Por favor, abram no livro de Esdras. O livro de Esdras.
Esdras 1:1-5. Vamos ler os primeiros cinco versículos.
No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, de modo que ele fez proclamar por todo o seu reino, e também por escrito, dizendo:
Assim diz Ciro, rei da Pérsia: Todos os reinos da terra me deu o Senhor, Deus dos céus; e Ele me encarregou de Lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá.
Quem há entre vós de todo o Seu povo? Seu Deus seja com ele; suba a Jerusalém, que está em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel — Ele é Deus —, que está em Jerusalém.
E todo aquele que restar, em qualquer lugar em que peregrinar, seja ajudado pelos homens do seu lugar com prata, ouro, bens e animais, além da oferta voluntária para a casa de Deus, que está em Jerusalém.
Então se levantaram os chefes das casas paternas de Judá e de Benjamim, os sacerdotes e os levitas, todos aqueles cujo espírito Deus despertara para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.
No mesmo livro, Esdras 6:14-15.
E os anciãos dos judeus edificavam e prosperavam pela profecia do profeta Ageu e de Zacarias, filho de Ido; edificaram e terminaram a casa conforme o mandamento do Deus de Israel e conforme o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia.
E esta casa foi concluída no terceiro dia do mês de adar, no sexto ano do reinado do rei Dario.
No mesmo livro, Esdras 7:6-10. Começaremos com esses versículos.
Este Esdras subiu da Babilônia; era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor, Deus de Israel, dera: e o rei lhe concedeu tudo quanto pedira, segundo a mão do Senhor, seu Deus, que estava sobre ele.
Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos servidores do templo, no sétimo ano do rei Artaxerxes.
E ele chegou a Jerusalém no quinto mês, no sétimo ano do rei.
Pois, no primeiro dia do primeiro mês, começou a subir da Babilônia; e, no primeiro dia do quinto mês, chegou a Jerusalém, segundo a boa mão de seu Deus sobre ele.
Porque Esdras havia disposto o coração a buscar a lei do Senhor, a cumpri-la e a ensinar em Israel os estatutos e os juízos.
No mesmo capítulo, Esdras 7:27-28.
Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, Que pôs tal coisa no coração do rei, para embelezar a casa do Senhor, que está em Jerusalém;
E estendeu sobre mim a Sua misericórdia perante o rei, seus conselheiros e todos os poderosos príncipes do rei. Assim, fortaleci-me segundo a mão do Senhor, meu Deus, sobre mim, e reuni dentre Israel homens principais para subirem comigo.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos pelo sangue do Teu amado Filho, nosso Senhor Jesus, e pelo novo e vivo caminho que Ele nos abriu por meio de Sua carne. Ousamos entrar em Tua presença — não apenas entrar em Tua presença, mas permanecer em Tua presença. Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por essa honra e esse privilégio!
E, Pai, pedimos que, enquanto permanecemos em Tua presença, a luz do Teu rosto brilhe sobre o nosso coração; que a Tua Palavra seja comunicada ao nosso coração e se torne vida e espírito para nós; que Tu sejas glorificado em nosso meio. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O livro de Esdras é uma continuação da história apresentada em 2 Crônicas. Vocês perceberão que as palavras finais de 2 Crônicas são as palavras iniciais do livro de Esdras. Isso, de certa forma, demonstra que o mesmo autor escreveu esses dois livros diferentes.
O livro de Esdras começa com o retorno do remanescente dos filhos de Israel do cativeiro. Isso aconteceu por volta do ano 536 a.C. Ele termina com o segundo retorno do remanescente dos filhos de Israel do cativeiro, sob a liderança de Esdras, em 458 a.C.
Portanto, a história do livro de Esdras abrange aproximadamente setenta e oito anos — cerca de oitenta anos. Os capítulos 1 a 6 abrangem aproximadamente vinte anos de história. Depois, encontramos um intervalo de cinquenta e oito anos entre os capítulos 6 e 7, e sabemos que esse intervalo é preenchido pela história de Ester. Por fim, os capítulos 7 a 10 abrangem aproximadamente um ano. Essa é a história que encontramos no livro de Esdras.
Sabemos que os filhos de Israel foram levados para o cativeiro babilônico por causa de sua infidelidade a Deus. Mas Deus é fiel. Antes de serem levados para o cativeiro, Deus lhes prometeu, por meio de Jeremias, que o cativeiro duraria setenta anos e que, depois desses setenta anos, Ele traria Seu povo de volta à terra.
Isso foi registrado em Jeremias 29:10:
Porque assim diz o Senhor: Quando se cumprirem os setenta anos da Babilônia, Eu vos visitarei e cumprirei a Minha boa palavra para convosco, fazendo-vos voltar a este lugar.
Os filhos de Israel estavam na terra do cativeiro. No primeiro ano do rei Dario, Daniel estava no cativeiro. Ele leu o livro — o livro de Jeremias — e compreendeu que o cativeiro logo terminaria, dentro de dois anos.
Assim, encontramos no capítulo 9 de Daniel que ele se entregou à oração, à oração perseverante. Confessou seu pecado e o pecado da nação diante de Deus, e pediu que Deus os perdoasse e trouxesse o povo de volta à terra prometida.
Então, em resposta à oração de Daniel, feita com profunda aflição, no primeiro ano do rei Ciro, o rei promulgou um decreto. Nesse decreto, ele disse: “Deus me deu todas as terras, e agora todos aqueles que são do Seu povo — quem quer que pertença ao povo de Deus — podem voltar a Jerusalém para edificar a casa de Deus”.
Agora, irmãos e irmãs, talvez nos perguntemos: como um rei gentio, Ciro, que não conhecia a Deus, pôde promulgar um decreto como esse?
Precisamos lembrar que Daniel ainda estava ali naquela época, junto ao rei Ciro. Muito provavelmente, foi Daniel quem compartilhou com o rei Ciro aquilo que Deus havia profetizado a respeito dele duzentos e cinquenta anos antes.
Deus profetizou por meio do profeta Isaías. Sabemos que o profeta Isaías viveu por volta de 800 a.C. Ali, em Isaías 44:28 e no início do capítulo 45, Deus profetizou e chamou Ciro pelo nome. Ele disse: “Ciro é Meu pastor. Eu lhe dei todas essas coisas para que faça a Minha vontade”. E essa vontade era reconstruir Sua casa.
Quando Daniel compartilhou essa profecia com Ciro, embora Ciro não conhecesse a Deus, ele deve ter ficado profundamente tocado. Reconheceu que só poderia ter sido Deus Quem lhe dera todo o império. Para demonstrar seu respeito a Deus, promulgou esse decreto real, permitindo que todos os filhos de Deus que estavam no cativeiro voltassem e edificassem a casa de Deus.
Precisamos lembrar, porém, que não foi a fidelidade do povo. Foi a fidelidade de Deus que deu início a esse retorno e à reconstrução da casa de Deus.
Esdras reuniu uma história — a história do retorno do cativeiro. Ao escrever esse livro, tinha uma coisa em vista: mostrar-nos a fidelidade de Deus à Sua própria Palavra. Podemos ser infiéis, mas Deus permanece fiel.
Ele também quer nos mostrar que, ao cumprir Sua própria promessa, Deus é capaz de despertar o coração de reis gentios e de levantar pessoas como vasos e instrumentos para cumpri-la. Esse é o nosso Deus, e isso deve nos encorajar.
Os filhos de Israel estavam no cativeiro babilônico, mas então vemos que Deus começou a agir. À medida que Deus agia, encontramos dois retornos nesse livro.
O primeiro retorno aconteceu sob a liderança de Zorobabel; depois, encontramos um segundo retorno sob a liderança de Esdras. O primeiro retorno tinha o propósito de reconstruir a casa de Deus. O segundo tinha o propósito de embelezar, ou fortalecer, a casa de Deus — em outras palavras, fortalecer o serviço da casa.
Agora, irmãos e irmãs, estamos aqui nesta manhã não apenas para rever uma história do passado. Estamos aqui para aprender as lições que Deus quer que aprendamos.
Sabem, de certa forma, a história dos filhos de Israel é uma figura da história espiritual da igreja, o povo de Deus hoje. Os filhos de Israel eram o povo terreno escolhido por Deus, mas a igreja de Deus é o povo celestial escolhido por Deus. Os princípios por trás de ambos são frequentemente os mesmos.
Em 1 Pedro 2:5, encontramos que a igreja de Deus é uma nação santa. É claro que essa nação santa é diferente de todas as nações da terra, porque sua natureza é celestial e espiritual. Ainda assim, é uma nação santa.
E ela não é apenas uma nação santa; é um sacerdócio santo. Em 1 Pedro 2:5, somos informados de que somos edificados juntos como casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo. Portanto, por um lado, somos uma nação santa; por outro, somos um sacerdócio santo.
Assim como os filhos de Israel, não temos sido fiéis a Deus. Ao olharmos para os dois mil anos de história da igreja, percebemos que muito rapidamente ela abandonou sua posição original. Vemos que a igreja se degenerou e caiu no mundo. A igreja, de modo geral, está no cativeiro babilônico.
Se vocês já leram a história da Reforma, perceberam que Lutero e os outros reformadores mencionaram que a igreja daquela época estava no cativeiro babilônico. Irmãos e irmãs, embora vejamos que Deus estava chamando Seu povo a retornar naquela época, precisamos dizer que, ainda hoje, a igreja, de modo geral, continua no cativeiro babilônico.
A Babilônia é diferente do Egito. Deus tirou Seu povo do Egito, e o Egito representa o mundo: as riquezas do mundo, a concupiscência dos olhos, a soberba da vida e a concupiscência da carne. Isso é o Egito.
Deus tirou Seus filhos do Egito e os levou à terra prometida — Canaã, uma terra que mana leite e mel —, que representa a plenitude de Cristo. No entanto, vemos que os filhos de Israel, por causa de sua infidelidade, caíram na Babilônia.
A Babilônia também representa o mundo, mas é o mundo religioso. Vocês perceberão que todas as religiões deste mundo podem ter suas origens rastreadas até a Babilônia. Eles haviam saído do mundo propriamente dito e agora caíram no mundo religioso.
Agora, irmãos e irmãs, como isso é verdadeiro em relação à igreja de Deus hoje! Deus nos chamou de toda nação, tribo, povo e língua — para fora do mundo — e nos reuniu como um só povo sob Cristo Jesus. É Seu desejo que permaneçamos em Cristo e desfrutemos de Sua plenitude.
Mas, infelizmente, vemos que a igreja não foi fiel. Por causa da infidelidade, a igreja estava, e ainda está, no cativeiro babilônico. Em outras palavras, vemos que a igreja hoje se tornou um sistema religioso, não muito diferente das outras religiões do mundo.
Babilônia significa confusão, e vemos que há muita confusão entre o povo de Deus ainda hoje. Ao longo da história da igreja, depois que ela entrou no cativeiro babilônico, Deus tem chamado Seu povo de volta — de volta a Jerusalém, para reconstruir a casa de Deus.
Esse chamado tem prosseguido por séculos e séculos. Não aconteceu apenas na época da Reforma. Podemos rastreá-lo até o segundo século, quando Deus, repetidas vezes, chamava Seu povo de volta a Jerusalém — à cidade da paz, à simplicidade e à pureza —, para ali reconstruir Sua casa, Seu testemunho. Esse chamado tem sido feito ao longo dos séculos.
Essa é a história que queremos aprender no livro de Esdras.
Há outra coisa a considerar antes de entrarmos nesse livro: ao lerem o livro de Esdras, vocês perceberão que esses retornos não constituíram uma restauração política da nação. Em vez disso, representam uma restauração da condição espiritual, ou moral, do povo.
Eles voltaram por decreto dos reis da Pérsia. Não eram um povo livre. Até mesmo seu retorno foi permitido e ordenado pelos reis gentios. Portanto, vemos que não se tratava de uma restauração política; era uma restauração religiosa ou moral.
Na verdade, depois do cativeiro babilônico, a nação de Israel nunca foi politicamente restaurada até 1948. Embora tenha havido um breve período de independência durante a época dos macabeus, ao longo de toda aquela extensa história, mesmo estando de volta à terra, eles não eram livres. Estavam sob domínio gentio — de diferentes reinos e diferentes impérios.
Portanto, esses retornos não representam uma restauração política; representam uma restauração religiosa ou moral. Por que menciono isso? Porque vemos, segundo o princípio de Deus, que a restauração espiritual precede a restauração política ou física.
Deus olha para o coração, e o homem sempre olha para a aparência. O que Deus busca é sempre o coração, a realidade espiritual. Quando há realidade espiritual, a expressão exterior se manifestará, mais cedo ou mais tarde. A realidade espiritual precede a manifestação exterior.
Mas, sabem, nós, seres humanos, pensamos de maneira diferente a respeito disso. Essa é a razão pela qual, quando nosso Senhor Jesus veio à terra, dois mil anos atrás, os judeus O rejeitaram. Por quê? Porque queriam uma restauração política, mas o Senhor Jesus queria primeiro uma restauração espiritual.
Portanto, irmãos e irmãs, quando tratamos dessa questão da igreja, depois que ela caiu no cativeiro babilônico, não procurem uma restauração exterior de sua glória exterior. Antes, lembrem-se de que o que Deus está fazendo hoje é, primeiramente, restaurar a realidade espiritual entre Seu povo.
Se a realidade espiritual não for restaurada, de que serve uma aparência exterior? Infelizmente, vemos que o povo de Deus hoje está todo em busca da glória exterior, em vez da realidade interior.
Um dia, aquela igreja gloriosa será manifestada — a noiva do Cordeiro — e reinará com Cristo. Mas, irmãos e irmãs, hoje, quando estudamos a história e o princípio da restauração, lembrem-se: trata-se sempre da realidade interior, não da aparência exterior.
Muito bem, agora podemos ir ao livro de Esdras. No primeiro ano do rei Ciro, ele fez uma proclamação real permitindo que os filhos de Israel que estavam no cativeiro voltassem a Jerusalém e reconstruíssem a casa de Deus.
Como dissemos antes, os filhos de Israel no cativeiro não eram livres. Eram escravos. Não podiam simplesmente voltar quando quisessem; precisavam esperar até que o rei lhes permitisse retornar.
A proclamação incluía todo o povo de Deus no cativeiro. Todos poderiam voltar. O decreto era específico: eles voltariam para fazer uma única coisa, reconstruir a casa de Deus, e nada mais.
Imaginaríamos que, quando um decreto como esse fosse promulgado, todos os filhos de Israel na terra do cativeiro se levantariam e voltariam. Certamente, seria isso que fariam. Suponham que estivéssemos no cativeiro e que, um dia, nos fosse permitido voltar para casa. Vocês não voltariam para casa? Certamente voltariam.
Mas, estranhamente, isso não aconteceu naquela época. Embora todo Israel tivesse permissão para voltar, apenas um remanescente retornou.
O chamado deveria despertar o coração do povo de Deus. Mas, infelizmente, apenas um remanescente, cujo espírito foi despertado por Deus, retornou. Em outras palavras, todos os demais não voltaram, como se não tivessem ouvido. Não foram despertados de modo algum. Não se importaram.
Por que foi assim? Sabemos que os filhos de Israel, depois de serem levados para o cativeiro babilônico, embora fossem escravos, na verdade receberam muita liberdade sob os governos da Babilônia e da Pérsia.
Tinham permissão para construir suas próprias casas. Tinham permissão para desenvolver seus negócios, e vocês sabem como eles sabiam negociar. Assim, prosperaram na terra do cativeiro durante aqueles setenta anos. Lançaram suas raízes profundamente na terra do cativeiro.
Além disso, receberam liberdade religiosa. Na verdade, foi o cativeiro babilônico que curou os filhos de Israel da idolatria. Deus disse: “Muito bem, vocês querem adorar ídolos? Vão para a terra dos ídolos, e lá vocês serão curados disso”.
Na terra do cativeiro, queriam ir adorar a Deus, mas não podiam. Por quê? Porque Jerusalém havia sido destruída e o templo havia sido destruído. Como poderiam adorar?
Aqui vemos a engenhosidade humana vindo em socorro. Eles foram tão inteligentes que inventaram um sistema extremamente engenhoso, que existe até hoje. Onde quer que os judeus estejam, vocês o encontram: a sinagoga.
A sinagoga foi criada durante aquele período. Eles não tinham o templo, mas queriam adorar a Deus. Como poderiam fazer isso? Muito bem, inventaram algo que, humanamente falando, era melhor do que o plano de Deus.
Havia apenas um templo, mas poderia haver incontáveis sinagogas. Se vocês tiverem dez homens judeus com tempo disponível — quero dizer, homens capazes e dispostos a dedicar tempo a propósitos religiosos —, poderão ter uma sinagoga.
Durante o cativeiro, surgiram sinagogas por toda parte. Era tão conveniente! Não era necessário viajar muito; vocês poderiam ter uma sinagoga ao lado de casa. Se não gostassem de certas pessoas, poderiam organizar sua própria sinagoga. Se não gostassem daquele modo de fazer as coisas, poderiam ter uma sinagoga à sua maneira.
Até na época dos apóstolos, encontramos sinagogas de corporações de ofício. Se vocês fossem pedreiros, poderiam ter uma sinagoga de pedreiros. Se fossem mecânicos, poderiam ter uma sinagoga de mecânicos. Em outras palavras, poderiam ter uma sinagoga do seu agrado. Isso não é conveniente?
Na sinagoga, eles liam a Torá, a lei de Moisés. Liam os profetas. Na sinagoga, cantavam os Salmos. Na sinagoga, podiam orar e exortar uns aos outros.
De fato, vemos na época dos apóstolos quanta liberdade havia. Quando o apóstolo Paulo entrava numa sinagoga, o dirigente vinha e dizia: “Bem, senhores, vocês têm alguma coisa a dizer?”. Ora, vocês poderiam dizer o que quisessem. Havia tamanha liberdade ali na sinagoga. Isso não é maravilhoso?
A única coisa que a sinagoga não podia fazer era oferecer sacrifícios, porque Deus havia dito: “Vocês não podem oferecê-los em qualquer lugar do mundo, mas somente no lugar onde pus o Meu nome”. Esse lugar é o templo em Jerusalém. Portanto, eles não podiam oferecer sacrifícios.
Mas a Palavra diz:
Sem derramamento de sangue não há remissão.
Vocês podem ter tudo o que é religioso, mas não a remissão dos pecados. Em outras palavras, falta o que é mais fundamental, mais básico.
Tudo ali pode satisfazer a consciência de vocês, pode suborná-la e fazer com que se sintam religiosos. Mas não há nada ali que possa restaurar o relacionamento de vocês com Deus.
Os judeus no cativeiro que viviam para si mesmos tinham tudo o que desejavam. Tinham todos os bens materiais e também um sistema religioso que subornava sua consciência e os fazia sentir-se religiosos.
Eram centrados em si mesmos; estavam satisfeitos consigo mesmos. Essa é a razão pela qual não sentiam nenhum impulso de voltar. Por que deveriam arrancar suas raízes? Por que deveriam enfrentar os perigos da viagem? Por que deveriam voltar a Jerusalém, uma cidade em ruínas? Por que deveriam edificar a casa de Deus e morar em tendas? Por que fariam isso?
Seu espírito havia sido embalado até adormecer pelas coisas materiais e religiosas. Importavam-se consigo mesmos; não se importavam com Deus e com Seus interesses.
Lembrem-se: durante os dias do cativeiro, Deus já não era mencionado como o Deus dos céus e da terra. Era chamado de Deus dos céus. Ele havia sido afastado da terra. Por quê? Porque havia colocado Seu nome entre Seu próprio povo, e o povo estava no cativeiro. Não havia testemunho Dele na terra.
Somente aquelas pessoas cujo espírito ainda estava atento a Deus, somente aquelas que amavam a Deus mais do que a si mesmas, que se interessavam pelos interesses de Deus em vez de seus próprios interesses — essas tiveram seu espírito despertado. Queriam voltar para reconstruir a casa de Deus, para que o nome de Deus estivesse na terra e para que o testemunho de Deus fosse restaurado sobre esta terra.
Irmãos e irmãs, essas foram as pessoas que voltaram.
Eles voltaram sob a liderança de Zorobabel e Josué. Sabem, o próprio nome Zorobabel significa “nascido na Babilônia” ou “semente da Babilônia”. Em outras palavras, esse jovem nasceu na Babilônia. Nunca havia visto Jerusalém. Nunca havia visto o antigo templo.
Mas como foi que ele quis voltar? Nunca havia visto sua terra natal. Nunca havia visto o antigo templo. A Babilônia era seu lar. Como foi que ele quis voltar?
Lembramos que Zorobabel era neto do rei Joaquim. Joaquim foi levado para o cativeiro babilônico. Mas, se vocês lerem os últimos versículos do capítulo 25 de 2 Reis, verão que, no trigésimo sétimo ano de seu cativeiro, o rei da Babilônia o tirou da prisão e o tornou amigo do rei.
Em outras palavras, Joaquim, em seus últimos anos, de fato viveu no palácio real. Tornou-se amigo do rei. Evidentemente, Zorobabel deve ter nascido em um ambiente muito bom, mesmo no cativeiro.
Estando na corte real, ele deve ter visto um homem — e vocês sabem quem era: Daniel. Daniel estava na corte real. Evidentemente, Daniel, já idoso — pois deve ter sido um homem idoso naquela época —, compartilhou com esse jovem amigo, Zorobabel, o propósito de Deus, a vontade de Deus, o nome de Deus, a casa de Deus e a glória de Deus.
Enquanto Daniel compartilhava essas coisas com esse jovem, o coração dele ardia por dentro. Ele tinha um desejo ardente por Deus e por Sua glória.
Assim, quando o decreto foi publicado, foi ele quem liderou o povo de volta a Jerusalém para edificar a casa de Deus. Todos os que voltaram com ele tinham o mesmo espírito.
Eles voltaram — cinquenta mil pessoas. Depois de retornarem a Jerusalém, a primeira coisa que fizeram foi edificar um altar para invocar o nome do Senhor, por causa do medo dos inimigos ao redor.
No segundo ano, começaram a lançar o fundamento da casa de Deus. Quando o fundamento foi lançado, os idosos que haviam retornado e que tinham visto o antigo templo — deviam ter mais de setenta, oitenta ou noventa anos — choraram. Mas os jovens, que nunca tinham visto o templo, gritaram de alegria.
Os inimigos ouviram e tentaram todos os meios para impedi-los. Em sua fraqueza, a obra ficou paralisada por cerca de quatorze anos. Durante aqueles dias, até que Deus levantou os dois profetas, Ageu e Zacarias, a obra permaneceu paralisada.
Por meio das profecias desses dois profetas, eles retomaram a reconstrução. Em quatro anos, a casa de Deus foi reconstruída. Graças a Deus por isso.
Irmãos e irmãs, há uma semelhança entre a restauração da casa de Deus em Jerusalém e a restauração do testemunho de Jesus hoje.
Mencionamos que a igreja hoje está no cativeiro babilônico. Em outras palavras, há muita confusão entre o povo de Deus.
O povo de Deus não está apenas buscando ganhos materiais terrenos, assim como as pessoas do mundo; vemos o povo de Deus correndo de um lado para outro, buscando coisas que perecem, assim como as pessoas deste mundo. Estamos pensando em construir nossa própria casa, nossos negócios, nosso próprio bem-estar — tudo para nós mesmos —, embora saibamos que estamos no cativeiro.
Irmãos e irmãs, como é engenhoso o sistema que inventamos! Vemos que o povo de Deus hoje não precisa adorar como um só povo. Vocês podem adorar da maneira que quiserem. Podem até ter sua própria igreja.
Não é verdade que nossa consciência parece ter sido subornada e adormecida? Pensamos que somos religiosos, que estamos adorando a Deus. Mas fazemos isso para satisfazer nosso desejo.
E quanto ao testemunho de Jesus? Onde está o testemunho de Jesus? Onde está a unidade do corpo de Cristo? Irmãos e irmãs, o povo de Deus hoje está em grande confusão.
No entanto, o chamado permanece: “Saiam da Babilônia. Voltem a Jerusalém e edifiquem a Minha casa”.
Não é hora, irmãos e irmãs, de começarmos a pensar nos interesses de Deus? Não é hora de sermos centrados em Deus, em vez de centrados em nós mesmos, até mesmo em nossas buscas e atividades religiosas?
Não é hora de pensarmos no testemunho de Jesus sobre esta terra, em vez de nosso próprio bem-estar? Não é hora de sairmos de toda confusão e voltarmos à pureza e à simplicidade que há em Cristo Jesus?
Tornamo-nos complicados demais, complexos demais. Precisamos voltar à simplicidade e à sinceridade em Cristo Jesus. Ali devemos edificar a casa de Deus.
Nós somos a casa de Deus. Deus quer habitar entre Seu povo. Ele quer nos edificar juntos como pedras vivas, edificadas sobre um único fundamento em Cristo Jesus.
Irmãos e irmãs, nosso espírito está sendo despertado? Podemos permanecer na Babilônia? Não devemos nos levantar, dispostos a enfrentar todos os perigos e a voltar para quase nada, para que a casa de Deus seja edificada?
Que Cristo seja o centro, o Cabeça da igreja, e que o povo de Deus seja unido como um só, para que o nome de Jesus seja glorificado.
Talvez nunca tenhamos visto a glória da igreja primitiva. Não vimos. Mas ouvimos falar dela; lemos a respeito dela no Livro.
Nosso espírito está sendo despertado? Podemos continuar em letargia e acomodação, como se nada fosse necessário? Onde está o testemunho de Jesus? Quem são as pessoas cujo espírito está sendo despertado para voltar à simplicidade e reconstruir a casa de Deus?
Que Seu altar seja erguido. Que o fundamento seja lançado. E que Sua casa seja edificada.
Graças a Deus, ao longo dos séculos da história da igreja — talvez vocês não encontrem isso na história oficial da igreja —, se realmente pesquisarem, encontrarão uma história espiritual não oficial da igreja ao longo desses vinte séculos.
Vocês perceberão que, em cada época, houve e há pessoas que ouviram o chamado: “Saiam da Babilônia, voltem a Jerusalém e edifiquem a casa de Deus”.
Passaram-se cinquenta e oito anos. Em 458 a.C., surgiu Esdras, um escriba — um escriba hábil. Sabem, Esdras significa “ajuda”. Na verdade, para os judeus, Esdras é considerado o escriba.
Ele dispôs o coração a buscar a lei de Deus, a cumpri-la e a ensiná-la ao povo de Deus. Era uma pessoa honrada, um estudioso, que vivia confortavelmente na corte persa, respeitado até pelo rei. No entanto, seu coração estava com o povo, com o remanescente em Jerusalém. Queria voltar para ensiná-los.
Aqui encontramos o segundo retorno, sob a liderança de Esdras. Alguns milhares de pessoas voltaram com ele.
Seu retorno tinha um propósito diferente do retorno sob a liderança de Zorobabel. Por quê? Porque o templo já estava construído e o serviço do templo estava em andamento. Mas, durante aqueles cinquenta e oito anos, o serviço havia enfraquecido.
A carga tributária era muito pesada. Sabem, não é só hoje; mesmo naquela época, a carga tributária era muito pesada. Como os impostos pesavam muito sobre o povo, até os sacerdotes e os levitas precisavam ganhar a vida. Tinham de voltar aos campos para cultivar a terra.
As ofertas eram tão escassas que, embora o serviço do templo continuasse, não havia sacrifícios suficientes. Não havia sacerdotes suficientes para fazer o trabalho. Em outras palavras, o templo estava ali e o serviço continuava, mas era muito fraco. O testemunho de Deus estava enfraquecido.
Assim, Esdras tinha no coração o encargo de voltar para embelezar a casa de Deus. Embelezar significa fortalecer o serviço do templo.
Ele era uma pessoa que conhecia profundamente a Palavra de Deus e conhecia a mão de Deus. Às vezes, espera-se que um escriba conheça a Palavra de Deus, mas ele pode não conhecer a mão de Deus. Esdras era alguém que conhecia ambas. Conhecia a Palavra de Deus e conhecia a mão de Deus sobre ele. Isto é, conhecia o próprio Deus.
Deus respondeu à sua oração, e ele voltou.
Ele recebeu permissão para voltar e fortalecer o serviço do templo. Haveria mais novilhos, mais cordeiros, mais ovelhas e mais recursos. O rei persa chegou a dizer que o tesouro real daria apoio a isso, e o tesouro do império persa era quase ilimitado.
Ele também isentou os levitas e os sacerdotes dos impostos, de modo que não precisavam pagá-los. Podiam dedicar-se ao serviço do templo. Nesse sentido, vemos como Esdras pôde fortalecer o serviço do templo.
Ao mesmo tempo, ele pôde purificar o povo. Durante aqueles cinquenta e oito anos, o povo escolhido de Deus, que deveria estar separado de todas as nações, começou a se casar com os povos ao redor. Por causa de todas essas impurezas, estavam sendo afastados de Deus.
Portanto, ao embelezar o templo, é preciso embelezar, ou purificar, o povo. O povo foi purificado e permaneceu um povo puro para Deus. Isso é muito importante.
Isso não diz respeito apenas ao testemunho daquela época; tem um significado maior. Um dia, o Messias viria por meio deles. Assim, Deus precisava preservar um povo para Si, a fim de preparar a vinda do Messias.
Graças a Deus, o serviço do templo foi fortalecido, o povo foi purificado e o testemunho de Deus foi restaurado.
Agora, irmãos e irmãs, mencionamos anteriormente que não somos apenas um templo santo, uma casa espiritual de Deus; somos também um sacerdócio santo. É a vontade de Deus que sejamos edificados juntos.
Sob um único Cabeça, Cristo; edificados juntos sobre um único fundamento, Cristo; edificados e unidos por uma única pedra angular, Cristo, para que Deus habite entre nós e fique satisfeito.
Essa edificação conjunta não é apenas algo exterior. É algo orgânico. O Espírito Santo deve nos edificar juntos como um só.
Um só em espírito, um só em alma, um só em amor; suportando uns aos outros com paciência; guardando a unidade do Espírito no vínculo da paz.
Crescendo juntos até a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus — é isso que Deus deseja para Seu povo.
Mas, além disso, Ele quer que sejamos um sacerdócio santo na casa de Deus.
O templo deve ser, como disse nosso Senhor Jesus:
A casa de Meu Pai.
Deve ser uma casa de oração para todas as nações. Mas, na época de nosso Senhor Jesus, havia se degenerado em uma casa de comércio, um covil de ladrões.
A igreja de Deus, segundo 1 Timóteo 3:15, é:
A casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade.
Grande é o mistério da piedade.
No entanto, em 2 Timóteo 2:20, ela se tornou uma grande casa. Há vasos de honra e vasos de desonra. Não é hora de nos purificarmos, deixando de ser vasos de desonra para sermos vasos de honra, úteis ao Senhor?
Somos um sacerdócio santo: o sacerdócio universal dos crentes. Sabem, já na época de Lutero, ele pregava o sacerdócio universal dos crentes. Vocês conseguem acreditar nisso? Os reformadores conheciam essa verdade, mas não a colocaram em prática.
Em vez do sacerdócio universal dos crentes, temos o sistema sacerdotal. Encontramos os leigos e o clero.
Não é hora de todo o povo de Deus vir embelezar a casa de Deus? Não é hora de todos nos levantarmos e atuarmos juntos como membros do corpo de Cristo, de acordo com o dom e a graça que Deus deu a cada um?
Não há ninguém que seja desnecessário. Não há ninguém que possa fazer tudo. Sob a autoridade de Cristo como Cabeça, todos os membros do corpo de Cristo atuam juntos como sacerdócio santo, para que Deus seja servido.
Irmãos e irmãs, é isso que Deus quer restaurar e recuperar em Seu povo.
Há recursos ilimitados, porque o tesouro do céu está dando apoio a vocês. Todos os dons espirituais e toda a graça de Cristo Jesus são de vocês. Não deveria haver falta alguma.
Mas a questão é: dispomos o coração a buscar a Palavra de Deus e a cumpri-la? Caso contrário, como podemos ensinar as pessoas?
Conhecemos a Palavra de Deus? Conhecemos a mão de Deus em nossa vida? Caso contrário, será algo acadêmico, não espiritual.
Deus quer que todos nós nos levantemos e sirvamos como sacerdócio santo em Sua casa.
Como será glorioso! Como será rico! Como Deus será abundantemente servido!
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, que o Teu povo ouça a Tua voz e que o espírito do Teu povo seja despertado.
Ó nosso Pai celestial, pedimos que o Teu povo se levante para reconstruir e fortalecer; que Tu sejas exaltado e servido, porque Tu és nosso Deus, nosso Pai, nosso Senhor, nosso Rei, o Senhor digno de toda honra.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.