Agora, isso nos traz de volta ao assunto.
Como vocês sabem, esta primeira seção de Ezequiel, nos capítulos 1, 2 e 3, trata da preparação do servo do Senhor para o seu ministério. Até aqui, consideramos, primeiramente, o próprio profeta; depois, passamos às visões de Deus. Ainda temos um pouco a dizer sobre a primeira visão.
Consideramos o trono-carruagem do Senhor e os quatro seres viventes. Há apenas outros dois aspectos a considerar.
O primeiro desses dois aspectos são as rodas. Essa passagem está em Ezequiel 1:15-21.
Nesta manhã, temos vários aspectos, ou características, das rodas a considerar. Creio que podemos apresentá-los em cinco pontos.
Só mencionar essas coisas já indica o que elas ensinam. Não precisamos dedicar muito tempo a cada ponto, mas vamos retomá-los com uma ou duas observações.
Primeiro: as rodas representam mobilidade. Isso sugere duas coisas. Em primeiro lugar, Deus está em movimento. Aqui estamos diante dos movimentos do trono-carruagem de Deus.
Em segundo lugar, Deus exige absoluta liberdade de movimento. Ele requer completa liberdade para os Seus movimentos.
Se vocês não têm muita certeza do que quero dizer com isso, basta lembrar que, neste livro de Ezequiel, estamos, na verdade, tratando daquilo que se encontra no livro de Atos. Quando falamos do livro de Atos, entendemos que estamos falando de todo o Novo Testamento.
Assim, o livro de Atos abrange todo o Novo Testamento. Teremos de examinar isso com mais detalhes daqui a pouco. Mas, quando chegamos ao livro de Atos, encontramos essas duas coisas.
O trono está em movimento. Não há dúvida: o Homem que está no trono está avançando. Esse não é um livro estático. Não se trata de um Senhor que permanece parado. Ele está em movimento.
Mas a segunda coisa é que o Senhor exige liberdade para Se mover. Essa liberdade de movimento precisa ser reconhecida e aceita.
Lembramos de Pedro e da casa de Cornélio. Aquela visão que Pedro teve no terraço está sempre presente em nossa mente. O Senhor está em movimento — de Jerusalém para as regiões além. É isso que temos em Ezequiel.
Mas Pedro queria deter o movimento do Senhor. Ele diria:
De modo nenhum, Senhor.
Mas o Senhor não admite essa mão da tradição que O detém. O Senhor não admite a mão do preconceito que O detém.
Essa foi uma crise tremenda para Pedro, e esta era a natureza da crise. Era como se o Senhor estivesse dizendo a Pedro: “Pedro, Eu vou prosseguir. Você vai Comigo?”
“Se você não for Comigo, isso não muda nada. Você simplesmente ficará para trás. Mas, se for Comigo, terá de Me dar perfeita liberdade de movimento. Suas tradições religiosas não podem interferir no Meu movimento. Seus preconceitos não podem interferir no Meu movimento.”
O Senhor está em movimento, e Ele exige absoluta liberdade de movimento. É isso que as rodas mostram logo de início. Deus está Se movendo, e Deus reivindica o direito de continuar Se movendo.
Há muita coisa envolvida nisso. Precisamos lembrar que Deus está sempre avançando em direção ao Seu propósito eterno, e não devemos colocar nada no caminho do Senhor.
Vez após vez, o Senhor pode encontrar obstáculos em nós — nossa maneira de pensar sobre as coisas, ou até mesmo nossa experiência passada, nossas ideias de que já sabemos tudo. O Senhor diz: “Ainda tenho mais luz e verdade a fazer brotar da Palavra. Vocês ainda não chegaram ao fim de todos os Meus movimentos.”
“Há muito mais pela frente do que ficou para trás, e vocês precisam Me dar perfeita liberdade para prosseguir.”
Agora, vocês precisam pensar nisso, porque essa não é apenas a primeira coisa; é o fundamento de tudo. Esse trono-carruagem do Senhor está apoiado sobre rodas. Ele se apoia no princípio de que Deus é um Deus de movimento e exige liberdade para o Seu movimento.
Então, a segunda coisa: as rodas falam de um avanço direto, sem desvio.
Esse é um dos pontos mais difíceis de interpretar nesta visão. Mas, a meu ver, parece significar o seguinte: quando Deus avança, Ele nunca é impedido por algo que não tenha previsto.
Se Deus muda de direção, isso já faz parte do plano. Não é uma emergência. Não é porque Deus não tivesse previsto a situação.
Agora, provavelmente vocês acham isso difícil de entender. Vamos voltar ao que acabamos de dizer sobre Pedro. No caso de Pedro e Cornélio, parece que Deus está mudando de direção.
Até esse ponto, Ele vinha avançando com Israel. Todos os Seus movimentos até então estavam relacionados a Israel. Agora parece que Ele está mudando de direção, e esse era o problema para Pedro.
Era uma mudança tão grande na direção de Deus! Pedro queria que o Senhor continuasse em frente com Israel, sem mudar o Seu rumo para os gentios.
Parecia que Deus estava mudando de rumo simplesmente porque havia encontrado dificuldades em Israel. Vejam, alguns expositores da Bíblia interpretam isso dessa maneira. Deus encontrou uma dificuldade em Israel e, por isso, teve de ir aos gentios.
Segundo essa interpretação, ir aos gentios seria uma linha de ação inteiramente diferente do Senhor, simplesmente porque os judeus Lhe apresentaram uma dificuldade. Era assim que Pedro via a questão, e isso o incomodava muito.
Ele teria dito: “Senhor, Tu simplesmente não podes fazer isso. Tu tens caminhado com Israel ao longo de todos esses séculos. Não podes mudar de rumo agora.”
Agora, vocês percebem o ponto? O fato é que Deus não estava mudando de rumo. A Bíblia deixa perfeitamente claro que Deus sempre teve os gentios em mente.
Ele alcançaria os gentios por meio dos judeus, mas isso é outra questão. Se os judeus deixarem de servi-Lo nesse assunto, Ele continuará com o Seu propósito da mesma forma.
Essas rodas seguem em frente. Elas podem mudar de direção, mas isso não significa uma mudança de propósito. Mesmo na aparente mudança de direção, continuam avançando em linha reta.
As circunstâncias não fazem Deus Se desviar do Seu caminho. Ele simplesmente segue em frente. Isso é muito difícil de entender quando vocês leem essa visão das rodas, mas creio que a ilustração de Israel e dos gentios é uma chave para compreender essa questão.
Quando vocês chegam ao fim do Novo Testamento, encontram outra dificuldade, desta vez com a igreja em geral. Parece que o Senhor encontrou outro obstáculo, e parece que Ele precisa Se desviar do Seu caminho.
Parece que Ele precisa deixar a igreja em geral e Se voltar para os vencedores. Essa é apenas uma maneira de enxergar a questão. Do ponto de vista divino, Deus continua avançando com o Seu propósito.
Isso não representa nenhum desvio de propósito. Deus continua seguindo em frente. Bem, creio que já dissemos o suficiente sobre isso. Há muito ensinamento aí, se vocês refletirem a respeito.
Então, o terceiro ponto: elas tocam a terra e depois são elevadas da terra. Em seguida, parece que voltam à terra e permanecem ali.
Por algum tempo, tudo parece estar parado; depois, entende-se que elas seguem adiante novamente. Creio que há muita história nisso.
O Senhor começou no dia de Pentecostes. Ele começou em Jerusalém. Poderíamos dizer que Ele começou, por assim dizer, sobre a terra, e depois os Seus movimentos se dão acima da terra.
Ao longo daquele livro, Ele está numa posição acima da terra. E então Ele para. Isso não contradiz o que acabei de dizer. Há momentos em que o Senhor precisa esperar. Ele precisa esperar por alguma coisa. Seu avanço parece demorar.
Quanta história há nisso! Toda a história da igreja está aí. Deus avança e, quando obtém aquilo que está esperando, segue adiante novamente. Há esses movimentos de Deus que podemos observar na história.
Precisamos considerar com muita seriedade essa questão de Deus ter de esperar por alguma coisa. Parece haver um período de espera. Pode ser que Ele esteja esperando que nos ajustemos a alguma luz que nos deu.
Pode ser que Ele esteja esperando a remoção de algo que entrou e que não procede Dele. Podem ser muitas coisas. Mas sabemos que, em nossa própria vida, há períodos em que o Senhor parece não estar avançando.
Talvez o Seu avanço tenha sido impedido. Agora Ele está esperando por alguma coisa. Durante esse tempo de espera, nós também passamos por um profundo exercício interior.
Por que o Senhor não está avançando? O que o Senhor está esperando? Que ajuste preciso fazer? O que preciso tirar do caminho do Senhor?
Toda aparente espera do Senhor deveria nos levar a esse exercício interior. Isso também se aplica à obra do Senhor.
Parece que Ele parou de avançar. Pode haver uma dentre muitas razões para isso. Não é porque o Senhor tenha desistido do Seu propósito. Não é porque o Senhor tenha deixado de ser um Deus de movimento.
Mas Ele está esperando por nós. Está esperando pelo Seu povo. Está esperando por algo em Seu povo. Em todos esses momentos, deveríamos passar por um profundo exercício interior: “O que o Senhor está esperando?”
Se examinarmos a história da igreja ao longo dos últimos dois mil anos, teremos um estudo muito instrutivo. Por um lado, vemos aqueles movimentos de Deus a partir do céu.
O trono foi elevado da terra e estava avançando. O trono estava passando por cima das coisas da terra e avançando em seu poder. Isso aconteceu vez após vez.
Por outro lado, vemos aqueles tempos sombrios na história da igreja — o que chamamos de Idade Média — e outros períodos em que parecia que o Senhor estava parado.
Então surgiu um povo que assumiu essa questão e passou por um profundo exercício interior a respeito dela. Essa é a história da igreja. A partir desse exercício, Deus voltou a avançar.
Seria muito fácil, aqui nesta manhã, se eu tivesse tempo, apresentar a vocês esses movimentos e essas pausas do Senhor. Não vamos dedicar tempo a isso. Estamos apenas apontando esse princípio.
O trono se move. Os seres viventes abaixam as asas. Então o trono fica parado por algum tempo e depois volta a avançar. Bem, pensem bastante nisso. Há muito ensinamento aí.
Então chegamos ao próximo ponto. Essas rodas estão cheias de olhos. Há olhos ao redor de todas as rodas.
Encontramos esses olhos em várias ocasiões na Palavra de Deus. Nós os encontramos nas profecias de Zacarias e várias vezes no livro de Apocalipse. Naturalmente, sabemos o que eles simbolizam.
Eles representam a inteligência completa e perfeita do trono. Esse governo do Homem que está no trono é o governo de uma inteligência perfeita.
Vocês precisam levar esse princípio para o início do livro de Apocalipse. Ali vemos o que ele significa. As igrejas estão prestes a ser julgadas, mas Aquele Que as julga é Aquele Cujos olhos são como chama de fogo.
Ele diz às igrejas:
Conheço as tuas obras.
E então passa a dizer tudo o que sabe sobre as igrejas. Fica demonstrado que Ele sabe mais sobre as igrejas do que elas sabem sobre si mesmas.
Ele diz a uma igreja que ela se considera rica, enriquecida de bens e possuidora de tudo. Ele diz:
Não sabes que tu és o infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu.
Aconselho-te que de Mim compres…
O Senhor sabia mais — via mais — do que a igreja sabia sobre si mesma. Isso é apenas uma ilustração. Todos os movimentos desse trono-carruagem se dão com pleno conhecimento.
Aquele que está no trono vê e sabe tudo. O Senhor não é cego para coisa alguma, e nada Lhe é desconhecido.
Então, por fim, o espírito de vida está nas rodas. O princípio que governa todos os movimentos do Senhor é a vida. Aquele Que governa esse trono é governado por esse princípio fundamental da vida.
Agora, vocês já sabem tanto sobre a vida na Bíblia que não preciso me deter nisso nesta manhã. Vocês já foram conduzidos por toda a Bíblia com base no princípio da vida.
Vocês sabem que essa é a questão que governa toda a Bíblia. É a questão com a qual a Bíblia começa e com a qual a Bíblia termina.
Todos os movimentos de Deus, de eternidade a eternidade, se dão sobre essa base e em torno dessa questão da vida. Essas, portanto, são as características das rodas.
Vocês podem refletir mais sobre isso, mas agora vamos levar essa questão ao Novo Testamento. Há muito pouca dúvida de que, em primeiro lugar, precisamos ler Mateus 28:18 à luz disso.
Jesus disse:
Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
Essa é a primeira metade da declaração. Ela nos leva de volta ao trono-carruagem em sua relação com toda a criação e à autoridade conferida ao Homem que está no trono.
Observem a palavra que Ele usou. Ele não disse: “Todo o poder Me foi dado no céu e na terra”. Naturalmente, isso estava implícito, mas Ele usou outra palavra grega. Ele disse:
Toda a autoridade Me foi dada.
Isso é algo maior do que poder. O poder está contido na autoridade. A autoridade é o exercício do poder.
Muitas vezes ilustramos isso da seguinte maneira. Você sai para a principal avenida da sua cidade, e ali, no cruzamento, está um homem de pequena estatura. Ele está de uniforme. Levanta a mão.
Ora, aquela mão não seria capaz de deter todo o trânsito. Se um carro decidisse seguir em frente, a situação daquele homenzinho seria bem ruim.
Mas, por trás daquele homenzinho e daquela mão, está toda a autoridade do governo. O motorista não tem de lidar apenas com o homem; tem de lidar com todo o governo que ele representa.
Em si mesmo, ele talvez não tenha muito poder, mas em sua posição está toda a autoridade do governo. É uma ilustração muito simples e comum, mas é isso que Jesus disse.
“Por trás de Mim está toda a autoridade do governo do céu. Os homens podem simplesmente Me chamar de Jesus de Nazaré. Podem Me considerar apenas mais um homem, mas descobrirão que, por trás de Mim, está toda a autoridade do céu.”
E foi isso mesmo que descobriram.
Então, a segunda metade da declaração é:
Por essa mesma razão, ide por todo o mundo; e eis que Eu estou convosco todos os dias.
Aqui estão os movimentos do trono: para todo o mundo, com a autoridade de Jesus Cristo acompanhando a igreja. Toda a autoridade do céu está por trás da igreja quando ela se alinha aos movimentos desse trono.
Assim, em primeiro lugar, trazemos Mateus 28:18 diretamente para Ezequiel.
Estamos tratando da preparação de um servo para a sua obra. Ezequiel certamente precisava dessa preparação. Se ele não tivesse recebido aquela visão, sua obra teria sido impossível.
Todo servo do Senhor precisa dessa visão. Vocês e eu precisamos enxergar isso. Precisamos ter essa certeza.
Agora, há outras partes do Novo Testamento que precisam ser trazidas diretamente para esta seção. Vocês precisam ler as cartas aos Colossenses e aos Efésios em relação direta com o primeiro capítulo de Ezequiel.
Tragam os três primeiros capítulos de Colossenses para Ezequiel 1 e depois tragam os três primeiros capítulos de Efésios para Ezequiel 1. Há muito ensinamento nisso, e essas cartas do Novo Testamento serão a melhor exposição de Ezequiel 1.
Naturalmente, eu gostaria de me sentar com vocês, com nossas Bíblias abertas, mas vocês podem fazer isso por conta própria. Observem algumas das palavras principais nesses capítulos e algumas das ideias que os governam.
O primeiro capítulo da carta aos Colossenses — não há nada em toda a Bíblia como esse capítulo quanto ao lugar do Senhor Jesus na criação. É um capítulo tremendo sobre a relação de Cristo com a criação e da criação com Cristo.
Agora, vocês devem se lembrar do que temos dito sobre os seres viventes como representantes de toda a criação, no céu e na terra, e sobre o trono estabelecido acima dela. É exatamente isso que encontramos em Colossenses e Efésios.
Tomem a expressão “regiões celestiais”, como aparece em Efésios. Bem, tudo isso é muito interessante, mas deveria ser também muito instrutivo para nós. Tudo isso tem a ver com a preparação de um servo para o seu ministério.
Agora vou dedicar meus últimos minutos à segunda coisa, e será muito pouco o que direi a respeito dela.
Como vocês podem ver, ela se encontra na passagem de Ezequiel 2:9 a Ezequiel 3:3 e, depois, em Ezequiel 3:14. Trata-se do rolo.
Ezequiel diz que viu uma mão estendida, e na mão havia um rolo. Ele estava escrito dos dois lados, com lamentações, pranto e ais. O Senhor disse:
Come este rolo.
Quando Ezequiel começou a comer o rolo, disse que ele era doce como mel em sua boca. Em Ezequiel 3:14, ele diz:
Fui em amargura de espírito.
Assim, este é o resultado: doçura na minha boca e amargura no meu espírito. Isso parece muito estranho.
Aqui está um rolo escrito por dentro e por fora com lamentações, pranto e ais. Como isso pode ser doce na boca de alguém? No entanto, ao prosseguir no cumprimento do seu ministério, o profeta disse que foi na amargura do seu espírito.
Aqui há uma combinação de doçura e amargura no ministério. O que isso significa? Como podemos explicar isso?
Bem, creio que, se eu apresentar a vocês apenas uma ou duas passagens das Escrituras, isso explicará toda a questão.
Jesus está na ceia da Páscoa com os Seus discípulos. Seu pensamento estava voltado para o cálice. Daqui a pouco, Ele dirá:
Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice.
O cálice era o cálice do Seu sofrimento. Era o cálice da Sua paixão. Era um cálice amargo; não há dúvida disso. No entanto, o texto diz que Ele tomou o cálice e deu graças.
Há uma combinação de duas coisas: sofrimento e gratidão; sofrimento e glória. Esse é o paradoxo da cruz.
Jesus contou aos Seus discípulos o que estava prestes a acontecer. Disse-lhes que iria sofrer. Ele havia tratado com eles de tudo o que dizia respeito à Sua cruz.
Então o texto diz:
E, tendo cantado um hino, saíram.
Agora, foi ali fora que eles cantaram um hino. Vocês sabem ao encontro de que eles saíram. Vocês teriam pensado que aquele era o último lugar para cantar.
No entanto, eles saíram ao som de um hino. Fico pensando se vocês sabem qual foi o hino que cantaram.
Há fundamentos muito sólidos para crer que o hino cantado na Páscoa era o Salmo 118. Naturalmente, deveríamos ler o Salmo 118, mas, bem no centro desse salmo, encontramos estas palavras:
Não morrerei, mas viverei.
É o salmo da vitória. É o salmo que tem a cruz em vista e a glória do outro lado da cruz.
Então vemos a mistura de doçura e amargura no cálice.
Podemos tomar outra expressão?
O Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz.
Isso reúne toda a amargura e toda a doçura. Seria a isso que Paulo se referia quando disse:
Como entristecidos, mas sempre alegres.
Essas duas coisas sempre caminham juntas no ministério de um servo de Deus. O caminho da cruz sempre significa essas duas coisas.
É o caminho da amargura, muitas vezes da amargura de espírito. Mas não é só amargura. O Senhor mantém o equilíbrio entre a amargura e a alegria.
Não há apenas o lado amargo da comunhão dos Seus sofrimentos; há também o lado alegre dessa comunhão.
Creio que isso é tudo o que preciso dizer sobre esse assunto nesta manhã. Assim, vocês poderão levar essas coisas consigo e refletir sobre elas.
Vejam, o que estamos fazendo nestes momentos juntos não é concluir a obra. Estamos apenas lançando um fundamento para o futuro.
A formação de vocês não estará concluída quando forem embora destes encontros. Sua formação só começará então.
Lembro-me de que, muitos anos atrás, eu estava pregando numa igreja na Filadélfia, nos Estados Unidos. Justamente quando eu estava terminando minha mensagem, um homem correu até os degraus da entrada da igreja e perguntou ao homem que estava à porta: “O sermão já terminou?”
O homem à porta respondeu: “Não, o pregador terminou, mas o sermão está apenas começando.”