minha renda. Não sou como aquele publicano”.
Era assim que ele orava. Então, o publicano entrou no templo e ficou ao fundo. Não ousava levantar os olhos. Batia no peito e dizia: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”.
O Senhor Jesus disse que, quando voltaram para casa, o publicano estava mais justificado. O fariseu estava apenas apresentando um relatório.
Irmãos e irmãs, como é fácil sermos assim. Muitas vezes, nossas orações são como relatórios a Deus sobre o quanto somos bons, em vez de expressões de gratidão a Deus, como se Deus precisasse ser grato a nós.
Os fariseus faziam longas orações, mas, na vida oculta deles, coisas terríveis eram feitas.
Graças a Deus, temos um Pai Que nos ama e cuida de nós. Antes mesmo de pedirmos, Ele sabe do que precisamos.
Entre no seu aposento interior, feche a porta e ore ao seu Pai, Que está nos céus. Seu Pai, Que está em secreto, ouve você.
Nossa oração é para Deus ouvir. Nossa oração é para expressar nossa dependência Dele. Oramos para demonstrar que, sem Ele, nada podemos fazer. Nossa oração é comunhão com nosso Pai celestial, e oramos para que a Sua vontade seja feita.
Aqui, mais uma vez, nosso Senhor Jesus nos ensina a orar. É o que chamamos de oração do Pai-Nosso. Na verdade, é a oração que o Senhor ensina Sua igreja a fazer.
Nosso Senhor Jesus nos ensina a orar:
Pai nosso, Que estás nos céus.
A oração se baseia no relacionamento.
Quando oramos, somos filhos de Deus orando ao nosso Pai, Que está nos céus. Há um relacionamento e, por isso, há confiança. Há oração com fé. Não estamos simplesmente falando palavras sem sentido; oramos com fé dentro de nós porque conhecemos nosso Pai.
Mesmo que oremos de maneira errada, Ele responderá de maneira certa.
Quando oramos, não devemos orar apenas por nós mesmos. A oração é nossa justiça; estamos fazendo algo certo diante de Deus.
Nosso Senhor Jesus diz que, quando oramos, antes de tudo devemos orar:
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Em nossa oração, não devemos estar voltados para nós mesmos. Devemos orar pelo nome de Deus, pelo Seu reino e pela Sua vontade.
Seu nome é honrado no céu, mas não é santificado na terra. Devemos ter esse encargo. Devemos tomar o interesse de Deus como nosso interesse e orar para que Seu nome seja honrado em toda a terra.
É claro que oramos com sinceridade. Queremos que Seu nome seja honrado em nossa própria vida, que não causemos vergonha ao nosso Deus e que o nome de Deus seja honrado em nós.
Quando as pessoas olharem para nós e entrarem em contato conosco, que vejam Deus em nossa vida. Então, glorificarão a Deus.
“Venha o Teu reino” significa que permitimos que Cristo reine sobre nós. Nós nos colocamos sob Seu governo e permitimos que Sua vontade seja feita em nós, na terra, assim como no céu.
Agora, é assim que devemos orar. É assim que oramos? Ou nossa oração é apenas por nós mesmos, por nossa família ou pela igreja? Qual é a abrangência da nossa oração? Qual é a prioridade em nossa oração?
Se buscarmos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, todas estas coisas nos serão acrescentadas. Depois de orarmos pelos interesses de Deus, podemos orar por nossas necessidades.
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
Isso mostra que dependemos Dele para o nosso pão diário — não para o pão de amanhã, mas para o nosso pão de cada dia.
Certa vez, li um livro com os sermões de Zinzendorf. Quando ele pregou sobre a oração do Pai-Nosso, disse que esse pão diário é nosso pão espiritual. Não é apenas pão natural, mas pão sobrenatural que nos nutre. Certamente precisamos dele.
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos outros.
Isso é alimento para nossa alma. Para nosso corpo físico, precisamos de pão; para o bem-estar de nossa alma, precisamos de perdão.
Assim, pedimos ao Senhor que perdoe nossas dívidas, que perdoe nossos pecados, mas sob a condição de que perdoemos aos outros.
Queridos irmãos e irmãs, vemos que, entre o povo de Deus hoje, muitos têm um espírito que não perdoa. Quando nossos irmãos e irmãs pecam contra nós, ou se tornam nossos devedores por fazerem algo contra nós, não queremos perdoar.
Se temos um espírito que não perdoa, lembrem-se de que Deus também não nos perdoará.
Antes de crermos no Senhor Jesus, quando nos arrependemos e pedimos ao Senhor que perdoasse nossos pecados, descobrimos que Ele perdoou tudo. Seu sangue nos purifica de todos os nossos pecados.
Mas lembrem-se: há uma diferença depois que você se torna filho de Deus. Se quer que Deus perdoe seus pecados e suas dívidas, há uma condição: Deus quer que você perdoe aos outros.
Se você não perdoar aos outros suas dívidas ou pecados, Deus não perdoará a sua dívida. É algo de que precisamos nos lembrar.
Temos de aprender a perdoar de coração. Nós, que fomos tão perdoados — como podemos continuar nos apegando ao que nossos irmãos e irmãs fizeram contra nós?
Vocês se lembram da história de Pedro. Um dia, ele veio ao Senhor e disse: “Senhor, se meu irmão pecar contra mim sete vezes, e eu o perdoar, Tu achas que isso é suficiente?”
O Senhor disse: “Não digo sete vezes; digo setenta vezes sete”. É algo que precisamos aprender.
Se perdoarmos aos outros, nossa alma será saudável.
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.
Isso é para o nosso espírito: que não entremos em tentação, mas sejamos livrados do maligno.
Essa é a oração que nos ensina a orar.
Agora, irmãos e irmãs, orar em secreto não significa que não devemos orar em público. A oração coletiva é muito importante.
Precisamos ter nossa oração particular em secreto, mas também precisamos orar em público.
Orar em público não significa que saímos do nosso aposento secreto. Somos tentados na oração pública porque ficamos muito conscientes das pessoas ao nosso redor.
Por estarmos conscientes da presença delas, podemos, sem perceber, tentar orar de uma maneira que soe mais bonita e impressione as outras pessoas.
Se fazemos isso, somos como os escribas e fariseus. Nossa justiça não excede a justiça deles.
Portanto, mesmo na oração pública, que o Senhor nos livre dessa preocupação com as pessoas. Em nosso espírito, é como se estivéssemos no aposento secreto, em comunhão com nosso Pai celestial.
Nosso Senhor Jesus também nos fala sobre nosso relacionamento conosco mesmos, e isso diz respeito ao jejum. O que é jejuar?
Nas Escrituras, somos informados de que jejuar é afligir nossa alma. Em outras palavras, podemos ter um encargo tão grande, ou estar enfrentando uma crise tão séria, que negamos a nós mesmos a ponto de abrir mão até de um alimento legítimo, para nos concentrarmos na oração diante do Senhor.
Portanto, jejuar é afligir nossa alma. É algo entre nós e o Senhor. Não é para as pessoas verem.
Quando os fariseus jejuavam, assumiam de propósito uma aparência triste, mostrando às pessoas que estavam jejuando. Então, as pessoas os elogiavam e diziam: “Como são piedosos!”
O Senhor diz: “Não façam isso”. Quando você jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo, porque está jejuando diante do Senhor. O Senhor, Que está em secreto, vê isso e responderá à sua oração.
Aqui, vocês veem que esta seção trata da vida oculta. Precisamos ter uma vida oculta diante do Senhor. Vivemos para Deus, nossa motivação é pura e nosso coração está no céu.
Então, o Senhor prossegue com a segunda parte, a questão da vida de fé. A vida do reino é uma vida de fé.
Muitas vezes, pensamos que apenas umas poucas pessoas escolhidas vivem uma vida de fé. Mas, irmãos e irmãs, isso é um equívoco.
Segundo a Palavra de Deus, todo crente, todo discípulo do Senhor, todo filho do reino vive uma vida de fé.
Deus já nos chamou para fora deste mundo. Ele nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
No que diz respeito ao mundo, nós, que vivemos nele, somos estrangeiros e peregrinos. Estamos apenas de passagem. Somos forasteiros aos olhos do mundo.
Foi assim com Abraão: ele peregrinou na terra da promessa e viveu em tendas. Reconhecia que não pertencia a este mundo.
Estava apenas de passagem. Buscava aquela cidade que tem fundamentos, cujo Arquiteto e Construtor é Deus.
Isso é uma vida de fé. Todo crente vive uma vida de fé. Somos um povo celestial de passagem por este mundo.
Para pessoas assim, a única maneira de viver é viver uma vida de fé.
Queridos irmãos e irmãs, vamos corrigir nosso conceito. Não são apenas uns poucos escolhidos que vivem uma vida de fé — aqueles que não têm negócio nem ocupação e simplesmente esperam que Deus supra todas as suas necessidades.
Podemos pensar: “Temos nossa própria ocupação. Suprimos nossas próprias necessidades. Não precisamos viver uma vida de fé”. Irmãos e irmãs, isso está errado. Todo crente, cada um de nós aqui, vive uma vida de fé.
Por quê? Porque somos um povo celestial.
Viver uma vida de fé começa com isto: não ajuntem para vocês tesouros na terra. O que é um tesouro?
Na língua original, “tesouros” está no plural. Há muitos tesouros. Às vezes, pensamos que tesouro é dinheiro, e interpretamos este versículo como se dissesse: “Não ajunte dinheiro para você nesta terra, porque há traças, ferrugem e ladrões”.
Mas tesouro é mais do que dinheiro. Tesouro inclui tudo o que você ama, tudo de que depende, tudo em que confia, tudo o que significa vida para você.
Pode ser dinheiro. Podem ser bens. Podem ser pessoas. Talvez seu neto seja seu tesouro. Ele é sua vida.
Irmãos e irmãs, se ajuntamos tesouros para nós nesta terra, então nosso coração está onde está nosso tesouro. Ficamos presos ao nosso tesouro.
Por causa disso, em vez de nosso coração estar no céu, está na terra. A ênfase não está apenas no tesouro; a ênfase está no coração.
Queridos irmãos e irmãs, Deus quer nosso coração. Em Provérbios, encontramos:
Filho Meu, dá-Me o teu coração,
E deleitem-se os teus olhos nos Meus caminhos.
Por que não nos deleitamos nos caminhos de Deus? Porque nosso coração está em outro lugar. Se nosso coração for entregue ao Senhor, então nossos olhos se deleitarão nos Seus caminhos.
O que o Senhor realmente quer é nosso coração. Onde estiver o seu coração, ali estará o seu tesouro.
É por isso que Deus nos ordena que ajuntemos nossos tesouros no céu. Ou seja, oferecemos a Deus aquilo que consideramos tesouro.
Assim como Abraão: ele ofereceu seu único filho, Isaque, a Deus. Estava disposto a oferecê-lo a Deus. Por ter feito isso, não estava preso a nada nesta terra.
Quando ouvimos essa palavra, achamos que é muito difícil? “Se eu abrir mão de todo o meu dinheiro, como poderei viver?”
Não se preocupe. Não é isso que o Senhor está buscando. O Senhor está procurando libertar você de tudo o que o prende.
O Senhor quer que você se entregue totalmente a Ele. Seu coração está no céu.
Vocês se lembram do jovem rico. Ele veio ao Senhor com tanta sinceridade e perguntou: “O que posso fazer para herdar a vida eterna?”
O Senhor olhou para ele e o amou. Disse: “Guarde os mandamentos”.
O jovem disse: “Tenho guardado os mandamentos desde a minha juventude”. Ele guardava a letra da lei, mas violava seu espírito, porque era muito rico. Suas riquezas haviam capturado seu coração.
O Senhor queria libertá-lo. Por isso, o Senhor disse: “Dê aos pobres e siga-Me”. Por si mesmo, ele não conseguia fazer isso.
Mas havia outro homem rico, um homem mais velho, provavelmente ainda mais rico. Quando a graça de Deus veio sobre ele, sem que ninguém lhe pedisse, disse: “Dou a metade. Tudo o que fiz de errado, restituirei quatro vezes mais”.
Portanto, irmãos e irmãs, não tenham medo. Entreguem tudo ao Senhor. Ajuntem seu tesouro no céu. Vocês são mordomos. Façam tudo o que o Senhor quiser.
Por exemplo, vocês se lembram da história de C. T. Studd. Ele foi um dos sete missionários de Cambridge que vieram para a China.
Era milionário, mas foi conduzido pelo Senhor a abrir mão de tudo o que tinha. Veio para a China, depois foi para a Índia e, finalmente, para a África. Deus o usou grandemente.
Havia outra pessoa que eu conhecia, uma senhora. Quando a conheci, ela era bilionária, mas nunca se esquecia disto. Dizia: “Tudo o que tenho pertence ao Senhor. Sou apenas uma mordoma”.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que somos. Tudo o que o Senhor nos deu cabe a Ele decidir como deve ser usado. Mas, graças a Deus, Sua graça é sempre suficiente.
Agora, a propósito, permitam-me acrescentar algumas palavras práticas. Isso significa que tenho de entregar tudo ao Senhor e deixar de sustentar minha família?
Certamente, devemos sustentar nossa família. Isso significa que você não pode reservar algo para sua aposentadoria? É claro que não.
O Senhor não quer que você dependa da caridade das pessoas. Isso também não significa que você não precisa mais trabalhar. Certamente não. Se você não trabalha, não come. É isso que as Escrituras ensinam.
Mas, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: a questão é o coração. Que tenhamos olhos voltados para um único alvo, e não um coração dividido.
Nosso problema é que temos um coração dividido. Amamos a Deus e amamos a Mamom.
Mamom é a riqueza. Pode ser representada pelo dinheiro ou por outras coisas. Tentamos servir a dois senhores, mas isso é impossível.
Ninguém pode servir a dois senhores. Ou você ama um e odeia o outro; ou se apega a um e deixa o outro.
O Senhor deixa isso muito claro para nós: ninguém pode servir a dois senhores.
O que faremos com Mamom? Mamom não deve ser nosso senhor. Devemos usar as riquezas injustas para nos prepararmos para a eternidade.
É assim que deve ser. Então somos libertos, para que nosso coração esteja no céu.
Por essa razão, o Senhor diz:
Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Por que nos preocupamos com comida, bebida e vestuário? Porque nosso coração e nossos tesouros não estão no céu.
Quanto mais você se apega aos seus tesouros, mais se preocupa com o que come, com o que bebe e com o que vai vestir. Sua ansiedade não tem fim.
Quanto mais tesouros você ajunta para si, mais preocupado fica.
Mas, se você ajunta seus tesouros no céu e seu coração está com Deus, então não precisa se preocupar com o que vai comer, beber ou vestir.
Por quê? O Senhor diz: “Olhem para as aves”. Esse olhar não é apenas uma olhada casual; é um olhar atento. Observem cuidadosamente como nosso Pai celestial cuida delas.
Considerem cuidadosamente como o Senhor vestiu os lírios de beleza e glória, mais do que a glória de Salomão. Hoje estão aqui e amanhã são lançados ao fogo, e Deus lhes dá essas vestes.
Quanto mais valiosos vocês são do que os lírios! Não fiquem ansiosos por essas coisas. Seu Pai celestial sabe de tudo. Vocês podem confiar Nele.
Por isso, o Senhor diz:
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
É assim que devemos viver. Devemos buscar o reino de Deus. Devemos buscar a Sua justiça.
Se buscarmos, todas estas coisas nos serão acrescentadas. Se não buscarmos o reino dos céus e a Sua justiça, então teremos de buscar todas estas coisas por nós mesmos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o que é viver no reino dos céus? O que é a vida do reino?
A vida do reino dentro de nós é uma vida que vive no céu, embora estejamos nesta terra.
Querido Senhor, nós Te agradecemos porque nos deste essa vida, e essa vida está em nós. Que Tu nos atraias cada vez mais para perto de Ti.