Ao anjo da igreja em Éfeso escreve:
Estas coisas diz Aquele que tem na Sua mão direita as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
Conheço as tuas obras, o teu labor e a tua perseverança, e que não podes suportar os homens maus; puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
e tens perseverança, e suportaste por causa do Meu nome, e não te deixaste esmorecer.
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras; senão, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.
Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida, que se encontra no paraíso de Deus.
Vamos nos prostrar e orar.
Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos porque podemos nos reunir em Teu nome. Cremos que Tu és o Deus fiel e que estarás conosco segundo a Tua própria palavra.
Senhor, desejamos a Tua presença mais do que qualquer outra coisa. Senhor, se temos a Tua presença, estamos vivos. Se perdemos a Tua presença, somos como mortos.
Nós Te agradecemos e Te louvamos porque, quando estás conosco, o Teu Espírito fala conosco. Por isso, olhamos para Ti, para que nesta noite nos fales por meio do Teu Espírito. Abre os nossos ouvidos para que possamos contemplar a Tua própria glória, para que nos prostremos diante de Ti e Te adoremos.
Porque Tu és o Deus admirável, oramos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Em cada uma das sete cartas, encontramos esta frase:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Porque o Senhor está entre as igrejas, o Espírito tem palavras para nós. Em Apocalipse 1, João estava na ilha de Patmos e teve uma visão de sete candeeiros de ouro. No meio deles estava Alguém semelhante a um Filho de homem. Este é o Senhor ressurreto.
O Cristo ressurreto está entre as igrejas. Ele não apenas está entre os sete candeeiros de ouro, mas também anda no meio deles. Porque Ele está no meio deles, podemos ouvir as palavras do Espírito Santo. A palavra do Espírito Santo está de acordo com a presença de Cristo.
Lembramos que, quando nosso Senhor estava na terra, Ele disse:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Este é o significado da igreja. O que é a igreja? A igreja existe quando dois ou três se reúnem em nome do Senhor. Não se trata apenas de uma pessoa; trata-se de mais de uma pessoa reunida em Seu nome.
Reunir-se em nome do Senhor significa render-se diante do nome do Senhor, para que Ele possa verdadeiramente ser Senhor no meio dos que se reúnem. Sob essa condição, o Senhor diz: “Estarei com vocês. Estarei no meio de vocês”.
A glória da igreja é a presença do Senhor. Se não há a presença do Senhor, isso não pode ser considerado a igreja de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, hoje podemos nos reunir em nome do Senhor e, ainda assim, não ter nos rendido a Ele. Podemos dizer com a boca que estamos nos reunindo em nome do Senhor, mas somos nós mesmos que estamos governando.
Muitas vezes, nem sequer esperamos que o Senhor esteja conosco. Nem precisamos que Ele esteja conosco, porque sabemos o que fazer. Sabemos como nos reunir. Temos nossas tradições. Temos nossa ordem.
Às vezes, até sentimos que a presença Dele nos incomoda. Se Sua presença realmente estiver aqui, não poderemos fazer as coisas da maneira que queremos. Dizemos que queremos nos reunir em Seu nome, mas queremos fazer nossa própria obra.
Às vezes, gostamos que Ele venha nos visitar. Quando Ele nos visita, pode nos dar alguma bênção, e podemos ser reavivados. Então temos contato com Ele e nos sentimos satisfeitos. Mas não esperamos de fato que Ele permaneça ali o tempo todo.
Queridos irmãos e irmãs, é esta a nossa condição hoje?
No século passado, havia um pregador e mestre muito conhecido chamado A. J. Gordon. Ele era pastor de uma grande igreja em Boston, mas amava o Senhor.
Certa noite de sábado, ele estava preparando a mensagem que pretendia compartilhar no dia seguinte. Enquanto a preparava, ficou cansado e adormeceu. Então teve um sonho.
Em seu sonho, ele estava no púlpito, e o prédio da igreja estava cheio de pessoas. Quando estava prestes a falar, alguém entrou pelos fundos. Era um desconhecido, alguém que ele não conhecia.
O desconhecido olhou para a direita e para a esquerda, procurando um lugar para se sentar. Naquela época, os bancos das igrejas muitas vezes eram reservados a determinadas famílias. Todos os lugares estavam ocupados, e o desconhecido caminhou pelo local para ver se alguém lhe daria espaço.
Quando chegou mais ou menos à metade do corredor, um homem se levantou e o convidou a sentar-se no banco. O desconhecido se sentou.
A. J. Gordon começou a falar, mas, por alguma razão, seus olhos estavam fixos naquele desconhecido. O homem tinha um rosto solene, como quem havia passado por sofrimento. Sua atitude era humilde, e suas roupas eram simples. Ainda assim, estava ali sentado, ouvindo com muita atenção.
Depois da reunião, A. J. Gordon quis encontrar o desconhecido. Mas, quando desceu do púlpito, aquela pessoa havia desaparecido. Ele ficou desapontado e perguntou ao homem que lhe havia cedido o lugar: “Quem era aquele desconhecido?”
O homem disse a A. J. Gordon: “Ele é Jesus de Nazaré. Ele veio hoje e virá novamente”.
Quando A. J. Gordon ouviu isso, seu coração foi profundamente tocado. Ele começou a perguntar a si mesmo: “Sobre o que eu estava falando hoje? Estava falando de acordo com o que as pessoas gostam de ouvir? Eu estava falando sobre a Palavra, mas qual era o meu espírito?”
Ele pensou no Cristo crucificado, ali de pé. “Quando falo, estou exaltando Cristo ou exaltando a mim mesmo? Não sei se o meu Senhor gosta do nosso edifício gótico. Não sei se Ele gosta dos nossos vitrais, do nosso grande órgão, da nossa música ou da nossa programação.”
Para ele, aquilo não foi apenas um sonho. Tornou-se uma realidade por toda a sua vida: Cristo veio à igreja. Essa visão mudou a condição da congregação. Muitas coisas exteriores desapareceram, e tudo mudou.
Queridos irmãos e irmãs, se o Senhor viesse à igreja hoje, como responderíamos? O Senhor está na igreja? O Senhor de fato está na igreja. Se conseguimos continuar como se nada tivesse acontecido, talvez seja porque não percebemos que Ele está aqui.
Se o Senhor está aqui, deveria haver uma profunda resposta dentro de nós. Se o Senhor vem à igreja, o que Ele está procurando? O que pode satisfazer Seu coração? O que O entristecerá? Nossa condição atual satisfará Seu coração?
A presença do Senhor é o verdadeiro significado da igreja. Se o Senhor está aqui, nossa condição não pode simplesmente continuar como está.
No final do primeiro século, dos doze apóstolos, somente João permanecia. Ele era o mais jovem, mas agora estava velho. Ele havia trabalhado na Ásia — não no continente asiático, mas na província romana da Ásia.
As igrejas na Ásia haviam sido estabelecidas por meio do evangelho. Paulo já havia sido martirizado, e João havia se mudado para a Ásia e servido à casa de Deus em Éfeso e em outros lugares.
Mas o próprio João foi preso por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Foi exilado na ilha de Patmos, que ficava perto da costa da Ásia.
Quando o tempo estava bom, João podia ver a província da Ásia a partir da ilha de Patmos. Certa manhã do dia do Senhor, enquanto olhava na direção da Ásia, seu coração ansiava pelas sete igrejas. Eram igrejas às quais ele havia servido, mas das quais agora não podia cuidar.
Então ouviu atrás de si uma voz, como o som de uma trombeta. Ele se voltou e viu sete candeeiros de ouro. No meio dos candeeiros estava Alguém semelhante a um Filho de homem. Essa foi a visão que ele teve em Patmos.
Essas sete congregações haviam sido estabelecidas por Paulo e continuamente servidas por João. Poderíamos pensar que igrejas iniciadas por Paulo e servidas por João certamente seriam igrejas gloriosas.
Mas, quando o Senhor escreveu a essas sete igrejas, vemos que somente Filadélfia recebeu elogios sem repreensão. Esmirna não foi censurada, embora não tenha recebido nenhum elogio especial. As outras igrejas foram chamadas ao arrependimento.
Essa era a condição das igrejas no final do primeiro século. No final de cada carta, encontramos estas palavras:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
A carta a Éfeso não era somente para Éfeso. Cada carta era dirigida às igrejas. Essas cartas não falam apenas às igrejas da Ásia, nem apenas às igrejas do final do primeiro século, mas às igrejas de todas as épocas — e a nós hoje.
Portanto, quem dentre nós tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz.
O que o Espírito diz tem uma base. Vamos abrir em João 16:13-14.
Quando, porém, vier Ele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir.
Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.
O Espírito Santo não fala por Si mesmo. Ele fala de acordo com o que ouve e nos anuncia o que recebeu do Senhor. Não importa o que o Espírito Santo diga, Ele sempre nos conduz a Cristo.
Aqui, a visão é Cristo, e a voz é o Espírito. A voz do Espírito nos conduz à visão de Cristo. Quando o Espírito Santo fala, vemos Cristo.
Se dizemos que ouvimos uma palavra, mas não vemos Cristo, então sabemos que essa palavra não é do Espírito. Pode ser doutrina; pode até ser uma doutrina correta. Mas, se não nos conduz a Cristo, não é o falar do Espírito Santo.
O Espírito Santo veio à terra com um único propósito: glorificar Cristo. Como sabemos que esta é a voz do Espírito? Ela nos conduz a Cristo.
O Senhor diz à igreja em Éfeso:
Conheço as tuas obras, o teu labor e a tua perseverança, e que não podes suportar os homens maus; puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
e tens perseverança, e suportaste por causa do Meu nome, e não te deixaste esmorecer.
O Senhor está no meio da igreja; por isso, Ele diz: “Eu conheço”. Ele conhece tudo. Exteriormente, a igreja em Éfeso tinha muitas coisas boas.
A igreja em Éfeso tinha muitas obras e muitas atividades. Talvez tivessem reuniões para crianças, reuniões para jovens e muitos tipos de serviço. Eram cheios de vida e ativos.
No início, essas eram obras de fé. Porque tinham fé no Senhor, tinham muitas atividades. Elas eram realizadas segundo o poder do Espírito.
Mas uma obra pode continuar até que as pessoas já não sintam a necessidade de depender do Senhor. Ela pode se tornar uma tradição. As pessoas se acostumam a ela. Então a fé se perde, e a obra se torna morta.
Exteriormente, talvez você não consiga perceber a diferença. Mas o Senhor diz: “Eu conheço”.
O Senhor também diz:
Conheço o teu labor.
No início, o labor deles deveria ter sido um labor de amor. Eles serviam aos santos, recebiam visitantes, visitavam os fracos, visitavam os presos e cuidavam dos necessitados.
Havia muito labor de amor. Mas, aos poucos, o labor continuou, enquanto o amor interior desapareceu. Então ele se tornou uma rotina.
O Senhor sabe. Ele diz:
Conheço o teu labor.
A Escritura fala da perseverança que vem da esperança. Suportamos as provações porque temos esperança no Senhor. As provações podem vir das circunstâncias, do mundo e até mesmo dos irmãos e irmãs.
Às vezes pensamos que, quando chegamos à igreja, teremos somente desfrute e nunca sofrimento, como se cada irmão e cada irmã fossem anjos. Mas, quando entramos na vida prática da igreja, podemos descobrir que algumas feridas são mais dolorosas do que as feridas causadas pelo mundo.
Ainda assim, porque temos esperança, podemos perseverar. Sabemos que, se perseverarmos com o Senhor, há esperança.
Mas a perseverança pode se tornar uma mera obrigação. Uma pessoa pode dizer: “Sou cristão. Preciso suportar. Preciso sorrir por fora”. Contudo, interiormente, ela não está disposta. A esperança desapareceu e, por isso, a alegria também desapareceu.
Originalmente, a perseverança trazia alegria por causa da esperança. Mas, quando a esperança desaparece, a alegria desaparece. Exteriormente, ainda podemos parecer perseverantes, mas a condição interior é diferente.
O Senhor diz:
Não podes suportar os homens maus.
Na língua original, diz simplesmente que eles não podiam suportar o mal. Naturalmente, isso inclui os homens maus.
A igreja em Corinto havia tolerado o mal a um ponto que não deveria ser encontrado nem mesmo entre os gentios. Mas a igreja em Éfeso era diferente. Eles tinham um senso de justiça. Quando o mal aparecia, não podiam tolerá-lo; precisavam lidar com ele.
Fosse o mal uma falsa doutrina, uma heresia, uma conduta má ou pessoas más, eles se opunham a ele. Isso era correto. Contudo, poderiam passar a fazer isso a partir de um suposto senso de justiça que se transformava em justiça própria. Começavam a pensar que estavam acima dos outros.
O Senhor conhece a verdadeira condição entre eles.
O Senhor também os elogiou porque puseram à prova aqueles que se diziam apóstolos, mas não eram, e descobriram que eram falsos.
No Novo Testamento, não havia somente os doze apóstolos. Havia outros apóstolos verdadeiros, enviados e estabelecidos por Deus. Mas também havia falsos apóstolos. O verdadeiro apóstolo é enviado por Deus e realiza a obra de Deus. O falso apóstolo estabelece a si mesmo e constrói seu próprio império.
No final do primeiro século, muitos falsos apóstolos vieram a Éfeso. Reivindicavam autoridade para poder ensinar, governar e exercer autoridade sobre a igreja.
Os crentes de Éfeso tinham a capacidade de distinguir entre o verdadeiro e o falso porque conheciam bem as Escrituras. Sabiam como usar a Bíblia para testar o que era verdadeiro e o que era falso. Isso era uma coisa boa.
Mas poderiam ir tão longe ao testar os falsos apóstolos que chegariam a rejeitar até os verdadeiros. Eles mesmos se tornavam os juízes. Colocavam-se acima daqueles que Deus havia enviado.
O Senhor diz que eles haviam suportado por causa do Seu nome e não haviam desanimado. Essa perseverança era diferente da mencionada anteriormente. Essa perseverança enfrentava o mundo.
Por causa do nome do Senhor, eles suportavam a perseguição e a incompreensão do mundo. Não desanimavam. Isso também era uma coisa boa.
Mas até essa perseverança poderia se tornar apenas: “É isso que devo fazer porque sou cristão. Não tenho outro caminho”. Mais uma vez, a condição interior havia mudado. O Senhor conhecia a condição interior deles.
O Senhor diz:
Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio.
Na história da igreja, não podemos identificar com segurança um grupo específico chamado nicolaítas no final do primeiro século. A palavra parece ser simbólica. Nas sete cartas, os nomes frequentemente têm um significado simbólico.
O nome nicolaítas é formado por duas palavras gregas. Uma significa conquistar ou dominar; a outra se refere aos leigos, às pessoas comuns. Em outras palavras, descreve uma divisão entre clero e laicato.
Algumas pessoas passaram a considerar a si mesmas uma classe superior. Dominavam os crentes comuns. Colocavam-se à parte como as únicas que podiam servir ao Senhor, como se fossem sacerdotes do Antigo Testamento, enquanto todos os outros irmãos e irmãs fossem apenas leigos.
Essa distinção de classes ainda não havia se tornado uma doutrina formal. Primeiro, era uma prática e uma atitude. Algumas pessoas se comportavam como se estivessem acima de todos os outros.
O próprio João havia passado por isso. Ele falou de um homem que gostava de ter a primazia na congregação e que não recebia os servos de Deus.
O Senhor diz:
As quais Eu também odeio.
Todos nós somos filhos de Deus. Somos membros uns dos outros. Cada um de nós é um sacerdote real, e cada um de nós deve servir ao Senhor.
Não agrada ao Senhor que haja um mediador entre nós e Ele. Entre Deus e o homem, há somente um Mediador: nosso Senhor Jesus Cristo. Entre nós e o Senhor, não deve haver nenhum outro mediador.
Cada irmão e cada irmã podem ir diretamente ao Senhor. Cada irmão e cada irmã devem se levantar e servi-Lo, viver para Ele e oferecer-Lhe sacrifícios espirituais. Não devemos ter essa distinção de classes entre nós. Esse comportamento é odiado pelo Senhor.
Contudo, há outro perigo. Ao se oporem ao sistema nicolaíta, as pessoas podem ir ao extremo oposto e adotar a democracia. Mas a igreja não é uma democracia. A igreja é uma teocracia: ela é governada por Deus.
Embora sejamos iguais diante do Senhor no que diz respeito à vida e à graça, há uma ordem espiritual na Palavra de Deus. Deus é o cabeça de Cristo, Cristo é o cabeça de todos, e o homem é o cabeça da mulher.
Às vezes, as irmãs podem ser mais espirituais do que os irmãos. Isso frequentemente é verdade. Mostra que a graça de Deus não faz distinção entre homem e mulher. Mas, na família e na igreja, ainda há uma ordem espiritual.
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são iguais em natureza. Um não é superior ao outro. Contudo, para cumprir a vontade do Pai, o Filho voluntariamente Se submete ao Pai. Isso é ordem espiritual, não desigualdade.
A igreja em Éfeso havia chegado ao ponto de conseguir odiar o que Deus odeia, mas não conseguir amar o que Deus ama. Exteriormente, eles pareciam estar bem. Mas o Senhor disse: “Eu conheço”.
O Senhor sabia que havia essas boas obras na igreja em Éfeso. Mas o que Ele lhes disse?
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
Essa é uma linguagem muito forte. Não se trata apenas de: “Há uma pequena coisa que tenho contra você”. O sentido é: “Eu Me oponho a você”. Embora você tenha muitas boas obras, o Senhor conhece a realidade interior.
Essas boas obras deveriam ter sido o transbordar da vida de Cristo. Deveriam ter sido o fruto do Espírito. Mas, naquele momento, já não eram o transbordar de Cristo nem o fruto do Espírito. Haviam se tornado suas próprias obras, a expressão de sua condição natural.
Por isso, essas coisas não podiam satisfazer o coração do Senhor.
O que o Senhor está procurando na igreja? Ele não está procurando, em primeiro lugar, obras, labor, perseverança, oposição ao mal, discernimento, sofrimento por causa do Seu nome ou ódio às obras dos nicolaítas. Todas essas coisas podem ser boas, mas não são o que Ele está procurando.
O que o Senhor está procurando na igreja é a Si mesmo. Ele vem à igreja procurando a Si mesmo.
Se a obra é a expressão Dele mesmo, ela O satisfaz. Se a perseverança vem do Seu próprio caráter, ela O satisfaz. Mas, se essas coisas não são o transbordar Dele mesmo, não são o fruto do Espírito Santo e não são motivadas pelo primeiro amor, então Ele não consegue ver a Si mesmo nelas.
E, porque não consegue ver a Si mesmo, Ele diz: “Eu Me oponho a vocês”.
Queridos irmãos e irmãs, podemos dar a Ele muitas obras, muita perseverança, muito conhecimento e muitas outras coisas. Mas, se não oferecermos a nós mesmos a Ele, o Senhor diz: “Eu Me oponho a vocês”.
Essa linguagem é muito severa. É isso que o Espírito diz à igreja.
O que é o primeiro amor? Quando fomos salvos, recebemos muito perdão. Éramos pecadores, corrompidos e perdidos, mas um dia a graça do Senhor veio até nós.
Lembramos da mulher no Evangelho de Lucas que trouxe um vaso de alabastro e ungiu os pés do Senhor. Ela havia recebido muito perdão e, por isso, amou muito.
Quando fomos salvos, porque havíamos recebido muito perdão, nosso coração para com o Senhor era puro. Nós verdadeiramente O amávamos.
Mas o primeiro amor não se refere principalmente ao tempo. O primeiro amor se refere à qualidade. É o melhor amor, o amor supremo.
Deus nos ama e deu Seu Filho unigênito por nós. Nosso Senhor nos ama e deu a Si mesmo por nós. O Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração. Deus é amor.
O amor não é apenas um comportamento. O amor é uma qualidade; é a própria natureza de Deus. Porque Deus é amor, tudo o que Ele faz é amor.
O que o Senhor está procurando é amor, porque Deus é amor. No amor, Ele pode encontrar a Si mesmo. Somente isso pode satisfazer Seu coração.
O primeiro amor é um amor completo. Em Deuteronômio 6:5, lemos:
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
Nosso Senhor disse que o maior mandamento é amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa força e de todo o nosso entendimento.
O que o Senhor está procurando na igreja é um amor perfeito. Podemos de fato amar o Senhor, mas podemos dizer que O amamos de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de toda a nossa força? Nós O amamos perfeitamente?
Podemos dizer, como diz Salmos 73:25:
Quem mais tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
Certa vez, um irmão disse que era fácil para ele dizer que no céu não havia ninguém além do Senhor. Mas ele não podia dizer que na terra não havia mais nada que desejasse, porque amava profundamente uma pessoa e esperava se casar com ela.
Aquela mulher não recebeu o Senhor. O irmão ainda a amava e disse ao Senhor: “Se Tu me permitires ter isso, eu Te servirei em dobro”.
Mas o Senhor não discutiu com ele. Finalmente, um dia, o amor do Senhor o tocou. Ele disse: “Senhor, por amor a Ti, estou disposto a abrir mão”. Então escreveu um poema.
Queridos irmãos e irmãs, temos um amor perfeito para com nosso Senhor? Devemos amar nossos pais, nosso marido ou nossa esposa, nossos filhos e muitos irmãos e irmãs. Mas, se queremos amá-los verdadeiramente, precisamos amar o Senhor perfeitamente.
O primeiro amor é um amor sem o eu. Quando o amor do Senhor toca você, você não tem a si mesmo em vista. Você não se preocupa consigo mesmo. Não calcula o custo. Desde que seja para o Senhor, você está disposto a ir.
Esse é o amor do início. Esse é o primeiro amor.
O primeiro amor é um amor perseverante. Deus nos amou até o fim. Quando o Senhor estava prestes a ser crucificado, sabendo que iria para o Pai, amou os Seus que estavam no mundo e os amou até o fim. Ele lavou os pés deles.
Hoje, nosso amor para com o Senhor está mudando — quente em um momento e frio em outro? Ou nós O amamos continuamente no amor do Senhor?
O amor é um amor sacrificial. Está disposto a se sacrificar e não calcula o custo. Nosso Senhor nos ama dessa maneira.
Na verdade, o que o Senhor deseja de nós é uma coisa só: Ele quer que O amemos como Ele nos ama.
Um noivo tem um pedido para sua noiva: que ela tenha um amor puro e exclusivo por ele. Ela pode ser capaz de fazer muitas coisas em casa e realizar muitas tarefas domésticas, mas, se seu coração não está voltado para o marido, não é isso que ele deseja.
O que o Senhor deseja de nós é esse amor.
Depois de Sua ressurreição, o Senhor fez uma pergunta a Pedro: “Pedro, você Me ama?”
Amas-Me mais do que estes?
“Você realmente Me ama?”
O que o Senhor procura na igreja é esse amor. Sem esse amor, o Senhor diz que removerá o candeeiro.
O Senhor diz:
Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras.
É muito fácil abandonarmos o primeiro amor. Muitas coisas podem nos levar a abandoná-lo.
Às vezes, é o orgulho. Porque a graça de Deus nos foi concedida, podemos, sem perceber, tornar-nos orgulhosos. Existe o chamado orgulho espiritual. Mas, se você é verdadeiramente espiritual, não tem orgulho. Se você se orgulha da sua espiritualidade, ama a si mesmo mais do que ama o Senhor.
Alguns têm ambição. Uma pessoa pode parecer humilde, mas ter ambição por dentro, esperando fazer grandes coisas, até mesmo para o Senhor. Por causa disso, ela abandona o primeiro amor.
Alguns são atraídos pelo mundo. Quando você foi salvo, estava disposto a abandonar o mundo e seguir o Senhor. Mas, depois, o mundo voltou a atrair seu coração e levou embora metade dele.
Alguns abandonam o primeiro amor porque olham para as pessoas. Olham para um irmão ou uma irmã, especialmente alguém que respeitavam muito. Então veem essa pessoa falhar e tropeçam.
Certa vez, um irmão disse: “Se você tropeça, seus olhos estão cegos. Se há uma pedra à sua frente e seus olhos estão abertos, você não tropeçará. Você tropeça porque está cego”.
Muitos filhos de Deus abandonaram o primeiro amor porque culpam determinados irmãos ou irmãs. Estão feridos e desapontados. Mas o Senhor desapontou você? O Senhor pediu que você olhasse para determinados irmãos e irmãs? O Senhor quer que você olhe para Ele mesmo.
Quanto mais você olha para Ele, mais é tocado interiormente. O primeiro amor volta a você.
Precisamos nos lembrar de onde caímos. Precisamos nos arrepender. Não podemos culpar as pessoas. Não podemos dizer que as pessoas nos feriram como justificativa e, certamente, não podemos dizer que o Senhor nos fez tropeçar.
Precisamos nos arrepender. Nosso coração e nossa mente precisam mudar. Precisamos admitir que essa é a nossa fraqueza e voltar ao Senhor.
Como podemos recuperar o primeiro amor? Para restaurar o primeiro amor, precisamos voltar ao Senhor.
Precisamos sair da tradição e voltar a Cristo. Precisamos sair da doutrina que não nos conduz a Cristo. Precisamos sair da organização e voltar a Cristo. Precisamos sair das formas exteriores, das obras exteriores e de nós mesmos — e voltar a Cristo.
Todas essas coisas exteriores podem ficar para trás: comportamento, obras, labor, perseverança, discernimento e ódio ao mal. Não fixe seus olhos nessas coisas. Não deixe que elas ocupem seu coração.
Saia de todas essas coisas exteriores. Venha a Cristo.
Se você voltar a Cristo, o primeiro amor brotará de dentro de você. Então poderá praticar as primeiras obras. Todas essas coisas ainda precisam ser feitas, mas a maneira de fazê-las será diferente de antes.
O que você está fazendo agora pode ser exterior e natural. Mas a obra precisa vir de dentro. Precisa proceder da vida de Cristo. Precisa proceder do amor.
Então você não precisará temer que deixará de trabalhar, de perseverar ou de odiar o mal. Essas coisas estarão presentes. Mas, interiormente, você terá Cristo.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Que nos arrependamos diante do Senhor, admitindo que abandonamos o primeiro amor. Abandonar o primeiro amor é abandonar Cristo. Precisamos voltar a Cristo e pedir que Ele nos encha mais uma vez.
Vamos esquecer tudo o mais e olhar somente para Cristo. É isso que o Espírito diz à igreja.
Senhor, nós Te agradecemos porque ainda estás andando entre as igrejas. Embora a condição da igreja possa Te entristecer, Tu ainda estás cuidando e ainda estás chamando.
Senhor, pedimos que, ao ouvirmos hoje a voz do Espírito, possamos voltar a Ti. Permite que satisfaçamos o Teu coração.
Quando Tu estiveres satisfeito, então nós poderemos estar satisfeitos. Nós Te agradecemos e Te louvamos em nome do Senhor Jesus. Amém.