Por favor, abram em 2 Timóteo, a segunda carta a Timóteo, capítulo 1, na segunda parte do versículo 12.
Porque eu sei em Quem tenho crido e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.
E repito:
Porque eu sei em Quem tenho crido e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.
Vamos nos voltar ao Senhor em oração.
Querido Pai celestial, nosso coração se alegra porque Tu nos deste Teu Filho amado. Por meio de Teu Filho, temos livre acesso ao Teu trono da graça. Como Te louvamos e agradecemos por termos a certeza de que Tu estás aqui conosco!
Pedimos-Te, Senhor, que abras a Tua Palavra para nós. Que Teu Espírito fale ao nosso coração e nos atraia a Ti, porque, sem Ti, Senhor, Tu sabes, não temos o que dizer; não podemos dar vida. Ah, como precisamos desesperadamente de Ti!
Por isso, mais uma vez, entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos que Teu Espírito Santo fará a obra, para o louvor da Tua glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Creio que todos sabemos que 2 Timóteo foi a última carta que o apóstolo Paulo escreveu antes de seu martírio.
Sabemos que Paulo passou dois anos em Roma, como vemos em Atos 28. Ali, ele pôde pregar o reino e ensinar as coisas referentes ao Senhor Jesus sem impedimento.
Muito provavelmente, depois desses dois anos, ele teve uma audiência com o imperador e foi absolvido. Após sua absolvição, pôde viajar novamente, visitando diferentes lugares durante alguns anos.
Mas então a situação mudou completamente. No ano 64 d.C., Nero incendiou a cidade de Roma. Depois que a cidade foi incendiada, ele colocou a culpa nos cristãos. A partir daquele momento, ser cristão passou a ser considerado crime.
Por causa disso, Paulo foi preso mais uma vez e levado de volta a Roma. Não foi como antes, porque, quando estivera em Roma anteriormente, ele pudera permanecer na casa que havia alugado, receber pessoas, pregar o evangelho e ensinar sobre o Senhor Jesus sem impedimento.
Mas, desta vez, quando foi levado novamente, ele era um criminoso aos olhos do Império Romano. Estava acorrentado e, sabendo que seu fim se aproximava, escreveu esta última carta a seu filho no Senhor, Timóteo.
Assim, podemos dizer que esta carta é o testamento e o testemunho final do apóstolo Paulo.
Quando consideramos sua situação, vemos que era realmente muito dolorosa. Ele estava ali em Roma como prisioneiro, como criminoso, e logo seria condenado à morte.
Mas, quando lemos esta segunda carta a Timóteo, percebemos que seu espírito estava fortalecido. Apesar de todas as circunstâncias que o cercavam naquele momento, ele se elevou acima de todas elas.
Ele não apenas conseguiu permanecer firme pelo Senhor — vocês se lembram de que, em 2 Timóteo, ele mencionou que todos os da Ásia o haviam abandonado. Durante sua primeira defesa, todos o deixaram. Ele estava sozinho. Mas o Senhor estava com ele, e ele pôde permanecer firme pelo Senhor, pelo testemunho de Jesus, até o fim.
O evangelho que lhe fora confiado era um evangelho glorioso, e ele conseguiu prosseguir até o fim.
Meus irmãos e irmãs, minha pergunta é: o que tornou Paulo forte e fiel até o fim? Certamente não foi sua força de vontade. Embora ele tivesse uma vontade muito forte, nenhuma vontade humana poderia resistir em situações como aquelas.
Queremos descobrir o segredo do apóstolo Paulo. Creio que o segredo está em sua declaração:
Eu sei em Quem tenho crido e estou plenamente convencido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até àquele dia.
Queridos irmãos e irmãs, vocês acham que o nosso tempo é diferente do tempo do apóstolo Paulo? O mundo não mudou. Nosso inimigo ainda está aqui.
Embora estejamos perto do fim do século XX e, em termos de tempo, estejamos muito distantes dos dias de Paulo, na segunda metade do século I, ainda vivemos dias muito difíceis.
Em muitas partes do mundo, ser cristão é considerado crime. Embora nós que estamos aqui não soframos perseguição física, conhecemos a pressão ao nosso redor. Ela está aumentando, especialmente à medida que nos aproximamos do fim desta era. A pressão é muito grande.
A nós também, assim como ao apóstolo Paulo, foi confiado o glorioso evangelho de Jesus Cristo. Nós também enfrentamos o mesmo inimigo que Paulo enfrentou naquela ocasião.
Como vamos atravessar esta vida e permanecer fiéis ao Senhor e ao Seu testemunho até o fim?
Nos dias de Paulo, todos os da Ásia o abandonaram. Em sua defesa, todos o deixaram. Por quê? Porque as pessoas estavam com medo. Queriam preservar a própria vida.
Irmãos e irmãs, quando olhamos ao redor, podemos ver a apostasia que nos cerca. Como os tempos são tão difíceis e a pressão é tão grande, muitos dentre o povo de Deus fizeram concessões. Muitos caíram.
Portanto, nossa pergunta urgente é: como podemos atravessar tudo isso triunfantemente, como o apóstolo Paulo? Se tentarmos depender de nós mesmos, fracassaremos. Precisamos encontrar o poder, a força, o segredo.
Creio realmente que é muito urgente encontrarmos, nestes dias, o segredo da perseverança.
O apóstolo Paulo disse:
Eu sei em Quem tenho crido e estou plenamente convencido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até àquele dia.
Conhecemos Aquele em Quem temos crido? A palavra sei, aqui, é oida, que significa um conhecimento pessoal, vivido, Daquele que conhecemos. Não é apenas um conhecimento objetivo, impessoal e histórico que acumulamos. É um conhecimento pessoal do Senhor Jesus, adquirido pela experiência.
Aqui, o apóstolo Paulo diz:
Eu sei em Quem tenho crido.
Ele não diz: “Eu sei em que tenho crido”.
É claro que é importante saber em que você crê. Aquilo em que você crê é o ensino histórico e verdadeiro — a doutrina. Aquilo em que você crê, para usar uma única palavra, é a fé: a fé que uma vez foi entregue aos santos.
Em outras palavras, tudo o que está neste Livro, na Palavra de Deus, constitui a nossa fé — a fé que uma vez foi entregue aos santos. É verdade que precisamos batalhar pela fé em que temos crido. Isso é verdade; é importante.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se tudo o que sabemos é aquilo em que cremos, e não chegamos a conhecer Aquele em Quem cremos, não conseguiremos atravessar estes dias difíceis.
Creio que aquilo em que cremos é essencial. É objetivo; é fundamental. Mas, a partir daquilo em que cremos, precisamos avançar para o conhecimento Daquele em Quem cremos. Somente quando avançarmos para o conhecimento Daquele em Quem cremos encontraremos o poder, a força e a perseverança.
Por exemplo, cremos na justificação pela fé. Desde a Reforma, a justificação pela fé tem sido reconhecida como verdade, e é uma verdade amplamente aceita.
Mas você pode crer na justificação pela fé apenas intelectualmente e, ainda assim, não ser justificado.
Creio que muitos que vêm de famílias cristãs têm esse problema. Como fomos criados em famílias cristãs, cremos no que está escrito na Bíblia. Fomos ensinados desde a infância e, de alguma forma, aceitamos intelectualmente todas as verdades que nos foram ensinadas.
No entanto, irmãos e irmãs, não experimentamos a justificação até o dia em que entramos em contato com Aquele que justifica. Ele não é apenas Aquele que justifica; Ele é a nossa justificação.
É verdade: a justificação é pela fé. Abraão foi justificado; foi considerado justo porque creu em Deus. Foi contado como justo.
Mas lembrem-se: não foi a fé dele que o tornou justo. Somos justificados pela fé, mas não é a nossa fé que nos justifica. É por crermos no Senhor Jesus — na Pessoa Dele — que somos justificados.
Nossa fé é apenas o meio para alcançar um fim. É a mão que recebe o dom de Deus. A fé é importante, mas a fé é simplesmente receber aquilo que Deus nos providenciou, e isso é Seu Filho amado.
Portanto, somos justificados pela fé, mas isso não é meramente uma doutrina ou um ensino. Você pode ter um credo. Se você é luterano, há uma expressão: “Justificação pela fé”. Mas talvez você não seja justificado se não enxergar o Senhor Jesus como Aquele que é a sua justificação.
Quando você recebe o Senhor Jesus como seu Salvador, como seu Salvador pessoal, passa a conhecer Aquele em Quem crê. Então, o “quê” se torna eficaz e operante.
Quando examinamos as verdades da Palavra de Deus, descobrimos que toda verdade é assim. Você pode crer que, quando Cristo morreu na cruz, você morreu com Ele, porque estava Nele.
Cristo morreu na cruz não apenas pelos nossos pecados, mas morreu por nós. Ele morreu não apenas como nosso substituto; morreu como nosso representante.
Talvez tenhamos ouvido esse ensino e até o tenhamos lido na Bíblia. Talvez até o aceitemos intelectualmente como verdade. Mas, irmãos e irmãs, vocês não experimentam vitória sobre o poder do pecado até o dia em que entram em contato com o Senhor Jesus.
Até o dia em que vocês O tocam. Quando você vê que está Nele e que, quando Ele morreu na cruz há dois mil anos, você estava ali — quando realmente O vê com seus olhos espirituais —, então descobre que a doutrina se torna viva, que o ensino se torna ativo e operante, e começa a experimentar vitória sobre o poder do pecado.
Não é o ensino que lhe dá poder. É a vida, a vida ressurreta, a vida de ressurreição do Senhor Jesus, que é o poder da vitória. É Aquele em Quem você crê, e não apenas aquilo em que você crê.
Aquilo em que cremos não é o que nos sustenta até o fim. Quando tudo corre tranquilamente, quando não há prova nem oposição, tudo parece estar bem. Mas, quando vêm as provas, quando vêm as tribulações, então, irmãos e irmãs, vocês percebem a diferença entre aquilo em que creem e Aquele em Quem creem.
O apóstolo Paulo diz:
Eu sei em Quem tenho crido.
Essa é a certeza.
Irmãos e irmãs, a única coisa de que todos precisamos é conhecê-Lo. Vocês se lembram do que o apóstolo Paulo diz em Filipenses 3:10:
Para conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição.
Conhecê-Lo era a paixão, a única paixão da vida de Paulo. Como precisamos ter essa única paixão: conhecê-Lo acima de todas as coisas!
Não basta simplesmente conhecer certos ensinos, certas doutrinas e certas verdades, por mais importantes que sejam. Elas são o fundamento, mas permanecer apenas nesse nível não é suficiente. Precisamos avançar para o conhecimento do próprio Cristo.
Precisamos conhecê-Lo como nosso Salvador, conhecê-Lo como nosso Senhor, conhecê-Lo como nosso Pastor, conhecê-Lo como nosso Amigo. Vejam, Deus organiza as circunstâncias da nossa vida. Deus permite que passemos por todo tipo de circunstância — às vezes prosperidade, às vezes adversidade.
Por que Deus permite que passemos por todas essas circunstâncias? Na verdade, é o Espírito Santo Quem organiza todas as nossas circunstâncias. Cremos que pertencemos ao Senhor; até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Portanto, todas as nossas circunstâncias são organizadas pelo Espírito Santo.
Por que Ele organiza diferentes circunstâncias em nossa vida? Para nos conduzir daquilo em que cremos Àquele em Quem cremos, para tornar aquilo em que cremos vivo, operante, vida e realidade para nós.
Por isso, irmãos e irmãs, é importante conhecermos Aquele em Quem cremos. Quanto mais O conhecermos de maneira pessoal, pela experiência, melhor.
Vocês sabem, na história da igreja, todos conhecemos Policarpo. Policarpo era o bispo de Esmirna e, durante um período de perseguição, foi capturado.
Por causa de sua idade avançada, o procônsul queria salvar sua vida. Então, o procônsul disse a Policarpo: “Se você apenas jurar pelo gênio de César, se insultar Cristo, será libertado”.
Policarpo respondeu: “Durante oitenta e seis anos tenho servido ao meu Senhor e Salvador. Ele só me fez o bem; como posso negá-Lo?”.
E Policarpo foi queimado até a morte.
Na história da igreja, encontramos muitas histórias sobre esses mártires — sobre como foram provados. A única razão pela qual conseguiram atravessar tudo aquilo foi que conheciam Aquele em Quem haviam crido.
Talvez nem todos sejamos chamados a ser mártires que morrem — isto é, a morrer por Cristo e por Seu testemunho —, mas sabemos que todos somos chamados a ser mártires vivos.
A palavra mártir e a palavra testemunha são a mesma palavra. Todos somos chamados a ser testemunhas de Cristo. A todos nós foi confiado o glorioso evangelho de Jesus Cristo.
Deus espera que cada um de nós seja um mártir vivo. Se alguém deseja viver piedosamente, será perseguido neste mundo, porque até a misericórdia dos ímpios é cruel.
Irmãos e irmãs, esse é o nosso chamado. Somos chamados com uma santa vocação. Somos chamados a ser mártires vivos. Somos chamados a viver para Cristo. Somos chamados a permanecer firmes pelo testemunho de Jesus neste mundo.
Por causa desse chamado, o inimigo não nos deixará em paz. É o mesmo inimigo. Ele tentará nos fazer tropeçar, nos prender em armadilhas. Tentará nos levar a fazer concessões.
Por essa razão, é muito importante termos o conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo: conhecê-Lo e conhecer o poder da Sua ressurreição.
Portanto, irmãos e irmãs, não se contentem com um conhecimento meramente superficial de Cristo — isto é, apenas saber coisas a respeito Dele. Podemos acumular bastante conhecimento sobre Ele. Podemos receber muito ensino. Podemos conhecer muitos ensinamentos. Podemos conhecer a Palavra. Graças a Deus por isso; é importante.
Mas, irmãos e irmãs, precisamos prosseguir para conhecê-Lo. Essa deve ser a única paixão da nossa vida.
Em cada circunstância, aprendam a conhecê-Lo. Quando estivermos em dificuldades, aprendamos a conhecer Aquele que é a solução para todos os nossos problemas. Quando estivermos na prosperidade, aprendamos a conhecê-Lo, para sabermos como viver na prosperidade.
Na verdade, é ainda mais difícil viver para Cristo na prosperidade do que na adversidade. Muitas vezes, quando estamos na adversidade, temos de ir a Ele. Temos de nos aproximar Dele, porque sabemos que não há outra saída.
Mas, quando temos prosperidade — quando a vida é tranquila e tudo corre bem —, tendemos a nos afastar Dele. Tendemos a ficar acomodados.
Perdemos nossa disposição e nosso desejo de conhecê-Lo. Que o Senhor realmente desperte em nós um forte desejo de conhecê-Lo.
Irmãos e irmãs, quanto mais vocês O conhecem, mais querem conhecê-Lo. Mais percebem que ainda não O conhecem o suficiente.
Sempre que você achar que já O conhece muito bem, esse será o começo da sua queda. Porque, quanto mais você O conhece, mais percebe que não O conhece e deseja conhecê-Lo ainda mais.
Portanto, precisamos prosseguir em direção ao alvo: conhecer o Senhor Jesus. Somente aqueles que O conhecem de maneira pessoal, que conhecem Cristo não apenas como Salvador, mas como a própria vida, conseguem atravessar tudo isso. A história nos tem demonstrado isso.
Paulo disse:
Estou plenamente convencido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até àquele dia.
Essas duas coisas estão intimamente relacionadas. Se você O conhece, irá se entregar a Ele. Você não pode conhecê-Lo sem se entregar a Ele.
Se existe algum problema com sua entrega a Ele, isso mostra que você não O conhece como deveria.
O compromisso é algo muito importante na vida, até mesmo no mundo secular. Se não houver compromisso, você não chega a lugar nenhum. É preciso se comprometer com alguma coisa — talvez com uma profissão, talvez com um curso, talvez com um sonho. Mas é preciso haver compromisso.
Se você está comprometido com determinado objetivo, descobre que sua vida tem sentido, porque busca aquilo com que se comprometeu, e há a possibilidade de alcançar êxito.
Se você não está comprometido com nada, fica à deriva. Ao longo de toda a vida, é apenas empurrado pelas forças ao seu redor e nunca realiza nada, porque nunca se compromete.
Neste mundo, se você quer ter êxito, precisa estar plenamente comprometido — comprometido com um sonho, uma visão ou um objetivo. Caso contrário, fracassará.
Agora, irmãos e irmãs, se isso é verdade no mundo, quanto mais verdadeiro é em nossa caminhada espiritual! No mundo espiritual, a entrega é muito, muito essencial.
Mas não estamos comprometidos com uma causa. Muitos estão comprometidos com uma causa, e alguns podem até estar dispostos a morrer por ela. Mas, irmãos e irmãs, temos algo muito maior do que uma causa.
Estamos comprometidos com uma Pessoa. Estamos entregues a Ele — a Cristo —, ao Seu propósito, à Sua vontade. É com isso que estamos comprometidos.
Infelizmente, entre o povo de Deus, vemos que isso é algo que falta muito.
No mundo, encontramos muitas pessoas comprometidas. Mas, quando chegamos ao meio do povo de Deus, é muito estranho: encontramos muito poucos que estão verdadeiramente entregues. Poucos entregam tudo Àquele que é tudo para eles.
Por que isso acontece? Será porque não O conhecemos o suficiente?
Permitam-me usar uma ilustração. Você já se entregou a Ele uma vez, pelo menos para sua salvação.
Você tentou salvar a si mesmo, mas não conseguiu. Chegou ao ponto em que percebeu que estava sem esperança e sem recursos. Então ouviu o evangelho: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores; que Ele morreu na cruz pelos seus pecados; que, se você apenas crer Nele, Ele o perdoará e lhe dará a vida eterna.
Irmãos e irmãs, não foi naquele momento que vocês se entregaram a Ele para sua salvação?
Você sabia que não podia salvar a si mesmo. Ele era o único que podia salvá-lo; por isso, você se entregou a Ele e Lhe pediu que perdoasse seus pecados e o salvasse — e Ele o fez.
Crer é uma entrega. Crer não é apenas algo mental; a fé é uma entrega. Você crê e se entrega a Ele. Aceitá-Lo como seu Salvador é uma entrega.
Mas, estranhamente, depois da nossa entrega inicial, não prosseguimos nesse caminho de entrega.
Por que isso acontece? Penso que provavelmente há duas razões.
Uma razão é que você O conhece apenas como seu Salvador. Isso é tudo o que conhece. Como O conhece apenas como seu Salvador, entrega a Ele somente seus pecados, e nada mais.
Além dos seus pecados, você não entrega nada a Ele. Ainda confia em si mesmo e, por causa disso, não há uma entrega maior. Isso acontece porque é só isso que você conhece a respeito Dele.
Se você O conhecer mais, então, irmãos e irmãs, entregará mais. A entrega é medida pelo seu conhecimento do Senhor Jesus.
Penso que há outra razão pela qual não nos entregamos: o medo de abrir mão do controle.
Vocês sabem, nossa carne, nosso homem natural, confia apenas em si mesmo. Não confiamos em ninguém. A desconfiança é um instinto do ser humano.
Temos medo de confiar em alguém. Temos medo de nos entregar a alguém. É verdade: se você se entrega a pessoas, um dia poderá se machucar. Isso é verdade, porque ninguém é plenamente digno de confiança.
Mas tratamos Deus da mesma maneira que tratamos as outras pessoas.
Sentimo-nos seguros mantendo nossa vida em nossas próprias mãos. Temos confiança na carne. Até nas coisas espirituais, temos confiança nessa nossa carne que consideramos boa.
Por causa disso, não abrimos mão de nós mesmos nem entregamos tudo a Cristo. Gostamos de manter nossa vida em nossas próprias mãos. Em outras palavras, gostamos de estar no controle.
Quando nós mesmos estamos no controle, sentimo-nos seguros. Mas, um dia, quando vier a prova, você verá como sua carne é fraca.
O apóstolo Paulo diz:
Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.
Devemos ser pessoas que foram circuncidadas — não com uma circuncisão exterior, mas com a circuncisão do coração. Em outras palavras, precisamos que a cruz corte a nossa carne, para que não tenhamos confiança nela.
Como Paulo diz em Romanos 7:18:
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.
Irmãos e irmãs, isso é uma confissão. Um dia você chega a perceber que em você — isto é, na sua carne, no seu homem natural, na sua velha carne — não há bem algum.
Você não pode confiar nela. Ela não tem sabedoria, nem força, nem poder.
Quando você percebe isso, consegue abrir mão de si mesmo e deixar Cristo assumir o controle.
Portanto, penso que provavelmente uma razão pela qual não ousamos nos entregar é que ainda temos confiança na nossa carne. Para a carne, sempre existe esse medo de abrir mão do controle.
Mas como é insensato termos confiança na nossa carne e não termos confiança Naquele que nos amou e Se entregou por nós!
O apóstolo Paulo diz:
Eu sei em Quem tenho crido.
Eu O conheço. Sei Quem Ele é.
Ele é meu Rei, meu Senhor, meu tudo. Por ser tudo isso para mim, estou plenamente convencido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até àquele dia.
O apóstolo Paulo não entregou apenas um pouco ao Senhor. Ele entregou tudo ao Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, até que ponto nos entregamos ao Senhor?
Se vocês lerem a Palavra de Deus, encontrarão, por exemplo, em Salmos 37:5-6:
Entrega o teu caminho ao Senhor;
Confia Nele, e Ele tudo fará.
E Ele fará sobressair a tua justiça como a luz,
E o teu juízo como o meio-dia.
Entrega o teu caminho ao Senhor. Este mundo é um deserto. Assim como aconteceu com os filhos de Israel, quando atravessavam o deserto, não havia caminho.
Se fossem deixados por conta própria, sem dúvida teriam se perdido no deserto. Mas, graças a Deus, a coluna de fogo e de nuvem os guiava pelo caminho. A arca de Deus os guiava pelo caminho.
Agora vivemos neste mundo; ele é um deserto. Como sabemos por onde ir para chegar ao nosso lar? Entrega o teu caminho ao Senhor. Nós não sabemos.
Há muitos caminhos que consideramos bons, mas que levam à destruição. Não conhecemos o caminho através deste mundo. Precisamos entregar nosso caminho ao Senhor e depender Dele.
Deixemos que o Espírito de Deus, que habita em nós, nos guie. Os filhos de Israel tinham a arca e a coluna de fogo e de nuvem para guiá-los. Mas nós temos algo ainda melhor, porque o Espírito Santo habita em nós, e Ele nos ensinará em todas as coisas.
A vida de Cristo — Ele é a luz dos homens — nos mostrará o caminho. Confie Nele, e Ele tudo fará. Em outras palavras, Ele nos guiará.
Ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. Em outras palavras, Ele nos guiará pelo caminho certo, para que não nos desviemos nem para a direita nem para a esquerda, mas sigamos em frente.
Entregue seu caminho ao Senhor.
Então, em Provérbios 16:3:
Confia ao Senhor as tuas obras,
E teus pensamentos serão estabelecidos.
Vejam, não precisamos apenas entregar nosso caminho ao Senhor e deixar que Ele nos guie pelo caminho da justiça, pelo caminho da vida eterna; precisamos também entregar nossas obras ao Senhor — tudo o que fazemos.
Seja nosso trabalho, seja nosso serviço ao Senhor, precisamos entregar todas as nossas obras ao Senhor. Então nossos pensamentos serão estabelecidos. Em outras palavras, descobriremos que são o pensamento e o propósito Dele.
Portanto, não importa o que façamos, entreguemos nossas obras a Ele, e Ele cuidará de nós.
Em Jó 5:8:
Mas eu buscaria a Deus,
E a Deus entregaria a minha causa.
Entregue sua causa. Irmãos e irmãs, vivemos neste mundo, e este mundo é difícil. Vocês percebem que enfrentam muitos problemas, às vezes mal-entendidos. A vida é uma grande luta.
Se entregarmos nossa causa ao Senhor, o Senhor sabe. As pessoas podem nos compreender mal ou interpretar mal o que fazemos. Às vezes, você enfrenta problemas que não sabe como resolver. Entregue sua causa ao Senhor.
Simplesmente a entregue, e você descobrirá que Ele será a sua solução. Ele fará justiça. Entregue sua causa ao Senhor.
Novamente, em Salmos 31:5:
Nas Tuas mãos encomendo o meu espírito;
Tu me remiste, Senhor, Deus da verdade.
Não entregamos apenas nosso caminho, nosso trabalho e nossa causa ao Senhor; entregamos também nosso espírito ao Senhor.
Quem é capaz de guardar nosso espírito? Se alguém consegue dominar seu espírito, é mais forte do que aquele que conquista uma cidade. Mas como podemos manter nosso espírito na condição correta?
Às vezes nosso espírito é provocado. Às vezes nosso espírito pode ser contaminado. É por isso que 2 Coríntios 7:1 diz:
Purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.
Nosso espírito é importante porque é por meio dele que temos comunhão com Deus. Mas, às vezes, nosso espírito pode ser contaminado, agitado e perder sua tranquilidade.
Como podemos manter nosso espírito em sintonia com o Espírito de Deus? A vida espiritual está no espírito. Se há algo errado com o espírito, toda a sua vida espiritual está no caminho errado.
Não pense simplesmente: “Bem, eu sigo meu espírito”, quando seu espírito pode estar errado.
Vocês conhecem aqueles dois discípulos de nosso Senhor Jesus, os filhos de Zebedeu, os dois filhos do trovão. Vocês se lembram de que, em Lucas, os samaritanos não receberam nosso Senhor Jesus. Os filhos de Zebedeu vieram ao Senhor e disseram: “Senhor, eles não Te receberam. Queres que mandemos descer fogo do céu para consumi-los?”.
Nosso Senhor estava a caminho do Calvário. Ele tinha um espírito de mansidão, o espírito do Cordeiro. Mas o espírito dos dois discípulos era o espírito de quê? O espírito da fera.
O Senhor disse:
Vós não sabeis de que espírito sois.
Irmãos e irmãs, toda a nossa vida espiritual depende do nosso espírito. Mas, às vezes, nosso espírito pode ser desviado e, quando isso acontece, todo o nosso ser se perde. É por isso que encontramos todas essas seitas e coisas semelhantes.
Como podemos manter nosso espírito puro? Não podemos. Entregue seu espírito ao Senhor.
Tu me remiste, Senhor, Deus da verdade.
Entregue seu espírito a Ele, e Ele o guardará na verdade.
Não apenas nosso espírito: em 1 Pedro 4:19, vemos que precisamos entregar nossa alma ao Senhor.
Portanto, também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-Lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.
Vivemos em um mundo no qual, se você quiser seguir o Senhor e fazer o que é certo, encontrará muitas dificuldades, muita oposição, acusações, perseguições, mal-entendidos — todo tipo de coisa.
Se depender de nós mesmos, desistiremos. Podemos desfalecer e ficar desanimados. Precisamos entregar nossa alma ao Senhor. Ele é fiel. Ele sabe.
Entregue sua alma ao Senhor — suas emoções, seus sentimentos, seus pensamentos, sua vontade. Entregue-se ao Senhor, e então sua alma entrará no descanso.
Ele é o único que pode guardar nossa alma. Não podemos guardá-la por nós mesmos. Nossas emoções podem ser perturbadas com muita facilidade. Uma coisinha mínima pode perturbar nossas emoções.
Nossa imaginação pode correr solta e imaginar coisas. Nossa vontade pode ser, às vezes, passiva e, em outras ocasiões, obstinada.
Somente o Senhor, Aquele que ama nossa alma, é capaz de mantê-la em descanso.
Não apenas nossa alma, mas também nosso corpo. Isso está em Romanos 12:1:
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
Como podemos guardar este corpo? Não podemos guardá-lo. Entregue-o ao Senhor. Se entregarmos nosso corpo ao Senhor, Ele o manterá puro, irrepreensível e sem contaminação.
Esse é o único caminho. Irmãos e irmãs, se vocês examinarem as Escrituras, descobrirão que o que elas dizem é isto: entreguem tudo ao Senhor.
Não retenham nada Dele. Se você retiver alguma coisa Dele, o inimigo saberá, e essa será a área que se tornará a causa da sua queda.
A única maneira de sermos guardados neste mundo, durante nossa passagem por ele, é entregar tudo ao Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos entregar nosso espírito, nossa alma, nosso corpo, nosso trabalho e nossa causa. Em outras palavras, precisamos entregar tudo ao Senhor.
Senhor, Tu nos remiste. Somos Teus; portanto, tudo o que temos é Teu. Se entregarmos tudo ao Senhor, descobriremos que Ele nos guardará até àquele dia.
O grande problema hoje é este: como podemos nos guardar da contaminação e das distrações? Como podemos nos guardar até o dia em que veremos Sua face?
Podemos correr muito bem no início, mas depois cair pelo caminho, no meio da jornada. Como podemos saber que completaremos a carreira até o fim, que guardaremos a fé até o fim?
Irmãos e irmãs, esse é um grande problema. Não podemos depender de nós mesmos. O único caminho é deixar que Ele nos guarde. Entregue-se.
Para algumas pessoas, a entrega é algo terrível, porque tudo sai de suas mãos. Mas, se você conhece Aquele a Quem se entregou, é algo que traz imensa paz e bênção, porque você sabe que está em boas mãos.
Você está nas boas mãos do Senhor Jesus.
Não retenham nada, irmãos e irmãs. Vivemos em um tempo em que, se vocês retiverem alguma coisa, essa coisa será a causa da sua queda. É preciso entregar tudo ao Senhor, porque Ele Se entregou inteiramente a vocês.
Paulo diz: “Até àquele dia”. Agora, que dia é esse?
A Bíblia fala de vários dias: este dia e aquele dia. O que é esse dia? A palavra dia, aqui, talvez não signifique apenas um dia de vinte e quatro horas. Pode significar um período com determinadas características específicas.
Por exemplo, a Bíblia fala do dia do Senhor. Esse é o dia do juízo, um dia terrível que um dia virá sobre este mundo.
Mas esse “aquele dia” é o dia de Cristo.
É o dia de Cristo de que o apóstolo Paulo fala em Filipenses. Ele disse que vocês podem chegar ao dia de Cristo irrepreensíveis.
É o dia em que nós, como povo de Deus, compareceremos todos diante de Cristo. É o dia da Sua vinda — Sua parousia, Sua presença. É o dia em que todos nos reuniremos diante Dele.
É um dia glorioso, mas também pode ser um dia terrível. Em que sentido?
Um dia, quando todos comparecermos diante Dele, no tribunal de Cristo, graças a Deus, estaremos salvos.
Cristo foi julgado por nós na cruz do Calvário. Portanto, não compareceremos ao julgamento do grande trono branco, o julgamento judicial da vida eterna e da morte eterna. Graças a Deus, tudo isso já está resolvido.
Mas, irmãos e irmãs, como família de Deus, quando nos reunirmos em Sua presença no dia de Cristo, lembrem-se de que esse será o dia do tribunal de Cristo.
Não é um julgamento diante de um trono; é um julgamento diante de um assento de juiz — o bema. Não é um julgamento judicial; é um julgamento da família.
Quando estivermos todos juntos diante Dele, Ele julgará Sua família de acordo com as obras que fizemos na terra depois que entramos em Sua família.
Alguns podem edificar com ouro, prata e pedras preciosas. Outros edificarão com madeira, feno e palha. Aquele dia revelará tudo.
Hoje não sabemos quem é mais espiritual, quem é menos espiritual, quem está mais entregue ou quem está menos entregue. Ninguém sabe.
Podemos pensar que alguns irmãos e irmãs são muito espirituais e, no entanto, naquele dia, descobrir que tudo é madeira, feno e palha. Ou outros podem passar despercebidos. Podemos pensar: “Quem é aquele irmãozinho ou aquela irmãzinha?”. Mas, naquele dia, talvez vejamos essa pessoa resplandecendo. Quem sabe? Nós não sabemos, mas o Senhor sabe.
Naquele dia, o fogo se manifestará. O Senhor é o fogo que arde, e Ele provará cada um de nós para ver até que ponto estamos entregues a Ele.
Irmãos e irmãs, tudo o que foi entregue a Ele, Ele guarda para aquele dia. Mas tudo o que não foi entregue a Ele não será guardado para aquele dia. Essa é a diferença.
O desejo de Paulo era poder estar diante do Senhor sem se envergonhar. Poder estar diante do Senhor santo e irrepreensível. Esse era o desejo de Paulo.
Irmãos e irmãs, é assim que o Senhor quer que sejamos. Ele realmente não quer que O encontremos com vergonha — que nós nos sintamos envergonhados e que Ele Se envergonhe de nós. Se isso acontecer, ai de nós!
Seu desejo é receber uma igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, porque é isso que Ele busca.
Como devemos orar para que, quando O virmos, Ele não Se envergonhe de nós, porque sabemos em Quem temos crido, entregamos tudo a Ele e sabemos que Ele guardou isso para nós!
Portanto, irmãos e irmãs, o encargo em meu coração é este: estamos vivendo no fim desta era. Os tempos não ficarão mais fáceis; ficarão cada vez mais difíceis.
As provas serão mais severas. As tribulações serão mais pesadas. Irmãos e irmãs, como podemos ser guardados puros e sem contaminação para o Senhor?
Esse é o meu encargo, e eu realmente sinto, realmente creio, que aqui está o caminho:
Eu sei em Quem tenho crido e estou plenamente convencido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até àquele dia.
Portanto, irmãos e irmãs, se vocês ainda não se entregaram ao Senhor, se ainda não entregaram tudo a Ele, façam isso hoje. Não esperem, porque não sabemos o que vai acontecer. Não sabemos o que acontecerá amanhã.
As coisas estão mudando tão depressa nestes dias. À medida que nos aproximamos do fim desta era, as coisas mudam da noite para o dia. Em poucas horas, tudo pode mudar.
Nossa única segurança está no Senhor. Onde está a perseverança dos santos? Não nos santos, mas no Senhor. Nossa perseverança está Nele.
Ele não pode guardar aquilo que você não entregou. Ele não lhe impõe nada. Embora o ame muito, não o forçará. Mas também não poderá guardar aquilo por você. Para que Ele guarde, você precisa entregar.
A entrega é a coisa mais abençoada da vida. Queridos irmãos e irmãs, não tenham medo de se entregar ao Senhor, porque isso é bênção.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque nos deste Teu Filho amado, e Ele nos deu tudo de Si!
Nós Te louvamos e agradecemos porque sabemos em Quem temos crido. Reconhecemos que não Te conhecemos o suficiente e, por causa disso, não ousamos entregar a Ti tanto quanto deveríamos.
Senhor, reconhecemos nossa insensatez ao nos mantermos afastados de Ti, conservando as coisas em nossas próprias mãos. Senhor, pedimos que abras nosso entendimento. Pedimos que amplie nossa visão de Ti.
Ah, pedimos que possamos entregar tudo a Ti, porque Tu és o único capaz de nos guardar neste tempo de trevas.
Portanto, Senhor, abençoa nossos irmãos e irmãs, para que, quando Te virmos, não nos envergonhemos; para que possamos ouvir Tua voz:
Bem está, servo bom e fiel.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.