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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Much Has Been Required, Much Shall Be Required © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Much Has Been Required, Much Shall Be Required
    Much Has Been Required, Much Shall Be Required
    Kaung, Stephen

    Responsabilidade Espiritual

    Por favor, abram no Evangelho segundo Lucas, em Lucas 12:48. Vamos ler a segunda frase desse versículo.

    E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá; e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.
    — Lucas 12:48

    Repito:

    E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá; e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.

    Vamos orar?

    Querido Pai celestial, nosso coração está cheio de ações de graças e gratidão porque Tu nos reuniste em torno do Teu Filho amado. Nós Te louvamos e Te agradecemos por Tua presença conosco. Verdadeiramente, estamos em terra santa.

    Senhor, desejamos tirar os nossos sapatos e esperar em Ti, para ouvir o que Tu tens a nos dizer. Pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, nossos ouvidos e nosso coração se abram, para que possamos ouvir o que o Espírito diz às igrejas.

    Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos em Ti para realizar a obra que determinaste para esta hora. E a Ti seja a glória, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Graça e a Responsabilidade Espiritual

    O encargo que tenho para este momento diz respeito à responsabilidade espiritual.

    Acho que todos gostamos de ouvir sobre a graça, mas não gostamos muito de ouvir sobre responsabilidade. Provavelmente, não gostamos de ouvir sobre isso de modo algum.

    Graças a Deus porque Ele é o Deus de toda a graça. Graças a Deus porque, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele era cheio de graça e de verdade. E graças a Deus porque todos nós recebemos da Sua plenitude graça sobre graça. Tudo isso é verdade.

    Mas, irmãos e irmãs, será que vocês já pensaram que, embora a graça seja dada gratuitamente e seja para o nosso desfrute, no próprio significado da graça, conforme a encontramos na Palavra de Deus, há um elemento de responsabilidade?

    Em outras palavras, essa palavra, graça, na Bíblia, contém pelo menos três significados.

    Os Significados da Graça

    Primeiro, Aquele que dá a graça é cheio de graça. Ele é tão belo. Ele é tão bondoso. E há Nele tamanha graça que desperta a nossa adoração.

    Segundo, a graça não significa apenas que Aquele que a concede é cheio de graça, mas também que Ele a concede de maneira tão graciosa: ela é gratuita, é para todos, e a maneira pela qual é concedida é cheia de graça.

    Terceiro, na própria palavra graça está presente este elemento: aqueles que receberam graça serão tão transformados, tão influenciados, tão tocados pela graça que darão graças a Deus. Sabem, as próprias palavras “graças a Deus”, no original, são “graça a Deus”.

    Portanto, haverá uma resposta daqueles que receberam graça — uma resposta em graça —, não apenas dando graças a Deus, mas também sendo graciosos uns para com os outros.

    Assim, vocês encontrarão, no próprio significado da graça, um elemento de responsabilidade. Depois de recebermos a graça de Deus, espera-se que sejamos graciosos. Espera-se que sejamos responsáveis.

    Então não usaremos mal a graça de Deus, não abusaremos dela nem a desperdiçaremos. Vocês se lembram do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 6:1. Ele diz:

    E nós, cooperando também com Ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão.

    Em outras palavras, quando recebemos a graça de Deus, ela nos é dada gratuitamente; contudo, depois de recebê-la, não devemos tê-la recebido em vão. É preciso que algo resulte dela.

    Mencionamos ontem à noite que Deus nos chamou segundo o Seu propósito. Deus não nos deu a graça como algo sem propósito algum e sem exigir nada depois.

    Na verdade, embora nos seja dada gratuitamente, a graça é algo que nos foi confiado. Quando Deus nos dá graça, Ele nos confia algo; ou podemos dizer que Ele confia a Si mesmo a nós. E, por ter confiado a Si mesmo a nós dessa maneira, Ele exige que algo resulte de nós por causa da graça que recebemos.

    A Vida como a Grande Dádiva de Deus

    Provavelmente, neste mundo, não há dádiva maior do que a dádiva da vida. Deus criou os céus, a terra e todas as coisas; contudo, irmãos e irmãs, penso que é muito evidente que a maior dádiva que Deus concedeu à humanidade é a vida.

    Deus nos deu vida — vida física, vida animada, vida da alma. É por essa vida que vivemos. Acho que essa é a maior dádiva que Deus concedeu à humanidade.

    Sem essa vida, não poderíamos desfrutar de todas as coisas que Deus criou. Embora Deus tenha criado todas as coisas para o nosso desfrute, se vocês não têm vida, não podem desfrutar dessas coisas.

    É por isso que a Escritura diz:

    Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?
    Ou que dará o homem em troca da sua vida?

    A vida é uma dádiva muito preciosa de Deus.

    Com a vida vem o desfrute. Mas a vida não é apenas desfrute. Descobrimos que, com a vida, também vem a responsabilidade. À medida que a vida começa a crescer, a responsabilidade começa a aumentar.

    Agora, é verdade: quando somos recém-nascidos, quando somos bebês, parece que não temos responsabilidade alguma. Tudo o que temos é desfrute. Como bebês, apenas desfrutamos, e nossos pais assumem toda a nossa responsabilidade.

    Mas vocês não podem permanecer bebês a vida inteira. Isso seria uma tragédia, porque, à medida que a vida cresce, a responsabilidade começa a acompanhá-la. Uma vida sem responsabilidade é uma vida abortada.

    A Maturidade e a Responsabilidade

    Sabem, o problema da adolescência é que a consciência da independência já chegou. Vocês sentem que são indivíduos. Já não dependem dos outros nem se vinculam aos outros. São indivíduos — independentes.

    Mas, ao mesmo tempo, descobrem que o senso de responsabilidade não parece crescer na mesma proporção. Em outras palavras, vocês querem ser independentes, mas não gostam de ser responsáveis. Essa é a maldição da adolescência: independência, mas sem responsabilidade.

    Esse também é o conflito que encontramos na adolescência. Mas, graças a Deus, mais cedo ou mais tarde vocês superam essa fase. À medida que a vida cresce um pouco mais, começam a perceber que há certas responsabilidades que precisam assumir.

    Quando vocês chegam à vida adulta — à maturidade —, descobrem que a responsabilidade é algo que acompanha a vida. Isso não significa que, por causa dela, deixem de desfrutar. Vocês continuam desfrutando e, provavelmente, conseguem desfrutar de maneira ainda mais significativa. Contudo, junto com isso, encontram uma responsabilidade definida.

    A Vida Espiritual e o Crescimento Espiritual

    Ora, se isso é verdade no mundo natural, quanto mais no mundo espiritual. Irmãos e irmãs, quando pensamos em todas as dádivas de Deus, a maior dádiva que Deus nos concedeu é a vida espiritual.

    Além dessa vida física que Deus nos deu — e precisamos agradecer a Deus por ela —, não sei se vocês alguma vez agradecem a Deus por lhes ter dado esta vida física. Provavelmente, muitas vezes murmuramos e até culpamos a Deus por nos ter dado esta vida.

    “Por que Deus nos trouxe a este mundo? Por que temos esta vida miserável para viver nesta terra?” Mas, irmãos e irmãs, precisamos enxergar que até mesmo esta vida física que Deus nos deu é uma grande dádiva.

    Todas as manhãs, quando acordam, vocês deveriam agradecer a Deus porque ainda estão vivos, porque ainda podem desfrutar daquilo que Deus criou. A vida é uma dádiva de Deus.

    Mas, graças a Deus, Ele nos ama tanto que, além dessa vida — que às vezes não é muito satisfatória —, Ele nos dá a vida eterna. Essa vida eterna de Deus é a maior dádiva que Ele nos concedeu.

    Essa vida eterna que Deus nos deu já viveu nesta terra. Ela não é apenas a vida divina, a vida de Deus, a vida não criada; essa vida divina e não criada de Deus veio a este mundo e viveu nesta terra na Pessoa do nosso Senhor Jesus.

    Observem que tipo de vida é essa. É uma vida incorruptível. É uma vida indestrutível. É uma vida que não perde o seu esplendor. É uma vida vitoriosa e gloriosa, uma vida em harmonia com Deus Pai.

    Uma vida bela viveu nesta terra. Por meio da morte e da ressurreição do nosso Senhor Jesus, Ele deu essa vida preciosa àqueles que creem. Graças a Deus, recebemos essa vida bela. Recebemos essa vida eterna.

    Com essa vida, podemos ter comunhão com Deus. Por causa dessa vida, somos chamados filhos de Deus, e somos verdadeiramente Seus filhos — não apenas de nome. Pelo novo nascimento, nascemos na família de Deus e no reino de Deus.

    Por essa vida, podemos viver nesta terra de maneira vitoriosa e gloriosa, fazendo a vontade de Deus e agradando a Ele. Em outras palavras, a maior dádiva que Deus concedeu ao homem é a Sua vida, e essa vida está em Seu Filho.

    Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
    — 1 João 5:12

    Essa vida não é outra senão o próprio Filho. Portanto, irmãos e irmãs, temos essa vida em nós. Temos Cristo em nós — Cristo em nós, a esperança da glória.

    Agradecemos a Deus por essa vida. Desfrutamos dessa vida. Mas, irmãos e irmãs, vocês descobrem que essa vida não tem apenas o aspecto de um desfrute extraordinário. Eu me pergunto, irmãos e irmãs, quanto vocês desfrutam da vida de Cristo em vocês.

    Se viverem mais pela Sua vida, vocês apreciarão essa vida e desfrutarão muito mais dela. O problema é que não vivemos por essa vida, e é por isso que não desfrutamos tanto dela.

    Mas essa vida que está em nós também tem o outro aspecto: a responsabilidade.

    A Vida Responsável de Cristo

    Olhem para a vida do nosso Senhor Jesus enquanto Ele estava na terra. Embora não tivesse muitos bens materiais, do ponto de vista do mundo, nosso Senhor Jesus, na carne, não possuía muita coisa. Ele nasceu numa manjedoura. Foi criado em Nazaré.

    Quando começou a ministrar, vocês veem que Ele não tinha sequer um lugar onde reclinar a cabeça. Humanamente falando, pensaríamos que Ele não desfrutou muito da vida na terra. Contudo, se vocês lerem os quatro Evangelhos, descobrirão que Sua vida era cheia de desfrute.

    Embora não tivesse muitos bens terrenos, Ele desfrutava tanto do Seu Pai que era capaz de desfrutar de tudo o que Seu Pai havia criado. Podemos caminhar por um campo e não reparar nos lírios; contudo, nosso Senhor Jesus desfrutava dos lírios do campo e podia ver neles o cuidado do Seu Pai celestial.

    Há pássaros voando ao nosso redor, e nunca pensamos neles. Mas vocês veem que nosso Senhor Jesus conseguia enxergar nesses pássaros como o Pai celestial cuidava deles. Ele desfrutava de todas as coisas no Pai.

    Embora fosse rejeitado, Ele erguia a cabeça e agradecia ao Pai celestial, pois isso era do agrado do Pai. Irmãos e irmãs, vocês veem que nosso Senhor Jesus, em Sua vida, desfrutava intensamente de tudo o que o Pai Lhe havia dado.

    Ao mesmo tempo, vocês veem que nosso Senhor Jesus viveu uma vida muito responsável. Ele não era responsável apenas por Sua família — por Sua mãe —, mas, naturalmente, vemos como Ele era responsável diante do Pai celestial.

    Às vezes, as pessoas dizem que a razão pela qual nosso Senhor Jesus não começou a ministrar publicamente antes dos trinta anos foi, provavelmente, porque José morreu muito cedo. Ele não é mencionado depois. Humanamente falando, como o primeiro filho, Jesus assumiu a responsabilidade pela família até que todos os outros meninos e meninas crescessem. Então, aos trinta anos, pôde sair e ministrar.

    Mesmo quando estava na cruz, Ele ainda assumia a responsabilidade por Sua mãe, providenciando um lugar para ela. Ele viveu uma vida muito responsável.

    Quando tinha doze anos, Ele tinha consciência de que havia sido enviado por Deus para fazer a vontade de Deus. Vocês se lembram de que Ele permaneceu no templo, ocupado com os assuntos do Pai. Durante toda a Sua vida, Ele fez a vontade do Pai — de maneira muito responsável.

    Portanto, irmãos e irmãs, agradecemos a Deus pela vida que Ele nos deu, e essa vida deve crescer.

    É verdade: quando somos bebês em Cristo, não parece haver muita responsabilidade sobre nós. Temos outros irmãos e irmãs, mais maduros em Cristo, para cuidar de nós. Como bebês em Cristo, parece que apenas desfrutamos de receber cuidados e, às vezes, descobrimos que também somos um pouco travessos.

    Mas, mesmo assim, na igreja, nossos irmãos e irmãs nos toleram porque ainda somos bebês em Cristo. Quando somos bebês em Cristo, não parece haver muita responsabilidade.

    Na verdade, porém, embora ainda sejamos bebês em Cristo, o treinamento para sermos responsáveis já deve começar.

    À medida que crescemos, vocês descobrem que, com o crescimento da nossa vida espiritual, virá também o crescimento da responsabilidade. Cada vez mais, percebemos que somos responsáveis.

    Assim, encontramos em Lucas 12:48:

    A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá.

    Se pouco é dado, pouco é exigido. Isso não significa que, se pouco é dado, nada é exigido.

    Se recebemos a graça de Deus, se recebemos a dádiva da vida espiritual, então, mesmo com o pouco que temos no início da nossa vida cristã, há uma pequena responsabilidade. Mas, quanto mais crescemos no Senhor, mais se exige de nós.

    A Parábola das Minas

    Gostaria de compartilhar com vocês, irmãos e irmãs, especialmente duas parábolas que nosso Senhor Jesus contou. Uma delas se encontra em Lucas 19: a parábola da mina.

    Talvez possamos ler a partir de Lucas 19:11.

    E, ouvindo eles estas coisas, Ele prosseguiu e contou uma parábola, porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam eles que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

    Disse, pois: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, a fim de receber para si um reino e voltar.

    E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu venha.

    Mas os seus concidadãos odiavam-no e mandaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

    E aconteceu que, voltando ele, depois de ter recebido o reino, mandou chamar à sua presença aqueles servos a quem dera o dinheiro, para saber o que cada um havia ganhado negociando.

    E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu mais dez minas.

    E ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades.

    E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.

    E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.

    E veio outro, dizendo: Senhor, eis aqui a tua mina, que guardei num lenço; porque tive medo de ti, que és homem rigoroso: tomas o que não puseste e ceifas o que não semeaste.

    Porém ele lhe disse: Pela tua própria boca te julgarei, servo mau. Sabias que sou homem rigoroso, que tomo o que não pus e ceifo o que não semeei; por que, pois, não puseste o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o recebesse com juros?

    E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.

    E disseram-lhe: Senhor, ele tem dez minas.

    Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado; mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.

    E, quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.
    — Lucas 19:11-27

    Sabem, nosso Senhor Jesus estava se aproximando de Jerusalém. Era a última vez que Ele se aproximava daquela cidade antes da Sua crucificação. Curiosamente, as pessoas pensavam que nosso Senhor estava indo a Jerusalém para reivindicar Seu reino, para estabelecer o reino de Israel.

    Até os Seus discípulos tinham essa mesma ideia, porque ela estava na mente de todo o povo judeu. Para corrigir essa ideia, o Senhor Jesus contou uma parábola: a parábola de um homem nobre.

    É claro que sabemos que esse homem nobre não é outro senão o próprio Senhor Jesus. Ele é o homem nobre. Ele é o único que é nobre; todos os demais são vis.

    Esse homem nobre está partindo para receber um reino. Naquele momento, nosso Senhor estava se preparando para deixar esta terra pelo caminho da cruz. Ele estava indo para o Pai, para o céu. Para que Ele estava partindo? Para receber um reino — o reino dos céus.

    Antes de partir, Ele chama Seus próprios servos. Ele tem dez escravos. Vejam, esses servos são escravos — escravos por toda a vida, escravos para sempre. Dez é o número da responsabilidade.

    Então Ele chama Seus dez servos e dá a cada um deles uma mina. Uma mina é a sexagésima parte de um talento. Naquela época, correspondia a cerca de três meses de salário.

    Esse homem nobre deu a cada um uma mina dos seus próprios bens. Essa mina não foi dada aos servos para que a tivessem como propriedade pessoal. Essas minas pertenciam ao homem nobre, e ele as entregou aos servos para que negociassem com elas.

    Em outras palavras, era algo confiado a eles, uma mordomia — não uma propriedade. A propriedade pertencia ao homem nobre, mas esses servos se tornaram mordomos. Os bens do senhor lhes foram confiados, e eles receberam a incumbência de negociar, de fazer negócios com aquele capital, de aumentar o capital para o senhor.

    Durante a ausência dele, era com isso que esses dez servos deveriam se ocupar. Deveriam tomar aquelas minas e negociar com o capital para que o senhor obtivesse um aumento. Essa era a incumbência que lhes havia sido confiada.

    A Mina como Fé e Graça

    Agora, o que essa mina representa? Essa mina representa a fé que, de uma vez por todas, foi entregue aos santos. Vocês se lembram de Judas 1:3:

    A fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos.

    É a verdade de Deus, conforme a encontramos em toda a Bíblia. Ela foi confiada à igreja, e devemos ser mordomos fiéis da verdade de Deus. Precisamos ser fiéis à verdade de Deus e também transmiti-la aos outros. Essa é a nossa responsabilidade.

    Enquanto o Senhor está ausente, temos um trabalho a fazer. Esse trabalho é guardar a verdade, andar segundo a verdade, viver na verdade e dar testemunho da verdade.

    Alguém disse que essa parábola nos mostra para que fomos salvos. Graças a Deus, fomos salvos. Mas por que fomos salvos? Para que fomos salvos? Fomos salvos para negociar. Fomos salvos para cuidar dos negócios do nosso Senhor.

    Temos um trabalho verdadeiro a fazer. Ganhar a vida não é o nosso verdadeiro trabalho. Precisamos ganhar a vida, isso é verdade, mas esse não é o verdadeiro trabalho para o qual estamos aqui.

    Nosso verdadeiro trabalho é negociar com a mina que nosso Senhor nos confiou. O que essa mina representa? É o conhecimento da suprema graça de Deus.

    No Evangelho, descobrimos que Deus nos concedeu tamanha graça — graça abundante. A graça que Deus nos deu é uma mina. Ela nos foi dada para que negociemos com ela.

    Nosso verdadeiro trabalho neste mundo é conhecer a graça de Deus: conhecer mais da graça de Deus, experimentar a graça de Deus, experimentar mais da Sua graça — graça sobre graça — e, então, compartilhar graça com os outros. Esse é o nosso trabalho.

    Essa mina, por um lado, é fé; por outro, é graça. Na verdade, são a mesma coisa. É aquilo que Deus providenciou para nós em Cristo Jesus.

    A graça é aquilo que Deus nos deu em Cristo Jesus. A fé é aquilo que Cristo fez por nós, e a graça é aquilo que é realizado em nós. Em outras palavras, a fé é a verdade objetiva; a graça é a experiência subjetiva.

    São uma só e a mesma coisa. A fé em que cremos se torna a graça que experimentamos. Aquilo que Cristo fez por nós agora se tornou uma experiência real em nós.

    Essa graça é um capital. Não é apenas algo para vocês desfrutarem sozinhos. Há muito desfrute na nossa fé. Há muito desfrute na graça que recebemos.

    Sem a graça, não podemos viver. O apóstolo Paulo disse:

    Pela graça de Deus sou o que sou.

    O Senhor disse:

    A Minha graça te basta.

    Se não fosse pela graça suficiente de Deus, como Paulo poderia suportar o espinho na sua carne?

    A maravilhosa, admirável e extraordinária graça de Deus nos é dada para que a experimentemos, a conheçamos, desfrutemos dela e vivamos por ela. Mas lembrem-se: a graça não é apenas para o nosso desfrute. Devemos assumir responsabilidade pela graça que recebemos. Precisamos negociar com ela.

    Negociamos com a graça, por um lado, permitindo que ela opere em nós, para que mais graça se torne nossa experiência. Assumimos responsabilidade pela graça que Deus nos deu ao compartilhá-la com os outros. Quanto mais vocês compartilham, mais recebem. Isso é negociar; isso é fazer negócios.

    A Igualdade da Graça e a Resposta Individual

    Curiosamente, vocês veem que o homem nobre dá uma mina a cada servo. Em outras palavras, todos recebem igualmente.

    Quando pensamos na graça de Deus, quando pensamos na fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos, vemos que ela é igual para todos. A fé entregue aos santos é para todos nós. Isso não significa que algumas pessoas recebem mais e outras recebem menos.

    Vocês veem que a graça de Deus está disponível a todos nós e é para todos nós igualmente. O que foi dado a Paulo não é mais do que aquilo que é dado a nós. É verdade que Paulo parece ter recebido mais, mas o que Deus preparou para Paulo e o que Cristo fez por Paulo é o mesmo que Cristo fez por cada um de nós.

    Vocês não podem dizer: “Deus deu mais graça àquele irmão; por isso, ele é mais espiritual”. Não podem dizer: “Deus deu mais fé àquele irmão; por isso, ele sabe mais”. Temos a mesma Bíblia. A razão pela qual vocês não têm tanta revelação é que há algo errado com vocês.

    A graça é dada igualmente. Todos têm a mesma coisa. Mas a maneira como vocês lidam com a graça, a maneira como negociam com a graça, a maneira como fazem negócios com a graça faz muita diferença.

    Aquele que tinha uma mina, enquanto o senhor estava ausente, negociou fielmente com ela. Ele representou o homem nobre durante a sua ausência e fez o trabalho fielmente, até que a mina aumentou dez vezes. Outro a aumentou cinco vezes.

    Sabem, a graça é algo que pode aumentar. Quanto mais fiéis vocês forem à graça que está em vocês, mais graça lhes será dada.

    Por outro lado, se vocês não respondem à graça, se deixam a graça permanecer onde está — talvez tenham sido salvos há cinco anos e recebido graça, mas hoje, cinco anos depois, a graça que receberam e experimentaram continua a mesma de cinco anos atrás —, há algo errado.

    Ela deveria ter aumentado. A única razão pela qual não aumentou é que um servo tomou aquela mina e a embrulhou num lenço.

    Vejam, o lenço serve para enxugar o suor. Se vocês estão negociando diligentemente para o Senhor com a graça que Ele lhes deu, vocês suam. Mas esse servo mau queria receber graça, ter todo o desfrute e nenhuma responsabilidade. Por isso, embrulhou a mina naquele lenço. Ele não fez uso da mina, de modo que ela continuou sendo uma mina.

    A Responsabilidade como Prova de Amor

    Agora, queridos irmãos e irmãs, vocês sabem que a responsabilidade é uma prova de amor?

    Aqui vocês encontram a diferença entre aquele que ganhou dez vezes mais, aquele que ganhou cinco vezes mais e aquele que permaneceu com uma mina. Aqueles que negociam diligentemente com a mina, com a graça de Deus, fazem isso porque amam.

    Quando vocês pensam que, antes mesmo da fundação do mundo, Deus os escolheu em Cristo Jesus; quando pensam que Deus predeterminou que fossem santos e irrepreensíveis; quando pensam que, em Sua vontade eterna, Ele reservou para vocês a condição de filhos; quando pensam que, mesmo quando estavam no ventre de sua mãe, Ele os conhecia e os separou—

    Quando pensam que, em determinado momento, Ele os encontrou — talvez no caminho de Damasco —, quando vocês estavam a caminho de fazer algo contrário à Sua vontade, mas Ele os deteve e mudou sua direção; quando pensam, todos os dias, em como Ele derrama Sua misericórdia e Sua graça sobre vocês, em como cuida de vocês, em como os ama — irmãos e irmãs, se vocês são constrangidos pelo amor, como podem ser preguiçosos e irresponsáveis?

    Como vocês se ocuparão dos Seus negócios! Irmãos e irmãs, o quanto nos ocupamos dos Seus negócios é uma prova de amor.

    Olhem para aquele servo mau. Ele tem medo do seu senhor, mas não o ama. Não compreende nem aprecia o seu senhor. Em sua mente, pensa que o senhor é severo, sem razão, querendo colher onde não semeou. Sabem, isso não é verdade. Não pode ser verdade.

    Irmãos e irmãs, vocês têm medo do Senhor ou O amam? Isso determinará o quanto vocês são responsáveis.

    Se vocês realmente O amam, irmãos e irmãs, não precisam que ninguém lhes diga para serem responsáveis. Vocês serão responsáveis. Desejarão que Ele receba esse aumento.

    Esse é o próprio propósito da vida de vocês na terra. Esse é o seu trabalho. Essa é a sua ocupação. Essa é a sua prioridade. Tudo pode ser sacrificado por esta única coisa: que o Senhor receba esse aumento.

    Mas, irmãos e irmãs, se tudo o que temos é medo, ficamos amedrontados. Sabemos que um dia haverá uma prestação de contas, mas amamos nosso conforto e nossa comodidade. Não queremos pagar preço algum. Queremos viver nossa vida para nós mesmos.

    Quando aquele servo embrulhou a mina num lenço, durante esse longo período de ausência do senhor, o que vocês acham que ele estava fazendo? Se vocês não estão cuidando dos negócios do Senhor, estão cuidando de algum negócio. Mas de qual?

    A própria desculpa que ele apresenta é a sua condenação. Nosso Senhor Jesus está ausente hoje. É verdade que, no Espírito, Ele está conosco, mas está ausente. Irmãos e irmãs, durante o tempo da Sua ausência, com o que estamos ocupados?

    Isso é muito sério. Não demorará muito; Ele voltará. Mas, quando voltar, chamará Seus servos à Sua presença e desejará saber o quanto vocês foram responsáveis por aquilo que Ele lhes deu.

    Vocês veem que aquele que ganhou dez minas e aquele que ganhou cinco minas receberam recompensas diferentes: autoridade sobre dez cidades e autoridade sobre cinco cidades. Mas aquele servo mau será disciplinado.

    Portanto, irmãos e irmãs, isso é graça. A graça é algo que nos foi confiado. Sejam responsáveis pela graça que receberam.

    A Parábola dos Talentos

    Há, então, outra parábola com a qual penso que todos estamos familiarizados: em Mateus 25, a parábola dos talentos.

    Mais uma vez, vocês encontram em Mateus 25:14-30 um homem que está de partida e tem três servos. Ele entrega seus bens a esses três servos: a um, cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um.

    Ele dá os talentos de acordo com a capacidade deles. Agora, há uma diferença entre essas duas parábolas. A parábola das minas fala da dádiva da vida — da graça — que nos é concedida. Ela é igual para todos.

    Mas aqui vocês veem que os talentos são dados de maneira diferente: a um, cinco talentos; a outro, dois talentos; e a outro, um talento, de acordo com a capacidade de cada um.

    Irmãos e irmãs, Deus nos criou diferentes. Não apenas nossas características físicas são diferentes; normalmente, nossos temperamentos são diferentes, e até nossas capacidades são diferentes.

    Deus fez algumas pessoas com capacidade para administrar cinco talentos. Algumas pessoas foram feitas para administrar apenas dois talentos, e outras, para administrar apenas um talento. Mas vocês veem que isso é simplesmente variedade, nada mais.

    Deus conhece nossa capacidade e nos dá um talento correspondente. Agora, o talento aqui representa os dons espirituais.

    No que diz respeito à vida espiritual, a graça é dada igualmente a todos. Mas, no que diz respeito aos dons espirituais, recebemos de maneira diferente, de acordo com a capacidade que Deus determinou para cada um de nós. Ele tem uma obra para cada um de nós realizar; por isso, concede de maneira diferente.

    Em 1 Coríntios 12, encontramos muitos membros diferentes no corpo, e o Espírito Santo concede dons a cada membro segundo o Seu agrado. Com os dons espirituais que recebemos, podemos exercer nossa função e cumprir nossa responsabilidade no corpo de Cristo.

    Portanto, irmãos e irmãs, todos nós recebemos dons. Ninguém pode dizer que não tem dom algum. Vocês têm pelo menos um dom. Um dom espiritual é a manifestação do Espírito Santo. O Espírito Santo habita em vocês, e Ele Se manifesta em dons.

    Todos têm um dom ou dons, de acordo com o lugar em que Ele os colocou no corpo de Cristo, de acordo com a função que Ele determinou que cumprissem. Portanto, todos receberam dons. Ouvimos alguém dizer: “Eu não tenho dons”. Todos têm dons.

    Mais uma vez, vocês veem que devemos negociar com aquilo que recebemos. Aquele que tinha cinco ganhou mais cinco — ele os dobrou. Aquele que tinha dois ganhou mais dois — ele os dobrou. Mas aquele que tinha um, mais uma vez, cavou a terra e o enterrou.

    Por quê? Mais uma vez, vocês veem que isso é uma prova de amor. Ele não ama o senhor; tem medo dele.

    Mas, quando o Senhor volta, vocês veem o que acontece. Agora, cometi um erro quando falei sobre as minas. No caso das minas, vocês veem que as recompensas são diferentes. Mas, no caso dos talentos, as recompensas são as mesmas.

    Aquele que tinha cinco ganhou mais cinco, e aquele que tinha dois ganhou mais dois. Eles receberam a mesma recompensa:

    Muito bem, servo bom e fiel.
    Entra no gozo do teu senhor.

    Mas aquele que tinha um recebeu uma severa correção — disciplina.

    No caso das minas, as recompensas são diferentes. Aquele que ganhou mais dez recebeu dez cidades; aquele que ganhou mais cinco recebeu cinco cidades. Em outras palavras, vocês podem ver que o aumento da graça é muito maior do que o aumento dos dons.

    Um dom pode ser dobrado. Paulo, em 2 Coríntios 12, disse que há uma medida, e essa medida pode ser ampliada. Se vocês forem fiéis ao dom que Deus lhes deu, mais dons lhes serão concedidos.

    Vocês podem ver isso com muita clareza na Escritura. Por exemplo, Estêvão recebeu primeiro o trabalho de servir às mesas. Mas foi tão fiel em servir às mesas que se tornou alguém grandemente usado pelo Senhor, até mesmo com a Palavra de Deus.

    Portanto, os dons podem ser dobrados. Mas, graças a Deus, a graça pode aumentar dez vezes.

    A Fidelidade na Casa de Deus

    Por fim, há outra parábola. Nosso Senhor Jesus a contou no contexto de Mateus 24 e Mateus 25. Em Mateus 24, falando da vinda do Senhor, Ele disse:

    Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?

    Quando o Senhor voltar, Ele lhe confiará todos os Seus bens. Mas, se aquele servo disser em seu coração: “O meu senhor demora”, e, por causa disso, começar a espancar os seus conservos e a comer e beber com os bêbados, então o Senhor voltará num momento inesperado.

    Ali vocês veem que aquele servo mau será severamente corrigido. Não temos tempo para nos aprofundar nisso, mas vamos apenas observar o que essa parábola significa.

    Na verdade, o Senhor não está falando de dois servos. Ele está falando de um servo. Mas esse servo pode ser um servo bom e fiel, ou pode transformar a si mesmo num servo mau.

    Provavelmente, no início, ele era um servo fiel e bom. Mas, quando o Senhor demorou, de alguma maneira entrou em sua mente a ideia de que o Senhor não viria tão cedo, de modo que ele poderia fazer o que quisesse. Ele transformou a si mesmo num servo mau.

    Agora, irmãos e irmãs, quantas vezes isso acontece conosco. Quando somos salvos, provavelmente nosso coração está voltado para o Senhor. Estamos esperando Sua volta e, por causa disso, somos fiéis em Sua casa.

    Mas, à medida que os dias passam e o Senhor não vem, dizemos: “Bem, Ele não virá este ano, nem mesmo no próximo”. Então procuramos desfrutar a vida para nós mesmos e, irmãos e irmãs, transformamos a nós mesmos em servos maus.

    Todos nós somos servos de Deus. Temos responsabilidade na casa de Deus. Devemos cuidar para que haja alimento em abundância para a família.

    E sabemos que esse alimento não é outro senão Cristo. Ele é o nosso alimento. Aquilo que Cristo fez na vida de vocês, aquilo que Ele é para vocês, é o alimento que devem oferecer à casa de Deus, para que, na casa de Deus, todos sejam bem alimentados com Cristo.

    Mas, irmãos e irmãs, se vocês guardarem Cristo dentro de si apenas para si mesmos, mais cedo ou mais tarde descobrirão que começam a entrar em conflito com seus irmãos e irmãs. Vocês brigarão com eles e começarão a se tornar amigos do mundo.

    O resultado é que, quando o Senhor vier, Ele os encontrará assim. Portanto, irmãos e irmãs, é isso que significa responsabilidade. Essa é a responsabilidade espiritual, e é algo com que precisamos nos preocupar e nos ocupar durante a Sua ausência.

    Vamos orar?

    Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu nos deste tanto, para que sejamos responsáveis e produzamos aumento em favor do reino. Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por essa nobre vontade de Deus.

    Contudo, Senhor, reconhecemos que muitas vezes não levamos isso a sério. Senhor, tem misericórdia de nós. Pedimos que essa questão da responsabilidade espiritual fique realmente gravada em nosso coração.

    Que, daqui em diante, sejamos responsáveis diante de Ti. Senhor, que, quando Te virmos, não sejamos envergonhados. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.