Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, nutrido nas palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido até agora;
mas rejeita as fábulas profanas e de velhas. Exercita-te, porém, na piedade;
porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.
Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação.
Pois para este fim trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.
Manda e ensina estas coisas.
Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê exemplo para os que creem, na palavra, no modo de viver, no amor, na fé e na pureza.
Até que eu venha, aplica-te à leitura, à exortação e ao ensino.
Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério.
Sê diligente nestas coisas; entrega-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos.
Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.
Essa é a porção que leremos por enquanto.
O tema desta conferência é adoração, oração e o ministério da Palavra de Deus. Sentimos profundamente que, nestes últimos dias, o Senhor está buscando aqueles que O adorem. Ele está chamando aqueles que orem diante Dele e procurando aqueles que possam ser ministros de Sua Palavra.
Sentimos que é isso que o Senhor está buscando entre o Seu povo: que haja adoradores diante de Deus, porque o nosso Deus é digno da nossa adoração; que haja atalaias aguardando e orando pela vinda do nosso Rei; e que Ele levante muitos ministros de Sua Palavra.
A responsabilidade do nosso irmão é compartilhar a respeito do ministério da Palavra de Deus. Quando entramos em contato com a Palavra de Deus, sabemos que isso é algo extremamente solene e honroso.
A Palavra de Deus é o próprio Deus.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
No princípio era o Verbo. Esse Verbo era o próprio Deus. Toda vez que entramos em contato com a Palavra de Deus, estamos, de fato, tocando o próprio Deus.
Quase toda a obra de Deus é resultado de Sua Palavra. Se vocês retirarem a Palavra de Deus da obra de Deus, então Deus praticamente não teria obra alguma nesta terra.
Agradecemos a Deus porque Ele fala. Se Deus não falasse, jamais poderíamos conhecê-Lo. Se Deus não falar, não haverá obra de Deus nesta terra.
Mas há algo muito maravilhoso: Deus quer falar ao homem por meio do homem.
Quando examinamos o livro de Gênesis, descobrimos que Deus, no jardim, falou com Adão face a face. Ele falou com Noé, Abraão, Isaque e Jacó.
Quando chegamos a Moisés, Deus falou diretamente com ele na sarça ardente. Ali, Ele comissionou Moisés para ir ao Egito e libertar o Seu povo.
Depois que Moisés conduziu os israelitas para fora do Egito, eles chegaram ao monte Sinai. Deus falou ao povo e lhes deu os Dez Mandamentos.
Em Êxodo 20, os israelitas disseram a Moisés: “Vá você e ouça a Palavra de Deus. Depois volte e nos diga o que Ele falou, porque estamos com medo”.
Eles viram os trovões, os relâmpagos e o terremoto. Não ousavam ouvir aquela Palavra. Disseram: “Ouça você a Palavra de Deus e volte para nos dizer o que Deus quer que façamos. Nós obedeceremos”.
Daquele momento em diante, até o fim do Antigo Testamento, Deus não falou diretamente ao Seu povo. Os homens não tinham ouvidos para ouvir a Palavra de Deus. Tinham medo de ouvir Deus falar.
Por isso, Deus confiou Sua Palavra aos profetas.
Havendo Deus, outrora, falado aos pais pelos profetas, em diversas porções e de diversas maneiras.
Deus usou profetas para falar ao Seu próprio povo. Contudo, as palavras proferidas por meio dos profetas eram dadas em fragmentos e de muitas maneiras. Até mesmo o maior profeta era apenas um vaso nas mãos de Deus. Deus não podia confiar toda a Sua Palavra a um único profeta.
Mas, louvado seja Deus, chegou a plenitude dos tempos, e o Verbo Se fez carne. Seu nome é Jesus.
Nestes últimos dias, Deus falou em Seu Filho. O Senhor Jesus não apenas falou por Deus; Ele mesmo, em toda a Sua Pessoa, é a Palavra de Deus.
Ele era verdadeiramente homem e possuía uma natureza humana e uma vida humana. Contudo, Sua vida era sem pecado. Embora estivesse na terra como homem, Ele era o Santo.
Quando estava na terra, Ele disse:
Eu nada posso fazer de Mim mesmo.
Ele ouvia o Pai e falava. Via o que o Pai fazia e o fazia também. O Pai falava dentro Dele, e o Pai realizava Sua obra por meio Dele.
Irmãos e irmãs, se o nosso Senhor Jesus tivesse falado Suas próprias palavras, elas teriam sido boas palavras. Se tivesse realizado Sua própria obra, ela teria sido boa e justa. Mas, enquanto esteve na terra, Ele Se submeteu completamente ao Pai. Negou a Si mesmo e colocou a Si mesmo de lado.
Todas as Suas palavras e todas as Suas obras vinham de Seu Pai. Por isso, em Sua vida, o Senhor Jesus pôde revelar plenamente o Seu Pai. Esse foi o ministério do nosso Senhor Jesus na terra: absoluto e completo.
Nos tempos do Novo Testamento, o Senhor levantou os apóstolos e profetas e lhes revelou o Seu mistério. Esses eram ministros da Palavra de Deus no Novo Testamento.
Como Deus queria falar por meio deles, o Senhor precisou realizar uma obra muito radical em suas vidas. Os apóstolos eram como nós. Tinham suas próprias opiniões e seus próprios sentimentos. Por isso, Deus precisou remover de suas vidas tudo o que era contrário a Ele.
Então o Senhor pôde confiar Sua Palavra a eles. Quando falavam, falavam a Palavra de Deus com uma consciência limpa.
Há uma diferença entre o ministério da Palavra de Deus no Antigo Testamento e o ministério no Novo Testamento. No Antigo Testamento, a Palavra de Deus vinha sobre os Seus profetas; ela não envolvia necessariamente a própria pessoa. Mas não é assim no ministério da Palavra de Deus no Novo Testamento.
O ministério do Novo Testamento se baseia no ministério do Senhor Jesus. O Senhor realiza uma obra profunda naqueles que usa como ministros de Sua Palavra, porque eles não estão apenas ministrando palavras; eles mesmos representam aquilo que pregam.
Paulo escreveu em 2 Coríntios 4 que, tendo recebido esse ministério, não falsificamos a Palavra de Deus, mas, pela manifestação da verdade, recomendamos a nós mesmos à consciência de todo homem, diante de Deus.
Isso significa que não estamos apenas ensinando a verdade. O próprio homem representa aquilo que prega. É por isso que há uma exigência tão elevada no ministério da Palavra de Deus no Novo Testamento.
Somos vasos. Somos vasos de barro, mas há um tesouro dentro do vaso.
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós mesmos.
Não pregamos a nós mesmos; pregamos Cristo Jesus como Senhor. Contudo, somos vasos. Os vasos de barro não são transparentes, mas dentro deles há um tesouro. Esse tesouro é o próprio Cristo.
Para que o brilho desse tesouro se manifeste, o vaso precisa ser quebrado. Se o vaso não for quebrado, o brilho permanecerá escondido dentro dele.
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;
perplexos, mas não desesperados;
perseguidos, mas não desamparados;
abatidos, mas não destruídos;
trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Para que a Palavra de Deus seja liberada por meio de nós, o Senhor organiza o nosso ambiente por meio de todo tipo de circunstância, a fim de que esse vaso seja quebrado. Então a luz do tesouro se manifesta.
Contudo, há algo muito milagroso. Embora o vaso seja quebrado e o brilho se manifeste, Deus não remove nem destrói completamente o vaso.
Quando Deus falou por meio de Paulo, Paulo era um vaso quebrado. Se vocês lerem 2 Coríntios, poderão ver que o quebrantamento pelo qual Paulo passou talvez tenha sido mais severo do que o dos outros apóstolos.
Por isso, a Palavra que veio por meio de Paulo era forte e cheia de vida. Era, de fato, a Palavra de Deus, mas ainda trazia a marca de Paulo.
Quando vocês leem as epístolas de Paulo, reconhecem Paulo. Quando leem os escritos de Pedro, reconhecem Pedro. Quando leem os escritos de João, reconhecem João. O Senhor realizou uma obra especial na vida de cada um deles, mas seu temperamento e sua personalidade ainda fluíam por meio de seu ministério.
Deus criou cada pessoa de maneira diferente. Há milhões de seres humanos, mas não há dois rostos iguais. Deus também nos deu temperamentos diferentes. Alguns são impulsivos; outros são quietos. Alguns são extrovertidos, e outros são introvertidos.
Essa individualidade permanece. Mesmo no novo céu e na nova terra, vocês reconhecerão Pedro como Pedro. Contudo, é Pedro e não é Pedro. É o Senhor expressando a Si mesmo por meio do temperamento de Pedro.
Não despreze a si mesmo por causa do seu temperamento natural. Deus ama cada pessoa e quer trabalhar em cada uma. É você, mas não é o velho você. É o Senhor. Isso é um mistério.
O Senhor quer que esse vaso seja quebrado, mas não joga o vaso fora. Ele pode falar Sua Palavra por meio de um vaso quebrado. Esse é o ministério da Palavra de Deus no Novo Testamento.
Paulo escreveu a Timóteo. Sabemos que o relacionamento entre Paulo e Timóteo era muito íntimo.
Na segunda viagem missionária de Paulo, quando ele chegou a Listra e Derbe, Timóteo lhe foi apresentado. Timóteo havia sido instruído nas coisas de Deus desde a juventude e, desde a infância, conhecia as Sagradas Escrituras.
Quando Paulo pregava naqueles lugares, Timóteo veio a conhecer o Senhor. Em um tempo relativamente curto, o Senhor manifestou em Timóteo o potencial para se tornar um ministro da Palavra de Deus. Por isso, Paulo levou Timóteo consigo.
Timóteo acompanhou Paulo enquanto ele pregava em vários lugares e aprendeu muito com o apóstolo. Paulo continuou a cuidar dele com muito carinho. Por isso, temos as duas epístolas: 1 Timóteo e 2 Timóteo.
A primeira epístola a Timóteo foi escrita depois da primeira prisão de Paulo em Roma. No fim de Atos 28, lemos que Paulo permaneceu em uma casa que ele mesmo havia alugado e pregava o reino de Deus sem impedimento.
É possível que Paulo tenha sido declarado inocente e libertado. Ele retomou seu ministério, visitou as igrejas e talvez tenha ido até à Espanha. Deixou Timóteo em Éfeso e escreveu esta epístola para ele.
Como alguém se torna um ministro da Palavra de Deus? Como alguém se qualifica para ministrar essa Palavra? Como alguém pode se tornar um porta-voz da Palavra de Deus?
Paulo chama a atenção de Timóteo para isto:
Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino.
Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.
Muitas vezes, prestamos atenção apenas ao ensino. Tornamo-nos familiarizados com a Bíblia, aprendemos a explicar a Palavra e talvez tenhamos alguma capacidade para pregar. Ensinar a Palavra é importante.
Mas Paulo nos mostra que, para ser um ministro da Palavra de Deus, o ensino, por si só, não é suficiente. Mais importante do que o seu ensino é você mesmo.
Se um homem não está correto, mesmo que suas palavras estejam corretas, ainda há algo errado. A força, o poder e a medida da Palavra ficam reduzidos.
Duas pessoas podem falar a mesma palavra. Uma pode ser usada por Deus, e a outra pode não ser usada por Deus. Embora ambas possam falar a Palavra de Deus, uma delas pode, na verdade, estar falando apenas a partir de si mesma.
Portanto, para ser um ministro, a pessoa é muito importante. Paulo disse a Timóteo:
Ninguém despreze a tua mocidade.
Timóteo precisava ser diligente diante de Deus para ministrar a Palavra.
Nesta manhã, vamos considerar que tipo de pessoa está qualificada para ser um ministro da Palavra de Deus. Desejamos que o Senhor levante todos nós como ministros de Sua Palavra.
No Antigo Testamento, Moisés sentiu que a responsabilidade era grande demais. O Senhor disse que tomaria do Espírito que estava sobre Moisés e O colocaria sobre os setenta anciãos.
Quando dois dos setenta permaneceram no acampamento e profetizaram ali, Josué ficou descontente e achou que deveriam ser proibidos. Mas Moisés disse:
Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o Seu Espírito sobre eles!
Nestes últimos dias, há uma fome de ouvir a Palavra do Senhor. As pessoas vão de cidade em cidade, do leste ao oeste e do norte ao sul, buscando a Palavra de Deus.
Deus quer falar, mas faltam-Lhe vasos. Em muitas localidades, falta à igreja a Palavra de Deus. Que o Senhor levante um grupo que possa, verdadeiramente, ser ministro de Sua Palavra.
É verdade que, às vezes, Deus pode usar uma pessoa não salva para falar Sua Palavra. A história nos conta que, mesmo quando uma pessoa não salva lê a Palavra de Deus, aqueles que ouvem podem ser tocados, porque há poder na Palavra de Deus.
Mas isso é incomum. Em condições normais, quem ministra a Palavra de Deus precisa ser uma pessoa salva.
Mas, quando aprouve a Deus, Que me separou desde o ventre de minha mãe e me chamou pela Sua graça,
revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios.
Deus revelou Seu Filho em Paulo para que Paulo O pregasse entre os gentios. Se não conhecemos o Senhor e não há uma revelação do Filho de Deus dentro de nós, não podemos verdadeiramente pregar Cristo aos outros.
Já compartilhei isso antes. Antes de ser salvo, eu já pregava. Lembro-me de que, quando estava prestes a pregar e não tinha uma mensagem, fui à biblioteca do meu pai. Meu pai era pregador, e peguei um livro de um conhecido pregador americano.
Havia naquele livro uma mensagem sobre a arca de Noé. Traduzi a mensagem para o chinês e fui pregá-la. Fiquei bastante satisfeito comigo mesmo. Quando terminei de pregar, ainda estava muito feliz.
Mas, depois, percebi que, se Cristo não está dentro de você, ainda que você consiga pregar, isso é inútil. O ministério da Palavra de Deus é, verdadeiramente, o ministério de Cristo.
Graças a Deus, alcancei misericórdia. Pregamos o Cristo que foi revelado dentro de nós. Portanto, em primeiro lugar, um ministro da Palavra de Deus precisa ser uma pessoa salva. Mas isso não é suficiente.
Um ministro do evangelho precisa ser uma pessoa consagrada.
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
Quem deseja ser um ministro da Palavra de Deus precisa ser uma pessoa consagrada. Às vezes, temos a ideia de que apenas os pregadores precisam ser consagrados. Quando fui salvo, esse era o meu próprio entendimento.
Mas a Bíblia diz: “Irmãos”. Todos os que receberam misericórdia não têm o direito de viver para si mesmos. Devemos nos oferecer como sacrifício vivo. Todos nós pertencemos a Ele e precisamos permitir que Ele viva por meio de nós.
Esse é o significado da consagração. Consagração não significa que você precisa fazer determinadas coisas. Significa que você se coloca sobre o altar e permite que Deus faça tudo o que deseja fazer.
Se alguém não é consagrado, mesmo sendo salvo, continua sendo uma pessoa dominada pela alma. Vive segundo seus próprios pensamentos e ainda deseja suas próprias coisas. Sua mente não foi renovada nem transformada.
Uma pessoa que não é consagrada tem uma vida nova, mas uma mente velha. Como alguém assim pode saber qual é a vontade de Deus? Conhece apenas a sua própria vontade.
Se Deus quer que você ministre Sua Palavra, mas você mistura seus próprios pensamentos com a Palavra de Deus e a interpreta pelo seu intelecto natural, você prejudicará a Palavra. Portanto, quem deseja ser um ministro precisa ser uma pessoa consagrada.
A consagração é fundamental, mas ainda não é suficiente. Também precisamos ser vasos quebrados diante de Deus.
Mesmo sendo consagrados, a vida do nosso eu ainda pode ser muito forte. Ainda podemos não estar dispostos a abrir mão dessa vida do eu. Se o vaso não foi quebrado, o brilho de Cristo não pode resplandecer.
O vaso de barro representa o nosso homem exterior. O nosso homem exterior pode encobrir o nosso homem interior, impedindo que a vida interior seja liberada. Por isso, o homem exterior precisa ser quebrado, enquanto o homem interior é renovado dia após dia.
Se a vida da nossa alma não foi quebrantada, a vida espiritual não pode ser liberada. Todo aquele que deseja ministrar a Palavra de Deus precisa conhecer a cruz.
O Senhor precisa realizar uma obra profunda em nossas vidas, removendo o domínio da vida da alma para que a vida de Cristo possa amadurecer e crescer dentro de nós. Se a cruz não está realizando essa obra de renovação dentro de nós, a Palavra de Deus não pode ser liberada.
Por exemplo, uma pessoa muito intelectual pode usar sua boa capacidade mental para ler a Palavra de Deus e expô-la de maneira refinada. Contudo, o que toca as pessoas pode ser o seu intelecto, e não Cristo.
Quando essa pessoa termina de pregar, os ouvintes podem dizer: “Foi uma boa mensagem. Estava bem organizada, e as palavras eram apropriadas”. Mas, se Cristo não os tocou, isso é um fracasso.
Quando as pessoas ouvem você pregar, devem se esquecer de você e se lembrar de Cristo. Se você não é um vaso quebrado, o que entrega às pessoas é simplesmente você mesmo, e isso não é Cristo.
Como o frasco de alabastro de Maria, precisamos permitir que o vaso seja quebrado, para que a fragrância de Cristo encha a casa. Precisamos ser vasos quebrados.
Quem deseja ser um ministro da Palavra de Deus precisa ser uma pessoa transformada. Qual é a diferença entre quebrantamento e transformação? O quebrantamento é negativo; a transformação é positiva.
O vaso pode ser quebrado, mas, se houver apenas um pouco de tesouro dentro dele, o brilho será fraco. Por isso, precisamos de transformação interior. Quanto mais permitimos que a transformação aconteça, mais a plenitude de Cristo é incorporada em nós.
Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como por um espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
A transformação acontece em nossa alma. Nosso espírito já foi vivificado, e o Espírito Santo habita em nosso espírito. Cristo é a vida do nosso espírito. Mas nossa alma — nossa mente, emoção e vontade — ainda precisa de transformação.
O Espírito Santo coloca a vida da alma sob a morte e enche a alma com a vida de Cristo. Essa é a oração de Paulo em Efésios 3: que Cristo habite em seus corações pela fé.
Cristo habita em nosso espírito, mas deseja avançar para fora e habitar em nossos corações. Então nossa mente é transformada, nossas emoções são transformadas e nossa vontade é transformada. Temos a mente de Cristo, Seus sentimentos e Sua vontade.
Isso é transformação. Precisamos dessa transformação para que aquilo que sai de nós seja Cristo, e não nós mesmos.
O templo ilustra isso. O átrio exterior representa o nosso corpo, o Lugar Santo representa a nossa alma, e o Santo dos Santos representa o nosso espírito. Entre o Lugar Santo e o Santo dos Santos havia um véu.
A glória de Deus estava dentro do Santo dos Santos, mas, no Lugar Santo, não se podia ver essa glória. Quando o véu é removido, a luz que vem de dentro pode brilhar no Lugar Santo e encher todo o templo. Isso é transformação.
A obra mais profunda da cruz é tratar a vida da nossa alma para que a vida de Cristo possa encher as diferentes partes dela. Nossa mente se torna Sua mente, nossos sentimentos se tornam Seus sentimentos e nossa vontade se torna Sua vontade.
Então a Palavra de Deus não ficará mais limitada dentro de nós. Isso é a edificação do caráter espiritual.
Precisamos desenvolver nosso caráter. Em nossa vida natural, temos uma natureza pecaminosa. Depois de vivermos segundo essa natureza durante muitos anos, ela se torna nosso caráter e nossa personalidade.
Mas a vida de Cristo tem uma nova natureza. Essa nova natureza precisa ser cultivada. Precisamos viver pelo Espírito, e isso se torna um novo caráter.
Embora tenhamos uma nova vida e uma nova natureza depois de crer, se não vivermos segundo essa nova vida, não poderemos ter um novo caráter. Um novo caráter resulta da transformação e nos conforma à imagem de Cristo.
A transformação acontece a partir de dentro, e o caráter de Cristo flui por meio de nós. Essa é a vontade de Deus, porque Ele quer que sejamos conformados ao Seu Filho.
Portanto, não se trata apenas de pregar a Palavra de Deus. Precisamos recomendar a nós mesmos à consciência de todo homem, diante de Deus. Muitas vezes, o evangelho está encoberto, não porque as palavras estejam incorretas, mas porque o próprio homem o encobre.
Não posso concluir esse assunto do caráter em poucos minutos, mas espero que vocês leiam o livro O Caráter do Obreiro de Deus. Menciono Watchman Nee com frequência porque recebi muita ajuda dele.
Ele menciona muitos aspectos do caráter exigido dos obreiros de Deus. Hoje mencionarei apenas alguns.
Quem deseja ser um ministro da Palavra de Deus precisa, em primeiro lugar, ter um caráter diligente.
Na diligência, não sejais remissos;
sede fervorosos de espírito;
servi ao Senhor.
Quem deseja ministrar a Palavra de Deus precisa ser uma pessoa diligente — não apenas diligente no estudo da Palavra, mas também no viver e na realização da obra de Deus. Deus nunca usará uma pessoa preguiçosa.
Alguém disse assim: nem Satanás tem utilidade para uma pessoa preguiçosa. Esse é o nosso problema. Até aqueles que são diligentes na vida natural podem se tornar preguiçosos nas coisas de Deus.
Algumas pessoas são diligentes nas coisas do mundo, trabalhando desde antes do nascer do sol até a meia-noite. Mas, quando se trata das coisas de Deus, ficam sonolentas. Parece que são preguiçosas nas coisas espirituais.
Essa diligência precisa ser cultivada. Jovens, decidam diante do Senhor ler, a cada dia, uma determinada porção da Palavra de Deus. No começo, pode ser difícil, mas vocês precisam fazer isso até que se torne um bom hábito. Desenvolvam um caráter diligente e não sejam preguiçosos.
Em segundo lugar, precisamos controlar nossa fala.
Tiago 3 nos diz que a língua é o menor membro do corpo, mas nenhum homem consegue domá-la.
Muitas palavras trazem muitas transgressões. Por isso, nossa fala precisa ser controlada.
Se você quer falar a Palavra de Deus, sua fala precisa ser controlada. Você não pode usar a boca para amaldiçoar ou criticar as pessoas e, ao mesmo tempo, pregar a Palavra de Deus.
Como falamos demais, nossa espiritualidade acaba se esvaindo.
Essa é uma lição que todos precisamos aprender diante do Senhor. Somente o Espírito Santo pode controlar nossa língua. Se você tentar controlar a própria língua apenas por si mesmo, talvez simplesmente mantenha a boca fechada; mas, quando a abrir, ainda poderá falar de maneira errada.
Graças a Deus, o Espírito Santo pode Se tornar um vigia interior. Quando você está prestes a dizer algo que não vem do Senhor, há uma voz interior dizendo: “Pare”.
Isaías disse:
Sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de lábios impuros.
Precisamos ser sensíveis diante de Deus e pedir ao Senhor que controle nossa fala.
Em terceiro lugar, precisamos de estabilidade. Não podemos ser inconstantes.
Pedro, originalmente, era uma pessoa instável. Mas, pela obra do Senhor em sua vida, quando vocês leem sua primeira e sua segunda epístolas, veem um homem estável.
Para ser um ministro da Palavra de Deus, você não pode ser subjetivo. Todos temos nossas próprias opiniões, mas, quando nos aproximamos da Palavra de Deus e a ministramos, não podemos ser governados por nossos próprios pensamentos e opiniões.
Para ser um ministro da Palavra de Deus, é preciso ter disposição para sofrer. É isso que encontramos em 1 Pedro 4. Por causa de Sua Palavra, precisamos estar dispostos a sofrer.
A formação do caráter não é uma questão fácil. Precisamos ser pessoas transformadas.
Precisamos da unção. No Antigo Testamento, reis, profetas e sacerdotes eram ungidos para o seu serviço. No Novo Testamento, se vamos realizar a obra de Deus, precisamos estar sob a unção do Espírito Santo.
Isso significa estar sob o controle do Espírito Santo e ser cheio Dele. É o Espírito Santo Quem dá a Palavra, usa a Palavra e realiza a obra de Deus por meio da Palavra.
A Palavra de Deus é a espada do Espírito. Não é a sua espada nem a minha. Não devemos usar a Palavra de Deus simplesmente para ferir as pessoas. Somente o Espírito Santo pode usar essa espada de maneira eficaz.
Precisamos da unção do Senhor toda vez que ministramos Sua Palavra. Precisamos pedir: “Senhor, enche-me com o Teu Espírito. Que o Teu Espírito fale a Palavra. Espírito Santo, realiza a Tua obra — não pelo meu poder, não pela minha vida, mas pelo Teu Espírito”.
Então a obra do Senhor será realizada. Essa é a Palavra do Senhor, e não apenas a palavra do homem.
Senhor, apresentamos esta palavra a Ti, sob a cobertura do Teu precioso sangue. Confessamos que não somos dignos de anunciar a Tua Palavra.
Contudo, nós Te agradecemos porque Tu nos escolheste e desejas falar a Tua Palavra por meio de nós. Pedimos que realizes uma obra profunda na vida de cada um de nós, para que a Tua Palavra não seja diminuída.
Que a Tua Palavra tenha toda a sua força e todo o seu poder. Senhor, fala ao Teu povo. Cumpre a Tua vontade e recebe a Tua glória.