Vamos abrir no livro de Hebreus, começando por Hebreus 1:1-3 e, depois, Hebreus 2:5-10.
Havendo Deus antigamente falado aos pais pelos profetas, em diversas porções e de diversas maneiras,
nestes últimos dias nos falou em Seu Filho,
a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas,
por meio de Quem também fez os mundos;
o Qual, sendo o resplendor de Sua glória e a expressa imagem de Sua substância,
e sustentando todas as coisas pela palavra de Seu poder,
depois de ter feito a purificação dos pecados,
assentou-Se à direita da Majestade nas alturas.
Porque não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo vindouro, do qual falamos.
Mas alguém, em certo lugar, testificou, dizendo:
Que é o homem, para que Te lembres dele?
Ou o filho do homem, para que o visites?
Tu o fizeste um pouco menor que os anjos;
de glória e de honra o coroaste,
e o constituíste sobre as obras de Tuas mãos;
todas as coisas sujeitaste debaixo de seus pés.
Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele.
Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus,
coroado de glória e de honra por causa do sofrimento da morte,
para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Porque convinha Àquele para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas,
ao trazer muitos filhos à glória,
aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.
Agradecemos ao Senhor por nos ter dado esta oportunidade de todos os irmãos e irmãs nos reunirmos diante Dele. Nosso tema é: “Mas vemos Jesus.”
Ontem à noite, nosso irmão usou Mateus 16:17-18 como base para sua comunhão. Nesta manhã, se o Senhor permitir, gostaria de compartilhar com os irmãos e irmãs a partir do livro de Hebreus.
O livro de Hebreus é uma mensagem a respeito de uma transição no tempo, de uma mudança de época. A lei havia terminado; a graça havia chegado.
Nosso Senhor veio a este mundo. Viveu na terra durante trinta e três anos, foi à cruz e completou por nós a obra da redenção. Depois, ressuscitou, ascendeu ao mais alto céu e assentou-Se à direita de Deus.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi enviado a este mundo. Cento e vinte discípulos foram batizados em um só Espírito, em um só Corpo, e, a partir daquele momento, a igreja começou a testemunhar do Senhor.
Embora a igreja enfrentasse oposição e perseguição dos judeus, aos olhos do Império Romano ela foi inicialmente considerada uma seita dentro do judaísmo. Portanto, naquela época, a igreja era, na verdade, protegida pelo Império Romano.
Mas, em 64 d.C., Nero, o imperador de Roma, incendiou a cidade de Roma. Não sabemos por que ele fez isso. Talvez quisesse queimar a cidade antiga para construir outra, nova e maior.
O incêndio da cidade causou muita hostilidade entre o povo. Para apaziguar os cidadãos, Nero encontrou um bode expiatório: culpou os cristãos.
A partir daquele momento, o Império Romano passou a perseguir o cristianismo. Se você se declarasse cristão, seria considerado um criminoso.
O cristianismo começou a se separar do judaísmo. Isso também estava de acordo com a vontade predeterminada de Deus, porque Cristo não poderia permanecer para sempre preso ao judaísmo.
Embora o evangelho tenha vindo dos judeus, ele não poderia ficar restrito ou limitado aos judeus. Deus usou essas circunstâncias para libertar o cristianismo do judaísmo.
Então, em 70 d.C., a cidade de Jerusalém foi arruinada e o templo foi destruído. A partir daí, o cristianismo e o judaísmo ficaram completamente separados.
Essa era a boa vontade de Deus, porque Ele queria conduzir Seu povo à plenitude de Cristo. Não devemos estar presos a formas religiosas.
Mas, sempre que Deus está trabalhando nesta terra, Satanás, o inimigo, também acelera sua obra.
Quando veio a perseguição, muitos crentes judeus que haviam confessado a Cristo não tinham um conhecimento claro do Senhor. Sua visão não era clara. Quando se sentiram frustrados, foram tentados a voltar ao judaísmo, porque ali tinham uma sensação de segurança.
Por isso, Deus deu o livro de Hebreus aos crentes judeus que haviam se convertido ao cristianismo. Por um lado, esse livro foi escrito para encorajá-los; por outro, foi escrito para adverti-los, a fim de que andassem retamente no caminho do Senhor e entrassem nas riquezas de Cristo.
Irmãos e irmãs, hoje também estamos em um momento de transição.
Sabemos que esta era da graça está prestes a terminar. Desde o momento em que nosso Senhor veio a esta terra e completou a salvação até os nossos dias, temos vivido na era da graça.
Mas o reino de Deus está prestes a chegar. O tempo da justiça virá, e nosso Senhor voltará.
Nesta transição de era, Deus deseja nos libertar de toda limitação, para que possamos verdadeiramente entrar em Cristo e nas riquezas de Cristo.
Mas, ao mesmo tempo, o inimigo também acelera sua obra. Ele usa vários meios para que os filhos de Deus sejam novamente presos a sistemas religiosos.
Embora não tenhamos saído do judaísmo, em princípio precisamos sair da religião. Precisamos sair da organização e do sistema, e precisamos entrar em Cristo.
No princípio, o judaísmo veio da revelação de Deus. Deus Se revelou a Israel, e, naquele tempo, essa revelação era viva.
Mas, ao longo das gerações, a revelação de Deus se transformou em religião. Uma revelação viva tornou-se um sistema morto.
Historicamente, isso aconteceu quando os israelitas foram levados cativos para a Babilônia. Depois que foram levados para lá, surgiram escribas e fariseus, que procuraram interpretar a revelação de Deus.
Uma geração após outra interpretava as interpretações da geração anterior. Tornou-se interpretação sobre interpretação e, gradualmente, tornou-se a tradição dos pais.
Assim, a revelação de Deus foi transformada em um sistema religioso morto, e muitas pessoas ficaram presas a ele.
Por que os crentes judeus queriam voltar ao judaísmo? Porque ali tinham uma sensação de segurança. Podiam ver alguma coisa e tocar em alguma coisa.
Havia um centro terreno, havia regras, havia rituais e havia um sistema de sacerdotes e mediadores. Todas essas coisas podiam ser vistas com os olhos e tocadas com as mãos.
Mas as coisas espirituais pareciam distantes. Sua visão ficou obscurecida, e eles não enxergavam claramente o coração de Deus. Não compreendiam a Cristo e, por isso, eram facilmente tentados a voltar ao sistema religioso dos homens.
Queridos irmãos e irmãs, hoje vemos o mesmo perigo. Nestes últimos tempos, quando tudo parece tão tenso, é muito fácil ficarmos confusos.
Se não tivermos uma visão clara de Cristo, será muito fácil sermos tentados a voltar ao mundo religioso. O cristianismo hoje se tornou um mundo religioso, com regras, locais de reunião, sacerdócio e sistemas de mediação.
Quando encontramos dificuldades, ou quando nos deparamos com algo que não conseguimos explicar, é fácil ficarmos frustrados e querermos voltar ao mundo religioso, porque parece mais fácil viver ali.
Mas, irmãos e irmãs, mesmo que voltemos ao mundo religioso, não poderá haver satisfação dentro de nós. Somente o próprio Senhor Jesus pode satisfazer nosso coração.
Portanto, há um grande encargo sobre nós: não olhar para outras coisas, mas ver somente o nosso Senhor. Que o Senhor abra nosso coração e nossa mente para que possamos vê-Lo.
Se verdadeiramente O virmos, então teremos liberdade.
Nesta manhã, gostaríamos de considerar quatro assuntos:
Começaremos pelo primeiro assunto: a pessoa de Jesus Cristo.
Quando vemos uma pessoa, a primeira coisa que queremos saber é quem ela é.
Quando João Batista veio pregando, os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para interrogá-lo. Eles perguntaram:
Quem és tu?
És tu o Cristo?
És tu Elias?
És tu o profeta?
João respondeu: “Não, eu não sou.”
Eles estavam investigando sua identidade. Quando nosso Senhor purificou o templo, também Lhe perguntaram: “Com que autoridade fazes Tu estas coisas? Quem és Tu? Qual é a Tua identificação?”
A identificação confere autoridade e qualificação. Quando temos a identificação adequada, podemos falar e trabalhar, e aquilo que fazemos tem valor. Portanto, a identificação é extremamente importante.
Quando nosso Senhor começou a ser rejeitado pelos judeus, foi a Cesareia de Filipe e perguntou aos Seus discípulos:
Quem dizem os homens que Eu sou?
Então, Ele lhes perguntou:
Mas vós, quem dizeis que Eu sou?
Simão Pedro recebeu uma revelação celestial e disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
“Tu és o Cristo”: esse é o Seu ofício. Ele é o Ungido, enviado por Deus para realizar a obra da salvação. “Tu és o Filho do Deus vivo”: essa é a identificação de Sua pessoa.
Irmãos e irmãs, precisamos conhecer nosso Senhor e conhecer Sua identidade.
Quando examinamos a identidade de uma pessoa comum, investigamos onde nasceu, quem eram seus pais, quem eram seus irmãos e irmãs, que educação recebeu e qual era sua origem. É fácil conhecermos esses antecedentes.
Mas não é fácil investigarmos a identidade de nosso Senhor.
Quando nosso Senhor estava na terra, aqueles que vinham de Nazaré diziam: “Sabemos Quem Ele é. Ele cresceu em Nazaré. Seu pai é carpinteiro. Ele mesmo é carpinteiro. Conhecemos Seus irmãos e Suas irmãs.”
Eles conheciam os antecedentes de nosso Senhor Jesus, mas será que O conheciam? Não conheciam. Identificaram Sua pessoa de maneira errada e, por isso, O rejeitaram.
E quanto a hoje? Temos os quatro Evangelhos diante de nós, e muitos de nós crescemos em famílias cristãs. Talvez tenhamos ouvido e lido a Bíblia desde a infância. Podemos estar muito familiarizados com a história do Senhor Jesus.
Mas isso significa que sabemos Quem Ele é? Tenho de confessar que simplesmente ler os quatro Evangelhos não significa que eu O conheça. Eu não O compreendia de modo algum.
Não é fácil conhecer a identidade e a pessoa de nosso Senhor. Quando Pedro confessou o Senhor, o Senhor não disse: “Simão Barjonas, você é muito inteligente.”
Pelo contrário, o Senhor disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas;
porque não foi carne e sangue que te revelaram isso,
mas Meu Pai, que está nos céus.
Não podemos conhecer a pessoa do Senhor apenas por meio de carne e sangue. Precisamos pedir ao Senhor que nos dê revelação.
Não basta simplesmente conhecer a letra da Bíblia. Precisamos receber revelação celestial no mais profundo de nosso coração, para que as palavras da Bíblia se tornem a palavra viva que o Espírito Santo nos fala.
Tenho de confessar que não me é possível fazer com que vocês vejam a Cristo. Somente o Espírito de Deus pode lhes mostrar o Senhor Jesus.
Portanto, enquanto temos comunhão, olhemos todos para o Senhor. Que o Espírito do Senhor ilumine Sua palavra e torne a verdade viva para nós, a fim de que possamos ver o Senhor Jesus no mais profundo de nosso coração.
No início de Hebreus, somos informados de que Deus falou. Deus é um Deus que fala. Ele deseja nos revelar tudo o que está em Seu coração.
Se Deus não falar, ninguém poderá conhecê-Lo. Mas agradecemos a Deus porque Ele é um Deus que fala, e Ele falou aos pais por meio dos profetas.
Antigamente, porém, Seu falar era limitado pelo homem. Deus só podia falar em muitas porções e de muitas maneiras — só podia falar em fragmentos.
Não era porque Deus não estivesse disposto a falar, mas porque o homem havia limitado a Deus.
Mas louvado seja Deus: nestes últimos dias, Deus nos falou em Seu Filho.
Entre os judeus, “os últimos dias” é uma expressão que se refere aos dias do Messias. Quando nosso Senhor veio a esta terra, teve início o período dos últimos dias. Quando Ele vier novamente, será a consumação da era.
Deus nos fala em Seu Filho. Quando o Filho fala, é o Pai que nos fala Nele, porque Ele é a Palavra de Deus.
Não é apenas quando o Filho fala que Deus está falando; quando o Filho andou nesta terra, Ele era a manifestação de Deus na terra. A revelação de Deus foi expressa de modo perfeito e completo em Seu Filho.
A primeira coisa que vemos, então, é que Jesus é o Filho de Deus. Quando os homens O ouvem, ouvem o Pai. Quando os homens O veem, veem o Pai.
Deus constituiu Seu Filho herdeiro de todas as coisas. Deus está disposto a dar todas as coisas a Seu Filho como Sua herança.
Antes que todas as coisas fossem criadas, Deus estabeleceu o propósito de criá-las e entregá-las a Seu Filho como Sua herança. Como o Filho é majestoso!
Ele não é apenas o herdeiro de todas as coisas; Deus criou todas as coisas por meio Dele. Quando Hebreus diz que Deus fez “os mundos” por meio Dele, não se refere apenas ao planeta Terra, mas a todo o universo.
Deus criou todo o universo por meio de Seu Filho, e entregou todas as coisas deste universo a Seu Filho. Ele é o único herdeiro, que herda todas as coisas.
Hebreus diz que Ele é o resplendor da glória de Deus.
Não temos como explicar plenamente a glória de Deus. Toda a Bíblia nos mostra a glória de Deus, mas a glória de Deus é o próprio Deus.
Ninguém jamais viu Sua face. Moisés orou:
Mostra-me a Tua glória.
Mas Deus disse:
Homem nenhum verá a Minha face e viverá.
Deus é glorioso demais para que o homem, por si mesmo, possa contemplá-Lo. No entanto, de maneira admirável, o Senhor Jesus é o resplendor da glória de Deus.
O sol que vemos é apenas o resplendor de sua glória, e nem mesmo esse resplendor pode ser contemplado a olho nu. Quanto mais glorioso é o próprio Deus!
Deus habita em luz inacessível. Ninguém pode vê-Lo; ninguém pode se aproximar Dele. No entanto, o brilho e o resplendor de Sua glória vieram para o nosso meio na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Em 2 Coríntios 4:6, lemos:
Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz,
é Quem resplandeceu em nossos corações,
para dar a luz do conhecimento da glória de Deus
na face de Jesus Cristo.
Quando vemos Cristo Jesus, vemos a glória de Deus em Sua face.
Nosso Senhor é como um prisma. Quando a luz incide em um prisma, ela se decompõe, e podemos apreciar o espectro de cores. Da mesma forma, o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.
Deus é luz, e nosso Senhor Jesus é cheio de verdade. Deus é amor, e nosso Senhor Jesus é cheio de graça. Nosso Senhor Jesus irradia para nós a glória de Deus.
Hebreus também diz que Ele é a expressa imagem da substância de Deus. Ele não é apenas o resplendor da glória de Deus; Ele é a expressão exata do próprio ser de Deus.
A palavra usada no idioma original se refere à impressão exata produzida por um selo ou carimbo. Seja qual for a verdadeira substância de Deus, o Senhor Jesus é sua expressão perfeita.
Toda a plenitude de Deus habita corporalmente Nele, porque Ele é Deus. Esse é o nosso Senhor Jesus.
Ele sustenta todas as coisas pela palavra de Seu poder.
Todas as coisas foram criadas por meio Dele, todas as coisas subsistem por meio Dele, e Ele é o poder que mantém todas as coisas unidas.
Pela palavra de Seu poder, Ele mantém todo o universo unido. Quando nosso Senhor foi crucificado, a terra tremeu. Por quê? Aquele que sustenta todas as coisas estava na cruz.
Se o universo perdesse o poder sustentador de nosso Senhor, ele se dissolveria, porque Ele é Aquele que sustenta todas as coisas.
Hebreus também nos diz que Ele fez a purificação de nossos pecados e assentou-Se à direita da Majestade nas alturas.
Às vezes, quando pregamos o evangelho, podemos dar a impressão de que Deus é severo, enquanto o Senhor Jesus é amoroso e compassivo. Podemos até pensar que Deus é injusto por permitir que Seu Filho sofra.
Mas, irmãos e irmãs, na condição de Filho de Deus, foi o próprio Deus Quem purificou nossos pecados. Foi o próprio Deus Quem agiu para nos purificar.
Deus não usou outro homem como sacrifício. Deus nos ama. Ele veio até nós em Seu Filho, por nossa causa. Como é grande o amor de Deus!
Por essa razão, Deus O exaltou sobremaneira, e agora Ele está assentado à direita de Deus.
Nosso Senhor Jesus é o Filho de Deus. Ele herda todas as coisas. Ele é o resplendor da glória de Deus, a expressa imagem da substância de Deus e Aquele que sustenta todas as coisas.
Se verdadeiramente virmos esse Senhor glorioso e majestoso no mais profundo de nosso coração, não poderemos deixar de nos prostrar diante Dele e adorá-Lo.
Nosso Senhor é digno de adoração. Ele não é apenas digno de adoração; é digno de ser nosso Cabeça. Em todas as coisas, Ele deve ter a primazia. Ele deve ser Senhor e Rei dentro de nós.
Precisamos aprender a obedecer à Sua palavra. O escritor de Hebreus diz que devemos prestar mais atenção às coisas que temos ouvido, para que não nos desviemos.
Qual é a palavra que temos ouvido? É a palavra do primeiro capítulo: nosso Senhor Jesus é o Filho de Deus.
Se não nos apegarmos firmemente a Ele, poderemos ficar à deriva. A imagem é a de um barco tentando entrar no porto. Se não tomar cuidado com a maré, poderá sair do rumo e não conseguir entrar no porto.
A palavra original também traz a ideia de algo que se esvai por um vazamento. Se não nos apegarmos firmemente ao Senhor, poderemos ficar à deriva ou nos esvair, e não chegar ao porto.
Muitas pessoas ficaram à deriva porque não têm uma visão clara de Cristo. Viram muitas coisas, mas não viram o Senhor Jesus.
Mas vemos Jesus. Se vimos o Senhor Jesus, vimos tudo. Precisamos fechar os olhos e os ouvidos para as distrações e, com um só coração e uma só mente, buscar nosso Senhor.
Nosso Senhor não é apenas o Filho de Deus. Hebreus 2 também nos mostra que Ele é Homem.
Quando Deus fez o homem, Ele o fez segundo Sua própria imagem e semelhança. Também deu ao homem autoridade sobre as aves do céu, os peixes do mar e todos os animais que rastejam.
Deus tinha um propósito glorioso. Ele queria que o homem fosse unido a Ele, reinasse com Ele e fosse usado por Ele para cumprir Seu propósito.
Mas, lamentavelmente, o homem se rebelou contra Deus e caiu. O homem perdeu a imagem de Deus e também perdeu a autoridade e o poder que Deus lhe havia dado.
No entanto, Deus não desistiu de Seu propósito original a respeito do homem.
No Salmo 8, Davi disse:
Que é o homem, para que Te lembres dele?
E o filho do homem, para que o visites?
Pois o fizeste um pouco menor que Deus,
e de glória e de honra o coroaste.
Esse era o pensamento original de Deus a respeito do homem. Mesmo depois que o homem caiu, Deus não mudou Seu propósito.
Na plenitude do tempo, nosso Senhor Jesus nasceu de mulher, nasceu sob a lei, para nos redimir de debaixo da lei e nos conduzir à filiação.
O propósito original de Deus a respeito do homem não mudou em nada.
Às vezes, o homem diz: “Quero ser um anjo.” Às vezes, talvez desejemos ser outra coisa. Quando eu era jovem, via os pássaros voando livremente e pensava em como seria maravilhoso ser um pássaro.
Mas graças a Deus porque Ele nos criou como seres humanos, pois Deus tem um propósito glorioso a respeito do homem.
Embora Adão tenha caído, e os descendentes de Adão também tenham caído, Deus enviou Seu Filho para Se tornar homem. Isso não é pouca coisa.
O próprio Deus Se tornou homem. O Criador tornou-Se um homem criado.
O Deus que está em toda parte ficou limitado a um corpo humano. O Deus que é todo-poderoso veio à terra como um bebê e cresceu gradualmente. O Deus eterno tornou-Se uma criança e aprendeu como homem.
Não é de admirar que Paulo diga em Filipenses 2 que, embora Ele fosse igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar, mas esvaziou-Se a Si mesmo.
Ele deixou de lado a glória, a majestade e as riquezas associadas à Sua posição divina. Não deixou de ser Deus, pois Ele é Deus; mas, quando veio à terra como homem, assumiu a forma de servo.
Deus tem autoridade sobre todo o universo. Ele faz tudo o que deseja, e ninguém tem o direito de questioná-Lo.
No entanto, quando nosso Senhor Jesus veio à terra, assumiu a condição de escravo. Um escravo não tem posição nem poder.
Ele Se tornou obediente diante de Deus até a morte, e morte de cruz.
Por que Ele fez isso? Porque nos ama. Porque nos amou, dispôs-Se a vir a esta terra como homem.
O Senhor muitas vezes chamou a Si mesmo de Filho do Homem. O que isso significa?
Ele não era apenas um homem. Ele é o princípio de um novo homem. Veio à terra como homem, pôs fim à velha raça de Adão e deu início a uma nova humanidade.
Em Adão, todos nós morremos; mas, em Cristo, todos somos vivificados. Ele nos salvou, e não apenas nos salvou, mas está nos conduzindo à glória.
Quando consideramos nosso Senhor Jesus como o Filho do Homem, vemos como Ele morreu por nós, como ressuscitou por nós e como nos trouxe de volta à vida e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais.
Como é grande essa salvação! Toda vez que consideramos nosso Senhor Jesus, desejamos nos aproximar Dele e depender Dele.
Ele não apenas perdoou nossos pecados; Ele nos conduzirá à glória. Ele nos restaurará ao propósito original de Deus a respeito do homem.
Tudo isso é porque Ele é o Filho do Homem. Esse é o nosso Senhor Jesus.
Irmãos e irmãs, esperamos que, no mais profundo de nosso coração e de nosso espírito, possamos vê-Lo. Muitas vezes temos considerado nosso Senhor pequeno demais. Temos dado a Ele muito pouca importância.
Que o Senhor abra nossa mente para que possamos ver o Jesus que está no coração de Deus. Ele é o Filho amado de Deus, e veio a esta terra como o Filho do Homem.
Se você verdadeiramente vir esse Jesus, Aquele em Quem crê, o que poderá tentar seu coração e afastá-lo Dele?
O que é mais precioso do que buscá-Lo? Podemos considerar todas as coisas como refugo em comparação com a excelência e o valor precioso de Cristo.
Como disse o salmista:
A quem tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
Nosso Senhor é Aquele que é digno de ser amado. Ele é Aquele que é digno de nossa adoração.
Nosso Senhor, como Tu és majestoso. Tu és o Filho de Deus, o Filho unigênito de Deus. Tu és tão digno de ser amado, e Tu és o Filho do Homem.
Nosso Deus, abre os olhos de nosso coração para que possamos ver Teu Filho.
Senhor, que nosso coração seja inteiramente preenchido por Teu Filho. Não permitas que nenhuma coisa terrena ocupe nosso coração.
Somente Tu és tudo em todos. Somente Tu és digno de nossa adoração.
Nós Te adoramos. Nós Te louvamos. Nós Te veneramos. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.