Por favor, abram no livro do profeta Ezequiel.
Ezequiel 1:1-5:
E aconteceu no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês, estando eu entre os cativos, junto ao rio Quebar, que se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
No quinto dia do mês, no quinto ano do cativeiro do rei Joaquim,
veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, o sacerdote, filho de Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar; e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.
Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com fogo que se revolvia, e um resplendor ao redor; e do meio dela, do meio do fogo, saía algo como metal incandescente.
E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. Esta era a sua aparência: tinham a semelhança de um homem.
Agora, vamos a Ezequiel 1:22-28:
E sobre a cabeça dos seres viventes havia a semelhança de um firmamento, com a aparência de cristal assombroso, estendido por cima de suas cabeças.
E debaixo do firmamento estavam as suas asas estendidas, uma em direção à outra; cada um tinha duas que cobriam o corpo de um lado, e duas que o cobriam do outro.
E, quando andavam, eu ouvia o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do Todo-Poderoso, um estrondo como o de um exército; quando paravam, abaixavam as suas asas.
E havia uma voz acima do firmamento que estava sobre as suas cabeças; quando paravam, abaixavam as suas asas.
E acima do firmamento que estava sobre as suas cabeças havia a semelhança de um trono, com a aparência de uma pedra de safira; e sobre a semelhança do trono havia uma figura com a aparência de um homem, no alto, sobre ele.
E vi algo como metal incandescente, com a aparência de fogo ao redor, dentro dele, desde a aparência dos Seus lombos para cima; e, desde a aparência dos Seus lombos para baixo, vi algo como fogo, e havia um resplendor ao redor Dele.
Como a aparência do arco que está na nuvem em dia de chuva, assim era a aparência do resplendor ao redor. Esta era a aparência da semelhança da glória do Senhor. E, quando a vi, caí sobre o meu rosto e ouvi a voz de Alguém que falava.
Ezequiel 40:1-4:
No vigésimo quinto ano do nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, no décimo quarto ano depois que a cidade foi ferida, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do Senhor, e Ele me levou para lá.
Em visões de Deus, Ele me levou à terra de Israel e me pôs sobre um monte muito alto, no qual havia, para o sul, algo como a estrutura de uma cidade.
E Ele me levou para lá; e eis que havia um homem cuja aparência era como a aparência do bronze, com um cordel de linho na mão e uma cana de medir; e ele estava à porta.
E o homem me disse: Filho do homem, vê com os teus olhos, ouve com os teus ouvidos e põe o teu coração em tudo o que eu te mostrar; pois, para que eu te mostrasse estas coisas, foste trazido para cá: anuncia à casa de Israel tudo o que vires.
Ezequiel 43:1-7:
Depois, Ele me levou à porta, à porta que dá para o oriente.
E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a Sua voz era como o som de muitas águas; e a terra resplandecia com a Sua glória.
E a aparência da visão que tive era como a visão que eu havia tido quando vim destruir a cidade; e as visões eram como a visão que tive junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto.
E a glória do Senhor entrou na casa pelo caminho da porta que dá para o oriente.
E o Espírito me levantou e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do Senhor encheu a casa.
E ouvi Alguém que falava comigo de dentro da casa; e um homem estava ao meu lado.
E Ele me disse: Filho do homem, este é o lugar do Meu trono e o lugar das plantas dos Meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre.
Por fim, Ezequiel 48:35:
O contorno era de dezoito mil canas; e o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali.
Querido Pai celestial, queremos Te louvar e agradecer porque podemos nos reunir em nome do Teu amado Filho, nosso Senhor Jesus. Por isso, sabemos que a Tua presença está aqui conosco. Estamos verdadeiramente em terra santa.
Tiraremos os nossos sapatos e esperaremos em Ti. Senhor, o que tens a dizer a nós, Teus servos e Tuas servas? Fala, para que ouçamos, para o louvor da Tua glória. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
O encargo que temos para estas reuniões é esta questão da restauração segundo os profetas maiores.
Sabemos que os profetas são homens de Deus, levantados para representar o coração e a mente de Deus em épocas nas quais a Sua vontade e o Seu propósito são esquecidos. É por isso que o ministério dos profetas é um ministério de restauração.
Restaurar é recuperar aquilo que Deus originalmente estabeleceu. A restauração é para Deus, não apenas para nós. Graças a Deus porque Ele nos recuperou, mas precisamos lembrar que estávamos perdidos para Ele. É Ele Quem, por fim, recupera tudo o que foi perdido.
Sabemos que a Sua obra de restauração só pode ser realizada por Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o único meio de restauração.
Depois, vemos que, na obra de restauração de Deus, Ele nos recupera pela graça, por meio da nova aliança.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos a restauração segundo o profeta Ezequiel.
A expressão “no trigésimo ano” geralmente é entendida como uma referência ao trigésimo ano da vida do profeta Ezequiel. Em outras palavras, naquela época ele tinha trinta anos.
Quando tinha trinta anos, ele, que era filho de Buzi, um sacerdote, estava no cativeiro. Havia sido levado ao cativeiro com o rei Joaquim, e aquele era o quinto ano do cativeiro do rei Joaquim.
Em outras palavras, quando Ezequiel tinha vinte e cinco anos, quando estava pronto para entrar no templo e servir como aprendiz de sacerdote, foi levado ao cativeiro. Não teve oportunidade de servir no templo em Jerusalém.
Agora ele tinha trinta anos. Sabem, completar trinta anos é um grande acontecimento para um sacerdote, porque, aos trinta anos, ele se torna sacerdote em pleno exercício de suas funções. Dedicará toda a sua vida ao serviço de Deus na casa de Deus. Isso era algo muito importante para um sacerdote.
Mas aqui encontramos Ezequiel, preparado desde a infância para ser sacerdote, preparado para servir a Deus no templo. Ele não apenas deixou de ter a oportunidade de servir como aprendiz aos vinte e cinco anos; agora, mesmo tendo chegado aos trinta, ainda não tinha essa oportunidade.
Na verdade, se vocês lerem Jeremias 29, lembrarão que, no início do cativeiro de Ezequiel, Jeremias enviou uma carta aos cativos, dizendo-lhes que o tempo do cativeiro seria longo. Não pensem que voltarão em dois anos. Essa é uma falsa profecia. Vocês ficarão no cativeiro por muito tempo.
Portanto, construam suas casas, plantem vinhas e se estabeleçam, porque será um longo período. Os que permaneceram em Jerusalém e o rei que estava no trono de Davi, em Jerusalém, seriam levados ao cativeiro.
Em outras palavras, todas as esperanças que Ezequiel talvez tivesse de voltar a Jerusalém, para poder servir no templo aos trinta anos, foram despedaçadas. Ele não tinha esperança alguma.
Agora, irmãos e irmãs, pensem por um momento. Se vocês fossem preparados desde a infância para determinado serviço e, quando estivessem prontos para iniciá-lo, descobrissem que toda esperança havia desaparecido, que tragédia seria! Como essa experiência seria traumática!
Portanto, aquele ano foi um período de crise para Ezequiel. Mas, graças a Deus, o limite do homem é a oportunidade de Deus.
Para Ezequiel, toda a sua vida havia acabado. Mas Deus tinha o Seu propósito naquele homem.
No trigésimo ano, enquanto estava junto ao rio Quebar — e sabemos que o rio Quebar é comumente conhecido como rio Khabur, um rio na Alta Mesopotâmia que deságua no Eufrates, cerca de trezentos e vinte quilômetros ao norte da Babilônia —, ele recebeu visões de Deus.
Assim como aconteceu com Isaías e Jeremias, o chamado de Deus governou a vida e o ministério deles. O mesmo aconteceu com Ezequiel. Quando ele estava no ponto mais profundo de sua decepção, foi justamente então que recebeu as visões de Deus.
Ele viu um vento tempestuoso soprando do norte e uma nuvem que vinha. Era uma nuvem resplandecente, cheia de luz. Então, naquela nuvem de fogo, viu querubins — seres viventes — com a aparência de homem.
Esses querubins formavam o carro do trono de Deus. Acima dos querubins havia o firmamento, como cristal; e acima do firmamento havia um trono. Havia Alguém sentado naquele trono, com a aparência de um homem.
Mas não era possível ver com muita clareza. Tudo o que se via era como fogo, ardendo intensamente, resplandecente, glorioso. Essa era a aparência da semelhança da glória do Senhor.
Em certo sentido, aquela visão deveria ser familiar a Ezequiel, porque ele era sacerdote. Conhecia o templo — toda a sua disposição e todos os serviços realizados nele.
Ele certamente se lembrava de que, no Santo dos Santos, no templo em Jerusalém, estava a arca. Sobre a arca estava o propiciatório, e dos dois lados do propiciatório havia dois querubins, que serviam como a cobertura, ou os braços, do trono de Deus.
A glória de Deus repousava sobre aquele propiciatório. Quando Salomão construiu o templo, fez dois querubins gigantes, cujas asas se estendiam de uma extremidade do Santo dos Santos à outra. Eles formavam um pano de fundo para a arca e o propiciatório.
Em outras palavras, no templo em Jerusalém havia quatro querubins, o trono de Deus e a glória do Senhor repousando sobre o propiciatório.
Ezequiel havia aprendido sobre isso, mas nunca o tinha visto pessoalmente. Como não era o sumo sacerdote e ainda não havia atingido aquela idade, não tivera oportunidade de entrar no Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano, com sangue e incenso, envolto, por assim dizer, pela fumaça.
Assim, até mesmo o sumo sacerdote, ao entrar no Santo dos Santos, só conseguia ver muito vagamente. Além dele, ninguém jamais via o que havia no Santo dos Santos. Tudo o que sabiam era que aquilo estava ali. Para eles, era um conceito, um conceito físico.
Mas, queridos irmãos e irmãs, naquele dia o conceito físico que Ezequiel conhecia tornou-se uma realidade viva. Em outras palavras, Deus revelou o que havia no Santo dos Santos.
Ou, colocando de outra maneira, o que havia no Santo dos Santos era apenas uma sombra, apenas uma representação. Mas aqui Deus revelou a Ezequiel aquela realidade, aquela realidade viva.
Havia um trono — o trono de Deus. Esse trono é um trono eterno.
Sempre que pensamos em um trono, pensamos em autoridade, domínio, governo e poder. Queridos irmãos e irmãs, há um trono neste universo. É o trono de Deus, e ele permanece para sempre.
Não importa o que aconteça no universo, seja no céu, seja na terra — e sabemos que coisas realmente aconteceram —, não importa o que aconteça, o trono de Deus está estabelecido. Nunca é abalado. Está sempre ali.
Havia Alguém sentado naquele trono, e Ezequiel viu a aparência, ou semelhança, de um homem. Pensem nisso. Aquele que está sentado no trono tem a semelhança de um homem.
Isso nos leva imediatamente a 2 Coríntios 4:6. Ali nos é dito que o conhecimento da glória de Deus está na face de Jesus Cristo.
Como conhecemos a glória do Senhor? O conhecimento da glória do Senhor nos é dado na face de Jesus Cristo. Portanto, aqui encontramos um Homem sentado no trono. Ele é Aquele que nos dá a conhecer a glória do Senhor.
A glória do Senhor é muito difícil de definir.
Em certo sentido, sabemos definir a justiça de Deus. Dizemos que Deus é justo. O que é justiça? São os atos de Deus. Isto é, tudo o que Deus faz é certo. Ele nunca pode fazer o que é errado. Ele é sempre justo em todos os Seus atos. Essa é a justiça de Deus.
Depois, pensamos na santidade de Deus. Deus é santo. O que é santidade? É a natureza de Deus. Dizemos que a natureza de Deus é santa. Em outras palavras, Ele é inteiramente diferente.
Vocês não podem torná-Lo semelhante a vocês. Não podem torná-Lo semelhante a qualquer outra coisa. Ele é único. Ele está em uma categoria só Sua. Vocês não podem colocar coisa alguma no mesmo nível que Ele.
Pedro tentou fazer isso no monte da transfiguração, colocando Moisés e Elias no mesmo nível de Cristo, o Filho de Deus. Deus retirou Moisés e Elias, e disse:
Este é o Meu Filho amado; a Ele ouvi.
Isso é santidade.
Mas, irmãos e irmãs, como definimos a glória — a glória de Deus?
Em certo sentido, a glória é a soma de todo o caráter e de todos os atributos de Deus. Vocês podem pensar em Deus em todos os Seus atributos. Podem pensar em Sua justiça e Sua santidade; em Seu caráter celestial, Sua sabedoria, Seu poder e Sua pureza; em Seu amor, Sua misericórdia, Sua graça e Sua equidade. Quando reunimos todas essas coisas, isso é glória.
É por isso que a glória está além de qualquer descrição. Quando a glória do Senhor aparece, como descrevê-la? Ezequiel só conseguiu dizer: “Vi algo como fogo, como bronze incandescente”. Está além de qualquer descrição.
Onde há a presença de Deus, há glória. Onde Deus aparece, há glória. Sempre que Deus está satisfeito, feliz e agradado, a glória do Senhor se manifesta.
Em certo sentido, o próprio Deus é glória. Ele disse:
A Minha glória não darei a outrem.
Ele é inteiramente glorioso. É o único digno de ser adorado. Essa é a glória de Deus.
A glória do Senhor está sobre o trono. A glória do Senhor se manifesta em Seu domínio, Seu poder, Sua autoridade e Seu governo. Ele está muito acima de tudo.
A glória do Senhor dá origem a todas as coisas. Todas as coisas são criadas por Deus para a Sua glória. As coisas não são criadas por razões próprias; todas as coisas foram criadas para o Seu prazer, para a Sua alegria, para a Sua satisfação e para a Sua glória.
Os céus declaram a glória de Deus;
e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.
Tudo existe para glorificá-Lo.
Deus governa todas as coisas por Sua glória. Tudo é medido pela glória de Deus. Ele mede tudo e julga tudo por Sua glória.
Vocês sabem o que diz Romanos 3:23:
Todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Pecar é ficar aquém da glória de Deus. Isso é pecado.
Deus mede tudo com a Sua glória. Tudo o que fica aquém dessa medida é pecado.
E, naturalmente, Deus restaura tudo segundo a Sua glória. É por causa da glória de Deus que Ele precisa restaurar tudo àquela glória, para que seja glorificado.
Portanto, aqui vemos Ezequiel contemplando a aparência da semelhança da glória de Deus: a semelhança de um homem. Sabemos que esse é o nosso Senhor Jesus. Ele é o Homem que revela o Pai, e agora é o Homem sentado no trono, acima de todas as coisas.
Depois, encontramos os querubins. Os querubins são seres viventes. Há diferentes interpretações, mas, quanto a mim, estou satisfeito com esta interpretação: os querubins, os seres viventes — e são quatro —, representam o propósito original de Deus para a criação.
Aqui encontramos os quatro querubins. Um tem o rosto de um homem. O homem, naturalmente, é o rei de todos os seres viventes. Depois, temos o rosto de um leão, o rei dos animais selvagens; o boi, o rei dos animais domésticos; e a águia, a rainha das aves. Em outras palavras, toda a criação está representada.
Eles representam o desígnio, o propósito e o significado originais da criação. Por quê? Porque, como vocês se lembram, a primeira vez que os querubins aparecem é em Gênesis 3.
Depois que o homem pecou, os seres humanos foram expulsos do jardim do Éden, porque Deus disse que, se comessem da árvore da vida, viveriam para sempre em miséria. Por isso, Deus os expulsou do jardim do Éden e colocou querubins à porta oriental para guardar a árvore da vida.
Essa é a primeira menção aos querubins na Bíblia. Segundo o princípio da primeira menção, começamos a entender algo.
Aqui vemos que o homem se afastou do propósito original de Deus. O propósito original de Deus era que o homem comesse da árvore da vida, recebesse a Sua vida, estivesse unido a Deus em vida e fizesse a vontade de Deus.
Mas o homem havia caído. Deus disse, em outras palavras: “Tenho os Meus querubins aqui. Não perdi aquilo que originalmente planejei”.
Quanto à história humana, estamos perdidos. Mas, quanto a Deus, Ele não perdeu nada. Os querubins continuam ali. Ele ainda tem a Sua criação segundo a Sua vontade.
Sempre que os querubins aparecem, representam o desígnio original de Deus para a criação. É por isso que, no Santo dos Santos, os querubins estão ali, guardando o propiciatório.
Encontramos um véu com querubins bordados nele, e ninguém podia entrar além do véu. Mas, graças a Deus, quando nosso Senhor Jesus morreu na cruz, o véu do templo foi rasgado em dois.
Em outras palavras, os querubins bordados no véu foram rasgados. Aquilo que separava agora está rasgado, e podemos entrar no Santo dos Santos e contemplar a glória do Senhor.
Colocando de outra maneira, quando Cristo morreu, toda a criação morreu Nele — foi rasgada Nele.
Portanto, esses querubins servem como o carro do trono de Deus. Levam o trono aonde Deus quer ir. É para isso que a criação existe. A criação existe para cumprir a vontade de Deus, para que Deus seja glorificado.
Aqui vemos Ezequiel contemplando a aparência da semelhança da glória do Senhor. Essa visão, a aparência da semelhança da glória do Senhor, governa tudo, especialmente no que diz respeito à casa de Deus.
Vocês se lembram de que, quando Deus tirou os filhos de Israel do Egito e os levou ao deserto, ali lhes deu os Dez Mandamentos. Mas, irmãos e irmãs, havia algo ainda mais importante, se posso dizer assim, do que a lei.
Sempre nos lembramos de que a lei foi dada no monte Sinai, mas nos esquecemos de que, no monte Sinai, algo ainda mais importante estava sendo dado. Mais capítulos são dedicados a esse assunto.
Por quê? Porque Deus disse ao Seu povo por que o havia redimido e por que o havia libertado do Egito. Ele disse: “Quero habitar no meio de vocês”.
Esse é o propósito de Deus. Deus começou a revelar Seu propósito ao Seu povo. Por que vocês foram redimidos? Por que foram tirados da escravidão? Para viverem segundo o próprio prazer? Não.
Vocês foram redimidos porque Deus disse: “Quero habitar entre vocês. Vocês são a Minha morada. Vocês são o Meu lar. Quero viver com vocês”.
Mas como Ele poderia fazer isso? Embora o povo tivesse sido libertado do Egito, aquela era uma libertação física. Quanto à realidade espiritual, estavam longe de ser adequados a Deus. Deus é santo, mas eles ainda não eram santos.
Assim, a única maneira de Deus habitar entre eles era dizer: “Construam um tabernáculo para Mim. Habitarei no tabernáculo; indiretamente, habitarei no meio de vocês”.
Deus ordenou a Moisés que Lhe construísse um tabernáculo segundo o modelo mostrado no monte. Moisés, sendo fiel, construiu o tabernáculo segundo o modelo do monte. Não ousou se desviar, alterar, mudar ou pensar em melhorá-lo. Fez como Deus lhe havia ordenado.
Sabem, Moisés era um grande engenheiro. Para um grande engenheiro, construir um tabernáculo não exigiria grande engenhosidade. Provavelmente, ele poderia muito bem ter dito: “Bem, sou capaz de construir pirâmides. Certamente posso construir um tabernáculo. Não precisas me dizer como construí-lo. Eu sei como”.
Quando Deus lhe revelou aquele modelo, Moisés poderia ter dito: “Bem, deixe-me pensar. Aqui precisa de uma pequena melhoria, e ali precisa de um pequeno acréscimo”. Ele era um grande engenheiro e arquiteto, mas era fiel.
A fidelidade de Moisés se manifestou em sua obediência, seguindo rigorosamente a instrução de Deus. Sem dúvida, ele precisou negar a si mesmo.
Quando o tabernáculo foi construído segundo o modelo do monte, e chegamos a Êxodo 40, o que aconteceu quando o tabernáculo foi levantado e todos os seus móveis foram colocados dentro dele?
A glória do Senhor entrou no tabernáculo. A glória do Senhor repousou sobre o propiciatório, e a nuvem encheu o tabernáculo. Deus fez Sua morada no tabernáculo.
Mais tarde, quando os filhos de Israel entraram na terra prometida, Davi teve o desejo de construir para Deus uma casa permanente. O tabernáculo era temporário, porque eles se deslocavam pelo deserto. Precisava ser desmontado e montado repetidamente.
Depois que entraram na terra prometida e se estabeleceram, Davi disse: “Como posso morar numa casa de cedro, enquanto Deus ainda habita num tabernáculo, numa tenda?”. Ele não podia aceitar isso. Por isso, desejou construir para Deus uma casa permanente.
Ele não teve permissão para fazê-lo, porque era um homem de guerra que havia derramado muito sangue. Mas Deus lhe deu o modelo, e ele preparou muito material. Foi Salomão quem construiu o templo.
Depois que o templo foi construído, se vocês lerem 1 Reis, verão que todos os móveis foram colocados em ordem. Então, o que aconteceu? A glória do Senhor entrou no templo. A nuvem encheu o templo, e nem mesmo os sacerdotes puderam servir. Tiveram de se retirar do templo.
Por quê? Porque a glória do Senhor estava ali.
Tenho um pensamento: se a glória do Senhor aparecesse, ninguém conseguiria falar mais nada. Quem ousaria falar? Tudo ficaria em silêncio. Contemplaríamos a glória do Senhor na face de Jesus Cristo. Isso é glória.
Mas, infelizmente, os filhos de Israel se rebelaram contra Deus. A vida deles contradizia o Deus da glória. Por isso, Deus precisou vindicar a Si mesmo. Quando a glória de Deus foi violada, Ele precisou vindicar a Si mesmo. Precisou julgar.
Muito provavelmente — não sei, e, se estiver errado, por favor, corrijam-me —, mas sinto que, mesmo antes de o templo ser destruído e antes de toda a nação ser levada ao cativeiro, de alguma forma a glória do Senhor já havia partido.
Ele não podia permanecer ali. Não permaneceria ali, porque a condição do povo era uma contradição tão grande a Ele. Eles O representavam de maneira falsa. Como a glória poderia coexistir com a vergonha?
De alguma forma, sinto que, embora o templo ainda estivesse ali, a glória do Senhor já havia partido.
É por isso que encontramos Jeremias, em Jeremias 7 e Jeremias 26, advertindo o povo. Ele disse: “Não pensem que, por terem o templo, o templo de Deus em Jerusalém, está tudo bem”.
Jeremias disse que Deus havia declarado: “Assim como fiz a Siló, farei também a Jerusalém”. Em outras palavras, vocês podem ter o templo, mas, se Deus já não está ali, a confiança de vocês no templo é superstição.
Deus não os protegerá. Deus não abençoará. Ele não está ali.
Mas, graças a Deus, encontramos Ezequiel, o cativo, aquele que foi privado do serviço sacerdotal no templo em Jerusalém. Ainda assim, a glória do Senhor lhe apareceu.
Aqui está um princípio espiritual: a glória do Senhor não permanece automaticamente com aquilo que Ele estabeleceu originalmente.
O templo foi originalmente estabelecido por Deus, e a Sua glória encheu aquele templo. Mas não sejam presunçosos, pensando que, porque o templo era da vontade de Deus, a glória do Senhor permaneceria ali para sempre. Não.
Quando o templo perde seu significado, a glória do Senhor se retira. Não é algo automático. Precisa haver uma condição espiritual adequada.
Em outras palavras, a quem a glória do Senhor aparecerá? Aos que são puros de coração.
A glória do Senhor se retirou do templo em Jerusalém, mas apareceu a Ezequiel. Vocês não esperariam isso.
O povo em Jerusalém dizia: “O templo, o templo está aqui”. Mas Deus não estava ali. Era uma casa vazia. Era um impedimento, em vez de uma ajuda. Um dia, o templo seria destruído.
A glória do Senhor apareceu a Ezequiel porque Ezequiel tinha um coração voltado para Deus. Tinha um coração voltado para a vontade de Deus, para o propósito de Deus e para a glória de Deus. Queria que Deus fosse glorificado. Queria que Deus recebesse aquilo que Lhe era devido.
Por isso, a glória do Senhor lhe apareceu.
O templo foi destruído. Depois de setenta anos, Deus permitiu que um remanescente dos filhos de Israel voltasse a Jerusalém para reconstruir a casa. Pela graça de Deus, foi construído, por assim dizer, o segundo templo.
Mas, queridos irmãos e irmãs, a glória do Senhor nunca voltou àquele templo. Várias coisas estavam ausentes no segundo templo.
Não havia juízo do Senhor. Eles não conheciam a vontade de Deus. As coisas essenciais estavam ausentes. Mesmo assim, Deus ainda o considerava Sua casa.
Mas, queridos irmãos e irmãs, onde está a glória do Senhor?
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele era o verdadeiro templo de Deus. A glória do Senhor O enchia.
Os céus se abriram, e uma voz disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Estou satisfeito. Tenho prazer Nele.
Queridos irmãos e irmãs, enquanto nosso Senhor Jesus esteve na terra, Ele era o verdadeiro templo. A glória do Senhor estava sobre Ele e Nele. Ele manifestava a glória de Deus.
Ele disse:
Quem Me vê a Mim vê o Pai.
Filipe, por que você pede para ver Deus? Você Me viu; você viu o Pai.
O conhecimento da glória de Deus está na face de Jesus Cristo. Quando vemos Jesus, vemos a glória de Deus: a glória da graça de Deus, a glória do amor de Deus, a glória da justiça de Deus e a glória da santidade de Deus.
Vocês veem tudo o que Deus é. Essa é a glória de Deus que vocês veem em Cristo Jesus. É assim que conhecemos a glória de Deus.
Mas o povo daquela época preferia ter o templo físico a esse verdadeiro templo. Destruíram o templo, mas em três dias Ele o levantou.
No dia de Pentecostes, porque Ele está elevado e exaltado, há um Homem no trono. O Espírito Santo desceu sobre os cento e vinte e encheu aquela casa. Irmãos e irmãs, a igreja é a casa de Deus. Ela é cheia da glória de Deus.
Mas onde está a glória agora? Quando o povo de Deus está disperso, quando o povo de Deus luta entre si, quando o povo de Deus está dividido, quando o povo de Deus caiu, não vemos a glória do Senhor.
Vocês veem a glória do Senhor no cristianismo de hoje? Parece que a glória do Senhor se retirou. Mas será que se retirou?
Graças a Deus, onde houver pessoas que O busquem com um coração puro, a glória do Senhor se manifestará.
Ela já não está no cristianismo oficial, mas está com aqueles que buscam o Senhor com um coração puro — pessoas que se importam com a glória de Deus, pessoas que não buscam a glória do homem, pessoas que buscam a glória de Deus.
Se vocês buscarem a glória de Deus, a glória do Senhor virá até vocês.
Se voltarmos ao livro de Ezequiel, veremos, nos capítulos 8 a 11, que a glória do Senhor fez uma visita ao templo em Jerusalém.
Ele voltou para visitar, mas aquela visita não era para permanecer. Aquela visita era para julgar.
A glória do Senhor viu o que acontecia no templo: abominações. Relutantemente, Ele se retirou outra vez, e o juízo veio sobre Jerusalém.
Mas, por meio do profeta Ezequiel, Deus prometeu que um dia o templo seria restaurado. Nos capítulos 40 a 48 de Ezequiel, há restauração — a restauração da casa de Deus. Ela visa à restauração da glória do Senhor.
Se haverá um templo físico real construído, como alguns dizem, no reino milenar — ou, como outros dizem, até mesmo antes da vinda de Cristo —, isso não é relevante.
Ezequiel viu todas essas coisas em uma visão. Quando se trata de uma visão, sabemos que ela é simbólica. Não é o aspecto físico que importa. É algo simbólico; é uma representação.
Em outras palavras, naquilo que o Senhor mostrou a Ezequiel sobre a casa de Deus e sobre a cidade santa de Jerusalém, há uma representação espiritual da realidade.
Portanto, não precisamos nos preocupar demais com a aparência exterior das coisas. Se um templo físico será reconstruído ou não, isso não é o ponto central. Se for construído, ótimo; se não for, não importa.
O importante é que Deus vai reconstruir Sua verdadeira casa: uma casa espiritual, uma santa habitação de Deus no Espírito. Ele a reconstruirá porque a Sua glória o exige.
Ele a edificará para que seja uma igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante. Ele precisa tê-la, e a terá. Sua glória poderá encher aquela casa.
Irmãos e irmãs, vocês não sabem que a glória do Senhor está trabalhando para esse fim? Talvez não consigam ver isso a olho nu, mas a obra está em andamento. Ele está reconstruindo Sua casa.
Ele está purificando Sua igreja, para que ela seja uma igreja gloriosa, adequada ao Senhor da glória. Ele está fazendo isso.
Se vocês lerem os capítulos 40 a 48 de Ezequiel, encontrarão esses princípios. Não temos tempo para entrar em detalhes, mas vamos considerar alguns pontos.
Primeiro: em Ezequiel 40, Ezequiel foi levado de volta a Jerusalém, em visão, a um monte muito alto.
A Jerusalém de hoje não está situada num monte muito alto, portanto isso deve ser simbólico: um monte muito alto, uma altura espiritual. Ali ele viu uma grande cidade, e naquela cidade havia uma área santa, separada. Ali estava o templo, a casa de Deus.
Ele viu um homem cuja aparência era como bronze. Na mão, ele tinha dois instrumentos: um cordel de linho e uma cana de medir. Usou esses dois instrumentos para medir tudo.
O irmão Sparks me ajudou nisso. Ele disse que a Bíblia não nos informa o comprimento do cordel de linho. Ela nos dá o comprimento da cana, mas o cordel de linho não tem uma medida indicada. Não sabemos qual é o seu comprimento. Por isso, ele o chamou de uma medida sem medida.
Ele disse que essa medida sem medida serve para medir o todo, e a cana de medir serve para medir a vida cotidiana, os detalhes.
Em outras palavras, tudo precisa ser medido. Mas há uma medida sem medida — a plenitude da medida.
Se vocês lerem Efésios, encontrarão isto:
Até que todos cheguemos à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Como medir a plenitude de Cristo? É uma medida sem medida.
Tudo será medido por aquele Homem, por Cristo. Irmãos e irmãs, tudo o que não puder ser medido por Cristo ficará de fora e passará. Somente aquilo que estiver dentro da Sua medida permanecerá para sempre. Isso é espiritualidade.
A igreja será cheia da plenitude de Deus. Um dia, a igreja chegará à medida da estatura da plenitude de Cristo. Tudo é medido.
Hoje, é importante sabermos que estamos sendo medidos. Vocês não devem medir a si mesmos. Não devem tomar outras pessoas como sua medida. Somente Cristo é a medida.
Quanto vocês correspondem a essa medida? Isso será uma surpresa naquele dia? Mas Ele está trabalhando. Ele está fazendo isso.
Segundo: em Ezequiel 43, encontramos a lei da casa de Deus, a lei de todo o lugar santo. Essa lei é a lei da santidade.
Em outras palavras, tudo é santo — santo, inteiramente separado, completamente separado. O problema do jardim do Éden é que não havia muro. Mas aqui encontramos um muro ao redor de tudo: separado, separado para Deus.
Terceiro: encontramos o trono ali. O trono de Deus está ali. Ele tem a autoridade e está no comando, não eu.
Quarto: vemos que o santuário é quadrado. No templo de Salomão e no tabernáculo, ele era retangular. Mas aqui vemos que é quadrado: universal e equilibrado.
O irmão Sparks também disse que, se traçarmos linhas diagonais a partir de cada canto, elas se cruzam em um ponto. Esse ponto é o grande altar. Em outras palavras, a cruz está no centro de tudo. Se a cruz estiver no centro, tudo estará em ordem.
Depois, encontramos um rio de água viva. Por fim, encontramos a cidade santa:
O Senhor está ali.
Portanto, irmãos e irmãs, Deus vai restaurar esta casa, primeiro entre os vencedores — aqueles que O buscam com um coração puro, aqueles que se importam com a Sua glória — e depois em toda a igreja.
Esse é o quadro que vemos em Ezequiel, e esse é o quadro que vemos no livro de Apocalipse. Deus está realizando a obra de restauração.
Não se esqueçam: é por causa da Sua glória, e é pela Sua glória. A Deus seja a glória.
Querido Pai celestial, mostra-nos a Tua glória, para que tenhamos o conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Oramos para que a Tua glória governe nossa vida. A Tua glória nos medirá. A Tua glória nos julgará, e a Tua glória nos restaurará.
Nosso Deus e nosso Pai, nosso único desejo é que Tu sejas glorificado, custe o que custar. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.