Abram comigo na profecia de Naum, naquele único versículo que temos considerado: Naum 1:3.
O Senhor é tardio em irar-Se e grande em poder, e de modo algum inocentará o culpado;
O Senhor tem o Seu caminho no redemoinho e na tempestade,
E as nuvens são o pó dos Seus pés.
Agora, abram em 1 Pedro 1:3-9.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
Para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se desvanece, reservada nos céus para vós,
Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para se revelar no último tempo.
Nisso exultais, embora agora, por um pouco de tempo, se necessário, tenhais sido entristecidos por várias provações,
Para que a comprovação da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo:
A Quem, não havendo visto, amais; em Quem, embora agora não O vejais, crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória:
Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
E então gostaria de acrescentar a essa leitura Lucas 22:31-34.
Simão, Simão, eis que Satanás pediu para vos ter, a fim de vos peneirar como trigo:
Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando houveres voltado, fortalece teus irmãos.
E ele Lhe disse: Senhor, estou pronto a ir Contigo tanto para a prisão como para a morte.
E Ele disse: Digo-te, Pedro, que hoje não cantará o galo até que três vezes negues que Me conheces.
Agora, Lucas 22:54-62:
E, prendendo-O, levaram-No e O conduziram à casa do sumo sacerdote. Mas Pedro seguia de longe.
E, tendo eles acendido uma fogueira no meio do pátio e se assentado juntos, Pedro assentou-se entre eles.
E certa criada, vendo-o sentado à luz do fogo e olhando atentamente para ele, disse: Este também estava com Ele.
Mas ele negou, dizendo: Mulher, não O conheço.
E, pouco depois, outro o viu e disse: Tu também és um deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou.
E, passado cerca de uma hora, outro afirmava com insistência, dizendo: Certamente este também estava com Ele; pois é galileu.
Mas Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou.
E o Senhor, voltando-Se, olhou para Pedro. E Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, de como Ele lhe dissera: Antes que o galo cante hoje, três vezes Me negarás.
E, saindo, chorou amargamente.
Por fim, Marcos 6:45-52:
E logo Ele compeliu os Seus discípulos a entrar no barco e a ir adiante Dele para o outro lado, a Betsaida, enquanto Ele mesmo despedia a multidão.
E, depois de Se despedir deles, retirou-Se para o monte a fim de orar.
E, chegada a tarde, o barco estava no meio do mar, e Ele, sozinho em terra.
E, vendo-os aflitos ao remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite veio a eles, andando sobre o mar; e queria passar adiante deles:
Mas eles, ao vê-Lo andando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram;
Pois todos O viram e ficaram perturbados. Mas Ele imediatamente falou com eles e lhes disse: Tende bom ânimo: sou Eu; não temais.
E subiu para junto deles no barco; e o vento cessou: e eles ficaram sobremaneira admirados;
Pois não haviam entendido o que sucedera com os pães, mas o coração deles estava endurecido.
Podemos ter mais um momento de oração?
Amado Senhor, somos tão gratos por este tempo em que estivemos na Tua presença, sentindo que estás aqui, adorando-Te e abrindo o nosso coração em amor e adoração.
E agora, Senhor, chegamos à Tua Palavra, e precisamos de Ti tanto para falar a Tua Palavra quanto para ouvi-la. Sabemos, Senhor, que providenciaste uma unção de graça e poder justamente para isso.
Assim, pela fé, nos firmamos nessa unção, nessa graça e nesse poder, conquistados para nós a tão alto preço no Calvário por nosso Senhor Jesus.
Querido Senhor, torna isso uma realidade nesta manhã, tanto no falar quanto no ouvir. Teremos o cuidado de dar a Ti todo o louvor e toda a glória. Ouve-nos, ó Senhor, pois pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Já é um pouco tarde para recapitular o que dissemos, mas é esta pequena expressão na profecia de Naum:
O Senhor tem o Seu caminho no redemoinho e na tempestade,
E as nuvens são o pó dos Seus pés.
É realmente uma revelação extraordinária. Tendemos a pensar que, se o Senhor estiver presente, tudo será claro, radiante e cheio de sol. Não imaginamos que o Senhor estaria em um redemoinho — em um tornado. Que lugar para o Senhor estar!
É tão destrutivo, tão poderoso. Em um único instante, pode varrer lugares inteiros.
Lembro-me de uma ocasião em que falei, alguns anos atrás. Fui convidado a falar a um grupo de pastores da Convenção Batista do Sul em Louisville, Kentucky. Lembro-me de que, enquanto eu falava, eles se mostravam bastante hostis.
Achei aquilo muito estranho. Quase me perguntei por que tinha ido. Não acreditavam na oração. Não acreditavam que o Senhor Jesus estava voltando — pastores da Convenção Batista do Sul! Fiquei muito chocado. Sempre havia pensado que os batistas do Sul fossem fundamentalistas dos pés à cabeça e da cabeça aos pés.
Por isso, fiquei muito surpreso ao descobrir que, quando se estava entre os pastores, muitos deles não acreditavam nem mesmo naquilo que consideramos normal entre os batistas do Sul.
Mas havia um homem cujo rosto resplandecia o tempo todo. Depois, ele veio até mim e disse: “Não desanime. Coitados, eles não tiveram nenhuma experiência”.
Então eu disse: “Ah, você teve uma experiência com o Espírito Santo, foi?”
“Ah”, ele disse, “não só isso, mas também vivi um milagre. Você soube do grande tornado que passou por aqui há uns dois anos?”
Eu disse: “Sim, soube, porque a senhora Sparks estava aqui naquela ocasião. Quando voltou, contou-nos sobre aquela coisa terrível — três dias sem eletricidade e tudo o mais”.
Ele disse: “Bem, eu estava na igreja, na sala reservada ao pastor, e de repente ouvi um barulho como nunca havia ouvido. Mergulhei debaixo desta escrivaninha de carvalho. A igreja inteira” — ele a chamava de igreja; deixemos isso de lado — “começou a se mover. Tudo se ergueu e depois caiu”.
“Eles me tiraram dos escombros depois de tantas horas”, ele disse, “e eu estava debaixo de uma escrivaninha de carvalho maciço”.
Então ele disse: “Foi aí que percebi que Deus ainda fazia milagres”.
E às vezes é assim, vejam: o Senhor veio a ele em um redemoinho. Era um pastor batista que não tinha nenhuma experiência real com o Senhor. Não estava espiritualmente vivo para o Senhor. Mas, quando o Senhor veio naquele redemoinho, Ele estava plenamente ali para aquele homem.
Ele saiu daquilo com uma nova experiência com o Senhor. Pouco depois, foi cheio do Espírito Santo, e isso significou um capítulo inteiramente novo para a comunidade que liderava.
Só menciono isso porque nos parece tão espantoso que o Senhor esteja no redemoinho e na tempestade. Que Ele viesse depois deles, poderíamos aceitar. Que Ele até fosse adiante deles, poderíamos aceitar. Mas que Ele estivesse neles — isso é muito difícil para nós crermos.
Assim, na primeira noite, falei sobre as nações: o redemoinho e a tempestade nas nações, e o fato de que o Senhor tem um propósito e vai cumpri-lo. Será no tempo certo. Não haverá atraso. Não será antes do tempo determinado, nem depois dele. Ele vai cumpri-lo.
Mas não direi mais nada sobre isso. Conversamos a respeito na primeira noite.
Ontem à noite, falei sobre isso em relação à igreja. Às vezes o Senhor vem em um redemoinho para arrancar as pessoas de algo falso e comprometido. Às vezes Ele usa tempestades para fazer isso.
Mesmo quando se trata de uma congregação de crentes nascidos de novo, que conhecem algo do Senhor, há um dia mau. Quando esse dia mau chega, vocês não podem detê-lo. Não podem evitá-lo. Não podem interrompê-lo.
E, nesse dia mau, tudo é despedaçado. É uma confusão completa. Vocês não conseguem ver o Senhor por causa das nuvens. Mal conseguem acreditar que as nuvens sejam o pó dos Seus pés. Em outras palavras, Ele está ali e, de fato, está operando por meio daquilo.
Nesse tempo, ficamos todos desnorteados. É irmão contra irmão e irmã contra irmã — todos. É um tempo em que todos tiram os olhos do Senhor e passam a olhar uns para os outros.
Não importa quem sejamos; encontramos defeitos em toda parte. Na verdade, eles sempre estão lá. Quando tudo vai gloriosamente bem, todos os defeitos estão presentes, todas as fraquezas estão presentes; vocês simplesmente não os veem.
Mas, no dia mau, cada defeito e cada fraqueza vêm à tona, por assim dizer. Se queremos brigar e achamos que podemos fazê-lo, o Senhor, em certo sentido, nos deixa por nossa conta.
Sempre acreditei nisto: quando duas pessoas estão brigando entre si na obra do Senhor, o Senhor diz: “Continuem. Briguem”. Mas, quando uma delas morre para si mesma nessa situação, o Senhor diz: “Eu tomarei o seu lugar”.
Então a outra passa a viver em rota de colisão com o Senhor. Que Deus ajude qualquer pessoa que esteja em rota de colisão com Ele.
Bem, eu disse que, nesta manhã, quero falar sobre o indivíduo.
Há um perigo muito grande: quando enxergamos o que é a igreja, começamos a dar cada vez menos ênfase ao indivíduo. Mas qualquer congregação — seu caráter espiritual, seu poder espiritual, sua eficácia espiritual — depende da atuação individual de cada parte do corpo.
Quando vocês têm cinco pessoas trabalhando e noventa espectadores, não terão eficácia. Quando têm vinte pessoas atuantes e duzentas que só esquentam os bancos, não terão a mesma eficácia.
Vocês podem ter dez pessoas com verdadeiro caráter, enquanto as demais são como sifões, apenas sugando, se é que entendem o que quero dizer.
Tantas congregações e tantas obras cristãs estão cheias de pessoas que são como gravadores: absorvem tudo e reproduzem tudo. Mas não há caráter. É algo parecido com uma máquina.
Mas, quando Deus consegue um grupo em que muitos realmente têm experiência com o Senhor, têm seu próprio conhecimento pessoal do Senhor, e a Palavra de Deus foi aplicada às suas próprias situações — em casa, no trabalho, na própria vida —, vocês têm um grupo com caráter espiritual.
Vocês têm uma congregação com poder espiritual. A reunião de oração se torna uma verdadeira usina de poder.
É por isso que, a meu ver, quando o Senhor vê uma congregação ou uma obra que realmente compreende a obra de Deus e tem uma verdadeira revelação acerca da igreja, mas começa a ver pessoas se escondendo na multidão, Ele vem em um redemoinho.
Nesse momento, quando a comunidade em que nos escondemos se desfaz ou entra em declínio, e acontecem todo tipo de coisas que nunca imaginávamos que aconteceriam, de repente voltamos a ser indivíduos. Entendem?
Então temos de pensar: “Será que realmente creio naquilo em que digo crer?”
É exatamente disso que quero falar nesta manhã: dessa questão do indivíduo.
Vocês se lembram do tabernáculo? Lembram-se de que todas as tábuas da tenda da congregação e do Santo dos Santos eram tábuas individuais? Lembram-se de que cada uma delas se apoiava sobre dois pés?
E se lembram de que uma barra atravessava todas elas, unindo-as?
Em outras palavras, é uma representação das coisas celestiais. É uma representação da casa de Deus. É uma representação da igreja de Deus. Mas cada uma das tábuas está de pé sobre seus próprios dois pés e, então, unida às demais na casa do Senhor.
A primeira coisa sobre a qual quero falar nesta manhã é a comprovação daquilo que é de Deus em vocês.
O querido Pedro diz em 1 Pedro 4 — não lemos essa passagem —, em 1 Pedro 4:12-14. Ouçam; vou ler para vocês:
Amados, não estranheis a ardente provação entre vós, que vos sobrevém para vos provar, como se algo estranho vos acontecesse:
Mas, na medida em que sois participantes dos sofrimentos de Cristo, alegrai-vos; para que também, na revelação da Sua glória, vos alegreis com grande exultação.
Se sois insultados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois; porque o Espírito da glória e o Espírito de Deus repousa sobre vós.
Ele continua, em 1 Pedro 4:15-19:
Pois nenhum de vós sofra como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete nos assuntos alheios:
Mas, se alguém sofrer como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesse nome.
Porque é chegado o tempo de começar o juízo pela casa de Deus: e, se começa primeiro por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?
E, se o justo dificilmente é salvo, onde aparecerão o ímpio e o pecador?
Portanto, também os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem.
Amados, não estranheis a ardente provação entre vós.
Graças a Deus, não estamos em provação o tempo todo. Mas devemos esperar tempos em que o Senhor venha como um tornado. Devemos esperar tempos em que o Senhor venha como uma tempestade.
Porque é nesses tempos que o Senhor comprova se aquilo em que cremos aqui em cima está realmente no nosso coração.
Sabem, todos podemos dizer que cremos na Palavra de Deus, e acredito que cremos mesmo. Mas é somente quando chega a provação, quando mal sabemos onde estamos ou o que estamos fazendo, que o Espírito Santo toma uma passagem das Escrituras e, imediatamente, ela se torna nossa.
Entendem o que quero dizer? Vocês conhecem essa passagem a vida inteira, alguns desde a escola dominical. Ela é maravilhosa. É a Palavra de Deus. Vocês creem nela, mas ela não é de vocês.
Mas, naquele momento em que a tempestade os atinge, vocês descobrem que o Senhor tem o Seu caminho nela. Vocês não sabem para onde se voltar. Estão angustiados; estão aflitos. Mas então o Espírito Santo sopra no seu coração uma palavra que vocês conhecem, e, naquele momento, essa palavra se torna de vocês.
Lembro-me — talvez já tenha contado essa história a vocês — de anos atrás, quando estava me recuperando na casa de Lady Ogle, uma bela casa em Kent, com vista para a floresta de Ashdown.
Eu achava aquela casa tão bonita — tudo nela. Aqueles pobres gatos de toda a propriedade não podiam entrar nos jardins nem na casa. Não se podia ter gato ali, coitados, porque ela amava os pássaros. Ela não queria nenhum gato por ali matando pássaros, entendem?
Em muitos sentidos, era realmente como um céu na terra. Mas lembro-me de estar sentado em uma sala de visitas, uma sala magnífica, com móveis magníficos. Vi na parede uma pequena placa simples de madeira, que dizia:
A Minha paz vos dou.
Pensei: “Bem, isso é bastante banal”. Pensei comigo mesmo — não disse a ela —: “Acho que ela poderia ter encontrado uma palavra mais profunda para colocar na parede”.
Pouco depois, alguns dias mais tarde, estávamos conversando, e eu disse: “Bem, por que você colocou aquele pedacinho simples de madeira ali na parede?”
“Ah”, ela disse, “anos atrás, eu estava em terrível angústia. Sentia como se realmente não conhecesse o Senhor. Algo havia acontecido na minha vida; aquilo despedaçou tudo. Eu simplesmente não sabia onde o Senhor estava. Não sabia onde eu mesma estava”.
“E, no meio dessa angústia, que durou vários dias, de repente, um dia, o Espírito Santo soprou no meu coração:
Deixo-vos a paz; a Minha paz vos dou.”
Ela disse: “Em um instante, compreendi. A paz que Ele me deixou é a paz dos pecados perdoados, que Ele nunca conheceu. Por isso Ele não a chamou de ‘Minha paz’. Ele não precisava desse tipo de paz. Ele nunca pecou”.
Deixo-vos a paz.
“É o seu direito de nascimento, porque Ele morreu em seu lugar. Mas, quando Ele disse:
A Minha paz vos dou,
era a paz que Ele tinha no Getsêmani quando disse:
Não como Eu quero, mas como Tu queres.
“Era a paz que Ele tinha na cruz, depois de ter dito:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
“E então Ele disse:
Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.”
Sabem, ela foi transformada. E eu me senti tão mal. Pensei: “Ah, sou tão grato por nunca ter dito que aquela pequena frase na parede era banal”.
Vejam, ela era banal para mim porque eu nunca a havia enxergado de verdade. Era apenas o tipo de coisa que eu via em lares cristãos, e pensei: “Aqui também, não”.
Mas, para ela, não era apenas uma pequena frase bíblica pendurada na parede de qualquer jeito. Aquilo significava algo. Na verdade, foi a própria Amy Carmichael quem pintou as palavras na madeira, pois era uma grande amiga de Lady Ogle.
Então vocês veem o que acontece quando a Palavra se torna de vocês. Essa ardente provação — não a estranhem. O Senhor está comprovando algo. Está comprovando o que realmente há Dele em vocês: quanto está apenas aqui em cima e quanto está aqui no coração.
É assim que o Senhor nos leva a um ponto em que Ele passa a significar algo para nós, em que pode produzir em nós caráter espiritual, algo de que há uma enorme escassez.
Podemos andar por aí entusiasmados com os milagres, e eu já vi tantos, de todos os tipos. Podemos ficar muito entusiasmados com os milagres. Eles são os atos do Senhor.
Mas os caminhos do Senhor — isso pertence a outra dimensão. Vocês podem ver os atos do Senhor, maravilhar-se e ficar entusiasmados com eles. São impressionantes. São extraordinários. De certa forma, fortalecem a fé de vocês.
Mas os caminhos do Senhor são algo inteiramente diferente. Muitos, muitos cristãos conhecem os atos do Senhor. Poucos compreendem os Seus caminhos.
Quando vocês estão nesse tipo de processo, é tão maravilhoso, porque, na revelação da Sua glória, poderão se alegrar com grande exultação.
Qual é o propósito de todo esse redemoinho, desse tornado, dessa tempestade? É que o Senhor comprove o que realmente há Dele em vocês.
E então, na revelação da Sua glória, não haverá lágrimas no caminho de vocês, exceto lágrimas de alegria por estarem ali. Vocês se alegrarão com grande exultação porque, no redemoinho, Ele fez algo; na tempestade, Ele fez algo na sua vida.
Ele tornou a Sua Palavra real em vocês.
Eu poderia dar muitos outros exemplos, da minha própria experiência e da experiência de outros, de como a Palavra do Senhor, na qual cremos e que sabemos ser de Deus, embora nos tenha sido dada pelo Espírito de Deus, de algum modo ainda não está em nós.
Quando o Senhor torna a Sua Palavra real para vocês, ela se torna de vocês de uma maneira eterna. De algum modo, ela é de vocês. Na verdade, não consigo explicar o que estou dizendo. Ela é de vocês. Não está apenas no Livro. Não é apenas uma verdade absoluta. É de vocês.
Ela realmente se torna carne e sangue — mas nunca por meio de dias ensolarados. Sempre por meio do redemoinho e da tempestade.
Agora os levo, na mesma carta de Pedro, a 1 Pedro 1:7, que lemos juntos. Na antiga versão King James, está assim:
Para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, seja achada em louvor, honra e glória na vinda do Messias.
Isso me impressiona muito, porque a palavra traduzida na antiga versão inglesa como “prova” não é uma boa escolha. Quando se faz uma prova, procura-se descobrir se algo é verdadeiro ou não.
Se vocês dizem “o teste da sua fé”, a ideia é: “Bem, ela está ali ou não está? Vocês têm fé viva ou não têm fé viva?” Entendem?
A minha versão, que é a American Standard Version de 1901 — estão surpresos por eu usar a American Standard Version? —, traz “a comprovação da sua fé”. Mas isso também pode dar uma impressão errada. Trata-se do processo de comprovar a sua fé.
Deixem-me ler novamente:
Para que a comprovação da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
A comprovação da sua fé. O Senhor nunca coloca vocês em uma tempestade se sabe que não há fé viva ali. Em outras palavras, se a sua fé é tão fraca, Ele não os colocará na tempestade. Esperará até que tenham crescido pelo menos um pouco mais.
Agora, ouçam. Direi algo sobre isso daqui a pouco, mas Pedro estava falando a partir de sua experiência. Quando o Senhor Jesus lhe falou sobre o que iria acontecer — sua queda, poderíamos dizer —, Ele disse:
Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.
Eu teria pensado que três negações acompanhadas de juramentos fossem uma indicação bastante clara de que a fé havia fracassado. Na verdade, foi o fracasso da fé acadêmica. Mas a fé verdadeira, que era dom de Deus, estava sob a superfície, e o Senhor Jesus sabia disso.
Ele disse: “Orei para que a sua fé dada por Deus — a fé que Eu estou colocando na Minha própria obra — não desfaleça”. E ela não desfaleceu. Um único olhar do Senhor Jesus foi tudo o que se exigiu, e Pedro, em meio às lágrimas, voltou ao Senhor.
É muito, muito interessante isso: a comprovação da sua fé. O Senhor não pensa em colocar vocês em uma tempestade para que sejam despedaçados. Ele os coloca em uma tempestade para levar embora aquilo que não é Dele.
Cristianismo de segunda mão, cristianismo de terceira mão, cristianismo de quarta mão — isso é mortal.
O Senhor só Se interessa pelo cristianismo original. Em outras palavras, Ele só Se interessa por aquilo que foi produzido na sua vida pelo Seu Espírito.
Todo o restante a tempestade levará embora.
O maravilhoso é que, se houver em algum lugar da sua vida aquilo que é obra do Espírito de Deus, esse tipo de fé sobreviverá. O Senhor a comprovou. Ele realmente a comprovou na tempestade.
Vocês perderam tudo o mais, mas não aquilo que é verdadeiramente Dele. Agora o Senhor os colocou onde deveriam estar desde o princípio. Ele os firmou sobre uma base de realidade. Agora Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.
Entendem o que estou tentando dizer? O resultado da tempestade é que vocês passam a ter algo mais valioso, mais puro do que o ouro. Muito simplesmente, esse algo atravessou a tempestade.
Agora, eu poderia levá-los a outra passagem das Escrituras, 2 Coríntios 1:8-10. Vou ler:
Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia: fomos sobremaneira oprimidos, além das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida:
Sim, tivemos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos:
O Qual nos livrou de tão grande morte e nos livrará; em Quem temos posto a nossa esperança de que ainda nos livrará.
Aqui havia uma tempestade. Esses homens eram servos de Deus. Estavam, de fato, cumprindo o seu chamado. Estavam viajando, imagino, por lugares onde não queriam estar. Teria sido muito mais fácil, imagino, permanecer em um lugar bem mais confortável.
Mas lá estavam eles. Vocês pensariam que o Senhor resplandeceria sobre eles de um céu sem nuvens. Pensariam que o Senhor faria algo muito especial. Mas, em vez disso, ouvimos:
Desesperamos até da própria vida.
Ele diz em 2 Coríntios 1:8:
Não queremos, irmãos, que ignoreis a nossa tribulação.
Fomos sobremaneira oprimidos, além das nossas forças.
Ora, certamente o Senhor não faz isso, faz? Realmente nos oprime além das nossas forças?
Na verdade, Paulo, se acreditarmos no único relato que temos sobre sua estatura e aparência, era ruivo e baixo. De fato, o único registro diz que tinha as pernas arqueadas. Mas, acima de tudo, ele era um tanque de guerra.
Aqueles de vocês que entendem alguma coisa de temperamentos sabem disso. Do começo ao fim, ele era um tanque de guerra. Uma vez que agarrava alguma coisa, seguia em frente e atravessava tudo. O Senhor sabia disso e pensava: “Este homem, quando começa a agir, faz muita coisa por conta própria”.
Por isso, de vez em quando, a respeito desse homem fiel, que realmente havia perdido tudo e entregado a própria vida, o Senhor precisava dizer: “Uma tempestade. Vamos ter de fazer o redemoinho vir sobre ele”.
É a única coisa que o preservará e o livrará do seu próprio poder, da sua própria energia, dos seus próprios talentos, da sua própria inteligência.
Fomos sobremaneira oprimidos, além das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida.
Tivemos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.
Queridos irmãos e irmãs, toda a obra de Deus começa com a ressurreição. Ela está toda, se entendem o que quero dizer, do outro lado da sepultura. É algo a que o homem natural não consegue chegar por meios naturais.
Em outras palavras, se vocês vão ministrar com sua própria força, com seu próprio talento, precisam estar do outro lado da cruz. Entendem o que quero dizer?
Então o Senhor diz que tem uma maneira de lidar com isso. Vocês querem servir ao Senhor? Se você é dona de casa, realmente quer servir ao Senhor? Quer que sua família seja uma expressão do Senhor Jesus — um lar em que o Senhor Jesus Se sinta em casa?
Vocês que são empresários, realmente querem ter um testemunho nos negócios? Não é fácil ter um testemunho nos negócios. Realmente querem que o Senhor seja visto na sua vida, nos negócios? Querem ser testemunhas Dele em seus negócios?
E nós que somos chamados ao ministério, de uma forma ou de outra, como podemos realmente falar a Palavra de Deus? A igreja está cheia de pessoas que falam a Palavra de Deus, mas não há poder. Nada acontece. Está aqui em cima, não aqui no coração.
Lembro-me de alguém me dizer: “Estudei em uma faculdade bíblica, ou em um seminário teológico, durante cinco anos”. Ah, não, acho que foram quatro anos. Quatro anos bastam — infelizmente, bastam para matar a fé viva. Mas, infelizmente, não matam a pessoa.
É exatamente disso que o apóstolo Paulo está falando quando diz: “Nós mesmos, meus cooperadores, fomos chamados pelo Senhor, e algo nos atingiu além das nossas forças”. Isso é dizer muito, quando se trata do apóstolo: além das nossas forças, a ponto de desesperarmos da própria vida.
Mas ele diz:
Tivemos em nós mesmos a sentença de morte.
Portanto, era isso que o Senhor estava fazendo:
Para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.
Se toda a obra do Senhor está do outro lado da sepultura, se entendem o que quero dizer — se ela começa com o poder da ressurreição e a vida de ressurreição —, então não devemos confiar em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.
Então é uma caminhada de fé, e ela se torna algo vivo. Pode haver morte em vocês, porque têm a sentença de morte dentro de si, mas, para aqueles que ouvem, tudo é vida.
Isso faz sentido?
Então vocês podem consolar as pessoas. Podem encorajá-las com o consolo que vocês mesmos receberam quando foram pressionados além de toda medida.
É muito fácil dizer ao povo de Deus: “Procurem encorajá-los; procurem consolá-los”. Mas, quando vocês nunca estiveram em uma situação como aquela em que essa pessoa talvez esteja, como podem consolá-la?
Mas, quando vocês já estiveram nesse tipo de situação, em que tudo parece estar nas mãos do próprio inimigo, e então o Espírito de Deus os encorajou ali — quando o Espírito de Deus os consolou —, a situação muda. Pois, se lerem os versículos anteriores, verão que Ele é o Deus de toda consolação.
Então Ele vem a vocês, e agora vocês têm algo para dar àqueles que estão em dificuldades. Da maneira como o Senhor falou com vocês e tornou viva a Sua Palavra para vocês — encorajando-os, consolando-os, fortalecendo-os, corrigindo-os —, agora podem transmiti-la a outros.
Uma pessoa pode dizer certas palavras, e outra pode dizer as mesmas palavras; contudo, quando são ditas pela segunda pessoa, elas ganham vida em quem ouve. Qual é a diferença? Uma está falando como teologia, e a outra está falando a partir da experiência.
A comprovação da sua fé.
Agora, uma segunda coisa em que gostaria apenas de tocar — já disse um pouco sobre ela — é o que encontramos em Lucas 22:31-34. O que Pedro escreveu sobre a comprovação da fé em sua primeira carta nasceu da experiência. Ele realmente sabia, por experiência própria, o que era a comprovação da fé.
Pedro era tão especial. Muitas vezes ouvi Pedro, se entendem o que quero dizer, ser depreciado no púlpito: “Vocês sabem como ele era — um homem de presença, arrogante, impetuoso, sempre metendo os pés pelas mãos”.
Como dizemos, abria a boca e só falava o que não devia. Na verdade, se examinarem cuidadosamente o relato, descobrirão que todos os outros sentiam exatamente o mesmo, mas Pedro era o porta-voz. Ele não tinha medo.
Pedro era um homem de fibra. Não tinha medo, enquanto os outros mantinham suas bocas grandes fechadas e nunca levavam a culpa.
Vocês veem isso por toda parte na obra cristã. Alguém diz uma coisa sem rodeios, e os outros pensam o mesmo; mas, na hora decisiva, eles costuram a própria boca e deixam o irmão fulano arcar com todos os problemas.
O fato é que Pedro era um homem muito direto, muito honesto, mas também achava que conseguiria fazer aquilo. É tão simples quanto isso.
Ele não fazia ideia de que seu cristianismo — se entendem do que estou falando —, seu discipulado, era fabricado por ele mesmo. Era produto de sua própria natureza.
Ele ouvia o Senhor, assimilava aquilo por conta própria e, por assim dizer, fazia de si mesmo aquilo que achava que deveria ser.
Ah, esse era o homem que disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus disse: “Simão Barjonas, isso não veio de você. Isso lhe foi revelado por Meu Pai, que está nos céus”.
Quero dizer, havia coisas muito boas em Pedro. Ele realmente seguia o Senhor.
Pedro, na verdade, tinha um cristianismo fabricado por ele mesmo e um serviço cristão fabricado por ele mesmo. Não havia dúvida quanto à sua lealdade, nenhuma dúvida quanto aos seus objetivos, nenhuma dúvida quanto à sua determinação de seguir o Senhor — mas aquilo não era o Senhor.
Agora, vocês talvez digam: “Não entendo do que ele está falando”. Ah, vão entender. Quando o tornado os atingir, como acontecerá se prosseguirem com o Senhor, vocês entenderão do que estou falando.
Porque, naquele momento em que Pedro disse: “Estou pronto a ir para a prisão Contigo e a morrer Contigo”, Jesus disse: “Antes que o galo cante uma vez neste dia, você terá Me negado três vezes”.
Pedro deve ter ficado perplexo. “Como o Senhor poderia me julgar tão mal assim? Isso é um absurdo completo. Estou falando sério.”
E então o Senhor lhe disse: “Ouça, Simão, Simão”.
Satanás pediu para vos ter.
Graças a Deus, Satanás não podia simplesmente tomá-lo. Tinha de obter permissão de Deus. Mas Pedro, ao falar depressa demais, havia se exposto.
Satanás havia ido a Deus, acreditem ou não, e dito ao Pai: “Deixa que eu o tenha. Vou peneirá-lo”.
C. T. Studd disse que o diabo era um grande servo de Deus, porque, quando o Senhor queria fazer alguma coisa, às vezes usava o diabo para fazê-la. Entendem o que estou tentando dizer?
Então o Pai disse: “Faça isso”. E Satanás fez.
Aqui está o interessante: Satanás ficou com a palha, e Deus ficou com o trigo.
Satanás foi o agente, mas separou a palha do trigo. Ótimo.
Muito da nossa vida cristã e do nosso serviço cristão é, na verdade, apenas palha, mas não sabemos disso. Soterrado ali dentro, bem no fundo, está o que é verdadeiro. Mas, quando a tempestade chega, a palha é levada embora, e o trigo permanece.
Para mim, isso é espantoso. Por que Satanás faz isso, quando sabe que, todas as vezes, ele fica com a palha, e Deus fica com o trigo? Isso revela algo sobre o orgulho e a arrogância de Satanás: ele realmente acredita que pode frustrar a obra de Deus.
Enfim, espero que entendam o que estou tentando dizer. Toda a vida cristã de Pedro desmoronou em um único instante. Conseguem acreditar? Esse homem, que disse:
Tu és o Cristo, o Messias, o Filho do Deus vivo,
negou seu Senhor três vezes. Os outros Evangelhos dizem que foi com juramentos.
Nada poderia ter sido mais devastador do que aquilo que aconteceu a Pedro naquela noite.
Ali estava aquele homem forte, rústico, de presença marcante — uma espécie de Schwarzenegger espiritual —, e uma pequena criada, provavelmente com uns quinze anos, diz: “Ah, você é um deles”.
Na mesma hora, o homem desmoronou.
É impressionante o que as mulheres podem fazer com os homens. É impressionante. Estou falando sério.
Quero dizer, aquela mulherzinha toda pintada, com as unhas lindamente feitas, de um vermelho vivo, e os olhos com máscara para cílios — uma coisinha tão pequena que o vento quase poderia levá-la embora. Seu nome era Jezabel.
Tudo o que ela precisou fazer foi escrever um bilhetinho e enviá-lo a Elias, e o homem fugiu para salvar a própria vida. Aquele homem forte e rústico. Basta ver a região em que Elias vivia para saber que ele era um homem extraordinário.
Ele fugiu para salvar a própria vida. Vocês se lembram da história, não é?
Lembram-se de que o Senhor não tentou detê-lo? Nem uma vez o Senhor tentou detê-lo. Na verdade, o Senhor disse a dois anjos: “Desçam lá e preparem o café da manhã dele”.
Ele diz que não quer viver, e o Senhor o ajudou a seguir na direção errada.
Ele estava dormindo debaixo de um zimbro. O anjo preparou seu café da manhã e sua refeição da noite, e, com a força daquele alimento, ele caminhou quarenta dias e quarenta noites. É uma história inacreditável, não é?
O Senhor não tentou detê-lo nem uma vez. Imagino o Senhor dizendo: “Não tentem detê-lo. O pobre homem está tão agitado e tão perturbado; o importante é que vamos encontrá-lo lá na outra ponta”.
Quando ele finalmente chegou ao extremo sul do Sinai, então o Senhor lhe perguntou: “O que você está fazendo aqui, Elias?”
Maravilhoso, não é? Foi uma mulherzinha que o colocou a caminho na direção errada. Quem poderia acreditar em uma coisa dessas?
Esse homem havia enfrentado quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo, naquele grande confronto, com tamanho triunfo diante de todo o povo de Israel. Diante daquela única mulherzinha franzina e pintada, ele fugiu para salvar a própria vida.
Bem, foi o mesmo com Pedro. Essa menina — não acho que tivesse unhas pintadas, máscara para cílios ou qualquer coisa assim —, apenas uma querida menina. Tudo o que ela precisou dizer foi: “Você é um deles”, e o homem desmoronou.
Depois, algum servo — não sei quem era —, um sujeito veio e disse a mesma coisa, e então veio outro. Pedro negou três vezes.
Quando estava negando o Senhor pela terceira vez, o galo cantou. Imediatamente, as palavras do Senhor Jesus vieram ao coração de Pedro.
O texto diz algo notável: Jesus apenas olhou. Não precisou dizer nada. Não falou uma palavra. Apenas olhou.
Quando os olhos de Pedro e os olhos do Senhor se encontraram, de repente Pedro compreendeu. Judas, em suas lágrimas, caminhou para o suicídio, mas Pedro, em suas lágrimas, voltou ao Senhor.
Sabem, em todo esse nosso serviço a Deus, é triste se não passamos por um redemoinho e por uma tempestade. Porque então continuamos com nossa energia natural, com entendimento acadêmico e com tudo o mais; e aquilo não é realmente o Senhor, e nós mesmos estamos enganados.
Imagino que Pedro, pelo resto da vida, tenha agradecido a Deus pela comprovação da sua fé. Pois, mais profunda do que sua negação, havia uma fé dada por Deus.
Quando essa tempestade veio, esse redemoinho o atingiu; levou embora tudo em sua vida e o deixou apenas com aquilo que Deus lhe havia dado: fé viva. Agora ele estava em outro nível, sobre outra base.
Enfim, menciono tudo isso porque acho extraordinário. E agora preciso terminar. Hoje consigo ver o relógio.
Vocês observaram aquela passagem em Marcos 6:45-52 que lemos juntos? Curiosamente, há outra história, em Marcos 4:35-41. Menciono as duas porque são muito interessantes. Lemos apenas uma delas.
Quanto às duas histórias, é claro, os liberais nos dizem que são a mesma história, que foi distorcida, e que algum escriba insensato colocou as duas no texto. Não penso assim de modo algum.
Na primeira história, temos um barco, os discípulos, Jesus e uma tempestade. Na segunda, temos um barco, os discípulos, Jesus — desta vez fora do barco — e uma tempestade.
Na primeira ocasião, vocês se lembram de que Jesus entrou no barco e adormeceu profundamente. Muitas vezes nos dizem que isso se devia à Sua humanidade. Vejam, Ele era um ser humano como nós e estava cansado.
Não acredito nisso. Não tenho nenhuma dúvida quanto à humanidade do Senhor Jesus — nenhuma dúvida de que Ele estava sujeito, como nós, ao cansaço e a outras coisas. Mas não consigo aceitar que Ele não tenha acordado em uma tempestade.
Acredito que Ele estava ali de olhos fechados.
Não digam que isso não acontece, porque me lembro do senhor Sparks. Lembro-me de uma ou duas ocasiões em que ele não queria receber uma visita, e eu estava no quarto. Ele fechou os olhos e disse: “Não diga nada”.
As pessoas diziam: “Ah, ele está dormindo”, e repetiam: “Ele está dormindo”. Eu não ousava dizer que sim, mas ficava apenas olhando. Elas saíam, e então ele abria um olho.
Por isso, acredito que o Senhor — não estou dizendo que Ele estivesse enganando ninguém — estava fazendo algo como uma forma de ensinar. Parecia estar dormindo profundamente.
Os queridos discípulos disseram: “Ah, Ele está tão cansado”. Então aquela tempestade atingiu o barco.
A propósito, vocês que já estiveram em Israel terão visto o lago da Galileia. As pessoas que estiveram lá dizem: “Ah, é tão tranquilo. Como poderia haver tempestades em que os barcos afundavam?”
Mas aquilo que atinge a Galileia são os chamados redemoinhos. Um redemoinho desce pelas colinas e montanhas, atinge o mar e o agita, transformando-o em um grande turbilhão.
Jesus estava no barco. Estava dormindo. Os discípulos disseram: “Ah, coitado, Ele está mesmo cansado. Não O perturbem”. E tiravam água, tiravam água.
Não sei quem foi que finalmente se cansou daquilo tudo. “Olhem, esquecemos de avisá-Lo. Talvez Ele possa fazer alguma coisa. Vamos afundar.”
Então foram até Ele, sacudiram-No e disseram: “Não Te importas? Estamos prestes a afundar”.
O Senhor Se levantou. Viu os discípulos em pânico, foi até a proa do barco, suponho, e disse:
Aquieta-te.
Imediatamente, a tempestade parou. É claro que os discípulos pensaram: “Isso é absolutamente maravilhoso. Quem é Ele, que pode dizer uma palavra — não um discurso longo, mas apenas uma palavra —, e tudo termina?”
É tão maravilhoso, em nossa vida, quando o Senhor entra em uma tempestade e a faz parar. O Senhor é tão sensível e tão atencioso com Seus filhos que, quando começamos a entrar em pânico, Ele sabe que não há como aprendermos coisa alguma.
Então Ele fala, e a tempestade se vai. E nós dizemos: “Ah, foi um milagre. Foi um milagre”.
Vocês aprenderam algo. Aprenderam como o Senhor é grande, quanta autoridade Ele tem, como pode fazer uma tempestade parar em um instante. Aprenderam algo que não haviam aprendido antes.
Agora, sei que algumas pessoas acham que sou herético nessa questão, mas há muitos e muitos anos suspeito de que a segunda história é a mesma situação, porém não na mesma ocasião. É outra tempestade, outro episódio no mar.
Desta vez, Jesus disse: “Bem, eles não aprenderam da última vez. Desta vez, não vou entrar no barco. Vou lhes dar outra lição como aquela”.
Então Ele ficou para trás, subiu ao monte e disse: “Vou orar”. Todos entraram no barco sem o Senhor.
Ele disse: “Encontrarei vocês do outro lado”. Eles sabiam que Ele tinha Suas próprias maneiras de fazer as coisas. Talvez se perguntassem como Ele daria a volta para encontrá-los do outro lado. Mas já estavam com Ele havia tempo suficiente para saber que, se Ele dizia que os encontraria do outro lado, de alguma forma, milagrosamente, estaria lá.
Uma enorme tempestade se levantou. No outro Evangelho, o texto nos diz que eles ficaram com medo porque, de repente, viram uma figura se movendo em meio aos respingos, ao vento fortíssimo e às grandes ondas. Estavam remando com tanta força contra o vento, e pensaram que fosse um fantasma.
Sabem, no fundo, todos somos muito supersticiosos. Eles pensaram: “É um sinal. É um sinal. Alguém veio do mundo dos mortos. Vamos todos afundar”.
Mas Pedro — diz um dos outros Evangelhos — falou: “Não, acho que é Jesus”. Ele gritou em meio ao rugido da tempestade: “Jesus, és Tu?”
A voz de Jesus veio através da tempestade: “Sim, sou Eu”.
Então Pedro disse: “Se és Tu, manda-me ir até Ti”.
E Jesus disse:
Vem.
Então Pedro passou por cima da borda do barco, colocou os pés sobre a água e começou a andar. Nem por um momento pensou consigo mesmo: “O que estou fazendo?”
Ele nunca tinha ido a uma escola bíblica para aprender a andar sobre a água. É incrível. Começou a fazer o impossível.
É claro que alguns críticos da Bíblia, incluindo alguns teólogos, nos dizem — um deles disse isso na minha presença — que existem buracos nas plataformas rasas do lago da Galileia, e que Pedro, na verdade, estava andando em águas rasas. Quando caiu, caiu em um buraco, e Jesus simplesmente o puxou para cima.
É um pouco tolo, na verdade. Como o barco estaria afundando em águas tão rasas? Eles não pensam, sabem. É inacreditável. As limitações da inteligência são inacreditáveis.
Somente a fé viva liberta vocês da escravidão da inteligência.
Ouvi outro dizer: “É claro que Elias estava no monte Carmelo, e sabemos que há poços de benzina no monte Carmelo. Ele foi esperto. Aquela água que estava despejando na vala não era água; era benzina”.
Na hora das perguntas, eu era apenas um garoto naquela época — bem, vocês entendem o que quero dizer com garoto —, e disse: “Com licença, de onde veio o fogo?”
“Fogo?”, ele disse. “Um fogo?”
Eu disse: “Sabe, o fogo que desceu”.
Ele disse: “Você nunca viu o fogo consumir água — benzina? Ele a lambe”.
“Bem”, eu disse, “de onde veio o fogo?”
“Fogo?”, ele disse.
Como se nunca tivesse pensado nisso. Eu disse: “Talvez tenha sido um cigarro que Elias estava fumando”.
É tão estúpido. Essas maravilhosas explicações para os milagres são tão estúpidas que a única maneira de responder a elas é com esse tipo de comentário.
Agora, deixem-me dizer uma coisa. Acredito que Jesus não entrou naquele barco logo de início. Quando Jesus disse: “Vem”, Pedro viu o Senhor, Pedro ouviu o Senhor, e fez o impossível.
Ele andou sobre um mar açoitado pelo vento. O vento era tão forte, tão ruidoso, que é espantoso. Mas, em algum momento, enquanto andava sobre a água, uma onda se ergueu, e ele não conseguiu ver o Senhor.
Naquele instante, pensou: “O que estou fazendo? Estou andando sobre a água. Estou sonhando? Isso é real?” Naquele instante, começou a afundar.
E Jesus disse:
Por que duvidaste?
Agora, ouçam: qual é a lição?
Ter o Senhor fazendo uma tempestade parar na sua vida é maravilhoso. Isso deixa vocês com uma compreensão da Sua autoridade, da Sua grandeza e do Seu poder. Mas não realiza uma transformação em vocês.
Porém, quando vocês andam sobre um mar agitado pela tempestade e aprendem a andar sobre um mar agitado pela tempestade, isso é algo inteiramente diferente. Nunca mais terão medo de uma tempestade.
Vocês aprenderam como, com o Senhor Jesus, por meio da fé viva que vem de vê-Lo, ouvi-Lo e obedecer-Lhe, podem caminhar em meio a um mar agitado pela tempestade. Ela não pode destruí-los.
Isso, digo eu, é uma grande lição. Dela virá tanta coisa para cada um de nós, se aprendermos isso.
Vocês terão um conhecimento do Senhor que não poderiam obter em uma escola bíblica ou em um estudo bíblico. Agora terão uma experiência com o Senhor, um conhecimento do Senhor, absolutamente real e absolutamente direto.
Isso não significa que às vezes não sentirão medo, mas vocês sabem que, em algum lugar dessa tempestade, está o Senhor, e o Senhor está lhes dizendo: “Venham. Sigam-Me, mesmo na tempestade”.
Entendem?
Que o Senhor nos ajude e nos abençoe. Que aprendamos, de uma maneira como nunca aprendemos antes, que o Seu caminho — o caminho do Senhor — está no redemoinho e na tempestade, e que as nuvens são o pó dos Seus pés.
Vamos orar?
Senhor, todos precisamos aprender lições Contigo. Mas, Senhor, nossa oração nesta manhã é que tornes isso uma realidade viva na vida de cada um de nós.
Ajuda-nos, Senhor. Não pedimos nenhuma experiência que nos faça passar por algum tipo de destruição. Mas, Senhor, Tu nos conheces e sabes quando chega o momento em que algo precisa ser feito para separar a palha do trigo.
Amado Senhor, nossa oração é que aprendamos a confiar em Ti, a seguir-Te e a fazer o impossível.
Ouve-nos, então, ó Senhor, e faz com que estes breves momentos que tivemos juntos sejam um encontro muito real Contigo.
Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.