Boa noite. É bom estar com vocês. Certamente temos colocado este encontro diante do Senhor, assim como tenho certeza de que vocês também têm feito. Nosso desejo é que vejamos o Senhor juntos, e tenho certeza de que essa tem sido a oração de vocês.
Antes de começarmos, quero lembrar vocês de um princípio absolutamente indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Como louvamos o Senhor pela Bíblia e por todos os recursos: cada auxílio, cada ferramenta, cada livro, cada estudo de palavras, cada atlas, cada concordância, toda ajuda disponível. Mas, no fim das contas, irmãos e irmãs em Cristo, depois de terem percorrido todos esses recursos, vocês precisam se apresentar diante do Senhor como um bebezinho. Precisam dizer: “Senhor, agora revela Cristo ao meu coração”.
Se vocês não confiarem em Deus para iluminar o coração de vocês quanto a este Livro, Ele não usará mais nem mesmo aquilo que é útil. Nós Lhe agradecemos pelos recursos, mas eles não são indispensáveis. A Sua revelação é indispensável.
A Bíblia, assim como nosso Senhor Jesus, é humana e divina. Precisamos do lado humano. Não incentivamos a ignorância nem nos gloriamos nela. Queremos estudo rigoroso. Mas também há um lado divino, e somente Deus pode nos dar isso.
Antes de orarmos juntos, vou pedir que abram em Lucas 18. Estudaremos João 15, mas, por um momento, abram em Lucas 18, por favor. Lucas 18:31.
E, tomando Consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito.
Pois será entregue aos gentios, e escarnecido, e ultrajado, e cuspido;
E, havendo-O açoitado, O matarão: e ao terceiro dia ressuscitará.
Então Ele apresenta uma lista. Será entregue aos gentios. Há alguma coisa difícil de entender nisso? Será escarnecido, maltratado e cuspido. Uma criança consegue entender. Depois de açoitá-Lo, vão matá-Lo. Ao terceiro dia, Ele ressuscitará. Fatos simples.
E eles nada disto entenderam; e esta palavra lhes era encoberta, e não percebiam o que se lhes dizia.
Nada poderia ser mais simples do que os fatos que Ele apresentou. Será entregue. Será espancado. Será açoitado. Cuspirão Nele. Ele morrerá. Ele ressuscitará. E o texto diz que isso lhes estava encoberto.
Por mais clara que seja a afirmação, se Deus não a revelar, nós não a compreendemos — por mais clara que seja. Por isso, vou pedir que inclinem a cabeça comigo e confiem no Senhor para revelar, para tirar o véu do nosso coração, para fazer a luz brilhar sobre o Senhor Jesus e, então, nos dar graça para andar na luz, como Ele está na luz.
Vamos orar.
Pai, nós Te agradecemos mais uma vez por este Livro precioso e pelo Espírito Santo, que habita em nosso coração para tornar sempre claras ao nosso espírito essas afirmações tão claras. Fala conosco. Visita-nos. Sabemos que, quando virmos o Teu rosto, seremos iluminados; seremos transformados.
Pedimos que concedas graça a cada coração, que ninguém seja deixado de lado, mas que todos vejam o Senhor de maneira viva e bíblica. Pedimos isso no nome do nosso Senhor Jesus, que prevalece sobre tudo. Amém.
Abram, por favor, em João 15. Antes de examinarmos este texto maravilhoso — João 15:1-17 —, tenho certeza de que vocês já o conhecem. Como o povo de Deus tem sido abençoado por essa passagem ao longo dos anos!
Permitam-me fazer alguns comentários introdutórios antes de examinarmos o texto propriamente dito. Não tenho ilusões ao me apresentar diante de vocês nesta noite. Sei que esta é uma passagem conhecida e também recebi a informação de que vocês já a estão estudando.
Essa é uma das bênçãos que tenho no coração ao ministrar aqui no Family Ministries: o texto é conhecido de antemão. Vocês o devoram e meditam nele, e isso me poupa um pouco do trabalho pesado. Sou grato por isso.
Todos sabem do que vamos falar. Cristo é a videira, e os cristãos são os ramos. Permanecemos na videira, a videira supre os ramos, e nosso Pai é o agricultor, que poda o ramo frutífero.
Sei que não há nada novo aqui, mas estou orando para que, embora eu não diga nada que vocês já não tenham ouvido, o Espírito de Deus unja estas palavras, de modo que a realidade da verdade renove nossa alma. Não precisa ser novo. Não precisa ser inédito. É emocionante porque é verdadeiro, não porque é novo.
A segunda coisa para a qual quero chamar a atenção é que vou apresentar um esboço, mas também sei que haverá sobreposição entre os assuntos, pela própria natureza deste capítulo — ele prega por si mesmo — e pela natureza do conteúdo deste maravilhoso capítulo.
Em outras palavras, vamos falar sobre a videira verdadeira, mas, ao falar da videira, precisamos abordar o permanecer. Vamos falar sobre permanecer em Cristo e teremos de falar sobre como Ele cuida da videira. Vamos transitar de um assunto para outro; portanto, haverá sobreposição.
A última coisa que quero dizer como introdução é que, embora conheçamos esta passagem, nós não a conhecemos. Vocês entendem o que quero dizer? Cada parte da verdade de Deus tem uma profundidade insondável. Nada se esgota. Quando vocês se aproximam deste Livro, simplesmente não há fim.
Embora haja maravilha e mistério aqui, pedi a Deus que, neste fim de semana, nos capacite a nos apropriar de tudo o que Ele revelou e a entrar nessa realidade. Tenho a impressão de que, às vezes, nos escondemos atrás do mistério como desculpa para a ignorância.
De algum modo, parece honroso sentar-se aos pés do mistério, tirar os sapatos e dizer: “Solo santo”, sem entrar, sem tomar posse disso. Há mistério aqui, mas não vamos usar o mistério como desculpa para a ignorância, porque é um mistério revelado.
Queremos entrar nessa realidade. Não queremos brincar com essas coisas. Não estamos tentando impressionar ninguém com iluminação espiritual. Não vou surpreender vocês com alguma verdade inesperada. Vocês sabem do que vamos falar. Mas quero entrar nessa realidade e pedir a Deus que nos ajude a nos apropriar de tudo o que Ele revelou.
Talvez possamos ler esses dezesseis versículos em voz alta. Quem sabe alguns de vocês leiam alguns versículos, depois outra pessoa continue, e assim leiamos João 15:1-16. Se alguém quiser participar, fique de pé e leia em voz suficientemente alta para que todos possam ouvir. Leia alguns versículos, sente-se, e então outra pessoa continuará até o versículo 16.
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor.
Todo ramo em Mim que não dá fruto, Ele o tira: e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto.
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.
Permanecei em Mim, e Eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos: quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto: porque sem Mim nada podeis fazer.
Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará; e os colhem, e lançam no fogo, e ardem.
Se vós permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
Nisto é glorificado Meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis Meus discípulos.
Como o Pai Me amou, também Eu vos amei: permanecei no Meu amor.
Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor.
Tenho-vos dito estas coisas para que a Minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
O Meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
Vós sois Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos; porque o servo não sabe o que faz o seu senhor: mas tenho-vos chamado amigos; porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não Me escolhestes vós, mas Eu vos escolhi, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça: a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda.
Obrigado. Confiem no Senhor comigo, enquanto percorremos esta passagem, para que Ele revele a Si mesmo.
Vou apresentar um esboço simples do que gostaria de abordar nesta noite, amanhã à noite, se o Senhor permitir, e depois no Dia do Senhor. É um esboço simples, e quase todos os que tratam deste texto o dividem dessa maneira.
Nesta noite, gostaria de me concentrar no coração de Deus na afirmação:
Eu sou a videira verdadeira.
Basicamente, é isso que gostaria que víssemos nesta noite. Por que Jesus disse isso? O que Ele quis dizer?
Com a ajuda de Deus, queremos compreender com firmeza a revelação de Cristo como a videira verdadeira. Depois, logicamente, queremos examinar tudo o que Deus pretende comunicar com esta verdade:
Permanecei em Mim.
Isso é para que vocês deem fruto. O que significa tudo isso — permanecer para dar fruto?
Creio que, sem dúvida alguma, a mensagem principal desta seção diz respeito à produção de fruto mediante o permanecer em Cristo, a videira. Gostaríamos de conversar sobre fruto, mais fruto, muito fruto e fruto que permanece. O que é tudo isso que resulta de permanecer em Cristo? João 15:5 diz:
Sem Mim nada podeis fazer.
O que significa isso?
No domingo de manhã, se o Senhor permitir, daremos o próximo passo e pediremos a Deus que revele a Si mesmo como o agricultor. O que significa esta afirmação?
Meu Pai é o agricultor.
O que é a poda? Como Ele poda? Observem: é o ramo frutífero. Que fruto o Senhor produz em minha vida que Deus corta, e por quê?
Precisamos ver isso. Precisamos ver isso. Portanto, se o Senhor permitir, é isso que vamos examinar: nesta noite, Cristo, a videira; amanhã à noite, se o Senhor permitir, permanecer na videira para dar fruto; e depois, “Meu Pai é o agricultor” — o que significa quando Deus nos poda, e como Ele faz isso?
João 15:1:
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor.
Permitam-me começar chamando a atenção para o conjunto das Escrituras. A videira é uma ilustração muito preciosa na mente e no coração de Deus. Ele não a utilizou apenas uma, duas ou três vezes.
Dizemos que a árvore plantada junto às águas é uma figura do homem justo. Dizemos que a rocha é uma figura de alguma coisa. Dizemos que o ribeiro é uma figura. O que a videira representa? Nos conselhos eternos, muito antes de existir qualquer coisa, quando Deus decidiu: “Acho que vou criar uma videira”, por que Deus disse isso?
Não creio que Ele tenha dito: “Bem, a videira vai enfeitar a criação. É bonita. É agradável”. Não. Deus tinha alguma coisa em Seu coração, em Sua mente. Toda a criação é um museu. Tudo tem sua correspondência espiritual.
Vou dar algumas ilustrações. A nação de Israel estava prestes a entrar em Canaã, uma terra de leite e mel, de abundância e romãs — a terra prometida, uma figura de Cristo. Quando Deus quis representá-la, vocês se lembram da história em Números 13: os espias entraram na terra e trouxeram uma amostra de seus frutos. O que trouxeram? Uvas.
Deus diz: “Preciso criar a videira e as uvas, porque quero representar toda a terra prometida”. Aquele único cacho de uvas, levado numa vara entre duas pessoas, representava a terra prometida. Deus disse: “Acho que vou criar uma videira”.
Percorram a Bíblia e acompanhem esse tema: vinho, uvas, ramo, videira. Ah, é impressionante! Vocês leem em Salmos 104:15 sobre:
O vinho que alegra o coração do homem.
Quando falamos de alegria natural, o mundo fala de vinho. Isso é alegria natural.
Deus diz:
Não vos embriagueis com vinho, mas enchei-vos do Espírito.
A alegria natural representa a alegria sobrenatural no Senhor, que não traz ressaca — a alegria de Deus. Deus diz: “Vou criar a videira porque quero representar a terra prometida e quero representar a alegria do Senhor”.
Quando Ele quis representar Seu povo, Israel, Oseias 10:1 diz:
Israel é uma videira exuberante.
Quando quis representar aquilo que tanto amamos — a nova aliança —, Ele disse que é como vinho novo em odres novos.
Ele não disse de maneira arbitrária e por mero capricho: “Acho que vou fazer uma videira”. Quando quis representar as coisas mais belas de Seu coração, disse: “Vou criar uma videira para representar a terra prometida. Vou fazer uma videira para representar a alegria do Senhor. Vou fazer uma videira para representar Meu povo, Israel. Vou usar a videira para representar a nova aliança”.
Quando quis representar segurança e proteção, em 1 Reis 4:25 e em outros lugares, Ele retratou Seu povo sentado debaixo da videira e debaixo da figueira, protegido e seguro. A videira é uma figura que Deus usa.
Quando quis que conhecêssemos Seu amor em Cânticos, Ele disse: “Meu amor é melhor do que o vinho”. É uma figura que Deus usa. É uma figura que Deus usa para representar tudo.
Até mesmo no sentido negativo, quando quis representar o juízo em Apocalipse 14, Ele enviou os anjos para colher os cachos da videira da terra para serem destruídos. Tudo isso faz parte das figuras que Deus usa.
Quando quis representar o céu, Ele disse: “Não beberei mais isto com vocês aqui embaixo. Da próxima vez que Eu beber, estaremos lá”.
Toda vez que vocês veem a videira, Ele está nos dizendo algo maravilhoso e glorioso. Quando começa Seu grande ministério na terra e dá início aos Seus milagres, como Ele começa? Transforma água em vinho. Não é por acaso. Tudo isso foi planejado por Deus.
Como a videira é preciosa! Quando quis que nos lembrássemos Dele — vocês conhecem a história —, Ele tomou o cálice: o precioso sangue de Cristo representado pelo suco da uva.
Quando quis representar Sua igreja, Ele a retratou em João 15 por meio da videira. Quando quis representar o casamento, o casamento como deve ser, disse que a mulher deveria ser como uma videira frutífera.
Isso não é um engano. Em todo lugar que vocês olham — não leiam “videira” e passem adiante como se fosse qualquer coisa. É uma das figuras mais recorrentes de Deus, criada de propósito para ilustrar tudo.
Sabem por quê? Porque a videira representa o amor de Deus, a alegria do Senhor, a terra prometida, o casamento, a união, a comunhão, o sangue de Cristo, a nova aliança e a graça.
Eu sou a videira verdadeira.
Eu sou tudo o que a videira representa ao longo de todas as Escrituras.
Nenhuma outra figura que eu conheça — exceto uma que talvez eu mencione daqui a pouco — vai tão longe, diz tanto e comunica mais da preciosa verdade de Deus do que essa videira.
Nesse momento, falta aproximadamente um dia para Ele morrer. O que O levou a apresentar essa ilustração? O que O fez pensar nela?
Alguns diriam que foi porque, nos tempos do Novo Testamento, quando Herodes ampliou e embelezou o templo, colocaram uma videira enorme e elaborada sobre a porta do templo. Os estudiosos nos dizem que era uma das atrações mais notáveis de Jerusalém. Quem chegava a Jerusalém tinha de parar para ver a videira.
Os estudiosos nos dizem que os cachos de uvas pendurados naquela videira, feitos de ouro e pedras preciosas, eram enormes. Alguns cachos tinham o tamanho de um homem e ficavam pendurados ali.
Um comentarista que li disse que, naquela época, estimava-se que só a videira valia cerca de doze milhões de dólares. Não sei se valia doze milhões de dólares. Não estou defendendo esse valor. Não me importa se valia cento e vinte mil dólares; estou tentando mostrar a vocês o destaque que a videira tinha naquele tempo.
Se foi por isso que Ele pensou nela, se havia uma janela aberta no cenáculo e videiras entravam por ela, se foi porque Ele instituiu a Ceia do Senhor e usou o cálice e o fruto da videira, se eles viram videiras ao descerem para o vale do Cedrom, a caminho do Getsêmani, ou se foi porque Ele era o poderoso Criador e havia planejado tudo — “Criei a videira para representar isto” —, seja qual for a razão, naquele dia Ele disse:
Eu sou a videira verdadeira.
Quero sugerir a vocês, irmãos e irmãs em Cristo, ao buscarmos entrar no coração de Deus, duas coisas que creio que Ele quis dizer com a afirmação: “Eu sou a videira verdadeira”. Se Deus começar a descortinar essas duas coisas para nós, se fizer essa verdade raiar em nosso coração, estaremos prontos para compreender o que significa permanecer em Cristo.
Se vocês não compreenderem isso, vão ter dificuldades para permanecer em Cristo. É algo tão básico, tão central, tão fundamental: compreender o coração de Deus quando Ele disse: “Eu sou a videira verdadeira”.
Creio que Ele quis dizer isto: “Eu sou a videira verdadeira. Vocês não são”. Creio que foi isso que Ele quis dizer. Vocês não são a videira. Eu sou a videira verdadeira; vocês não são.
A razão de eu dizer isso é a seguinte: não lemos esse texto com uma mentalidade judaica. Ao longo de toda a sua história, eles foram ensinados que eram a videira. Quando colocaram aquela videira sobre a porta do templo e algum visitante chegava, diziam: “Está vendo a videira? Somos nós, o povo de Deus — Israel”.
Abram, por favor, no Salmo 80. O salmista cantou sobre isso. Salmos 80:8.
Trouxeste uma videira do Egito:
Lançaste fora as nações, e a plantaste.
Preparaste lugar diante dela,
E ela lançou profundas raízes, e encheu a terra.
Os montes foram cobertos pela sua sombra,
E os seus ramos eram como os cedros de Deus.
Estendeu os seus ramos até ao mar,
E os seus rebentos até ao Rio.
Eles cantavam isso: “Somos a videira que foi tirada do Egito, plantada na terra e se espalhou por toda parte”. Então, quando se desviaram e ficaram sob a vara da disciplina, vejam Salmos 80:14.
Volta-Te, nós Te rogamos, ó Deus dos Exércitos:
Olha dos céus, e vê, e visita esta videira,
E a raiz que a Tua destra plantou,
E o ramo que fortaleceste para Ti.
“Visita esta videira.” Eles eram a videira. Israel era a videira.
Isaías 5:1 fala disso:
Cantarei ao meu Amado o cântico do meu Amado acerca da Sua vinha.
O meu Amado tinha uma vinha num outeiro fértil:
E a cavou, e retirou dela as pedras,
E a plantou de excelentes vides,
E edificou no meio dela uma torre,
E também abriu nela um lagar:
E esperava que desse uvas,
E deu uvas bravas.
O que é a vinha? Isaías 5:7:
Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel,
E os homens de Judá são a Sua plantação querida.
Aonde quer que fossem, eles eram a videira. Consultavam sua Bíblia: eram a videira. Deus os tirou do Egito. Deus os plantou na terra. Eles eram a planta escolhida.
Jeremias 2:21 diz:
Eu mesmo te plantei uma videira excelente, toda ela de semente genuína:
Como, pois, te tornaste para Mim ramos degenerados de uma videira estranha?
Para qualquer lado que vocês olhassem, eles eram a videira. Quando foram julgados, o profeta disse: “Deus devastou Sua videira”. É a videira Dele. É o povo Dele. É Israel.
A ideia de serem a videira de Deus — cuidados pelo Senhor, regados dia e noite, vigiados por Ele — lhes dava orgulho nacional. Estavam felizes por serem a videira de Deus e felizes em dizer a todos que eram a videira de Deus.
Agora, é verdade que Deus os chamou de videira. Por que Ele escolheu a videira? É fácil lembrar: João 15, Ezequiel 15. Em Ezequiel, Ele dá a pista de por que usou a videira para isso. Eles não entenderam, mas essa é a razão.
E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, que é a madeira da videira mais do que qualquer outra madeira, o ramo da videira que está entre as árvores do bosque?
Toma-se dela madeira para fazer alguma obra? Ou toma-se dela uma estaca para nela pendurar algum utensílio?
Eis que é lançada no fogo para servir de combustível; o fogo consumiu ambas as suas extremidades, e o meio dela está queimado: porventura serve para alguma obra?
Eis que, quando estava inteira, não servia para obra alguma: quanto menos, depois de o fogo a ter consumido e ela estar queimada, servirá ainda para alguma obra?
Por que Deus escolheu a videira? Porque sua madeira não serve para nada. Foi por isso que ela era uma figura de Israel. Eles não entenderam isso, mas foi por essa razão que Ele a escolheu. Vocês não conseguem fazer nada com ela.
Não dá para fazer um banquinho com uma videira. Não dá para fazer um cabideiro com uma videira. O que dá para fazer com uma videira? Talvez uma guirlanda ou um apito. É só isso que dá para fazer. Vocês não podem entrar na Scott’s Furniture e dizer: “Quero um móvel de madeira de videira”. Provavelmente eles não trabalham com isso.
Ezequiel tentou mostrar que, se a madeira da videira não serve para nada enquanto está viva, depois de ser cortada, lançada no fogo e queimada, o que vocês vão fazer com essa madeira?
Mesmo quando Israel estava sob disciplina, quando haviam sido cortados, chamuscados e queimados nas duas pontas, ainda assim não entendiam. Diziam: “Somos a videira de Deus”. Vocês perderam o sentido da coisa. Deveriam ler Ezequiel. Deveriam saber por que Deus os chamou de videira, para começar, mas eles não entenderam.
Quando chegamos ao Novo Testamento, eles já haviam passado quatro mil anos ouvindo isto: “Vocês são a videira, vocês são a videira, vocês são a videira”. Lá está a videira, a videira de ouro, a bela videira: “Eu sou a videira”.
Jesus chega nesse último dia e diz: “Antes de Eu ir, vocês precisam saber: vocês não são a videira”. Isso os deixou perplexos. Era algo radical para eles ouvirem. Era uma afirmação impressionante: eles não eram a videira.
Vejam João 15:5, por favor. Às vezes, levamos anos para aprender isso, e às vezes também precisamos de um choque para abandonar essa ideia. Embora professemos o credo, sejamos ortodoxos e digamos que cremos na verdade, a menos que Deus convença vocês de que não são a videira, vocês vão tentar ser a videira.
A menos que Deus me dê um choque e me sacuda para tirar essa ideia de mim, ela está arraigada. Achamos que somos a videira.
Permanecei em Mim, e Eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos: quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto: porque sem Mim nada podeis fazer.
Quando procuramos versículos sobre a divindade de Cristo, às vezes há versículos melhores do que aqueles que simplesmente dizem: “Jesus é Deus”. Pensem em um de seus vizinhos — apenas um. Já têm um nome em mente? Vão até esse vizinho, batam à porta e digam: “Sem mim, você não pode fazer nada”.
Sabem o que ele vai dizer? “Quem você pensa que é? Que arrogância é essa?”
Nosso Senhor Jesus disse ao mundo inteiro:
Sem Mim nada podeis fazer.
Ele é Deus, ou é um louco por dizer uma coisa dessas. Que revelação é essa: “Sem Mim nada podeis fazer”.
A razão de ser tão difícil compreender isso é que já provamos muitas vezes que Ele estava errado. “Sem Mim nada podeis fazer.” Sim, eu posso. Posso fazer um monte de coisas sem Deus. Eu posso, e vocês também.
Não vou apontar o dedo para ninguém, mas aposto que há ministérios construídos que não vieram de Deus — igrejas, missões, seminários, escolas bíblicas, famílias e vidas. Fazemos isso o tempo todo.
Como assim, “Sem Mim nada podeis fazer”? Sem Ele, fazemos muitas coisas e nos envolvemos em muito trabalho. Eis o que Ele quis dizer: sem Mim, vocês não podem fazer nada que possa ser chamado de fruto.
Vocês podem fazer muitas coisas, mas nada que seja chamado de fruto, nada que permaneça e nada que glorifique a Deus. Foi isso que Ele quis dizer: “Sem Mim nada podeis fazer”.
Enquanto olharmos para alguma videira que não seja Jesus — se pensarmos que somos a videira, que a igreja é a videira, que algum ministério é a videira ou que algum homem ou alguma mulher é a videira —, estaremos em sérios problemas.
Jesus disse: “Eu sou a videira verdadeira”, e com isso quis dizer: “Vocês não são a videira”. Eu não sou a videira para mim, e não sou a videira para vocês. Vocês não são a videira para vocês mesmos, e não são a videira para mim. Nós não somos a videira para nós mesmos. Não sei mais aonde ir com isso, mas vocês entenderam a ideia.
Nosso Senhor Jesus é a videira. Não vou entrar no meu testemunho, mas, durante anos, achei que eu era a videira. Estava tentando fazer coisas de Deus.
Você fica tão cansado. Desfalece. Não consegue. Fica tão desanimado e tão frustrado. Tenta viver da própria energia, tenta produzir e alimentar esse zelo e se envolver. Vocês já passaram por isso.
Jesus disse que Ele era a videira verdadeira. Contudo, essa não foi a principal coisa que Ele quis dizer com: “Eu sou a videira; vocês não são”. Certamente, Ele quis dizer isso.
Permitam-me sugerir outra coisa que Ele quis dizer quando afirmou: “Eu sou a videira verdadeira”. Creio que Ele quis dizer: “Eu sou a videira”. Isto é: Eu criei a videira para representar alguma coisa, e sou a realidade que representei quando criei aquela videira no princípio. Sou a videira genuína. Sou a realidade à qual a videira corresponde.
Se a videira representa a terra prometida, a alegria natural, a alegria sobrenatural, o amor de Deus, a nova aliança, a segurança, o céu e toda aquela lista que apresentei, Ele está dizendo: “Eu sou a videira verdadeira, a realidade de tudo isso”.
Quero que imaginem comigo. Entrem nessa comigo. Acompanhem esta ilustração. Quero que voltem no tempo em sua imaginação, porque vou colocar palavras na boca de Deus. Não quero ser irreverente, mas creio que, no plano terreno, precisamos criar ilustrações que nos façam olhar na direção certa.
Creio que foi mais ou menos assim. Estamos na eternidade passada. Não há nada — nem anjos, nem terra, nem vida. Não há nada. Deus está lá, e falo como um insensato, como se Ele estivesse tentando decidir o que vai fazer.
“Acho que vou criar alguma coisa, porque quero comunicar a Mim mesmo. Vou criar coisas que Me representem. Vou fazer um grande museu no qual eles possam viver.”
Como posso comunicar vida? Eu sou a Vida. Quero que tenham vida com V maiúsculo. Quero que tenham vida abundante. Como posso comunicar vida? Creio que Deus disse: “Já sei o que vou fazer. Vou criar vida, porque isso é uma ótima ilustração da vida. Vou criar a biologia para ilustrar a vida”.
Então sei que, quando Eu criar a vida, eles vão olhar para a vida, estudar a vida e talvez entendam. Vou colocar vida em toda parte — no ar, no mar, na terra. Vou fazer insetos, aves, elefantes, peixes, plantas, cogumelos. Vou fazer vida em toda parte.
Para qualquer lado que olharem, vão dizer: “Vida, vida, vida”. Talvez compreendam. Vou fazer isso para que entendam.
Ele também criou coisas inorgânicas, que são outra figura na qual não vamos entrar. É igualmente emocionante, mas não vamos abordar isso. O plano de Deus era criar um mundo orgânico — cheio de seres rastejantes, de brotos, fervilhando de vida.
Vida no rio, vida na poça, vida na gota, vida no ar — vida em toda parte. Vocês sabem que estou certo. Está lá. Vocês veem.
Deus projetou cuidadosamente esse plano, esse algo que todos os organismos têm em comum. Eles não sabem que nome dar a isso. Chamam de protoplasma, decompõem-no e dizem: “Bem, há carbono, hidrogênio e nitrogênio nele”, mas falta alguma coisa. Chama-se vida, e eles não sabem o que é. Apenas a reconhecem.
A vida é diferente de uma pedra, porque a pedra não tem essa coisa chamada vida. Um inseto tem vida. Uma pedra não tem vida. Há um abismo intransponível entre a pedra e a planta, a flor e o inseto. Vida.
Não estou tentando definir a vida. Estou apenas tentando reconhecer que Deus fez isso de propósito. É um fato.
Então Deus disse: “É isso que vou fazer. Vou criar toda essa vida. Mas preciso ter o cuidado de não criar nenhum ser vivo que viva de forma independente. Nenhum ser vivo pode ter vida independente, porque isso arruinaria a Minha ilustração”.
Deus disse: “Muito bem, agora tenho vida. Agora acho que vou criar alguma coisa para sustentar essa vida, alguma coisa para dar suporte a essa vida, alguma coisa para manter e desenvolver essa vida, para que ela possa sobreviver, crescer, desenvolver-se e multiplicar-se. Acho que vou criar o ambiente”.
Tudo isso aconteceu nos conselhos eternos. Eu sei disso. Deus disse: “Vou criar o ambiente para que a vida possa viver. Criei um zilhão de formas de vida, e agora preciso criar um meio no qual elas possam viver, mover-se e existir”.
E aconteceu, como vocês sabem, que este mundo é composto de vida orgânica. Em todo ser vivo há o princípio da vida, mas em nenhum ser vivo estão as condições da vida. As condições da vida estão no ambiente; o princípio da vida está no organismo.
Tenho pulmões, mas preciso da atmosfera. Tenho um estômago — vocês já perceberam isso —, mas preciso de alimento. Deus fez a mim e a tudo o mais de tal maneira que o ser vivo precisa do ambiente.
Então Deus disse: “No Meu museu, terei de garantir que o organismo só possa viver enquanto estiver unido ao ambiente. Se essa união for rompida, o organismo morrerá”. Ele fez isso. Foi de propósito. Deus projetou tudo dessa maneira.
O que é a vida para um organismo, no plano terreno, em termos científicos? A vida é simplesmente um organismo vivendo em união com seu ambiente.
O que é a morte? É quando um organismo é separado de alguma forma de seu ambiente. Se é separado um pouco, morre um pouco. Quando é separado por completo, está inteiramente morto.
Os surdos estão mortos para todo o mundo dos sons. Estão separados dessa parte do ambiente. Os cegos estão mortos para todo o mundo da visão.
Às vezes, o ambiente muda. Às vezes, nós mudamos. Precisamos nos adaptar, e vocês podem ler tudo isso em seu livro de ciências. Posso fugir de uma tempestade. Talvez possa fugir do frio. Mas, às vezes, alguma coisa acontece aqui dentro, e já não consigo fugir. Fico separado do ambiente e morro.
Deus fez isso de propósito, porque queria dizer: “Eu sou a videira verdadeira. Eu sou o ambiente. Eu sou o meio em que o ramo vive”.
Criei tudo isso para mostrar que sou o ambiente. “Nele”, Ele diz, “eles viverão e existirão”. Cristo é o ambiente do cristão.
Deus não precisava fazer dessa maneira. Não precisava criar um universo para ser feliz. Ele era um Deus feliz antes de vocês existirem e um Deus feliz antes de eu existir. Ele tinha alegria, plenitude, completude e propósito. Tudo isso estava no próprio Deus.
Ele não precisava criar um anjo ou um arcanjo. Ele não precisa de vocês. Não precisa de mim. Todos os cristãos do mundo reunidos, de todas as épocas e gerações, não seriam suficientes para oferecer um único louvor que O adorasse como Ele deve ser adorado.
Todos os seres vivos que Ele já criou, reunidos, não poderiam constituir uma oferta à Sua altura. Ele é o Deus Todo-Poderoso. Ele é El Shaddai. Ele é o Senhor. Ele é suficiente.
Mas Ele queria que víssemos isso. Não precisava Se abaixar para representar a Si mesmo como uma galinha com seus pintinhos, uma águia, uma rocha ou uma videira. Fez isso para Se adaptar à nossa fraqueza e atender a ela, para que pudéssemos compreender — para tornar a Si mesmo visível.
O que é sugerido em João 15 por meio da figura da videira e dos ramos é plenamente desenvolvido nas epístolas do Novo Testamento. Permitam-me fazer mais um pouco desse trabalho pesado com vocês. Procurem me acompanhar nisso.
Durante quatro mil anos, ao longo de quarenta e quatro livros da Bíblia, nunca tivemos essa grande revelação. Foi somente no Pentecostes, somente quando o Espírito Santo veio, que Ele revelou esta verdade, que vocês não conseguem deixar de ver ao abrir as epístolas: em Cristo Jesus.
Por que isso é tão proeminente no Novo Testamento? Em Cristo — esse é o seu ambiente. Em Cristo — esse é o seu meio de vida. Cristo é o ar que você foi feito para respirar. Cristo é o alimento que você foi feito para comer. Cristo é a bebida que você foi feito para beber. Cristo é o descanso que você foi feito para desfrutar. Cristo agora é o seu meio de vida.
Você vive Nele. Move-se Nele. Respira Nele. Tudo é em Cristo Jesus, no Senhor, em Cristo Jesus.
Não estamos apenas ligados externamente, como duas vidas paralelas. Ele tem Sua vida; eu tenho minha vida; estamos juntos. Não. Não se trata apenas de receber Sua verdade ou pregar Seu evangelho. Não se trata apenas de sermos salvos do inferno e destinados ao céu. Isso é verdade.
Mas Deus fez algo maravilhoso, algo novo. Ele veio habitar dentro de nós, e agora quer expressar Sua vida por meio de nós. Isso é glorioso.
Abram o Novo Testamento e comecem a ler. Participamos de tudo o que Ele fez. Ele morreu; nós morremos Nele. Ele foi sepultado; nós fomos sepultados Nele. Ele ressuscitou; nós ressuscitamos Nele. Ele ascendeu; nós ascendemos Nele. Ele está assentado; nós estamos assentados Nele. Ele virá; nós viremos Nele.
Estamos identificados com Cristo. Ele Se tornou nosso ambiente. É o chão sobre o qual estamos. É o ar que respiramos. É nosso meio de vida. É a videira verdadeira.
As igrejas mencionadas na Bíblia estão em Cristo Jesus. São encontradas em Cristo, preservadas em Cristo, salvas em Cristo, santificadas em Cristo, arraigadas e alicerçadas em Cristo Jesus e aperfeiçoadas em Cristo Jesus.
É dito que nossos caminhos são caminhos em Cristo Jesus. Nossa maneira de viver é em Cristo Jesus. Nossa fé, nossa esperança e nosso amor são em Cristo Jesus. Somos instruídos a pensar no Senhor, andar no Senhor, trabalhar no Senhor, sofrer no Senhor e triunfar no Senhor.
Tudo é no Senhor. Devo receber vocês no Senhor. Vocês devem me receber no Senhor. Devo perdoar vocês no Senhor. Vocês devem me perdoar no Senhor. Esposas, sujeitem-se a seus maridos no Senhor. Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor.
O que significa todo esse “no Senhor”, “em Cristo Jesus”? Nós nos revestimos de Cristo. Ele é nosso ambiente. A verdade que sustentamos é a verdade como está em Jesus. A vontade de Deus tornou-se a vontade de Deus em Cristo Jesus para vocês.
Tudo é em Cristo. Por quê? Ele é nosso ambiente. Quando morremos, morremos no Senhor. Dormimos em Jesus. Os que morreram em Cristo — quando Ele Se manifestar, nós nos manifestaremos com Ele em glória, em Cristo Jesus.
Ele literalmente Se tornou nosso ambiente, nossa vida, nosso meio, no qual vivemos, nos movemos e existimos.
O evangelho não nos dá apenas novas informações sobre uma aliança. O evangelho nos informa sobre nossa condição em Cristo Jesus. Cabe a nós receber de Cristo — nossa vida, nosso ambiente, nosso meio de vida —, permanecer Nele.
Então começaremos a conhecer nossas capacidades, nossas posses, nossas responsabilidades, nossos deveres e nossos destinos — como nos relacionamos com Deus, como nos relacionamos com o céu e como nos relacionamos com a terra.
Ah, irmãos e irmãs em Cristo, que plenitude e que maravilha há nessa verdade: “Eu sou a videira verdadeira”! Tudo isso está incluído nela. Tudo é em Cristo Jesus.
Será que vocês já perceberam essa ideia — que Cristo é o seu ambiente?
Meu filho Daniel, graças ao Rick Baker, começou a praticar um esporte chamado mergulho. Vocês precisavam vê-lo com seu equipamento. Isso é que é um sujeito de aparência estranha! Os pés ficam esquisitos. Ele usa uma roupa de borracha. Tem um cilindro estranho nas costas, luvas estranhas nas mãos e uma coisa estranha sobre o rosto.
Anda bem devagar e de um jeito engraçado. Usa um cinturão grande, com umas peças grandes de chumbo. Aonde você vai, criatura estranha?
Vou dizer aonde ele vai. Vai para um ambiente ao qual não pertence. Esse não é o meio dele. Vai lá para baixo, ficar com os peixes e as lagostas.
Sabem o que ele precisa fazer? Precisa levar seu ambiente consigo. Por isso fica com uma aparência um pouco estranha. Desce com seu ambiente para dentro daquele ambiente estranho.
Sabem o que é um cristão? É alguém que vive onde já não pertence. Aquele já não é o seu meio.
Vocês não leem na Bíblia Paulo dizendo: “Estou na prisão”. Nunca leem isso. Sabem o que leem? “Estou em Cristo, na prisão”.
Você não está na prisão. É por isso que ele podia ser tão feliz ali. Sabem por quê? Porque levava seu ambiente consigo.
Aquele homem estava sempre ausente do corpo e presente com o Senhor. Sempre que vocês olham, ele não estava em dificuldades; estava em Cristo, em dificuldades. Não estava no mar; estava em Cristo, no mar. Levava seu ambiente consigo.
Vocês também podem, e eu também. Que maravilha é viver nesse novo ambiente chamado Jesus Cristo!
“Eu sou a videira verdadeira.” O que Ele quis dizer com isso? Vou dizer o que Ele quis dizer. Quis dizer: “Eu sou a videira, não vocês”. Mas também quis dizer: “Eu sou a videira. Sou o seu ambiente. Sou o seu meio de vida. Sou a sua vida, e tudo o que vocês fizerem procederá disso”.
Li um pouco mais adiante, e isso me surpreendeu. Dizia: “Se vocês permanecerem em Mim, e Eu permanecer em vocês”. Eu esperava que dissesse: “Vocês darão fruto”. Não dizia isso. Dizia:
Se vós permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
O que significa isso? Oração.
Deus criou a vida orgânica e criou o ambiente. Criou a vida orgânica para receber. É só isso que ela faz. Recebe o ambiente. Assimila o ambiente. O ambiente é o grande doador, e a vida orgânica é a grande receptora. Ela simplesmente recebe.
Nem sequer pede. Deus disse que isso acontece porque a vida orgânica vai passar, e o ambiente vai passar, pois são apenas uma figura. A realidade é: “Quero que vocês tenham vida, e Eu sou o seu ambiente”, e isso não vai passar.
O que é fé? É o cristão estendendo a mão para receber de seu ambiente. É só isso que a fé é.
É tão belo que agora possamos falar com nosso ambiente. Se vocês permanecerem Nele, podem falar com Ele e dizer: “Estas são as minhas necessidades”, e Ele supre. Isso é maravilhoso. Precisamos compreender o que significa viver dessa fonte.
Nesta noite, que Deus nos ajude a ver: “Eu sou a videira verdadeira. Vocês não são a videira. Eu sou a videira verdadeira. Tudo o que criei a videira para representar encontra-se em abundante plenitude em Mim. Sou a sua vida. Sou o seu meio de vida. Sou o seu ambiente”.
Vocês podem Me levar consigo, e as pessoas olharão para vocês e dirão: “Que sujeito de aparência estranha. Ele anda de um jeito tão estranho. Um povo peculiar”. E vocês viverão. Viverão porque estão ligados a outro ambiente. Sua maneira de viver, sua vida, está no céu.
Oro para que Deus nos ensine a viver em nosso ambiente, a nos mover em nosso ambiente e a existir em nosso ambiente. Não estamos fazendo isso. A igreja está mantida por aparelhos. Não aprendeu a viver de seu ambiente.
Seus membros estão doentes, desfalecendo e morrendo por toda parte, porque não aprenderam: “Eu sou a videira verdadeira, e vocês são os ramos”. Fiz assim de propósito. Coloquei isso ali como uma figura, e não a percebemos, para qualquer lado que olhemos.
Deus, Deus gracioso, dá-nos olhos para enxergar isso e começar a aprender o que significa ter Jesus Cristo como nosso meio de vida, nosso ambiente — a videira verdadeira.
Vamos orar.
Pai, nós Te agradecemos, não pelo significado que pensamos conhecer, mas por todo o significado que Tu inspiraste nessas palavras. Grava indelevelmente em nosso coração a verdade de que Tu és a videira verdadeira.
Obrigado porque farás isso de uma maneira que excede em muito tudo o que poderíamos pedir ou pensar. Oramos em nome de Jesus. Amém.